O tarifaço de Donald Trump após a sentença devastadora a parceiros comerciais em todo o mundo, no que ele chamou de “Dia da Libertação”, não tardou a gerar reações. A China e Europa responderam imediatamente aos anúncios, garantindo duras retaliações, no que promete ser o início de uma grave crise comercial mundial.
A China, o país mais afetado, deverá pagar uma taxa de um total de 54% sobre todos os produtos exportados para os Estados Unidos. Isso porque, acima da tarifa de 20% já atualmente aplicada, Trump decretou um adicional de 34% nesta quarta-feira (02).
“A China se opõe firmemente a isso e tomará resolutamente contramedidas para salvaguardar seus próprios direitos e interesses”, respondeu, imediatamente, o Ministério do Comércio da China, em comunicado.
A pasta, responsável pelas relações comerciais internacionais, afirmou que a atitude de Trump é uma “prática típica de intimidação unilateral” e que as taxas não são verdadeiramente “recíprocas”.
EUA TRAVAM GUERRA COMERCIAL
A alegação do mandatário norte-americano é que os EUA deverá aplicar as mesmas taxas de importação aplicadas pelos países correspondentes, de forma a supostamente proteger o comércio e indústria nacionais [entenda mais aqui]. Para o governo chinês, a decisão dos EUA é “inconsistente comas as regras do comércio internacional” e tem como base “avaliações subjetivas e unilaterais”, ou seja, não leva em consideração o peso e impacto, o que inclui não somente os países afetados, como também as próprias indústrias norte-americanas.
Para se ter uma ideia, gigantes da Big Tech dos próprios EUA perderam bilhões em valores de mercado nesta quarta, após o anúncio de Trump. A Apple, por exemplo, já perdeu mais de US$ 100 bilhões, em poucas horas, por deter parte significativa da produção na China, Índia e Vietnã, todos países que sofreram os altos reajustes de Trump.
Além da reação propriamente do mercado, que lida com inseguranças e temores, os recuos e perdas econômicas ocorrerão diretamente nas produções destes países e vendas de peças para indústrias-chave dos EUA que necessitam das mesmas para a sua própria produção.
Algumas das altas taxas anunciadas nesta quarta entrarão em vigor já neste sábado, 5 de abril.
CHINA: A PRINCIPAL MIRA DOS EUA
Desde o primeiro dia de governo, Trump anunciou 10% de imposto sobre as importações chinesas e, um mês depois de assumir a Casa Branca, uma nova rodada de 10% adicionais de taxas.
As primeiras respostas de Pequim também foram imediatas, com taxas retaliatórias sobre uma série de importações dos EUA, com um pacote de taxas de 15% sobre carvão e gás natural liquefeito e 10% sobre petróleo bruto, máquinas agrícolas e alguns veículos.
Desta vez, contudo, o tom foi mais forte e a China pediu que Washington cancele as novas medidas tarifárias, indicando uma resposta mais dura, caso contrário.
“A China insta os Estados Unidos a cancelarem imediatamente as taxas unilaterais e a resolverem adequadamente as disputas com os seus parceiros comerciais através de um diálogo justo”, disse, em comunicado.
Segundo o Ministério do Comércio chinês, o novo tarifaço “colocam em risco o desenvolvimento econômico global” e promete “lutar para defende os direitos e interesses”. Ao final da mensagem, Pequim deu um claro recado: “Não há vencedores numa guerra comercial.”
CONFIRA AS REAÇÕES INTERNACIONAIS
A Ásia foi o principal continente afetado pelo anúncio de Trump. Além da China, a Índia sofrerá uma tarifa de 26% e o Japão – que sofrerá um total de 24% de taxas sobre as importações para os EUA – respondeu à Casa Branca, afirmando que as medidas “extremamente lamentáveis” implicarão em ameaças aos investimentos dos japoneses no país.
A Coreia do Sul também entrou na mira, com um total de 25% para o país. O líder interino, Han Duck-soo, afirmou que “uma guerra tarifária global se tornou realidade” e pediu às autoridades “todos os esforços para superar a crise comercial”.
Os demais países serão taxados em um total de 10%, incluindo os países da América Latina, Reino Unido e Cingapura. Sem muitas reações, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer disse que o país buscará “manter a calma”.
A União Europeia também reagiu ao anúncio de Trump e a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, disse que o bloco está finalizando “o primeiro pacote de contramedidas em resposta às tarifas do aço” e que defenderá “os interesses a valores” da Europa.
O Brasil aprovou uma lei que permitiu uma retaliação contra os norte-americanos, com apoio dos ruralistas na Câmara dos Deputados. O projeto seguiu para a sanção presidencial nesta mesma quarta-feira (02).
Já o México e Canadá, que sofreram uma das maiores taxas iniciais, permanecem com os mesmos 25% de tarifas do mês passado. Naquele período, ambos os países já reagiram e o premir canadense, Mark Carney, alertou que as tarifas “irão mudar fundamentalmente o sistema de comércio mundial”.
De forma ainda mais intimidatória, os EUA se anteciparam às reações de todos os países e, à imprensa, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse que aqueles que retaliarem os EUA sofrerão aumentos ainda maiores de taxas.
“Meu conselho para todos os países neste momento é: Não retaliem”, disse. “Se você retaliar, haverá uma escalada.”
Com informações da Bloomberg, AFP e RTP.
Rui Ribeiro
3 de abril de 2025 12:58 pmEm Meditações VII, John Donne escreveu:
“Nenhum homem é uma ilha, isolado em si mesmo; cada ser humano é uma parte do continente, uma parte de um todo. Se um torrão de terra for levado pelas águas até o mar, a Europa ficará diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não pergunte por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”.
O mesmo vale para os países, principalmente após a globalização.
Rui Ribeiro
4 de abril de 2025 6:36 amSe houver reciprocidade de tarifas, as exportações dos EUA para os países tarifados vão ser reduzidas, influenciando negativamente a economia, o emprego, a renda e a oferta
“Agora é a nossa vez de prosperar e, ao fazer isso, usar trilhões e trilhões de dólares para reduzir nossos impostos e pagar nossa dívida nacional, e tudo isso acontecerá muito rapidamente”, disse Trump.
Se essa prosperidade acontecer, ela acontecerá em detrimento da população estadunidenses e das suas empresas, que pagarão maiores impostos por tudo o que não é produzido pelos EUA e que não tem alternativa senão a importação para abastecer o mercado interno
José de Almeida Bispo
4 de abril de 2025 7:47 amUm dia o liberalismo radical, da fluidez total, iria chegar num fim.
Os Estados Unidos é uma potência; e não vai se deixar implodir de graça. Mesmo tendo sido o ator principal de quase tudo “que ergueu e destruiu coisas belas”.
Azar o de quem não se cuidou, com providenciais salvaguardas.
Rui Ribeiro
4 de abril de 2025 2:31 pm“A troca de dor a curto prazo por ganho a longo prazo pode ser muito real e uma coisa importante a se buscar”. – Oren Cass
Diria Einstein que passar um uma hora com uma Mulher Bonita e Agradável parece um segundo e passar um segundo com um ferro de engomar quente nas nádegas parece uma hora. Para quem vai sentir dor a curto prazo infligida pela recessão ou desaceleração econômica o curto prazo parece um prazo muito longo.
Rui Ribeiro
4 de abril de 2025 8:38 pmOs estadunidenses só empoderam idiotas
JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO
5 de abril de 2025 7:36 amFinalmente os plutocratas americanos se libertaram de algum resquício de bom senso que ainda existia. Parece que o agente laranja se inspirou na letra da música “com que roupa” do Noel Rosa: “vou tratar você com força bruta, pra poder me reabilitar…” Então, eu pergunto, ccom que roupa?