Lava Jato teve clara intenção política de eliminar Lula, diz Baltasar Gárzon

Para o ex-juiz espanhol conhecido por prender o ditador chileno Pinochet e participar de processos das ditaduras argentina e espanhola, "a Lava Jato é cheia de meias verdades"

O juiz Baltasar Garzón, que condenou Pinochet por crimes contra a humanidade | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Jornal GGN – Houve uma clara intenção política da Operação Lava Jato de eliminação do ex-presidente Lula na disputa eleitoral, afirmou o ex-juiz espanhol Baltasar Gárzon, conhecido por decretar a prisão do ditador chileno Augusto Pinochet, em 1998, e participar de outros processos das ditaduras argentina e espanhola, além de casos de Guantánamo.

“A Lava Jato é cheia de meias verdades”, disse o jurista, em entrevista à agência EFE em um hotel em São Paulo. O ex-juiz espanhol veio ao Brasil para participar do lançamento do “Núcleo Monitora”, projeto inédito de monitoramento e advocacy das recomendações da Comissão Nacional da Verdade (CNV), cinco anos após a publicação do relatório.

Garzón também visitou o ex-presidente Lula, na sede da Polícia Federal, em Curitiba, e concedeu entrevistas. Á EFE, questionou a maneira como a Lava Jato foi comandada no Brasil e também falou sobre a tensão vivida no país vizinho, Argentina, a poucas semanas das eleições presidenciais. Tratou do processo de paz na Colômbia e disse sobre seu interesse em retornar à magistratura, em 2021.

O ex-juiz espanhol foi o responsável pela ordem de prisão do ditador chileno Augusto Pinochet, em 1998, e hoje é um dos mais renomados advogados pelos direitos humanos no mundo. Além do caso de Pinochet, ditador do qual Bolsonaro faz questão de defender em todos as suas manifestações sobre o país vizinho Chile, o juiz também atuou na investigação de assassinatos por forças leais ao ditador espanhol Francisco Franco, além da abertura de um inquérito detalhado sobre as torturas na prisão norte-americana de Guantánamo.

 

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