Câmara do Rio começa a discutir impeachment de Crivella

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Rio de Janeiro - O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, fala à imprensa sobre surto de hepatite A, após visitar Clínica da Família Dr. Rodolpho Perissé, no Vidigal, zona sul da capital fluminense (Tomaz Silva/Agência Brasil)

da Agência Brasil

Câmara do Rio começa a discutir hoje impeachment de Crivella

A votação deve ocorrer amanhã (12)

Por Vladimir Platonow – Repórter da Agência Brasil  Rio de Janeiro

A Câmara Municipal do Rio de Janeiro suspendeu extraordinariamente o recesso e discute, a partir de hoje (11), o futuro do prefeito da capital, Marcelo Crivella (PRB). Dezessete vereadores de oito partidos de oposição conseguiram interromper o recesso para pôr em discussão e votação o processo de impeachment de Crivella. A votação deve ocorrer amanhã (12).   

Desde ontem (10), Crivella vive dias decisivos. A batalha começou com os pedidos de impeachment contra o prefeito, que governa o Rio há um ano e meio. Os vereadores querem debater a conduta dele.

Em reunião no Palácio da Cidade, na semana passada, Crivella ofereceu a líderes religiosos ajuda para realização de cirurgias de catarata e varizes, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), para os fieis. O prefeito também indicou a possibilidade de colaborar com os religiosos para a obtenção de isenção legal de pagamento do Imposto Predial Territorial Urbano ( IPTU) para seus templos.

Mobilização

A bancada de oposição está confiante na mobilização popular para lotar as galerias da Câmara e, assim, pressionar vereadores indecisos, que possam estar descontentes com a condução de Crivella.

A aprovação do impeachment depende de  34 votos favoráveis para iniciar o processo. Os parlamentares da base de Crivella classificam a iniciativa de eleitoreira e garantem que ela será derrotada por ampla margem de votos.

Segundo os oposicionistas, o “pecado” de Crivella foi ter realizado um encontro, no último dia 4, com fiéis evangélicos dentro do Palácio da Cidade, uma das sedes oficiais da prefeitura.

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Há gravações de áudio e vídeo com registros de que o prefeito ofereceu vantagens como cirurgias de catarata, varizes, vasectomia e até mesmo a isenção de IPTU para igrejas evangélicas.

Volúvel

“A base aliada do prefeito é muito volúvel. Ele não tem uma base orgânica, como o [ex] prefeito Eduardo Paes tinha, de 18 vereadores. O Crivella foi eleito com apenas três vereadores de seu partido. Então, a composição de maioria na Câmara depende sempre de muita negociação”, disse o vereador Renato Cinco (PSOL).

Porém, o líder da bancada governista, vereador Dr. Jairinho (MDB), sustenta que tudo aconteceu dentro da normalidade, e que não representa motivo sério para o impeachment de Crivella.

“Não tem motivação para impeachment. Isso é um processo eleitoreiro. Estão querendo fazer um palanque político. Ninguém viu motivação grave para isso. Estamos passando por um momento tão difícil no Brasil, aí o cara faz uma reunião para poder orientar, e vai tomar o impeachment? Não é razoável”, assegurou Jairinho.

 

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8 comentários

  1. Os processos de impeachment

    Os processos de impeachment estão muito suspeitos desde o processo que tirou uma presidente sem crime eleita democraticamente. Não conhece o caso concreto do Rio. Mas a soberania popular tem sido tão  atacada que esse instrumento precisa ser repensado. 

  2. O que está acontecendo no Rio

    O que está acontecendo no Rio com Crivella é uma amostra da mais terrível das desgraças que vieram com a abertura da caixa de pandora do impeachment = a chantagem que presidente, governadores e prefeitos sofrerão de seu respectivo legislativo, leia-se, mdb, que normalmente é o partido com o maior número de eleitos.

    Sou totalmente contra a tudo que pensa Crivella. Só o fato de ele querer misturar deslavadamente religião – melhor dizendo, o pensamento da Universal,  e política o torna, pra mim, uma figura nefasta. Mas o que está acontecendo com ele não é pela moralização da fila da saúde, claro que não. Agora ele terá que se abrir à fome insaciável do mdb pra continuar no poder. Saciando a fome, continua no cargo. Se não, cai fora. O mesmo processo que houve com Cunha e Dilma. Quando Cunha viu que não conseguiria arrancar mais nada do PT, ele abriu o processo de impeachment. É como o Nassif disse no último post = chegamos a um ponto em que só um déspota ( primitivo ou esclarecido) pode dar o mínimo de racionalidade política ao país. Pra isso, o presidente tem que enquadrar quase ao mesmo tempo mdb e Globo. Se não fizer isso, arrisca-se a não terminar mandato. 

  3. PSOL querendo dar um golpe

    PSOL querendo dar um golpe pra colocar o PMDB no poder! Vice do Crivella morreu e o presidente da câmara é do PMDB…

  4. Esse Prefeito é um picareta,
    Esse Prefeito é um picareta, não vale nada.
    Mas quem está por detrás desse impeachment é a Globo.

    Crivella cortou verba publicitária da Globo e direcionou para Record.

    Globo está morrendo de raiva dele.

    Só por isso corre o risco de perder o cargo.
    Se a Globo manda no Brasil, não vai mandar na cidade onde tem sua maior base,sua maior estrutura. O PROJAC .

    O Crivella só não cai com muita oração. Os pastores e ovelhas da IURD terão que fazerem muitas vigílias de orações e penitência.

  5. Os zumbis da globo.

    Tá feia a coisa.

    O piçol sempre fazendo o papel de…piçol.

    Ora pilordas, se é para atacar o direcionamento de verbas e serviços de saúde dos municípios, vai ser preciso acabar com a farra da pilantropia que enche as burras das provedorias das santas casas (que de santas nada têm), e de tantas outras instituições católicas que servem como contratualizadas há séculos ao SUS.

    Um prefeito fazer reunião para dizer que vai ajudar a resolver problemas de sua base política, sejam eles religiosos ou funkeiros, é agora motivo de impedimento?

    E a grobo segue nadando de braçada na guerra semiótica:

    Ela derruba o estado de bem estar social, prega o rigor fiscal para pagar seus sócios da banca, e depois vai na outra ponta dilapidar o capital político dos inimigos pelo argumento da carência e precariedade de serviços.

    E os cruzados daqui do blog e da capital carioca, sejam os cruzados católicos, da cheesequerda (que derrete no menor “calor político”), e da “malandragem boa praça autodenominada”, embarcam no projeto do clã marinho.

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