Exclusivo: Thompson Flores atuou para Gabriela Hardt permanecer na Lava Jato

O presidente do TRF-4, Thompson Flores, criou mudança administrativa no Tribunal para que Gabriela Hardt pudesse ser nomeada pela Corregedoria para atuar em "regime de auxílio"

Jornal GGN – O presidente do TRF-4, Thompson Flores, escreveu uma resolução interna para permitir que a juíza Gabriela Hardt, ligada a Sergio Moro, pudesse continuar atuando no comando da Operação Lava Jato e dos processos da 13ª Vara Federal de Curitiba.

Nesta sexta-feira (30), reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que uma portaria da Justiça Federal autorizou, em maio deste ano, que Gabriela Hardt pudesse atuar com Bonat, a quatro mãos na Lava Jato. O GGN teve acesso a este documento e também a uma resolução anterior à portaria, que revela que foi o presidente do TRF-4, Carlos Eduardo Thompson Flores, quem articulou a permanência da magistrada na Lava Jato.

Hardt foi juíza substituta de Sergio Moro, no período em que o hoje ministro era o juiz responsável, e ocupou interinamente a 13ª Vara Federal de Curitiba quando Moro tornou-se ministro do governo Jair Bolsonaro. Tanto nas ausências de Moro por viagens, compromissos e licenças, como posteriormente, Gabriela mostrou ser fiel ao alinhamento do ex-magistrado, tomando medidas similares e congruentes à postura de Moro.

E foi a juíza que, logo após a saída de Sergio Moro da Justiça Federal, condenou o ex-presidente Lula na segunda sentença, relativa ao sitio de Atibaia, usando para isso os argumentos e conclusões de despachos anteriores de Moro. Em outra atuação comparável, durante o depoimento de Lula sobre o sítio, Hardt confrontou o ex-presidente em postura similar à que o ex-juiz costumava adotar: “Se o senhor começar nesse tom comigo, a gente vai ter problema”.

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Além do visível alinhamento, Gabriela Hardt já chegou a se encontrar com o ex-juiz e hoje ministro de governo em eventos como o da Associação Paranaense dos Juízes Federais, na semana passada.

No documento obtido pela Folha e também pelo GGN, a corregedora regional Eliana Paggiarin Marinho publica uma portaria, em maio deste ano, designando Gabriela Hardt a “atuar em regime de auxílio, com prejuízo da própria jurisdição, nos processos do Juízo Federal da 13ª Vara Federal de Curitiba”. A medida estabelece que Hardt auxiliaria Bonat desde maio deste ano, quando a portaria foi publicada, até o fim de novembro.

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A portaria nº 489 descreve, claramente, que a magistrada poderia atuar tanto em processos “não relacionados à Operação Lava Jato, no período de 03/06/2019 a 26/11/2019, bem como nos processos relacionados à citada Operação na fase anterior ao oferecimento de denúncia e posterior à sentença, no período de 27/05/2019 a 26/11/2019”.

Entretanto, afora a medida assinada pela Corregedoria Regional, um outro documento anterior e obtido pelo GGN [disponibilizado abaixo], foi o que possibilitou essa portaria. Trata-se de uma decisão do presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, que por meio de uma resolução, cria este espaço para a mudança administrativa e interna na Justiça Federal.

A modificação nas funções de um juiz, que até então já havia sido afastada e estava na condição de substituta, foi feita com a Resolução Nº 54, no dia 24 de maio de 2019, 10 dias depois de a Corregedoria Regional ter decidido afastar Gabriela Hardt da Vara Federal de Curitiba, por um período de recesso.

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Porque no dia 13 de maio, uma portaria da Corregedoria divulgava que Luiz Antonio Bonat, o então juiz escolhido pelo desembargador federal Carlos Thompson Flores, presidente do TRF-4, ocuparia definitivamente o posto que era de Sergio Moro, por motivos de recesso de Gabriela Hardt. Já escolhido como titular da 13ª Vara ainda em fevereiro deste ano, a portaria de maio afastava a juíza:

A decisão de Thompson Flores foi de “Instituir regime de auxílio ao Juízo Substituto da 13ª Vara Federal de Curitiba, o qual será prestado pela 9ª Vara Federal de Curitiba”. Gabriela Hardt é quem atua na 9ª Vara. No documento, o desembargador deixa claro que a juíza terá competência para atuar em “todos os processos em andamento”.

Além disso, o presidente do TRF-4 aponta que o período de 6 meses de auxilio poderá “ser abreviado ou prorrogado, mediante ato da Presidência do Tribunal”. A resolução passou a valer no dia 27 de maio, mesmo dia em que a portaria da Corregedoria determinou o início da atuação de Gabriela Hardt na Lava Jato de Curitiba.

O documento pode ser acessado abaixo [os destaques são da reportagem do GGN]:

ResolucaoTRF4-Pag1-2

 

 

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10 comentários

    • luizazenha superestrutura que constrói subjetividades junto as massas cada vez mais manipuladas é um rolo compressor formado pelos 4 sistemas : religioso, midiático, educacional e judicial : meu irmão e sua esposa rodavam num Fiat e veio uma Hi Lux com Air bag na contramão e matou os : pedimos a apreensão da Hi Lux para a perícia : a ricaça entrou na justiça alegando que teve prejuízo material : uma juíza de Balsas MA condenou o falecido a pagar 150 mil reais : neste dia 5 um desembargador vai julgar o caso em segunda instância, mas face ao poderio econômico dos assassinos já sabemos do resultado : teremos que pagar, além de termos perdido ele e esposa ….esse país tem jeito ?

  1. Como eu sempre dizia pros espiritas… So unzinho juiz consegue ser filho da puta.

    Dois ou mais sao tudo uma putada so.

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  2. O Clube tem que se manter fechado.
    Se entrar algum juiz isento, pode colocar tudo a perder. Todo o esforço de perseguição ao Lula pode ir por água abaixo.
    Assim funciona a horda lavajateira.

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    • Inclusive, digno de uma reportagem no nível em que o Nassif faz, tratando de como esses juízes combinaram a composição do TRF-4, como instância revisora das decisões do S. Moro. Forçaram a barra e atropelaram as regras, o Regimento para fazer uma composição com os parceiros de farsa, tipo Gebran Neto, Leandro Paulsen e Thompson Flores. Exatamente para garantirem os resultados farsescos. (Se não me engano o Nassif tratou disso. Ou foi algum outro jornalista).
      De qualquer modo, é um assunto muito relevante para entender e desvendar a farsa na sua trama e profundidade. Por que é um dos pilares dos criminosos farsantes, o discurso de que as decisões do “juiz” S. Moro foram todas confirmadas na Segunda instância.

  3. O que esperar da coligação golpista e corporativista, que se blinda, se protege, se engana e se torna a maior vergonha e mais desacreditada facção do judiciário brasileiro que se tem notícia?

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  4. Isso apenas comprova mais uma vez que o chefe operacional do golpe, dentro do judiciário, é o desembargador carlos thompson flores lenz.
    Sérgio moro cumpriu o papel de sicário e capitão do mato na caçada a Lula. Mas quem sempre comandou os tempos processuais e a montagem da turma homologadora, assim como a distribuição dos processos foi esse descendente do genocida que exterminou Canudos.

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  5. E tem gente ainda acreditando que o presidente Lula poderá ter, em algum momento, um julgamento justo por parte desses facínoras de toga.

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