JN usa contra Lula, na véspera da posse de Haddad, delações velhas e sem provas de Palocci

Foto: Agência Brasil
 
 
Jornal GGN – Menos de 24 horas antes de o PT ser obrigado a substituir Lula na eleição presidencial de 2018, o Jornal Nacional divulgou depoimentos que Antonio Palocci concedeu à força-tarefa da operação Greenfiel, na noite de segunda (10). Só que as falas de Palocci, dando a entender que Lula arquitetou corrupção envolvendo o pré-sal para bancar campanhas do PT, já é conhecida desde o ano passado. Em depoimento a Sergio Moro, Palocci contou a mesma narrativa. E sua delação, ao final, acabou sendo negociada com a Polícia Federal, pois até a Lava Jato em Curitiba entendeu que não havia provas do que declarou o ex-ministro.
 
Palocci está preso desde setembro de 2016 e já tem uma condenação a 12 anos de prisão. Ao contrário de outros delatores da Lava Jato, ele não conseguiu fechar o acordo de colaboração com os procuradores da República liderados por Deltan Dallagnol e escapar do regime fechado.
 
Por isso, a defesa de Lula e a assessoria de Dilma, ao rebaterem a reportagem do Jornal Nacional, destacaram que Palocci, na situação em que se encontra, toparia dizer qualquer coisa para receber os mesmos benefícios de outros delatores.
 
Segundo a reportagem do JN, Palocci disse à Greenfield -em junho, mas a divulgação só ocorreu nesta segunda-feira, 10 – que a descoberta do pré-sal marcou uma “guinada” no comportamento de Lula, que teria abandonado os cuidados exigidos pelo cargo e passou a “atuar diretamente no pedido de propina.”
 
Disse Palocci: “Ele sempre soube que tinha ilícito e sempre apoiou as iniciativas de financiamento de campanha. Mas, no caso do pré-sal, ele começou a ter uma atuação pessoal.”
 
Palocci afirmou que Lula se envolveu diretamente na operação de fundos de pensão no projeto da usina de Belo Monte, no Pará. “Ele sabia que a partir desse investimento e desse projeto haveria pedido de propina.” De acordo com o delator, Dilma, na Casa Civil, “forçava a barra para os fundos investirem” no empreendimento. “Ela insistia que aquilo era uma ordem do presidente Lula e fazia reunião.”
 
Não suficiente, Palocci ainda falou que a compra de caças pelo governo brasileiro teria tido “interferência inadequada” de Lula e o do então presidente francês Nicolas Sarkozy. Só que o Brasil nunca comprou os caças franceses, mas sim os suecos da Gripen.
 
Em 2017, o discurso de Palocci diante de Moro, no âmbito do processo em que Lula é investigado por vantagem indevida da Odebrecht.
 
Disse o ex-ministro: “O presidente falou, foi a primeira vez que ele falou dessa maneira tão direta. Mas ele falou: ‘Olha, eu chamei vocês aqui porque o pré-sal é o passaporte do Brasil para o futuro, é o que vai nos dar… combustível pra um projeto político de longo prazo no Brasil. Ele vai pagar as contas nacionais, vai ser o grande financiador das contas nacionais, dos grandes projetos do Brasil. E eu quero que o [Sergio] Gabrielli faça as sondas pensando neste grande projeto para o Brasil. Mas o Palocci está aqui, Gabrielli, porque ele vai lhe acompanhar nesse projeto pra que ele tenha total sucesso e pra que ele garanta que uma parcela desses projetos financie a campanha dessa companheira aqui, Dilma Rousseff, que eu quero ver eleita presidente do Brasil'”, acrescentou. Leia mais aqui.
 
Em nota, a defesa de Lula diz que Palocci mente em busca de benefícios.
 
A assessoria de Dilma afirmou que os atos relacionados ao fundo de investimentos eram administrativos e estão sendo indevidamente criminalizados. Ela também expôs os interesses controversos na delação de Palocci e o papel da Globo no golpe contra governos do PT.
 
***

 

Leia também:  Quem está disposto a romper o pacto que sustenta Bolsonaro, comentário de Rafael Viera

Sobre as velhas declarações de Antonio Palocci, exibidas mais uma vez como novas pela Rede Globo de Televisão, a Assessoria de Imprensa de Dilma Rousseff informa:

 

1. Em todos os períodos eleitorais do qual a Presidenta participou, a Rede Globo criou factóides a fim de atingir a imagem, a honra e a autoridade política de Dilma Rousseff. Foi assim em 2010, 2014 – nos dois turnos – e, agora, em 2018.

2. A Globo ajudou a criar as condições para o Golpe de 2016, quando envenenou o ambiente e incitou o impeachment fraudulento e sem crime de responsabilidade, que tirou Dilma Rousseff da Presidência da República.

3. Às vésperas das eleições de 2010 e 2014 lançou acusações e fomentou escândalos, usando fatos que posteriormente se mostraram infundados. Em outros momentos “repercutiu”, de forma quase orquestrada, a campanha difamatória promovida por outros veículos de mídia, antes, durante e depois do Golpe de 2016.

4. Agora, a Globo traz à tona uma nova declaração do senhor Antonio Palocci. Na verdade, ressuscita o senhor Palocci, que de forma desesperada está disposto a tudo, à mais deslavada mentira, à mais fantasiosa invenção para sair da prisão. E, mais uma vez, um testemunho sem provas, calcado em inverdades.

5. Nessa velha “delação implorada”, o senhor Palocci tem a mesma conduta mentirosa apresentada em outros depoimentos a autoridades da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Tudo com o propósito de obter um acordo que o permita deixar a prisão.

6. Novamente, o senhor Palocci repete a ficção de reuniões com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Jamais existiram reuniões sobre tais temas.

7. A ficção de Palocci chega ao ponto de criminalizar a atuação dos ex-presidentes Lula e Dilma por orientar investimentos de fundos de pensão. Transforma uma ação administrativa em crime, de maneira irresponsável e criminosa. Difamação e injúria sistematicamente cometidas. Mais uma vez, um testemunho sem provas ou indícios. Em todo o mundo, fundos de pensão investem em projetos de longo prazo que garantem retornos seguros. É o caso da Usina de Belo Monte.

8. Sobre a “atuação de Lula” na negociação da compra de caças para as Forças Armadas, a denúncia do senhor Palocci não é apenas patética, mas pífia. É público e notório que o acordo com a França jamais prosperou.

9. O acordo e a parceria para a construção dos caças foi feito com a Suécia, no governo da Presidente Dilma Rousseff, cinco anos depois do presidente Lula sair do governo. Daí que não se sustenta a ficção do senhor Palocci em torno de um pedido de propina nas negociações entre os governos brasileiro e francês.

10. A estratégia da Globo, repetida nas últimas três eleições, de macular as imagens dos ex-Presidentes Lula e Dilma, mais uma vez, não surtirá efeito.

11. Assim como em 2010 e 2014, a Presidenta Dilma conquistou o apoio do povo brasileiro e venceu duas eleições presidenciais.

12. Lula tem sua liderança política reconhecida pelo povo brasileiro. Há, no mundo, um clamor por sua libertação. Lula é inocente e foi condenado sem provas.

13. Por isso, nada poderá deter a vitória do PT nas eleições de outubro. Em Minas e no Brasil.

 

3 comentários

  1. Esquentando a Língua Gelada do Pulhocci

    Fala sério, GGN!

    Pulhocci nas tentativas de delações contra o PT e Lula, em busca de ser premiado com a liberdade e o gozo dos recursos liberados, sequer foi aceito como delator pela procuradoria lavajateira, que o dispensou pela fragilidade das mesmas, tendo então a PF considerado ouvi-lo para ver se o ‘material’ pudesse ao menos ser utilizado para causar algum dano contra o PT e Lula, na campanha política.

    Usaram-no ontem e foi tão canhestro e previsível o vídeo vazado no JN, que sequer a própria mídia golpista achou conveniente e eficaz repercutir a tranqueira PF-Pulhocciana, com medo de efeito reverso.

    Interessante pois, observar o blogueiro empregado do Bispo, feito ‘joão sem braço’, e o GGN, como se útil fosse, repercutirem a porqueira exibida no JN, ao invés de merecidamente ignora-la.  

    Mas pra variar, e não seria justo ignorar, surge Dilma a defender-se da nulidade, a ser olimpicamente ignorada, ajudando a dar importância a que não a tem e, pior, esquentando a língua de pulhocci, tremenda fria até pra globo. 

     

     

  2. “No primeiro minuto da

    “No primeiro minuto da primeira hora do primeiro dia do meu mandato como Presidente da República vou fechar a Rede Globo” – Leonel Brizola.

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