Minha faca em decassílabo fortuito
por Romério Rômulo
A minha faca triplamente cega
corta bordões e válvulas, agonia.
A minha faca é dura e nunca nega
andou cortando a minha fantasia.
Sobre as palmas febris dos corações
a minha faca brande, ela é meu guia.
Como se eu fosse filho dos canhões
e ela, a faca, a Eva que me guia.
No paraíso vil das emoções
a faca é o véu diáfano, me ria
um riso de desdém como me via
um ser bandido ao lado de canções.
Fulgura a faca à noite e em pleno dia.
Romério Rômulo
Leia também:
Poema da inesquecível mulher, por Romério Rômulo
Deixe um comentário