The Guardian: Escolha de Bolsonaro para Itamaraty preocupa ambientalistas do mundo

 
Jornal GGN – A escolha de Ernesto Araújo para o Ministério das Relações Exteriores não incomodou apenas o corpo do Itamaraty pela quebra de hierarquia – o novo ministro de Bolsonaro tem 50 anos mas nunca teve voz de comando numa embaixada, por exemplo, sendo considerado um técnico “junior”. 
 
Ambientalistas internacionais também estão preocupados com o “viés ideológico” com que Araújo filtra pautas importantes, como a questão climática. O The Guardian repercutiu o assunto em artigo divulgado nesta quinta (15), após descobrir que Araújo associou a ciência do clima a dogmas marxistas. Sua nomeação “deve causar um arrepio no movimento climático global”, diz o jornal.
 
“Especialistas em negociações climáticas disseram que a nomeação foi triste para o Brasil e para o mundo – embora eles tenham esperança de que o novo ministro das Relações Exteriores seja mais pragmático quando ele representar seu país.”
 
O secretário executivo do Observatório do Clima Brasileiro Carlos Rittl disse ao The Guardian que “seria muito ruim para a imagem do país se ele trouxesse sua ideologia” para as negociações e debates internacionais. 
 
“Se o Brasil se tornar um pária na agenda climática global, seria extremamente ruim para nossos negócios, especialmente o agronegócio. Quando eles vão para a Europa para negociar um acordo, as salvaguardas climáticas estarão sobre a mesa.”
 
A agenda de Bolsonaro no âmbito internacional começou a preocupar muito antes da escolha do ministro. Quando ele anunciou a fusão do Meio Ambiente com Agricultura, a repercussão negativa foi grande pois representa prejuízos aos grandes exportadores. 
 
“Acredita-se que o risco de perder as vendas de soja e carne bovina na Europa seja o motivo pelo qual Bolsonaro recuou nas ameaças de deixar o acordo de Paris e fundir os ministérios da agricultura e do meio ambiente.”
 
Segundo o The Guardian observou, a “retórica incendiária [do ministro Araújo] ecoa a de Bolsonaro, que venceu a eleição presidencial do mês passado com cerca de 57,7 milhões de votos. Desde então, o ex-capitão do Exército adotou uma das administrações de extrema-direita do mundo e prometeu alinhar o Brasil mais estreitamente com Trump e os EUA.”
 
Leia o artigo completo aqui.
 

4 comentários

  1. Quanto pior, pior.

    Eu sou testemunha de como uma adminstração incompetente  onde o seu principal executivo é uma pessoa desqualificada para o cargo. Trabalhei durante mais de 20 anos numa empresa multinacional. Líder no seu mercado de atuação com inacreditáveis: share de 55% e um net income de 15%. Tudo ia de vento em poupa mesmo com um downsizing acima dos padrões do mercado. Porém, a força da empresa residia na altíssima capacidade dos seus quadros técnicos e administrativos. O CEO era um habilidosíssimo homem de vendas cujo pragmatismo imprimia grande lucratividade ao negócio. Um dia como acontece na vida, a empresa foi vendida a um novo grupo de outro país. A primeira coisa que fizeram foi dispensar o principal executivo, claro, sem antes  submete-lo ao um processo de fritura. Uma sexta feira á tardinha estava na quadra esportiva assistindo um jogo entre os funcionários quando chega ao local aquele que viria a ser o novo presidente. Entre uma cerveja e outra me falou sem pestanejar: minha missão aqui é fazer uma faxina em todos os funcionários mais velhos. Eu que já tinha pelo menos 20 anos de casa tremi na base. Os dias foram passando, e a promessa dele foi fielmente sendo cumprida. Dia após dia, recebíamos a notícia que determinada pessoa normalmente de alta expertise tinha sido demitido e o lugar na maioria das vezes preenchido por pessoas sem o menor preparo para a função, o famoso QI. Uma noite cheguei em casa e falei para minha mulher: a empresa não dura mais dez anos, o barco vai afundar e antes que vá a pique eu vou pedir demissão. Claro, ela não gostou nem um pouco da ideia. Mais foi o que fiz. Pra resumir, essse senhor que assumiu a direção da empresa no Brasil foi “recompensado” mais tarde com a presidência do negócio a nível mundial e no seu lugar nomeado um cara sem as mínimas condições. Resultado aqueles 55% de market share em menos de dez anos foram reduzidos a meros 25% e a lucratividade caiu absurdamente. Fora isso, várias fábricas ao redor do mundo foram fechadas. Em compensação(pasmem) eles  se orgulham  de ser uma empresa cuja preocupação com a segurança é uma das melhores do mundo. Por que contei esse caso? Para mostrar que quando você tem o comandante, o principal executivo  que não reúne as condições necessárias para o cargo, quer sejam técnicas ou mesmo sem a experiencia adquirida noutro segmento,  há uma forte tendencia  por motivos que vão desde o medo do perda de autoridade, passando pelo egocentrismo e até pelo autoritarismo, de que ele comece a nomear para postos chave assessores com nível de proficiência sempre inferior à sua. E isso acaba se espalhando como um rastrilho de pólvora por toda empresa, criando uma pirâmide de incompetentes em toda a organização. Parece ser isso o que começa a acontecer nesse novo governo. Cada nomeação é pior que a outra. Imaginem o que não irá acontecer nos escalões mais abaixo. O resultado disso para o país poderá ser catastrófico.

  2. Assim não dá. Deixa Bolsonaro

    Assim não dá. Deixa Bolsonaro montar sua equipe. Seu sucesso pode depender de suas escolhas. Vamos ver o que acontece, porque o pior, o golpe de 2016, com o Judiciário, as Forças Armadas e Globo & cia., a mídia, prendendo o Presidente Lula que seria eleito em primeiro turno, emplacar se segundo presidente para dar continuidade ao regime de arbítrio. Lula livre.

  3. O meu chute do dia.

    Esse governo vai apanhar pra cacete em matéria internacional. Desse jeito, que é pros boçanistas entenderem.

    Simplesmente os países têm tratados diversos. O Brasil é signatário de muitos, ratificou outros tantos, tem uma série de compromissos.

    E como a gente sabe, sobretudo com o Temer, a dor de cabeça que tem sido o não cumprimento de muitos deles.

    Fora isso, de olhar para os Estados Unidos como o “grande exemplo a ser seguido”. Realmente é difícil tirar alguém de um delírio sem desmontar todo o mundo criado. Imagine um governo. E um eleitorado… “Seguir o exemplo do chefe” sem ter cacife é barrado com um “coloque-se no seu lugar”. Por isso esse alinhamento sadomasoquista do agora denominado Mau Militar.

    Não sei ao certo, mas parece que é preciso ver as coisas sobre uma perspectiva diferente… é absurdo considerar, por exemplo, o aquecimento global como um “complô esquerdista mundial”. É estúpido. Mas tem gente estúpida o suficiente para acreditar. E quando quem formula está mentindo simplesmente pra manter a sua visão de mundo, apesar das evidências? Fake news podem estar entre o dolo e o delírio. 

     

     

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome