Sertão, de Ascenso Ferreira, por Valdemar de Oliveira e Alda Verona

Por Luciano Hortencio

Hoje trago o poema SERTÃO, de Ascenso Ferreira, musicado por Valdemar de Oliveira. SERTÃO foi gravado em disco Odeon 10485-A, em 1929. A intérprete é a soprano pernambucana ALDA VERONA (Celeste Coelho Brandão), com o luxuoso acompanhamento do maestro Nelson Ferreira ao piano.

Sertão! – Jatobá!

Sertão! – Cabrobó!

– Cabrobó!

– Ouricuri!

– Exu!

– Exu!

Lá vem o vaqueiro, pelos atalhos,

tangendo as reses para os currais…

Blém… blém… blém… contam os chocalhos

dos tristes bodes patriarcais.

E os guizos fininhos das ovelhinhas ternas:

dlim… dlim… dlim…

E o sino da igreja velha:

bão… bão… bão…

O sol é vermelho como um tição!

Lento, um comboio move-se na estrada,

cantam os tangerinos a toada

guerreira do Tigre do sertão:

“É lamp… é lamp… é lamp…

é Virgulino Lampião…”

E o urro do boi no alto da serra,

para os horizontes cada vez mais limpos,

tem qualquer coisa de sinistro como as vozes

dos profetas anunciadores de desgraças…

– O sol é vermelho como um tição!

– Sertão!

– Sertão!

 

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