Apoio de Bolsonaro mantém Weintraub no MEC

Presidente acusa ‘aparelhamento’ na pasta que teria ocorrido durante governos do PT, e apoia ministro mesmo após sucessivos erros na gestão do Ministério da Educação

Ministro da Educação Abraham Weintraub durante depoimento na comissão de educação da Câmara. Foto: Lula Marques (via fotospublicas.com)

Jornal GGN – A permanência de Abraham Weintraub à frente do Ministério da Educação tem sido cada vez mais questionada após a sucessão de erros no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e a seguidas polêmicas. Porém, o presidente Jair Bolsonaro está convencido de que os problemas são decorrentes do “aparelhamento” da pasta, que teria ocorrido durante os governos do PT.

Segundo informações do jornal O Globo, a tese de complô não deve ser suficiente para manter o ministro no cargo caso a relação do titular do MEC com o Congresso se esgarce a ponto de atrapalhar a pauta econômica – tanto que é exatamente da equipe liderada pelo ministro Paulo Guedes que vêm os clamores internos pela troca de Weintraub.

Além de azedar as relações já nada amistosas com a Câmara, Weintraub divulga projetos com impacto na economia sem consultar Guedes, como ocorreu com o Future-se, principal programa do governo Bolsonaro para a educação superior pública e que mexe diretamente com o patrimônio das universidades.

Não há sequer um desenho do Future-se finalizado. A proposta passou por duas consultas públicas, foi rejeitada por entidades como a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e agora está justamente com a equipe econômica para avaliação. A omissão e a falta de habilidade de negociação em torno da PEC do Fundeb são outros temas que exasperam a equipe econômica.

Weintraub conseguiu criar tanta antipatia com a maioria do Congresso quanto conquistou seguidores no Twitter (quase meio milhão em dez meses). As redes sociais se tornaram, na visão de uma ala mais pragmática no entorno do presidente, uma “arma” do titular do MEC, e acreditam que ela pode ser usada para angariar apoio para a criação do Aliança pelo Brasil, novo partido de Bolsonaro.

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Mas a presença midiática do ministro também pode ter efeito oposto ao desejado: depois de usar tais holofotes para anunciar que o primeiro do governo Bolsonaro foi “o melhor Enem” de todos, falhas seguidas no Sisu — com notas erradas de milhares de estudantes, confusão nas listas de espera das federais e atraso nos resultados — minaram ainda mais a imagem de Weintraub.

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1 comentário

  1. A manutenção de Weintraub é demonstração clara de que Bolsonaro quer mesmo destruir as Universidades Publicas, a pesquisa e a produção de conhecimento. Talvez por ressentimento, por anti-intelectualismo e ignorância. Bolsonaro tem demonstrado muito ódio pelas universidades e um desprezo pela educação. A manutenção de Weintraub é uma manifestação deste ódio

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