Clipping do dia

As matérias para serem lidas e comentadas.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

Leia também:  "Sem dúvidas há uma crise no bolsonarismo moderado", diz Esther Solano ao GGN

82 comentários

  1. MORO SABE DE TUDO SOBRE OS MILICIANOS QUE ELE PROTEGE

    Moro afirmou que Adriano foi assassinado
    13 de fevereiro de 2020, 12:33 , por Jeferson Miola
    Adriano da Nóbrega e Sérgio Moro

    O inconsciente é uma fonte poderosa e confiável da verdade. Através do inconsciente o ser humano revela aquela verdade íntima e profunda que tenta esconder.

    Num ato falho cometido quando explicava a morte do miliciano Adriano da Nóbrega em audiência na Câmara dos Deputados, o ministro Sérgio Moro admitiu que o miliciano aliado dos Bolsonaro foi assassinado.

    Moro rebatia acusação de que sua Gestapo [PF], que não incluiu Adriano na lista dos bandidos mais procurados, estaria protegendo o miliciano aliado e sócio dos Bolsonaro nos negócios políticos do clã.

    MATÉRIA completa: https://www.brasil247.com/blog/moro-afirmou-que-adriano-foi-assassinado?amp&__twitter_impression=true

    Na minha opinião, Moro não colocou o Adriano na lista dos procurados para que o miliciano abaixasse a guarda. Ele não baixou, mas mesmo assim foi assassinado. Todos os dias eu leio´matérias sobre as milícias para saber se o Queiroz ainda está vivo.

    • Cid Gomes levou dois tiros no peito

      Policiais amotinados e paramilitares a paisana

      Milicia

      Como nao poderia de ser, os Bozonaro atacam a vitima e defendem a acao contra Cid

  2. Os Bolsobostas batem carteira e gritam “pega ladrão” prá desviarem eventuais perseguidores

    A execução do Miliciano Adriano interessava à família, pois queimou um arquivo vivo.

    E sabe porque o capanga de miliciano $érgio Moro não incluiu o Adriano na lista?

    Advinha:

    “Não era necessário, ele seria encontrado poucos dias depois”.

    Como o $érgio Moro soube que ele seria encontrado poucos dias depois da divulgação da lista de criminosos mais procurados e que, portanto, não era necessário incluí-lo na lista?

    Aliás, segundo o Ministério da Justiça ele não foi incluído na lista não porque seria encontrado poucos dias depois da divulgação da tal lista mas porque “as acusações contra ele não possuem caráter interestadual, requisito essencial para figurar no banco de criminosos de caráter nacional”.

    E agora, $érgio Moro?

    Pelo visto, o Adriano era um One Man Army (Sepultura). 70 policiais para prendê-lo e não obtiveram sucesso.

  3. O CINISMO DO GENERAL AUGUSTO HELENO

    Compaixão com um criminoso, diz Heleno sobre encontro de papa com Lula General Augusto Heleno, chefe do GSI

    O ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno, escreveu hoje em seu Twitter que o encontro do papa Francisco com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um “gesto de compaixão com um criminoso”. Na mensagem, ele citou condenações de Lula na Justiça e disse que o encontro, realizado ontem, é um “exemplo de solidariedade a malfeitores”…. –

    Gleisi responde ao general Heleno sobre encontro entre Lula e Papa: vai dar murro na mesa?

    Presidente nacional do PT rebateu ataque feito pelo chefe do GSI, general Augusto Heleno, que definiu o encontro entre o Papa Francisco e o ex-presidente Lula como “um exemplo de solidariedade a malfeitores, tão a gosto dos esquerdistas”

    247 – A presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), repudiou o ataque feito pelo chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, ao ex-presidente Lula e ao Papa Francisco, após o encontro entre os dois no Vaticano nesta quinta-feira 13.

    “Parabéns ao Papa Francisco pelo gesto de compaixão. Ele recebeu Lula, no Vaticano. Confraternizar com um criminoso, condenado, em 2ª instância, a mais de 29 anos de prisão, não chega a ser comovente, mas é um exemplo de solidariedade a malfeitores, tão a gosto dos esquerdistas”, postou o militar no Twitter

    Gleisi rebateu: “General Heleno tá nervoso porque o Papa recebeu Lula. Vai dar murro na mesa, @gen_heleno? Fica nervoso não. O papa sabe quem, no Brasil, defende o povo, a justiça e a democracia. E o seu governo não está em condições de dar exemplos”.

    A deputada se referiu a um episódio de junho de 2019, quando Heleno deu um murro na mesa ao reagir revoltado à declaração do ex-presidente Lula, que, em entrevista à TVT, disse enxergar “alguma coisa muito estranha” na facada recebida por Jair Bolsonaro durante a campanha em 2018. O ministro chamou Lula de “canalha”, “desonesto” e pediu prisão perpétua contra o petista.

    Gleisi Hoffmann

    @gleisi
    General Heleno ta nervoso pq o Papa recebeu Lula. Vai dar murro na mesa, @gen_heleno? Fica nervoso não. O papa sabe quem, no Brasil, defende o povo, a justiça e a democracia. E o seu governo não está em condições de dar exemplos

    Gal Heleno, deixe de ser cinico. Malfeitor é o senhor que blinda a tropa de milicianos que gravita em torno do governo Bolsonro. E recebe dois salarios por conta disso. VERGONHOSO!

    Vai bater na mesa novamente ou vai repetir o genocídio do Haiti aqui no Brasil?

    Veja a notícia sobre o massacre no Haiti sob o comando do General Heleno e entenda porque ele odeia tanto o Lula

    FANTASMAS DE MASSACRE NO HAITI ASSOMBRAM GENERAIS DO GOVERNO BOLSONARO

    Na madrugada de 6 de julho de 2005, tropas da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah), comandadas pelo exército brasileiro, fizeram uma operação de “pacificação” na maior favela da capital haitiana, Porto Príncipe, conhecida como Cité Soleil. Segundo testemunhas, cerca de 300 homens fortemente armados invadiram o bairro e assassinaram 63 pessoas, deixando outras 30 feridas.

    Na época, o comandante da Minustah era o general brasileiro Augusto Heleno, hoje, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), responsável pela inteligência do governo de Jair Bolsonaro (PSL).

    A ação foi objeto de uma denúncia na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), baseada em depoimentos de moradores e em relatório elaborado pelo Centro de Justiça Global e da Universidade Harvard (EUA). No documento, a Minustah foi acusada de permitir a ocorrência de abusos, favorecer a impunidade e contribuir para a onda de violência no país caribenho.

    O caso teria causado desconforto no Palácio do Planalto, liderado na época pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Fonte ligada ao Ministério da Defesa confirmou ao Brasil de Fato que o governo brasileiro teria recebido uma solicitação da ONU para substituir o comando das tropas no Haiti, o que foi feito dias depois, com a entrada do general Urano da Teixeira da Matta Bacellar no comando.

    Em resposta às denúncias, assim que assumiu Bacellar afirmou que o número de mortes não coincidia com as informações levantadas pelo exército. Segundo o general, “nove ou dez pessoas” teriam morrido depois de enfrentarem as forças de segurança.

    “Fato é que o [Augusto] Heleno foi removido do Haiti e isso começou a cozinhar a raiva aos governos do PT. O estopim foi realmente a Comissão Nacional da Verdade. Daí pra frente, ele se tornou um militante antipetista”, disse a fonte consultada.

    https://www.brasildefato.com.br/2019/03/18/fantasmas-de-massacre-no-haiti-assombram-generais-do-governo-bolsonaro

  4. Governo dos EUA procura deputada que quer apurar relação Brasil-Cuba nos governos do PT

    A deputada federal Paula Belmonte (Cidadania-DF) recebeu na semana passada, em seu gabinete, integrantes do governo dos Estados Unidos interessados em informações sobre o pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a relação do Brasil com Cuba nos governos petistas de Lula e Dilma Roussef.

    https://br.noticias.yahoo.com/governo-eua-deputada-brasil-cuba-pt-203342523.html

  5. “Os abecedarianos foram uma seita cristã alemã do século XVI que defendia o analfabetismo. O ponto principal de sua doutrina era o fato de que todo o conhecimento humano, inclusive o alfabeto (cujas primeiras letras deram nome ao grupo: abc) é desnecessário e supérfluo. Para os abecedarianos, somente o conhecimento das Escrituras é útil ao homem, assim mesmo quando realizado através de comunicação direta com o Espírito Santo, nunca pela leitura.Wikipédia”

    Esse regime miliciano fundamentalista e abecedariano, que fez e faz uso de fake news como meio de se conquistar e de se manter no poder, odeia o conhecimento, dai essa guerra insana contra os livros, a educação, o saber, a verdade e a democracia: pelo menos os nazistas de antigamente disfarçavam menos a opção pela ignorância : queimavam livros nas praças : os de hoje deixam-nos às traças….

    Boa leitura

    ?

    https://www.diariodocentrodomundo.com.br/video-livros-raros-da-biblioteca-da-presidencia-sao-empilhados-para-dar-espaco-a-gabinete-de-michelle-bolsonaro/

  6. Pós-democracia

    A cada ataque mais veemente do arbítrio, surgem novos textos opinativos reafirmando a saúde da democracia brasileira. As instituições funcionam, as liberdades sobrevivem, há eleições. Os vaticínios catastróficos da esquerda falharam. O governo de Jair Bolsonaro pode ser medíocre, mas segue os padrões do estado de Direito.

    Essas afirmações dependem de significados muito convenientes de “ditadura” e “fascismo”, baseados no Brasil de 1964 ou em referências estrangeiras de um século atrás. Também reduzem a ideia de democracia a um conjunto de ritos e estruturas burocráticas que pouco significam sozinhos. Os despotismos atuais, tão criticados, usam as mesmas desculpas.

    As eleições passadas transcorreram nos escombros de um golpe parlamentar. Seu fracasso vergonhoso estigmatizou ainda mais a classe política, fortalecendo a agenda revolucionária do bolsonarismo. Nesse ambiente, o apoio midiático à Lava Jato virou uma campanha maciça a favor da ideologia anticorrupção, com óbvios efeitos persuasivos sobre o eleitorado.

    A disputa vencida por Bolsonaro foi tudo, menos democrática. Sua campanha beneficiou-se de um episódio policial suspeito, espalhou ameaças, agrediu oponentes e cometeu crimes eleitorais em escala inédita. Empresas e órgãos públicos engajaram funcionários na militância bolsonarista. Comícios de estudantes foram impedidos, a propaganda petista censurada.

    Mas nada supera a conspiração judicial que tirou da disputa o favorito das pesquisas, julgando seu caso em tempo recorde, condenando-o por “crime indeterminado”. Promotores federais armaram conchavos clandestinos com veículos de comunicação e grupos de militantes para incentivar o voto em Bolsonaro. Enquanto perseguiam seus opositores.

    A tentativa de criminalização do jornalista que revelou esses escândalos mostra o nível de cidadania vigente. Outro “caso isolado”, de tantos que já parecem habituais: manifestações pacíficas oprimidas, vídeos e textos proibidos, apologias oficiais ao nazismo, execuções e atentados impunes, a inviabilização do trabalho de artistas e acadêmicos.

    São as instituições em pleno funcionamento. Os Poderes divergem no máximo entre círculos hipócritas e raivosos, uns dissimulando a perenização da inconstitucionalidade, outros vazios de quaisquer escrúpulos. Legislativo, Judiciário e Executivo se equilibram numa luta por hegemonia, ávidos para imporem suas respectivas agendas antipopulares e despóticas.

    Esse “normal” é o fato consumado, que os negacionistas tratam como a ameaça perpétua de si mesmo. Os sintomas bastam para conhecermos tanto a doença quanto o antídoto democrático que deveria preveni-la. Um Bolsonaro não chega ao Planalto sem que algo tenha se perdido no trajeto, algo cuja ausência nenhuma fantasia resistente conseguirá suprir.

    Revela-se aí o custo da aventura irresponsável que unificou a direita brasileira pela destruição sistemática do lulismo. Não importa a lisura do objetivo. Os métodos foram (ou precisaram ser) ilícitos, e assim passaram a definir a natureza do resultado. O Regime de Exceção é indissociável da tirania de milicianos que ele ajudou a materializar.

    A ausência de rupturas drásticas significa apenas que elas se tornaram desnecessárias. Uma imprensa que naturaliza a tramoia eleitoral da Lava Jato não irrita os censores. Um STF que ignora a suspeição de Sérgio Moro dispensa baionetas. As polícias garantem o silêncio das ruas, enquanto o império da pós-mentira performa sua liberdade de hospício.

    O fascismo jamais destruirá as fontes institucionais de sua obscena legitimação.

    http://guilhermescalzilli.blogspot.com/2020/02/pos-democracia.html

  7. Estamos numa “ditadura carnavalesca”…..fantasiada de “democracia”…..
    Ministério Público do Trabalho pede prisão imediata de gerente geral da Refinaria de Cubatão por cárcere privado de petroleiros
    https://www.viomundo.com.br/denuncias/ministerio-publico-do-trabalho-pede-prisao-imediata-de-gerente-geral-da-refinaria-de-cubatao-por-carcere-privado-de-petroleiros-em-greve.html
    TST assume a ‘razão facista’ com petroleiros: greve é ilegal
    http://www.tijolaco.net/blog/tst-assume-a-razao-facista-com-petroleiros-greve-e-ilegal/
    TST considera greve dos petroleiros ilegal e autoriza Petrobrás a demitir todos os grevistas
    https://www.brasil247.com/economia/tst-considera-greve-dos-petroleiros-ilegal-e-autoriza-petrobras-a-demitir-todos-os-grevistas
    Não há necessidade de preservar corpo de miliciano Adriano, decide Justiça do Rio
    https://www.brasil247.com/regionais/sudeste/nao-ha-necessidade-de-preservar-corpo-de-miliciano-adriano-decide-justica-do-rio
    https://twitter.com/FUP_Brasil/status/1229414923022761986

  8. Golpe não interessa à burguesia.

    Nem a burguesia brasileira nem os EUA têm interesse num golpe de extrema-direita. Para que mudar um cenário político que está garantindo, no essencial, todos os seus interesses?

    Uma quebra da institucionalidade abriria um quadro altamente instável no país, muito ruim para os negócios e repleto de riscos políticos, impossível de controlar. Qual é o governo estrangeiro que apoiaria uma loucura dessas?

    Os bolsonaristas sabem que é impossível dar um golpe de extrema-direita enfrentando, ao mesmo tempo, o Congresso, o STF, a mídia, o empresariado mais influente e a esquerda, sem o apoio entusiasta da maior parte das Forças Armadas, sem apoio externo.

    O que eles querem é manter um clima de tensão

    permanente para: a) manter as suas bases mobilizadas; b) criar um bode expiatório (os “políticos”) a fim de encobrir a crise econômica e social; c) perpetuar o clima de perseguição e de intimidação dos opositores, em especial a esquerda política e social.

    Igor Fuser, no DCM

  9. https://www.diariodocentrodomundo.com.br/3moro-o-general-patton-das-araucarias-desfile-de-blindado-em-brasilia-por-fernando-brito/

    Moro, o general Patton das Araucárias, desfila de blindado em Brasília. Por Fernando Brito

    PUBLICADO NO TIJOLAÇO

    POR FERNANDO BRITO

    A coisa já foi melhor para Sergio Moro.

    Ontem, a pretexto de vistoriar as providências do Exército para guarnecer a área externa da Penitenciária Federal, desfilou num blindado artilhado com um canhão metralhadora.

    Mas a mídia, mais ocupada com coisa séria, “pulou” a foto do general Patton das araucárias.

    No meio da confusão provocada com o vídeo-apelo de Jair Bolsonaro por uma manifestação onde os militares são insuflados a atacar o STF e o o Congresso, o Ministro da Justiça montado num Urutu é tão diplomático quanto Ernesto Araújo.

    Está tudo gravado em vídeo, que o próprio Moro divulga pelo Twitter.

    É um primor de sensibilidade política, não é, Dr. Celso de Mello?

  10. Ontem em entrevista em vídeo com o Nassif, um professor de direito falou da gravidade que é um presidente recomendar que empresários deixem de anunciar em certas empresas e anunciem com as chapas brancas. Hoje na fiesp, foi justamente o que o presidente fez.

    ‘Não vamos mais falar com a imprensa, pode esquecer’, afirma Bolsonaro
    Presidente adota fala contra jornalistas em live; antes, na Fiesp, sugeriu a empresários que publiquem balanços em veículos pró-governo

    https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/03/na-fiesp-bolsonaro-sugere-a-empresarios-que-anunciem-suas-marcas-na-imprensa-alinhada-ao-governo.shtml

  11. DECLARAÇÃO URGENTE

    Eu ……………………….. CPF …………………….. , bolsominion, votei 17 nas últimas eleições e insisto em concordar com o Jair Messias Bolsonaro. Sendo assim, venho por meio desta declarar minha recusa em aceitar um leito hospitalar ou respirador de U.T.I. caso venha a contrair uma gripezinha, mesmo que teste positivo para Covid-19. Sou blindado pelo profundo conhecimento do meu presidente/atleta e irei às ruas amanhã mesmo contra orientações da O.M.S.
    Deixo assim meu leito de U.T.I. disponível aos esquerdistas, comunistas, fazedores de balbúrdia, comedores de criancinhas e outros que não acreditam que a terra seja plana.

  12. Bolsonaro e as palavras
    Os problemas de Jair Bolsonaro são variados. O sujeito é antidemocrático, simpatizante da tortura e mau caráter. Em decorrência disso, mendaz. Despossuído de leitura em qualquer grau – nem os livros de Olavo de Carvalho foi capaz de compulsar.
    É bem pouco inteligente: em trinta anos de Congresso Nacional, apenas aprendeu a polemizar. Não compreende o funcionamento do parlamento. Não tem bom relacionamento com os principais parlamentares, aqueles que consolidaram poder real, ao longo das últimas três décadas, no recinto. Nada sabe construir. Diante de um problema, tenta resolver a questão criando uma polêmica. Tal tática funciona para um Youtuber. Às vezes. É a antessala do desastre, sempre, quando se fala de um Presidente da República.
    O cidadão é cem por centro desprovido de capital cultural. Daí vem a sua incapacidade de expressão. Além de nada saber, é incapaz de perceber o quanto não sabe. Mesmo assim, dizem que insiste em, assessorado pelos filhos – outras nulidades -, escrever os próprios discursos. E aí vem mais um problema, interessantíssimo. A inveja que sente de Lula. É óbvio que Bolsonaro deseja ser capaz, um dia, de ter o ar anedótico de Lula, que foi capaz, sem causar maiores tsunamis jornalísticos, de chamar a crise de 2008 na economia de “marolinha”. Dentre outras proezas da comunicação.
    Mas por que isso foi possível para Lula? Devido ao fato de, por trás das palavras, haver trabalho. Na equipe de Lula havia medidas econômicas para debate quando veio o choque de 2008. Além de planejamento e sincronia. Coisa que Bolsonaro anda longe de ter, como demonstra ao chamar os efeitos do Covid-19 de “gripezinha”, sem ter o aval da ciência e sem apresentar nada realístico para transformar as suas intenções em prática. O que se vê é uma constrangedora queda de braço entre o Presidente e seu Ministro da Saúde – de quem Bolsonaro também sente inveja. O ministro sabe o que diz, ao passo que Bolsonaro não faz ideia do que fala. A população sente a diferença. E bate panela, em protesto, quando o Presidente se pronuncia na TV.
    É possível que o Presidente atual imagine: “se aquele analfabeto do Lula podia se sair bem falando, eu, um capitão do exército, tenho total direito de ser aplaudido quando abro a boca”. Aí enfia os pés pelas mãos. É mais uma face do seu despreparo. A inveja. Embora Lula não tenha estudos formais, aproveitou as chances de figurar na esfera pública para se aprimorar. Aprendeu a absorver conhecimentos das pessoas que a lida de homem público trouxe para a sua companhia. Resultado: encontra as palavras corretas para encaixar na ocasião, sendo bem compreendido pelo povo – e apreciado. Mais que isso. Formou um time de ministros que, nos momentos de apuros, souberam prestar a ele o necessário assessoramento. Prática que não se vê no governo atual – e a população não está cega para tal ausência de resposta. Bate panela.
    Não é questão de português correto. Muitos destacam que Lula não é um ás no domínio das normas cultas do vernáculo. Trata-se de mero detalhe. O importante em Lula foram compreensão da realidade, experiência e bom-senso, e o seu pragmatismo, sobretudo. Tudo que Bolsonaro tem se mostrado cronicamente incapaz de desenvolver. Ele já teve mais de trinta anos para mostrar algo. Nada fez como Deputado. Lamento muito que tenha sido preciso chegarmos até aqui para que um grande número de pessoas entenda quem é o homem que foi eleito Presidente. As palavras do próprio são a prova viva da sua inadequação para o cargo. Elas são delírio vivo. A evidência de um governo sem rumo. A resposta do povo sela o julgamento de um Presidente que ainda nem completou dois anos de mandato.

  13. O próximo Sergio Moro?

    Se o Ministro da Saúde fosse uma das oitavas maravilhas do mundo, jamais teria topado ser assessor do pior chefe do Poder Executivo da História. A pessoa de Dona Maria, a Louca, estaria passando melhor agora do que esse vexatório Bolsonero que temos por Presidente. O mero fato de estar ao lado de Jair Bolsonaro, no seu time de assessores, põe meu espírito em alerta em relação ao titular da pasta da Saúde.

    Há pouco tempo, a grande chaga nacional era a corrupção. Apareceu transfigurado pela mídia em super-herói um Juiz Federal. O problema da roubalheira persiste. Sergio Moro não tem a força apelativa de outrora. A corrupção é página virada – sem ter sido enfrentada, claro.

    O assunto candente hoje é a crise sanitária do coronavírus. Para mágico da vez, temos o nome chancelado pela mídia: Luiz Henrique Mandetta. Um Deputado Federal bastante alinhado com planos de saúde. Eles até figuraram na sua lista de doadores de campanha eleitoral. 2022 está em aberto, sobretudo por conta da fragilidade de Jair Bolsonaro, alvo frequente de panelaços – que não são prova de carinho da população pelo mandatário, é de se frisar.

    O coronavírus pôs os médicos na moda. As palavras de Bolsonero sobre o assunto lançaram seu nome na baixa. Mandetta é mais um possível aspirante à Presidência. Assim é a vida, assim são as predileções do espírito humano. Pobre ex-superministro Sergio Moro. Se pelo menos ele pudesse retornar ao cargo do qual pediu exoneração…

    Ainda é cedo para cravar. Mas Luiz Henrique Mandetta tem potencial para engrossar o caldo de 2022. (Só espero que haja eleição naquele ano…)

    LUCAS C. VAZ COSTA – 02.04.20

  14. Discordo, Nassif

    Mandetta, raposa política, oportunista, tenta surfar na onda anti bolsonarista.

    Separei 7 matérias relativas, a saber

    COMEÇO por uma matéria publicada na Veja em 02/10/2019, a saber:

    LUIZ HENRIQUE MANDETTA: A FAMÍLIA EM PRIMEIRO LUGAR
    A definição de limites entre o interesse público e os interesses privados pode gerar uma grande dor de cabeça ao ministro da Saúde

    Por Daniel Pereira – Atualizado em 27 set 2019

    A lista de pais orgulhosos é extensa e inclui também o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que não economiza elogios à sua filha Marina Alves Mandetta, advogada em plena ascensão profissional.

    Formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2015, Marina era sócia do Eichin Amaral Advogados até o fim do ano passado.

    Cuidava, entre outras coisas, de processos judiciais da Unimed Rio, empresa que ela mesma levou para a carteira do escritório.

    Foi assim até novembro de 2018, quando os Mandetta — o pai e a filha — decidiram abraçar projetos mais ambiciosos.

    No dia 20 daquele mês, Bolsonaro anunciou Luiz Henrique Mandetta como futuro ministro da Saúde.

    Um dia depois, Marina formalizou sua saída do Eichin Advogados, decisão que, conforme o seu relato, havia sido tomada em outubro.

    Já no dia 13 de dezembro, Marina abriu seu próprio empreendimento, batizado de Mandetta Advogados.

    A Unimed Rio acompanhou Marina na mudança, porque, segundo a advogada, a política de seu antigo escritório previa que quem saísse da sociedade levaria os contratos que tivesse conquistado. A aposta da filha do ministro de montar a própria banca logo rendeu frutos.

    Neste ano, já com Mandetta despachando no ministério, Marina conseguiu mais dois clientes no setor de saúde: a Unimed Seguros e a Central Nacional Unimed, que teriam optado por seus serviços ao reconhecer a excelência do trabalho prestado à Unimed Rio.

    Radicada no Rio, Marina também passou a transitar com desenvoltura em Brasília e São Paulo, muitas vezes acompanhada do pai. Foi o que ocorreu em agosto último, durante um congresso da Associação Brasileira de Planos de Saúde, entidade que reúne cerca de 150 empresas do setor e representa suas demandas junto ao governo.

    Convidado para dar uma palestra no evento, Mandetta levou Marina a tiracolo.

    Em sua fala de quase quarenta minutos, o ministro mencionou a presença da filha aos representantes das operadoras de planos de saúde que estavam na plateia:

    – “O século XXI, gente, vai ser absolutamente fantástico. Nós vamos viver melhor. Nós vamos viver mais tempo. Eu vou poder curtir o Gabriel, aqui da minha filha, da Marina, que está aqui, muito mais tempo do que a minha mãe e o meu pai curtiram os seus netos”.

    Encerrada a exposição do ministro, Marina distribuiu cartões aos participantes do congresso, ressaltando que já possuía experiência no setor. Aproveitou, assim, a janela de oportunidade aberta pelo pai.

    – “Não vejo nenhum tipo de conflito de interesse. Passei o meu contato a quem me pediu. As pessoas têm curiosidade e querem o contato da filha do ministro”, afirmou a advogada.
    – “Nós só atuamos no contencioso judicial. Não fazemos nada no âmbito administrativo justamente porque a ANS é subordinada ao Ministério da Saúde”, acrescentou.

    A ANS é a Agência Nacional de Saúde Suplementar e tem a missão de regulamentar a atuação dos planos de saúde.

    – “Não houve nenhuma referência à profissão de minha filha ou a sua empresa”, declarou o ministro, negando que tenha dado uma mãozinha a Marina diante de potenciais clientes.

    – “Ela apenas atendia a um evento do qual seus clientes participavam, algo de rotina e público”, disse.

    Segundo Marina e a organização do congresso, ela participou do encontro como convidada do ministro, e não como representante de empresa.

    VEJA pediu ao advogado Mauro de Azevedo Menezes, mestre em direito público pela Universidade Federal de Pernambuco e presidente da Comissão de Ética Pública entre 2016 e 2018, que analisasse o caso. Sem saber o nome dos personagens envolvidos, ele disse que o enredo encenado pelos Mandetta no congresso das operadoras de planos de saúde configura conflito de interesse e é “gravíssimo”, uma vez que a lei proíbe a autoridade de usar o cargo em benefício próprio ou de familiares.

    Menezes ressaltou que a situação também pode ser configurada como improbidade administrativa e ter repercussões inclusive na seara penal.

    – “Eu acho que está se banalizando no Brasil, infelizmente, a violação da fronteira entre público e privado em altas esferas, e isso é uma crise na nossa República.”

    A história recente é repleta de casos de empresas com interesses no governo que tentam comprar favores de autoridades repassando recursos a seus familiares.

    Foi o que fez a Odebrecht com parentes do ex-presidente Lula, de acordo com relatos de delatores da empreiteira. Até aqui, não há nenhum indício de que esse seja o objetivo das operadoras de planos de saúde ao contratar o escritório da filha do ministro.

    Os laços do grupo empresarial com a família Mandetta são antigos.

    O ministro já foi presidente da Unimed Campo Grande (MS).

    Em 2016, avisou à filha que a Unimed Rio abriria uma concorrência para contratar advogados.

    Marina participou dela e levou o cliente.

    Velhos conhecidos, Mandetta e os diretores da Unimed se reuniram em junho passado em Brasília.

    O ministro ouviu um pedido para que o governo libere parte de uma reserva financeira de emergência que as operadoras de planos de saúde são obrigadas a manter. Só a Unimed tem 8 bilhões de reais parados nessa reserva.

    A empresa e suas concorrentes também querem desregulamentar o setor, até para facilitar os polêmicos reajustes por faixa etária.

    No congresso de que participou com a filha a tiracolo, Mandetta se mostrou favorável a essas demandas.

    À reportagem, o ministro afirma que não há relação entre a sua posse e a ascensão profissional da filha.

    Ecoando Bolsonaro e Mourão, alega que Marina conquistou dois novos clientes na área da saúde exclusivamente pela competência dela.

    Não restam dúvidas. Neste governo, a família vem em primeiro lugar.

    Colaborou Nonato Viegas

    Publicado em VEJA de 2 de outubro de 2019, edição nº 2654

    https://veja.abril.com.br/politica/luiz-henrique-mandetta-a-familia-em-primeiro-lugar/

    *** Parte II

    MANDETTA QUEM É

    – MANDETTA foi eleito Deputado Federal (DEM do MS) em 2010, foi reeleito em 2015.

    – Não se candidatou nas eleições de 2018, talvez para não ser barrado pela Justiça Eleitoral

    – Ele é médico e sua famíla é de políticos no Mato Grosso do Sul

    – Seu pai foi vice-prefeito de Campo Grande.

    – Seus primos um é Nelsinho Trad, ex-Prefeito de Campo Grande e agora Senador [*]; outro é Fábio Trad hoje Deputado Federal; outros ainda Marquinhos Trad atual prefeito de Campo Grande; e por último Paulo Siufi Neto o ex-presidente da Câmara Municipal de Campo Grande.

    [*] Em13 de março de 2020, seu primo Senador Nelsinho Tradf foi diagnosticado com Covid-19 após viagem para aos EUA integrando a comitiva de Bolsonaro

    – Mandetta Secretário da Saúde quando seu primo Nelsinho Trad foi Prefeito de Campo Grande

    – Durante seu mandato como Secretário, ele, junto com o prefeito (seu primo Nelsinho Trad) e outros membros do governo municipal, sofreram acusações de fraude em licitação, tráfico de influência e caixa dois na implementação de um sistema de prontuário eletrônico na Secretaria da Saúde

    – Como Deputado Federal, Mandetta:

    -> Votou a favor do impeachment de Dilma

    -> Votou a favor da PEC do TETO dos GASTOS (a que travou, por 20 anos, todos os investimentos futuros, inclusive da saúde, educação, cultura e ciências…

    -> Votou a favor da REFORMA TRABALHISTA (que flexibiliza, retira direitos dos trabalhadores, fragiliza economicamente os sindicatos e a Previdência Social

    *
    >>>ACUSAÇÕES:

    -> 1 MPF DENUNCIA EX-PREFEITO E OUTROS 25 POR FRAUDE NO GISA EM MS

    http://g1.globo.com/mato-grosso-do-sul/noticia/2015/02/mpf-denuncia-ex-prefeito-e-outros-25-por-fraude-no-gisa-em-ms.html

    O Ministério Público Federal (MPF em Mato Grosso do Sul) ajuizou duas (2) ações de improbidade administrativa na Justiça Federal de Campo Grande por fraudes na implantação do sistema Gisa (Gestão de Informações em Saúde) pela prefeitura da capital sul-mato-grossense.

    De acordo com o MPF, foram denunciados o ex-prefeito Nelson Trad Filho (PMDB), o ex-secretário de Saúde Pública, Luiz Henrique Mandetta (DEM) e outras 24 pessoas.

    -> 2 INVESTIGADO SOB SUSTEITA DE FRAUDE MANDETTA SERÁ MINISTRO DA SAÚDE

    https://veja.abril.com.br/politica/investigado-sob-suspeita-de-fraude-mandetta-sera-ministro-da-saude/amp/

    -> 3 NOTAS MOSTRAM VOOS DE MINISTRO DA SAÚDE DE BOLSONARO PAGOS POR EMPRESA INVESTIGADA (Telemídia)

    Futuro ministro da Saúde de Bolsonaro reconhece ter feito viagens sem pagar, mas que pedido foi para o dono de táxi-aéreo ( e cf se apurou, os vôos foram pagos pela Telemídia empresa favorecida por Mandetta)

    A empresa de informática Telemídia é suspeita de favorecimento durante a gestão de Mandetta na Secretaria de Saúde de Campo Grande (MS).

    De acordo com a publicação, segundo as investigações, que correm na Justiça Federal de Mato Grosso do Sul, já no final de sua gestão na secretaria, em 2009, Mandetta fez uma licitação de R$ 9,9 milhões para implementar um sistema de informática.

    O então secretário teria atuado, de acordo com investigadores, para garantir que a empresa Telemídia ganhasse o contrato, mesmo não tendo sido a primeira colocada na concorrência.

    Os documentos obtidos pelo GLOBO mostram que, meses depois de ter sido supostamente beneficiada por Mandetta no contrato milionário, a Telemídia pagou R$ 21 mil por uma série de voos da Amapil Táxi Aéreo realizados entre junho e julho de 2010 pelo já ex-secretário e então pré-candidato a deputado federal.

    Os recibos emitidos pela Amapil citam o empresário Rui Aquino, um dos sócios da Telemídia na ocasião, como contratante do fretamento.

    Para os investigadores, as viagens seriam uma espécie de contrapartida pela atuação de Mandetta na Secretaria de Saúde, completa o Jornal O Globo

    -> 4 Em 2020, o MINISTÉRIO DA SAÚDE comprou, em Regime Emergencial, aventais hospitalares para o Sistema Único de Saúde (SUS) da empresa Prosanis Indústria e Comércio por R$ 700 mil.

    A empresa é de Aurélio Nogueira Costa, dono da Cirumed Comércio Ltda.

    A Cirumed foi uma as maiores doadoras de campanha de Mandetta para deputado estadual pelo Mato Grosso do Sul.

    Em 2010, a empresa doou R$ 50 mil para a campanha de Mandetta, através de dois cheques.

    Em 2014, a empresa foi a segunda maior doadora da campanha de Mandetta, com um repasse de cerca de R$ 94 mil, por depósito em espécie.

    (…)

    https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/ministerio-da-saude-contrata-empresa-ligada-ao-financiamento-da-campanha-de-mandetta/

    >>>> NA CRISE DO COVID-19:

    Como Ministro da Saúde, Mandetta critica a quarentena:

    http://cbn.globoradio.globo.com/media/audio/294351/por-enquanto-nao-existem-mudancas-em-relacao-ao-pr.htm

    https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,mandetta-muda-discurso-diz-que-fica-no-cargo-e-critica-quarentena,70003247923

    https://www.agazeta.com.br/brasil/mandetta-muda-discurso-diz-que-fica-no-cargo-e-critica-quarentena-0320

    – O Ministério da Saúde tem em sua estrutura funcional permanente, médicos sanitaristas, infectolgistas, técnicos especializados e um corpo de funcionários altamente qualificado

    – Mesmo com essa estrutura técnica Mandetta – raposa política – tergiversa

    *** Parte III
    MANDETTA e seu ASSESSOR ESPECIAL

    JOSÉ CARLOS ELELUIA -Eng. Eletrônico – Assessor Especial do Ministro da Saúde

    1)
    https://www.metro1.com.br/noticias/politica/74228,ex-deputado-aleluia-e-nomeado-assessor-especial-do-ministro-da-saude
    – Ele já havia sido nomeado conselheiro da Itaipu Binacional, com mandato até 16 de maio de 2020

    2)
    https://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/04/1874729-aleluia-do-dem-recebeu-caixa-2-e-propina-da-odebrecht-dizem-delatores.shtml

    – O ministro Edson Fachin autorizou a abertura de uma investigação sobre o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), com base nas delações de ex-executivos da Odebrecht.
    – Segundo o despacho do relator da Lava Jato, dois colaboradores da empreiteira relevaram pagamentos a duas campanhas do político.
    – Eles citam que em 2010 foram R$ 300 mil em caixa 2, enquanto em 2014 foram R$ 280 mil em doação oficial, mas com contrapartida.
    – Para a PGR (Procuradoria-Geral da República), há indícios de propina no repasse.
    -“O parlamentar teria recebido doação oficial tendo, como contrapartida, assumido posições favoráveis aos interesses do Grupo Odebrecht”, diz trecho da decisão.

    3) https://www.viomundo.com.br/voce-escreve/charles-carmo-aleluia-e-os-escandalos-de-corrupcao.html

    – Envolvidos com o escândalo dos Anões do Orçamento, Aleluia jurou inocência. Acabou inocentado.

    – Mas o fato de o relator da CPI, deputado Roberto Magalhães (PFL-PE), tê-los inocentado gerou suspeitas na época.

    – Falava-se em uma troca. Magalhães teria aceitado livrar o correligionário Aleluia se em troca seu partido aceitasse liberar o conterrâneo Sérgio Guerra, que à época era filiado ao PSB.”

    *** Parte IV

    https://www.cartacapital.com.br/saude/ex-ministros-da-saude-se-unem-contra-bolsonaro-e-recorrem-a-oms/

    26/03/2020

    Sete ex-integrantes da pasta assinam o manifesto que repudia as ações do presidente no combate ao coronavírus

    Em resposta à fala de Bolsonaro, que minimizou os efeitos do coronavírus e se posicionou contra a quarentena, sete ex-ministros da Saúde divulgaram um manifesto contra a atitude do presidente, classificada como “irresponsável” e “desrespeitosa”.

    “Preocupado em atender interesses estritamente econômicos, [Bolsonaro] propõe uma dicotomia entre o enfrentamento da crise na saúde e na economia. Os países que têm conseguido os melhores resultados são aqueles que fizeram o isolamento social, garantiram o atendimento à saúde da população e tomaram medidas para manter a renda e ativar a economia. Não há, portanto, dicotomia entre manter a atividade econômica e salvar vidas”, diz a carta, divulgada nesta quinta-feira 26.

    Os ex-chefes da pasta também criticaram o isolamento vertical, que foi proposto por Bolsonaro e é restrito apenas à população idosa e com comorbidades. “Tal postura, além de desmobilizar a população que vem fazendo sua parte, seguindo as orientações da OMS, do próprio Ministério da Saúde, dos governadores, prefeitos, imprensa e líderes do parlamento, fere também, de maneira irreconciliável, ao pacto federativo e a autonomia de seus entes”, argumentam.

    Na carta, o grupo afirma que vai recorrer à Organização Mundial da Saúde (OMS) e à Organização das Nações Unidas (ONU) para tentar barrar as atitudes do presidente. “Temos compromisso de nos engajarmos no esforço da sociedade brasileira na proteção de nossa população, independentemente de sua condição econômica e social e de sua faixa etária. Nosso dever é preservar a vida de nossos cidadãos”, concluem.

    O manifesto foi assinado por Marcelo Castro, Arthur Chioro, Alexandre Padilha (ministros do governo Dilma), José Gomes Temporão, José Agnor da Silva, José Saraiva Felipe e Humberto Costa (ministros do governo Lula). Leia a NOTA integral na matéria

    *** Parte V
    MANDETTA – ATUALIZAÇÃO (l)

    – Todos os países do mundo proibiram exportações de produtos de saúde, por se tratar de material estratégico para a segurança dos seus cidadãos
    – A Itália adquiriu máscaras e ventiladores operacionais no Brasil
    – Esses produtos foram retidos e impedidos de serem embracados, devido a medida provisória nesse sentido – solicitada pela própria indústria brasileira
    – Aí, o Deputado Brasileiro no Parlamento Italiano, Luiz Roberto Lorenzatto, entrou em contato com o Deputado Eduardo Bolsonaro, com o Chanceler Ernesto Araujo, com Onyx Lorenzoni e com o próprio Mandetta (citados nominalmente no vídeo do Dep. Lorenzato), e a partida foi liberada em um momento que se sabe haver ampla falta de produtos para a defesa da saúde dos brasileiros

    ASSISTA o VÍDEO datado de 21/03/2020

    https://www.youtube.com/watch?v=gtqzqjaoIyI

    *** Parte VI
    ATUALIZAÇÃO (II)

    Países disputam a obtenção de material estratégico para o combate ao Coronavírus, assim, p.ex, temos

    da RFI – Rádio França Internacional

    1) – Oferta de pagamento em dinheiro vivo e de três a quatro vezes mais caro que o preço original. É desta forma que máscaras encomendadas pela França são adquiridas por americanos na pista de aeroportos chineses, momentos antes de embarcar a seu destino.
    http://www.rfi.fr/br/américas/20200402-covid-19-eua-pagam-mais-caro-e-ficam-com-remessa-de-máscaras-chinesas-destinadas-à-frança

    2) – Autoridades francesas afirmaram nesta semana que os Estados Unidos estão comprando carregamentos de máscaras já vendidos à Europa nos aeroportos chineses por um valor de três a quatro vezes superior ao negociado.
    – No entanto, dentro da própria União Europeia, países estão confiscando entre si o material médico que, em tempos de coronavírus, está valendo mais que ouro.
    http://www.rfi.fr/br/europa/20200403-covid-19-após-denúncia-da-frança-contra-eua-surgem-revelações-sobre-confiscos-de-máscaras-entre-pa%C3%ADses-europeus
    *
    da BBC
    3) – Os EUA foram acusados de redirecionar para si mesmos um conjunto de 200 mil máscaras que tinha como destino original a Alemanha, em um ato descrito como “pirataria moderna”
    https://www.bbc.com/portuguese/internacional-52166245
    *
    4) – Mônica Bergano – Folha de São Paulo
    https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2020/04/sao-paulo-tem-so-a-metade-de-ventiladores-que-precisa-para-crise-do-coronavirus.shtml

    5) – Sem ventiladores mecânicos, pacientes podem ter falência de órgãos.
    https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2020/04/02/33percent-das-cidades-brasileiras-tem-no-maximo-10-respiradores-mecanicos-entenda-por-que-aparelho-e-essencial-no-combate-ao-coronavirus.ghtml

    *** Parte VII

    https://theintercept.com/2020/04/02/coronavirus-mandetta-testes/

    CORONAVÍRUS: MANDETTA PROMETEU 15 MILHÕES DE TESTES, MAS SÓ ENTREGOU 0,5% ATÉ AGORA
    (…)
    Testes rápidos para tapar buraco
    Enquanto isso, o governo tenta mostrar que não está parado anunciando a distribuição de 500 mil testes rápidos, que produzem resultados em 15 minutos, mas são muito menos confiáveis. Eles foram doados ao governo federal pela mineradora Vale, que vê na crise do coronavírus uma oportunidade de se recuperar do desgaste de imagem sofrido após os crimes ambientais que mataram quase 300 pessoas em Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais. É o primeiro lote de um total de 5 milhões de testes rápidos que a empresa prometeu doar. Além deles, a Fiocruz deverá fornecer mais 3 milhões.
    Mas os testes rápidos não resolvem o problema. Como já dissemos, a confiabilidade deles é baixa – eles detectam uma proteína produzida pelo organismo para reagir ao coronavírus, que só aparece sete dias após a infecção. Estima-se que resultados negativos para coronavírus podem ser falsos em três de cada quatro testes. Por isso, não se prestam a um diagnóstico preciso, e a orientação do governo é usá-los apenas para monitorar agentes de saúde e de segurança.
    Mandetta repete, em entrevistas diárias, que a principal estratégia do governo contra a covid-19 será fazer testes em massa nas 48 cidades com mais de 500 mil habitantes – usando os testes PCR. Se de fato for colocado em prática, irá funcionar no sistema drive thru: as pessoas irão de carro aos postos de coleta. Dali, o material extraído da mucosa do nariz será levado ao laboratório. O paciente receberá o resultado, em 24 horas, por meio de um aplicativo, que ainda está sendo “cristalizado”, segundo o ministro.
    Mas, para isso, faltam os testes. O Intercept perguntou ao ministério, desde o dia 31, quantos já foram comprados – ou, caso as compras não tenham ocorrido, qual a data prevista para elas. O órgão limitou-se a dizer que “as aquisições não foram finalizadas”, sem esclarecer a data de conclusão e os fornecedores dos testes.
    O maior contrato para compra de insumos para testes foi feito com a empresa investigada pela Polícia Federal.

    Já houve atraso no cronograma anunciado no dia 24: o governo esperava que a Fiocruz entregasse 2 milhões de testes PCR e 3 milhões de testes rápidos até 30 de março. O calendário, porém, foi revisto “devido à escassez mundial de insumos” para a fabricação dos exames. Agora, a previsão é de que a Fiocruz entregue 1,5 milhão de testes por mês a partir de abril, sem especificar uma data. Até lá, o sistema de saúde brasileiro pode já ter entrado em colapso.
    O Ministério da Saúde também fez compras emergenciais de insumos no Brasil – como reagentes químicos, instrumentos para cultura viral e equipamentos de laboratório – para que instituições como a Fiocruz montem os kits para realização dos testes. Essas compras somam R$ 4,8 milhões e estão listadas no site do ministério.
    É provável que esses insumos venham a ser usados para a montagem de parte dos 3 milhões de testes que a Fiocruz irá entregar. Mas, como os contratos não permitem estimar quantos testes serão produzidos com o material comprado e o Ministério da Saúde se recusa a informar, isso é incerto.
    Como se a situação não pudesse ser pior, o maior desses contratos – no valor de R$ 3,2 milhões e destinado à compra de materiais para detectar o vírus em laboratório – foi firmado com -> uma empresa chamada Reagen, investigada em uma operação da Polícia Federal no Paraná. [1] Ela responde a uma acusação de improbidade administrativa por um esquema de desvio de bolsas de pesquisa na UFPR, a Universidade Federal do Paraná.
    O dono da empresa, Jorge Luiz Bina, foi condenado em primeira -> a quatro anos e seis meses de prisão. O empresário defendeu-se afirmando que a esposa, também incriminada, disse à justiça que ele “não possuía envolvimento no esquema”. [2]
    -> O Intercept já mostrou também que Mandetta pagou 67% a mais por máscaras de um empresário bolsonarista. [3]
    O teste molecular, ou PCR, é o padrão ouro – ou seja, o mais confiável conhecido – para detectar o coronavírus. Associado a um bom diagnóstico clínico, ele tem alta confiabilidade

    NOTAS:
    [1] UFPR- APURAÇÃO LIGA SERVIDORA QUE FRAUDOU BOLSAS DE ESTUDOS E ANOVO DESVIO
    https://educacao.uol.com.br/noticias/2018/03/20/apuracao-liga-servidora-que-fraudou-bolsas-de-estudo-a-novo-desvio-na-ufpr.htm

    [2] MINISTÉRIO DA SAÚDE CONTRATA EMPRESA DE CONDENADO POR LAVAGEM DE DINHEIRO
    – Dono da empresa foi condenado por caso que envolveu desvio de R$ 7 milhões, e a companhia é envolvida em investigação de 2009 relativa a um processo licitatório no Paraná
    https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2020/03/19/interna_politica,835186/ministerio-da-saude-contrata-empresa-condenado-por-lavagem-de-dinheiro.shtml
    19/03/2020

    [3] CORONAVÍRUS: SEM LICITAÇÃO, MANDETTA PAGA 67% MAIS CARO PARA COMPRAR MÁSCARAS DE EMPRESA DE BOLSONARISTA
    https://theintercept.com/2020/03/22/mandetta-mascaras-bolsonarista-coronavirus/

    ***
    Mandetta, raposa política, agora surfa na onda do coronavírus e de ataques ao Bolsonaro…

  15. 04/04/2020

    https://autonomialiteraria.com.br/do-keynesianismo-de-coronavirus-a-antiguerra-permanente/

    Do keynesianismo de coronavírus à antiguerra permanente
    Um vírus não é capaz de fazer uma revolução: pode até destruir um velho mundo que já vinha em desagregação, mas não construir um mundo novo – essa é uma tarefa destinada apenas à ação coletiva e consciente de massas em movimento.
    Por Victor Marques*
    Essa não é a primeira pandemia global a acometer a humanidade, e não será a última. Muitas das nossas melhores mentes, ao redor do mundo, estão nesse exato momento engajadas em entender melhor como o vírus age e como combatê-lo, testando tratamentos promissores e buscando desenvolver uma vacina. O colapso civilizacional não é o cenário mais provável. Eventualmente sairemos da fase aguda da crise e a vida cotidiana recuperará uma aparência de normalidade.
    Nada disso, no entanto, deve nos distrair do fato de que estamos diante de uma daqueles raros eventos definidores, que acontecem a cada uma ou duas gerações e que marcam época. Nem minimizar a magnitude do sofrimento humano já em curso e que se prolongará pelos próximos meses – seja devido à COVID-19 seja em consequência do desastre econômico que a epidemia traz consigo.
    No momento em que escrevo, o número de casos confirmados em todo o mundo beira meio milhão, e com mais de 20 mil mortes (ao finalizar o texto e enviá-lo para publicação, os casos confirmados já haviam ultrapassado a marca de um milhão, com mais de 50 mil mortes). Se o mês de março começou com a Itália ultrapassando a China como país mais afetado pelo vírus, acumulando até aqui 14 mil falecimentos, e chegando a cerca de mil mortos em um único dia no pior momento (com a Espanha seguindo logo atrás na curva de contágio), no início de abril são os Estados Unidos que se consolidam como o novo epicentro da pandemia, com cerca de 250 mil casos confirmados, chegando a mais de mil mortes nas últimas 24h. Lá, a COVID-19 já é a terceira principal causa de morte, de acordo com o CDC, perdendo apenas para doença cardíaca e câncer.
    O nome oficial do vírus que tem provocado esse estrago é SARS-coV2, ou “coronavirus de síndrome respiratória aguda grave 2”. A infecção pelo SARS-coV2 tem se mostrado menos letal do que a do outro coronavírus que desencadeou o surto de SARS de 2003 na Ásia, embora também muito mais contagiosa. Um tempo longo de incubação (por volta de 5 dias, mas podendo chegar a mais de 15), assim como uma certa proporção de transmissores assintomáticos ou com sintomas leves, facilitou que o vírus se espalhasse rapidamente por um mundo acelerado e hiper-conectado, com casos confirmados em quase todos os países. Apesar do surto de SARS de 2003 apresentar uma fatalidade bem mais elevada (em torno de 11%), o número de casos fatais ficaram, ao todo, em apenas 774. Compare com os mais de 5 mil casos de mortes pelo SARS-coV2 confirmados apenas nas últimas 24h.
    O artigo publicado por uma equipe de pesquisa do Imperial College de Londres, em 16 de março, dá uma ideia da extensão quantitativa da problema. Os resultados do modelo, que levaram a uma mudança na estratégia dos governos dos EUA e Reino Unido, foram publicizados no Brasil pelo biólogo e comunicador científico Átila Marino, e são efetivamente horripilantes. Na simulação em que nada é feito para conter a transmissão, estima-se que 80% da população dos Estados Unidos seria infectada, e que cerca de 1% dos infectados viria a óbito – o que se traduziria, em números absolutos, em 2,2 milhões de mortos só nos Estados Unidos. Mas, sem medidas de mitigação, o número de pessoas que precisariam de tratamento intensivo (respiradores, sobretudo) excederia em 30 vezes a capacidade hospitalar, aumentando a taxa de mortalidade e aumentando o número absoluto de mortos para 4 milhões. Extrapolando grosseiramente para a população global, o equivalente seria 90 milhões de mortes em todo mundo. Aplicando um modelo similar para o Brasil, a estimativa é de 1,1 milhão de mortos caso não fossem aplicadas medidas de isolamento e distanciamento físico.
    Claro que nenhum governo do mundo, em sã consciência, ficaria parado e deixaria a epidemia simplesmente seguir seu curso. Por isso, o estudo também analisa o cenário com fortes medidas de mitigação: casos sintomáticos em isolamento (e suas famílias em quarentena), proibição de grandes aglomerações e distanciamento social dos setores populacionais mais vulneráveis (especialmente os idosos). Essas medidas de fato “achatam a curva” na simulação, mas ainda bem distante do que seria necessário: o número de casos continua a ultrapassar consideravelmente a capacidade do sistema de saúde, e o resultado é 2 milhões de mortes (nos Estados Unidos). Por fim, o estudo explora ainda uma outra estratégia: a de supressão, que envolve distanciamento social para toda a população, fechamento de escolas e universidade, assim com da maior parte dos locais de trabalho. E a estratégia de supressão, como aliás a China já havia demonstrado na prática (com o lockdown em Wuhan), funciona – após um pico de casos, a curva desce rapidamente e o número de mortos se mantém na casa dos milhares. Pelo menos enquanto durar o lock-down, o que acontecerá uma vez que as medidas sejam relaxadas ainda é incerto.
    Há poucas semanas, vários governos, dentro os quais o do Reino Unido se destacava, tinham como política oficial (em explícita divergência frente a linha defendida pela OMS) que não seria possível conter a epidemia, e que inevitavelmente 80% da população acabaria sendo infectada, quando então o país como um todo adquiriria uma “imunidade de rebanho” (análoga ao que acontece com as campanhas em massa de vacinação), e o vírus ficaria enfim sob controle. Partindo desses pressupostos, seria possível apenas uma estratégia de mitigação: reforçar os hospitais para receber o aumento da demanda de casos críticos, tentar isolar os grupos de maior risco (a ideia de uma “isolamento vertical”), e achatar a curva com medidas leves para induzir a mudança comportamental da população (evitar apertos de mão, precauções de higiene, reduzir aglomerações, etc.), mas sem sacrificar a economia. Essa estratégia pode ser apelidada de “levar no queixo”, inspirada pela declaração de Boris Johnson em um momento de brutal honestidade: “talvez devêssemos levar no queixo [a epidemia], de uma só vez, e permitir que a doença se espalhe pela população, sem tomar tantas medidas draconianas”.
    Qual racionalidade estava por trás dessa estratégia? 1. A suspeita de que uma estratégia de supressão radical pudesse até funcionar no curto prazo, mas que a cura poderia ser pior que a doença: ao impedir que as pessoas trabalhem, o confinamento em massa desencadearia uma crise econômica, levando a um vertiginoso aumento do desemprego e uma consequente queda acentuada na renda; 2. A avaliação de que seria difícil manter uma quarentena eficaz por tempo suficiente: após duas semanas de isolamento social as pessoas começam a apresentar fadiga em relação às medidas extremas e começam a desobedecê-las – os governos liberais do ocidente não teriam capacidade de forçá-las; 3. Quanto mais tempo as medidas de supressão estiverem em vigência (o lockdown de Wuhan entrou em vigor no dia 23 de janeiro, e começou a ser levantado em 26 de março), mais estrago econômico causarão, mas caso sejam levantadas cedo demais, um segundo pico seria inevitável.
    O estudo do Imperial College levou ao governo britânico a alterar publicamente sua posição, e abandonar a meta da “imunidade de rebanho”. Mas os pronunciamentos do presidente do Brasil, e de seu ministro da saúde, levam a crer que essa continua sendo a estratégia oficial do governo brasileiro. Mandetta prevê que o sistema de saúde entrará em colapso em abril, e que a taxa de contágio do vírus começará a diminuir quando 50% da população tiver sido infectada. Bolsonaro, por sua vez, afirma que é hora de voltar a normalidade, e que não há necessidade de fechamento de comércio ou confinamento em massa. Respondendo à orientação presidencial, a base do bolsonarismo partiu para a ofensiva, pressionando os governadores, e até promovendo carreatas, para que a vida econômica retorne à normalidade.
    Uma coisa é certa, no entanto, nos países em que a epidemia começou a se disseminar só duas estratégias foram capazes de impedir uma escala em massa de mortes: o lockdown (a paralisação por tempo estendido da circulação de pessoas e da ampla maioria das atividades não-essenciais) ou o rastreamento inteligente (que envolve testagem em larga escala, checkpoints de medição de temperatura, e até o uso de dados pessoais para detectar as cadeias de transmissão – medidas usadas em locais que foram sucedidos na contenção como Singapura, Hong Kong e Coréia do Sul).
    No momento, é difícil avaliar a escala temporal do problema: umas tantas semanas de quarentena será o suficiente para evitar o pior cenário em relação a saúde pública, ou estamos falando de um período prolongada, talvez mais de um ano, em que a vida funcionará muito longe da normalidade a que estamos acostumados? Será que veremos explosões de vários surtos ao longo de tempo, e seremos obrigados a alternar entre momentos de mais fechamento e momentos em que as medidas de distanciamento serão relaxadas? Quando teremos uma vacina pronta para uso em massa, ou pelo menos tratamentos eficazes o bastante para aliviar a pressão sobre os sistemas de saúde? A pandemia morrerá por si só depois de um tempo, ou o novo coronavírus se juntará ao repositório de outros coronavírus que provocam surtos sazonais em populações humanas? As expectativas mais otimistas colocam entre 12 a 18 meses para o desenvolvimento de uma vacina que possa ser utilizada em massa, na escala global. É possível que nesse meio tempo atividades como o turismo, as aglomerações artísticas e esportivas, as viagens internacionais, os grandes eventos e convenções globais, para além do funcionamento das escolas e universidades, terão que funcionar em condições consideravelmente distintas das que estavam em vigência antes da eclosão da pandemia.
    A economia política do vírus
    O que falta ao modelo da equipe do Imperial College, trágico como já parece, é uma consideração detida das variáveis econômicas – os custos e as limitações econômicas de implementar de maneira sustentada a estratégia de supressão.
    Há várias maneiras pelas quais a pandemia do coronavírus já tem tido fortes efeitos disruptivos na economia global. Primeiro, já de início desorganizou as cadeias produtivas globais, uma vez que a maior parte das plantas industriais chinesas interromperam a produção ao menos temporariamente em algum momento do primeiro quadrimestre (mais de um terço ainda não volto a atividade plena). A produção industrial chinesa contraiu pela primeira vez em mais de 40 anos, e ficou em território negativo durante janeiro e fevereiro. Em um mundo de extrema interdependência econômica, isso afeta diversos setores no mais distintos países, que dependem de fornecedores chineses. E, no entanto, algo semelhante acontecerá – na verdade, já tem acontecido – com vários outros países sucessivamente, na medida em que precisam impor algo como um lockdown para conter a aceleração de curva de contágio. Em uma economia globalizada, a paralisação da produção em um país fatalmente desorganizará a produção em muitos outros, quanto mais densos os nós das cadeias logísticas de oferta maior será o efeito disruptivo em cascata. A indústria, claro, não foi a única porção da economia chinesa impactada: as vendas de varejo colapsaram, com crescimento negativo de 20%. Estimativas econômicas apontam para uma contração de cerca de 10% do PIB chinês no primeiro trimestre, fundamentalmente como efeito das medidas de supressão contra a epidemia.
    A segunda maneira como a pandemia afeta a economia decorre no pânico das bolsas de todo mundo, conforme os mercados financeiros respondem a instabilidade e imprevisibilidade da situação e tentam precificar os efeitos recessivos (e os potenciais estragos nos balanços das empresas). Os Bancos Centrais têm agido agressivamente, despejando trilhões de dólares para salvar os mercados financeiros e garantir a liquidez. Cada país onde a epidemia se instalar – ou seja, boa parte do mundo, mais ou menos ao mesmo tempo – vai ter que lidar tanto como um choque de oferta, na medida em que os trabalhadores deixam de produzir impedidos pela medidas de distanciamento social, quanto com um choque de demanda, uma vez que os consumidores, confinados em casa, deixam de sair para fazer compras (ou ir ao cinema, ao salão de beleza, aos restaurantes, etc.).
    A situação é um tanto pior porque a ameaça de uma nova crise global já pairava no ar antes mesmo do início da pandemia, com a economia mundial dando sinais de desaceleração, o comércio global com tendência de queda e o investimento já em baixa em boa parte dos países de capitalismo avançado (Itália e Alemanha, países centrais da zona do Euro, já estavam em território recessivo antes da pandemia, por exemplo). De certa forma, a pandemia age como um choque externo que intensifica algumas tendências já em andamento e revela a fragilidade (e as contradições) do mais longo, mas também mais anêmico, período de expansão econômica desde o fim da segunda guerra. A base dessa recuperação foi o endividamento e a constante injeção de liquidez, que permitiu a sobrevivência de empresas zumbis e manteve elevado o ânimo dos mercados financeiros turbinado pela recompra corporativa de ações.
    A pandemia funciona como um choque externo que deixa a descoberto debilidades que a bonança financeira escondia como produz novas debilidades pelo congelamento de outras tantas atividades perfeitamente viáveis em condições normais. A recessão desencadeada pela pandemia, na medida em que deixa as empresas vulneráveis seja a falta de demanda seja ao desarranjo global das cadeias produtivas, podem rapidamente disparar uma cascata de insolvência, resultando numa crise da dívida corporativa, como abordada em matéria do Financial Times. Também as famílias, com a redução da renda e a perda de empregos, poderão se ver incapazes de servir as dívidas que acumularam, o que aumentará o stress sobre o sistema bancário. E tomemos o caso da Itália, que por uma cruel ironia é na zona do Euro tanto o país mais afetado pela COVID-19 como também o com o maior volume de dívida soberana – com um economia já em estagnação antes da epidemia, e sem autonomia monetária para lidar com a recessão. O Banco Central Europeu muito provavelmente terá que enfrentar a decisão entre salvar a Itália de uma crise da dívida soberana ou arriscar uma ameaça existencial à zona do Euro.
    Em artigo para a Tribune Magazine, Jerome Ross se coloca a pergunta: “o que acontece quando se força um desligamento de quase toda a atividade produtiva e comercial em uma economia global já prejudicada por anos de crescimento anêmico e níveis recordes de endividamento?” Podemos estar prestes a descobrir. Tudo indica que não é possível evitar a recessão global. De certo modo, ela já está aqui. Segundo o secretário-geral da OCDE, Angel Gurria, a pandemia, “o maior choque econômico, financeiro e social do século XXI”, foi o gatilho para uma “grande crise econômica que pesará sobre nossas sociedades por anos”. Para Gurria, por mais necessários que sejam as medidas para conter a disseminação do vírus, elas empurram as economias nacionais para um “congelamento profundo” sem precedentes.
    O Los Angeles Time resumiu o dilema com a dura chamada: “O coronavírus representa uma escolha terrível para os líderes globais: destrua sua economia ou perca milhões de vidas”. Os efeitos já se fazem sentir. O secretário do tesouro, Steven Mnuchin, chegou a falar de desemprego na casa dos 20%. A Goldman Sachs projeta uma queda do PIB de 24% no PIB dos Estados Unido, a maior economia capitalista do planeta, para o segundo trimestre (um declínio mais de duas vezes maior do que o pior já registrado). A previsão era então de que mais de 2 milhões de estadunidenses perderiam o emprego nas próximas semanas. A realidade, no entanto, já é muito pior. Em uma semana, os dados oficiais do próprio Departamento do Trabalho confirma que 3,3 milhões de trabalhadores deram entrada em pedido de seguro desemprego – não apenas o número recorde desde que se tem registro, como mais 4 vezes pior que o recorde anterior (650 mil, em 1982). E essa semana catastrófica foi seguida por uma ainda pior: hoje (2 de abril) o Departamento do Trabalho informou que um número adicional de 6,6 milhões de trabalhadores entraram com pedido de seguro desemprego na última semana – um número de duas a três vezes maior do que esperavam os analistas, e um crescimento súbito de 3000% com relação às semanas anteriores. William Rodgers, antigo economista chefe do Departamento de Trabalho, calcula que o desemprego pulou, em apenas duas semanas, de 3,5% a 17%, enquanto a Reserva Federal de St Louis estima que o desemprego pode atingir um pico de 32%, com 47 milhões de trabalhadores demitidos. No Brasil a Goldman Sachs prevê uma retração de 3,4% no PIB, e alerta para uma recessão na América Latina pior que a da crise da dívida da década de 80.
    É um cenário que Mark Zadin, economista chefe da Moody´s Analytics, já chamava de um “tsunami econômico”. Distanciamento social implica distanciamento econômico – um congelamento temporário de boa parte das atividades humanas produtivas (seja nas fábricas, seja nos comércios e serviços). O confinamento em massa diminui bruscamente a demanda por bens e serviços, e interrompe a oferta de trabalho. O medo crescente na comunidade empresarial é que, para desacelerar a pandemia, se esteja provocando uma depressão econômica.
    Se o artigo do Imperial College levou a uma mudança inicial no discurso dos governantes que estavam minimizando a crise da saúde causada pelo sars-cov2, levando a adoção de medidas de quarentena e confinamento mais alinhadas com a estratégia de supressão – foi o próprio Trump que então disse: “tudo mais voltará, as vidas não voltarão” – as consequências do distanciamento econômico em pouco tempo mudou o tom do discurso no andar de cima. O editorial do Wall Street Journal de 19 de março é sintomático dessa reorientação: “Repensando o shutdown do coronavírus – Nenhuma sociedade pode proteger a saúde pública por muito tempo à custa de sua saúde econômica”. O editorial argumenta que os governos precisam começar a ajustar imediatamente a estratégia de combate ao vírus, caso contrário o resultado será uma recessão econômica muito pior que a de 2008 e uma enxurrada de inadimplência e falências.
    Foi isso que moveu Trump de gritar “DISTANCIAMENTO SOCIAL” (assim mesmo, em caixa alta) no twitter em 14 de março, a insistir em tuítes, a partir de 24 de março, que “A CURA NÃO PODE SER PIOR QUE A DOENÇA” (também em caixa alta, por sinal), e que as pessoas devem voltar ao trabalho, sugerindo o relaxamento das medidas de distanciamento social. Isso vem junto com uma onda de apelos patrióticos de influenciadores de direita para que os mais velhos se sacrifiquem para manter a economia de pé – o legado que deixariam para as próximas gerações. Por fim, Trump, sensibilizado com o caso de um amigo que havia entrado em coma com covid19, voltou atrás novamente e anunciou a extensão das medidas de distanciamento por todo o mês de abril.
    Foram alguns dias de tensão com vários governadores, especialmente dos estados mais afetados, que expressaram de público o desacordo com Trump, na defesa de medidas mais restritivas de contenção. Andrew Cuomo, governador de Nova York, se expressou no twitter em termos que mais lembram falas de militantes anti-capitalista: “Minha mãe não é dispensável. Sua mãe não é descartável. Não colocaremos um preço em dólar na vida humana. […] Ninguém deveria estar propondo darwinismo social em favor da bolsa de valores”. Cuomo, claro, não é nenhum socialista: como a direção do Partido Democrata, é historicamente favorável aos cortes nos serviços sociais, que continua aplicando apesar da epidemia. Retoricamente, no entanto, procurou se distanciar do “Partido da Morte” (expressão que Peter Fraser cunhou para se referir às alas mais descaradamente extreministas do populismo de direita).
    Em princípio, é evidente que Cuomo está certo: não deveríamos ter que sacrificar ninguém, muito menos nossos avós, no altar da finanças – vidas não têm preço. Contudo essa boa ética se esborracha no implacável muro da realidade capitalista e sua dinâmica de acumulação insaciável, que se alimenta exatamente da vida humana. O paradoxo é que a vida humana depende desse mesmo circuito de acumulação para se reproduzir. As saúde das pessoas depende, de fato, da saúde da economia capitalista. Em condições capitalistas, sem lucros não há trabalho, sem trabalho não há dinheiro, e sem dinheiro se está condenado à miséria e à humilhação – ao sofrimento físico e psíquico. É assim porque, no capitalismo, a reprodução da vida passa pela circulação das mercadorias. Mas não precisa ser assim.
    Se o distanciamento social, para combater a epidemia, implica por um lado em “distanciamento econômico”, por outro requer segurança econômica. E a razão é muito simples: as pessoas não obedecerão uma quarentena que as ameace matar de fome. Sem condições materiais para o isolamento social, não há isolamento social possível. Confinamento em massa sem uma rede pública de proteção social e abastecimento é cruel e, em última instância, inviável. E, no entanto, o confinamento em massa continua sendo a única forma que conhecemos de impedir que a explosão exponencial da curva dos afetados pelo novo coronavírus arrebente com a capacidade dos hospitais e produza uma avalanche de mortes trágicas e perfeitamente evitáveis (entre as vítimas do vírus, mas também de muitos outros que precisarão de acesso a UTI, ou outros serviços hospitalares, nesse período).
    Trata-se, portanto, de um problema que desafia qualquer resposta fácil. O confinamento em massa, mesmo que não seja uma solução definitiva, nos ganhará um tempo valiosíssimo para compreender melhor o vírus, avaliar quais são os tratamentos mais eficazes, preparar nossos sistemas de saúde para a demanda crescente (inclusive implementando a reconversão industrial para produzir mais respiradores, máscaras, e material hospitalar em geral). Ganhar esse tempo é vital para nos deixar em melhor posição para enfrentar um segundo pico, quando as medidas de distanciamento forem relaxadas; ou, uma vez que o surto esteja sob controle, utilizar as políticas dos países do sudeste asiático que envolvem testagem em larga escala e rastreamento das cadeias de transmissão do vírus, tornando possível uma abordagem mais inteligente, e menos economicamente disruptiva, de contenção do contágio.
    O que não se pode ignorar é que, em condições capitalistas, os custos econômicos da estratégia de supressão são de fato altos – e não apenas para os capitalistas, mas fundamentalmente para os trabalhadores que, deixados à própria sorte, estão em situação material de mais insegurança e vulnerabilidade. Frente ao dilema de escolher entre vida humana e economia, temos não apenas que deixar explícita que uma não existe sem a outra (uma catástrofe humanitária tem consequências econômicas e vice-versa), mas sobretudo recusar a escolha infernal, e reconhecer que o que o momento exige é a supressão da lógica capitalista – parcialmente e temporariamente, pelo menos.
    Talvez a porção mais reveladora do editorial do Wall Street Journal mencionado antes é quando trata de explicar porque a solução chinesa não é viável para os Estados Unidos:
    “Alguns meios de comunicação que não entendem o mundo dos negócios nos Estados Unidos dizem que a China conseguiu administrar um choque comparável à sua economia e agora está começando a sair do outro lado. Por que os EUA não podem fazer a mesma coisa? O que isso ignora é que o Estado chinês detém uma participação enorme nessa economia e optou por absorver as perdas. Nos EUA essas perdas serão arcadas por proprietários privados e pelos trabalhadores que dependem de uma economia privada funcional.”
    A China, paralisando sua economia, conseguiu conter a disseminação da doença e poupar vidas – lá o número de mortos ficou em um patamar já bem menor do que em países muito mais ricos, e que tiveram mais tempo para se preparar, como Itália e Espanha. A lição a ser retirada é que, como afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, é possível realmente evitar a epidemia, “mas apenas com uma abordagem coletiva, coordenada e abrangente que envolve todo o mecanismo do governo”. Isso é, com algo análogo a um esforço de guerra.
    Um esforço de anti-guerra
    A metáfora da guerra tem sido mobilizada, e não de hoje, por grupos de poder assentados na máquina estatal para inflar a própria legitimidade sob a narrativa de um inimigo comum excepcional, esperando assim que se crie um ambiente no qual a cidadania esteja mais disposta a tolerar (ou mesmo deseje ativamente) medidas autoritárias e a degradação dos espaços públicos democráticos. A imagem da guerra, contudo, tem também sido invocada, em desabafos assustadoramente gráficos, por médicos e demais trabalhadores da saúde que se expõem na linha da frente na batalha contra a pandemia.
    As UTI´s se convertem em trincheiras, os enfermeiros na infantaria, os hospitais lotados são campos de batalha onde se corre contra o tempo, enquanto o inimigo não cessa de provocar baixas – o cenário é de desespero, devastação e terra arrasada. Como em uma guerra, os soldados precisam de mais recursos, muitas vezes escassos: mais camas, mais máscaras, mais respiradores. Sofrem de exaustão, de estafa física e mental, se traumatizam com a frequência com a qual precisam testemunhar sofrimento e morte. É preciso apoiá-los e armá-los de instrumentos adequados para lidar com a ameaça. O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, abriu seu pronunciamento na reunião do G20, dia 26 de março, afirmando: “estamos em guerra com um vírus – e não estamos ganhando”. O apelo é que para uma ameaça da magnitude de uma guerra se possa montar um plano de “tempo de guerra”, um esforço concertado em larga escala a partir de uma estratégia comum.
    Os paralelos são reais o bastante, assim como as desanalogias. Talvez o principal paralelo é que nas guerras totais (como foram a primeira e a segunda guerra mundial) mesmo as sociedades capitalistas se vêem obrigadas a suspender certas lógicas econômicas: a competição é suavizada pela necessidade de solidariedade social interna, a anarquia do mercado é substituída pelo foco no planejamento, os interesses particulares submetidos a um único interesse geral – uma tarefa a ser cumprida, custe o que custar: vencer a guerra. A guerra exige, precisamente, um “uma abordagem coletiva coordenada e abrangente que envolva todo o mecanismo do governo”, nas palavras do diretor chefe da Organização Mundial da Saúde Tedros Ghebreyesus.
    Em tempos de guerra, para atingir o interesse geral qualquer limite orçamentário é solenemente ignorado – como dizia Keynes durante a segunda guerra mundial: gastar sem limites, até cumprir a tarefa. O enfrentamento à epidemia exige não apenas investimentos públicos massivos no sistema de saúde – tudo que for necessário para “cumprir a tarefa” – mas exige também um mecanismo típico de economia de guerra: a reconversão industrial, como vem insistindo no Brasil a economista Mônica de Bolle. Da mesma maneira que fábricas de eletrodoméstico passavam a produzir tanques e bombas, faz-se necessário agora que plantas indústrias privadas sejam requisitadas a produzir respiradores (uma arma de enfrentamento crucial para os casos graves, cuja escassez já se faz sentir no mercado mundial), assim como equipamentos de proteção individual para os trabalhadores da saúde, cuja demanda mundial crescente tem levado países a confrontos comerciais abertos e mesmo à suspensão de exportações. Essa é uma medida que governos do mundo todo, mesmo aqueles dirigidos pela direita dita liberal (como o do Reino Unido), já estão aplicando.
    O blog oficial do Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou um artigo intitulado “Políticas econômicas para a guerra COVID-19” que abre com a afirmação: “a pandemia do COVID-19 é uma crise como nenhuma outra. Parece uma guerra, e de muitas maneiras é. Pessoas estão morrendo. Profissionais médicos estão na linha de frente. Aqueles em serviços essenciais, distribuição de alimentos, entrega e serviços públicos trabalham horas extras para apoiar o esforço”. Os autores ressaltam que a principal característica compartilhada entre a crise da pandemia com uma guerra é a exigência de “um aumento do papel do setor público”. Esse aumento, o argumento continua, pode envolver “ações intrusivas do governo [no mercado] para fornecer suprimentos essenciais por meio do recurso a poderes de guerra, com priorização de contratos públicos para insumos e bens finais críticos, e reconversão de indústrias ou nacionalizações seletivas”.
    Por um outro lado, se na escala da ação coordenada exigida – e na exigência de uma racionalidade pública acima dos interesses mercantis privados – trata-se de um esforço coletivo análogo a de tempos de guerra, no conteúdo trata-se justamente do oposto. Aqui não há nenhum exército inimigo a ser liquidado, nenhuma fronteira a ser defendida: é uma luta pela vida, que, a princípio, diz respeito a toda a humanidade, e que mais bem deveria reforçar nossa capacidade de colaboração internacional e solidariedade entre todos os povos – é um problema de “saúde global”, que requer uma abordagem global integrada.
    Crucialmente, como bem chamou atenção James Medway em artigo para a Tribune Magazine, “A economia de anti-guerra”, trata-se também do oposto de uma economia de guerra. É o mesmo ponto que o economista Adam Tooze levantou em entrevista para a Vox: “Pensar no que precisamos como uma espécie de mobilização em tempo de guerra me parece errar completamente. Essa é uma tarefa muito mais peculiar. A tarefa é manter a economia respirando por aparelhos durante um período de coma induzido artificialmente enquanto abordamos o desafio da saúde pública”.
    Enquanto tempos de guerra exigem mobilização total de uma economia operando em plena capacidade, com todos os recursos humanos e materiais empregados, o que precisamos agora é o contrário: desmobilizar amplos setores da economia, colocá-los como em hibernação, em modo de espera, para garantir o distanciamento físico. Trata-se, portanto, de um “decrescimento” emergencial forçado – ou seja, o que precisamos é, conscientemente, elevar a capacidade ociosa das empresas e garantir que os trabalhadores possam ter condições de reproduzir suas vidas por certo tempo sem precisarem oferecer sua mão de obra ao processo produtivo. Trata-se de uma disrupção gigantesca no mercado de trabalho, seja formal ou informal, que só poderá ser bem sucedida com uma adequada intervenção planejada governamental.
    Para permitir que o auto-isolamento funcione, é preciso garantir dinheiro na mão das pessoas, ou abastecimento material direto, e o funcionamento contínuo dos serviços essenciais. Daí a absoluta urgência de uma renda mínima universal e de medidas como suspensão de todos os despejos, congelamento dos aluguéis, suspensão de qualquer corte nos suprimentos de água e energia. São essas medidas de segurança econômica que tornam o distanciamento social, na escala necessária, viável para a massa das pessoas trabalhadoras, e que fariam, portanto, da quarentena não um privilégio dos que podem, mas em um direito para todos. E é apenas como um direito para todos que ela pode ser bem sucedida em suas ambições sanitárias. Os gastos prioritários agora não seriam para “estimular” a economia, a finalidade padrão dos pacotes fiscais em tempos de crise – nós não queremos aquecê-la, queremos congelá-la. Um estímulo fiscal para reaquecer a economia será absolutamente crucial em um segundo momento, quando vencida a emergência sanitária é necessário reaquecer a economia, mas o fundamental da economia de anti-guerra é permitir que o trabalhador possa viver sem precisar ir trabalhar.
    A imagem de um esforço de “anti-guerra” é duplamente útil. Primeiro, identifica o elemento de verdade da metáfora da guerra – há uma simetria na escala do esforço coordenado exigido, assim como na magnitude da mobilização dos poderes públicos, que implica em suspensão da lógica mercantil ordinária. Esse esforço coletivo, contudo, não está a serviço da destruição e da morte, como nas guerras, mas na proteção e promoção da vida – não na eliminação de um inimigo externo comum, mas na promoção da vida em comum.
    A retórica ufanista e xenófoba, a paranóia em relação ao outro, o encerramento chauvinista no endurecimento das fronteiras, a reverência às autoridades centrais e a renúncia à democracia, tão características de tempos de guerra, são reações regressivas inúteis e deslocada; fundamentalmente contra-produtivo. Segundo, a mobilização dos poderes públicos não significa, como na guerra, mobilização em massa dos corpos, como acontece durante as guerras. Trata-se aqui do oposto: da necessidade de uma desmobilização massiva, racional e planejada.
    A nova desordem mundial
    É tragicamente irônico, embora talvez inevitável, que no momento mesmo em que se faz urgente uma resposta global coordenada para enfrentar uma crise de saúde global sem precedente, o palco internacional esteja tão flagrantemente desprovido de lideranças inspiradoras e os governos nacionais se mostram tão incapazes de ação articulada multilateral. A decadência do multilateralismo não é de hoje: a última década tem visto um ceticismo crescente em face às promessas de uma “aldeia global” típicas dos anos 90 – ninguém mais, nem mesmo os tecnocratas dos mecanismos internacionais, parece acreditar nelas.
    A centro-direita pró-globalização foi atropelada, e em muitos lugares aposentada compulsoriamente, pela ascensão de uma direita populista cujo inimigo declarado é o “globalismo” (na definição famosa do 4chanceler Ernesto Araújo, “a globalização econômica pilotada pelo marxismo cultural”, seja lá o que isso queira dizer). Essa direita tem se aproveitado da pandemia para agitar sua bandeira favorita: o fechamento de fronteiras. E fechadas elas foram. Nenhum populista de direita desperdiçou a possibilidade de levantar algum muro, por mais inútil que fosse na contenção ao vírus (pense no governo brasileiro fechando a fronteira terrestre com o Paraguai, ou endurecendo ainda mais a relação com a Venezuela).
    Em pouco tempo, quase toda a liberal União Européia estava com suas fronteiras internas trancadas. E não foi só a circulação de pessoas que foi interrompida no mercado comum, logo países como a Alemanha estavam pondo de lado as regras do livre comércio para sustar uma carga de máscaras vendidas para a sufocada Itália – a justificativa: nós vamos precisar por aqui. A chocante incapacidade de ação comum, e mesmo de solidariedade mínima, dos países da União Européia não é muito auspiciosa para o destino do bloco, cuja robustez será novamente testada para o recrudescimento das forças centrífugas intensificadas por uma nova recessão profunda, e pela ameaça insistente de uma outra rodada de crise da dívida. Trump, como era de se esperar, aproveitou a crise para inflamar a xenofobia da sua base: apelidou o sarc-cov2 de “vírus chinês”, a COVID-19 de “kung flu”, tem insistido que a crise demonstra a importância de ter fronteiras fortes e que é hora de rever a logística da cadeias globais de valor, trazendo de volta as plantas produtivas das empresas americanas para dentro do território.
    Para Esteve Bannon, estrategista infame da direita alternativa, trata-se de um “vírus comunista”. As tensões entre Eduardo Bolsonaro, nomeado por Bannon como embaixador latino-americano d´O Movimento, e a embaixada chinesa no Brasil devem ser vistas no contexto de uma orientação concertada da direita populista mundial para explorar a pandemia no sentido de alimentar o sentimento anti-chinês. Há uma questão mais profunda: a relação simbiótica entre China e Estados Unidos no contexto da globalização econômica se mostrou o eixo do arranjo “globalista” das últimas décadas. A ironia é que nenhuma nação se beneficiou tanto do período neoliberal quanto a chinesa, se aproveitando dos fluxos globais de capital e da expansão da circulação de mercadorias com as cadeias logísticas de produção que passaram a estruturar o comércio mundial. O “nacionalismo econômico” professado pela direita populista é uma reação a esse arranjo, e uma tentativa de implodi-lo.
    Se em 2008 a ação concertada e decisiva de grandes players globais garantiu que a crise financeira não escalasse em uma contração descontrolada da economia mundial, nada na mesma escala se observa hoje, frente a uma crise que é objetivamente de escala maior. Nessa mais de uma década, o tabuleiro político foi profundamente alterado, com a emergência de vários atores (à direita e à esquerda) com inserção eleitoral considerável que são abertamente críticos aos arranjos multilaterais contemporâneos. Há menos entusiastas da ordem liberal global, e mais simpatias soberanistas.
    Crucialmente, a capacidade concreta de construir consensos no cenário internacional foi drasticamente reduzida, e um dos sintomas disso é justamente a falta de uma resposta coordenada à pandemia: o problema é obviamente global, mas cada governo tem implementado a sua própria estratégia, independente do que os outros estão fazendo. Isso ficou especialmente óbvio no enfrentamento sanitário à própria pandemia. Ao invés de uma resposta unificada sob orientação da OMS, cada governo respondeu, alguns de maneira notoriamente improvisada e vacilante, a sua própria maneira: alguns optam por conter, outros por mitigar, outros por suprimir, e muitos sequer conseguem se ater a uma única estratégia de longo prazo, ziguezagueando erraticamente ao sabor dos eventos e dos ânimos da opinião pública.
    O resultado são estratégias desencontradas e contraditórias que tornaram um retorno a relações normais entre mais países mais demorado – como, por exemplo, um país que resolveu conter a epidemia deve ser comportar frente a um que optou por apenas mitigar, fechando suas fronteiras indefinidamente? É um fator a mais reforçando as tendências de desglobalização. Não é difícil concluir que a mesma postura ad hoc marcará as respostas econômicas, e que um crescimento do protecionismo é um desfecho provável à medida que cada país, imerso em (e sobrecarregado por) seus próprios problemas, tentará abocanhar para suas economias domésticas o máximo de estímulo dos imensos pacotes fiscais que estão pondo em prática.
    A desordem global também se expressa nas crescentes tensões comerciais, e desconfianças políticas, conforme os Estados vão adotando a lógica do “cada um por si” no enfrentamento a pandemia. Os Estados Unidos têm se mostrado particularmente agressivos, pouco solidários, na guerra comercial por equipamentos de proteção, pagando mais caro para arrematar remessas destinadas a outros países, como a França e o Brasil. Alemanha, França, Rússia e Turquia estão já impondo limites a exportação de materiais médicos. Temendo talvez o pior cenário, de desabastecimento interno, alguns países começa a fazer o mesmo com alimentos. No curto prazo, os limites às exportações e a disputa por suprimentos médicos levará a desconfiança generalizada, ao ressentimento político, podendo escalar em uma espiral de retaliações e no recrudescimento do protecionismo. Ao longo prazo, pode levar a um pessimismo disseminado frente a globalização e ao modelo de cadeias globais de produção, e a reinvenção de políticas de auto-suficiência que coloquem a soberania alimentar e uma indústria médica doméstica como questões de segurança nacional.
    Também não é difícil prever que a crise econômica, aliada ao pânico epidêmico, dará novo impulso ao “iliberalismo político”, aprofundando a tendência já em marcha desde a última crise global de corrosão interna das democracias liberais de tipo ocidental, que alguns analistas vinham apontando como uma “recessão democrática”. O famoso escritor e historiador israelense Yuval Harari chamou de “a primeira ditadura do coronavírus” o fechamento do parlamento de Israel, e a suspensão das cortes de justiça, por iniciativa do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu (derrotado nas recentes eleições), que, alegando uma situação emergencial de combate a pandemia, tem governado autocraticamente por decretos. Viktor Orban, primeiro ministro da Hungria, conhecido por sua defesa explícita do “iliberalismo”, executou movimento semelhante, emplacando uma lei que permite a prolongação indefinida do estado de emergência e amplia os poderes do executivo.
    A Hungria abandonou qualquer pretensão de manter as aparência, tornando-se uma ditadura em sentido estrito: sem parlamento funcionando, sem eleições, governo por decretos presidenciais e novas leis que penalizam com 5 anos de prisão quem disseminar “fake news” (é o próprio regime húngaro que determinará, claro, o que é fake news). Em seu último ato, o parlamento aprovou essas medidas excepcionais por tempo indeterminado. Orbán tem admiradores declarados, em entusiastas, na nova direita populista por todo o mundo, seja na Casa Branca seja em Brasília. Matteo Salvini, líder do partido Liga na Itália, aplaudiu Orban no twitter.
    Como observou Paolo Gerbaudo em seu artigo “O coronavírus constrangeu Trump e Bolsonaro – Mas a direita global vai atacar de volta”, a pandemia coloca a direita populista em posição embaraçosa. A gravidade da situação parece exigir um nível de seriedade com o qual os líderes populistas, que cresceram em popularidade abraçando o papel de palhaço, não se sentem a vontade. O impulso inicial foi o negacionismo, a minimização da crise sanitária, a denúncia aos especialistas alarmistas. Ao contrário do aquecimento global, contudo, essa é uma emergência que logo se faz sentir. O negacionismo rapidamente deixa de ser uma resposta viável. Por outro lado, os movimentos populistas de direita se alimentam de um senso comum anti-intelectual, que também se mostra na prática explicitamente inadequado para esse tipo de crise, onde a ciência volta a ganhar um papel de destaque e os especialistas uma renovada autoridade.
    O populismo reacionário não consegue explorar o medo do vírus da mesma maneira que ficou capaz de explorar outros medos (notoriamente, o medo dos imigrantes). Não a toa, a tática de Viktor Orban, por exemplo, foi desde o começo associar as duas “ameaças”, e colocá-las na conta de um cosmpolitanismo liberal globalista: “Estamos travando uma guerra de duas frentes: uma frente são os imigrantes e a outra é o coronavírus. Existe uma conexão lógica entre os dois, pois ambos se espalham com o livre movimento”. A desorientação pode se mostrar momentânea, e a tendência é que essa direita se reorganize em moldes ainda mais autoritários para aproveitar a crise.
    O caminho, ao que tudo indica, será aquele já apontado pela Hungria e por Israel: reforço ao nacionalismo, retórica xenófoba de fechamento de fronteiras, enfraquecimento das instituições multilaterais, e fortalecimento autoritário dos executivos nacionais, com o enfraquecimento dos mecanismos de controle democrático e escrutínio público. Esse é um antigo truque que os neoliberais souberam explorar com primazia desde a década de 70: utilizar o sentimento de confusão e de urgência que acompanham os desastres (naturais ou sociais) para fortalecer as elites dominantes, concentrar riqueza e poder, e destruir as organizações da classe trabalhadora e suas conquistas institucionais.
    Capitalismo de desastre ou socialismo democrático
    Em seu livro de 2007, “Doutrina do Choque – A ascensão do capitalismo de desastre”, a jornalista e militante Naomi Klein chama atenção para a frase de Milton Friedman que aparece no prefácio de 1982 do best-seller neoliberal “Capitalismo e Liberdade”: “Somente uma crise – real ou percebida – produz mudanças reais. Quando essa crise ocorre, as ações tomadas dependem das idéias que estão circulando por aí”.
    Friedman começa o prefácio apontando para a mudança corrente no clima intelectual de então, e recorda que na época do pós-guerra aqueles que lutavam contra o triunfo do Estado de Bem-estar social e das ideias keynesianas eram uma minoria, ridicularizada e tida por excêntrica. Não mais. A sólida vitória de Ronald Reagan em 1980, com o mesmo programa de Barry Goldwater (o candidato Republicano derrotado pelo Democrata Lyndon Johnson em 1964), era visto por Friedman um sinal de que os tempos estavam de fato mudando.
    Nas últimas cinco décadas, os neoliberais se provaram virtuosos na habilidade de utilizar choques – naturais, criados ou percebidos – para avançar sua agenda. Uma crise após a outra foi explorada para concentrar riqueza e poder. A resposta, a começar pela crise política do Chile com a deposição do governo socialista democrático de Salvador Allende, tem sido sempre a mesma: desdemocratizar o Estado, destruir os serviços públicos, privatizar o bem comum, desregulamentar as finanças, reduzir as proteções trabalhistas, encolher a rede de proteção social, degradar a capacidade de ação coletiva social seja pela sabotagem ao planejamento público seja pelo ataque às organizações da classe trabalhadora e sua capacidade de barganha coletiva. Mais dinheiro para os de cima, menos direitos para os de baixo. É esse receituário que resume as “reformas estruturantes” e as políticas de choque neoliberal. Essas ideias têm circulado por aí, vitoriosas, aparentemente invencíveis, por tempo demais. Foram elas que orientaram os planos de salvamento dos bancos, e as políticas de austeridade subsequentes, centrais na resposta da maior parte dos governos à crise de 2008.
    Quando o Partido Republicano dos Estados Unidos se apressou a apresentar cortes nos impostos dos mais ricos para combater o coronavírus, ou quando Paulo Guedes não se envergonhou em afirmar que “a vacina para o coronavírus é avançarmos na reformas”, é a esses cacoetes ideológicos que estão instintivamente retornando.
    Durante os últimos anos, no entanto, um outro conjunto de ideias começou a circular – as ideias do socialismo democrático. Renda básica universal, nacionalização sob controle democrático de amplos setores da economia, expansão do sistema de saúde público, reversão dos cortes nos serviços sociais, perdão das dívidas (em especial médica e estudantil) das famílias, controle de aluguel, segurança alimentar, fim do trabalho precarizado e retorno da negociação coletiva, e, crucialmente, abandono das políticas de austeridade em favor do aumento dos investimentos públicos para criar empregos sindicalizados, reverter a crise ambiental e ampliar a oferta de bens comuns. Parte dessa agenda é um retorno a um programa algo clássico keynesiano da social-democracia tradicional; parte é uma aposta no futuro, animada por uma aguda consciência ecológica e o desejo de democratização massiva, radical, da economia e da política.
    Agora essas ideias começam a influenciar as agendas dos governos, mesmo onde foram derrotadas eleitoralmente. A fatia mais suculenta do pacote trilionário assinado por Trump vai para as grandes corporações de sempre (500 bilhões), essa é a velha história. Mas 300 bilhões serão para transferência direta em dinheiro para as famílias, a maior parte dos adultos recebendo 1,200 dólares cada (e mais 500 por criança). Bernie Sanders ameaçou votar contra o salvamento das empresas se o pacote não incluísse também uma expansão dos benefícios aos desempregados (incluindo os trabalhadores em tempo parcial e os trabalhadores “uberizados”), e conseguiu o que queria: trata-se da maior expansão do seguro desemprego em toda a história dos Estados Unidos (250 milhões ao todo no pacote). Os democratas no senado agora apoiam a proposta de cancelar toda a dívida estudantil. E foi o próprio Trump foi quem ordenou a suspensão de todos os despejos e execuções de dívidas hipotecárias.
    Estados Unidos e Reino Unido falam abertamente em ativar uma “economia de guerra”, exigindo das firmas privadas a reconversão industrial imediata. Trump usou o twitter para demandar, invocando o Industrial Defense Act, que a General Motors e a Ford comecem a fabricar respiradores (inclusive, reabrindo plantas industriais abandonadas para isso).
    No Reino Unido, o jornal liberal The Economist publica editorial com o título: “O Vírus Significa que o Estado Grande Está de Volta” – em tom de aprovação:
    “Companhias aéreas e companhias de trem podem ser nacionalizadas, disse Grant Shapps, secretário dos transportes. Montadoras, obrigadas há 80 anos [durante a Segunda Guerra Mundial] a montar Spitfires [aviões de guerra], foram requisitadas a fabricar respiradores. Os proprietários não podem despejar inquilinos durante a crise. A própria ideia de governo está sendo reabilitada. O esforço para reduzir o tamanho do Estado nasceu da crença de que o mercado é capaz de tomar decisões de maneira mais eficiente. As pandemias desafiam essa crença.” “Um novo consenso”, o editorial cita as palavras de um historiador entrevistado, “está nascendo”.
    Um colunista do britânico Spectator relata que um dos ministros de Boris Johnson o confidenciou que o governo “por um bom ano ou talvez mais vai parecer bastante socialista” – e que se verão obrigados a implementar “a maior parte do programa de Jeremy Corbyn” (o líder trabalhista, tido como um esquerdista radical, que perdeu para Johnson nas eleições gerais do final do ano passado). Corbyn defendia, inspirado por autores da Teoria Monetária Moderna (MMT), que, assim como os bancos centrais irrigavam com liquidez as grandes instituições financeiras com a política monetária frouxo que ganhou o nome de “flexibilização quantitativa” (quantitative easing – QE), os governos poderiam usar o mesmo mecanismo monetário para ampliar o investimento público e reverter os efeitos sociais deletérios da austeridade – um “flexibilização quantitativa do povo”. Agora é, Jim O’Neill, um político conservador e antigo economista-chefe da Goldman Sachs (que chegou a participar do gabinete ministerial do governo Tory David Cameron), tem usado o mesmo nome de Corbyn – “QE do povo” – para uma proposta de transferência direta de dinheiro que permita às pessoas pagar as contas durante a crise.
    Na França, o discurso de Macron é de quem quer ao menos aparentar que está renegando o credo neoliberal: “O que revela esta pandemia é que a saúde gratuita sem condições de renda, de história pessoal ou profissão, e nosso Estado-de Bem-Estar social (État-providence) não são custos ou encargos mas bens preciosos, vantagens indispensáveis quando o destino bate à porta. O que esta pandemia revela é que existem bens e serviços que devem ficar fora das leis do mercado”. Concluí que decisões de ruptura serão necessárias nessa direção – e que ele as assumirá. Enquanto isso, o ministro das finanças, afirma que o governo está preparado para usar todos os meios possíveis para salvar as grandes empresas da crise econômica – inclusive nacionalizá-las.
    O governo na Dinamarca partiu na frente fechando, já no começo do mês de março, um acordo com as empresas domésticas para que não demitam seus funcionários – em troca, o Estado arcaria com até 75% dos salários (outros países estão começando a seguir esquemas semelhantes). A Espanha, também duramente atingida pela epidemia, nacionalizou parte da rede hospitalar privada, e requisitou estabelecimentos farmacêuticos para uso público. Com um governo composto também pelo Podemos, uma formação populista de esquerda construída em torno de uma agenda anti-austeridade após as ocupações de praças, tem respondido à crise como uma proposta de “escudo social”: moratória ao pagamento de hipotecas, proibição de corte dos serviços essenciais (água, luz, gás), benefícios para os trabalhadores autônomos e informais, e, mais recente, a proibição de demissões durante a crise sanitária.
    Ao anunciar as novas medidas, Pablo Iglesias (fundador e líder do Podemos, mas falando agora na posição de vice-presidente espanhol), frisou que “é preciso aprender com os erros de 2008, e garantir que dessa vez sim as pessoas tenham a máxima segurança para enfrentar a crise”, e que a resposta à crise marca um ponto de inflexão histórico na política econômica da Espanha e da Europa: a rejeição dos dogmas da austeridade. A Itália, no momento o país mais afetado no mundo, proibiu demissões, suspendeu a cobrança de aluguel, de dívida hipotecárias e das contas de luz e água. Além de renacionalizar a companhia aérea Alitalia. Até a União Européia, uma das instituições globais mais entusiastas na imposição da austeridade, dessa vez, ao contrário da última crise, decidiu suspender temporariamente suas regras fiscais.
    Se por um lado está claro que a gravidade objetiva da crise – tanto em seu aspecto sanitário quanto econômico – forçou ao abandono dos dogmas mercadológicos mais vulgares, afinal não há mesmo “libertários” em meio a uma pandemia, não faltará quem nos levante o saudável alerta de que a crise financeira de 2008 parecia também ter deslegitimado e desmoralizado o neoliberalismo, que, no entanto, volta como uma vingança nas brutais políticas de austeridade após um breve interregno de “keynesianismo de desastre”. Mas e se o neoliberalismo realmente foi de fato deslegitimado pela última crise, e a instabilidade e desordem que marcaram tanto o cenário internacional quanto os mapas eleitorais domésticos nos últimos anos forem sintomas mórbidos de uma época moribunda – que, como um zumbi, continua em pé mesmo depois de morta?
    Os terremotos políticos seria portanto uma expressão superficial de um movimento mais profundo (e de longa duração) das massas para longe de suas fidelidades políticas tradicionais, sem que um novo arranjo consensuado tenha sido capaz de emergir das ruínas do antigo regime. Um segundo choque nessa escala, que será formativo para uma nova geração da classe trabalhadora que nunca tendo experimentado o otimismo liberal dos longos anos 90 só conhece uma realidade econômica marcada pela crise, estagnação e mercados disfuncionais. Se a crise não apenas exigirá medidas econômicas excepcionais por parte do governo, mas um longo período de turbulência e condições anormais, talvez estejamos lidando aqui – uma outra analogia com tempos de guerra pode ser levantada – com um evento histórico que definirá o início de um novo período.
    Essa geração talvez esteja em situação semelhante a que Keynes descrevia em um artigo alguns anos após a crise de 29 (“Auto-suficiência nacional”): “O decadente capitalismo internacional (mas individualista), nas mãos do qual nos encontramos, não é um sucesso. Não é inteligente, não é bonito, não é justo, não é virtuoso – e não entrega os bens. Em resumo, não gostamos dele e estamos começando a desprezá-lo. Mas quando nos perguntamos o que colocar em seu lugar, ficamos extremamente perplexos”.
    Keynes chamava atenção para a dificuldade de se desembaraçar dos hábitos mentais e valores característicos do liberalismo econômico do século XIX: a insistência de que o mundo inteiro fosse organizado com base no capitalismo competitivo privado, a sacrossanta liberdade global de circulação do capital, a generalização de uma racionalidade auto-destrutiva do cálculo financeiro. Uma vez que o paraíso prometido por esse capitalismo globalizado havia se mostrado um inferno (a primeira guerra mundial, a pandemia de influenza de 1918, a grande depressão de 1929) o mundo estava entrando em uma fase “experimental”, com diversos experiências nacionais distintas abandonando o laissez-faire, deixando para atrás de modo pragmático e vacilante, sob o peso da realidade, os velhos dogmas econômicos. “Ainda não sabemos qual será o resultado”, dizia Keynes em 1933. Foi apenas a segunda guerra que concluiu a passagem para uma outra forma de capitalismo.
    Não é incomum que novas medidas, extraordinárias, sejam introduzidas originalmente em tempos de guerra, tornando-se em seguida permanentes. O imposto de renda, por exemplo, foi introduzido nos Estados Unidos durante a guerra civil, e acabou constitucionalizado em 1913 (no Reino Unido foi introduzido como medida extraordinária para financiar a guerra contra Napoleão). Os neoliberais invocam a frase de Milton Friedman – “nada é tão permanente como um programa governamental provisório” – para justificar o temor de que respostas emergenciais, de “tempo de guerra”, para lidar com a pandemia – como maior tributação, estatizações e novos programas sociais – podem acabar ficando de vez.
    Como reconhece a The Economist: “colocar a economia em modo de esforço de guerra é, supostamente, temporário. Uma análise de 500 anos de poder governamental, no entanto, sugere outro resultado: é provável que o Estado desempenhe um papel muito diferente na economia – não apenas durante a crise, mas muito depois”. O artigo recorda que a segunda guerra mundial reforçou as demandas por sistemas de bem-estar social “do berço à cova”, e que o modelo social-democrata do pós-guerra seria inimaginável se não fosse pelo esforço de guerra anterior, no qual o Estado administrou vastas áreas da vida econômica. Há uma analogia válida para nossa situação: nosso esforço deve ser também o de normalizar e tornar permanente qualquer medida de ampliação de seguridade social, de amparo material às famílias trabalhadoras e de aumento da capacidade de intervenção e planejamento público.
    O que a experiência histórica dos tempos de guerra mostram é que a percepção popular do que o Estado é capaz de fazer ser é ela mesma radicalmente alterada pela execução das medidas extraordinárias. A interrupção dos “negócios como de costume” pode provocar alterações permanentes na imaginação política, nas expectativas da população e nos parâmetros de normalidade que regulam o senso comum. Se a resposta padrão para as demandas socialistas democráticas era, até pouco tempo atrás, a de que “não há dinheiro para isso”, a desculpa se torna bem menos crível em tempos de pacotes fiscais e monetários que se contam em trilhões. Fica mais difícil argumentar que “o dinheiro acabou” quando os Estados são obrigados a gastar somas imensas para salvar a própria economia capitalista.
    Não é mais possível esconder que a austeridade era de fato uma escolha política, não uma espécie de necessidade natural inelutável. Ao final da segunda guerra mundial, boa parte do eleitorado europeu começou a se fazer a questão: se uma abordagem mais intervencionista estava correta em tempos de guerra, por que não tentá-la em tempo de paz? Foi assim que nasceu, por exemplo, o NHS britânico (Serviço Nacional de Saúde) em 1945, quando os Trabalhistas derrotaram de forma surpreendente Winston Churchill logo após o fim da guerra. Aneurin Bevan, um trabalhador mineiro sindicalista e ministro da saúde que fez do NHS uma realidade o chamava de “um verdadeiro pedaço de socialismo”: universal, público, de alta qualidade e totalmente gratuito no ponto de uso.
    Não faltará, claro, forças políticas para defender, depois que fase aguda da pandemia e da crise econômica passarem, que políticas de austeridade ainda mais draconianas terão que ser impostas para “pagar a conta” da excepcional intervenção econômica. O “keynesianismo de coronavirus” seria apenas uma fase passageira que deveria ser seguida por uma nova rodada de neoliberalismo tanto mais selvagem. Outros setores da classe dominante tentarão usar a própria crise para socializar os custos e privatizar os ganhos, e acentuar a já abissal concentração de riqueza e poder – em mais um episódio de capitalismo desastre. As versões mais mórbidas da direita plutocrática (hiper- e/ou pós-neoliberais) irão insistir na doutrina, tipicamente bolsonarista, que a economia não pode parar, mesmo que isso signifique o sacrifício de vidas humanas.
    Para o Partido da Morte talvez haja até algum ganho em eliminar setores mais vulneráveis, e improdutivos, de uma população excedente frente às necessidades atuais de acumulação do capital. Uma parte da nova direita populista, no entanto, usará a crise para se afastar tanto das receitas neoliberais tradicionais em economia, quanto dos mecanismos democráticos do liberalismo político. Viktor Orban, virtual ditador da Hungria no momento, é quem parece estar mais avançado neste caminho – por enquanto, seu estilo tem admiradores em vários países.
    Como argumenta Walden Bell em seu artigo “O coronavírus e a morte da conectividade”, “muitos partidos de extrema direita, anteriormente identificados com propostas econômicas neoliberais, seqüestraram oportunisticamente partes da crítica antiglobalização que havia sido desenvolvida pela esquerda anti-stablishment, como demandas de proteção dos meios de subsistência dos trabalhadores e de reindustrialização, mas dando-lhes uma orientação racista ou anti-migrante” – uma aposta numa versão nacionalista, e reacionária, de desglobalização. Um “(nacional)socialismo de quarentena em um só país” pode ser a resposta de uma parte da direita frente a uma situação aguda, sob o pano de fundo de uma crise de legitimidade crônica do neoliberalismo: fechamento de fronteiras, aumento do dirigismo e planejamento estatal na economia, investimento na auto-suficiência nacional (em detrimento à integração no comércio mundial), abandono da austeridade e endurecimento da vigilância e do autoritarismo. Uma espécie de neo-iliberalismo.
    Uma pandemia é uma situação objetivamente contra-revolucionária. Tende a impedir que os movimentos proletários usem sua principal vantagem – a numérica – para fechar ruas e parar a produção. A greve e o protesto de rua são duas das principais ferramentas no arsenal de luta dos movimentos populares. Em quarentena, no entanto, boa parte da produção já está parada – produzindo um cenário que lembra uma greve geral sem política, uma greve geral passiva.
    Os trabalhadores se vêm obrigado a deixar de oferecer sua mão de obra ao processo processo produtivo, mas não por uma ação coletiva de classe, mas devido a uma emergência sanitária impessoal. Ocupar as ruas se torna mais difícil quando é preciso manter distanciamento físico (embora já se possa testemunhar a irrupção espontânea de motins seja protestando por mais distanciamento social, seja em respostas aos efeitos do distanciamento social). Por fim, os Estados usam seus inflados poderes de exceção para vigiar as oposições, suprimir o dissenso e punir exemplarmente os “inimigos internos”. Nesse sentido, a semelhança com os períodos de guerra também é evidente.
    Por outro lado, a guerra tem sido historicamente um poderoso fator de desestabilização de regimes políticos. Se em um primeiro momento a população tende a se alinhar com os governantes em uma unidade contra o inimigo comum, conforme os custos da guerra se fazem pesar sobre os cidadãos a legitimidade do poder político vai sendo progressivamente corroída. A maioria dos governos do mundo tem experimentado, pelo menos até agora, um aumento em popularidade, como costuma ocorrer em momentos de emergência nacional. No entanto, à medida que tempo vai passando é a magnitude da tragédia humana é abs

  16. Ainda Mandetta.

    https://www.brasil247.com/blog/mandetta-pilota-a-maquina-do-sus-montada-pelo-pt-e-quer-sair-como-heroi

    MANDETTA PILOTA A MÁQUINA DO SUS, MONTADA PELO PT, E QUER SAIR COMO HERÓI

    A jornalista Denise Assis pontua: Luiz Henrique Mandetta passou boa parte de sua carreira política tentando destruir o SUS; agora, “está tocando a bola direitinho, auxiliado por um sistema que encontrou pronto, mas longe de ser o super-herói que a mídia quer fazer crer”

    Por Denise Assis *, para o Jornalistas pela Democracia –
    05/04/2020

    Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. A saber.

    No sábado, dia seguinte à publicação da pesquisa que colocava Jair com 33% de aprovação, distante dos 76% do seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o ministro sumiu da bancada da coletiva diária que tem concedido à imprensa para divulgar números e resoluções sobre a pandemia de Covid-19, que jogou o planeta em desassossego.

    A explicação dada pelo secretário-executivo João Gabbardo dos Reis, indicado pelo ministro para o cargo que hoje ocupa, foi a de que Mandetta estaria “cansado”. Normal, para quem tem estado na linha de frente do combate ao coronavírus. Estranho, para os que têm como função olhar a política sempre descerrando a cortina dos fatos, para ver além, o que acontece nos bastidores.

    Numa entrevista à rádio Jovem Pan, Bolsonaro não negou que tem considerado o comportamento do seu ministro “pouco humilde” e que andou se “bicando” com ele. O nome disto é inveja. Vamos combinar. Mas o que é preciso combinar também é que toda esta exposição diária na mídia a expor conhecimentos técnicos para a população, ajuda, e muito, a colocar o ministro numa condição confortável de “salvador da pátria”. Ressalte-se que causa surpresa o fato de Jair ainda ter 33% de apoio, mesmo depois de tentar um assassinato em massa da população, indo contra as orientações da OMS, para que todos permanecessem em suas casas. Mas Mandetta também não é os 76% de aprovação que detém nas pesquisas.

    A esta altura, precisamos esclarecer alguns pontos, sob pena do ministro da Saúde sair do outro lado desta crise – sabe-se lá, quando –, com um perfil de herói a custa de uma máquina que ele fez de tudo para desmontar. Ou melhor, convém vasculhar a sua vida antes dos holofotes do cargo.

    Luiz Henrique Mandetta nasceu em Campo Grande (MS), tem 54 anos e é médico ortopedista formado pela Universidade Gama Filho. (Aqui, vale lembrar que a universidade de onde saiu Mandetta, foi descredenciada pelo MEC em 13/01/2014, por motivos baixa qualidade acadêmica, grave comprometimento da situação econômico-financeira, além da crescente precarização da oferta da educação superior).

    A escolha profissional se deu por influência do pai, ex-secretário de Saúde de Campo Grande.

    O ministro tem especialização em Ortopedia pelo serviço de Ortopedia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), e subespecialização em Ortopedia Infantil pelo Scottish Rite Hospital for Children, em Atlanta (EUA). Atuou como médico militar tenente, no Hospital Geral do Exército e trabalhou ainda na Santa Casa de Campo Grande de 1993 a 1995.

    Ingressou na política em 2005, quando foi nomeado secretário de saúde de Campo Grande, secretaria que comandou de 2005 a 2010. Filiado ao MDB, ele migrou para o DEM para concorrer a deputado federal em 2010. Foi eleito com 78,7 mil votos e reeleito, quatro anos depois, com 57,3 mil votos.

    Foi investigado em 2015 por crimes relacionados à aquisição e instalação do Gerenciamento de Informações Integradas da Saúde (Gisa). O sistema de informática foi comprado quando o parlamentar era secretário municipal de Saúde em Campo Grande e aguarda decisão da Justiça Federal.

    Por matéria publicada no site G1 em 20/11/2018, fica-se sabendo que “a investigação foi proposta pela Procuradoria Geral da República, em Brasília, supervisionada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e realizada pela Polícia Federal (PF). O Gisa custou aos cofres públicos quase R$ 10 milhões entre recursos federais e municipais. Uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) apontou um prejuízo de cerca de R$ 6 milhões em pagamentos indevidos por serviços não executados,” consta da reportagem.

    Depois de cumprir dois mandatos como deputado federal (DEM-MS), o atual ministro decidiu não concorrer de novo ao cargo.

    PARA QUÊ?

    Já havia feito “história, esticando um cartaz no dia da votação do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, com os dizeres: “Tchau querida”.

    É BOM DESTACAR que foram os planos de saúde os financiadores de suas campanhas.

    Sem mandato, foi indicado por quadros próximos ao presidente, para o cargo de ministro da Saúde.

    E, como primeira providência, mandou de volta para Cuba 10 mil profissionais do vitorioso programa criado pelos governos petistas: o “Mais Médicos”. O mesmo que agora lamenta não estar operando.

    Outra de suas “medidas”, foi desinstalar de cargos vários médicos que articulavam a máquina do Sistema Único de Saúde (SUS), com competência, mas com data de entronização coincidente com as posses de Lula e Dilma.

    Ato contínuo, passou a prometer a privatização do sistema de Saúde, esta monumental rede que atende aos desassistidos do país inteiro. Seria o seu retorno aos patrocinadores?

    Hoje, só fala para a mídia a bordo de um colete do SUS e colhe sucesso no combate à pandemia, graças à eficiente máquina montada durante os governos petistas que ele tanto criticou.

    Luiz Henrique Mandetta está tocando a bola direitinho, auxiliado por um sistema que encontrou pronto, mas longe de ser o super-herói que a mídia quer fazer crer.

    * Denise Assis
    Jornalista há quatro décadas, passou pelos principais veículos, tais como: O Globo; Jornal do Brasil; Veja; Isto É e o Dia. Ex-assessora-pesquisadora da Comissão Nacional da Verdade e CEV-Rio, autora de “Propaganda e cinema a serviço do golpe – 1962/1964” e “Imaculada”, membro do Jornalistas pela Democracia

  17. PRINCÍPIOS E CONVICÇÃO

    Não se esqueça que POR MUITO MENOS

    – ADIB JATENE pegou o “chapéu” e foi para casa

    – A diferença entre ele e MANDETTTA – em duas palavras: princípios e convicção !!!

    – “Teve relação direta. Eu disse ao presidente Fernando Henrique que precisava de recursos. Ele pediu para falar com o Pedro Malan [ministro da Fazenda]. O Malan me disse que, em dois ou três anos, daria o dinheiro que eu precisava. Não podia esperar tanto tempo. Propus a volta do imposto sobre o cheque, que se chamava IPMF e havia sido extinto em 94. O presidente disse: ‘Você não vai conseguir aprovar isso.’ Respondi: Posso tentar? Ele autorizou. Pedi o compromisso dele de que o orçamento da Saúde não seria reduzido. A CPMF entraria como o adicional. E ele: ‘Isso eu posso te garantir’. Depois da aprovação, a Fazenda reduziu o meu orçamento. Voltei ao presidente. Disse: no Congresso, me diziam que isso ia acontecer. Eu respondia que não, porque tinha a sua palavra. Se o senhor não consegue manter a sua palavra, entendo a sua dificuldade. Mas me faça um favor. Ponha outro no meu lugar. Foi assim que eu saí, em novembro de 1996.” – Adib Jatene

    Wikipédia

    – MANDETTA não atua por princípios ou convicção mas sim surfa na onda anti-bolsonarista e do isolamento (e de outros interesses nem bem explicados por ele)

    Nassif, não faça de MANDETTA um novo MORO…

  18. Hoje descobrimos que Cláusula Pétrea da constituição, em minúscula, pode ser liquefeito com muita facilidade, era supreminho!

  19. Li na página STJ – Notícias: Temas repetitivos
    Opera​​ções da PF
    A Quinta Turma deverá analisar dois habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No HC 533.725, a defesa pede a suspeição do desembargador do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) Thompson Flores para atuar no caso do sítio de Atibaia. Esse caso aguarda parecer do MPF.

    No HC 544.812, o questionamento é sobre o compartilhamento de mensagens entre o ex-juiz do caso – o atual ministro da Justiça, Sergio Moro – e procuradores que atuavam na força-tarefa da Lava Jato.

    A defesa pede acesso integral a todas as mensagens que digam respeito, direta ou indiretamente, ao ex-presidente. Ambos os habeas corpus estão sob a relatoria do desembargador convocado Leopoldo Raposo.

    http://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/Temas-repetitivos-com-impacto-em-milhoes-de-processos-estao-na-pauta-do-STJ-em-2020.aspx

  20. https://www.repubblica.it/esteri/2020/04/21/news/gran_bretagna_tra_il_4_e_10_aprile_a_londra_una_persona_su_due_e_morta_di_coronavirus-254644001/?ref=RHPPTP-BH-I254572275-C12-P1-S1.12-T1

    GRAN BRETAGNA, TRA IL 4 E 10 APRILE A LONDRA UNA PERSONA SU DUE È MORTA DI CORONAVIVUS

    Gran Bretagna, tra il 4 e 10 aprile a Londra una persona su due è morta di coronavirus
    LONDRA – Nella settimana tra 4 e 10 aprile, a Londra una persona su due è morta infetta da coronavirus. E una su tre nel resto dell’Inghilterra e del Galles. Sono le inquietanti cifre dell’Istituto nazionale di statistica britannico (Ons, Office for National Statistics), che rivelano un lato ancora più drammatico dell’emergenza Covid 19 nel Regno Unito.

    Come in altri Paesi europei, i dati ufficiali del governo e del Ministero della Salute britannici si basano soltanto sui contagi e sui decessi registrati in ospedale. A oggi, siamo a 129.044 positivi su 397.670 pazienti testati, e di questi 17.337 morti totali, di cui 823 nelle ultime 24 ore, un dato in forte crescita rispetto ai precedenti due giorni, quando si erano registrati circa la metà. Da qualche settimana però, l’Ons si affianca ai dati della sanità pubblica “Nhs” e, su base settimanale (e non giornaliera) calcola quante persone in totale, e non solo in cliniche e strutture ospedaliere, siano morte in Regno Unito dopo esser state contagiate dal coronavirus.

    La sfilza di numeri che ne viene fuori è ancora più preoccupante. In Inghilterra, per esempio, nella settimana tra 4 e 10 aprile, che ora dagli esperti viene considerato il “picco” dell’epidemia di coronavirus, sono morte 18.517 persone totali (ossia per qualsiasi causa), per un incremento di 2.129 decessi sulla settimana precedente e addirittura 8 mila in più rispetto alla media negli ultimi cinque anni dello stesso periodo. Una settimana così tragica non si vedeva dall’anno 2000.

    Andando nello specifico, sempre nella stessa settimana (4-10 aprile), stando ai dati dell’Ons, in Inghilterra e Galles 6.213 persone hanno avuto “Covid 19” come causa nel certificato di morte, circa il 33% dei decessi totali (la settimana prima erano stati 3,475, il 21% del totale). A Londra questa percentuale di morte per coronavirus sale addirittura al 53%, anche se i posti di terapia intensiva non sono allo stremo, anzi (il nuovo ospedale Nightingale costruito in 9 giorni è semivuoto), mentre in un’altra regione particolarmente afflitta dalla pandemia come le West Midlands (Nord-Ovest Inghilterra) il 37% muore per Covid 19.

    Se poi si vanno a prendere i morti totali per coronavirus, ci sono altri dati poco confortanti. Secondo le rilevazioni del governo, dal 28 dicembre 2019 al 10 aprile 2020 ci sono stati 9,288 decessi di pazienti ricoverati e contagiati da Covid 19. Nello stesso periodo di tempo, secondo l’istituto nazionale di statistica, i morti causa virus sarebbero in realtà 13.121 (contando anche quelli in casa, ospizi e strutture Rsa, dove la situazione è gravissima in Regno Unito, si parla di una strage di migliaia di morti). Dunque, il computo dell’Ons è del 41% superiore a quello registrato negli ospedali e sinora comunicato dal governo.

    Insomma, con questa tendenza, il numero di morti reale in Regno Unito per coronavirus è sicuramente ben più alto dei 17.337 morti sinora “ufficialmente” in ospedale. Con la stima del 40% in più rilevata dall’Ons (come visto fino al 10 aprile), in totale i decessi per Covid 19 potrebbero essere a oggi oltre 24 mila oltremanica, il che piazzerebbe il Regno Unito subito dietro l’Italia (24.648) nella drammatica classifica delle vittime. Intanto, il ministro della Salute britannico Matt Hancock ha dichiarato oggi che da giovedì partirà la sperimentazione sull’uomo di un vaccino da parte dell’università di Oxford, in collaborazione con l’azienda Advent-Irbm di Pomezia.

  21. PARA CONHECIMENTO GERAL: TRABALHADORA NEGRA PRESA E PUXADA NA AUTOLIV (empresa de auto-peça sediada em Taubaté/SP). A SABER:

    https://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2020/05/trt-indenizar-trabalhadora-presa-fabrica/

    TRT manda indenizar trabalhadora negra presa e puxada em fábrica para ‘dar exemplo’

    Para desembargadora, que reconheceu os danos morais à trabalhadora negra, caso remonta “a um Estado regido pela escravidão”
    Publicado 16/05/2020 – 17h02

    São Paulo – Presa pelos pulsos e braços com fita crepe e puxada pela linha de produção para “dar exemplo”, uma funcionária negra deve ser indenizada em R$ 180 mil, por danos morais, segundo decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15), em Campinas, no interior paulista.
    O caso aconteceu em uma empresa de autopeças localizada em Taubaté, no Vale do Paraíba. Ainda cabe recurso. A Justiça considerou que os fatos remontam “a um Estado regido pela escravidão”.
    No dia anterior, a trabalhadora teria saído no horário, mas antes da liberação pela chefia. Ao chegar no outro dia, segundo o relato dado ao portal G1, ela foi amarrada e levada pela fábrica. Os encarregados teriam dito que “era isso que acontecia com negro fujão”. “O racismo existe e é forte no mercado de trabalho. Um caso como esse escracha essas situações”, afirmou a advogada de defesa, Shayda Daher de Souza.
    A relatora da ação, desembargadora Luciane Storel, da 7ª Câmara do TRT-15, disse que “nunca tinha vislumbrado em qualquer processo” algo semelhante. Ela afirmou ter sentido dificuldade “em transcrever, em palavras, a carga de emoção vivenciada e demonstrada pela reclamante, em seu depoimento”.
    “Acorrentamento”
    Na primeira instância, na 1ª Vara do Trabalho de Taubaté, a indenização foi fixada em R$ 620.464,00. Mas, no recurso, a 7ª Câmara reduziu o valor a ser pago a título de danos morais para R$ 180 mil, afirmando que seria “mais adequado ao caso dos autos e ao que vem sendo arbitrado pelo Regional”. O TRT informou que a empresa tem capital social superior a R$ 275 milhões.
    A juíza afirmou que a empresa “ultrapassou os limites do poder diretivo ao utilizar a prática de ‘acorrentamento’ da reclamante para punir pela saída antecipada do posto de trabalho”.
    Ainda sob o impacto do depoimento emocionado da trabalhadora, ela considerou que “ficaram comprovados dois episódios gravíssimos e inadmissíveis”: a ação contra a funcionária e a permissão de comentários pejorativos de cunho racista. No acórdão, comentou que “as agressões merecem ser repudiadas e civilmente indenizadas, mormente para que se desestimule no ofensor a sua intenção em continuar”.
    Informações imprecisas
    A Autoliv encaminhou nota ao portal afirmando estar “comprometida em fornecer um local de trabalho seguro e respeitoso, onde os colaboradores possam se desenvolver profissionalmente e, onde sua singularidade, cultura, diferenças regionais e diversidade são aceitas, valorizadas e respeitadas”. Lembrou ser uma empresa global, que opera em vários países, e acrescentou que as informações sobre o processo, originalmente de 2015, “não refletem com precisão o registro existente”.
    (…)

  22. DOS ASSUNTOS ESTRATEGICAMENTE “FORA DE PAUTA”

    https://www.infomoney.com.br/politica/reforma-administrativa-tera-de-ser-repensada-no-pos-crise-diz-maia-em-reuniao/

    As máquinas públicas estão funcionando remotamente …

    Então, por que não desativar todas as instalações prediais de Câmaras, Assembleias, Congresso ?

    Fácil imaginar a economia em dinheiros público, de todos nós, se doravante tudo passar a funcionar remotamente via internet. Seria uma demonstração clara de patriotismo na redução de gastos para, finalmente, o ingresso do país no século XX.

    Cada uma tem sua utopia de país, a minha é essa.

  23. + comentários

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome