Em pleno processo de macarthismo que consumiu o país, em uma lista interna do Ministério Público Federal, a procuradora Thamea Danelon dedurou uma colega por militância política. A prova apresentada  era o fato da colega ter comparecido ao velório de Marisa Lula da Silva acompanhando o marido. 

A delação valendo-se de “prova” tão ridícula dava bem a medida da prepotência do imbecil coletivo que se apossou de todas as instituições, brandido pelas pessoas que passaram a surfar nas novas ondas da intolerância.

Praticava a deduragem no mesmo momento em que trocava informações com o FBI, em uma atuação ilegal – mas tolerada pela cúpula da instituição.

Esse clima perpassou toda a estrutura do Ministério Público Federal, fazendo com que procuradores ululantes, adeptos do lavajatismo e do bolsonarismo, se impusessem sobre colegas profissionais à custa de agressões, gritos de guerra e terraplanismos de toda ordem. Afinal, a intolerância tinha o endosso do Supremo, da mídia, do Congresso.

Agora, gradativamente, os rios começam a voltar ao seu leito habitual. A Lava Jato se tornou desnecessária porque cumpriu sua missão, desmontou o sistema político, reduziu as chances políticas da esquerda, abriu espaço para a destruição da Constituição de 1988, com as Pontes para o Futuro conduzidas pelos “homens bons”, Michel Temer e Jair Bolsonaro. Não há mais motivos para os templários continuarem frequentando os salões nobres da Casa Grande. Se quiserem espaço próprio, sempre haverá os porões, da mesma maneira que os soldados da ditadura, incumbidos do trabalho sujo. Poderão trabalhar em escritórios de advocacia especializados em “compliance”, eventualmente levantar dados em guerras comerciais. Afinal, mantém o controle de bancos de dados, próprios para disputas políticas, comerciais e advocatícias.

Daí tratarem os seus bancos de dados como propriedade particular, e berrarem a plenos pulmões contra a intenção da Procuradoria Geral da República de tirar o seu “precioso”

Hoje, Danelon deletou seu Twitter, depois de matérias do Pública, com base no dossiê da Vazajato, mostrando as relações ilegais com o FBI. Sinal de que não há mais a blindagem que permitia tolerar ilegalidades.

Ontem, o Jornal Nacional e a Globonews – os principais sustentadores da Lava Jato – romperam com um silêncio de 6 anos para divulgar pela primeira vez, ainda que de modo anódino, os seus malfeitos.

Os álibis da Lava Jato

É curiosa a maneira como a Lava Jato de Curitiba tenta disfarçar seus crimes. É do mesmo padrão da condescendência de Sérgio Moro com aliados, como Onyx Lorenzoni, absolvendo-os politicamente pelo fato de terem reconhecido seus erros.

A Lava Jato foi  acusada de ter equipamentos telefônicos para grampear conversas. Explicou que eram equipamentos que não serviam para grampear outros telefones. Ótimo! Para que, então? Apenas para gravar conversas em seu PABX. E com que intenção? Para facilitar depoimentos de pessoas que queriam confessar seus crimes. E as pessoas eram avisadas antecipadamente que estavam sendo gravadas? Sim. Mas houve uma distração por parte dos procuradores e as gravações continuaram sendo feitas indefinidamente. Um pequeno cochilo, é óbvio, sem nenhuma intenção maior.

Foi acusada de ter colocado o presidente do Senado, David Alcolumbre, e da Câmara, Rodrigo Maia, em listas de investigação de contribuições eleitorais, disfarçando seus nomes. Ah, foi distração do secretário que digitou a lista. Mas eram os únicos em que não havia menção a partido, o que permitiria identificação fácil da pirataria. Pois é, foi uma pequena distração.

Nos diálogos divulgados ontem pelo Pública, Deltan Dallagnol é alertado expressamente por Vladimir Aras, responsável pela colaboração internacional, de que o contato direto com o FBI e o DHS feria a lei. A lei, ora a lei.

É evidente que os membros da Procuradoria Geral da República, em Brasília, sabiam dessas ilegalidades. Cobrados na época, a resposta invariável era “o que se vai fazer?” para uma operação bancada pela mídia, por partidos políticos, pelo PGR, pelo Supremo Tribunal Federal e por todos os setores interessados em derrubar governos.

Criou-se efetivamente um poder paralelo, uma 5a coluna clássica. A Lava Jato de Curitiba compartilhava informações com o FBI e o DHS e sonegava para a própria PGR.

A blindagem era total. Mesmo depois da fase mais ativa da Lava Jato, nos jornais, colunistas da nova esquerda consentida, pagavam o óbolo, taxando as notícias sobre infiltração estrangeira como “teoria conspiratória”. Como acredito na sua boa fé, haverá uma autocrítica em breve.

Agora, à medida em que maré vai refluindo, os dejetos começam a aparecer na praia, e são de tal monta que se torna impossível negá-los.

Os responsáveis

O problema maior não são os provincianos deslumbrados do Paraná, que acharam ter luz própria. São os que se permitiram seus abusos. Como se permitiu que um grupo de procuradores, servidores públicos, passasse a prestar contas a organismos de outros países e suas ilegalidades fossem endossadas por todas as instituições? Onde estava o Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, o PGR Rodrigo Janot que sabiam o que acontecia, mas não tinham pulso ou interesse em coibir as ilegalidades?

O que mais dói, e dói no fundo da alma é saber que, apesar de tudo que sonhamos, de tudo o que fizemos desde as diretas, quando se imaginava que o país adquiriria o status de nação civilizada, que após a centro-esquerda, viria um partido de centro-direita que, mais à frente, seria substituído novamente pela centro-esquerda, em um processo gradativo de aprimoramento democrático, virando a esquina havia o monstro da maldição histórica:  o caráter das instituições, dos homens públicos, moldado no jeitinho, usando princípios e valores de forma utilitária. E ainda tinha que se suportar Luis Roberto Barroso acusando o “jeitinho” das classes populares como moldadores do caráter brasileiro.

O bolsonarismo não revelou apenas a face fétida de uma classe média preconceituosa e anti-científica. Mais que isso, explodiu na cara do país a hipocrisia dos “homens bons”, do chamado andar de cima,  das figuras que deveriam ser referenciais, mas transformaram a Justiça e o jornalismo em uma máquina de guerra implacável contra qualquer pensamento divergente e, agora, voltam a desfilar na passarela das boas intenções, a pregar o “politicamente correto”, a defender o bem e a verdade, a democracia, a tolerância, a proclamar o novo iluminismo que soterrará o bolsonarismo.

A nação poderá dormir tranquila. O bolsonarismo foi apenas um interregno indesejável. Mas, no fundo do porão da consciência nacional, permanecerá alerta o monstro da lagoa negra, atento como um mastim tibetano, pronto a reviver a guerra santa, a qualquer sinal de ameaça dos inimigos. 

Com a bandeira da Lava Jato já puída, não haverá dificuldades em criar uma bandeira nova, sempre debaixo do velho template do anticomunismo – seja lá isso o que for – e conseguir um templário qualquer que, mais à frente, será descartado, porque a única bandeira imutável e a da intocabilidade do modelo econômico e político.

 

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30 comentários

  1. Perfeito.
    No fim de tudo, o modelo econômico dando as ordens, moldando os “cidadãos de bem” para fazerem o trabalho sujo necessário para a sempre permanência de seus interesses.
    Parabéns, Nassif.

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  2. Há uma dificuldade no Estado brasileiro, onde o abuso de autoridade deveria servir de modo decisivo. Mas não apenas.
    Trata-se da negação do funcionário público de realizar ato considerado ilegal.
    Absolutamente, por qualquer motivo – represália, vaidade, despeito etc. – o funcionário com consciência de Estado, de país, por um fio de cabelo, pode ser defenestrado sob o silêncio cúmplice dos pares, inclusive.
    A pergunta é justamente esta: se você sabia, por qual motivo permitiu?
    É fato cotidiano, não normal, mas cotidiano.
    É a “oposição paradoxal” a Eichmann. Você não obedece pois ordens são ordens, mas pq a punição pode vir de qualquer forma.

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  3. O que pior é que aconteceu sob um governo de esquerda que tinha o dever moral e legal de reprimir a CONSPIRAÇÃO e desmantelar as forças GOLPISTAS e nada fez. ABSOLUTAMENTE NADA.

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    • Talvez o Brasil precise mesmo de um Putin em seus caminhos.
      Um país que não estava preparado para uma pessoa politicamente refinada como Dilma.
      No meio de porcos facistas não se plantam as flores da democracia.
      É moleza demais.

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      • O IA2 se esquece que à época da Dilma o exército fascista reunindo elite, imprensa, lava-jato, políticos, judiciário, evangélicos e a malta de zumbis nazistas sedentos de sangue e criados pelo maccartismo da imprensa de esgoto, já estava funcionando azeitado, e a blitzkrieg daí advinda levou de roldão a Dilma, o Lula, toda a esquerda, a eleição de 2018 e a constituição de 1988.

  4. Belo texto, como sempre. Exibe, nos mais notórios aos mais sutis aspectos, o que realmente permeia, o que está por trás, o que move a sociedade nacional. No fundo, tudo se resume à velha luta de classes.

  5. meu caro Nassif, já dizia Nelson Rodrigues, sabedor da hipocrisia da suposta “elite”:

    – No Brasil quem não é canalha na véspera é canalha no dia seguinte. O Otto Lara está certo. O mineiro só é solidário no câncer.

    – Enquanto um sábio negro não puder ser nosso embaixador em Paris, nós seremos o pré-Brasil.

    Viva Joaquim Barbosa, que levou a palavra chicana ao supremo e não retratou-se.

    (quando a ação penal 470 foi colocada em pauta, o então ministro c.a. britto foi a washington para uma “palestra”. não se sabe de ministros da suprema corte dos eeuu que façam “palestras” em outras plagas sobre cassos que possam julgar ou que estão a julgar). o Brasil não é um país surreal, é o país da hiperrealidade.

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  6. QQ um que levantasse a voz contra essa farsa seria destruído pela mídia, denunciado pelo MPF,e condenado pelo STF.

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    • Principalmente se for o covardão safado que você está tentando preserva, o pusilânime Cardozo. Ou é covarde ou um traidor patife. Você escolhe.

  7. “Onde estava o Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, o PGR Rodrigo Janot que sabiam o que acontecia, mas não tinham pulso ou interesse em coibir as ilegalidades?”
    Grande pergunta!
    Aliás, onde estão ambos?

    • Estavam no mesmo lugar em que hoje estão STF,TSE e MPF. Equilibrando-se na corda bamba por conta de uma farsa que chancelaram. Cobrar de indivíduos o que nem instituições tem condições de enfrentar é ser mais covarde que membros dessas instituições. Se,,hoje, com a farsa escancarada, nossas instituições ainda estão tentando posar de probas e éticas, imaginem, no auge da patifaria, um indivíduo qq, tentar denunciá-la! A verdade é que todo mundo sabia que era uma farsa e, que, obviamente, não seria investigada pq envolvia corrupção no STF, TSE MPF e aí, denunciar era patetice. Agora, se estão ” investigando” é por medo de que o grupo contratado para destruir a nação, tb tenha investigado membros das instituições que tavam no esquema e, imaginavam-se protegidos. Se estão fazendo mais esse teatro é pq o grupo dos EEUU que traiu o país tá cheio de gravações para chantagear antigos parceiros,nas instituições.

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  8. Ohh, Nassif,
    culpar o estamento público de todos esses males é absolutamente ridículo e desdiz toda a história do Brasil e especialmente da república.
    Todo o século XX brasileiro foi eivado dessas mesmas artimanhas. Sempre houve a interferência externa americana e até européia em nosso sistema político e econômico e é de pasmar que foi usado sempre a mesma justificativa e desculpa com o quadro sendo pintado nos salões de nobreza e espalhados aos, infelizmente, ignorantes brasileiros pelos barões e seus asseclas da imprensa.
    Moroso e DD e tantos outros idiotas são soldadinhos, recrutinhas de araque que foram apalpados pela elite CIVIL ATRAVÉS DE SEUS SUPERIORES MINISTROS E PROCURADORES DA REPÚBLICA PORQUE A ESSE FIM SERVIAM PERFEITAMENTE.
    Assim, como aos militares deveria ter sido imposto um julgamento dos horrores praticados na ditadura cabe a justiça produzir um julgamento por LESA PÁTRIA DESSES moleques de Curitiba.
    INCLUSIVE, dos vários executivos e empresários que PENHORARAM SEU FALSO TESTEMUNHO.
    E por favor Nassif, da próxima vez faça uma menção àqueles que sofreram na CARNE todo esse processo e que se retroaja até o mensalão para REPARAR TODOS OS MAL-FEITOS AS FIGURAS DO PARTIDO DOS TRABALHADORES.

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  9. O fato é que nossa elite enjoa da democracia na trajetória histórica do país. Depois da quarta vitória do PT contra o PSDB, pegaram um parecer encomendado pelo PSDB por 45 mil reais de Hélio Bicudo, Janaina Paschoal e Miguel Reale Júnior apontando de forma precária, absurda, inconsistente crime de responsabilidade em decretos de suplementação orçamentária e plano Safra do Governo Dilma. Ai o bandido do Cunha aceita e abre o processo de impeachment e Anastasia (PSDB) dá o golpe final. Mas o golpe do impeachment não era suficiente. Em seguida, arranjaram um bando de reacionários no Sul do país (Paraná e Rio Grande do Sul) para investigarem, denunciarem e condenarem em primeiro e segundo graus o principal candidato da esquerda (Lula) por um triplex sem posse, propriedade e atos jurídicos indeterminados. Triste Brasil.

  10. A classe abastada tem 20 moedas de R$ 1,00 no bolso direito, De repente, essa classe percebe que, em seu bolso esquerdo, surgiu a quantia de R$ 2,00. Ora! De onde veio isso? Nós sempre colocamos nosso dinheiro no bolso direito, que continua com 20 moedas. É verdade – disse um abastado muito influente. O que faremos? – emendou outro. Muito simples – opinou um ancião abastado: – Furamos o bolso esquerdo, de modo a que sempre restará vazio.
    No entanto, um deles ponderou: Mas, somando as quantias dos nossos bolsos, temos agora R$ 22,00.
    Dane-se – gritou enraivecido o ancião:
    ISSO É DINHEIRO DE POBRE!

  11. …da falta de dignidade dos procuradores da Lava Jato…
    .
    Uma das coisas que mais assusta, agora que estamos chegando ao fim da “era Lava Jato”, que seu poder declina e o “bom nome” dos agentes públicos celebridades, Sérgio Moro e os procuradores, além dos delegados da Polícia Federal envolvidos, é coberto com a lama da verdade sobre suas ações criminosas, é o fato estarrecedor de não vermos UM GESTO DIGNO DE QUALQUER UM DELES, DE ARREPENDIMENTO! Desconhecem aquela sensação que aprendemos em nossas famílias, com nossos avós, pais e tios, de “envergonharmo-nos das coisas erradas” – um dos sentimentos que forma nosso caráter ao longo da vida: ver o erro, sentir vergonha, arrepender-se e mudar a rota da vida…
    .
    Podemos compreender que alguns desses procuradores, principalmente no INÍCIO da empreitada, tenham acreditado de verdade em seus princípios éticos, seus objetivos, a “luta contra a corrupção”, a coisa toda em si. Parecia plausível a alguém ing~enuo, mas de boa fé. Podemos até entender que, no calor do envolvimento com todo o processo, alguns esgarçassem sua ética, seus limites, “em nome da causa maior”, se perdessem, se confundissem, não enxergassem a violência ao Direito, à democracia, à Lei, à Constituição. Não percebessem a degradação a que Moro os submetia, a politização descarada da operação, o massacre selvagem e torpe a Lula e sua família, o ódio inoculado na sociedade contra todos os membros do governo Dilma, o ódio ao PT em geral, tornado o “SATANÁS” da sociedade. Que e pessoa, embevecida por seu sucesso, embriagada com a fama de participar da “maior operação de limpeza da política suja havida no Brasil” tenha se perdido de si mesma a tal ponto, podemos, com muita boa vontade, compreender… MAS UM, É O TEMPO EM QUE SE FAZ ESSAS COISAS PELA EMBRIAGUEZ DO MOMENTO, E OUTRO, TOTALMENTE DIVERSO, É O TEMPO EM QUE SE OLHA PARA TRÁS E SE PODE AVALIAR O QUE SE FEZ COM OS OLHOS FRIOS DA RAZÃO E DA ÉTICA… – é quando as pessoas “normais”, humanos, os ainda capazes de se envergonharem dos seus atos, enxergam o ERRO, o crime cometido, os equívocos, as ingenuidades, as atrocidades, a quebra na civilidade, na decência, na dignidade pessoal e profissional.
    O que torna cada um desses procuradores IMPERDOÁVEIS, é o fato de não admitirem seus erros, o fato “banal”, de não sentirem e não manifestarem VERGONHA por falas e ações cobertas da mais baixa ignomínia… Ao contrário, defendem com unhas e dentes seu legado PODRE, defendem as consequências nefastas oriundas do processo que eles produziram no MPF, no Judiciário, na sociedade, no destino do povo brasileiro…. Como perdoá-los pela atrocidade de sua falta de vergonha?!?
    .
    Uma das procuradoras, não me recordo agora o nome, timidamente pediu desculpas ao presidente Lula pelo deboche ordinário com que trataram a morte de vavá, seu irmão e Arthur, seu neto…. E ficou nesse gesto único, a vergonha do grupo dos senhores procuradores por todo o mal que causaram, destruindo milhões de famílias brasileiras.
    .
    A História os colocará no lugar que merecem, na verdade, estamos vendo aos poucos isso ocorrer hoje, no tempo presente. Há a indignidade do ato, do erro, e há a indignidade de não sentir vergonha pelo erro cometido.
    Os procuradores da Lava Jato são, nesse aspecto, profissionais e pessoas sem vergonha alguma de sua própria barbárie, selvageria e crimes cometidos contra a nação brasileira.
    Faltou-lhes as lioções preciosas de nossos avós….
    .
    Eduardo Ramos

  12. …da falta de dignidade dos procuradores da Lava Jato…
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    Uma das coisas que mais assusta, agora que estamos chegando ao fim da “era Lava Jato”, que seu poder declina e o “bom nome” dos agentes públicos celebridades, Sérgio Moro e os procuradores, além dos delegados da Polícia Federal envolvidos, é coberto com a lama da verdade sobre suas ações criminosas, é o fato estarrecedor de não vermos UM GESTO DIGNO DE QUALQUER UM DELES, DE ARREPENDIMENTO! Desconhecem aquela sensação que aprendemos em nossas famílias, com nossos avós, pais e tios, de “envergonharmo-nos das coisas erradas” – um dos sentimentos que forma nosso caráter ao longo da vida: ver o erro, sentir vergonha, arrepender-se e mudar a rota da vida…
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    Podemos compreender que alguns desses procuradores, principalmente no INÍCIO da empreitada, tenham acreditado de verdade em seus princípios éticos, seus objetivos, a “luta contra a corrupção”, a coisa toda em si. Parecia plausível a alguém ing~enuo, mas de boa fé. Podemos até entender que, no calor do envolvimento com todo o processo, alguns esgarçassem sua ética, seus limites, “em nome da causa maior”, se perdessem, se confundissem, não enxergassem a violência ao Direito, à democracia, à Lei, à Constituição. Não percebessem a degradação a que Moro os submetia, a politização descarada da operação, o massacre selvagem e torpe a Lula e sua família, o ódio inoculado na sociedade contra todos os membros do governo Dilma, o ódio ao PT em geral, tornado o “SATANÁS” da sociedade. Que e pessoa, embevecida por seu sucesso, embriagada com a fama de participar da “maior operação de limpeza da política suja havida no Brasil” tenha se perdido de si mesma a tal ponto, podemos, com muita boa vontade, compreender… MAS UM, É O TEMPO EM QUE SE FAZ ESSAS COISAS PELA EMBRIAGUEZ DO MOMENTO, E OUTRO, TOTALMENTE DIVERSO, É O TEMPO EM QUE SE OLHA PARA TRÁS E SE PODE AVALIAR O QUE SE FEZ COM OS OLHOS FRIOS DA RAZÃO E DA ÉTICA… – é quando as pessoas “normais”, humanos, os ainda capazes de se envergonharem dos seus atos, enxergam o ERRO, o crime cometido, os equívocos, as ingenuidades, as atrocidades, a quebra na civilidade, na decência, na dignidade pessoal e profissional.
    O que torna cada um desses procuradores IMPERDOÁVEIS, é o fato de não admitirem seus erros, o fato “banal”, de não sentirem e não manifestarem VERGONHA por falas e ações cobertas da mais baixa ignomínia… Ao contrário, defendem com unhas e dentes seu legado PODRE, defendem as consequências nefastas oriundas do processo que eles produziram no MPF, no Judiciário, na sociedade, no destino do povo brasileiro…. Como perdoá-los pela atrocidade de sua falta de vergonha?!?
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    Uma das procuradoras, não me recordo agora o nome, timidamente pediu desculpas ao presidente Lula pelo deboche ordinário com que trataram a morte de vavá, seu irmão e Arthur, seu neto…. E ficou nesse gesto único, a vergonha do grupo dos senhores procuradores por todo o mal que causaram, destruindo milhões de famílias brasileiras.
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    A História os colocará no lugar que merecem, na verdade, estamos vendo aos poucos isso ocorrer hoje, no tempo presente. Há a indignidade do ato, do erro, e há a indignidade de não sentir vergonha pelo erro cometido.
    Os procuradores da Lava Jato são, nesse aspecto, profissionais e pessoas sem vergonha alguma de sua própria barbárie, selvageria e crimes cometidos contra a nação brasileira.
    Faltou-lhes as lições preciosas de nossos avós….
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    Eduardo Ramos

  13. Já que citou, no meu entender indevidamente, o Ministro J.E. Cardozo, faltou citar nominalmente os senhores do trf4 e do supremo.
    Que desgraça! Destruíram o país.

  14. É simples, a comissão de entrega do pré-sal e extinção da engenharia nacionais era gorda. Tai o preço do republicanismo ingênuo da esquerda, colocando inimigo na PGR, indicando para o STF por quotas (como JB) e não por afinidade ideológica, não querendo melindrar os “apoios importantes” (bancos, mídia, corporações)…

  15. Parabéns, Nassif, mais uma vez sua análise atinge o cerne. Para nós, qu o lemos, nos sentimos representados. A nossa voz em sua voz… Gratidão em meio ao sombrio presente dos usurpadores, açambarcadores e lesa-Pátria.

  16. “O problema maior não são os provincianos deslumbrados do Paraná, que acharam ter luz própria. São os que se permitiram seus abusos.” Sempre achei isso. O problema nunca foi o Moro e demais barnabés. Mas as autoridades que permitiram e incentivaram esse delírio criminoso e destruidor da nação.

  17. Penso que, primeiramente, não podemos categorizar as ações e consequências da lava jato como algo totalmente novo e que só aconteceu porque nosso país está abalado estruturalmente.
    O Brasil sofre golpes desde sempre, nunca foi uma nação coesa, uma pátria legítima, mas sim um agrupamento de centros de poder disputando riquezas entre si e contra todos.
    Primeiro a coroa e seus senhores de engenho, depois a política do café com leite, depois o desenvolvimentismo via atração de empresas estrangeiras (que formaram o grupo estrangeiro), seguido dos militares e, agora, os bancos e beneficiários.
    Todos esses foram os grupos principais ao longo da história, envolta dos quais os menores se acotovelavam e se acotovelam para garantir o bem estar.
    A lava jato inovou no método, o lawfare, mas contou com a mesma colaboração de sempre que incluiu os poderes da república, a mesma colaboração da imprensa corporativa e a mesma colaboração do tio sam. Que esteve presente em 64 e durante a política dos 50 anos em 5, principalmente.
    O entreguismo, que sempre foi marca registrada no país, também se reproduziu na lava jato como vêm mostrando as reportagens. Os que deveriam zelar entregavam sem qualquer remorso. E vão continuar entregando se necessário.
    Não me parece surpreender os métodos, parceiros e resultados. É verdade que demorou mais tempo e teve que ser mais ostensivo, produzindo alguns efeitos colaterais devido às altas doses. Isso pode ter ocorrido porque hoje em dia a internet oferece um contra ponto ao discurso da imprensa corporativa, o que ajuda na não alienação completa do povo. Mas acho que para por aí.
    Não dá para esquecer da frase que disse que tem que ser com o supremo, com tudo.
    A participação foi de todos. E ainda acho que a lava jato foi, também, uma operação de espionagem para que todos ajudassem sem maiores questionamentos. É um exercício de achismos.
    E parece que agora a PGR tenta se apossar das informações produzidas pela espionagem de forma a blindar possíveis ataques aos que estão no poder. E obter mais poder através da posse dessas informações.
    Vai que membros das altas cortes judiciais do país estejam presentes nesses arquivos de forma não republicana? Vai saber.
    Mas penso que esses movimentos não tem nada a ver com desmascarar a lava jato e seus operadores. Muito menos restabelecer a tal democracia, que nunca existiu de fato. A lava jato elegeu o presidente. Por que acabar com ela agora?

  18. Como se chegou a isso? Do mesmo modo que chegaremos a uma fitadurailitar pois a deflagração de um golpe ou não continua a depender da vontade dos generais. NÃo se criou nenhum instrumento jurídico ou real para impedir um golpe, como a concentração das armas mais modernas na mão do presidente e os exercícios militares com as mesmas teria como manobristas destas armas exclusivamente a guarda presidencial,que seria requisitada em caso de guerra. Assim, se quizessem dar o golpe, teriam que enfrentar o melhor da força aérea em mãos da guarda presidencial.

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