Entrevista de Marcelo Odebrecht isenta Lula, expõe erros da Lava Jato e resguarda BNDES

Odebrecht manteve com Lula a mesma relação que tinha com FHC, mas apenas o petista é acusado de tráfico de influência a partir das distorções criadas pela Lava Jato

Publicada em 9/12/2019

Jornal GGN – Lula não privilegiava a Odebrecht em suas viagens internacionais. O pedido para que a empresa entrasse em Cuba era próprio dos interesses geopolíticos e comerciais de um País. A Odebrecht, aliás, mantinha com o petista a mesma relação que teve com FHC, intocado pela Lava Jato. E a doação eleitoral que a empresa fez ao PT, em contrapartida a uma linha de crédito em Angola, saiu da margem de sua lucro, não de acertos espúrios.

E tem mais: quando quebrou a reputação da Odebrecht no exterior, a Lava Jato também comprometeu a exportação de conteúdo nacional. E, de quebra, lançou uma cortina de fumaça sobre o BNDES, criminalizando o papel da instituição.

Tudo isso foi dito por Marcelo Odebrecht em entrevista exclusiva divulgada pela Folha de S. Paulo nesta segunda (9), embora a chamada escolhida pelo jornal não lhe faça justiça.

O diário preferiu manchetar que “Lula pediu para que a Odebrecht fizesse um projeto em Cuba”, dando a entender que o ex-presidente merece ter a Lava Jato em seu encalço pelo suposto crime de tráfico de influência. Mas o que Marcelo disse à Folha contraria muito do que foi construído pela Lava Jato.

Primeiro, Marcelo deixou claro que Lula, ao contrário do que alegou a força-tarefa em diversas ações, não favorecia a Odebrecht em troca de benefícios pessoais.

Quando viajava ao exterior, Lula era uma preocupação para a empresa, porque o petista “vendia” todas as companhias brasileiras competitivas. Colocava a Odebrecht no mesmo patamar que as concorrentes, sendo que a empreiteira está presente em outros países há mais de 20 anos – muito antes de Lula ser presidente, portanto.

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“A gente queria se beneficiar da ida do Lula para reforçar os links com o país e, por tanto, melhorar a nossa capacidade de atuar lá. Mas, ao mesmo tempo, quando Lula chegava ele não defendia só a Odebrecht”, disse Marcelo. Mas “se um presidente chegasse lá, no outro país, e colocasse todo mundo no mesmo nível, poderia soar para o governo local do outro país como um desprestígio do Brasil em relação à Odebrecht”, explicou.

Questionado pela Folha se Lula interferia nos negócios internacionais, Marcelo respondeu objetivamente: “Eu diria que, nesses 20 anos, só uma exportação teve uma iniciativa por parte do governo brasileiro e que, apesar da lógica econômica por trás, teve uma motivação ideológica e geopolítica, que foi Cuba.”

E ponderou: “Em todos os países, nós íamos por iniciativa própria, conquistávamos o projeto e buscávamos uma exportação de bens e serviços.”

Mas Lula, depois de visitar Cuba e conhecer uma estrada deteriorada, disse que a Odebrecht poderia ajudar a levar condições melhores de infraestrutura ao local.

A obra era interessante porque Cuba teria de contratar todos os serviços do Brasil, gerando “emprego, renda e arrecadação” para os brasileiros.

Cuba, porém, preferiu investir na construção de casas depois de ser atingida por um tufão, “desprezando a estrada” sugerida por Lula.

A Odebrecht, ao final, foi quem sugeriu a construção de um porto, porque era “o melhor para o Brasil, economicamente e do ponto de vista de exportação de bens e serviços.”

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A construção de um porto demandaria de Cuba a importação, do Brasil, de “estrutura metálica, maquinário, produtos com conteúdo nacional.” O financiamento do BNDES obrigava a Ilha a isso.

“Em nenhum momento, o dinheiro do BNDES vai para fora. Sempre fica no Brasil. Não é verdade dizer que o BNDES financiava projetos no exterior. O BNDES financiava conteúdo nacional, geração de trabalho no Brasil, que era exportado para o exterior”, explicou Marcelo.

Para ele, a Lava Jato ajudou a lançar uma “névoa” sobre o BNDES. “O que ocorreu nos últimos anos aqui no Brasil foi um crime. Criminalizaram algo que nunca deveria ter sido criminalizado. Se houve um crime, foi na criminalização do financiamento à exportação.”

“Do jeito que a Lava Jato foi divulgada, acabou parecendo que o Brasil é o país mais corrupto do mundo, e que as empresas brasileiras exportavam corrupção. Não é verdade — nem uma coisa nem outra. Mas nossos competidores no mundo souberam tirar vantagem disso. Vários países culpam a Odebrecht. Essa é uma questão que vamos ter de superar.”

Questionado se Lula fez orientações outras à Odebrecht no contexto internacional, a resposta foi novamente negativa e Marcelo reforçou: “Normalmente, era a gente que conquistava os projetos e tentava reforçar a importância política desse projeto.”

PROPINA NO BNDES?

Folha também perguntou diretamente a Marcelo Odebrecht se existiu superfaturamento e pagamento de propina no BNDES, durante os anos de PT. A resposta igualmente contrariou a narrativa criada na Lava Jato.

Marcelo respondeu que o único episódio que pode ser explorado foi Paulo Bernardo e Antonio Palocci pedindo doações eleitorais ao PT, porque sabiam que a Odebrecht seria a principal empresa brasileira beneficiada pela renovação de uma linha de crédito do Brasil com Angola.

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“Mas esse recurso [doação eleitoral] saiu do nosso resultado e não representou nenhum prejuízo, nem para o país nem para o BNDES. Não teve nenhum envolvimento do BNDES nesse assunto e foi uma única vez”, afirmou o empresário.

A Lava Jato, por sua vez, costuma procurar contratos, apontar superfaturamento de 1% a 3%, e dizer que a doação eleitoral saiu dessa margem.

Ao final, a cereja do bolo: “Em mais de 20 anos de exportação de serviços e durante todo governo Lula, essa foi a única vez que houve uma solicitação de apoio financeiro [o pedido de Palocci e Bernardo] por conta de financiamento”, apontou Marcelo, que é delator da Lava Jato.

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12 comentários

  1. Pois é, mas a míRdia mancheteia que “Lula pediu projeto em Cuba” e continua: ” por “motivos ideológicos”.
    Ajudar a desenvolver negócios em países para exportar bens e serviços e gerar renda, empregos e movimentar nossa economia é insinuado como crime, “tráfico” de influência, corrupção e assemelhados.
    A mediocridade de nossa “elite” e sua míRdia (de)formadora de opinião chega a ser “comovente”.
    Buááááá….

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  2. O jornal do rato não perde a oportunidade de cavar mais fundo no esgoto em que se meteu.
    A credibilidade de nossa mídia, mesmo quando faz algum trabalho interessante,vai para o ralo com suas manchetes direcionadas a agradar os setores que desejam o seu fim.

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    • NÃO SOU PETISTA ( NÃO TENHO PARTIDO PORQUE NÃO EXISTE MORAL E ÉTICA EM 99% DOS POLÍTICOS) , MAS QUALQUER LOUCO E O MUNDO TODO, ESTÁ VENDO O Q ACONTECE NESTE GOVERNO EM TODOS OS SENTIDOS . PRINCIPALMENTE NO MEIO AMBIENTE E O INCENTIVO A VIOLÊNCIA.
      A REFORMA DA PREVIDÊNCIA, SÓ ATINGIU O SETOR PRIVADO, Q A MAIORIA NÃO VAI CONSEGUIR SE APOSENTAR.

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  3. A Globo, que continua parceira dos criminosos da República de Curitiba, é o paradigma da imprensa brasileira: manipuladora de consciências a serviço dos bilionários e dos interesses geopolíticos dos EUA.
    Lula e Zé Dirceu tiveram total condição de democratizar a mídia brasileira, mas preferiram tratar a Globo como “parceira sustentada” (o honrado senador Roberto Requião tem um relato demolidor). A desculpa sempre foi a “conjuntura política desfavorável”, o que é uma enorme mentira. Bolsonaro, que tem menor apoio político do que Lula, estapeia a Globo desde antes das eleições.
    A Globo fez o PT engolir tragicamente sua “esperteza”. Daqui a 50 anos os netos do João Roberto Marinho irão pedir desculpas…

  4. A Folha não tem salvação. A briga com Bolsonaro é circunstancial mas o ódio ao Lula é atávico. O jornal é capaz de rasgar qualquer manual de jornalismo honesto mas não perde a oportunidade de dar uma punhalada no Lula. Contra ele vale tudo, até dedo no olho.

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  5. Uma entrevista dessa (chama atenção de não ter sido feita muito antes) deve ser noticiada pelos outros veiculos, mas no caso acho pouco provavel. Se Marcelo Odebrecht tivesse falado algo contra Lula, ai seria chamada do Jornal Nacional.

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  6. Marcelo Odebrecht segurou uma barra pesadíssima,aguentou a cadeia mais de um ano sem dar um pio,só depois das eleições foi q ele começou a fazer o jogo do MP partidário pq viu q o jogo estava perdido pois os golpistas deslancharam,a Odebrecht foi vítima de conspiração tb pq toda hora a Globo dizia corrupção da Odebrecht, Odebrecht, Odebrecht…não é normal isso, não me esqueço quando vi Marcelo.dizer olhando nos olhos de Moro em depoimento q a Odebrecht se não me engano tinha 160 mil funcionários q dependiam da empresa e Moro só ouvindo com ar de desprezo e arrogância (como diria uma conhecida “Quem mandô rôbá”, não q eles sejam santos pq apoiaram o golpe e…tomaram um golpe bem gostoso,eu não tenho dúvidas q voltará a ser grande e a maior do país.Viva o Brasil !!!
    Obs:Iria escrever mais só q não seria bom vir à tona certas verdades observadas do lado de cá !!!

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  7. A Lava a Jato foi um dos capítulos (o mais prodigioso) da trama política-policial-judiciária que tem seu começo na metade do governo Dilma.
    Manifestações de ruas; processo de impeachment; articulação e sincronização no noticiário negativo por parte da mídia para incutir no imaginário dos brasileiros o caráter criminoso dos governos petistas; a Lava a Jato e seus processos espúrios e kafkianos; a associação afrontosa aos princípios básicos constitucionais e delituosos nos atos entre o Judiciário e o Ministério Público visando criminalizar, condenar e enfraquecer a classe política, em especial da Esquerda e seu líder maior – Lula.
    A resultante desse processo não só afetou negativamente algumas cadeias produtivas importantes e estratégicas, mas e principalmente, a própria institucionalidade da Nação.
    De repente, uma grei de iluminados imbuídos da missão “divina” de “purgar” um estamento político “corrompido”, sob o comando de um juiz de piso alçado à condição de “herói” pelo complexo midiático e contando com a omissão e a covardia de instâncias superiores (STF, STJ, TRs), se lançam sobre “presas” acuadas pelo pavor da prisão/desmoralização para, no estilo “Torquemada 2.0”, extrair-lhes confissões sob o disfarce de “delações premiadas”.
    Não fossem as revelações levadas a público pelas mídias verdadeiramente independentes ecoando um até então site desconhecido – The Intercept – nas quais são desnudadas as escabrosas tramas da Lava a Jato, não se sabe aonde poderiam chegar um grupo de ambiciosos e fanáticos agentes públicos travestidos de heróis de fancaria.

  8. Uma entrevista importante como esta resultou numa manchete de má fé da Folha, tentando acusar Lula de uma atitude ilícita por razões ideológicas. Anti-jornalismo explícito. Salvou o jornal, até agora, o excelente artigo de Reinaldo Azevedo, por isso mesmo “escondido. Como diria aquela âncora amigo dos garis, “isso é uma vergooonha”.

  9. A manchete da folha não deixa dúvida, ela continua pelejando pelas reformas maravilhosas que vão destruindo o Estado Brasileiro. A desfaçatez é a marca registrada de uma imprensa suja embora arrependida. A Folha jamais perdoará Lula. Lula é prova viva e testemunha ocular do crime que esta imprensa cometeu. Onde está o ombudsman, será que irá criticar ou ignorar. E se existe um ombudsman, é apenas uma questão de marketing pois seu trabalho não tem nenhum peso no jornal.

  10. Pq o Marcelo não comentou isso perante ao Moro bem antes do julgamento. Antes da eleição.
    Ele fala o que já sabíamos.

  11. + comentários

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