Polícia Federal profissional impede manipulação de relatórios por colegas

Compare duas coberturas, a do blog de Fausto Macedo, do Estadão – alimentado pelos moristas – e a da Folha, com informação oficial da equipe que investiga o caso.

Há duas disputas em curso na Polícia Federal. Uma, mais evidente, entre Jair Bolsonaro e Sérgio Moro. Outra, mais sútil, entre os policiais que Moro levou para Brasilia, e os policiais profissionais da PF, os primeiros continuando a manipular inquéritos; os segundos, atuando profissionalmente.

Exemplo claro são as notícias sobre a perícia nos celulares dos hackers de Araraquara.

Compare duas coberturas, a do blog de Fausto Macedo, do Estadão – alimentado pelos moristas – e a da Folha, com informação oficial da equipe que investiga o caso.

A coluna de Fausto Macedo, de 1º de setembro, tenta emplacar a versão de que a perícia identificou indícios de que o material do The Intercept foi vendido. As informações foram vazadas, divulgadas no mesmo dia em que os inquéritos foram entregues à Justiça Federal, e serviram de mote para que entrevistadores do Roda Viva lançassem suspeitas sobre Glenn Greenwald.

“A Polícia Federal acredita ter encontrado um indício que pode ajudar a desvendar a principal dúvida que ainda paira sobre os suspeitos de hackear as principais autoridades do País: se eles venderam as mensagens que obtiveram de forma ilegal. Numa conversa trocada via aplicativo, Walter Delgatti Neto, que confessou chefiar o grupo, diz a Danilo Cristiano Marques, seu suposto “testa de ferro”, que “acabou a tempestade”, “veio a bonança””

(…) São conversas que, de acordo com a PF, “sugerem algum feito”, numa sinalização de que Delgatti poderia estar comemorando a venda das mensagens. A conversa entre os dois é acompanhada pela descrição “@chefedeestado”..

A reportagem da Folha foi de 4 de setembro, da coletiva da equipe que analisa as mensagens.

Análise dos relatórios de perícia em computadores e celulares apreendidos com os quatro suspeitos de hackear o Telegram de autoridades revela que a Polícia Federal busca operações deles com bitcoins (uma moeda virtual), mas não encontrou, até o momento, ligação entre transações financeiras e o vazamento de mensagens.

(…) “Walter envia a Danilo o texto @chefedeestado. Sugerindo algum feito”, continua.

A perícia não faz afirmação de que há relação entre essas mensagens e a invasão do Telegram, objeto principal do inquérito. Pessoas ligadas à investigação, ouvidas pela Folha, disseram considerar que é preciso apurar as conversas, mas ainda não há vínculo estabelecido com pagamentos.

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