Prefeitura não pode retirar cadáveres do coronavírus das ruas do Equador

Cynthia Viteri afirmou nesta quinta que somente a polícia federal científica pode recolher corpos das vítimas de coronavírus nas ruas de Guayaquil

Jornal GGN – A prefeita de Guayaquil Cynthia Viteri afirmou nesta quinta (2) que não tem competência legal para remover as dezenas de corpos de vítimas de coronavírus que se acumulam pelas ruas da cidade que fica numa província do Equador que concentra 70% dos casos em todo o País.

Segundo informações do El Comercio, a prefeita alegou que é papel da polícia nacional remover os corpos.

“A lei não nos permite ir até as casas para levantar os corpos, um protocolo deve ser seguido com a Polícia Nacional, com criminalística”, disse Viteri.

O município apenas tem informado às autoridades federais das queixas que recebem dos familiares que ficam horas ou até mesmo dias com os cadáveres sob sua responsabilidade. Muitos foram vistos nas ruas. Nas redes sociais, há vídeos e fotos registrando as cenas de guerra.

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O município também colabora, segunda a prefeita, providenciando os contêineres refrigerados para armazenas os corpos. Um deles foi colocado em um hospital a pedido do Ministério da Saúde Pública.

Segundo o médico Esteban Ortiz, da Universidade das América no Equador, a mortalidade do coronavírus em Guayaquil é a maior da América Latina, superando até mesmos os óbitos de São Paulo. São 1,35 mortes por cada 100 mil habitantes na cidade mais populosa do Equador. São Paulo tem taxa de 0,92 de óbito por 100 mil habitantes.

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O Equador tem 2,8 mil casos confirmados de coronavírus, e 98 mortes, segundo o levantamento oficial.

El Comércio afirma que cemitérios e funerárias relutam em lidar com o volume de mortos por medo de contágio.

O governo tentou vetar velórios e impor cremação de corpos, mas teve de recuar pelas críticas e incapacidade do sistema funerário em operar a medida.

A prefeita Cynthia Viteri também cumpre quarentena após contrair o vírus. O sistema de saúde da região está em colapso.

Ainda de acordo com o jornal equatoriano, o governo de Lenín Moreno colocou a força militar e policial para recolher os corpos. Entre segunda e quarta desta semana, foram 150 vítimas fatais retiradas das ruas e casas.

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