Prolegômenos a uma nova sociologia

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Somos criaturas tradicionalistas, governadas pelo costume. Expressões como “questões sociais” ou “sociologia” evocam determinados tipos de análises, e determinados tópicos bem conhecidos.

O mundo tem mudado cada vez mais rapidamente, mas as expressões e análises tradicionais continuam imperando.

Estamos em 2015, vivendo portanto uma transição sócioeconômica sem precedentes, com a superação da maior potência econômica mundial. Durante os próximos anos vivenciaremos transições radicais em todos os nossos valores. Nossas crenças, nossa visão de mundo, serão outras em 10 anos. O fato ficará bem marcado com a ruína do dólar, quando um novo poder assumirá as rédeas do planeta. (Confira o fato de que o PIB corrigido da China (GDP-PPP), segundo estimativas conservadoras, já é maior que o americano).

Essa revolução brutal, certamente mais drástica que a queda do império romano, constituirá apenas um aperitivo para o que virá em seguida.

Em uns 30 anos, o cenário incluirá os seguintes fatos:

O petróleo estará caro e escasso impedindo o aumento da produção mundial, estaremos ficando mais pobres ano a ano. As mudanças climáticas terão desertificado boa parte do planeta, inutilizando uma parte considerável das terras agrícolas. O recrudescimento das alterações climáticas será evidente, as consequências nefastas e imediatas. A atmosfera e os mares estarão fortemente alterados, prognosticando modificações futuras ainda mais sinistras.

Nesse contexto desesperador, e de mudanças drásticas em todos os campos, uma novidade se destacará: o surgimento de uma máquina capaz de, autonomamente, projetar e construir uma máquina mais aperfeiçoada que ela própria; ela assim o fará. Sua filha idealizará e construirá uma outra ainda mais eficiente que ela; seus netos farão o mesmo.

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A velocidade das transformações será maior que a da construção de impedimentos a elas. Inovações tremendas e bizarras grassarão sem controle.

As sucessivas gerações de máquinas projetadas e aperfeiçoadas por outras impulsionarão, cada vez mais, as seguintes. Essas máquinas serão capazes de, autonomamente, gerar novos conhecimentos, que alimentarão novas buscas gerando novos conhecimentos e novas indagações, em ciclos cada vez mais amplos e rápidos. Acabarão por engendrar algo ainda mais eficiente que elas mesmas na produção de conhecimentos e do autoaperfeiçoamento.

Tais criaturas, muito mais rápida e intensamente, repetirão todo o processo engendrando algo que lhes supere em muito pouco tempo. O novo ser, impensável, surgirá para gerar seu sucedâneo em um período ainda mais curto.

Virá, então, o grande dia do surgimento de surgimentos consecutivos; a explosão de conhecimentos em um único momento. A ebulição de todas as respostas que puderem ser perguntadas em um único instante.

Os riscos de extinção da humanidade serão gritantes. As condições de sobrevivência no planeta serão precárias. E todas as técnicas imagináveis eclodirão de uma cornucópia tecnológica. Dominaremos a matéria como dominamos os sonhos.

A definição de “humanidade”, então, ganhará novos contornos, tornando-se bem maleável; a de “sobrevivência” também.

Suspeito que mergulharemos em videogames e viveremos nesses mundos.

Contrastando, paradoxalmente, com a iminência de nossa extinção, e se somando a ela, seremos tentados à imortalidade; muitos anseiam desesperadamente por tal maldição.

Soará fantasioso e inverossímil a todos os que desconhecem os potenciais da nanotecnologia a recomposição de corpos. A transição seguinte, de corpos artificiais para o interior das máquinas parecerá, então, natural e amena. Talvez seja esse o futuro da humanidade, ou do que restar dela. Restarão nossas mentes, ou almas, nos mundos, indiretamente, criados por nós.

Mas somos criaturas conservadoras e nos repulsa tudo aquilo a que não estamos acostumados. O prognóstico para tudo isso é 30, 40 anos.

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Uma redefinição das sociologias se faz urgente.

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