Xadrez do fim dos grupos nacionais de mídia, por Luis Nassif

Seria relevante que o Conselho Nacional de Justiça, a Procuradoria Geral da República, as Escolas de Magistratura e do Ministério Público montassem discussões sobre o tema, mas de forma aberta, juntando não apenas associações dos grupos de mídia, mas representantes de mídia alternativa e especialistas em direito à informação.

Durante o século 20, os grupos de mídia foram os mais relevantes atores no mercado de opinião, mais influentes que os partidos políticos, que as igrejas, que os sindicatos. Já eram influentes no começo do século, com o avanço do telégrafo. Ampliaram o poder com o advento das rádios e, especialmente, das redes de rádios. E, finalmente, com a televisão, o veículo que dominou amplamente a opinião pública na segunda metade do século 20.

As formas de controle sobre a opinião pública eram de mão única, os melhores veículos através da seleção dos temas de cobertura e das análises de acordo com o alinhamento político ou comercial do grupo; os piores, através  da exploração de notícias falsas e de assassinato de reputação.

As maneiras de envolvimento da opinião pública se davam especialmente através da dramaturgia das notícias, buscando na ficção modelos de narrativas aplicadas às notícias, construindo heróis ou vilões como formas de manipulação política e de envolvimento emocional do leitor.

Em cada mudança de padrão tecnológico, houve um terremoto entre os grupos de mídia. A nova tecnologia seria vitoriosa e nem todos os grupos conseguiriam pular para o novo barco.

Havia uma perda de rumo, uma travessia complicada na qual os grupos de mídia se valiam de todas as suas armas, influências políticas, assassinatos de reputação, criação de inimigos públicos para se colocar na nova etapa.

Na última etapa tecnológica, com o avanço da Internet, essa tática foi` explorada pelos infames Murdoch ‘s, os australianos que se tornaram modelos para um processo de degradação mundial da mídia. E, no Brasil, por um movimento liderado por Roberto Civita e a revista Veja.

Atualmente, há dois fenômenos em curso que tornarão inevitável a globalização das mídias: as redes sociais e os grupos globais de mídia.

É nesse contexto que deve ser analisado o futuro da mídia no Brasil e o velocino de ouro: a disputa sobre o controle da opinião pública nacional.

Preliminar 2 – o início da Internet

Para entender melhor a próxima guerra, é preciso uma pequena revisitada nos primórdios da Internet.

A Internet permitiu não apenas a confluência de mídia, mas a confluência de conteúdos. No início da Internet, tentou-se o modelo dos portais, os chamados provedores de conteúdo, cujo pioneiro foi a AOL (American On Line), com a pretensão de ser a porta de entrada na Internet. Criava-se um sítio com um browser exclusivo que dava acesso ao conteúdo abrigado no portal.

O sucesso inicial da AOL foi tão rápido que lhe permitiu, inicialmente, adquirir a Time Warner, um gigante decorrente da fusão dos grupos Time-Life e Warner Bros, que já incluía o canal CNN.  Rapidamente se percebeu que o modelo não funcionava. Depois de um período, o modelo AOL fez água e sua participação acabou se diluindo na fusão.

A superação rápida do modelo portal se deveu à disseminação da padronização tecnológica na Internet e de padrões de interação entre sites. Os modelos fechados, tipo AOL, não podiam competir  com o universo aberto da Internet.

Consolidou-se um modelo de negócio, impulsionado inicialmente pela expansão mundial do cabo, baseado na assinatura e na publicidade. A fusão era necessária para garantir os investimentos necessários para a expansão global.

Peça 1 – os novos grupos globais

Os modelos de grupos de mídia globais  surgem das sucessivas fusões entre empresas de entretenimento, empresas jornalísticas e de tecnologia.

A fusão mais bem sucedida juntou um gigante das telecomunicações, a ATT, um do entretenimento, a Warner, e uma de jornalismo e TV a cabo, a Turner. Grupos tradicionais, como a Disney, se reinventaram e criaram canais de esporte, por exemplo. E definiram um novo modelo de negócios, baseado na assinatura, nos acordos com empresas de telefonia e de cabo, e publicidade segmentada e se alavancando inicialmente através do cabo e das parcerias com empresas de telefonia nacionais.

Foi a primeira brecha nas cidadelas ferreamente defendias das mídias nacionais. Financiando-se através da publicidade, as mídias nacionais tornaram-se campeãs das bandeiras internacionalistas, de abertura da economia – menos para seu próprio setor.

De fato, na expansão do capitalismo americano no pós-guerra, os grupos de mídia não conseguiram acompanhar outros setores devido à influência política das mídias nacionais, que se defendiam através de legislações impedindo a entrada de grupos estrangeiros; e do controle do espectro de concessões de rádios e TVs.

Com a Internet e a TV a cabo, o muro foi derrubado e houve uma convergência entre os diversos tipos de mídia, juntando grupos de entretenimento, empresas de tecnologia e empresas jornalísticas.

A explosão de novas mídias pulverizou a audiência, levando a uma disputa em torno de eventos de entretenimento, como jogos de futebol e de lutas. É por aí que deve ser analisada uma das mais espúrias alianças políticas, especialmente na América Latina.

Grupos hegemônicos de mídia garantiam a blindagem política dos cartolas perante os políticos; e celebravam acordos ilegais pela exclusividade na transmissão de eventos esportivos. Com as operações contra a FIFA, conduzidas pelo FBI, esse modelo implodiu. Com a decadência do futebol nacional, as grandes atrações deslocaram-se para os campeonatos europeus e paramos eventos de luta.

E, aí, desaparecem os grandes diferenciais de audiência dos grupos nacionais e aparecem os ganhos de escala dos grupos globais, adquirindo direitos de transmissão dos grandes eventos internacionais para suas afiliadas em todos os países

O crescimento dos novos meios se deu em cima da TV aberta e da mídia escrita, justamente o eixo central do modelo de negócios dos grupos de mídia tradicionais.

Peça 2 – as big tecs

O segundo caminho foi das big tecs. A questão não era mais produzir conteúdo, mas desenvolver modelos de organização – e direcionamento – do conteúdo global da Internet.

No modelo tradicional, os jornais se comportam como condutores dos povos, selecionando informações e opiniões de acordo com seus objetivos comerciais e políticos e oferecendo, como produto, a possibilidade de ele, jornal, influenciar seu público com as mensagens de interesse do patrocinador.

No novo modelo, as empresas oferecendo o universo de informações de seus usuários para clientes dispostos a pagar para influenciar o mercado de opinião. Desde o fabricante de bens de consumo, identificando clientes potenciais através de algoritmos fuçando mensagens e e-mails do público, até grupos políticos tentando influenciar eleições presidenciais.

Peça 3 – os grupos nacionais

É nesse novo modelo, espremido entre dois gigantes, que os grupos nacionais de mídia tentarão se equilibrar.

Na Europa, a influência dos grupos de mídia tradicionais têm levado governos nacionais a estabelecer limites para a ação das big tecs. Afinal, veículos como BBC, Financial Times, The Guardian, Le Mondé, são tratados como instituições nacionais, ao contrário dos grupos brasileiros, que gastaram todo seu estoque de credibilidade nas guerras políticas das últimas décadas.

O último trunfo das mídias hegemônicas latino-americanas foram as associações criminosas com a FIFA e as confederações nacionais de futebol.

Com a ascensão de Bolsonaro e a pandemia, acentuou-se sua fragilidade financeira e perderam a guerra.  A maior derrota aconteceu com o fim do monopólio dos campeonatos nacionais e sul-americanos pela TV Globo. E, mais recentemente, com a decisão do Conselho Administrativo de Direito Econômico (CADE) de proibir o bônus de veiculação –  devolução de parte das receitas publicitárias para as agências de publicidade -, o maior instrumento de cartelização comercial do grupo.

Talvez o maior exemplo do desespero atual da mídia, aliás, seja o jornal O Globo. Nos últimos meses, lobbies de jogos entraram pesadamente na Internet brasileira, colocando publicidade em veículos de todos os tamanho. Até o Jornal GGN foi procurado, e recusou, apesar do cerco financeiro a que está exposto.

Em um gesto de desespero, impensável em outras épocas, O Globo não apenas aceitou o patrocínio, no banner principal, como deu, como contrapartida,  um artigo de Nelson Motta, com uma defesa candente da abertura de cassinos, brandindo argumentos falaciosamente primários.

Na hora em que o governo está desesperado por dinheiro para bancar seu programa de renda mínima, sem aumentar impostos, surgiu na Câmara, pela milésima vez, o projeto de liberação do jogo, que poderia render R$ 50 bilhões por ano em impostos para a União, estados e municípios quebrados pela pandemia. O lobby já trocou “jogos de azar” por “jogos de fortuna”. Nunca o momento foi tão oportuno. Desta vez vai.

O artigo foi celebrado em veículos oficiais dos jogos de azar. Imprudências desse tipo não aconteciam com a mídia brasileira desde a IstoÉ a última fase da Editora Abril, com Roberto Civita.

Ao mesmo tempo, multiplicaram-se eventos com patrocínio da Refit (a Refinaria de Manguinhos, envolta em mil problemas) e da Confederação Nacional do Comércio (CNC), uma espécie de CBF do comércio.

Foi o exemplo mais notável de um setor que jogou a toalha, porque partindo de um grupo que dominou completamente o mercado publicitário brasileiro por décadas. Hoje em dia, há em curso movimentos das associações de jornais e emissoras de televisão visando ampliar a possibilidade de aumento da participação estrangeira.

Peça 4 – a reestruturação dos grupos nacionais

Esse será o próximo movimento e, aí, sobressairá uma figura que começa a ampliar cada vez mais sua influência sobre o mercado de mídia: os grupos financeiros.

Nos últimos anos, grupos financeiros passaram a atuar na linha de frente da mídia, com a aquisição da Abril-Exame-Veja, e de uma série de sites temáticos, pelo BTG Pactual, o site financeiro da XP.

Nenhum grupo global que se preze arriscará a montar parcerias minoritárias com grupos nacionais, em função do alto grau de endividamento, da ausência de modelos de controle administrativo, da gestão familiar e da maneira pouco sofisticada de colocar a mídia a serviço de outros interesses comerciais.

A intermediação se dará através dos grupos financeiros, seguindo o modelo CNN: um bilionário de fora da mídia entrando como sócio. Dentro desse modelo,  bancos tipo BTG irão atrás de grupos internacionais, montarão modelos societários com sócios brasileiros e seus representantes. E se terá não uma mídia nacional internacionalizada, mas a mídia global definitivamente hegemônica no país.

Peça 6 – os riscos para a democracia

A crise política global já demonstrou, à farta, os riscos para a democracia da concentração no mercado de opinião.

Consumados os movimentos acima, o mercado de opinião brasileiro ficará assim:

1.        Grupos financeiros assumindo o comando da mídia nacional, ou organizando modelos de aquisição para grupos globais. Os grupos de mídia nacionais ajudarão a desarmar cada vez mais a opinião pública em relação ao desmonte do Estado e aos negócios da privatização. Com a fragilidade das instituições nacionais, o estrago será inevitável

2.        Grupos internacionais de melhor nível, mas também fechados em torno das bandeiras da desregulação e da desmontagem das redes de proteção social.

A única alternativa são sites independentes, à esquerda e à direita. Mas justamente esses sites estão sob um duplo tiroteio.

Um deles, a perseguição promovida pela Justiça, especialmente a de São Paulo e do Rio de Janeiro. E o lawfare promovido pelos grupos ligados a Jair Bolsonaro e a João Dória Jr., entre outros grupos truculentos.

Outra, são os movimentos das redes sociais. Recentemente, uma mudança nos algoritmos do Google derrubou pela metade a audiência – e o faturamento – de sites jornalísticos de diversas tendências.

O que seria? Cautela em relação à polarização política? Acordos nebulosos com grupos nacionais?

Obviamente, em ambos os casos há atentados explícitos ao direito de informação. Essa será a grande discussão política dos próximos meses.

Seria relevante que o Conselho Nacional de Justiça, a Procuradoria Geral da República, as Escolas de Magistratura e do Ministério Público montassem discussões sobre o tema, mas de forma aberta, juntando não apenas associações dos grupos de mídia, mas representantes de mídia alternativa e especialistas em direito à informação.

E que o Congresso passasse a analisar seriamente a proibição do controle de grupos de mídia por grupos financeiros.

Essa foi uma das recomendações principais na primeira reunião do grupo de discussão Amigos e Amigas de Luis Nassif, integrado por figuras ilustres do mundo jurídico, jornalístico e acadêmico.,

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18 comentários

  1. Marília,Registro e Sorocaba com medidas mais duras.O q tem lá economicamente de relevante e coincidente?Huuum,teorias da conspiração !!!
    Obs:ggn favor não me censurar na forma de liberar meu comentário só quando artigo sai de destaque,sem mais, obg !!

  2. Prezados camaradas

    Posso falar um grande asneira, mas pelo que entendi do post, o fenômeno de grupos financeiros (sempre essas pragas, parasitando tudo) fagocitando mídia tradicional é brasileiro. Isso ocorre nos outros lugares, com os grandes grupos de mídia? Há grupos financeiros como sócios ocultos destes grupos (o Prof.° Ladislao Dowbor publicou um livro provando que este capital financeiro se enfioi em tudo, vampirizando todas as atividades)

  3. Qual é a pior hipótese possível dessa análise?
    Os grandes grupos de mídia brasileiros, como Globo, Folha, Estadão, Veja, RBS etc, serem controlados por grupos financeiros nacionais como o BTG e outros semelhantes, em sociedade com os bilionários cassinos americanos?
    É isso?

  4. Bem, sem definir antes o que é democracia, ou o que seria, não podemos determinar a validade, ou melhor, a utilidade do texto e da proposta.

    Com o advento da imposição do capitalismo como sistema e modelo de organização econômica do mundo, e por conseguinte, das relações sociais, até que o homem passasse a ser uma mercadoria (asset) equiparável àquelas que produzia, os donos do capital se viram às voltas com um problema (e grande).

    Com o ajuntamento de enormes massas de trabalhadores (as) em linhas de produção gigantescas, e estas por suas vezes associadas em largas cadeias produtivas, houve um movimento drástico de gente pelos territórios, quando grandes cidades surgiram, e daí, toda sorte de conflitos e atritos da sociabilidade e de gestão desses amontoados de pessoas e trabalhadores.

    Para sermos rápidos e superficiais, esse processo deu vazão ao surgimento das estruturas de controle social, necessárias e imprescindíveis à estabilidade do capitalismo para acumulação.

    Aos poucos, as lutas por melhorias foram institucionalizadas em sindicatos, e a luta por melhorias das cidades em sistemas políticos representativos.

    No campo da produção de conteúdo social de comunicação foi a mesma coisa.
    Era preciso massacrar qualquer chance de mídias que veiculassem tais insatisfações, pois naquela época, a maioria dos partidos e organizações sindicais (em grupos ou não) mantinham órgãos de imprensa.

    Claro que tais processos não foram lineares, e variavam de cada pedaço de território para outro, e de cada país a outro.

    A mídia empresarial NUNCA foi comprometida com democracia alguma, pois ela surge antes dos sistemas políticos mais sofisticados, justamente para dar conta da necessidade de sistematizar e direcionar a produção de conteúdo, com vistas a manipular o ânimo político das pessoas.

    Após 1789, na França, havia os panfletos apócrifos dos camelôs, distribuídos como os atuais tabloides de fofocas, herança do tempo em que o alvo das chacotas eram as cortes absolutistas no tempo pré-Bastilha.

    Algo parecido com a cacofonia da internet atual.

    Logo, os barões entenderam a importância de controle daquele setor.

    Ao mesmo tempo, os sistemas sufragistas ganhavam espaço em alguns locus capitalistas, quando as elites capitalistas também perceberam que sem ceder alguma fatia do controle (ou pelo menos, a expectativa de) político, as coisas poderiam ir por água abaixo.

    1848, 1870,1917 e tantas outras revoltas foram cruciais para este entendimento.

    Assim, a chamada “democracia” capitalista foi se instalando, dando a ilusão aos trabalhadores que suas lutas deveriam estar adstritas à institucionalidade representativa, criando hierarquias de poder e mandatos, enquanto isolavam os movimentos anticapitalistas.

    A mesma coisa no que toca a mídia: a tal da imprensa livre (empresas de mídia) passou a controlar o “quanto” de liberdade era tolerável, e quem podia dizer o quê.

    Portanto, estes esquemas de representatividade chamados de “democracia’, assim como as empresas de mídia, que passaram a significar e aprisionar toda a ideia de expressão e direito social à comunicação, nunca tiveram qualquer compromisso com democracia.

    Se entendermos democracia como chance de alternância REAL de poder, com alteração das estruturas de desigualdade, ou ainda, que algo maior que a simples formalidade majoritária (voto da maioria), o capitalismo nunca permitiu, nem permitira qualquer forma democrática de política.

    Do mesmo modo, isso se aplica aos conglomerados de mídia.

    Seu papel era um só: controle.

    O que está em curso, já disse antes, é a mudança estrutural da forma de controle.

    Antes tínhamos, como narrou o texto, um modelo vertical unilateral de controle, dedicado a massacrar as vozes dissonantes ao sistema, e por favor, não me digam que Boulos na FSP é exemplo de “pluralidade”.

    Agora, o modelo é controlar a cacofonia horizontal, com chances de exploração econômica jamais vistas, de resposta instantânea, em escala quase que galáctica.

    Não há risco algum a democracia, simplesmente porque ela nunca existiu, e nem poderia existir dentro do capitalismo e com seus grupos de mídia.

    Ao contrário, todos os sopros democráticos aconteceram à revelia destes sistemas, fazendo-os ceder espaços à fórceps.

    Como o capitalismo agora, em sua fase de pulo ao pós-capitalismo parece acenar que não mais precisa dos arranjos estatais (representativos) e dos modelos antigos de mídia, já era e…boa sorte, meus caros

    • Sobre sua resposta de ontem ao meu comentário no outro post, ela foi mal educada, mas marxistas são amargos mesmo, nunca vi um que não fosse, nem mesmo os meus jovens colegas da FFLCH de décadas atrás, aliás, os últimos marxistas bem humorados devem ter sido Trotsky, Alexandra Kollontai e Emma Goldman.
      Eu disse isso ao fundador do Exército Vermelho, na sua sepultura no jardim da casa de Coyoacán, quando lá estive: “Tovarich, você foi o último revolucionário charmoso e bem humorado, com revolução e tudo.”
      Já para a múmia cor de cenoura do Lenin, lá no mausoléu da Praça Vermelha, nada se pode dizer, porque a fila anda rápido e os soldados russos que vigiam aquela coisa estranhíssima não são nada amáveis. Saindo fora do sarcófago, se topa com a sepultura do velho assassino Stalin, bem atrás do mausoléu, no pé da muralha do Kremlin, mas aí sim é que nada se pode pensar em humor e graça: com Stalin.
      Enfim, não entendi um ponto: “Não há risco algum a democracia, simplesmente porque ela nunca existiu…”
      Não? Nada foi democrático no mundo em lugar nenhum?
      Aquela coisa implantada pelos bolcheviques também não foi democracia?

      • Defina para mim sua ideia de democracia e me diga quando e onde foi implantada.
        Na definição que ofereci(de alternância de poder), a resposta parece óbvia, não?
        Em que lugar ou tempo o estamento esteve ameaçado de deixar de sê-lo pela chamada via democrática?
        E pior, quando o estamento achou que estivesse sob ameaça, a resposta foi democrática?
        Então , camarada la croix, provar que não houve democracia me parece bem mais fácil que a sua tarefa.

        • Isso é sofisma, tovarich.
          Democracia é simples desde os iluministas todos. Uma constituição sustentando um corpo de leis que garantam três poderes livres e independentes, direitos individuais, direitos sociais, liberdade de expressão, de reunião, de culto, partidos políticos da extrema-direita até a extrema-esquerda na outra ponta, eleições regulares para alternância no poder de partidos de todas as tendências políticas, direito de propriedade, direito de manifestação etc.
          Isso é democracia, que alguns chamam de “liberal”, outros de “burguesa”, como queiram, é Democracia.

          • Bem, la croix, engraçado ver você descrever aspectos formais da sociabilidade institucional capitalista como democracia.
            Não dava para esperar algo diferente.
            Nem vou dizer que parte destas formalidades estiveram presentes em ditaduras: partição administrativa de poderes (eles nunca são independentes, ainda que esta balela seja repetida), estruturas jurídicas, liberdade de culto (a redentora pouco mexeu neste tema), havia até “eleições” e bipartidarismo.
            Jornais ficaram abertos.
            Enfim…o que interessa é a pergunta:
            A sua democracia permitiu alternância de poder aonde?
            Quando houve governos mais a esquerda eleitos, como a direita os removeu?
            Dentro das regras?
            Amigo, eu sou um anticapitalista.
            Zombar com apelidos russos ou me chamar de inimigo paranoico do capital não é ofensa.
            É elogio.
            Encerro por aqui, pois acho que nada há para avançar com este colóquio.
            Passar bem.

        • Acho que sem saber, você deve ser sobrinho-neto do Ievgueni Preobajenski, com esse foco total no capitalismo como o Grande Inimigo. Ele foi o principal líder da Oposição de Esquerda, “naqueles dias gloriosos que não voltam mais”.

    • Entendo, Felipe, debates não devem mesmo ser muito longos, porque se tornam chatos. Eu sou social-democrata, desde a juventude, me coloco na centro-esquerda, não acredito em destruir o capitalismo, acredito em reformá-lo, e o que me ensinou a ser assim foram os muitos livros que li sobre a Revolução Russa, que fracassou e isso era óbvio desde muito antes nos anos 1970, quando comecei a ler.
      Por isso, eu discordo de cada parágrafo e de cada sentença que você escreve, mas leio porque os textos são bons e eu aprendo com eles, sempre aprendo com o que é bem escrito, mesmo quando se aprende não concordando com nada.

  5. Todos nós testemunhamos o 1° Golpe de Estado dado pelas Big Techs nos EUA contra Trump durante todo tempo a medida que a eleição se aproximava levando Biden à vitória, e a cereja foi suspender a conta de Trump no Twitter e as outras irmãs seguiram. As BigTechs mostraram que são mais poderosas que o Estado e Governos e vejam não foi na África nem na América Latina, foi nos EUA.
    Agora é chegado a vez do Grande Irmão .

  6. Qualquer pessoa com 2 neurônios sabia que o modelo de gestão familiar das mídias nacionais estava fadada ao fracasso. Num capitalismo da era pós-digital é patético ver os destinos de uma empresa estratégica ser decidido no almoço de domingo por herdeiros ignorantes, medíocre e alcoolizados.

    Partindo do pressuposto que nada pode ser pior do que globo, estadão, folha, RBS, veja etc não tenho receio algum da entrada de estrangeiros no mercado nacional de mídia.

    Na minha visão a CNN é muito superior e mais interessante do que a ordem unida praticada diariamente pela globonews, ‘jornalismo’ este qualificado por boninho como chato e monótono.

  7. FORA DE PAUTA.
    Glória ti nessa altura sagrada
    És o eterno farol,és o guia
    És,senhor,sentinela avançada
    És a guarda imortal da Bahia.

    Para Luís Nassif,a quem tanto devo,
    esse belo verso do Hino do Senhor do Bonfim,em seu dia,nesses tempos de cegueira e escuridão,que lhe sirva de estímulo, conforto e serenidade,como um ponto de luz na noite mais escura.

  8. A presidente Dilma foi derrubada pela parceria mídia-tucana, que estavam completamente apavorados pelas novas ultra-modernas mídias.
    Tanto as grandes mídia nacionais quanto os políticos que se julgam possuidores do Estado profundo (castas detentoras dos melhores empregos e oportunidades, entretanto mantém razoavelmente o equilíbrio social), que nunca quiseram uma sociedade diferente. (Nassif dissertou sobre a teoria do Estado profundo, fantástico!).
    Para o plano ter dado certo, Temer e posteriormente, Bolsonaro não deveriam ter sido presidentes porque eles não representam o Estado profundo, o primeiro faz parte da politicagem antiga onde o Brasil era uma Bolívia, o segundo é inepto.
    A verdade é que toda união em torno do Estado profundo não iam conseguir frear a tecnologia em direção ao futuro – o senhor de todas as discórdias sociais, porque geram Liberdade, em detrimento de desemprego em massa, riscos de suspensão temporaria dos pagamentos aos aposentados, outrossim costumes polêmicos como a legalização do aborto e a manipulação genética de seres vivos para serem melhores, mais fortes e mais bonitos.

  9. Revendo os fatos relatados aqui e na conversa da tv ggn, eu consigo ver uma possível explicação para a forma como a copa de 2014 e a olimpíada Rio2018 foram tratadas pela globo e seus satélites da mídia.
    Na época me parecia absurdo que os dois maiores eventos esportivos fossem tratados pelo viés da escandalização/menosprezo/demonização, mesmo considerando que eram obra do petê, o inimigo mortal a ser destruído.
    Me parecia muita burrice jogar contra as maiores alavancas de audiência e fontes de patrocínio, era muito delírio de poder/arrogância.
    Talvez uma explicação mais plausível seja a faca dos escândalos da fifa colocados no pescoço da globo pelo departamento de justiça/fbi, resultando na campanha de desestabilização total, cuja primeira consequência foi a desastrosa final da copa, depois o golpe, lavajato e a ladaira que ainda estamos rolando abaixo.

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