21 de maio de 2026

Ministro Fachin (Código Barrichello e a morte do cão Orelha), por Armando Coelho

Como há muita água para rolar debaixo dessa ponte, melhor manter distância, nem fazer julgamentos e leituras precipitadas.
Foto de Hikaru Barata - Creative Commons

Ministro Edson Fachin propõe código de ética para o STF, após mais de dez anos de sua posse no tribunal.
Artigo critica populismo penal e criação de leis sob pressão popular, citando casos como Daniella Perez e Boate Kiss.
Autor destaca falhas da máfia judicial de Curitiba e questiona eficácia de novas normas para conter corrupção no STF.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

Ministro Fachin (Código Barrichello e a morte do cão Orelha)

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

por Armando Rodrigues Coelho Neto

No texto passado, o olhar sarcástico desse colaborador recaiu sobre a decadente elite brasileira, com foco na hipocrisia e falso moralismo no trato dos crimes de lesa-pátria, dos quais ela desfruta, e fica até surpresa que ricos frequentem os mesmos lugares, comam no mesmo cocho, lavem dinheiro na cachoeira. A rigor, são carrascos e vítimas dos instrumentos que criam, como diria Raul Seixas.

Ora como farsa, ora como tragédia, as histórias se repetem, e, como ministros da Suprema Corte, acabam sendo oriundos dessa mesma elite ou são içados ao cargo por essa mesma elite, não dá para entender certas perplexidades diante de determinadas condutas. Afinal, já dizia o ex-ministro Sepúlveda Pertence (STF): ministros não têm passado, só têm futuro. Não vale o que antes postulavam.

O país viveu uma tentativa de golpe patrocinado pelo crime organizado, e que ainda encontra prepostos dentro do Congresso Nacional. Enquanto o país ainda se regozijava da coragem do ministro Alexandre de Moraes nessa luta contra o fascismo, não sem perniciosas críticas, do outro lado, por razões obscuras, o ministro Dias Toffoli, pelo avesso, roubou a cena de seu colega com o Caso Master.

Como há muita água para rolar debaixo dessa ponte, melhor manter distância, nem fazer julgamentos e leituras precipitadas. Em algum momento, certamente Toffoli poderá explicar, num juridiquês qualquer, por que raios os alhos têm ou não a ver com bugalhos. Mas, até que o Zepelim Brilhante apareça entre nuvens, o STF permanece como a Geni, no país de horrores e iniquidades.

Em meio ao alarido popular e às vésperas do STF completar 135 anos, o ministro Edson Fachin descobre que aquela Corte precisa de um código de ética. Aliás, mais de dez anos após sua posse, e quase o mesmo tempo que levou para descobrir que a máfia judicialesca de Curitiba/PR era incompetente para julgar crimes de múltiplas jurisdições, e até tentou, com duvidosa ética, sacramentar os crimes do M….

Permita o leitor uma breve nota. É que hoje, no Senado, um ex-juiz pilantra, então membro da Máfia curitibana, fez discurso favorável ao Código Rubinho Barrichelo do Fachin. Foi nauseante assistir a um trapaceiro da lei, da moral e da ética, parvejando sobre valores nobres. Justo ele, que volta às páginas policiais por conta de denúncia do ex-deputado estadual Tony Garcia. Alô, Daniela Lima, justo ele!

De volta ao Fachin, registre-se: sucumbiu ao populismo penal, caiu na perniciosa esparrela de criar uma lei para atender à opinião pública. Sob pressão da malta, age como se já não existisse uma Lei da Magistratura, um Código de Ética do Servidor Público, um Conselho Nacional de Justiça, como se não fossem princípios constitucionais a honestidade, probidade, reputação ilibada, idoneidade, ética.

Não custa lembrar que existem penalidades administrativas e penais para a violação de tais postulados. Sob pressão da turba, até a Ordem dos Advogados do Brasil entrou na farra, como se as grandes bancas de advocacia que gravitam em torno da Corte não tivessem, por detrás, violações igualmente consagradas aos valiosos profissionais, essenciais para a promoção e consolidação da Justiça. Ora, pois!

No passado, sob comoção intestina e populismo penal, foram criadas leis por conta de Daniella Perez, Boate Kiss, Isabella Nardoni, Carolina Dieckmann e, até mais recentemente, diante da chacina carioca e da Operação Carbono Oculto, tentou-se emplacar a PEC da impunidade para blindar parlamentares bandidos, com a supressão de poderes da PF, sob simpatia de Tarcísio de Freitas.

O repertório é grande, e a compulsão repressora simplista é tão enraizada que, por conta da sádica dizimação do cão Orelha, até o Chupetinha chegou a pedir endurecimento de penas por maus-tratos aos cães (só para cães, claro!). E aí, hoje, enquanto Carmen Lúcia apresentava seu decálogo ético de obviedades, um senador do PL pedia apoio para um manual de conduta, regras para adoção, etc, etc.

Do Código Rubinho Barrichello do ministro Edson Fachin ao cão Orelha, o brasileiro está cansado de leis produzidas na base do populismo penal. Se com as leis já existentes, a Máfia de Curitiba e suas falanges gaúchas estão impunes e não tem sido possível preservar a aura do STF, não será com mais uma lei de afoitezas que se irá inibir a vaidade, ganância e os mistérios da Corte Suprema.

Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepautaggn@gmail.com. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: https://www.catarse.me/JORNALGGN

Armando Coelho Neto

Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

4 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    4 de fevereiro de 2026 12:51 pm

    Os caras de toga contornam o texto da Constituição, esquecem o regimento, descumprem acintosamwnde a Lei Orgânica da Magistratura, pisoteiam o Estatuto da OAB e aplicam a legislação “a la carte” de acordo com quem é parte no processo ou observando o nome do advogado que assinou a petição. Código de Ética para juizes no caso do Brasil faz-me rir. Talvez fosse melhor aprovar um Código de Estética, porque juizes e desembargadores que ganham salários acima do teto e penduricalhos abaixo da moralidade tem o dever de usar ternos de 10 mil dólares, no mínimo.

  2. Rui Ribeiro

    4 de fevereiro de 2026 1:14 pm

    “Caros, conversei 45 m com o Fachin. Aha uhu o Fachin é nosso”. – Dallagnol

    Por mais que tenha se tornado um pilantra, o Barroso, no início da sua magistratura no STF, era contramajoritário. Julgava sem dar satisfação à opinião pública, ao contrário do Marco Aurélio. Olha o arranca-rabo entre os dois Ministros:

    Barroso – “Como quase tudo que faço na vida, faço o que considero certo. Sou um juiz que me considero pautado pelo que é certo, correto. O que vai sair no jornal do dia seguinte não faz diferença para mim”

    Marco Aurélio: “Pois para mim, faz!

    Barroso: “Fico muito feliz quando uma decisão do tribunal constitucional coincide com a opinião pública. Mas se o resultado não for (coincidente), aceito a responsabilidade do meu cargo. Não julgamos para a multidão, julgamos pessoas”.

  3. Paulo Dantas

    5 de fevereiro de 2026 1:39 pm

    Briga de faca não tem regra.

    https://m.youtube.com/watch?v=w9KBOhPXhds&pp=ygUeYnV0Y2ggY2Fzc2lkeSBhbmQgdGhlIHN1bmRhbmNl

  4. PAULO MAURICIO GONCALVES

    5 de fevereiro de 2026 2:39 pm

    O texto do Rodrigues, na minha leitura, se resume na palavra do Raul Seixas: A rigor, são carrascos e vítimas dos instrumentos que criam.
    São oriundos da mesma elite e interesses comuns que compartilham. Com honrosas exceções, é claro…

Recomendados para você

Recomendados