Para o populista de direita o caminho natural é o golpe, por Anjuli Tostes

A agenda ultraliberal proposta hoje não se sustenta dentro dos parâmetros da democracia liberal, que é dependente das aparências e está em processo de falência.

Para o populista de direita o caminho natural é o golpe

por Anjuli Tostes

É impossível atender os anseios da população por um sistema (ou antissistema, se considerarmos o atual) que garanta uma melhora no padrão de vida das classes médias e das classes baixas a partir do neoliberalismo. Na verdade, a estratégia econômica neoliberal, implementada desde Reagan, foi um catalisador para a atual crise das democracias liberais, e que culminou no cenário de pós-democracia que temos hoje, com desigualdades extremas.

Mas as pessoas, em geral, desconhecem os mecanismos macroeconômicos. E desconhecem mais ainda a lógica de funcionamento do mercado financeiro, e sua agenda para drenar recursos do capital produtivo e dos trabalhadores.

O populismo se reconecta a esses anseios das massas, porque lê suas necessidades e se comunica com elas, diretamente, forma muito diversa ao modus operandi tradicional das instituições democráticas liberais. Mas o populismo de direita não oferece, naturalmente, a resposta adequada, porque seu receituário neoliberal leva ao aprofundamento da crise econômica que é pano de fundo da crise da democracia liberal.

Por isso, o caminho natural para um líder populista de direita é o golpe. A agenda ultraliberal proposta hoje não se sustenta dentro dos parâmetros da democracia liberal, que é dependente das aparências e está em processo de falência. O modelo de pacto social que temos hoje, materializado na Constituição de 1988, não comporta o ultraliberalismo, por isso ela precisaria ser reescrita, sem os tradicionais checks and balances. No médio prazo as pessoas se sentirão traídas? Sim, porque a vida das massas vai piorar. Mas, depois de um golpe, isso não faz realmente diferença.

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É preciso que as forças progressistas reajam. Pra ontem.

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