Riscos da Fundação Lava Jato à democracia, por Eduardo Ramos

Como praticamente não há limites para se definir com objetividade o que venha a ser “o combate à corrupção”, escolhas para investir o dinheiro são infinitas

Foto: Divulgação

Por Eduardo Ramos

Trecho de comentário à publicação “Com 2,5 bi em caixa, a Lava Jato se prepara para substituir o bolsonarismo, por Luis Nassif

Com essa Fundação e os 2,5 bilhões de reais, o Brasil se tornará um refém indefeso nas mãos da Lava Jato.

Como praticamente não há limites para se definir com objetividade o que venha a ser “o combate à corrupção”, as escolhas aonde investir o dinheiro são praticamente infinitas. Façamos um exercício de imaginação:

1 – Congressos, no Brasil e no Exterior, montados por “empresas amigas”, talvez com sócios amigos ou mesmo familiares dos procuradores e juízes, onde cachês milionários seriam pagos a “ilustres palestrantes”, com a participação dos juízes e procuradores da Lava Jato e (por que não…) de todo e qualquer juiz, ministro e procurador que “se alinhe” às ideologias, programas, política públicas defendidos pelo pessoal da Lava Jato. Seria uma promiscuidade sem fim, aonde grana, acesso à fama, aos holofotes da mídia poderiam ser distribuídos largamente a todos os que quisessem se aproveitar da farra no bordel da Lava Jato.

2 – Imaginemos uma rede de TV que queira oportunamente lançar um programa semanal, em horário nobre, tendo como “convidados” juízes, procuradores e ministros, além de políticos amigos, para exporem suas ideias à nação brasileira… Ora, tendo 160 milhões de reais por ano, apenas em ganhos com aplicações, essa Fundação poderia “patrocinar” tal programa, com algo em torno de 40 milhões de reais ao ano, e ainda assim teria em caixa 120 milhões para gastar no que quisesse. Seria como ter um programa político toda semana em horário nobre, para alavancar as carreiras dos abençoados escolhidos pelos senhores procuradores e juízes… Tudo sob o disfarce de temas sempre ligados ao “objetivo” da Fundação – “combater a corrupção”.

3 – Blogueiros independentes com um viés de esquerda democrática vivem com o “pires na mão” para não fecharem, tamanha as dificuldades financeiras de se manter no Brasil um blog jornalístico não alinhado com a direita fascista que tomou o poder no país. O que teríamos em relação aos blogs? Uma farta distribuição de “verbas publicitárias” para os blogs de direita, que poderiam investir pesado em tecnologia, jornalistas e publicidade de seus próprios blogs, alavancando sua audiência. Movimentos como o MBL, que já causaram um estrago imenso com a profusão do ódio e das Fake News, voltariam, fortalecidos como nunca e, obviamente, sendo armas poderosas de ataque aos inimigos, agora sob o controle total dos procuradores e juízes da Lava Jato.

Paro por aqui. A lista de malefícios seria quase interminável. É preciso gritarmos a loucura que representa permitir que essa obscenidade siga em frente. Que o STF tenha, ao menos dessa vez, a noção histórica do perigo para o Brasil, enquanto nação minimamente livre, de ter essa Fundação e essa verba quase inacreditável para uso controlado por tão poucos juízes e procuradores de uma Vara de primeira instância.

O que está em jogo aqui é coisa séria! É a possibilidade ou não, de voltar a existir um Brasil democrático, plural, civilizado, ou um perverso, nas mãos de manipuladores da pior espécie.

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