As rocambolescas apreciações jurídicas da dupla Malu-Merval
por Tarso Genro
“Juristas” improvisados e tendenciosos, como Merval e Malu, deveriam estudar mais um pouco para jogar todo o STF na lama, como tem feito, colocando todos os seus Ministros sob a mesma lente.
Recuperemos uma experiência histórica.
Saibam, por exemplo, que na Alemanha nazista os Juízes dispensavam as “tecnicalidades” e “garantias” da ampla defesa e da previsibilidade processual, porque estas não existiam nem formalmente: o seu único dever formal e material era decidir conforme a vontade do Führer, cujo estado total dava sentido à ideia de nação, perseguida pelo partido-estado nazista.
Pelo que me consta a Globo não é uma ideia de nação, mas uma empresa de comunicação, logo deveria atentar melhor para o que precisamente estão falando seus empregados, não para censurá-los ou demiti-los, mas para lhes passarem uma pequena lustrada para que possam falar como “juristas” menos rústicos.
No nazismo, como se sabe, nem os Juízes nem os jornalistas precisavam pensar, e sequer os réus precisavam ser ouvidos. Tudo já estava definido.
Ora, no Estado de Direito, as formas processuais e as garantias – para os Juízes e para os réus – não são somente direitos dos réus, dos Juízes ou dos investigado, mas sobretudo instrumentos de defesa da sociedade.
Por quê?
Porque sem formas previsíveis e aplicáveis em cada caso concreto, uma inquirição informal – um inquérito sem obediência de regras ou uma sindicância sem objeto -podem instituir um Tribunal de Exceção, mesmo dentro de uma democracia constitucional em funcionamento. É o cumprimento de regras – não uma “falsificação (ou omissão) do direito positivo” – que garante as formas de vigiar, apurar e punir, inclusive para impedir a ditadura dos juízes e fechar as brechas para exceção.
Eu imagino o constrangimento dos colegas que são chamados pela Globo News, para chancelarem as apreciações jurídicas da dupla Malu- Merval, quando fazem rocambolescos raciocínios para não dizerem o essencial: as leis (que impõem os “tecnicismos”) – como dizem eles – devem ser cumpridas, porque as formas processuais e inquisitórias são veículos de determinadas normas constitucionais, que, se não forem observadas, despejam a democracia no lixo e jogam a república para o espaço.
Ao gosto, tudo indica, do Merval e da Malu.
Tarso Genro – Advogado, Prefeito de Porto Alegre, Ministro do governo Lula e Governador do RS. Pai da Luciana e da Vanessa e avô de três netos. Casado com Sandra Bitencourt.
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Fábio de Oliveira Ribeiro
17 de setembro de 2026 4:04 pmMendonça inaugurou uma nova rodada de selvageria judicial, mas o Supremo Tribunal Federal não é capaz de reprimir os abusos que ele comete para beneficiar eleitoralmente Flávio Bolsonaro. Os ministros do STF deveriam em tese ser guardiões da Constituição, mas alguns preferem guarda-la no armário e se dedicar aos negócios, às trocas de favores e até ao predomínio do mantra “mais Bíblia menos Constituição”. A quem respondem os Ministros da Suprema Corte? À população brasileira, à grande imprensa neoliberal ou aos picaretas da Embaixada dos EUA. Durante a ditadura, militantes gritavam “Chega de intermediarios, Lincoln Gordon para presidente”. Quem é o presidente de fato do STF? Marco Rubio, Pete Hegseth ou o general do SOUTHCOM?
GalileoGalilei
17 de setembro de 2026 10:45 pmMais cedo, por coincidência, no artigo da Letícia Sallorenzo, escrevi meu comentário sobre essa dupla Merval/Malú. Vou reproduzí-lo aqui:
Lendo os comentários dos colunistas do Globo sobre a sessão do STF da última terça feira, 15 de Setembro, encontro as seguintes coisas:
– De Merval Pereira:
longo artigo comparando cada ministro do STF a um avatar da Odisseia de Homero como se Merval fosse Zeus disparando raios do alto do Olimpo.
– De Malu Gaspar:
artigo intitulado “A estratégia do grupo de Alexandre Moraes para melar o julgamento”.
Fico tentado a usar do mesmo poder auto atribuído a esses colunistas e alçar-me também ao alto do Olimpo para analisar o comportamento deprimente desses jornalistas que talvez acreditem serem todos imaculados jogando pedras ao invés de apontar soluções.
Na condição de Zeus, eu escreveria assim:
“A tática do grupo de Merval Pereira, no jornalismo do Globo, para melar as eleições”.
GalileoGalilei
18 de setembro de 2026 2:38 pmMais cedo, por coincidência, no artigo da Letícia Sallorenzo, escrevi meu comentário sobre essa dupla Merval/Malú. Vou reproduzí-lo aqui:
Lendo os comentários dos colunistas do Globo sobre a sessão do STF da última terça feira, 15 de Setembro, encontro as seguintes coisas:
– De Merval Pereira:
longo artigo comparando cada ministro do STF a um avatar da Odisseia de Homero como se Merval fosse Zeus disparando raios do alto do Olimpo.
– De Malu Gaspar:
artigo intitulado “A estratégia do grupo de Alexandre Moraes para melar o julgamento”.
Fico tentado a usar do mesmo poder auto atribuído a esses colunistas e alçar-me também ao alto do Olimpo para analisar o comportamento deprimente desses jornalistas que talvez acreditem serem todos imaculados jogando pedras ao invés de apontar soluções.
Na condição de Zeus, eu escreveria assim:
“A tática do grupo de Merval Pereira, no jornalismo do Globo, para melar as eleições”.