A Folha e a ditabranda

Por Vivi

Nassif vc viu o panel do leitor da FSP de hoje, com a polêmica da “ditabranda” e o ataque a prof. M. Victoria Benevides e a Dr. Fábio Comparato?

A esse respeito escrevi para o Ombudsman:

“Toda vez que eu lhe escrevo juro a mim mesma que será a última, porque escolhi ignorar totalmente o que a FSP publica. Porém, como já disse anteriormente, os absurdos são tamanhos que acabam chamando minha atenção e aí… impossível não me indignar. Como por exemplo, com a polêmica da “ditabranda”, que por si só já é um escárnio, um desrespeito, uma traição aos valores democráticos brutalmente violados no período mais nefasto de nossa história recente, que culminou em décadas de retrocesso e atraso social, econômico e político – e que deixou como herança esse quadro político lamentável – sem falar nas centenas de vítimas de tortura, assassinatos perseguições e exílio!!!!!

Como se não fosse muito mais do que o suficiente, a nota de redação afirma: “Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua “indignação” é obviamente cínica e mentirosa.”

Com este ataque ofensivo, baixo e agressivo a dois importantes e respeitados intelectuais que “ousaram” discordar da opinião do jornal, a FSP finalmente tirou a sua última máscara e mostrou sua verdadeira e repugnante face.”

Parece que a FSP atingiu agora o mesmo nível de esgoto da veja. O que você acha?

A nota da Folha

Nota da Redação – A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações acima. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua “indignação” é obviamente cínica e mentirosa.

Por Stanley Burburinho

Folha classifica regime militar como “ditabranda” e “Nova falácia da Folha de S. Paulo: ditadura é a PQP!, por Celso Lungaretti”

Folha classifica regime militar como “ditabranda”

Sérgio Matsuura, do Rio de Janeiro

Em editorial – http://www.comunique-se.com.br/conteudo/newsshow.asp?menu=JI&idnot=50907&editoria=237 publicado na última terça-feira (17/02), sobre a vitória do presidente venezuelano em referendo, a Folha de S. Paulo classificou o regime militar brasileiro – entre 1964 e 1985 – como uma “ditabranda”. De acordo com o jornal, esses governos autoritários “partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça”.

O posicionamento do jornal foi duramente criticado pelo presidente da Associação Brasileira de Imprensa, Maurício Azêdo, que o considerou “lamentável”. Em sua opinião, a Folha, num só parágrafo, alinha uma série de “equívocos de caráter político e histórico”.

“Ao dizer que é uma ‘ditabranda’, o jornal esquece, por certo, das mortes ocorridas durante a ditadura. Esquece dos milhares que tiveram seus direitos políticos cassados, que tiveram que se exilar, sem contar os torturados nas masmorras da ditadura. É lamentável que se proceda a uma revisão histórica dessa natureza. O que era negativo passa a ser positivo, dando absolvição àqueles que violaram os direitos constitucionais e cometeram crimes, como o assassinato do jornalista Vladimir Herzog nos porões do Doi-Codi”, diz Azêdo.

O presidente da ABI lembra também que o direito ao habeas-corpus foi suspenso durante o regime militar: “Dizer que houve acesso à Justiça é uma falsidade de caráter histórico que deveria causar vergonha à Folha de S. Paulo”, diz.

O jornalista Milton Coelho da Graça, preso quatro vezes durante o período militar, também tece duras críticas ao editorial da Folha. Ele afirma que a empresa foi “subserviente à ditadura”, principalmente com a Folha da Tarde.

“Os jornalistas fazem muito bem ao não ficarem lembrando o passado dos jornais que se entregaram ao regime. A Folha comete um erro ao reabrir um debate que a ela não é útil. É bom saber que o jornal chama a ditadura de ‘ditabranda’. Será que a Argentina também foi ‘ditabranda’? Qual o limite para passar de ditadura para ‘ditabranda’?”, questiona.

Em resposta a uma carta de leitor publicada nesta quinta-feira, a Folha explica que na “comparação com outros regimes instalados na região no período, a ditadura brasileira apresentou níveis baixos de violência política e institucional”.

Procurados, o diretor de redação da Folha, Otávio Frias Filho, e o ombudsman do jornal, Carlos Eduardo Lins da Silva, não retornaram aos nossos telefonemas até o fechamento desta matéria.

http://www.comunique-se.com.br/index.asp?p=Conteudo/NewsShow.asp&p2=idnot%3D50905%26Editoria%3D8%26Op2%3D1%26Op3%3D0%26pid%3D32411881089%26fnt%3Dfntnl

Leia também:

Nova falácia da Folha de S. Paulo: ditadura é a PQP!, por Celso Lungaretti – http://www.comunique-se.com.br/conteudo/newsshow.asp?editoria=237&idnot=50906

177 comentários

  1. Francisco Latorre,

    Sou a
    Francisco Latorre,

    Sou a favor do imposto ditabranda para reparação histórica dos crimes contra a vida e os direitos humanos cometidos por estes assassinos, que ainda querem apelar para uma lei arquitetada por eles para anistiar-se.

    Tem um adepto. Monte sua proposta, estou contigo. Não vivi nada disso, mas sei do que você fala. Convivi com vários ex-presos políticos. Convivi com vários torturados.

    Estou contigo, farei campanha!

  2. Falácia pura a argumentação
    Falácia pura a argumentação da Folha de S. Paulo. Geralmente ditaduras de Direita praticam menos violências explícitas que ditaduras revolucionárias de Esquerda porque querem conservar a ordem social vigente, não destruí-la. Mas a ditadura brasileira pegou uma sociedade já bem injusta e expandiu a sua injustiça até às nuvens. A mecanização da agricultura, com a expulsão para a cidade de meeeiros, parceiros, etc., que a ditadura brasileira realizou, é a responsável pela favelização das nossas cidades, pela expansão do crime organizado, a destruição do meio ambiente, no que foi uma tragédia humana do mesmo nível que a coletivização forçada de Stalin na URSS de 1930. Mas esperar que um jornal dirigido pela família de quem o Nelson Werneck Sodré considerava um “negociante de frangos” se dê conta disso, era esperar demais, não é mesmo?

  3. li todos os comentarios,
    li todos os comentarios, muitos me comoveram, mas concordo com o comentario do lau…

    Qualquer coisa que vier da folha em termos de de opiniao politica virah com o selo da elite demotucana que quer retomar a presidencia em 2010 com o serra…

    o editorialista ditador ditou que a ditadura era branda…
    E ditou!
    e dita!
    e ditarah!
    Sempre conforme as circusntancias, o tempo e o espaco e os intreresses que propiciem para quem dita e dita voltar ao poder politico em 2..010.

    A FSP ja esculhambou com meio mundo da area cultural…

    Lembro do wisnick ha tempos falar sobre as sacanagens que fizeram com ele.

    Agora com o Comparato e com a Maria benevides…

    O tal editorialistga da fsp sabe que com quem sabe da historia nao adianta ele contar parfa chegar aonde quer: 2.010.

    Ele sabe que a historia nao o perdoarah.
    Entao tem de seguir no velho esquema da direita: acusar os que sabem das suas maquinacoes e ligacoes e-ditatoriais e transformar a acusacao em alibi para posteriores defesas do indefensavel…

    Enquanto a grande midia estiver na mao de poucas familias e nao se transformar verdadeiramente em sociedades anonimas, empresas dirigidas nao por famiglias mas por especialistas e profissionais, sob a vigilancia da sociedade, continuaremos com esse medo dos golpes direitistas…

    Essa grande midia,. porem, para ter credibilidade, precisa remover os proprios entulhos autoritarios que ela propria criou historicamente…(no caso da folha, o uso do carro de entrega de jornais-presos pela ditadura!)

  4. Caímos, ou chegamos perto, no
    Caímos, ou chegamos perto, no Fla x Flu que deveríamos evitar. Discutir se um regime que prende, tortura e mata é ditadura ou ditabranda torna-se irrelevante – sonhamos com uma Democracia, um regime em que o cidadão seja sujeito e não objeto. Há sistemas conservadores bastante democráticos – e um regime socialista tb não precisa ser ditatorial.
    Na Venezuela não há um preso político, nem um jornalista preso por delito de opinião (ao que me consta há um jornalista preso por estelionato, que a oposição alega ser por perseguição). Em Cuba há entre 200 e 250 presos políticos (no passado teriam sido cerca de 10 mil, segundo fontes anti=castristas), mas jamais houve tortura. As atrocidades no Chile e na Argentina foram mais numerosas, mas bastaria uma para fazer o regime condenável. Paremos de contabilizar os crimes para relativizar.
    O que importa nesta fase histórica das Américas é que cada povo aperfeiçoe seu sistema político, sempre visando a maior participação, a justiça social e o respeirto aos direitos individuais legítmos (para mim o latifúndio e a impunidade, por exemplo, não são direitos legítimos, porque anti-sociais). E todos os países citados aqui estão caminhando nesta direção. O Chile não é de esquerda, nem o Brasil, mas ambos dão passos importantes na melhoria das condições de vida, acesso à Educação, etc. Quando a Bolívia extingue o analfabetismo, conforme reconhece a Unesco, faz uma revolução que os conservadores jamais fizeram, e impediram que fosse feita. Se fosse um governo conservador, eu aplaudiria da mesma forma.
    O fato é que a direita brasileira é muito burra, prefere um país com 30 milhões de consumidores do que um com 190 milhões! Como já disse alguém, “os ricos da América Latina só se sentem ricos se estiverem cercados de miséria”. É esta visão retrógrada até em termos capitalistas que está sendo defendida no Brasil por alguns grupos políticos e parte importante da mídia. É isso que o povo brasileiro terá que derrotar.

  5. Quer dizer que quem mata 300
    Quer dizer que quem mata 300 é igual a quem mata 17 000, mais 24 000 que se afogaram tentando chega a outro mundo possível? E ainda está no poder passados cinquenta anos? Puxa Nassif!!!! Isto não se chama hipocrisia da grossa? As vozes que aqui gorjeiam não gorjeiam pelos de lá!

  6. hahaha
    “E que nossas mulheres
    hahaha
    “E que nossas mulheres não nos leiam, mas as argentinas são lindas.”

    e os argentinos???? são bonitos e charmosos, difícil não cair na sedução deles…

  7. Lamentável que também boa
    Lamentável que também boa parte (para não dizer toda ela) da mídia tenha se rendido aos mecanismos de influência negativa ao povo, mantendo a todos ora desnorteados, ora mal infomados com ‘achismos’. Foi-se o tempo que havia compromisso com o leitor e a intenção era realmente informar e levar a verdade.
    Qualquer recurso está sendo usado para vender notícia, e não importa mais o caráter e a postura diante de um público ou mesmo da massa, hoje se vende tudo.
    A mídia parecer ter tão pouca memória quanto os brasileiros em tempo de eleição. Um jornal que deveria manter sua credibilidade, ao afirmar bradura num período onde muitas vozes foram caladas sob tortura, contribui para que todo tipo de morte, violência, injustiça seja banalizada.

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