20 de agosto de 2026

Lula anuncia supercomputador de R$ 1 bilhão para pesquisas e inteligência artificial no Rio Grande do Norte

Equipamento será instalado em Macaíba, terá mais de 50 mil núcleos de processamento e poderá ser utilizado por universidades, empresas, centros de pesquisa e órgãos públicos
Crédito: Ricardo Stuckert

Lula anuncia supercomputador de R$ 1,06 bi no Parque Augusto Severo, RN, para IA e computação avançada.
Equipamento terá 7,2 quintilhões de operações por segundo e será usado por universidades, empresas e órgãos públicos.
Projeto integra Plano Brasileiro de IA e busca descentralizar investimentos, com cooperação no RJ e desenvolvimento em SP.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira (20) a instalação de um supercomputador no Rio Grande do Norte, com investimento previsto de R$ 1,06 bilhão. O equipamento será instalado no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo (PAX), em Macaíba, na Grande Natal, e será destinado a aplicações de computação de alto desempenho e inteligência artificial (IA).

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Durante a visita ao PAX, Lula afirmou que a escolha do estado faz parte de uma estratégia de descentralização dos investimentos em ciência e tecnologia. Segundo o presidente, outras regiões, como São Paulo e Campinas, também demonstraram interesse em receber o equipamento.

“São Paulo queria, Campinas queria. E por que eu decidi aqui? Porque eu acho que a gente precisa olhar o Brasil e os estados que mais necessitam”, afirmou.

Do total previsto para o projeto, R$ 960 milhões serão destinados à aquisição do supercomputador, enquanto outros R$ 100 milhões serão aplicados na preparação e operação da estrutura. Os recursos virão do CT-Infra, mecanismo de financiamento da infraestrutura de pesquisa, e a iniciativa integra o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA).

O equipamento terá capacidade de 7.200 petaflops em FP16, mais de 50 mil núcleos de processamento e consumo estimado em 4 megawatts. A estrutura fará parte de um novo Centro Brasileiro de Computação de Alto Desempenho e Inteligência Artificial.

Capacidade de processamento

Na configuração anunciada, o supercomputador poderá realizar até 7,2 quintilhões de operações por segundo em aplicações que utilizam o formato FP16, empregado em tarefas de inteligência artificial.

Para dimensionar essa capacidade, Marcelo Fernandes, diretor do Núcleo de Inteligência Artificial (Metrópole IA), do Instituto Metrópole Digital da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), explicou que, se 8 bilhões de pessoas realizassem um cálculo por segundo, seriam necessários aproximadamente 29 anos para alcançar a quantidade de operações que a máquina poderá executar em apenas um segundo.

O equipamento terá ainda mais de 50 mil núcleos capazes de processar simultaneamente diferentes partes de um mesmo problema. Segundo Fernandes, uma única pessoa fazendo uma operação matemática por segundo, sem interrupção, levaria cerca de 228 bilhões de anos para realizar a quantidade de cálculos que o supercomputador poderá executar em um segundo.

Uso por universidades e empresas

Segundo a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, a estrutura poderá ser utilizada por universidades, centros de pesquisa, empresas, startups e órgãos públicos.

A expectativa é que a capacidade computacional seja empregada no desenvolvimento e treinamento de modelos de inteligência artificial, além de pesquisas em ciência de dados e outras áreas que exigem grande volume de processamento.

O governo também prevê aplicações em setores como saúde, agricultura, clima, indústria e serviços públicos. Estudantes e profissionais poderão utilizar a infraestrutura em atividades de formação e qualificação.

Para a ministra, o projeto não se limita à compra do equipamento. O contrato deverá incluir contrapartidas das empresas envolvidas, com medidas destinadas a ampliar a capacidade tecnológica e científica do país.

Três frentes de supercomputação

A instalação no Rio Grande do Norte é uma das três iniciativas apresentadas pelo governo federal para ampliar a infraestrutura brasileira de computação de alto desempenho dentro do PBIA.

A primeira consiste na aquisição do supercomputador para o RN. A segunda prevê uma cooperação tecnológica com a China, com uma estrutura planejada para o Rio de Janeiro. A terceira envolve o desenvolvimento de chips com arquitetura aberta, em Campinas, no interior de São Paulo.

De acordo com o governo, as iniciativas buscam reduzir a dependência do país de capacidade computacional contratada no exterior e ampliar a estrutura disponível para pesquisas e desenvolvimento de modelos de inteligência artificial.

O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial prevê R$ 23 bilhões em investimentos entre 2024 e 2028, incluindo ações de infraestrutura tecnológica, formação de profissionais, pesquisa, inovação e desenvolvimento de aplicações de IA.

Por que o equipamento será instalado no RN

A escolha do Rio Grande do Norte é atribuída, entre outros fatores, às condições técnicas apresentadas pelo estado. A governadora Fátima Bezerra afirmou que a região oferece localização adequada e disponibilidade de energia de fontes renováveis.

O estado possui forte participação de fontes eólica e solar na geração de energia. Essa característica é apontada pelo governo como um dos fatores que favorecem a operação de uma estrutura de grande capacidade computacional.

A instalação também deverá ampliar a infraestrutura de pesquisa e formação em inteligência artificial e computação de alto desempenho no Nordeste, aproximando universidades, centros de pesquisa e empresas de tecnologia.

A expectativa do governo é que o projeto contribua ainda para atrair pesquisadores, startups e empresas do setor para o estado e para a região.

Após a agenda em Macaíba, Lula seguiu para Natal, onde participou de um ato político ao lado da governadora Fátima Bezerra e de aliados.

*Com informações do g1.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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