18 de junho de 2026

PL muda estratégia e propõe escala 4×3 para esvaziar PEC do fim da escala 6×1

Bancada governista aponta manobra da oposição para obstruir a PEC. Bancada do PL apoia em peso a chamada “emenda das 52 horas"
Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

▸ PL muda estratégia e apoia escala 4×3, condicionando voto ao fim da escala 6×1 na Câmara dos Deputados.

▸ Bancada do PL apoia emenda que permite jornada de até 52 horas semanais, gerando divisões internas no partido.

▸ Comissão especial da Câmara vota parecer que reduz jornada para 40 horas, com prazo para análise no plenário até quinta.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O PL (Partido Liberal) alterou sua estratégia sobre a redução da jornada de trabalho e decidiu apoiar publicamente a implementação da escala 4×3 (quatro dias de trabalho por três de descanso). A movimentação, articulada às vésperas da votação do parecer da PEC que prevê o fim da escala 6×1 na comissão especial da Câmara dos Deputados, é interpretada por parlamentares como uma tentativa de esvaziar o texto original ao elevar os custos políticos e econômicos da proposta.

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Até então posicionado contra a redução da jornada, o partido pretende condicionar seu voto favorável à extinção do modelo atual à aprovação de um destaque que institua os três dias de descanso.

Já que querem ajudar o trabalhador, eu quero ver amanhã os petistas botando a sua digital. Nós vamos votar o fim da escala 6×1 para aprovar como destaque, de preferência, a jornada de quatro dias trabalhados para o trabalhador descansar três. É isto que amanhã nós apresentaremos ao plenário desta Casa“, afirmou o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), em discurso na tribuna.

Divergências internas, emenda polêmica e manobra

Apesar do novo discurso público em defesa da escala 4×3, a bancada do PL apoia em peso a chamada “emenda das 52 horas”. O texto cria uma regra de transição de dez anos para a redução gradual da jornada semanal, mas abre brecha para um modelo que permite aumentar o limite de trabalho para até 52 horas semanais.

Ao todo, 62 dos 97 deputados da legenda assinaram formalmente o dispositivo, incluindo o próprio Sóstenes Cavalcante. Em declarações anteriores, o líder partidário já havia manifestado restrições à proposta original, que já chegou a afirmar em entrevista que “só acabar com a 6×1, cria um problema maior ao trabalhador”.

A repercussão negativa da emenda das 52 horas, contudo, abriu fissuras na bancada. Oito deputados do partido protocolaram pedidos formais para retirar suas assinaturas do texto, mas outros 54 parlamentares da sigla continuam vinculados ao documento.

A guinada do PL foi classificada como um artifício protelatório pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), autora da proposta que deu início ao debate sobre o fim da escala 6×1. “É mais uma manobra do partido que foi o tempo todo contrário à matéria e trabalhou para não avançar o texto”, declarou a parlamentar à CNN Brasil.

Tramitação acelerada na Câmara

O embate ocorre no momento em que a comissão especial se prepara para votar o relatório do deputado Leo Prates (Republicanos-BA). O parecer do relator sugere uma transição mais moderada: a redução da jornada máxima permitida por lei das atuais 44 horas para 40 horas semanais, a ser aplicada 14 meses após a promulgação da emenda constitucional.

A votação do relatório sofreu atrasos após um pedido de vista do deputado Mauricio Marcon (PL-RS), na segunda-feira (25). Para destravar o rito regimental, a Câmara realizou uma sessão extraordinária de apenas oito minutos nesta manhã (27), cumprindo os prazos necessários para que a matéria possa ser votada na comissão e, na sequência, siga para a análise do plenário até quinta-feira (28).

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

4 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    27 de maio de 2026 2:08 pm

    Os bovinos são burraldos. Vão acabar ajudando acabar com a escala de trabalho cujo fim eles são contra.

  2. Carlos

    28 de maio de 2026 1:48 am

    Insisto: está excrescência de partido precisa acabar.
    Abriga de tudo este “partido”, militar, polícia, “pastor”, “bispo”, menos seres comprometidos com o povo.

  3. Rui Ribeiro

    28 de maio de 2026 7:40 am

    Pastore olha a realidade pela otica dos exploradores. Ora, o fim da escala 6×1 não é custo. É devolução.

    *1. Quem paga a conta já pagou*
    De 1950 pra cá, a produtividade por hora trabalhada no Brasil subiu mais de 280%. A jornada legal caiu de 48h pra 44h em 1988. Só 4 horas em 74 anos. O resto virou lucro, dividendo, jatinho. O trabalhador financiou a automação, o software, a esteira nova. Manter 6×1 hoje é cobrar a mesma conta duas vezes. Aumentar custo da folha em 10% não é “gasto novo”. É pagar o atrasado.

    *2. “Vai quebrar empresa” é chantagem contábil*
    Margem líquida média do grande varejo: 6% a 12%. Dos apps de entrega: 15%+. Dos bancos: 20%+. O problema não é a folha. É que todo centavo que não vira salário vira bônus de diretor. Se padaria de bairro não aguenta, o problema é concentração, não jornada. Lei que protege vida não pode ser refém de quem não investiu em gestão nos últimos 30 anos. Senão a gente proíbe férias porque quiosque da praia não lucra em março.

    *3. 6×1 adoece, mata e sai caro pra todo mundo*
    OIT: acima de 55h/semana, risco de AVC sobe 35%, coração +17%. 6×1 + 2h de busão + hora extra = 55h fácil. Quem paga o SUS, o INSS, o atestado? O mesmo trabalhador, com imposto e com vida. Turnover no comércio bate 5% ao mês. Treinar gente nova todo mês custa mais que folgar 1 dia. Burnout derruba produtividade. Escala 6×1 é fábrica de absenteísmo. Empresa finge que economiza, sociedade paga a conta.

    *4. “Vai ter desemprego” ignora que desemprego já é o projeto*
    Desde 2015, caixa de supermercado vira autoatendimento. Porteiro vira app. Contador vira sistema. O capital troca gente por máquina todo dia pra aumentar lucro. Não é o fim da 6×1 que desemprega. É a lógica do lucro. Reduzir jornada é o único jeito civilizado de dividir o trabalho que sobrou. Ou divide o emprego, ou divide a miséria. Pastore escolhe miséria e chama de “economia”.

    *5. “Cai receita da lanchonete” é conta de boteco*
    Trabalhador com 2 folgas não evapora. Ele almoça no domingo com a família, leva filho no parque, faz curso, conserta a casa. O dinheiro circula do mesmo jeito, só que com gente viva do outro lado do balcão. E com gente menos exausta, erra menos, vende mais, volta na segunda. Produtividade não é só robô. É cabeça descansada.

    *6. Lei existe porque correlação de forças é desigual*
    “Negociação coletiva” com 6% de sindicalizados e desemprego de 6% é mandar trabalhador negociar faca no pescoço. Jornada foi reduzida por lei no mundo inteiro: 48h pra 44h em 1988, 40h no Chile agora, 35h na França. Nenhum virou deserto econômico. Viraram país com gente que vê os filhos acordados. Esperar patrão “ter boa vontade” é igual esperar CEO dividir dividendo. Não vai.

    *Fecho:*
    Pastore não defende emprego. Defende lucro constante. Trata salário como teto e lucro como piso. Inverte a CLT e chama de ciência. A ciência diz: limite do corpo humano não negocia. Ou a economia serve à vida, ou a gente rasga a desculpa e escreve outra.

    Escala 6×1 é o século 19 com crachá. Derruba.

  4. Jossimar

    29 de maio de 2026 1:57 pm

    Se a esquerda for esperta apoiará com todas as forças está proposta do PL.
    Joguem a bomba no colo desses idiotas.

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