15 de junho de 2026

Quem decide a política no Brasil são atores externos, comentário de Rafael Viera

Agora, resta a nossas elites (militar, financeira, empresarial, burocrática estatal, midiática, política) seguir o caminho traçado por Washington, rumo ao fúnebre neoliberalismo. Quando mudar o cenário internacional, mudará o Brasil.

Por Rafael Viera
comentário no post Xadrez do pacto ultraliberal com um Bolsonaro domesticado

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Parabéns pela análise, Nassif. Creio que você está certo, há um pacto pelo neoliberalismo.

Diante disso, porém, vem a pergunta: que lugar do mundo o neoliberalismo deu certo?

Em nenhum, né!?

Mas, se não deu certo em nenhum lugar do mundo, porque nossa elite (militar, financeira, empresarial, burocrática estatal, midiática, política) segue esse caminho?

Minha opinião.

Por que nossa elite, que evidentemente manda no Brasil, não escolhe seu destino.

Senão, vejamos.

– Quem decidiu que o Brasil seria independente foi Dom João VI.
– Quem decidiu que o Brasil libertaria seus escravos, tendo como consequência a derrubada da monarquia e a proclamação da República, foi a Inglaterra.
– Quem permitiu a Revolução de 30, fruto da instituição do livre mercado de trabalho em 1889, foi a I Guerra Mundial e o crash da bolsa de NY (que abalou a economia da oligarquia cafeeira no poder, permitindo a ascensão ao poder de novas forças urbanas e industriais).
– Quem derrubou Vargas em 1945 foi o fim da II Guerra ou, para ser mais exato, os EUA como potência vitoriosa.
– Quem o derrubou Vargas em 1954 foi a pressão dos EUA (o mesmo comandante, Gen. Eisenhower, das Forças Armadas brasileiras na Europa durante a II Guerra, era presidente dos EUA – 1953/1961).
– Quem forçou o Golpe de 1964 foram os EUA, com a ameaça de invadir e dividir o país em dois, como fizera na Guerra da Coreia (1950-1953).
– Quem pôs abaixo a ditadura no Brasil foi o fim da Guerra Fria (queda do muro de Berlim, fim da URSS).
– Nesse ínterim, quem permitiu o desenvolvimentismo brasileiro, entre 1930 e 1980, foi a crise econômica mundial (I Guerra, crise de 29, II Guerra) e a Guerra Fria (desenvolver o capitalismo nos países pobres para evitar que a pobreza disseminasse o comunismo, como ocorria na China, Cuba e Vietnã).
– Quem nos impôs o neoliberalismo no Brasil a partir de Collor, foi a política de Thatcher/Reagan apoiada por organismos multilaterais, Universidades americanas (Chicago), mercado financeiro e mídia globais.
– Quem permitiu a ascensão do Lula foi o rescaldo do fim da URSS e o fato da máquina de guerra americana estar direcionada para o petróleo do Oriente Médio. Mas, com o retorno da Rússia como potência militar e da China como potência econômica, a partir da segunda década do século XXI, isso muda de figura. O BRICS não poderia prosperar.
Logo, quem derrubou Dilma e prendeu Lula (como fizeram com Vargas e Goulart, através do Pentágono/CIA) foi os EUA que, com sua “guerra as drogas” a partir do Governo Reagan, construiram parcerias entre o DoJ (DEA/FBI) e a burocracia judiciária nacional (PF/MPF/Justiça), desde os Governos Sarney e FHC, para combater o “narcotráfico e lavagem de dinheiro”. Isso preparou terreno para a “primavera brasileira” e a Lava Jato.

Agora, resta a nossas elites (militar, financeira, empresarial, burocrática estatal, midiática, política) seguir o caminho traçado por Washington, rumo ao fúnebre neoliberalismo.
Quando mudar o cenário internacional, mudará o Brasil.

Redação

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10 Comentários
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  1. Luiz Mattos

    17 de agosto de 2020 3:25 pm

    Ou seja; nós enquanto povo (em minúscula) nada valemos.
    Nos falta vergonha ou coragem de assumirmos sermos atores principais dessa ópera bufa?

    1. CST command

      17 de agosto de 2020 11:19 pm

      Que tipo de povo? 50% das pessoas? Enquanto não houver unidade entre as pessoas e um entendimento comum da situação, eles não farão nada.
      A receita do Divide and Conquer ainda é válida.

  2. Yuri

    17 de agosto de 2020 3:48 pm

    É impossível consertar governos. Devemos realizar a verdade: não há governos, só há bancos e corporações.

    1. Germano

      17 de agosto de 2020 4:55 pm

      Sem dúvida. Os Estados Nacionais nas suas instituições, executivo, legislativo e judiciário, através das dívidas públicas, foram capturados pelo capital financeiro. A mídia idem, já que depende dele também.

  3. naldo

    17 de agosto de 2020 5:03 pm

    Ora, isso só vai mudar quando for falado abertamente na midia, e quem denuncia isso? A oposição? Ninguém….

  4. Thiago

    17 de agosto de 2020 5:19 pm

    Se seguir essa lógica Bolsonaro pode ser “substituído” por Mourão ou Moro em 2022 já que se o partido da guerra (“Democratas”/ Deep State) VOLTAR ao poder nos EUA.
    Aos animados com a possível eleição de Biden é bom lembrar que os “Democratas” estavam no poder em 2016 e antes em 2013 fizeram sua “Revolução Colorida” aqui.
    Nada mudará.

  5. Luthio Di Céciro

    17 de agosto de 2020 8:01 pm

    O consolo é que não estamos sozinhos, o mesmo acontece com a Alemanha, França, Japão, Inglaterra, Itália, ……………

    1. JP

      18 de agosto de 2020 12:28 am

      Verdade! Da uma olhada neste video e ai vamos ver a realidade da situacao mundial e em particular do Brasil e da America Latina:
      Drain the swamp –
      https://www.brighteon.com/fde592b6-4efd-415a-8268-f29bf288ac65

      Triste e vergonhoso e a elite mundial incluindo a midia tradicional e os academicos que so agora descobriram o Brasil.

  6. jura

    18 de agosto de 2020 12:08 am

    Não está na hora do Brasil, e dos brasileiros (lembram, vendedores de pau Brasil, não o povo da terra) assumirem que nunca deixamos de ser um colônia.

    Vocês conhecem algum outro lugar em que um imperador, nomeado pelo rei da metrópole, levantou uma espada, gritou independência e livrou o país dos colonizadores para assumir o trono da metrópole e entregar a colônia para pagar a dívida com seus credores (ingleses)?

    E quantos outros credores colonizadores já se sucederam aqui antes e depois disso?

  7. Flavio Martins e Nascimento

    18 de agosto de 2020 7:37 am

    “O BRICS não poderia prosperar”.

    Acho que até mais: O Brasil jamais poderá prosperar como potência regional ao sul. Ou melhor, nem Brasil nem qualquer outro país.

    No mais, consideremos que a independências dos países latino-americanos se deu no contexto mais amplo da Guerra Peninsular, esta, por sua vez, desdobramento das Guerras Napoleônicas.

    Assim, quero pensar que, neste novo contexto de acirramento do embate EUA-China/Rússia, talvez surjam novamente as condições para uma nova declaração de independências dos países latinos.

    Não sem antes, o império enlouquecido levar às últimas consequências o intento de manter-se hegemonicamente. E eles – todos eles! – são loucos o suficiente para tanto.

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