Momento atual não é o ideal para reforma política profunda, afirma Jairo Nicolau

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Foto: José Cruz/Agência Brasil
 
Jornal GGN – Cientista político, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e autor do livro “Representantes de Quem? Os (Des)caminhos do seu Voto da Urna à Câmara dos Deputados”, Jairo Nicolau crê que o momento atual não é o ideal para realizar uma profunda reforma política. 
 
“O fundamental é preparar, nesse momento, a eleição de 2018. Nem seria uma reforma política, mas pequenas alterações. Criar regras para reduzir a fragmentação partidária, que provavelmente vai aumentar se nada for feito”, afirma Nicolau, que acredita que, em 2019, o Congresso terá novas forças políticas e mais representatividade.

 
O professor afirma que há um “desalinhamento” entre a sociedade e o Congresso, já que “muita coisa aconteceu” de 2014 para cá. “Foi a Legislatura que elegeu Eduardo Cunha em primeiro turno para pouco depois cassá-lo praticamente por unanimidade”, diz.
 
Leia mais abaixo: 
 
Do Valor
 
 
por Lucas Ferraz
 
Com o colapso do sistema político provocado pelas delações da Odebrecht que expuseram uma corrupção sistêmica em toda a classe política, o cientista político Jairo Nicolau afirma que não é o momento para uma reforma profunda, como pregam algumas das lideranças do país sob o argumento de que é preciso salvar a política. “É melhor que esperemos 2019, quando o Congresso deverá ter mais representatividade e novas forças políticas. O fundamental é preparar, nesse momento, a eleição de 2018. Nem seria uma reforma política, mas pequenas alterações. Criar regras para reduzir a fragmentação partidária, que provavelmente vai aumentar se nada for feito”, afirmou em entrevista ao Valor.
 
Professor da UFRJ, Nicolau é especialista em reforma política e autor do recém-lançado “Representantes de Quem? Os (Des)caminhos do seu Voto da Urna à Câmara dos Deputados” (Zahar). No livro, destrincha distorções do voto proporcional – como votar num candidato de direita e eleger um de esquerda, ou vice-versa.
 
Valor: No livro o senhor expõe os problemas da representatividade política e como o sistema eleitoral acentua essas distorções. Neste momento de crise, com os políticos falando em salvar a política, a reforma política parece inevitável.
 
Jairo Nicolau: Temos uma comissão instalada na Câmara com esse propósito e essa reforma teria que ser aprovada até 2 de outubro para entrar em vigor na eleição do ano que vem. Até ser aprovada pelo plenário, há longo caminho nas comissões internas. Temos período curto, imprensado entre as agendas das denúncias e da reforma econômica do governo. Em 2015, a Câmara teve a oportunidade de reformar a legislação eleitoral, mas nada fez. Temos os políticos na defensiva. Por tudo isso, não é o momento para reformas profundas. O Brasil está à flor da pele nos temas da política. Isso foi observado na discussão da lista fechada, por exemplo, que foi vista como uma tentativa de esconder políticos impopulares ou com medo de perder o foro, ou as duas coisas juntas. É claro que esse sistema já deu, ele precisa ser melhorado, de uma maneira mais forte ou menos forte. Mas precisamos fazer isso num momento ordinário, não num momento extraordinário como esse.
 
 
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