Um surto da doença dos legionários no bairro do Upper East Side, em Manhattan, deixou duas pessoas mortas e outras 72 infectadas, segundo o Departamento de Saúde de Nova York. As autoridades seguem investigando a origem da contaminação, embora o número de novos casos tenha diminuído nos últimos dias, indicando que a principal fonte de exposição à bactéria pode já ter sido eliminada.
O episódio ocorre menos de um ano após outro grande surto registrado na cidade. Em 2025, mais de 100 pessoas foram infectadas e sete morreram no bairro do Harlem, também em Manhattan.
A doença dos legionários é uma infecção pulmonar grave causada pela bactéria Legionella, encontrada naturalmente em ambientes aquáticos. O risco à saúde surge quando o microrganismo se multiplica em sistemas artificiais de água morna, como torres de resfriamento, equipamentos de ar-condicionado central, redes hidráulicas, reservatórios, spas e fontes ornamentais.
A transmissão ocorre pela inalação de pequenas gotículas de água contaminada que ficam suspensas no ar. A doença não é transmitida de pessoa para pessoa nem pelo consumo de água contaminada.
No atual surto, equipes de saúde têm coletado amostras em torres de resfriamento da região afetada. Os proprietários dos edifícios onde a bactéria foi detectada foram orientados a realizar a limpeza, desinfecção e manutenção dos equipamentos para impedir novas infecções.
Sintomas e tratamento
Após a inalação da bactéria, os sintomas costumam surgir entre dois e dez dias e podem evoluir para uma forma grave de pneumonia.
Os principais sinais da doença incluem:
- febre alta;
- tosse;
- falta de ar;
- dores musculares;
- dor de cabeça;
- cansaço intenso.
Em alguns casos, os pacientes também podem apresentar náuseas, diarreia, confusão mental e alterações no nível de consciência.
O tratamento é realizado com antibióticos e apresenta melhores resultados quando iniciado precocemente. De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, cerca de 10% dos pacientes diagnosticados morrem em decorrência de complicações da doença.
Risco
Embora qualquer pessoa possa desenvolver a infecção, as formas mais graves são mais frequentes entre idosos, fumantes e pessoas com doenças crônicas, como enfermidades pulmonares, diabetes, insuficiência renal e câncer. Pacientes com o sistema imunológico comprometido, como transplantados, também apresentam maior risco de complicações.
Já indivíduos jovens e sem problemas de saúde costumam apresentar menor probabilidade de desenvolver quadros graves.
Prevenção
A principal medida de prevenção é a manutenção adequada dos sistemas que utilizam água, especialmente torres de resfriamento e equipamentos de climatização de grandes edifícios.
Essas estruturas devem passar por inspeções periódicas, limpeza e desinfecção para evitar a proliferação da bactéria. Quando um surto é identificado, as autoridades sanitárias realizam inspeções nos equipamentos e determinam a descontaminação das instalações onde a Legionella é encontrada.
Em Nova York, a investigação continua para identificar o foco exato da contaminação. Enquanto isso, a redução no número de novos casos reforça a expectativa de que as medidas de controle adotadas tenham interrompido a disseminação da bactéria na região afetada.
*Com informações da AFP.
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