Sem medo do social

Aos poucos o governo Lula vai perdendo o medo de não parecer “moderno”, defendendo o social. O social entrou definitivamente na agenda. E, de repente, toda a argumentação dos cabeções contra gastos sociais ficou velhíssima. Quando se olha para trás, é difícil acreditar que o tipo de questionamento que foi feito ao Mantega tenha ganhado tanta sobrevida nesse país, como se fosse posição “moderna”.

Veja trecho da entrevista concedida a Fernando Dantas, do “Estadão” por Mantega (clique aqui) em Davos.

O sr. concorda com as declarações do presidente Lula de que o déficit da Previdência deve-se, na realidade, à política social?

Não tenho a menor dúvida de que ele está certo. A Constituição de 1988 colocou na rubrica Previdência o que era na verdade assistência social. Pessoas que nunca tinham contribuído para a Previdência passaram a ganhar uma aposentadoria. Não é aposentadoria, é uma renda, é renda mínima…

Mas não é alto demais para renda mínima?

A aposentadoria rural é a mínima, é o menor possível, é um salário mínimo. Como que é alta?

A política social vinculada ao salário mínimo representa gastos superiores a R$ 100 bilhões por ano. A melhor forma de fazer política social é via Previdência?

E você acha que a melhor forma de fazer política social é deixar 7 milhões de agricultores pobres morrerem de fome? Isto foi decisão do Congresso Constituinte de 1988 e não está em discussão.

Comentário meu: Meu Deus! Este país é tão surpreendente que o óbvio, quando surge, precisa ser aclamado.

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