Entenda o que é capital de risco e seu papel no desenvolvimento

ABVCAP lança obra fazendo balanço da indústria de participações sobre a evolução do empreendedorismo no Brasil 
 
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Clóvis Meruer e Carlos Asciutti, conselheiro da ABVCAP e sócio da Ernest Young, respectivamente no lançamento do livro “A força da indústria de participações no desenvolvimento do Brasil”
 
Jornal GGN – Sem a entrada de “capital de risco” muitas empresas que fazem hoje parte da vida de milhões de pessoas jamais teria saído do papel, esse é o caso de aplicativos famosos que, provavelmente, você tem no seu celular, como o Uber (hoje com 13 milhões de usuários só no país) e o brasileiro 99 Táxi, este último vendido recentemente para um grupo chinês por R$ 960 milhões. O termo capital de risco é usado para se referir à modalidades de investimentos conhecidas hoje como “indústria de participações”: private equity (capital privado), seed capital (capital semente) e venture capital (capital de riscos). Veja tabela no final da matéria.
 
São investimentos alternativos utilizados para apoiar negócios por meio da compra de participação acionária e muitos economistas avaliam que são fundamentais para a criação de empresas de base tecnológica. Tradicionalmente esse grupo de empresas, por apresentar maior risco de insucesso, tem mais dificuldades de acessar empréstimos, por exemplo, em bancos. Em muitos países, inclusive, é o Estado que arca com a maior parte dos investimentos em projetos na fronteira do conhecimento. No Brasil, as entidades públicas que lideram nesse campo são o BNDES e a Finep e, quem regula todo o setor, e a CVM (Comissão de Valores Mobiliários). 
 
Segundo dados mais recentes da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP), no Brasil o mercado de investimentos em empresas fechou 2016 com R$ 142,8 bilhões em capital comprometido, sendo R$ 30,2 bilhões de recursos disponíveis para investimentos e despesas. 
 
A entidade revela ainda, em um levantamento elaborado em parceria com a KPMG, que atualmente existem em território brasileiro 134 gestores de Private Equity e Venture Capital em atuação e 348 veículos de investimentos, proporcionando assim um ambiente um pouco mais favorável para impulsionar o empreendedorismo de pequenas empresas no país. 
 
O tema é abordado no livro “A força da indústria de participações no desenvolvimento do Brasil“, escrito pelo jornalista Ricardo Viveiro e lançado Editora AzulSul em comemoração aos 18 anos da ABVCAP. 
 
Em entrevista realizada por Luis Nassif, o fundador e ex-presidente da entidade, Clovis Meurer, explica quais são as principais modalidades de investimentos hoje existentes no mercado e a articulação da ABVCAP para reduzir a tributação sobre o investidor no país, tornando o ambiente brasileiro mais atrativo para investimentos na economia real, e não na economia especulativa (esta última incentivada pelas altas taxas de juros, a Selic brasileira). 
 
“Fazendo uma comparação, você hoje aplicando na Bolsa e desinvestindo na Bolsa sofre uma tributação de 15% sobre ganhos. Mas [comprar papéis na Bolsa] é um investimento que pode ser de curto prazo e tem liquidez. Já os investimentos que nós fazemos em empresas iniciantes, emergentes, startups, por exemplo, são [de retorno] no médio e longo prazo, de não liquidez, de maior risco, porém sofrem também tributação de 15%”. 
 
O debate está sendo travado junto ao governo, especificamente, o ministério da Fazenda e Receita Federal. “Isso está sendo olhado com muito carinho pelo pessoal do governo e a gente acha que, com o tempo, vamos ter um tratamento aqui no Brasil similar ao tratamento em outros países como, por exemplo, Israel e nações da Europa que contam hoje com programas de menor tributação sobre os ganhos nesses negócios de médio e longo prazo em empresas emergentes”.  
 
Meurer explica que, basicamente, a indústria do capital de risco disponibiliza, para empreendimentos que estão começando, dinheiro para que ganhem musculatura e se estabeleçam no mercado. O contrato, geralmente, vem acompanhado de assistência gerencial e de mercado. 
 
“Financiar negócios com empréstimos é super importante, mas o empresário, no seu nascimento, no seu crescimento, muitas vezes, além da grana, precisa ter ao seu lado um sócio com uma certa experiência em gestão em financeiro, em marketing etc”. 
 
É claro que, para acessar esses recursos, o empreendedor tem que demonstrar condições mínimas de que seu negócio tem potencial, portanto cada caso apresenta particularidades, por isso é bastante comum que o investidor aposte em vários negócios de risco, pois se um ou outro projeto não der certo, garantirá retorno do capital em outros que conseguirem superar os obstáculos do desenvolvimento. 
 
Inclusive, cada modalidade de capital de risco, comumente, tem função determinante conforme a etapa de desenvolvimento do negócio, como destaca Meurer: 
 
“É uma escadinha. Quando a empresa é muito jovem e recebe o dinheiro de alguém, a gente chama esse investidor de Anjo, um cara que vai lá e dá uma mão para o empreendimento que está ali se iniciando”. Não necessariamente o investidor Anjo é um investidor profissional, em muitos casos é um familiar ou amigo próximo.
 
“Depois de um ano, meio ano de atividade, geralmente a empresa precisa de um novo recurso que já não é mais do Anjo, daí que entra o seed money (capital semente). Na sequência, na medida que a empresa cresce um pouco mais, entram os fundos de Venture Capitel”. 
 
Segundo levantamento da Anjos do Brasil, que agrega investidores profissionais nesta modalidade, o capital Anjo aumentou em 9% em 2016, em relação ao ano anterior, alcançando o patamar de R$ 851 milhões no país. O valor médio investido por anjo chegou em R$ 120 mil, um aumento de quase 11%. 
 
Os dados foram apresentados durante o Congresso de Investimento Anjo 2017 apontado também que não houve no país políticas públicas de estímulo. O crescimento aconteceu, primeiro, por conta da desvalorização dos outros modelos tradicionais de investimento, em segundo lugar por serem investimentos de médio e longo prazo e, por último, pelo caráter inovador das empresas auxiliadas. 
 
A expansão dessa modalidade não foi maior por causa da insegurança jurídica e altas taxas de juros no Brasil, dois fortes desestimuladores de investimentos. 
 
 
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1 comentário

  1. Conversa!

    Achei péssimo o post e fracos os seus argumentos.

    Começo criticando o péssimo exemplo citado do Uber ou 99 Taxi, que não passam de aplicativos feitos na nuvem para lucrar sem risco com o trabalho dos outros, sendo estes outros pessoas, comunidades, cidades e até nações inteiras, de onde é retirada uma grande fatia do dinheiro do consumidor.

    O investidor privado, aqui no Brasil, não passa de um “rentista” que apenas quer ganhar mais dinheiro que o que o mercado financeiro oferece no momento e, ainda, sem correr risco algum. No Brasil, nem sequer o Estado consegue agir na forma em que este ingênuo post propõe, muito menos poderíamos esperar isso do setor privado. O BNDS sempre emprestou a milionários, cheios de garantias, assim como a Lei Roanet somente apoia show de Caetano Veloso e artistas como ele. O conceito é o mesmo, a garantia do sucesso e o rápido e seguro retorno do dinheiro investido.

    Para conseguir dinheiro desses fundos “ditos“ de fomento são exigidos tantos documentos como em qualquer instituição privada, que emprestam dinheiro apenas a quem consegue provar (com vasta documentação, garantias físicas, fiadores e etc.) que não precisa dele.

    O verdadeiro fomento é de acreditar no empreendedorismo de gente comum e correr o risco de ganhar ou perder junto com ele. Como o Estado apostar no bom aluno para entrar gratuitamente numa universidade. O sujeito que se diz financiador não tem competência ou disposição para fazer algo pela sua conta e coloca outro para fazer, mas com a garantia pertinente e sem sujar as mãos.

    O verdadeiro investidor é (ou se oferece) como sócio (com papel passado e risco) de alguém criativo e capaz de converter uma ideia num bom negócio, e coloca dinheiro para juntos ganharem fazendo exatamente aquilo no qual ambos acreditam e se dispõem a arriscar, tempo, trabalho, tecnologia e algum capital.

    O especulador defendido neste post aposta fichinhas em diversos cavalinhos, onde o conjunto dos cavalinhos nunca daria prejuízo. Isso é apenas rentismo disfarçado. O investidor de hoje está na nuvem, colocando dinheiro com um elástico amarrado na mão, sem se sujar nem suar, muito longe do velho investidor da época do Marx, que juntava o seu capital com o trabalho de outros para gerar riqueza.

    Hoje o antigo capitalista não mais existe, ele foi combatido e punido da faz da terra, e hoje vive numa nuvem, em Miami (ou onde seja), “se achando” um investidor, quando a rigor não passa de um aproveitador financeiro das ideias e do trabalho dos outros, quando o empreendimento promete mais lucro que no mercado financeiro atual.

    O verdadeiro investidor é aquele que desce da nuvem, que arrisca o seu dinheiro em algo que acredita e, junto com aquele que contribui com iniciativa, tecnologia e trabalho, fazem dessa parceria uma sociedade legal e uma atividade permanente, rentável, segura. Muitos desses sujeitos ajudam a construir uma nação. Sem eles, continuaremos como colônia do rentismo internacional.

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