Salto de fé é dormir quando batemos a cabeça, por Matê da Luz

Pode parecer uma metáfora e, inclusive, ser usado como uma das boas, mas quero abordar a situação literal do título narrando uma experiência própria. 

Bati forte a cabeça num galho enorme de uma árvore. Estava escuro, eu estava atravessando a rua e PLOFT, não percebi o galhão ali no caminho. Fez até barulho, conhece este tipo de pancada? Me assustei e, claro, observei (super paranóica, confesso) meus sintomas dali pra frente. 

Não apaguei nem por um segundo, não tive enjoos e o sangue que saiu da boca veio de um mini corte na língua, normal. Não fiquei com dor de cabeça desproporcional à pancada nem nada. Só com medo, muito medo, do que aconteceria. 

Este medo permeou minha noite até a hora de dormir quando, de repente, me peguei em prece pela vida. “Por favor, pessoal do lado de lá, não quero ir agora. Quero realizar tantas coisas, meus projetos estão caminhando sólidos, estou me encontrando comigo mesma e, viu, quero encostar e abraçar e beijar muito ainda, especialmente minha filha. Não quero dormir e não acordar mais”. E chorei. Não que seja algo inédito o choro, mas este foi diferente. 

Chorei de medo de morrer com tantas sensações de inconclusão. Chorei com medo da morte não ser o que eu penso que é, “apenas mais uma passagem na caminhada e que, puxa, manterei o contato amoroso com meus elos terrestres, então não tem problema o que acontecerá”. Neste dia, questionei o tamanho e a força da minha fé e fez sentido que o que a gente tem não necessariamente é o que a gente vive – e isso sim é um problemão e dá muita dor de cabeça (simbólica e literal). 

Comecei, então, a observar o macro e o mini que envolve minhas práticas diárias: desde meu posicionamento frente aos desafios de coragem (ir até a junta comercial e resolver as questões da empresa, por exemplo, é algo que venho protelando quase que desde o último texto postado aqui sobre o assunto), passando pela questão da confiança no invisível, esta que permite que eu me entregue quase que deliberadamente ao que quer qe apareça pela frente. 

Percebo que não é bem assim e que, pois é, cautela e canja de galinha não fazem mal à ninguém. Especialmente por ser tratar de uma árvore que simplesmente estava no meio do meu caminho e, mais especialmente ainda, por nada de mal ter acontecido. 

Menos preocupação e mais ação com atenção – é isso o que bater a cabeça tão forte na árvore numa noite escura trouxe de tão importante pra mim: a lição de pura e simplesmente ser. E deixar fluir. 

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1 comentário

  1. … e deixar fluir

     

    Os sentidos são como eclusas por onde a alma se derrama para fora; contudo são também aberturas por onde o fluir das coisas nela desemboca.

      

    Quando eclusas ou aberturas se fecham, cessa o ativo intercâmbio entre o mundo interior e o exterior e a alma inteira trabalha consigo, aproveitando as anteriores contribuições sensitivas, isto é, aproveitando um segundo estado destas: seu estado imaginativo

    – Rivas Sáinz

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