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A justificativa para a estatização da YPF

Por Marco Antonio L.

Da CartaCapital

A Argentina e o risco político

O descompasso energético tem custado muito caro à Argentina. Eis aí a justificativa, simples, para a ação supostamente intempestiva da Casa Rosada. 

André Siqueira

O Brasil poderá levar ainda alguns anos para assumir um posto entre os países desenvolvidos, mas é de causar espanto o coro fácil de nossa mídia com seus pares do chamado primeiro mundo. Uma rápida análise das relações comerciais recentes do País com os vizinhos da América do Sul mostra o quanto tivemos a ganhar ao apoiar (ou, no mínimo, não desqualificar) as decisões soberanas de governantes com relação ao uso de seus recursos naturais. Como a recente decisão da presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, de estatizar a petrolífera YPF, e assumir a participação que cabia à espanhola Repsol – cujos interesses são defendidos por quase todos os editoriais brasileiros.

Em meio às denúncias de inobservância a contratos, ilegalidades e aos alertas quanto às terríveis represálias de bancos, multinacionais e líderes europeus quebrados, pouca ênfase é dada à operação tartaruga realizada pelos grandes grupos privados que controlam o setor petrolífero argentino. Entre 2003 e 2010, o consumo de petróleo e gás subiu 38% e 25%, respectivamente, enquanto a produção declinou 12% e 2,3% no mesmo período. Isso em um país com uma das maiores reservas mundiais provadas de gás de xisto.

O descompasso energético tem custado muito caro à Argentina (a estimativa é de um rombo crescente de 60 bilhões de dólares neste ano), mas apenas há três anos o setor era superavitário. Eis aí a justificativa, simples, para a ação supostamente intempestiva da Casa Rosada.

Vale lembrar que o público incauto de alguns dos principais telejornais brasileiros ficou a imaginar que os espanhóis foram simplesmente expulsos e saíram de mãos abanando da Argentina. Pouca ou nenhuma menção foi feita ao fato de que um tribunal federal irá decidir o valor a ser pago pelas ações da empresa.

Há um mês, a Petrobras teve uma concessão cassada por uma província argentina. Novamente, seria demais esperar que alguém lembrasse, nesse momento tão caliente, que a decisão não coube ao governo federal, além de afetar uma área que permanecia inexplorada pela estatal brasileira.

Os argentinos se cansaram de esperar, e classificaram o petróleo como um recurso de “interesse nacional”. A expressão aparece destacada em cada texto sobre o assunto, como se não se tratasse de uma obviedade absoluta para qualquer outro país produtor da commodity. Difícil imaginar, em pleno século 21 e com o preço do barril a oscilar na casa de 100 dólares, que quem tenha uma gota de óleo a explorar não reconheça o produto como de interesse nacional.

É mais ou menos o que aconteceu, em 2006, quando Evo Morales foi acusado por expulsar a Petrobras da Bolívia. Na verdade, o presidente apenas percebeu que, enquanto o preço do petróleo era alçado às alturas em todo o mundo, seu país continuava a fornecer gás natural barato ao Brasil, apenas para “cumprir contratos”.

Por não ter enviado jatos militares e tanques para a fronteira, o presidente Lula foi retratado na capa da revista Veja com um pé no traseiro. E eis que, em fevereiro último, a Petrobras inaugurou na Bolívia sua terceira fábrica de processamento de gás – um investimento de 115 milhões de dólares em pleno “território inimigo”.

No vizinho Peru, de acordo com uma notícia recente publicada pelo Valor e ainda não confirmada oficialmente, Petrobras, Braskem e Odebrecht estariam à frente de um projeto de 16 bilhões de dólares. Vale lembrar o que havia dito sobre o Brasil o presidente Ollanta Humala, logo depois de eleito, em meados do ano passado: “não queremos repetir com o Brasil o ditado mexicano que diz que a desgraça do México é estar tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos”.

Finalmente, pude ouvir na semana passado o cônsul venezuelano Robert Torres comemorar, durante um evento em São Paulo, o aumento em mais de cinco vezes do fluxo comercial com o Brasil ao longo da última década. Quantas vezes o governo brasileiro foi acusado de pegar leve em meio aos “desmandos” de Hugo Chávez?

A mensagem que fica é a de que o Brasil só tem a ganhar com a política de boa vizinhança na região. E perde quando nossas empresas tomam atitudes que sugerem prepotência e dão asas ao medo de mais uma ameaça imperialista.

Enquanto isso, convivemos com tarifas e regras absurdas impostas à entrada dos nossos produtos nos Estados Unidos e na União Europeia – como questioná-las, se estão previstas nos contratos?

E, nos EUA, uma lei a ser aprovada pelas casas legislativas da Flórida promete proibir prefeituras e agências locais de fechar contratos acima de um milhão de dólares com empresas que mantêm atividades em Cuba. A medida, à espera de sanção do governador republicano Richard Scott, ameaça negócios de mais de 2 bilhões de dólares da Odebrecht naquele estado americano.

A repercussão do episódio americano, por aqui, além de muito inferior à da ação do governo argentino contra uma empresa espanhola, não mereceu nem de longe o mesmo tom indignado. É compreensível que o El Pais, o Financial Times e o Wall Street Journal defendam os interesses de grupos locais. Da imprensa brasileira, o mínimo a se esperar é uma avaliação objetiva, diante de tantas evidências, sobre onde nossos interesses estão mais sujeitos ao chamado risco político.

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  “PAGAR LO QUE VALE, NO LO QUE QUIERAN”

É realmente assustador como grande parte de nossa imprensa e muitos dos cabeças feitas por ela, ainda apóiam a privataria neo-liberal feita na América do Sul em décadas passadas, para atender interesses das grandes transnacionais de antigas ou novas potências coloniais, de especuladores globais e de seus representantes locais, em detrimento das populações sulamericanas, levadas a um nivel de miserabilidade crescente, algumas das quais como na Argentina, antes desconhecido.

E falam em fuga de capitais, quebra da segurança jurídica, blá,blá,blá.

Quebra da segurança jurídica dos beneficiários das privatarizações, deles, essas grandes multinacionais que vieram explorar riquezas nacionais estratégicas, fuga de capitais de especuladores, de dinheiro volátil a cata de altas taxas de juros ou de pseudo-investidores que só compram a preço de banana, auferem e remetem enormes lucros ao exterior e nada investem, nem aumentam a produção, como no caso da YPF, ou ainda maquiam balanços ou sonegam impostos vergonhosamente.

Esse pessoal, essa parte da imprensa, esses neo-liberais enrustidos ou não, acharam que a autonomia dos estados nacionais estava morta, que a independência de política econômica das nações era apenas simbólica, que o mundo pertencia aos especuladores financeiros, aos regulamentos das multinacionais, ao lucro do capital sem pátria e sem dó, e sentiu o golpe.

Como aqui mesmo quando o governo começou a forçar uma queda de juros, primeiro da SELIC, com analistas a serviço do mercado financeiro torcendo o nariz e fazendo previsões sombrias na imprensa majoritária, os especuladores iam perder um pouco de receita fácil coitados, depois baixa na taxa dos bancos oficiais, foi aquela choradeira, inconformismo, justificativas de alto spread bancário pelos "enormes riscos" de inadimplência que sofriam os pobres banqueiros.

Afinal não era spread coisa nenhuma, tem outro nome.

 

Esse confisco sem sentido é, na verdade, uma nova "Malvinas". O populismo sindical-empresarial-político-populista vai acabar levando para a Idade Média um país que já foi viável. Felizmente, o Brasil soube sair de um regime para outro com uma lei da anistia. Populismo mesmo foi Getúlio Vargas e a moratória do Sarney. O Lula mostrou que é possível ser popular sem ser populista.

 

 

   O "populista" Getúlio Vargas, criou:

  • Organização e reestruturação da Seguridade Social no país
  • Consolidação das Leis do Trabalho
  • Justiça do Trabalho
  • Salário Mínimo
  • Petrobrás
  • Eletrobrás
  • Ministério da Educação e Saúde (antes inexistente)
  • Siderúrgica Nacional
  • Cia Vale do Rio Doce
  • Ministério da Aeronáutica e Força Aérea Brasileira
  • Código Penal e o Código de Processo Penal
  • DASP
  • etc., etc.

  

  Realmente essas coisas todas são um "atraso", "populismo barato".

  Bom mesmo foram os que atentaram contra a constituição e depois os fernandos, não é?

 

 

Fez muito bem de nacionalizar a YPF. A Argentina é um grande país para ficar a mercê de sua ex susserana. Os espanhois que briguem com os ingleses e depois os americanos que foram seus algozes. A Opus Dei e os reminiscentes franquistas assassinos não podem prevalecer. Aliás a Repsol não é tão espanhola como dizem. Pode ser que venha ser, se eles pagarem os alemães. Mas aí como é que vão pagar se só contam com o vento espanhol?

 

pra refrescar miolo mole

de consul voluntario

de pais colonialista

 

"MEMORIA DEL SAQUEO"

Seu navegador não é capaz de exibir esse conteúdo multimídia.

 

'Entre a humilhação e a servidão, eu assumo o risco da luta'
José Genoino

Setor de energia é estratégico. Não pode ser deixado ao sabor dos interesses do deus-mercado.

Aqui no Brasil, precisamos reestatizar a Vale. O pior é que a gestão do playboy tucano Agnelli deixou a Vale com uma dívida de mais de R$ 100 bilhões em impostos sonegados...

 

_____________________________

Roberto Locatelli

Profissional de computação gráfica, modelador digital

Voces perdem um tempo danado discutindo bobagens.

Governos e empresas sérias, e quando digo sérias, é no sentido de focados no que realmente interessa; prezam o "show me the money". Isso é o que interessa no final das contas. Quando paises e empresas ficam a avaliar questiunculas e ideologias, nada sai do papel.

O país hermano está com problemas até os cotovelos. Se ele decide que nacionalizar a empresa espanhola irá ajudar a resolver o problema, é assunto dela. Da mesma forma que é assunto dela a reação dos demais. Respeitar a soberania dos outros não significa aguentar prejuizos para seus próprios povos. A empresa espanhola se achar que o preço a ser discutido é justo que pegue o dinheiro e aplique em paises mais sérios como o nosso. Senão que reclame em todos os foruns que achar adequado.

Agora, aqui entre nós, sabem o que irá ocorrer? - Absolutamente nada. O governo espanhol vai fazer uso do juris esperneandi enquanto dialoga com a argentina e a empresa espanhola vai se recompor e negociar.

O Brasil já aguentou um sem número de ações do pais hermano no mercosul e recentemente quando reagiu no mesmo tom, a argentina sentiu o golpe. Não li em lugar algum os paises prepararem tropas.

O Brasil deve manter bom relacionamento com os paises em volta mas não esquecer que sozinha é maior que a soma dos outros (até porque desconheço que a argentina esteja perto de se juntar aos brics); e ampliar ao máximo seu relacionamento comercial com o resto do mundo.

É isso que isola o país de ser confundido com as "atitudes" do país vizinho.

 

Só eu enxergo que o Brasil tem muito a ganhar com a insegurança jurídica galopando no restante da América do Sul? Lá vem sanções da UE contra a Argentina, enquanto isso, crescemos na crista da onda com esses descalabros dos nossos vizinhos.

 

Não sei se crescemos ou nos prejudicamos, não esqueça que a Argentina é nossa ano MERCOSUL, alguns investidores podem ver um risco de contaminação, afinal nosso governo é tambem de esquerda.

 

É simples. A Argentina cortou mais uma corrente do neocolonialismo global e agora está mais dona de sí mesma. As reações dos colonialistas são normais. Pela sua lógica, perderam um escravo e  ganharam um competidor.

 

Meu Santo Inacio, estamos em 2011, não em 1910.

 

E vc com a cabeça e a espinha em 1500, rsrsrsrs...

 

Bom, repito o que disse em outra oportunidade. Investir seu l'argent em algum dos nossos vizinhos problematicos sera (ou deveria ser) sempre um risco calculado. O dia que o caudilho de turno ficar insatisfeito com a maneira com que você conduz os seus negocios ou tiver que fazer uma pantomima pro populacho, babau, ele vem e toma o teu investimento, te ressarcindo o quanto quiser e da forma que quiser. A justificativa facil do "interesse nacional" estara sempre à mão e o povão compra sem pensar duas vezes.

>>>> E eis que, em fevereiro último, a Petrobras inaugurou na Bolívia sua terceira fábrica de processamento de gás – um investimento de 115 milhões de dólares em pleno “território inimigo”.

Enquanto o governo brasileiro for "companheiro", sem problemas. Se algum dia deixar de ser (suponhamos, se Aécio se eleger em 2014 ou alguém da oposição em 2018) e der na telha do Evou Rouballes, babau investimento da Petrobras.

 

Você não leu o artigo direito, Roberto. Está dito que o governo não pagará "o quanto quiser e quando quiser", mas "Pouca ou nenhuma menção foi feita ao fato de que um tribunal federal irá decidir o valor a ser pago pelas ações da empresa."


 

Se desconfiamos, com boas razões, da nossa justiça, vai ser num pais institucionalmente destruido como a Argentina que se vai esperar algo, principalmente independência, dos tribunais?

 

Está ficando cada vez mais claro a postura da nossa velha mídia em relação aos interesses nacionais. Ela se pauta apenas segundo os seus próprios e tilintantes interesses. Aí, diante de qualquer crítica contrária à ela, ergue o sabre da "liberdade de imprensa" num contra-ataque radical, fanático e desmedido.

Dá pra acreditar em Jornal Nacional, Globo ou Folha de São Paulo, e outros outrora ilustres representantes do jornalismo nacional? A Veja nem entra mais no rol das discussões, dada a posição a que chegou. Diga-se ainda que nada mudou, o que mudou foi a percepção da atuação desse setor, que sem escrúpulos nenhum se arvoram ao direito divino de nos ditar "o que é a realidade". A deles.

 

O problema é a midia, o fato não existiu.

 

Em relação à argumentação do Andre Araujo, nem vou entrar no mérito, pois é apenas uma releitura do que já lemos na Folha, O Globo, Estadão, Veja, etc.

O que eu acho engraçado é que quando ele fala "o fato", ele se refere a UMA INTERPRETAÇÃO do "fato", qual seja, aquela dada por atores situados em um determinado ponto do espectro político brasileiro, cujo posicionamento é vocalizado pelos veículos de comunicação já citados, legítimos representates de um pensamento liberal-conservador que muito sucesso faz por estas plagas.

Sendo assim, é mais do que necessário destacar que este "fato" não algo dado, puro, mas sujeito a interpretações. 

E me surpreende que alguém tão inteligente não se dê conta disso.

 

Marcio, o André se dá conta disso sim. É que ele gosta da polêmica, não é, André?

O André procura, maneiramente, tirar qualquer responsabilidade da velha mídia, com esse "fato puro", ao dizer que ela apenas relata o "fato puro", sem interpretações (ainda mais com nossa mídia). O exemplo do Jornal Nacional noticiando que o governo temia a criação da CPI da Veja-Cachoeira, e ao final da matéria, relata a votação maciça do PT a favor da Criação, na maior cara-de-pau é o quê? Fato puro?

E ainda no fechamento do Jornal Nacional, William Bonner (candidamente) "informa aos (queridos) telespectadores" que "ainda" é possível o parlamentar retirar o seu voto. Torcida maior que essa, nem a do Flamengo. O sentimento que me provoca é de dar risadas. Só faltou  ele imitar o famoso caso do locutor de futebol, com o... BOLA NOSSA.

 

Algumas Notas sobre a Nacionalização da YPF

 

Sem dúvida alguma, a notícia econômica desta semana foi a nacionalização da petroleira argentina YPF por parte do governo deste país. É medida polêmica, com custos e benefícios, e que merece uma análise um pouco mais detalhada.

A YPF foi vendida no auge do surto privatizador empreendido pelo ex-Presidente Carlos Menem na década de 90. Sem dúvida alguma, a experiência argentina foi a mais radical e, diria eu, desastrosa, aplicação do neo-liberalismo em terras latino americanas. O custo social e econômico se faz sentir até hoje, com um país visivelmente empobrecido e cuja economia ainda possui vários problemas decorrentes das políticas da época - e outros trazidos na tentativa muitas vezes populista de corrigir os custos sociais.

Vendida para a espanhola Repsol, a petroleira argentina passou a obedecer à lógica de mercado global da empresa, que possui negócios em países como o Brasil, a Venezuela e Angola. A avaliação é de que os investimentos nestes três países eram mais atrativos, então a Argentina passou a ter o papel de gerar lucros para permitir o investimento nos países citados, sem quaisquer novos ativos.

Resultado: a produção de petróleo argentina hoje é praticamente a mesma de 1995 - cerca de 800 mil barris diários - e o governo é obrigado a cada ano importar maior valor em derivados para suprir a demanda crescente. Além disso, o país é bastante dependente do gás natural (inclusive para calefação de residências), cuja produção está decrescendo e que exigiu a importação de gás via Bolívia e via compra de GNL (gás natural liquefeito), mais caro. Para o leitor ter uma ideia, em 2011 a Argentina importou US$ 10 bilhões em derivados de petróleo, o que impacta de maneira dramática não somente as contas externas quanto o câmbio.

Vale lembrar que o gás natural representa 53% da matriz energética do país, e o petróleo 32%. Somados representam 85% da energia produzida no país, o que torna ainda mais problemática a falta de investimentos e a estagnação da produção. Embora a YPF não seja monopolista ela detém a esmagadora parcela da produção do país.

Somando-se a isso, a YPF/Repsol desde 2009 não perfura um único poço de petróleo no país. Vale lembrar que há perspectivas muito interessantes de exploração marítima na região próxima às Ilhas Malvinas, bem como reservas de óleo e gás natural de xisto em campos (acima) terrestres - ambas inexploradas pela empresa pois sua estratégia é global e ainda há a questão da recessão na Espanha. O governo argentino sabe que pode resolver parte dos seus problemas fiscais com os royalties e as taxas da exploração destes novos campos, o que impulsionaria à decisão tomada.

Por outro lado, uma reestatização destas teoricamente afetaria a confiança dos investidores no mercado argentino, pois seria vista como uma "quebra de regras" na atividade econômica, o que criaria alto grau de incerteza na economia. Ressalvo que o mercado de petróleo tem suas particularidades, a principal delas o fato de que os principais suprimentos e reservas estão em regiões de alta instabilidade política - o Oriente Médio e especialmente a Rússia. Mal ou bem a América do Sul é uma região onde os governos são democráticos e as regras mais respeitadas que nestas regiões citadas. Some-se a isto o fato de que a América do Sul parece ser a última fronteira petrolífera mundial promissora a ser explorada, ainda que haja boas perspectivas na região de Angola.

Além disso o país platino ainda teria de medir as consequências da reação internacional, que no momento em que escrevo (tarde de terça feira) praticamente somente se resumiu à Espanha e a um comunicado burocrático da secretária de Estado americana Hillary Clinton condenando a decisão. A diretoria da Repsol, dona da YPF, tratou de avisar que faz negócio de venda: em uma fonte vi US$ 8 bilhões, outra US$ 10 bilhões. Resta saber se a presidente Cristina Kirchner optará por pagar o preço exigido ou se fará a nacionalização por um valor simbólico e posteriormente brigar nos tribunais de arbitragem.

Um ponto sintomático é que nem o grupo midiático "Clarín", uma espécie de "Veja" argentina na oposição ao governo, criticou a nacionalização propriamente dita. Parece claro que a estratégia da Repsol em retirar os lucros argentinos para investir em outros locais somado aos custos crescentes do abastecimento de derivados tornaram consenso que algum tipo de ação deveria ter. Note-se que até o ex-Presidente Menem, hoje senador, já declarou que votará a favor da proposta. As críticas feitas pela oposição se dirigem especialmente ao fato de que um empresário amigo do governo, que detém cerca de 25% das ações, deverá ser beneficiado.

A lei encaminhada ao Congresso argentino, além de nacionalizar os 57% de ações da Repsol na YPF e dividi-los entre o governo federal e o das províncias, sistematiza o marco regulatório do petróleo no país, que estava fracionado. Minha impressão é de que a idéia é estabelecer contratos de concessão com outras empresas, com a YPF nacionalizada e tendo percentagem nos mesmos, a fim de obter recursos para investimentos de que o país não dispõe e ao mesmo tempo não somente diminuir a dependência de derivados importados como auferir rendas provenientes de royalties e outras taxas - o que alivia a situação fiscal e a das contas externas pelos dois lados.

Lembro ao leitor que nenhuma empresa petroleira saiu da Bolívia após a renegociação de contratos empreendida pelo Presidente Evo Morales - que, na prática, apenas igualou a situação boliviana ao que ocorria no restante do mundo. Ou seja, ao contrário de ramos como o sistema financeiro o mundo do petróleo tem uma avaliação de risco de investimento bastante própria.

Essa situação da Argentina é um exemplo muito preciso do que venho afirmando neste blog há tempos: petróleo não é uma commoditie qualquer, é uma questão de Estado. Quando se olha a evolução da Petrobras estatal nos últimos dez anos e se compara o quadro argentino a diferença é nítida. Hoje o Brasil não somente caminha para a autosuficiência na produção de petróleo (esta já alcançada em termos absolutos) como derivados - a se alcançar com a entrada das novas refinarias em fase de construção - como também toda a política de Estado de se comprar insumos e equipamentos no mercado interno está se revelando um fator dinamizador da economia brasileira.

A Argentina parece estar querendo seguir caminho parecido, desvinculando sua economia e sua segurança energética de decisões baseadas em fluxos de caixa tomadas em Madri. Não desconsidero o populismo do governo Kirchner nem as reações de agentes econômicos e de governos europeus contra a medida. Mas ainda acredito que os benefícios da medida são maiores que os custos - até porque a Repsol parece bastante receptiva a um entendimento com o governo argentino e, a meu ver, há que ser feito um acordo para se chegar a uma indenização que seja razoável para todos os lados envolvidos.

Vamos aguardar os desdobramentos.

P.S. - Hoje, 19 de abril, comemora-se o aniversário de nascimento do presidente Getúlio Vargas - que encampou a campanha d´"O Petróleo é Nosso" e criou a Petrobras.

http://pedromigao.blogspot.com.br/2012/04/algumas-notas-sobre-nacionaliz...

 

La vem a mesma ladainha que o importante não é o fato, é a imprensa.

1.A Argentina produziu uma chamada "expropriação" confrontacionista no estilo tradicional do peronismo e com isso sai fora da ordem economica global, não tem nada a ver com a Folha, o Estadão, o Globo, este é um fato concreto, a imensa disponibilidade mundial de liquidez não vai nem respingar na Argentina porque é um pais amalucado, alucinado, sem logica nem para beneficio proprio, um Pais que assiste a uma imensa fuga de capitais, só no ano passado foram US$30 bilhões, quatro meses de exportação cairam fora da Argentina, dinheiro de argentinos QUE NÃO CONFIAM NO GOVERNO DE SEU PAIS.

2.Nacionalização de recursos petroliferos ocorreram na Arabia Saudita, no Kuwait, na Venezuela, no Peru, nos Emirados Arabes, sempre sob a forma de NEGOCIAÇÃO e não de expropriação. Os sauditas assumiram a maior empresa de petroleo do planeta, a ARAMCO, que pertencia a à Chevron, Exxon e Mobil Oil, sem nenhum trauma. A Venezuela em 1982 assumiu a Shell, a Texaco e a Exxon de forma negociada, sem trauma e sem qualquer reação dos EUA.

3.A nacionalização negociada se fz cumo uma compra de ativos, , com PAGAMENTO ou garantia de pagamento definido, de acordo com as leis internacionais de garantia de investimento, a chamada decisão ""soberana"" é aceita mas  o fato de ser soberana não significa fora das leis internacionais.

4.O Brasil se deixou expropriar pela Bolivia de suas duas refinarias e do campo de gas da Petrobras em Tajira, por ordem superior, porque a Bolivia é do campo ideologico da esquerda.  Não foi uma compra de ativos, foi uma "expropriação" no estilo argentino, não sei se pagaram compensação, ninguem mais falou no assunto.  O MAIOR PREJUIZO FOI DA BOLIVIA, porque já havia projetos da Braskem para construir um polo petroquimico na Bolivia, usando o gas, com investimento de US$2 bilhões. Hoje a Petrobras e a Braskem projetam um investimento no mesmo modelo no Peru, para US$16 bilhões de investimento, PORQUE O PERU ESTÁ DENTRO DA ORDEM FINANCEIRA GLOBAL, algo que o autor do artigo da Carta Capital  se esqueceu de informar. A Petrobras tambem está investindo na Colombia pela mesma razão.

Só um idiota diz que existem duas alternativas, aceitar passivamente a expropriação ou mandar tanques e jatos para invadir o Pais. Entre uma coisa e outra há medidas diplomaticas, de retaliação economica, dentro do direito internacional que o Brasil não ousou fazer com Morales porque esse é considerado "compañero", que todavia se esqueceu de convidar o Brasil para explorar o litio boliviano,  tendo convidado desde a Russia até a Coreia para esse negocio.

 

5.A produção de petroleo e gas da Argentina caiu realmente por uma razão economica fundamental: o Governo Kirchner, para manipular a inflação que na Argentina já está na ordem de 30% ao ano, TABELOU o gás a US$2 por jmilhão de BTU na boca do poço e o petroleo a US$42 por barril, com isso não há inentivo para investir. A YPF não é a unica petrolifera da Argentina, TODAS DIMINUIRAM A PRODUÇÃO, então o problema não é com a YPF, é macro, é da má politica de preços do setor de petroleo na Argentina.

6.Exploração de petroleo EXIGE IMENSOS INVESTIMENTOS que a Argentina não dispõe. Vai ter que se virar com recursos do Estado porque o capital privado está completamente desencorajado de investir nesse setor na Argentina. Foi um erro estrategico para alcançar um objetivo politico imediato atiçando

o nacionalismo. Não é exempo para ninguem, ao contrario do que o artigo quer dar a entender.

7.O Brasil está em um caminho COMPLETAMENTE OPOSTO ao da Argentina, usando a poupança externa para financiar a Petrobras, que opera dentro da ordem economica de mercado.  O Brasil tem que tomar cuidado com a tentativa da Argentina de contaminar o Brasil, amanhã o ""interventor"" na YPF, um pelego peronista, virá ao Brasil para se encontrar com o Ministro Lobão para pedir alguma coisa, que coisa boa não será. Todo cuidado é pouco com argentino, especialmente peronista.

Esse artigo é um lixo, confuso, com mensagens equivocadas, misturando Bolivia com Peru, situações OPOSTAS, colocando a Florida com a Odebrecht, questões completamente fora do contexto, tentando mostrar virtuosismo na politica ""compañera" do Brasil, que só trouxe prejuizos à Petrobras., elogiando e defendendo a atitude suicida da Presidente Kirchner, achando virtuosismo aonde só há

irracionalidade e bravta. A Carta Capital gastou um espaço com material inservivel.

 

Ué, AA, gente, se

"...um Pais que assiste a uma imensa fuga de capitais, só no ano passado foram US$30 bilhões, quatro meses de exportação cairam fora da Argentina, dinheiro de argentinos QUE NÃO CONFIAM NO GOVERNO DE SEU PAIS."

está em franco crescimento, bem maior que o do Brasil nos últimos anos, podemos inferir que a entrada de capital do exterior é nociva ao país?

Tudo tão estranho!

 

Calma André, os comentaristas estão apenas falando sobre o samba de uma nota só de nossa mídia. Não discutem todas as implicações da medida, apenas noticiam seu lado negativo, como sempre.

Aliás, temos lido previesões negativas sobre a Argentina em nossa mídia, desde que Nestor Kirchner decretou aquele calote. Se as previsões da mídia estivessem todas corretas, o país teria quebrado e estaria isolado da economia mundial, estaria em guerra civil, depois daquela crise com o agronegócio e estaria sofrendo de hiper inflação. Aliás, falar em inflação real de 30% é exagero. Não dá para esconder uma inflação dessa no armário. Em resumo, se as previsões estivessem corretas, a Argentina se encontraria hoje no fundo do oceano Atlântico. Porém, nunca vimos isso. Muito pelo contrário, a economia tem crewcido anualmente bastante.  

Você sqabe muito be que empresários gostam mesmo é de lucro. Basta o governo argentino acenar com u plano de negócios atraente para o setor de óleo e gás que até a REPSOL vai se interessar. O que não pode é deixar a turma tomar conta do pedaço sem estar vigilante. Porque aí, os empresários sugam até a última gota na forma de dividendos. Veja o exemplo da China. Fabricou navios gigantescos para a Vale transportar minérios para a própria China. Só depois disse que os navios estavam proibidos de entrar em portos chineses. Ninguém reclamou da insegurança jurídica. A China continua sendo um grande negócio.

 

Aliás, falar em inflação real de 30% é exagero. Não dá para esconder uma inflação dessa no armário.

 

Exagero?? É exagero para você que não mora aqui. E como se não bastasse a inflação absurda (que para mim é possivelmente maior que 30%, talvez até 50%), este incompetente e irresponsável governo K está retirando subsídios (alguns que jamais deveriam ter existido) e aumentando impostos, o que está puxando a os preços ainda mais pra cima.

 

Quem decretou o calote NAÕ foi o Presidente Nestor Kirchner, foi Alfredo Saa e que organizou a moratoria foi o Ministro da Economia Roberto Lavagna, um extraordinario e competente profissional que Nestor Kirchner demitiu de forma humilhante por ciumes de sua popularidade.

Ninguem declarou que a Argentina iria quebrar, a Argentina QUEBROU de fato e de direito e se recuperou em parte devido ao extraordinario aumento do preço da soja, que passou a ser sua principal exportação, tendo a China como compradora.

A Argentina teve o mesmo beneficio do Brasil com as commodities e toda sua economia gira em torno desse ciclo, inclusive o crescimento., que parte de uma base muito baixa no ano da moratoria quandoa economia argentina se reduziu pela metade.

 

Quanta prepotência ao analisar os fatos.

Sabe de tudo este pedagogo e o que é importante de fato saber, alega que não o informaram, sic !

O Lula à época achou justo o pleito da Bolívia em rever o preço do gás - era o que o povo boliviano possuía como uma  base de seu sustento. O AlKcmim é que dizia que o governo era frouxo; se fosse ele o presidente enviaria o exército para reaver a refinaria tomada com marketing populista.

O Gabrielli disse trocentas vezes que a Bolívia pagou "corretamente" o valor da refinaria e que foi um bom negócio para a Petrobras.

O texto só mostra que as verdadeiras razões das atitudes tomadas não são avaliadas por existirem uma mídia que gosta de analisar botando lenha na fogueira e torcendo para  ter um incêndio incontrolável, abastecendo assim, por meses a tiragem do jornal e garantindo o emprego de Jabours, Leitões, Mervais, Sadembergs.....

 

MRE

Meu caro, a Bolivia estatizou as reservas de gas, as refinarias, os gasodutos e SE MANTEM NA MESMA MERDA de onde não vai sair porque ninguem investe na Bolivia um centavo nem para explorar o litio deles, a maior reserva mundial, existiam planos grandiosos para o gas boliviano, a começar pelo Corredor Bioceanico que levaria o gas boliviano para o porto de Iquique no Chile, liquefazendo lá e despachando para a California, um projeto da Pan American Energy, de US$17 bilhões, o Prefeito de Iquique tinha inclusive reservado uma grande area para o porto zona franca da Bolivia, a Pan American tinha a segunda maior reserva de gas, depois da Petrobras, quando o Evo (que triste nome) estatizou ACABOU esse projeto e mais o da Braskem, de um polo gasquimico de US$2 bilhões,  a Bolivia ruma para a era pre-colombiana, que é a era mental desse indio imbecil.

 

fonte: http://www.indexmundi.com/g/g.aspx?c=bl&v=66&l=pt

Não é um crescimento chinês, mas está mais perto deste do que para a volta ao neolítico. Como sempre, falsidade intelectual de sua parte.

 

Índio imbecil....

Que beleza AA...

 

ANTIFA!

O André Araujo está cada vez mais refinando os seus argumentos.

 

André, a tranquila reeleição de Cristina contraria o seu argumento de que argentinos NÃO CONFIAM NO GOVERNO DE SEU PAIS.

 

Meu caro, estou falando de fuga de capital, quem tem capital não é a totalidade dos eleitores, se é que vc me entende.

 

Muita ingenuidade (no seu caso falsidade intelectual) achar que faltarão capitais à argentina, num mundo onde o capital não tem pra onde correr, ainda mais no setor de petróleo.

 

Entendo, e você também deve entender que esse capital é na maioria das vezes muito volátil. Traçar diretrizes nacionais em função desse capital já foi feito (inclusive no Brasil). E deu no que deu (tái o doloroso exemplo da Europa).

 

Capital volatil é o que vai e volta, especulativo. Essa fuga de capitais da Argentina vai e não volta, é poupança da classe media alta que funciona como proteção para o futuro.

Os argentinos são a sociedade latino-americana que maior volume tem depositado no extrior, US$210 bilhões, segundo o ultimo levantamento bianual do Banco de liquidações Internacionais da Basileia.

A fuga de capitais da Argentina geralmente faz uma primeira parada no Uruguai, cuja praça financeira existe e funciona baseada nessa fuga de capitais da Argentina, que existe desde a decada de 50, porisso é que o volume estocado no exterior é tão grande.

 

Só consegui ler até: "Os sauditas assumiram a maior empresa de petroleo do planeta, a ARAMCO, que pertencia a à Chevron, Exxon e Mobil Oil, sem nenhum trauma".

Não se pode levar alguém a sério ao ler isso. A leitura de um bom livro de história evitaria esse tipo de constrangimento.

 

E qual é o trauma que ocorreu na nacionalização da ARAMCO? Me explique, eu gostaria de entender.

A Arabia Saudita é o maior parceiro dos EUA no mundo arabe, lá eles tem sua maior base aerea fora dos EUA, a ARAMCO é saudita mas toda prestação de serviço é feita pelas majors americanas e o Reino da Arabia Saudita tem US$1 trilhão aplicado em titulos dos Tesouro dos EUA, qual é o trauma que vc viu?

 

Não é verdade que a Bolívia vende "gás barato para o Brasil", o valor é cotado em preço internacional. E se a Bolívia não vender para o Brasil vai fazer o que com todo aquele gás que ela não tem como utilizar. é a maior fonte de renda da Bolívia.

 

EXTRA! EXTRA! EXTRA!!

Mídia nativa sugere (???) uma Cristina Kirchner apaixonada??????

É pra rir ou pra chorar??

 

http://economia.ig.com.br/2012-04-18/alex-kicillof-o-viceministro-bonitao-que-virou-o-guru-de-cristin.html

 

Sem nuca querer repercutir a nossa velha mídia, o problema da Argentina não está na legitima defesa dos interesses nacionais e sim no verdadeiro motor das decisões por vezes erráticas do governos Kirchner's, ou seja usa-se sempre que necessário para o populismo, bandeiras faceis de levantar e incendiar os brios nacionalistas e é este ponto que preocupa.
Em termos de interesses econômicos, o Brasil tem na Argentina um parceiro gigante, ou seja um eventual surto nacionalista ou protecionista mais forte (já vemos reflexos deste protecionismo), pode até comprometer o crescimento brasileiro (aliás protecionismo que não se revela contra a China, no caso de manufaturados, ou seja o alvo é o Brasil). Assim, não há comparação entre ter uma atitude condescendente com a Bolivia, Paraguai ou Venezuela, com as consequencias deu uma atitude Argentina. É esta politica errática que assusta o empresariado brasileiro, em que o acordo só está bom para os argentinos quando estão ganhando, e numa conjuntura da perda eles imediatamente tomam atitudes unilaterais.
Entendo que a tomada de controle da YPF, poderia ser feita sem toda esta pirotecnia populista e mais pragmatica, pois do jeito que foi vai provocar reações, com sérios reflexos nos interesses do Brasil na relação Mercosul/União Européia.
E pior deixa uma incerteza no ar, e se amanhã ela tiver como alvo a Petrobrás, ou uma Brasil Foods, ou um Friboi, como ficaremos?

 

>>>> E pior deixa uma incerteza no ar, e se amanhã ela tiver como alvo a Petrobrás, ou uma Brasil Foods, ou um Friboi, como ficaremos?

Perco o respeito pelos diretores de Brasil Foods, Friboi ou qualquer outra empresa privada se realmente acreditam que seus ativos na Argentina estão seguros. Nem digo Petrobras, cujos investimentos têm orientação politica.

O bla bla bla do jornalista da Carta Capital passou ao largo do ponto principal: a Argentina não é um parceiro comercial confiavel, menos ainda um bom destino para investimentos de longo prazo. Não é vista assim por investidores privados nem por governos (brasileiro inclusive, que de bobos os companheiros não têm nada). Nossos demais vizinhos não são melhores na média. Você tem alguma chance de fazer dinheiro por la enquanto agradar, ou ao menos não desagradar, o governo. Ou enquanto houver interesses outros do governo argentino, parceiro não do Brasil, mas do governo brasileiro (ao menos enquanto ele estiver com o PT, com o qual Dona Cristina mostra ter afinidades).

 

A matéria, além de demostrar que a grande imprensa é canalha, pode servir de base de argumento para estatizar as telefonicas e a Vale, só para ficar por aqui.

 

A mídia venal brasileira é o exemplo mais bem acabado de vassalagem política de que se tem notícia. Berram, urram de ódio contra os terríveis "inimigos" do Brasil, as 'perigosíssimas' Bolívia, Venezuela, Equador e Argentina... O problema do Brasil nunca foi, não é e jamais será os países da América do Sul, muito antes pelo contrário! Temos de aumentar a integração social, política, econômica, infraestrutural e comercial com nossos vizinhos, esse é o caminho correto. Deveríamos questionar, ao contrário do que fazem os vassalos do primeiro mundo, porque cargas d'água o Brasil ainda não é o primeiro parceiro comercial da Venezuela, da Colômbia, do Equador, do Peru e do Chile. O Itamaraty tem que ter a meta para os próximos dez anos de fazer do Brasil o maior parceiro comercial de todos os países da América do Sul. Isso sim é uma política progressista!!


 


Todas as disputas existentes na América do Sul e no mundo inteiro se dão por razões comerciais. Só os néscios não entendem isso. Só os néscios pensam que os EUA odeiam Hugo Chavez porque ele é 'socialista', 'tirano', etc... Os yankees o odeiam porque quando ele assumiu o poder em fevereiro de 1999, 70% do comércio venezuelano era feito com os EUA, e hoje, apenas 1/3 do comércio venezuelano é feito com o Tio Sam! Esse é o motivo do ódio... Hugo Chavez fez, corretamente, aquilo que Lula fez no Brasil também, ou seja, diversificou o número de parceiros comerciais de seu país. É lamentável que tenhamos uma mídia venal tão vassala, que defende não o interesse nacional brasileiro, mas sim os interesses da Europa e dos Estados Unidos da América. Essa impressa vira-lata, melhor dizendo, com eterno complexo de vira-latas, é que impede que o Brasil deslanche e atinja mais rapidamente seus objetivos estratégicos enquanto nação.

 

Diogo Costa

Excelente análise, argumentação avassaladora.

 

O artigo tenta nos fazer acreditar que foi uma decisão técnica mas é obvio que não foi bem assim.

O Governo poderia ter fundado OUTRA estatal para realizar SEUS investimentos.

Há argumentos de ambos os lados. MAs no fundo a decisão foi política mesmo.

 

Sua proposta é tão simplista que chega a ser infantil.

 

É, funda uma outra companhia Estatal mas explorar petróleo e gás aonde, se os campos de exploração já foram concedidos para as empresas privadas? 

Não existe solução simples para problemas complexos.

 

Athos,

Obviamente que é uma decisão política, mas quem cruzou com executivos agrentinos nos últimos anos percebeu neles uma admiração crescente para a evolução da Petrobras, em comparação com o declínio rápido do setor na Argentina. O pre-sal como descoberta de reservas e muito mais como processo de industralização (sei AA era para comprar todos os equimentos dos EUA ou CHINA e vender toda aprodução "pros mesmos") foi de fato o fator que gerou a decisão política.

Mas uma vez uma coisa horrível (para o capitalismo do "1º mundo") foi consequência de decisões de um operário analfabeta.