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Mensalão foi mentira de Roberto Jefferson para derrubar José Dirceu, admite advogado

12/8/2012 13:16,  Por Redação - de São Paulo

18 Jefferson

Roberto Jefferson teria inventado a história para se vingar de Dirceu

O julgamento da Ação Penal 470, apelidado de ‘mensalão’ pela mídia conservadora, sofrerá nesta segunda-feira a sua maior reviravolta. Advogado do deputado cassado RobertoJefferson, autor da denúncia de compra de votos por parte de um esquema audacioso, montado para que o Partido dos Trabalhadores (PT) permanecesse indefinidamente no poder, segundo a tese do ‘mensalão’, Luiz Francisco Corrêa Barbosa dirá à Superma Corte que tudo não passou de uma mentira, de uma invencionice de seu cliente. Os recursos entregues pelo PT ao PTB, no total de R$ 4 milhões, eram, na verdade, o cumprimento de um acordo para financiamento de campanhas municipais em 2004.

 

http://correiodobrasil.com.br/mensalao-foi-mentira-de-roberto-jefferson-para-derrubar-jose-dirceu-admite-advogado/499949/


 

   

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"O julgamento da Ação Penal 470, apelidado de ‘mensalão’ pela mídia conservadora, sofrerá nesta segunda-feira a sua maior reviravolta." 

Mensalão foi mentira de Roberto Jefferson para derrubar José Dirceu, admite advogado

12/8/2012 13:16, Por Redação - de São Paulo

Roberto Jefferson teria inventado a história para se vingar de Dirceu

O julgamento da Ação Penal 470, apelidado de ‘mensalão’ pela mídia conservadora, sofrerá nesta segunda-feira a sua maior reviravolta. Advogado do deputado cassado Roberto Jefferson, autor da denúncia de compra de votos por parte de um esquema audacioso, montado para que o Partido dos Trabalhadores (PT) permanecesse indefinidamente no poder, segundo a tese do ‘mensalão’, Luiz Francisco Corrêa Barbosa dirá à Superma Corte que tudo não passou de uma mentira, de uma invencionice de seu cliente. Os recursos entregues pelo PT ao PTB, no total de R$ 4 milhões, eram, na verdade, o cumprimento de um acordo para financiamento de campanhas municipais em 2004.

Corrêa Barbosa adiantou a sua linha de defesa do cliente em uma entrevista publicada neste domingo em um portal da internet. O advogado confessa que a tal mesada, supostamente paga a parlamentares, foi “objeto de coação”. Jefferson, que se dizia pressionado pelo partido, criou a palavra como figura retórica para se vingar de seus algozes. O segundo conceito é o caixa 2, como já admitido por réus, como Delúbio Soares. Com essa confissão pública, Jefferson derruba a tese central da peça de acusação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, estruturada em mais de cinco horas de leitura, no início do julgamento, sobre as mentiras do ex-parlamentar petebista.

Barbosa criticou, ainda, as falhas na denúncia de Gurgel. Segundo ele, a defesa do operador do ‘mensalão’, Marcos Valério, feita pelo advogado Marcelo Leonardo conseguiu desconstruir a tese do procurador-geral.

– A casa caiu! – exclamou, em entrevista ao portal iG.

Corrêa Barbosa, advogado de jefferson, seguirá a mesma linha da defesa de Delúbio Soares, de que o esquema não passava de caixa 2

Segundo o advogado, “ele (Leonardo) indicou provas em juízo, ao crivo do contraditório, que não são aquelas que indicou o procurador-geral (da fase pré-processual e em tese sem validade, conforme a defesa dos réus no processo). Essa ação penal vai terminar com um festival de absolvições porque não tem provas contra quase ninguém”. Barbosa também ratificou que Roberto Jefferson de fato recebeu R$ 4 milhões do PT. Na época, o PTB negociou com o PT a concessão de R$ 20 milhões. Segundo a defesa do petebista, esse dinheiro serviu para o custeio das campanhas municipais de 2004. A defesa de Jefferson nega que o depósito de R$ 4 milhões foi utilizado para a compra de apoio político do partido visando a aprovação da reforma da previdência.

– Não há um elemento de prova no processo a não ser a palavra dele (Roberto Jefferson) de que ele recebeu esses R$ 4 milhões – revela.

Na entrevista em vídeo concedida ao iG, Barbosa confirma que também vai defender, em favor de Jefferson, a mesma tese apresentada pela defesa do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, entre outros, segundo a qual o pagamento de congressistas denunciado pela Procuradoria Geral da República (PGR) não passou de um mero esquema de Caixa 2 (pagamento de despesas de campanha não declaradas à Justiça Eleitoral).

Na semana passada, o presidente do PTB já fez essa revelação ao dizer “José Dirceu me derrubou, mas livrei o Brasil dele”. Essa “vingança” mobiliza o debate político no Brasil há sete anos e boa parte da acusação de compra de votos está ancorada no testemunho de um personagem que, agora, desdiz tudo o que havia dito.

http://correiodobrasil.com.br/mensalao-foi-mentira-de-roberto-jefferson-...

 

do Carta Maior

A importância geopolítica da Bolívia e a integração da América do Sul

Seja com um novo triângulo estratégico (Santa Cruz, Cochabamba e Tarija) ou junto ao Paraguai e ao Centro-Oeste do Brasil, a Bolívia tem uma função crucial no processo de integração, como a grande “área de soldadura”. Segundo Padula, esses espaços mediterrâneos, situados no coração continental, “ao mesmo tempo em que sofrem com o confinamento do interior, lhes aufere enorme potencial para exercer o papel de plataforma de interligação do comércio regional e bioceânico”. O artigo é de Luciano Wexell Severo.

Data: 12/08/2012

O objetivo deste artigo é realizar uma breve análise sobre a importância geopolítica da Bolívia no cenário da América do Sul, a partir da ótica de destacados pensadores de diferentes nacionalidades. Inicialmente será apresentada uma visão geral do conceito de Heartland, desenvolvido no início do século passado pelo geógrafo inglês Halford Mackinder. A seguir, serão apresentadas as contribuições de autores como o brasileiro Mario Travassos, o estadunidense Lewis Tambs e os bolivianos Jaime Mendoza, Alipio Valencia Vega, Alberto Ostria Gutierrez, Guillermo Francovich e Valentin Abecia Baldivieso, entre outros. Por fim, é sugerida uma releitura do papel da Bolívia no atual processo de integração regional, frente à recente diversificação das atividades econômicas, ao fortalecimento de novas cidades e à aplicação da iniciativa para a Integração de Infraestrutura Sul-Americana (IIRSA).

1. Heartland de Mackinder
Em 1904, o geógrafo inglês Halford Mackinder apresentou para a Real Sociedade Geográfica de Londres o seu artigo The Geographical Pivot of History. No reconhecido trabalho estava presente a sua teoria sobre a “área pivô”. Em 1919, reapresentou a elaboração com o nome de Heartland (Mello, 1999, p.45). Segundo a sua interpretação, o mundo estaria dividido em três zonas: o Grande Oceano (que abrange três quartos do planeta), a Ilha Mundial (Europa, Ásia e África) e as ilhas-continentes menores (Austrália e Américas).

A grande área continental, cujo centro estava afastado dos mares, tinha características geográficas de uma fortaleza natural rodeada por grandes acidentes geográficos, como rios, desertos, geleiras, planaltos e cadeias montanhosas. Além disso, essa região oferecia a possibilidade de fácil projeção em diversas direções. Tinha poder de articulação territorial e estava posicionada no centro de uma grande massa continental (Pfrimer e Roseira, 2009, p.5). De acordo com Oliveira e Garcia (2010), o conceito de Heartland

Foi desenvolvido para categorizar uma vasta região no “coração da Eurásia”, o maior de todos os continentes da Terra, ou “Ilha-Mundo”... O Heartland foi definido originalmente como um vasto território, com amplo potencial para a agricultura, pecuária, extrativismo ou assentamento de grupos humanos. Rica em recursos naturais de toda sorte, além de terras férteis ou potencialmente agricultáveis, reservas de recursos hídricos, planícies, estepes e florestas, a zona “pivô” da Eurásia incluía, em suas definições originais, a ideia de rios caudalosos, enormes jazidas de recursos minerais, do ferro e manganês ao fósforo e o potássio, enormes reservas de recursos energéticos como carvão mineral e petróleo [1] .

No início do século passado existia, naturalmente, uma forte influência das teorias geopolíticas da Europa e dos Estados Unidos nos meios militares sul-americanos. Foram exatamente autores relacionados com a área militar que se dedicaram a estudar a geopolítica da região. No caso específico de nosso trabalho, o mais relevante a destacar é que cerca de vinte anos depois da formulação de Mackinder o conceito de Heartland passou a ser utilizado também nas análises sobre o território da América do Sul [2] . A principal contribuição neste sentido foi o trabalho desenvolvido por Travassos (1935), depois reinterpretado por Tambs (1965). Couto e Silva (1955) e Pinochet (1968) continuaram utilizando os referenciais teóricos existentes, mas aproveitaram-se das contribuições atualizadas pelo geógrafo e geo-estrategista holandês Nicholas Spykman [3]. Os cinco pensadores bolivianos utilizados também agregaram pouco valor teórico à proposta original de Travassos, ainda que representem a visão própria de um país que perdeu quase dois terços do seu território em cinqüenta anos, entre 1883 e 1935.

2. “Antagonismos geográficos” e “Triangulo estratégico” de Travassos
A primeira edição do livro de Mario Travassos, de 1930, se chamava “Aspectos Geográficos Sul-Americanos”. Em 1935, o trabalho foi novamente publicado com o nome muito mais audaz de “Projeção Continental do Brasil”. De acordo com a interpretação deste autor, exatamente no território da Bolívia ocorria uma série de “antagonismos geográficos com resultantes geopolíticas” [4] relacionados com a sua localização em relação aos três grandes acidentes geológicos da América do Sul: a Cordilheira dos Andes, que divide o continente a leste e a oeste, e as bacias dos rios Amazonas e do Prata, que condicionam uma divisão norte-sul.

De acordo com essa visão, é no território boliviano, na região que entre 1559 e 1825 foi conhecida como “Audiência de Charcas”, que se unem as “vertentes” do Oceano Pacífico e do Oceano Atlântico e que se tocam as duas principais bacias hidrográficas da região (Filho, 2004, p.10). A Bolívia seria, portanto, o único país da América do Sul a ocupar simultaneamente ou exercer projeção sobre todos esses quatro espaços. As tensões sobre o território boliviano estavam concentradas na área situada entre as cidades de Santa Cruz de La Sierra, Cochabamba e Sucre. Existia entre essas cidades um “triângulo estratégico”, que incluía as importantes cidades mineradoras de Oruro e Potosí. Justamente nesta zona, de acordo com Travassos, se confrontavam abertamente os interesses do Brasil (“influências amazônicas”) e da Argentina (“influências platinas”) pela supremacia geopolítica do sub-continente. Pfrimer e Roseira (2009, p.6) lembram que, para o militar brasileiro, “a chave desses problemas se encontra no triângulo econômico, verdadeiro signo da riqueza boliviana” [5].

Travassos identifica a influência da Argentina, detentora da desembocadura do rio da Prata, como uma ameaça sobre a Bolívia. Desde alguns anos antes, o país vinha criando vias férreas de comunicação com o Oceano Pacífico no sentido leste-oeste (desde Buenos Aires até Santiago do Chile) e no sentido sul-norte (desde Buenos Aires até La Paz e o porto de Arica) [6]. Segundo o autor, a estratégia argentina de estabelecer essas linhas verticais sobre o mapa sul-americano confrontava claramente com a projeção brasileira de criar caminhos no sentido do oeste, buscando permanentemente uma saída para o oceano Pacífico.

Para Leonel Itaussu Almeida Mello (1997), Travassos propunha que o Brasil lançasse mão de uma contundente política de comunicações que garantisse a unidade territorial e, ao mesmo tempo, assegurasse a projeção brasileira para a América do Sul. Durante o primeiro governo de Getúlio Vargas iniciou-se a construção da linha entre Corumbá e Santa Cruz de la Sierra, visando exatamente ampliar a presença do Brasil na porção oriental do território boliviano. Naquele momento, ainda não existia a atual conexão argentina entre Buenos Aires e Santa Cruz de la Sierra [7].

Vale comentar que Mackinder a usou a ideia de Heartland para falar de uma área mediterrânea central que daria ao Estado que a domina capacidade de mobilidade e projeção em todas as direções da Eurásia. Ao mesmo tempo era uma fortaleza natural. O caso da Bolívia é similar. Uma área mediterrânea central que pode ser considerada uma fortaleza natural; um altiplano entre duas cordilheiras É uma plataforma de projeção para todas as direções e, ao mesmo tempo, está sujeita a sofrer ameaças desde todas as direções. A grande boliviana questão é a não utilização destas potencialidades pelo Estado.

3. “Heartland Sul-Americano” de Tambs
Pfrimer e Roseira (2009, p.7) argumentam que “em momento algum” Travassos se referiu à idéia de Heartland ou Pivô Geográfico da História tal como havia feito Mackinder [8]. Consideram que a responsabilidade pela “reconceitualização dos postulados de Travassos em direção do conceito de Heartland foi proposto pelo professor de História do Brasil na Universidade de Creighton, Lewis Tambs”. Este, não Travassos, teria adaptado a ideia de Mackinder para a situação da América do Sul. Assim, para o estadunidense, “quem controla Santa Cruz comanda Charcas. Quem controla Charcas comanda o Heartland. Quem controla o Heartland comanda a América do Sul” (Citado em Gumucio & Weise, 1978) [9].

Nota-se que há um limite para a utilização do termo Heartland no caso da América do Sul. Em nossa interpretação a validade do conceito se restringe a sugerir semelhanças gerais, que perdem sentido quando se busca generalizá-lo amplamente. Uma das grandes características que marca o Heartland sul-americano é a visível ausência de um poder integrador político, econômico e bélico. O Estado boliviano não assumiu esse caráter. 

Antes da Guerra do Chaco (1932-1935), as elites governantes da Bolívia fizeram poucos movimentos no sentido de construir vias para integrar o território nacional, consolidar as fronteiras e ocupar as vastas áreas do oriente, consideradas “baldias”. Depois da Revolução Nacionalista de 1952, os planos de “marcha para o leste” ganharam amplo apoio, com a construção de infra-estrutura de transportes e serviços. O projeto buscava ativar uma linha de pólos de desenvolvimento, do altiplano, passando pelos vales e chegando aos llanos de Santa Cruz, promovendo a integração nacional (Pfrimer e Roseira, 2009, p.10). Em 1954, o governo de La Paz construiu uma rodovia entre Cochabamba e Santa Cruz de la Sierra. 

Naquele momento a Argentina e o Brasil já estavam unidos à cidade pelas linhas de trem desde Buenos Aires e Santos (Del Bosco, 2006, p.4). O geopolítico boliviano Alipio Valencia Vega (2011, p.255) afirma que

La vastedad territorial de Bolivia, abarcando cuatro regiones tan distintas entre sí y, sobre todo, separadas de otras por accidentes geográficos poderosos, sólo podría mantenerse a condición de que la acción humana de los escasos pobladores de dicho territorio se orientara prácticamente y sin descanso, desde el primer día de la independencia, al aprovechamiento efectivo de los principales recursos económicos de esas regiones y a la superación de los obstáculos geográficos, mediante la apertura de vías de penetración de unas regiones sobre otras. Si no se operaba esta acción, los centros nerviosos del país siempre estarían sumamente lejanos de la periferia de las fronteras, las cuales podían ser seccionadas fácilmente por los vecinos, en cuanto fuesen algo más poderosos y se aproximasen en su acción, desde sus costas hasta su propio interior.

Veremos a seguir como, anos mais tarde, alguns autores expandiram os “limites originais” do Heartland sul-americano como fruto das descobertas de maiores riquezas [10]. A área passou a incluir o norte argentino, o Paraguai e o centro-oeste brasileiro. Foi o caso dos militares Couto e Silva (1955) e Pinochet (1978), ambos fortemente influenciados pela Doutrina de Segurança Nacional contra o “inimigo vermelho”. O Heartland sul-americano ampliado, riquíssimo em rios, gás natural, petróleo, minérios e terras férteis passou a ser também identificado como estratégico para a segurança regional e vital para o processo de integração sul-americana.

Em 1981, o general brasileiro Golbery do Couto e Silva apresentou a ideia de que na configuração geopolítica da América do Sul existiam cinco áreas continentais. No caso de nosso estudo, o mais pertinente é fazer referência à “Área Geopolítica Continental de Soldadura”, integrada pelo Paraguai, a Bolívia e os estados brasileiros de Mato Grosso e Rondônia (Freitas, 2004, p.49-50). É interessante destacar que dez anos antes, em 1946, no livro “Una obra y un destino”, o boliviano Alberto Ostria Gutierrez já havia falado em termos muito parecidos e inclusive utilizado a expressão “soldadura” [11].

Outro destacado pensador boliviano, Jaime Mendoza realizou trabalhos que resgataram a identidade nacional e enalteceram a nacionalidade. Seu livro “El macizo boliviano”, de 1935, teve grande influência ao desenvolver ideias nativistas que relacionavam o território retalhado com a fortaleza cultural do país. O intelectual descreveu o maciço desta maneira:

Hemos llamado Macizo de Charcas y por extensión Macizo Boliviano, a esa formidable expansión geográfica de los Andes sudamericanos que se halla en la parte céntrica de su recorrido de más de cuatro mil kilómetros por las costas del Pacífico. De ella dijimos que constituye el eslabón más grueso y pujante de cuantos integran la cadena andina, dilatándose al oriente hacia el corazón de Sudamérica, cual si quiera darse de mano con el macizo del Brasil.

O general Pinochet (1978), bastante influenciado pelas ideias de Golbery, descreve a região da seguinte maneira:

Pela sua situação relativa na América do Sul não tem função isoladora, mas, ao contrário, de atração, articulação e soldadura entre os países que a rodeiam. Pela sua configuração, poderia ser comparada a um gigantesco imã que une as peças do conjunto e que se deixasse de atuar desmoronaria desarticulando-se [12].

4. Três conflitos, três derrotas
Os três conflitos bélicos enfrentados pela Bolívia resultaram em significativas perdas territoriais. No momento de sua criação, em 1825, o país tinha um território três vezes maior que os atuais 1,09 milhão de quilômetros quadrados. A situação foi totalmente alterada pela Guerra do Pacífico contra o Chile, a Questão do Acre contra o Brasil e a Guerra do Chaco contra o Paraguai. Ainda que a interpretação das razões e do desenrolar desses choques armados seja bastante complexa, podemos apontar dois fatores como os determinantes: a desatenção do Estado boliviano com as fronteiras distantes das principais cidades e a participação de empresas estrangeiras no centro dos embates [13].

Na Guerra do Pacífico (1879-1883), a Bolívia perdeu a sua única saída para o mar. Em 1825, com a independência boliviana, as autoridades chilenas haviam reconhecido (aceitado) os limites entre os dois países. No entanto, por volta de 1830 surgiu um novo elemento como detonador do conflito: as descobertas no litoral da Bolívia de imensas reservas de guano, nome dado às fezes de aves e morcegos acumuladas sobre as pedras. Devido aos grandes conteúdos de nitrogênio, fosfatos e amoníaco, o material era amplamente utilizado como fertilizante no empobrecido solo da Europa. O surgimento da química agrícola e a maior intervenção sobre as terras pobres alavancaram os preços internacionais dos fertilizantes. 

Posteriormente também foram identificadas na região imensas concentrações de salitre, outro tipo de adubo. A partir de então, as províncias de Tarapacá e Antofagasta e o deserto de Atacama ganharam relevância. Centenas de quilômetros de ferrovias passaram a conectar os portos bolivianos, de Antofagasta, com a cidade de Oruro, passando por Uyuni, no departamento de Potosí.

Os autores bolivianos analisados associam o estouro da guerra com os movimentos de empresas anglo-chilenas para apoderar-se de uma área rica, despovoada e praticamente abandonada pelo Estado boliviano. Por outro lado, alguns documentos chilenos, como o de Liberona (2002), atribuem o conflito ao fato do país discordar dos limites territoriais determinados de forma “arbitrária” pelo marechal Antonio José de Sucre, em 1825. O citado autor faz referência à ordem expressa de Simón Bolívar para Sucre: “dar un puerto para Bolivia a cualquier costo” [14].

A Questão do Acre (1902-1903) também é bastante intricada. De acordo com o general brasileiro Carlos de Meira Mattos (1980), os antecedentes do conflito estão presentes nas contendas sobre a navegabilidade nos rios fronteiriços entre o Brasil e a Bolívia. Desde 1826, os sucessivos governos brasileiros rechaçaram inúmeras propostas apresentadas por bolivianos e estadunidenses para autorizar a navegação de embarcações estrangeiras em águas interiores do território brasileiro.

Na prática, entretanto, a eclosão do enfrentamento coincidiu com o surto da borracha. O foco estava nas seringueiras, de cujo látex se produzia a borracha cada vez mais utilizada pela nascente indústria automobilística dos Estados Unidos e da Europa. Incapaz de defender as suas remotas províncias do nordeste, a Bolívia optou, com o apoio do governo dos Estados Unidos, por transferir o controle da região ao Anglo-Bolivian Syndicate de Nova Iorque. O “Sindicato” assumiu o controle efetivo sobre o Acre, com o monopólio de exploração da borracha na área e amplos poderes para administrar, arrecadar impostos e organizar polícias. A empresa tinha como principal executivo um primo do presidente estadunidense Theodore Roosevelt e como um dos maiores acionistas o banqueiro inglês Rothschild.

As tensões com o governo brasileiro foram crescentes até a assinatura do Tratado de Petrópolis, em 1903, no qual a Bolívia abriu mão do território do Acre. Como contrapartida, o Brasil ofereceu dois milhões de libras esterlinas e a proposta de construir a ferrovia Madeira-Mamoré, que possibilitaria uma saída boliviana pelo oceano Atlântico via Belém do Pará (Reyes, 2010, p.61-62).

Desde os tempos coloniais, a região do Chaco sempre recebeu pouca atenção e era caracterizada por imprecisões na demarcação das fronteiras. A Guerra do Chaco (1932-1935) colocou frente a frente os dois países mais pobres da América do Sul, que lutaram de forma cruel por uma porção de terra inóspita, seca, arenosa e despovoada. Alguns autores, como Chiavenato (1980), relacionam o conflito com as descobertas de jazidas de petróleo no Chaco, por volta dos anos 1920. Como na Bolívia as explorações eram feitas pela estadunidense Standard Oil, enquanto no Paraguai os trabalhos estavam a cargo da inglesa Shell, a guerra seria resultado dos interesses dessas petrolíferas.

No entanto, outros autores, como Gumucio (1978), interpretam que o enfrentamento teve suas origens em motivos mais estruturais. É necessário tomar em conta a conjuntura de crise dos anos 1930, a queda das exportações bolivianas de estanho e a sublevação que tomou conta do país. Além disso, para a Bolívia, depois de perder a saída para o Pacífico, a relevância do Chaco estava na possibilidade garantir uma saída para o Atlântico pela via dos rios Paraguai e da Prata. Em poucos dias, a tentativa boliviana de obter rapidamente o controle de portos no Rio Paraguai se transformou em uma terrível empreitada.

Gutierrez (1946) considera que com o término da Guerra do Chaco fechou-se para a Bolívia uma etapa da vida nacional. Acabou-se o processo de configuração territorial e foram estabelecidos os limites internacionais do país. De acordo com o autor, “estaban terminados los pleitos fronterizos con todos los vecinos, bien o mal, justa o injustamente, por la razón o por la fuerza, habían sido trazadas todas sus fronteras y suscritos los convenios respectivos” [15].

5. O “triângulo estratégico” hoje
As medidas promovidas pelo Estado boliviano depois da Guerra do Chaco tiveram impacto visível sobre o ordenamento territorial do país. A nova rede de caminhos e estradas possibilitou a migração e estimulou o surgimento de novas cidades. Além disso, pode-se afirmar que um dos principais resultados da “competição” brasileira e argentina pelo controle de Charcas foi o progressivo fortalecimento do oriente boliviano, através de investimentos, estímulos financeiros, construção de infraestrutura e estabelecimento de uma maior oferta de serviços públicos. O triângulo estratégico proposto por Travassos foi alterado [16].

Santa Cruz de la Sierra, de pequena vila jesuítica estabelecida em 1561 ao pé da cordilheira de Cochabamba, transformou-se rapidamente em um importante centro de articulação continental e em motor econômico da Bolívia[17]. Graças à intensa integração com o Brasil em diversos setores, como o agrícola e o energético, a zona já é interpretada como uma macro-região associada ao estado de Mato Grosso. Santa Cruz e o oriente boliviano contam com os privilégios de localização disponíveis ao Heartland. 

A região tem relações tanto com o Pacífico como com o Atlântico, potencializadas pelos projetos da iniciativa para a Integração da Infraestrutura Sul-Americana (IIRSA) [18]. Somente na Bolívia, são 53 obras de infraestrutura em marcha, como ferrovias, hidrovias, rodovias, sistemas intermodais, energia e fibra ótica [19].

A tendência é que ganhe força uma visão global de planejamento e organização para a integração regional sob critérios políticos e estratégicos, e não mais pelo simples estímulo do mercado ou das empresas privadas. A integração de infraestrutura, agora dirigida pela UNASUL, poderia articular a integração física com os esforços de ampliar o comércio intra-regional e de expandir a complementação das cadeias produtivas.

Neste novo contexto, e somado à possibilidade de ingresso do país ao Mercosul nos próximos anos, a importância do território boliviano só tende a aumentar. Seja com um novo triângulo estratégico (Santa Cruz, Cochabamba e Tarija) ou junto ao Paraguai e ao Centro-Oeste do Brasil, a Bolívia continuará tendo uma função crucial neste processo, como a grande “área de soldadura”. De acordo com Padula (2011), esses espaços mediterrâneos, situados no coração continental sul-americano, “ao mesmo tempo em que sofrem com o confinamento do interior, sua posição lhes aufere enorme potencial para exercer o papel de plataforma de interligação do comércio regional e bioceânico”.

Notas

(*) Economista formado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Mestre e Doutorando em Economia Política Internacional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Professor visitante da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). Agradeço os valiosos comentários do colega e professor Raphael Padula, da UFRJ.

Artigo publicado no Seminário de Pós-Graduação da Associação Brasileira de Relações Internacionais (ABRI), realizado nos dias 12 e 13 de julho de 2012, em Brasília.


[1] José Luis Fiori (2011) considera que “Mackinder formulou um novo princípio e uma nova teoria geopolítica, que marcaram a política externa inglesa do século XX. ‘Quem controla o coração do mundo comanda a ilha do mundo, e quem controla a ilha do mundo comanda o mundo’. A ‘ilha do mundo’ seria o continente eurasiano, e o seu ‘coração’ estaria situado – mais ou menos – entre o Mar Báltico e o Mar Negro, e entre Berlim e Moscou”.

[2] De acordo com os bolivianos Baldivieso (1986, p.44) e Francovich (1985, p.96), já no início do século XX, o cientista alemão Alexander Von Humboldt referiu-se ao atual território da Bolívia como “Maciço central dos Andes”, “Peru interno” e “promontório da América do Sul”.

[3] Segundo Fiori (2007), Spykman “partiu das idéias de Halford Mackinder, mas modificou sua tese central. Para Spykman, quem tem o poder mundial não é quem controla diretamente o ‘coração do mundo’, mas quem é capaz de cercá-lo, como os Estados Unidos fizeram durante toda a Guerra Fria e seguem fazendo até os nossos dias”. O Heartland perde importância frente ao rimland.

[4] Segundo Baldivieso (1986, p.48), o antagonismo proposto por Travassos “podría decirse que estaba insatisfecho y que había conformado un país vacilante en su triple rol sobre la hoyas amazónica, del Plata y del Pacífico, pero en ninguna de ellas gravitó con la fuerza necesaria para definir sus destinos como nación de estructuras centrípetas. Los internacionalistas y geopolíticos bolivianos, insistentemente, anotan su indudable rol en los tres caminos continentales, pero ocultan, muy comprensiblemente, su debilidad e invertebración que hizo de ella un país vacilante”.

[5] Vale apontar para o interessante fato de Ernesto Che Guevara ter decidido iniciar a sua guerrilha exatamente no meio do “triângulo estratégico”, mesmo contra as orientações do Estado cubano. O argentino insistia que desde a localidade de Vallegrande seria possível projetar a luta armada para os demais países da região. Em 1967, foi capturado e morto por Rangers estadunidenses e pelo exército boliviano.

[6] Também foi criado acesso para Assunção, estabelecendo contato com as capitais de três importantes países.

[7] Pfrimer e Roseira (2009, p.11) apontam que “Por pressão argentina e pelas dificuldades de se romper os contrafortes andinos entre Cochabamba e Santa Cruz, construiu-se um ramal ligando Santa Cruz até o departamento de Tarija e daí até o norte argentino. Assim a malha ferroviária oriental boliviana se integra, ainda hoje, à ocidental apenas em território argentino”. Ou seja, até os dias atuais não existe um ramal entre Santa Cruz e Cochabamba.

[8] Afirmam que “talvez a única passagem que tenha sido mal interpretada posteriormente é aquela em que o marechal brasileiro afirmava a força coordenadora do Brasil em direção longitudinal no território sul-americano: ‘Em primeiro lugar, as grandes linhas de massa continental - as cumiadas dos Andes dividindo-a em duas vertentes, a vertente de leste trabalha pelos compartimentos de duas imensas bacias – a do Amazonas e a do Prata. Em seguida, o fato dessas duas bacias se encontrarem em uma sorte de pivot, emergindo das formações da Cordilheira – o planalto boliviano – a partir do qual os caudais daquelas bacias se colocam verdadeiramente em antagonismos’. O uso da palavra pivot deve ser interpretada no contexto do parágrafo e do livro, nesse sentido ela não faz referência ao Pivô Geográfico da História de Mackinder, mas sim ao fato do planalto boliviano se constituir numa área de ligação entre a Bacia do Prata e Amazônica”.

[9] Tambs afirma que “a história mostrou a importância dessa região durante os impérios pré-colombianos Aymara e Inca e mais tarde durante a colonização espanhola, quando o altiplano e Charcas eram centros de poder. O Alto Peru permaneceu o centro nervoso do poder espanhol na América do Sul até o final do Império espanhol... O rimland sul-americano cercou Charcas. Sob a falta de liderança boliviana, o Heartland não teria mais força para agir e foi coagido. Vista como a luta pelo Heartland de Charcas, a história sul-americana dos séculos XIX e XX se torna inteligível (Idem, 1978). O autor utiliza o conceito de rimland, de Spykman, de 1942.

[10] Com o objetivo de definir uma abrangência física ao conceito de Heartland sul-americano, Oliveira e Garcia (2010, p.10) elaboraram um mapa azimutal equidistante centrado na fronteira entre o Brasil e a Bolívia. A figura mostra as principais cidades sul-americanas com mais de 500 mil habitantes. A partir do ponto central, em um raio de 2300 quilômetros se encontram as principais cidades do Cone Sul e dentro de um raio de 3100 quilômetros estão todas as maiores cidades da América do Sul.

[11] Segundo este autor, “situada en el centro de la América Meridional, cabecera de los tres grandes sistemas hidrográficos – Amazonas, Plata y Pacífico – nexo entre dos océanos, limítrofe de cinco naciones, obligado paso de norte a sur y de este a oeste, la geografía impone a Bolivia, no una función aisladora y de aislamiento, sino de atracción, de articulación, de unión, de soldadura entre los países que le rodean”.

[12] Pinochet concebe o Estado como um “organismo formado por Territorio o espacio, Población o masa humana y Soberanía. Estos adquieren una constitución semejante a una ameba en el que se distinguen: las fronteras o capa envolvente cuya resistencia está de acuerdo con el grado de potencialidad del núcleo vital, el ‘Heartland’, las comunicaciones y el Ciclo vital del Estado, que está demostrado por la historia de la humanidad en el transcurso de los siglos: nacer, desarrollarse y morir”.

[13] Reyes (2010) apresenta uma análise atual e detalhada dos três conflitos.

[14] “Tarapacá foi cedida em caráter definitivo ao Chile, que ainda recebeu a posse temporária de Tacna e Arica – acerca das quais desenvolveu-se uma longa disputa diplomática que somente veio a ser resolvida em 1929. Os últimos soldados chilenos deixaram o Peru em agosto de 1884. O armistício com a Bolívia (abril de 1884) permitiu ao Chile continuar no controle do Atacama até a negociação de um acordo de paz definitivo, que somente se materializou em 1904” (Collier, citado em Reyes, 2010, p.56). Até os dias atuais a Bolívia move judicialmente demandas para retomada de sua saída para o mar, mantendo a sua pequena frota estacionada no Lago Titicaca.

[15] Vega (2011, p.257) considera que “Las mayores pérdidas territoriales de Bolivia no fueron realizadas por la vía diplomática, sino que fueron consecuencias de diversas guerras o ‘revoluciones’ sostenidas con los países vecinos. Diplomáticamente se perdieron parte del territorio del Litoral [no el propio litoral, sino un pedazo de la provincia del Litoral] cedido a Chile en 1866 y los territorios cedidos a Brasil en el norte y el oriente en 1867, también más tarde el territorio de Bermejo y la Puna de Atacama cedidos a Argentina por el tratado de 1889. Igualmente, la zona de Tambopata al Perú en 1909. Todos los demás territorios, o sea el Litoral sobre el Océano Pacífico, el Acre y el Chaco fueron perdidos como consecuencia de guerras que sostuvo Bolivia con los países vecinos: Chile, el Brasil y el Paraguay. En el fondo de estas guerras que aparecen en sus causas como esencialmente políticas, hay una influencia económica poderosa. Se producen esos conflictos armados por la codicia de la riquezas naturales existentes en los territorios disputados por las armas; riquezas naturales que son materias primas altamente apreciadas en los mercados del mundo”.

[16] Del Bosco (2006, p.6), fazendo referência a Travassos, afirma que “si tuviéramos que actualizar su pensamiento respecto a Bolivia, dejaríamos de lado el triángulo Sucre-Cochabamba-Santa Cruz de la Sierra y hablaríamos a futuro de un eje sur-norte, conformado por los departamentos de Tarija y Santa Cruz de la Sierra. El primero con la segunda reserva de gas en América del Sur, eje con capacidad para proyectarse exteriormente. Tarija gracias al impulso de los hidrocarburos es el departamento que más ha crecido. Durante el período 1988-2004 su PBI se incrementó en 191%”. Por sua vez, Pfrimer e Roseira (Op.cit., p.12-15) consideram que “A influência dos discursos geopolíticos brasileiro e argentino, principalmente no que concerne o conceito de triangulo estratégico boliviano, sobre suas políticas territoriais, acabou ao longo dessa disputa materializando em solo boliviano um triângulo. Não aquele representado por Travassos, uma vez que Sucre deixou de ser a capital política do país e tem perdido cada vez mais sua importância econômica. Ademais, a expansão econômica de Tarija, após a descoberta das importantes reservas de gás e petróleo, a colocou como um dos quatro principais centros urbanos do país. Essa área com o formato triangular é constituída por uma rede urbana de três cidades principais: Santa Cruz, Cochabamba e Tarija. Envoltos e bem articulados a esses centros urbanos principais há ainda centros secundários como Potosi, Oruro, Sucre e Yacuiba... Esse novo arranjo territorial detém aproximadamente 60% do Produto Interno Boliviano, quase metade da população boliviana e 98 % e 99,2% das reservas provadas de gás e petróleo na Bolívia, respectivamente”. Tomando em conta os projetos de corredores bioceânicos que passam pelos países andinos, acredita-se que a área do novo triângulo possa constituir-se no futuro Hub Logístico Sul-Americano.

[17] Existem boas rodovias que conectam Santa Cruz com Cochabamba, La Paz e os portos do Peru (Matarani e Ilo) e do Chile (Arica e Antofagasta). Igualmente, há oferta para o leste até Corumbá e os portos do Rio Paraguai (um canal liga Puerto Aguirre, Puerto Quijarro e Puerto Suárez à Hidrovia Paraguai-Paraná, na fronteira com o Brasil). Nos últimos anos, tem avançado o projeto de ativação do Puerto Busch, localizado na fronteira boliviana com o Paraguai. Este é o chamado “Mar guarani”, que permitirá um acesso direto da Bolívia ao oceano Atlântico via rio Paraguai, sem a necessidade de navegar pelo canal de Tamengo. O novo caminho permitirá intensificar os investimentos em atividades como petróleo, gás, ferro das minas de Mutún e a produção agrícola. As redes ferroviárias já integram Santa Cruz com o Atlântico (até Santos e Buenos Aires) e quase até o Pacífico. Há planos de ligar a região com o sistema amazônico, até Porto Velho, Manaus e Santarém.

[18] A IIRSA foi criada em 1990 sob a orientação do “Regionalismo Aberto” da CEPAL e do “Novo Regionalismo” do BID. A iniciativa funcionaria como a espinha dorsal da proposta estadunidense de anexação continental, a chamada Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). A proposta da IIRSA, que continuou existindo apesar do enterro da ALCA em Mar del Plata, em 2005, se concentrou no fortalecimento de "corredores de exportação", aprofundando ainda mais a condição de nossos países como vendedores de mercadorias de baixo valor agregado para os centros industriais. A mudança atual está na criação do Conselho de Infraestrutura e Planejamento (Cosiplan) dentro da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL). Desta forma, os governos assumiram a direção do processo e a tendência é intensificar as obras orientadas para a efetiva integração regional em energia, transportes e comunicações. Entende-se como essencial que os Estados nacionais e as populações fortaleçam o seu poder de intervenção nos projetos.

[19] Del Bosco (2006, p.5) aponta que “hoy Santa Cruz, además de petróleo, madera, caña de azúcar y ganadería, ha desarrollado el cultivo la soja y ha pasado a constituirse en un centro de importantes inversiones de agricultores argentinos y brasileños. Su PBI representa el 30% del total de Bolivia, la actividad agropecuaria el 43%, la del comercio el 36,2% y la industria manufacturera el 35%. Por su parte sus bancos acaparan el mayor movimiento financiero del país”.


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PADULA, Raphael. Uma concepção de integração regional, papel da infraestrutura e ocupação dos espaços a partir de Friedrich List, Raúl Prebisch, Gunnar Myrdal, Albert Hirschman e Celso Furtado uma visão crítica ao regionalismo aberto e à IIRSA. In: II Coloquio de la Sociedad Latinoamericana de Economía Política y Pensamiento Crítico (Sepla), Buenos Aires, 2008.

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REYES, Fernando Siliano. O papel das vias de circulação na coesão territorial do Estado boliviano: da Audiência de Charcas à Bolívia de 1971. Dissertação ao Programa de Pós-Graduação em Geografia Humana da USP, 2010.

 

   

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JANIO DE FREITAS

Acusação e defesa

Numerosas contestações pareceram muito mais convincentes do que as respectivas acusações

Os advogados que até agora atuaram no julgamento do mensalão não merecem menos aplauso e defesa do que têm recebido, com fartura, o procurador-geral e acusador Roberto Gurgel. Não bastando que sua tarefa seja mais árdua, os defensores são alvos, digamos, de uma má vontade bem refletida na imprensa, por se contraporem à animosidade da opinião pública contra os seus clientes.

Ainda que não assegurem, necessariamente, a inocência de tal ou qual acusado, numerosas contestações pareceram muito mais convincentes, em pontos importantes, do que as respectivas acusações.

Na maioria desses casos, a defesa se mostrou mais apoiada do que a acusação em testemunhos e depoimentos tomados pelo inquérito, assim como em documentos e fatos provados ou comprováveis.

Com isso, outros pontos importantes da acusação estão ainda mais em aberto. É o caso, crucial, do mensalão como múltiplos pagamentos para assegurar votos ao governo na Câmara ou como dinheiro para gastos de campanha eleitoral.

A acusação não comprova a correspondência entre as quantias entregues a deputados e os votos na Câmara. Nem, sobretudo, a relação entre os pagamentos com valores tão diferentes e os votos que teriam o mesmo peso na contagem.

Não fica resolvida também, na acusação, a afirmada finalidade de compra de votos na Câmara e o dinheiro dado, por exemplo, aos leais deputados petistas Professor Luizinho e João Paulo Cunha, entre outros bem comportados aliados do governo também agraciados.

E houve, ainda, dinheiro destinado a seções partidárias estaduais, que nada tinham a ver com votações de interesse federal.

A afirmação de compra de votos, sustentada pelo procurador-geral Roberto Gurgel, foi tomada à CPI dos Correios por seu antecessor, Antonio Fernando de Souza, para formular a denúncia ao Supremo Tribunal Federal, há cinco anos.

A afirmação prevaleceu na CPI, porém, por conveniência política da oposição, e não porque os fatos apurados a comprovassem. Acertos de campanha eram muito mais coerentes com o constatado pela CPI. E já figuravam nas acusações de Roberto Jefferson, quando admitiu também haver recebido do PT, para o PTB e para candidatos petebistas.

Outro exemplo de afirmação fundamental e em aberto, porque construída de palavras e não de comprovações, está na acusação agora apresentada por Roberto Gurgel ao STF: "Foi José Dirceu quem idealizou o sistema ilícito de formação da base parlamentar de apoio ao governo mediante pagamento de vantagens indevidas" -e segue.

Seriam indispensáveis a indicação de como o procurador-geral soube da autoria e a comprovação de que José Dirceu "idealizou" o "sistema ilícito". Não só por se tratar de acusação com gravidade extrema.

Ocorre que o "sistema ilícito" foi aplicado já em 1998 por Marcos Valério, com suas agências de publicidade, e pelo Banco Rural para a frustrada reeleição de Eduardo Azeredo ao governo de Minas. Foi o chamado "mensalão do PSDB", descrito pela repórter Daniela Pinheiro, como já indicado aqui, na revista "piauí" deste mês.

Logo, para dar fundamento às palavras do procurador-geral Roberto Gurgel, só admitindo-se que José Dirceu "idealizou" tudo uns cinco anos antes do mensalão do PT. E, melhor ainda, que "idealizou" o "sistema ilícito" para beneficiar o PSDB de Eduardo Azeredo, hoje senador ainda peessedebista.

Os votos dos ministros do Supremo não suscitam expectativa só por carregarem consigo a absolvição e a condenação, mas pela maneira como encarem as divergências perturbadoras entre acusação e defesas.

 

Nassif, sugiro destaque post-matriz da contribuição reproduzindo a coluna de Jânio de Freitas deste domingo.

 

"Lo que los hombres realmente quieren no es el conocimiento sino la certidumbre ". - Bertrand Russell (1872-1970); filósofo y matemático inglés. (citação num boletim do av. Panda )

da Folha.com

Clientes da Daslu e do JK Iguatemi comentam o julgamento do mensalão 

Na tarde de terça, 7, um grupo de empresárias, socialites e "descoladas" de SP assistia ao desfile de lançamento da nova coleção de verão da Daslu, no shopping Cidade Jardim. Naquele momento, o STF (Supremo Tribunal Federal) realizava a segunda sessão para ouvir os advogados dos réus do mensalão.

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Em 2005, no auge do escândalo, o maior da era Lula, a dona da butique, Eliana Tranchesi, foi presa por suspeita de sonegação. A investigação que atingiu a empresária, ícone do luxo, foi interpretada por sua clientela como retaliação, uma forma de o governo desviar a atenção. Eliana morreu em fevereiro, sem que seu julgamento, ao contrário do mensalão, chegasse ao fim.

*

A Daslu foi vendida, mas conserva parte da freguesia. Que torce, de forma quase unânime, pela prisão dos principais réus.

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"Chego em casa à noite e leio quem falou que mentira. Fico nervosa e não consigo dormir", diz Marcela Tranchesi, 21, filha da empresária. "O ideal é que todos sejam condenados. Não digo os 38 [réus], não sei se todos são culpados. Mas muitos."

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Clientela da Daslu comenta o mensalão Ver em tamanho maior »

Gabo Morales/FolhapressAnteriorPróximaIrene Martins e Florencia Carmone esperam o desfile da Daslu na loja do shopping Cidade Jardim

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"Eu tenho nojo! Fico com a Carminha [da novela 'Avenida Brasil', da Globo], não com o Zé Dirceu!", diz a socialite Anna Maria Corsi, 71.

*

Carolina Pires de Campos incentiva a amiga a continuar: "E o que é o mensalão, Anna?"."Sabe o que é isso? É nordestino querer fazer alguma coisa em São Paulo", responde Anna. "E é erradíssimo. Eles têm de ficar lá, em Garanhuns [cidade de Lula], lá no fuuundo do Pernambuco, lá no fuuundo do Ceará. Aqui, não, aqui é de paulista e de paulistano. É por isso que isso está acontecendo".

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A coluna lembra que há vários paulistas no mensalão. "Ah, claro...", diz ela, para arrematar: "Eu não gosto do [José] Serra. Aqui, nós precisamos é de pessoas como o Fernando Henrique!".

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Carolina Pires interrompe Anna. "Deixa eu falar uma coisa. Meus filhos eram petistas, assim, fanáticos. Eu tenho um filho juiz, outro advogado, que não é mais petista. Aliás, a pessoa que eu mais adoro é a [Luiza] Erundina [PSB-SP]. Eu já gostava [antes de ela desistir de ser candidata a vice-prefeita de Fernando Haddad por causa da aliança do PT com Paulo Maluf]. Agora, mais ainda. Sou apaixonada por ela."

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Mas, apesar da torcida contra os "mensaleiros" e da intensa cobertura que a imprensa tem dado ao julgamento, a maioria não perde muito tempo com o assunto.

*

Marcela Tranchesi, por exemplo, comentava com as amigas que começou a correr pelas manhãs no parque do Povo, no Itaim. "Quero ter corpo para usar um vestido de tricô que vi no desfile."

*

A estilista Mirelle Moreno, 24, que desenha roupas masculinas para a Daslu, comentava como é difícil fazer uma coleção com equipe enxuta. "É capaz que peguem esses 40 e poucos ladrões, mas o Ali Baba, que é o Lula, não vai cair", disse à coluna, voltando logo aos comentários sobre sua coleção.

*

A radialista Stephanie Choate, 26, repórter do programa de Otávio Mesquita, telefonava para a mãe, que também estava na loja, mas em outro ambiente. "Vou entrar no provador de jeans, não está essa bagunça, tá vazio."

*

Provocada pela coluna, diz que está atenta. "Estou totalmente disposta a ir para a rua, lutar por isso [a condenação]. É um arrependimento não ter nascido a tempo de ser uma cara-pintada [jovens que protestavam contra o governo Fernando Collor]." Duas estudantes de moda concordam: "Mas para pintar a cara, passaríamos antes na Sephora [loja de cosméticos francesa], né, amiga?".

*

A produtora Gabriela Bucciarelli, 21, iria junto. "Não sou de algazarra, mas se ninguém for condenado, é o caso de ir até Brasília."

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A stylist polonesa Ela Pruszynska, 45, é casada com um brasileiro e mora em SP há dois anos. Diz que não tem a menor ideia do que é o mensalão. "É uma coisa grave?"

*

"Não vejo cobrança no meu meio. As pessoas não se importam muito com o assunto", diz Irene Martins, superintendente comercial, tomando champanhe numa pequena garrafa enquanto aguardava o desfile. "São todos [os políticos] farinha do mesmo saco." "A gente torce [pela condenação], mas vai dar pizza", dizia a arquiteta Gilda Arantes, com uma água perfumada para roupas de R$ 59 na sacola.

*

Guiando um carrinho de supermercado cheio de peças, a designer de joias Renata Camargo, 54, dizia que emagreceu e que por isso merece "um guarda-roupa novo". Ela era uma das poucas que, naquela tarde, destoava da torcida. "A Dilma não sabia de nada [do mensalão]. E o Lula sabia pouco. Para mim, ele foi uma revelação. Antes dele, eu era contra o PT. Agora eu sou PT. É uma novela velha, mas temos que acompanhar."

*

O marido de uma tradicional cliente da Daslu, empresário que tem concessão do governo e se aproximou do PT na era Lula, relatou à coluna que quase "apanhou" no casamento de um amigo, na igreja Nossa Senhora do Brasil, nos Jardins. "Quase quebrei o pescoço, de tanta tensão", disse, pedindo que seu nome não fosse revelado.

*

Na festa, ele foi cobrado por ser amigo de alguns dos réus, que eram chamados de "ladrões, bandidos". "Eu tentava argumentar, mas não deixavam. Principalmente as mulheres." Elevou a voz e, segundo relata, afirmou: "Vocês querem fazer um bullying na era Lula".

*

Diz que não negou a existência do mensalão, mas argumentou que não ocorreu apenas no governo do PT. "Eu disse: 'Gente, nós estamos numa sala de aula. A classe toda tá colando. E agora estamos querendo pegar um aluno, aquele barbudo, com a voz rouca, que não tem um dedo, e expulsá-lo da sala. Isso é bullying puro, bullying da elite branca, que aliás também 'cola' na prova."

*

Alguém lembra que uma consultoria [Tax Justice Network] calcula que em 40 anos os brasileiros depositaram cerca de 1 trilhão de reais em paraísos fiscais.

*

Nada funciona. Ele diz que apelou então para o pragmatismo. "Eu disse: 'Gente, temos que pensar: nós ganhamos muito dinheiro na era Lula. E ele pode voltar. O que vai achar de tudo isso?'." Os homens, ao menos, cederam.

*

No dia seguinte, do outro lado da marginal Pinheiros, em outro shopping, o JK Iguatemi, a Lool lançava a sua coleção de acessórios de verão. Amigas e clientes de Luiza Setubal, filha de Olavo Setubal Jr., se dirigiam para a loja. Alessandra Gabor, 29, redatora do blog da Lool, disse à coluna que estava achando o julgamento "banal, mas dentro do esperado". "O [apresentador] Marcelo Tas colocou hoje no 'Face': no Brasil a realidade supera a ficção."

*

Carmem Luzia, 55, passeava no shopping com sacolas da Le Lis Blanc e da Calvin Klein. "O mensalão podia acontecer com qualquer partido", opinou a dona de casa. E se disse confiante. "Ministra Cármen Lúcia [do STF]? Não conheço. Mas eu gosto daquele [ministro] Gilmar. Mendes, né? Ele tem pulso firme, não vai deixar o povo sair de fininho."

Por ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER e CHICO FELITTI

 

.......Sobre o Sistema Financeiro Nacional, as perspectivas reúnem desafios e
oportunidades para as instituições financeiras.

Nos últimos anos observamos uma forte expansão do crédito e um impressionante
processo de inclusão financeira, o que propiciou inúmeras oportunidades. Ambos os
processos deverão continuar nos próximos anos, porém, em ritmo mais moderado e
em um contexto de taxas de juros estruturalmente mais baixas.
Logo, a perspectiva para os próximos anos é de acirramento da competição no âmbito
do sistema financeiro, com a manutenção do processo de redução dos spreads e a
necessidade de aperfeiçoar produtos e melhorar a qualidade dos serviços ofertados
aos clientes.

Por outro lado, novas oportunidades estão surgindo. As taxas de juros estruturalmente
mais baixas provavelmente levarão uma realocação dos ativos ao longo dos próximos
anos, principalmente por parte de investidores institucionais, como fundos de pensão e
seguradoras. Em um ambiente de menor participação relativa de títulos públicos
federais, a tendência é de ampliação do interesse dos investidores por títulos privados,
em especial, os de prazos mais largos, com retornos mais elevados........


Discurso do Diretor de Política Monetária do Banco Central d Brasil, Aldo Mendes, na cerimônia de posse da nova diretoria da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais(pdf)
São Paulo, 9 de agosto de 2012...Banco Central do Brasil/Textos e apresentações

Senhoras e senhores
É com grande satisfação que participo desta cerimônia de posse da nova diretoria da
Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais – Anbima.
Ao longo da sua existência, abrangendo as precursoras Anbid e Andima, a Anbima tem
contribuído de forma significativa para o desenvolvimento e fortalecimento dos
mercados financeiro e de capitais.
A associação mantém um canal de interlocução com o Banco Central franco e aberto, o
que tem sido profícuo na construção de um arcabouço regulatório moderno, eficiente e
prudente.
Sua política de autorregulação tem sido uma de suas marcas, exigindo de seus
associados a adoção das melhores práticas de negócios para os segmentos em que
atuam. Trata-se de uma política complementar à ação de regulação e supervisão do
Banco Central, e que tem contribuído também para o fortalecimento do nosso sistema
financeiro.
Suas iniciativas de qualificação profissional e educação financeira são importantes para
que o sistema financeiro continue se desenvolvendo de forma sustentável,
principalmente no atual contexto de inclusão financeira.
E seu papel de reunir dados, organizá-los e disponibilizar estatísticas, contribui na
formação dos preços de ativos, na melhor compreensão do desenvolvimento dos
mercados e nas ações e políticas da própria Associação e dos órgãos de regulação e
supervisão.
Com essa atuação, a Anbima tem cumprindo seus compromissos primordiais de
representar, autorregular, qualificar e informar.
Por isso, antes de continuar o meu pronunciamento, cumprimento o Marcelo Giufrida
pela gestão à frente da Anbima que se encerra hoje, e dar as boas vindas e desejar
sucesso à Denise Pavarina nessa nova missão.

Senhoras e senhores
Recentemente foram publicados dois relatórios independentes, que apresentam uma
avaliação isenta sobre o Brasil, elaborados pelo Fundo Monetário Internacional e pelo
Banco Mundial. Apesar dos organismos multilaterais terem o objetivo de identificar
vulnerabilidades e necessidade de melhorias, ambos relatórios apresentam inúmeros
aspectos positivos sobre a economia e o sistema financeiro brasileiros.

O primeiro apresenta uma ampla avaliação da economia brasileira e, entre outras
constatações, concluiu que o Brasil está muito bem preparado para enfrentar esse
cenário internacional adverso. Em síntese, esse relatório do Fundo corrobora a visão
do Banco Central de retomada mais forte do crescimento neste semestre e de
convergência da inflação para a meta. Destaca também que o Brasil está bem
posicionado para atravessar a nova fase da crise graças às reservas internacionais e
ao elevado nível de liquidez doméstico, e conta com um sistema financeiro sólido, bem
regulado e bem provisionado.

O segundo relatório, divulgado na semana passada, faz uma avaliação específica
sobre o Sistema Financeiro Nacional, e as principais constatações do Fundo Monetário
Internacional e do Banco Mundial são as seguintes:
•O Sistema Financeiro Nacional é sólido nas várias dimensões essenciais, com
elevados níveis de capital, de cobertura da inadimplência por provisões e de liquidez
das carteiras.
•O Sistema Financeiro Nacional é resistente a choques. Os testes de estresse
realizados mostram que ele é capaz de resistir a choques extremos, mantendo os
níveis de capital e liquidez acima dos mínimos exigidos.
•A exposição do Sistema Financeiro Nacional a riscos externos é pequena, em
grande medida, devido à nossa rigorosa regulação prudencial, e em especial, ao
regime de subsidiária integral para bancos de capital estrangeiro que atuam no Brasil,
os quais estão sujeitos às mesmas regras, exigências e supervisão dos bancos de
capital nacional.
•A supervisão das instituições financeiras é forte, sofisticada e efetiva porque tem
amplos instrumentos de prevenção e intervenção. O trabalho realizado pela supervisão
do Banco Central obteve uma das melhores avaliações entre as supervisões das
economias do G20.
•O Sistema Brasileiro de Pagamentos adota as melhores práticas internacionais,
fornecendo aos reguladores e supervisores um amplo conjunto de informações que
permite monitoramento constante do Sistema Financeiro Nacional e de seus riscos.
•Possuímos uma rede de proteção financeira que se mostrou eficiente durante a
crise. O Fundo Garantidor de Crédito funciona bem como provedor de garantias e
liquidez, não utiliza recursos públicos e contribui para a estabilidade financeira.

Em síntese, o relatório ratifica a solidez do sistema financeiro, que, ao longo dos
últimos dez anos tem crescido em tamanho, sofisticação e diversificação,
acompanhando o progresso econômico e social do País. Destaca ainda o saudável
processo de inclusão financeira observado na última década, o que permitiu a
expansão do crédito que, não obstante, quando comparado a outras economias, ainda
apresenta um baixo patamar em relação ao produto interno bruto. Tudo isso indica
haver espaço para continuar se expandindo de forma sustentável nos próximos anos.

Sobre o Sistema Financeiro Nacional, as perspectivas reúnem desafios e
oportunidades para as instituições financeiras.

Nos últimos anos observamos uma forte expansão do crédito e um impressionante
processo de inclusão financeira, o que propiciou inúmeras oportunidades. Ambos os
processos deverão continuar nos próximos anos, porém, em ritmo mais moderado e
em um contexto de taxas de juros estruturalmente mais baixas.
Logo, a perspectiva para os próximos anos é de acirramento da competição no âmbito
do sistema financeiro, com a manutenção do processo de redução dos spreads e a
necessidade de aperfeiçoar produtos e melhorar a qualidade dos serviços ofertados
aos clientes.

Por outro lado, novas oportunidades estão surgindo. As taxas de juros estruturalmente
mais baixas provavelmente levarão uma realocação dos ativos ao longo dos próximos
anos, principalmente por parte de investidores institucionais, como fundos de pensão e
seguradoras. Em um ambiente de menor participação relativa de títulos públicos
federais, a tendência é de ampliação do interesse dos investidores por títulos privados,
em especial, os de prazos mais largos, com retornos mais elevados. Esse cenário irá
favorecer a ampliação dos horizontes no mercado bancário e o aprofundamento do
mercado de capitais. Com isso, algumas linhas de crédito deverão crescer a um ritmo
mais acelerado, principalmente aquelas que requerem prazos mais largos, como a do
segmento imobiliário e a do crédito corporativo para investimentos em infraestrutura e
ampliação da capacidade produtiva da nossa economia. E para que esse crescimento
seja sustentável será necessária também uma interligação mais intensa entre o
mercado bancário e o de capitais, em base sólida, transparente e segura.

Lembro que a ampliação dos investimentos é um desafio para a nossa economia e, por
isso, uma prioridade deste Governo. A perspectiva de realocação dos ativos, com o
aumento da demanda por títulos privados, torna-se então uma oportunidade para
superarmos o desafio. O mercado financeiro é um importante parceiro, capaz de
canalizar os recursos necessários à realização desses investimentos a custo e
maturidade adequados.
Por isso, o Governo tem todo o interesse de incentivar e criar as condições necessárias
para a participação do mercado financeiro nesse processo.

Destaco, por exemplo, a instituição da Letra Financeira, que se tornou em um curto
espaço de tempo um importante instrumento de captação das instituições financeira,
contribuindo para o alongamento dos prazos.
Bem como a instituição do regime tributário diferenciado para debêntures com
propósito de financiar projetos de infraestrutura ou de produção econômica intensiva
em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Atualmente já há vários projetos em análise
para enquadramento, principalmente nos segmentos de transporte e energia. E a
expectativa é de que, após a aprovação dos aperfeiçoamentos que estão em curso no
Congresso, a demanda por esse instrumento se intensifique.

A Anbima tem também dado uma importante contribuição ao esforço de ampliação dos
investimentos. Por um lado, envidando esforços para aprimorar novos produtos que
estimulem o alongamento de prazos, como as Letras Financeiras e as próprias
debêntures que acabei de mencionar. Por outro, incentivando a transparência e a
eficiência no âmbito do mercado financeiro, instituindo ambientes propícios ao
desenvolvimento dos mercados, instituído códigos de conduta e de negociação e
promovendo a educação tanto dos agentes de mercados quanto dos investidores.

Destaco, por exemplo, a iniciativa do Novo Mercado de Renda Fixa, que institui um
ambiente de negociação mais seguro e transparente, contribuindo para o
aprofundamento dos mercados e atração de emissores e investidores.
Esse novo ambiente, de taxas de juros em patamar mais baixo, redução dos spreads e
maior competição no âmbito do sistema financeiro, ao mesmo tempo em que abre
novas oportunidades, exigirá também atenção redobrada dos participantes de mercado
na assunção e gerenciamento de riscos. Por isso, é importante reforçar as estrutura de
controle e de governança.
O Banco Central está atento a esse processo.

Precisamos também eliminar resquícios de um passado de elevada instabilidade
macroeconômica, que atualmente já não fazem mais sentido, e atrapalham o
desenvolvimento do sistema financeiro brasileiro. Naturalmente, há resistências, fruto
do longo período que tais resquícios estão presentes no dia a dia do mercado. Mas
essas resistências precisam ser superadas, em prol do desenvolvimento do sistema
financeiro nacional e da própria economia brasileira.


Senhoras e Senhoras
O Brasil reúne hoje todas as condições para crescer de forma sustentável nos
próximos anos.
Temos bons fundamentos econômicos;
nosso sistema financeiro é solido;
estamos reduzindo a pobreza e a desigualdade;
e o Governo está adotando medidas importantes para aumentar a produtividade e a competitividade da nossa economia.

Tudo isso irá fomentar ainda mais a realização de novos investimentos, os
quais darão suporte ao crescimento sustentável dos próximos anos. E o resultado final
será a melhoria do nível de bem estar da nossa sociedade. E o mercado financeiro e
de capitais tem um papel importante a cumprir nesse processo.

Este é o cenário que temos pela frente. Obstáculos existem. Mas tenho convicção de
que com o empenho de todos – governo e iniciativa privada – conseguiremos superá-
los e tornar este cenário a nossa realidade.
Encerro minhas palavras, mais uma vez, parabenizando o Marcelo Giufrida pela gestão
à frente da Anbima que se encerra hoje, e dando as boas vindas e desejando sucesso
à Denise Pavarina nessa nova missão que hoje se inicia.
Agradeço a todos a atenção.
Boa tarde.

 

2014---distribuição de renda

11 de agosto de 2012 - No OpensanteANÁLISE APROFUNDADA DA GUERRA CONTRA A SÍRIA    Por Anti-Colonial 
por Thierry Meyssan 
«Enquanto a imprensa ocidental considera o «Exército “livre” sírio» como uma organização armada revolucionária, Thierry Meyssan afirma há mais de um ano, que se trata ao contrário de uma organização contra-revolucionária. Segundo ele teria progressivamente passado das mãos das monarquias reaccionárias do Golfo para as mãos da Turquia, actuando para a NATO. Tal reivindicação contra a maré exige uma demonstração fundamentada ...» VOLTAIRE NETWORK | DAMASCO (SÍRIA) | 23 DE JULHO DE 2012 ENGLISH  ITALIANO  «Há 18 meses, a Síria tem estado sob perturbação que têm vindo a aumentar até que se tornou um conflito generalizado armado que já matou cerca de 20.000 pessoas. Se não houver consenso sobre esta observação, narrativas e interpretações variam muito.Para os Estados ocidentais e sua imprensa, os sírios aspirariam a viver em democracias de mercado de modelo ocidental. Seguindo os modelos da Tunísia, Egipto e Líbia da «Primavera árabe», eles se teriam sublevado para derrubar o ditador Bashar Assad. Este teria reprimido os protestos em sangue. Enquanto os ocidentais teriam gostado de intervir para parar o massacre, os russos e chineses, por interesse ou pelo desprezo da vida humana, ter-se-iam oposto.» «Pelo contrário, para todos os Estados que não são vassalos dos EUA e para sua imprensa, os EUA teriam lançado uma operação contra a Síria que planeavam há longo tempo. Primeiro, através de seus aliados regionais, e depois directamente, eles teriam infiltrado grupos armados que desestabilizaram o país, seguindo o modelo dos Contras na Nicarágua. No entanto, eles teriam encontrado um apoio muito pequeno no interior e teriam sido derrotados, enquanto a Rússia e a China teriam impedido a NATO de destruir o exército sírio e de derrubar o regime, para mudar a o equilíbrio de forças regional. Quem está correcto? Quem está errado? Os grupos armados na Síria não defendem a Democracia, eles combatem contra ela. Primeiro, a interpretação da questão Síria como como um episódio de "  Primavera árabe  "é uma ilusão porque tal "  Primavera  "não  existe na realidade. Este é um slogan publicitário para apresentar factos positivamente heterogéneos. Se houve uma revolta popular na Tunísia, Iémen e Bahrein, ela não ocorreu, nem no Egipto nem na Líbia. No Egipto, as manifestações de rua têm sido limitados à capital e a uma certa burguesia, nunca, absolutamente nunca, o povo egípcio se sentiu preocupado com o espectáculo telegenic de Tahrir Square [ 1 ]. Na Líbia, não houve uma revolta política, mas um movimento separatista na Cirenaica contra o poder de Trípoli, e depois uma invasão militar da NATO, que matou cerca de 160.000 pessoas. A estação libanesa «NourTV» tem tido muito sucesso na divulgação de uma série de emissões de Hassan Hamade e de George Rahme, intitulada "  A Primavera árabe, de Lawrence da Arábia a Bernard-Henri Levy  ". Os autores desenvolvem a ideia de que a "  Primavera Árabe  "é um remake da"  Revolta Árabe  "de 1916-1918 organizado pelos britânicos contra os otomanos. Desta vez, os ocidentais têm manipulado as situações para reverter uma geração de líderes e impor a Irmandade Muçulmana. De facto, a «Primavera Árabe» é propaganda enganosa. Agora, Marrocos, Tunísia, Líbia, Egipto, Gaza  são regidos por uma confraria que de um lado impõe uma ordem moral, e por outro sustenta o sionismo e o capitalismo pseudoliberal, isto é, os interesses de Israel e dos anglo-saxónicos. A ilusão dissipou-se. Alguns autores, como o sírio  Hilal Alcharifi, chamam-lhe agora a «Primavera NATOniana». Em segundo lugar, os líderes do Conselho nacional sírio (CNS) como os comandantes do «Exército “livre”  sírio» (ELS) não são de maneira nenhuma democratas, no sentido de que eles seriam favoráveis a «um governo, pelo povo, para as pessoas», seguindo o conceito de Abraham Lincoln, que está representado na Constituição francesa. Assim, o primeiro presidente do CNS foi o universitário de Paris Burhan Ghalioun. Ele não era de modo nenhum «um opositor sírio perseguido pelo regime» ele saía e circulava livremente no seu país. Ele já não era um   «intelectual laico», como ele afirmava, uma vez que ele era o conselheiro político do argelino Abbassi Madani, presidente da Frente Islâmica de Salvação (FIS), actualmente refugiado no Quatar. O seu sucessor Abdel Basset Syda [ 2 ], só entrou para a política  nos últimos meses, e logo se afirmou como um mero executor da vontade dos Estados Unidos. Após a sua eleição como chefe do CNS, ele se definiu não para defender a vontade do seu povo, mas para implementar o «roteiro» que Washington escreveu para a Síria: «The Day after» . Os combatentes do ELS não são activistas da democracia. Eles reconhecem a autoridade espiritual do xeque Adnan al-Arour, um pregador takfirista, que clama para derrubar e matar Assad, não por razões políticas, mas simplesmente porque ele é de fé Alauita, isto é, fé herética do seu ponto de vista. Todos os oficiais identificados do ELS são sunitas e todas as brigadas do ESL têm nomes de figuras históricas sunitas. Os "  tribunais revolucionários  " do  ELS condenam à morte os seus adversários políticos (e não apenas os partidários de Bashar al-Assad) e  os incrédulos que eles matam em público. O programa do ELS é acabar com o regime laico instalado pelo Baath, o PSNS e os comunistas, com o objectivo de impor um regime religioso sunita puro.O conflito sírio foi premeditado pelos ocidentais. A vontade da NATO de acabar com o regime da Síria  é conhecida e é suficiente para explicar os acontecimentos actuais. Vamos relembrar aqui alguns factos que não deixam qualquer dúvida sobre a premeditação dos acontecimentos [ 3 ]. A decisão de fazer a guerra contra a Síria foi tomada pelo presidente George W Bush, numa reunião em Camp David, em 15 de Setembro de 2001, logo após os ataques espectaculares em Nova Iorque e Washington. Estava previsto para ocorrer simultaneamente na Líbia para demonstrar a capacidade de agir num duplo teatro de operações militares. Esta decisão foi confirmada pelo testemunho do general Wesley Clark, ex-comandante supremo da NATO, que se opôs. Na esteira da queda de Bagdad, em 2003, o Congresso aprovou duas leis que autorizaram o presidente dos Estados Unidos a preparar uma guerra contra a Líbia e outra contra a Síria («Syria Accountability Act»)Em 2004, Washington acusou a Síria de esconder as armas de destruição maciça do Iraque no território Sírio, e assim não as poderiam encontrar no Iraque. Esta acusação fracassou quando foi admitido que as armas nunca existiram e foram um pretexto para invadir o Iraque. Em 2005, após o assassinato de Rafik Hariri, Washington tentou entrar em guerra contra a Síria, mas não arranjou o pretexto, porque a Síria retirou o seu exército do Líbano. Os Estados Unidos, então, criaram provas falsas para acusar o presidente al-Assad de ter ordenado o atentado e criaram um tribunal internacional de excepção para julgá-lo. Mas eles foram finalmente forçados a retirar as suas falsas acusações, porque as suas manipulações foram desmascaradas. Em 2006, os EUA começaram a preparar a «Revolução Síria», criando o «Programa para a Democracia na Síria» . Tratava-se de criar e financiar grupos de oposição pró-ocidental (como o «Movimento para a Justiça e o Desenvolvimento»). Ao financiamento oficial do Departamento de Estado acrescentaram um financiamento secreto da CIA através de uma associação da Califórnia, o «Conselho da Democracia». Também em 2006, os EUA apoiaram uma guerra de Israel contra o Líbano, na esperança de envolver a Síria e ter um pretexto para intervir. Mas a rápida vitória do Hezbollah frustrou o plano. Em 2007, Israel atacou a Síria, bombardeou uma instalação militar («Operação Orchard»). Mas, novamente, Damasco manteve a calma e não se envolveu na guerra. Auditorias posteriores da Agência Internacional de Energia Atómica provaram que não era um sítio nuclear, ao contrário do que havia sido dito pelos israelitas. Em 2008, durante a reunião que a NATO organiza anualmente sob o título «Grupo de Bilderberg», o Director da «Iniciativa da Reforma Árabe», Bassma Kodmani, e o director da «Stiftung Wissenschaft und Politik», Volker Perthes, expuseram brevemente no «Gotha americano-europeu»  os benefícios norte-americanos e europeus económicos, políticos e militares duma possível intervenção por parte da NATO na Síria. Em 2009, a CIA criou as ferramentas de propaganda contra a Síria como a «BaradaTV», com sede em Londres, e com sede no Dubai a «OrientTV». A estes elementos históricos, acrescentaremos  uma reunião foi realizada no Cairo, na segunda semana de Fevereiro de 2011, em torno de John McCain, Joe Lieberman e Bernard-Henry Levy, figuras líbias como Mahmoud Jibril (então número dois do governo da «Jamahiriya») e da Síria como Malik al-Abdeh e Ammar Qurabi. Foi esta reunião que deu o sinal do início de operações secretas que começaram na Líbia e na Síria (em 15 de Fevereiro em Benghazi,  e em 17 de Fevereiro em Damasco). Em Janeiro de 2012, os Departamentos de Estado e da Defesa dos EUA formaram o grupo de trabalho «The Day After». Apoiar uma transição democrática na Síria, escreveram uma nova constituição para a Síria e um programa do governo [ 4 ]. Em Maio de 2012, a NATO e a CCG configuraram o «Grupo de Trabalho sobre Recuperação e Desenvolvimento Económico dos Amigos do Povo da Síria» , sob co-presidência  alemã e dos Emiratos. O economista sírio-britânico Ossam el-Kadil elaborou um plano de  partilha das riquezas da Síria entre os estados membros da coaligação anti-Síria, para aplicar no " Day After  " (isto é, após a conquista pela NATO e pelo CCG) [ 5 ]. Revolucionários ou contra-revolucionários? Os grupos armados não são consequência dos protestos pacíficos em Fevereiro de 2011. Estes eventos, de facto denunciaram a corrupção e exigiram mais liberdade, enquanto os grupos armados, como vimos, surgem do islamismo. Nos últimos anos, uma terrível crise económica atingiu os campos. Foi devido às más colheitas, que foram erradamente vistas como infortúnios passageiros, enquanto elas foram as consequências de mudança climáticas duráveis. A isso se acrescentaremos os erros na implementação de reformas económicas que prejudicaram o sector primário. Isso foi seguido de um êxodo rural maciço que o governo teve de enfrentar, e uma deriva sectária de alguns agricultores para quem o poder falhou. Em muitas áreas, a habitação rural não estava concentrada em aldeias, mas dispersa em fazendas isoladas, ninguém mediu a extensão do fenómeno, até que seus seguidores se reuniram. Em última análise, enquanto a sociedade síria encarna o paradigma da tolerância religiosa, uma corrente takfirista desenvolveu-se dentro dessa sociedade. Ela forneceu a base dos grupos armados. Estes foram ricamente financiadas pelas monarquias wahhabitas (Arábia Saudita, Qatar, Sharjjah). Este evento suscitou o aparecimento de novos combatentes que incluem parentes de vítimas da repressão em massa do sangrento golpe de Estado fracassado dos «Irmãos muçulmanos» em 1982. A sua motivação é menos ideológica do que pessoal. Surge da vingança. Muitos bandidos e condenados atraídos pelo dinheiro fácil foram adicionados: um   «revolucionário» recebe sete vezes o salário médio. Finalmente, os profissionais que lutaram no Afeganistão, Bósnia, Chechénia ou no Iraque começara a afluir. Quem está em primeiro lugar são os homens da Al Qaeda na Líbia, liderada por Abdelhakim Belhaj em pessoa [ 6 ]. Os média apresentaram-nos como os jihadistas, é inadequado, o Islão não concebe a guerra santa contra companheiros muçulmanos. Trata-se essencialmente de mercenários. A imprensa ocidental e do Golfo enfatiza a presença de desertores no ELS. Claro, mas é falso que desertaram após se recusarem a reprimir protestos políticos. Os desertores em questão são quase sempre como os casos que referimos atrás. Além disso, um exército de 300 mil homens  tem, necessariamente, entre eles, fanáticos religiosos e bandidos. Os grupos armados usam uma bandeira síria com uma faixa verde (ao invés da faixa vermelha) e três estrelas (em vez de duas). A imprensa ocidental chama-lhe "bandeira da independência", porque estava em vigor no momento da independência em 1946. Na realidade, esta é a bandeira do mandato francês, que permaneceu em vigor durante a independência formal do país (1932-1958). As três estrelas representam os três distritos religiosos do colonialismo (Alauita, druso e cristão). Utilizar esta bandeira certamente não é brandir um símbolo revolucionário. Pelo contrário, é afirmar querer prolongar o projecto colonial, de que o «Acordo Sykes-Picot» de 1916 e da remodelação do «Médio Oriente Alargado». Ao longo dos 18 meses de acção armada, esses grupos armados são estruturados e mais ou menos coordenados. No estado actual a grande maioria está sob comando turco, sob o rótulo de «Exército “Livre” da Síria». Na verdade, eles tornaram-se auxiliares da NATO, o quartel-general do ELS está mesmo instalado na base aérea da NATO de Incirlik. Os islamitas mais duros formaram as suas próprias organizações ou juntaram-se à al-Qaeda. Eles estão sob o controle do Quatar ou do ramo sudeiri da família real saudita [ 7 ]. De facto, eles estão ligados à CIA. Esta constituição progressiva, parte de agricultores pobres e termina com a chegada de mercenários, é idêntica ao que vimos na Nicarágua, quando a CIA organizou os Contras para derrubar os Sandinistas, ou que tinha acontecido em Cuba quando a CIA organizou o desembarque na Baía dos Porcos para derrubar Fidel Castro. Precisamente, é o modelo que os grupos armados sírios reivindicam agora: em Maio de 2012, os Contras cubanos em Miami organizaram seminários de formação na guerra de guerrilha contra-revolucionária para os seus homólogos sírios [ 8 ]. Os métodos da CIA são os mesmos em toda parte. Assim, os Contras da Síria centraram a sua acção militar, em parte, na criação de bases fixas (mas nenhum lugar, nem mesmo o Emirado Islâmico do Baba Amr permitiu), depois a sabotagem económica (destruição das infra-estruturas e incêndio das grandes fábricas) e, finalmente o Terrorismo (descarrilamento de comboios de passageiros, atentados com carros-bomba em locais muito frequentados, assassinato de líderes religiosos, políticos e militares). Portanto, a parte da população da Síria, que poderia ter simpatia pelos grupos armados nos primeiros eventos, acreditando que eles representavam uma alternativa ao actual regime, está gradualmente dissociando-se deles. Sem surpresa, a batalha de Damasco consistiu em fazer convergir para a capital 7 mil combatentes espalhados por todo o país e exércitos de mercenários concentrados nos países vizinhos. Dezenas de milhares de contras tentaram penetrar no país. Deslocaram-se simultaneamente em numerosas colunas de pick-ups, preferindo atravessar desertos que circular nas rodovias. Uma parte deles foi parada por bombardeamentos aéreos e retrocederam. Outros depois de ocuparem postos fronteiriços dirigiram-se para a capital. Não encontraram o esperado apoio popular. Pelo contrário, foi o povo que guiou os soldados do Exército Nacional para os identificar e desalojá-los. No final, eles foram forçados a recuar e anunciaram que não conquistariam Damasco, mas que tomariam Aleppo.  Além disso, mostra que eles não são nem habitantes de Damasco em revolta, nem de Aleppo, mas combatentes itinerantes.  Infiltração de Contras através do deserto perto de Dera A impopularidade dos grupos armados deve ser comparada com a popularidade do exército regular e das milícias de autodefesa. O Exército Nacional Sírio é um exército de recrutamento, por isso é um exército do povo, e é impensável que ele possa ser usado para a repressão política. Pouco depois, o governo autorizou a criação de milícias de bairro. Distribuiu armas aos cidadãos que estão empenhados em dedicar 2 horas todos os dias do seu tempo para defender seu bairro, sob supervisão militar. Bexigas para lanternas No seu tempo, o presidente Reagan encontrou algumas dificuldades para apresentar os Contras como «revolucionários». Ele criou para isso uma estrutura de propaganda, o «Departamento da Diplomacia Pública»,  confiou a gestão de Otto Reich [ 9 ].  Este departamento corrompia jornalistas nos mais importantes média dos EUA e da Europa Ocidental para enganar o público. Ele lançou inclusive um boato de que os sandinistas tinham armas químicas e poderiam usá-las contra o seu próprio povo. Hoje a propaganda é dirigida a partir da Casa Branca pelo conselheiro de segurança nacional adjunto encarregado das comunicações estratégicas, Ben Rhodes. Aplicaram-se os métodos antigos e surgiram rumores contra o presidente al-Assad sobre armas químicas. Em colaboração com o MI6 britânico, Rhodes conseguiu impor como principal fonte de informação para as agências de notícias ocidentais uma estrutura fantasma: o «Observatório Sírio para Direitos Humanos (OSDH)». Os média nunca questionaram a credibilidade de tal fonte, mesmo quando as suas afirmações foram desmentidas pelos observadores da Liga Árabe e das Nações Unidas. Melhor, esta estrutura fantasma, que nem sequer sede tem, nem pessoal, nem expediente, também se tornou a fonte de informação para chancelarias europeias desde a Casa Branca as ter convencido a retirar o seu pessoal diplomático da Síria.  Em directo, o correspondente da Al-Jazeera, o jornalista Khaled Abou Saleh telefonou para a sua redacção. Ele pretendia que Baba Amr tivesse sido bombardeada e organizou os efeitos sonoros. Khaled Abu Saleh foi o convidado de honra de François Hollande à 3 ª «Conferência de Amigos da Síria». Ben Rhodes também organizou espectáculos para jornalistas em busca de emoções. Dois operadores turísticos foram colocados, por seu intermédio,  um no escritório do primeiro-ministro turco Erdogan e o segundo no gabinete do ex-primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora. Os jornalistas que quiseram foram convidados a entrar ilegalmente com traficantes na Síria. Ofereceu-se durante meses uma viagem desde a fronteira com a Turquia até uma aldeia controlada localizado nas montanhas. Podiam aí realizar sessões de fotos com «revolucionários»  e  «compartilhar a vida quotidiana dos combatentes». Depois, os mais desportistas, podiam a partir da fronteira com o Líbano visitar o Emirado Islâmico de Baba Amr. Muito estranhamente, muitos jornalistas observaram eles mesmos enormes falsificações, mas eles não tiraram nenhuma conclusão disso. Assim, um fotojornalista famoso filmou os   «revolucionários de Baba Amr» a queimarem pneus  para provocarem fumaça preta e fazer acreditar num falso bombardeamento do bairro. Ele difundiu essas imagens no Channel 4 [ 10 ], mas continuou a afirmar que ele tinha testemunhado o bombardeamento de Baba Amr narrado pelo «Observatório Sírio dos Direitos Humanos».Ou ainda, o New York Times revelou que fotos e vídeos enviados pelo serviço de imprensa do ELS e mostrando valorosos combatentes eram encenados [ 11 ]. As armas de guerra eram na verdade réplicas, brinquedos para as crianças. O jornal, no entanto, continuou a acreditar na existência de um exército de desertores cerca de 100 mil homens. Leitura de uma declaração do «Exército “livre” sírio». Os orgulhosos «desertores» são figurantes que usam armas fictícias. Segundo uma cena clássica os jornalistas preferem mentir a reconhecer que foram manipulados. Uma vez enganados, eles participam pois, conscientemente, no desenvolvimento das notícias falsas que descobriram. Resta saber se vocês, leitores deste artigo, preferem também fechar os olhos ou se decidem apoiar o povo sírio contra a agressão dos Contras.»Thierry Meyssan              «[ 1 ] A Praça Tahrir não é a maior do Cairo. Ela foi escolhida por razões de marketing, a palavra Tahrir é traduzida em línguas europeias por Liberdade.  Este símbolo, obviamente, não foi escolhido pelos egípcios, porque há várias palavras em árabe para designar Liberdade. Mas Tahrir significa a liberdade que nós recebemos, não o que nós adquirimos. [ 2 ] A imprensa ocidental tem o hábito de ortografar (e soletrar) o nome do Sr. Syda pela adição de um "a" em "Saida", para evitar confusão com a doença do mesmo nome, a SIDA. [ 3 ] O termo «premeditação» é usado normalmente em direito penal. Na política, o termo correcto é «conspiração», mas o autor não conseguiu usá-lo porque ele cria uma reacção histérica dos que se aplicam a acreditar que a política ocidental é transparente e democrática.[ 4 ] «Washington elaborou uma nova Constituição para a Síria», Rede Voltaire, 21 de Julho de 2012. [ 5 ] «Os “Amigos da Síria” compartilham a economia síria, antes de a terem conquistado»  por «German Foreign Policy», tradução «Horizons et débats», Rede Voltaire , 14 de junho de 2012.
[ 6 ] «O Exército “Livre” sírio» é comandado a pelo governador militar de Trípoli», por Thierry Meyssan, Rede Voltaire , 18 de Dezembro de 2011.
[ 7 ] Para mais detalhes, leia «A contra-revolução no Próximo Oriente», por Thierry Meyssan, Komsomolskaya Pravda / Rede Voltaire , 11 de maio de 2011.[ 8 ] «A oposição síria fixa residência de Verão em Miami» pela agência de notícias cubana, Jean Guy Allard, Rede Voltaire , 25 de Maio de 2012. [ 9 ] «Otto Reich e a contra-revolução», por Arthur Lepic, Paul Labarique, Rede Voltaire , 14 de Maio de 2004. [ 10 ] «Syria’s vídeo journalists battle to telle the ‘truth’», Channel 4, 27 de Março de 2011. [ 11 ] «Syrian Liberators, Bearing Toy Guns», C J Chivers, The New York Times , 14 de Junho de 2012.

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11 de agosto de 2012 - No OpensanteMichael Moore: Por que nós, estadunidenses, assassinamos tanto? Por Pragmatismo Politico São armas; mas, não só armas. Pasmem: os Estados Unidos são responsáveis por mais de 80% de todas as mortes por armas de fogo nos 23 países mais ricos do mundo combinadosmichael mooreMichael Moore explica como eles, estadunidenses, acreditam em matar como forma de conseguir seus objetivos. Foto: Divulgação Desde que Caim enlouqueceu e matou Abel sempre houve humanos que, por uma razão ou outra, perdem a cabeça temporária ou definitivamente e cometem atos de violência. Durante o primeiro século de nossa era, o imperador romano Tibério gozava, jogando suas vítimas na ilha de Capri, no Mediterrâneo. Gilles de Rais, cavalheiro francês aliado de Joana D’Arc, na Idade Média, um dia, enlouqueceu e acabou assassinando centenas de crianças. Apenas umas décadas depois, Vlad, o Empalador, na Transilvânia, tinha inúmeros modos horripilantes de acabar com suas vítimas; o personagem de Drácula foi inspirado nele.
Em tempos modernos, em quase toda as nações há um psicopata ou dois que cometem homicídios em massa, por mais estritas que sejam suas leis em matéria de armas: o demente supremacista branco, cujos atentados na Noruega cumpriram um ano nesse domingo; o carniceiro do pátio escolar em Dunblane, Escócia; o assassino da Escola Politécnica de Montreal; o aniquilador em massa de Erfurt, Alemanha…; a lista parece interminável. E agora o atirador de Aurora, na sexta-feira passada. Sempre houve pessoas com pouco juízo e prudência e sempre haverá.
Porém, aqui reside a diferença entre o resto do mundo e nós: aqui acontecem DUAS Auroras a cada dia de cada ano! Pelo menos 24 estadunidenses morrem a cada dia (de 8 a 9 mil por ano) em mãos de gente armada, e essa cifra inclui os que perdem a vida em acidentes com armas de fogo ou os que cometem suicídio com uma. Se contássemos todos, a cifra se multiplicaria a uns 25 mil.
Isso significa que os Estados Unidos são responsáveis por mais de 80% de todas as mortes por armas de fogo nos 23 países mais ricos do mundo combinados. Considerando que as pessoas desses países, como seres humanos, não são melhores ou piores do que qualquer um de nós, então, por que nós?
Tanto conservadores quanto liberais nos Estados Unidos operam com crenças firmes a respeito do “porquê” desse problema. E a razão pela qual nem uns e nem outros podem encontrar uma solução é porque, de fato, cada um tem a metade da razão.
A direita crê que os fundadores dessa nação, por alguma sorte de decreto divino, lhes garantiram o direito absoluto a possuir tantas armas de fogo quanto desejem. E nos recordam sem cessar que uma arma não dispara sozinha; que “não são as armas, mas quem mata são as pessoas”.
Claro que sabem que estão cometendo uma desonestidade intelectual (se é que posso usar essa palavra) ao sustentar tal coisa acerca da Segunda Emenda porque sabem que as pessoas que escreveram a Constituição unicamente queriam assegurar-se de que se pudesse convocar com rapidez uma milícia entre granjeiros e comerciantes em caso de que os britânicos decidissem regressar e semear um pouco de caos.
Porém, têm a metade da razão quando afirmam que “as armas não matam: os estadunidenses matam!”. Porque somos os únicos no primeiro mundo que cometemos crimes em massa. E escutamos estadunidenses de toda condição aduzir toda classe de razões para não ter que lidar com o que está por trás de todas essas matanças e atos de violência.
Uns culpam os filmes e os jogos de videogame violentos. Na última vez em que revisei, os videojogos do Japão são mais violentos do que os nossos e, no entanto, menos de 20 pessoas ao ano morrem por armas de fogo naquele país; e em 2006 o total foi de duas pessoas! Outros dirão que o número de lares destroçados é o que causa tantas mortes. Detesto dar-lhes essa notícia; porém, na Grã-Bretanha há quase tantos lares desfeitos, com um só dos pais assumindo o cuidado dos filhos quanto nos EUA; e, no entanto, em geral, os crimes cometidos lá com armas de fogo são menos de 40 ao ano.
Pessoas como eu dirão que tudo isso é resultado de ter uma história e uma cultura de homens armados, “índios e vaqueiros”, “dispara agora e pergunta depois”. E se bem é certo que o genocídio de indígenas americanos assentou um modelo bastante feio de fundar uma nação, me parece mais seguro dizer que não somos os únicos com um passado violento ou uma marca genocida.
Olá, Alemanha! Falo de ti e de tua história, desde os hunos até os nazistas, todos os que amavam uma boa carnificina (tal qual os japoneses e os britânicos, que dominaram o mundo por centenas de anos, coisa que não conseguiram plantando margaridas). E, no entanto, na Alemanha, nação de 80 milhões de habitantes, são cometidos apenas 200 assassinatos com armas de fogo ao ano.
Assim que esses países (e muitos outros) são iguais a nós, exceto que aqui mais pessoas acreditam em Deus e vão à Igreja mais do que em qualquer outra nação ocidental.
Meus compatriotas liberais dirão que se tivéssemos menos armas de fogo haveria menos mortes por essa causa. E, em termos matemáticos, seria certo. Se temos menos arsênico na reserva de água, matará menos gente. Menos de qualquer coisa má –calorias, tabaco, reality shows- significará menos mortes. E se tivéssemos leis estritas em matéria de armas, que proibissem as armas automáticas e semiautomáticas e prescrevessem a venda de grandes magazines capazes de portar milhões de balas, atiradores como o de Aurora não poderiam matar a tantas pessoas em pouquíssimos minutos.
Porém, também nisso há um problema. Há um montão de armas no Canadá (a maioria rifles de caça) e, no entanto, a conta de homicídios é de uns 200 ao ano. De fato, por sua proximidade, a cultura canadense é muito similar à nossa: as crianças têm os mesmos videojogos, veem os mesmos filmes e programas de TV; mas, no entanto, não crescem com o desejo de matar uns aos outros. A Suíça ocupa o terceiro lugar mundial em posse de armas por pessoa; porém, sua taxa de criminalidade é baixa. Então, por que nós? Formulei essa pergunta há uma década em meu filme ‘Tiros em Columbine’, e esta semana tive pouco que dizer porque me parecia ter dito há dez anos o que tinha que dizer; e acho que não fez muito efeito; exceto ser uma espécie de bola de cristal em forma de filme.
Naquela época eu disse algo, que repetirei agora:
1. Os estadunidenses somos incrivelmente bons para matar. Acreditamos em matar como forma de conseguir nossos objetivos. Três quartos de nossos Estados executam criminosos, apesar de que os Estados que têm as taxas mais baixas de homicídios são, em geral, os que não aplicam a pena de morte.
Nossa tendência a matar não é somente histórica (o assassinato de índios, de escravos e de uns e outros na guerra “civil”): é nossa forma atual de resolver qualquer coisa que nos inspira medo. É a invasão como política exterior. Sim, lá estão Iraque e Afeganistão; porém, somos invasores desde que “conquistamos o oeste selvagem” e agora estamos tão enganchados que já não sabemos o que invadir (Bin Laden não se escondia no Afeganistão, mas no Paquistão), nem porque invadir (Saddam não tinha armas de destruição massiva, nem nada a ver com o 11-S). Enviamos nossas classes pobres para fazer matanças, e os que não temos um ser querido lá, não perdemos um só minuto de um só dia em pensar nessa carnificina. E agora, enviamos aviões sem pilotos para matar (drones), aviões controlados por homens sem rosto em um luxuoso estúdio com ar condicionado em um subúrbio de Las Vegas. É a loucura!
2. Somos um povo que se assusta com facilidade e é fácil de ser manipulado pelo medo. De que temos tanto medo, que necessitamos ter 300 milhões de armas de fogo em nossas casas? Quem vai machucar? Por que a maior parte dessas armas se encontra nas casas de brancos, nos subúrbios ou no campo? Talvez, se resolvêssemos nosso problema racial e nosso problema de pobreza (uma vez mais, somos o número um com maior número de pobres no mundo industrializado) teria menos pessoas frustradas, atemorizadas e encolerizadas estendendo a mão para pegar a arma que guardam na gaveta. Talvez, cuidaríamos mais uns dos outros (aqui vemos um bom exemplo disso).
Isso é o que penso sobre Aurora e sobre o violento país do qual sou cidadão. Como mencionei, disse tudo nesse filme e se quiserem, podem assisti-lo e partilhá-lo sem custo com os demais. E o que nos faz falta, amigos meus, é valor e determinação. Se vocês estão prontos, eu também.
[Tradução do inglês para o espanhol: Jorge Anaya - Fonte original: jornada.unam.mx, publicado pela Adital].

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11 de agosto de 2012 - No Opensante

"Lista Suja" evidencia a relação entre o agronegócio e o Trabalho Escravo

 

 

 

Por  MSTMato Grosso não ostenta apenas o título de campeão do agronegócio. O estado foi também imbatível no que se refere à somatória de empregadores incluídos na mais recente atualização semestral da "lista suja" do trabalho escravo, ocorrida semana passada.Foram adicionados ao cadastro, ao todo, 28 novos nomes de pessoas físicas e jurídicas (quase um quarto da soma dos 116 ingressantes) que foram flagradas explorando mão de obra em condições análogas à escravidão em terras matogrossenses.Em seguida, vieram Goiás, com 17 inclusões, e Rondônia, com 14. Santa Catarina (9), Amazonas (8), Maranhão (7) e Minas Gerais (7) completaram o ranking dos sete estados com maior quantidade de empregadores agregados ao cadastro informativo mantido por portaria conjunta do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR). Curiosamente, o Pará, que normalmente abriga muitos casos de escravidâo contemporânea, teve, desta vez, apenas um único empregador entrando na "lista suja". É preciso cumprir um prazo de dois anos para deixar a relação, além de honrar com todas as multas decorrentes das fiscalizações que resultaram na inclusão.Quanto ao número de pessoas libertadas dos empreendimentos que passaram a constar do cadastro, destaca-se o estado de Goiás, em primeiro lugar absoluto, com 326 pessoas (20% do total de 1626 libertações). Na sequência, aparecem Pernambuco (290), Mato Grosso (225), Minas Gerais (140), Rondônia (100), São Paulo (94) e Amazonas (82). Paraná (79) e Maranhão (76) completaram o conjunto dos estados com maior número de trabalhadoras e trabalhadores resgatados entre as propriedades ingressantes. Os dados foram processados pela Campanha de Prevenção e Combate ao Trabalho Escravo da Comissão Pastoral da Terra (CPT).Quanto ao ramo econômico das atividades em que se deram as ocorrências que culminaram com a nova leva de inclusões na "lista suja", destacam-se quatro grandes segmentos, seja quanto à quantidade de empregadores ou quanto ao número de pessoas libertadas. São eles: setor sucroalcooleiro, pecuária, construção civil (com destaque para a construtora MRV, uma das maiores do país, e sua subsidiária Prime) e de lavouras agrícolas, em geral.Cana-de-açúcarA Berc Etanol e Agricultura Ltda., que integra o poderoso grupo mineiro Sada, entrou para a "lista suja" em consequência da libertação de 143 pessoas que plantavam e colhiam cana em duas fazendas da empresa em Aragarças (GO).Comandado pelo ex-deputado federal Vittorio Medioli, o grupo Sada tem forte atuação no setor de transporte de veículos (caminhões-cegonha). Mantém ainda veículos de comunicação social (jornais "Super Notícia" e "O Tempo") e um time profissional de vôlei masculino (Sada Cruzeiro).Outra companhia do setor que ingressou no cadastro na recente atualização foi a Usina Cruangi S/A, situada em Aliança (PE). Inspeção realizada no início de 2009 encontrou 245 cortadores em condições análogas à escravidão em canaviais que produziam para a usina. Entre os resgatados na ocasião, 27 não tinham 18 anos de idade - seis deles, aliás, não tinham sequer 16 anos de idade.Com base na fiscalização, o Ministério Público Federal (MPF) protocolou uma denúncia de crime de trabalho escravo junto ao Poder Judiciário contra José Guilherme Queiroz Filho, diretor-executivo da Cruangi.Já o caso de escravidão de 45 pessoas ocorrido também em 2009 nos Engenhos Amorinha e Manhoso, em Amaraji (PE), resultou não só na entrada no cadastro divulgado pelo governo federal, como também na condenação, após outra ação do MPF junto à Justiça, do administrador João Gouveia da Silva Filho a sete anos e meio de reclusão. João é irmão dos prefeitos de Amaraji (PE), Jânio Gouveia; de Escada (PE), Jandelson Gouveia; e de Primavera (PE), Jadeildo Gouveia. Todos são filhos do já falecido patriarca João Gouveia da Silva.ReincidentesOutro tentáculo de um grande grupo econômico que passou (novamente) a constar na relação de empregadores flagrados com trabalho escravo foi a Esperança Agropecuária e Indústria Ltda., que pertence ao grupo cearense Edson Queiroz. Um grupo de 16 pessoas foi libertado da Fazenda Entre Rios, no município de Maracaçumé (MA), em março de 2011.A mesma Esperança Agropecuária já tinha sido incluída na "lista suja" em julho de 2010 por um outro flagrante de escravidão (10 libertados) na Fazenda Serra Negra, em Aroazes (PI). Na primeira publicação do cadastro, o grupo Edson Queiroz (que agrega empresas de distribuição de gás, de água, mineração e instituições de ensino, além de rádios, jornais e portais na internet) foi incluído por um outro caso ocorrido na Fazenda Entre Rios, ainda no ano de 1999, no qual 86 trabalhadores foram resgatados.Antonio Barbosa (A. B.) de Carvalho é mais um que não se envolveu com escravidão pela primeira vez. Adicionado ao cadastro na semana passada por causa de uma fiscalização que libertou dez trabalhadores da Fazenda Nativa III. em Santa Luzia (MA), em maio de 2010, ele já havia sido implicado em outra situação semelhante verificada em fevereiro de 2007, na Fazenda Canaã, em Bom Jardim (MA), em que houve 32 vítimas.Pela segunda vez, Antonio Fernandes Camilo Filho passou a constar da “lista suja”. Em dezembro de 2007, ele já havia sido incluído pela primeira vez em decorrência de um resgate em 2006, quando foram libertadas 27 pessoas da Fazenda Lagoinha, em Bom Jesus das Selvas (MA). A mais recente inclusão no final de julho de 2012 se deve à libertação de 13 pessoas da mesma propriedade, em março de 2009.Mais três empregadores repetiram o comportamento criminoso. A carvoaria de F. A. Dias de Freitas ME, em Tabaporã (MT), foi flagrada por duas vezes: em 2008 (pela qual acaba de entrar na lista, e na qual foram resgatadas 21 pessoas) e em 2010 (um libertado). Situações como essas poderiam ser evitadas com a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do Trabalho Escravo, que determina o confisco da terra de escravagistas.O fazendeiro José Edinaldo Costa também foi responsabilizado em duas oportunidades: a primeira, em 2006, na Fazenda Santa Gertrudes, em Bom Jardim (MA), em fiscalização que resgatou 66 pessoas, e em 2011, na averiguação da Fazenda Palmeiras , em Santa Luzia (MA), que se desdobrou na libertação de sete pessoas e motivou a entrada do pecuarista na "lista suja" do trabalho escravo.A empresa Indústria e Comércio de Erva Mate Herança Nativa Ltda. também foi flagrada duas vezes. A primeira foi em 2009, em Clevelândia (PR), com 24 libertados. A segunda, que possibilitou o resgate de 19 pessoas e propiciou a entrada da mesma na última atualização do cadastro, foi verificada em Palmas (PR). Três meninos com menos de 18 anos (que tinham, respectivamente, apenas 12, 13 e 15 anos) estavam entre as vítimas.Bianca Pyl, Guilherme Zocchio e Maurício Hashizume
Do Repórter Brasil

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11 de agosto de 2012 - No Opensante

Israel pode atacar o Irã a qualquer momento

 Por Dan Williams Por Reuters O primeiro-ministro israelense e o ministro da Defesa de Israel gostariam de atacar instalações nucleares do Irã antes da eleição dos EUA em novembro, mas falta apoio crucial dentro do seu gabinete e no Exército, disse um jornal israelense nesta sexta-feira.A reportagem de capa do jornal mais vendido do país, o Yedioth Ahronoth, veio em meio a crescentes especulações --alimentado por vazamentos de informações na mídia do governo e de seus detratores, em casa e no exterior-- que a guerra com o Irã poderia ser iminente, embora possa romper os fortes laços entre Israel e Estados Unidos."Se dependesse de Benjamin Netanyahu e Ehud Barak, um ataque militar israelense sobre as instalações nucleares do Irã aconteceria nos próximos meses de outono, antes da eleição de novembro nos Estados Unidos", afirmou o Yedioth, em um artigo de seus dois comentaristas mais experientes, que pareceu utilizar conversas com o ministro da Defesa, mas não incluía citações diretas.Porta-vozes do primeiro-ministro Netanyahu e Barak recusaram-se a comentar.  O jornal disse que os líderes israelenses não conseguiram conquistar outros ministros de segurança para um ataque contra o Irã agora, com um pano de fundo de contestações por parte das Forças Armadas, dado os grandes obstáculos táticos e estratégicos que tal operação teria de enfrentar.
"O respeito que no passado formou uma aura em torno de primeiros-ministros e ministros da Defesa e ajudou a reunir uma maioria para decisões militares, se foi, não há mais", disse o Yedioth. "Ou as pessoas estão diferentes, ou a realidade é diferente."Israel há muito tempo ameaça atacar seu arquiinimigo, vendo uma ameaça mortal nos avanços nucleares iranianos. O governo dos EUA exortou Israel a dar à diplomacia mais tempo.O discurso sobre a guerra que, em parte, pretende endurecer as sanções contra o Irã --que nega buscar a fabricação de uma bomba e diz que seu programa nuclear é para fins pacíficos-- por parte das potências mundiais cautelosas com um conflito.Israel e Estados Unidos têm procurado minimizar publicamente suas diferenças, com os norte-americanos dizendo que a força militar seria uma última opção contra o Irã.Mas o presidente dos EUA, Barack Obama, candidato à reeleição em novembro, aconselhou contra o que ele consideraria um unilateralismo prematuro israelense. Recentemente ele enviou altos funcionários para tentar cerrar fileiras com o Netanyahu conservador.

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11 de agosto de 2012 - No OpensanteFrança está se preparando para uma evacuação em massa de franceses em Israel por quê?  Por Revelação Final
Segundo fontes diplomáticas, um plano de evacuação de 200.000 cidadãos franceses que vivem em Israel foi desenvolvido no contexto de crescentes ameaças de um  conflito com o Irã. Um plano de evacuação de 200.000 cidadãos franceses que vivem em Israel foi desenvolvido para lidar com os perigos crescentes. Objetivo: Não seja pego desprevenido no caso de uma barragem de mísseis equipados com armas convencionais ou não convencionais lançados pelo Irã ou Hezbollah  em território israelense. Entre o cenário de resgate prevista por diplomatas enfrentam uma partida de cidadãos franceses a bordo de pequenos barcos, em seguida, juntar os navios de guerra franceses de cruzeiro ao largo do porto de Jaffa, perto de Tel Aviv. Para completar o dispositivo, várias dezenas de franceses foram nomeados para atuar como coordenadores para retransmitir instruções para organizar os pontos de evacuação, montagem e procedimentos e contatos de pessoas a contactar. Funcionários encarregados de uma áreaEsses funcionários, sob a responsabilidade de uma "crise" na embaixada em Tel Aviv, será responsável por uma determinada área determinada pelo número de francófonos. Entre a prioridade localidades incluem Jerusalém, Tel Aviv, Ashdod, no sul do Porto Netanya e um balneário ao norte de Tel Aviv popular, com o francês. Dramatizar a história, os diplomatas franceses dizem que todas estas preparações não sãoexcelente e faz parte dos pacotes de resgate de cidadãos franceses no exterior "regularmente atualizado". Ameaças de guerraA única certeza em todos os casos: essas precauções foram tomadas na sequência de ameaças de guerra. Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelense e ministro da Defesa, Ehud Barak continuar a usar a ameaça de um ataque contra as instalações nuclear do Irã acusado de tentar destruir o Estado judeu. Se este cenário se tornou realidade, não há dúvida de que o Irã com mísseis de longo alcance, contra ataque.  O Hezbollah xiita libanês milícia, armados em grande parte pelo Irã, também poderiam participar em retaliação pelo disparo de milhares de foguetes e mísseis na Galiléia, no norte de Israel. Especialistas do Ministério da Defesa no valor de "200 a 300" o número de mortes de civis que os ataques de mísseis desse tipo podem causar.  Em 1991, durante a primeira Guerra do Golfo, o Iraque de Saddam Hussein disparou 39 mísseis Scud para Tel Aviv, onde tal são instalados no Ministério da Defesa e da sede do Estado-Maior Geral do Exército. Esses ataques, que forçou os israelenses para calafetar suas casas ou buscar refúgio em abrigos, tinha causado grandes danos, paralisia parcial da atividade econômica por várias semanas, mas sem fazer vítimas diretas. Fonte: www.latribune.fr

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"França está se preparando para uma evacuação em massa de franceses em Israel por quê? ":

Pela mesma razao que os arabes estao fazendo exercicios militares com a Russia e os EUA estao fazendo exercicios militares na fronteira triplice com o Brasil:  Israel vai atacar o Iran.

 

11 de agosto de 2012 - No Opensante

Brasil e Argentina negociam com a Monsanto enquanto ela é expulsa em todo o planeta 
Por
 
#Monsanto #StopMonsanto #StopMonsantoMov
Por: Diego Ignacio Mur
Por que a Monsanto investe na Argentina e pretende construir aqui as duas maiores plantas transgênicas do mundo? Resposta: Os grandes meios de comunicação nacionais e a Presidente Cristina Fernández de Kirchner foram subornados pela Monsanto. A verdade é inocultável: Desde Inglaterra reportam hoje que “foi uma semana realmente dura para Monsanto. Logo após ser golpeada por um processo de agricultores orgânicos e ser expulsa da China. Agora a corrupta corporação de biotecnologia é expulsa do Reino Unido”.
“Levando a cabo um ato sem precedentes, Monsanto anunciou uma mudança importante devido à forte oposição ativista britânica contra os alimentos geneticamente modificados”. Como resultado da recusa massiva, a companhia está abandonando sua operação de cultivo de trigo transgênico em Cambridge. Inclusive os próprios representantes da Monsanto, fizeram história, admitindo que a medida foi tomada por causa da recusa contra seus próprios “Alimentos Frankenstein”.
A corporação criminosa é bem-vinda na Argentina, onde a Presidente Cristina Fernández de Kirchner lhe ofereceu alegremente toda a Patagônia, Santa Fé, Córdoba, Jujuy e outras muitas províncias, por ordem de seus chefes banqueiros na Gran Bretanha, para que a Monsanto continue destruindo o planeta.
Enquanto isso, a companhia busca ainda liquidar suas instalações de cultivos OGM na Alemanha, França, e a República Checa. Monsanto esta apressada por abandonar Europa e por uma boa razão. As nações foram abertamente claras ao expressar sua oposição à corporação de biotecnologia, incluindo funcionários públicos e os particulares de todos os países de igual forma. França é uma das tantas nações que denuncia a Monsanto por seus atos criminosos, alegando motivos de saúde entre as muitas razões para recusar os cultivos transgênicos.
Monsanto expulsa em todo o globo (mas bem-vinda na Argentina)
A Índia também se uniu ao conglomerado de nações diretamente opostas à corrupção agrícola impulsionada por Monsanto, declarando uma ação legal estrita contra a empresa por um delito denominado “biopirataria”. Perú, inclusive foi mais longe com uma sentença monumental proibindo por 10 anos os alimentos genéticamente modificados.
Parece que os funcionários dos Estados Unidos e Argentina se encontram entre os poucos que ainda juram lealdade à Monsanto, inclusive tendo em conta os desastres ocasionados pela engenharia genética e lixo químico como o hormônio rBGH (hormônio de crescimento bovino), que se distribui amplamente em ambas nações apesar de a estar proibida em otros 27 países. Os funcionários estadunidenses e argentinos são grosseiramente subornados pela Monsanto, e continuam dizendo que os cultivos transgênicos são seguros. Porém, diferentemente da Argentina, Estados Unidos (Califórnia) votará em Novembro pelo etiquetado obrigatório de produtos genéticamente modificados, o que contêm subprodutos transgênicos. O mais provável é que a Lei produza um efeito em cadeia obrigando o etiquetado nacional, o qual fará retroceder a Monsanto e outras corporações genocidas impulsionando ao mesmo tempo os saudáveis cultivos orgânicos.
Na Argentina não existe Justiça independente nem oposição real à Monsanto.
O Governo Nacional festeja os investimentos desta corporação criminosa enquanto os referentes mais importantes da “oposição” guardam silêncio. Com juízes que suportam o narcotráfico, e controlam prostíbulos onde se explora sexualmente a menores de idade, e ministros que respaldam a despenalização de drogas promovida por George Soros (um dos máximos acionistas da Monsanto), ainda não é perceptível a tão desejada luz no fim do túnel. Graças aos meios de comunicação em massa (e muita falsa imprensa alternativa), o povo persiste em sua ignorância e inatividade. Seus representantes públicos, que deveriam dedicar-se à educação e saúde dos argentinos, preferem engordar seus bolsos com dólares transgênicos, ao igual que as universidades agrícolas.
Como explicam que Monsanto seja recusada em todo o planeta e não na Argentina? Talvez a resposta a essa pergunta seja que os bancos escolheram as vastas e férteis nações da Argentina e Brasil para continuar sua experiência genética ilegal, enquanto salvaguardam ao resto do mundo. E, é claro, sabendo que as pessoas destes países não criarão resistência.
Leia sobre os efeitos nocívos dos transgênicos para sua saúde. Organize reuniões e eduque seus conhecidos. Lembre-se que Monsanto está sendo expulsa em todo o planeta. Basta de Monsanto! Basta de alimentos que produzem tumores, infertilidade, destruição do sistema imunológico, resistência aos antibióticos, e mutação da flora intestinal! Basta de permitir que a elite banqueira continue com seu plano de despovoamento da América do Sul, como fizeram com a África.
Fora Cargill, Syngenta, Bayer, Monsanto e todas as corporações genocidas!
Fonte: bwnargentina, visto em chiwulltun.

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11 de agosto de 2012 - No Opensante

Ambientalismo inocula pânico em leitor desavisado, pelo fato de a “Terra verde” ficar verde!

 Derretimento súbito e fugaz de camada superficial do gelo
acontece cada 150 anosPor Verde a Nova Cor do Comunismo
“Os cientistas veem no inusual fenômeno do descongelamento da Groenlândia (Greenland, ou Terra verde, em inglês) indícios de que o aquecimento [global] está se acelerando”.
A notícia no diário madrilense “El País” era para assustar. Apresentava uma mulher contemplando perplexa um panorama da Groenlândia, cuja metade estava degelada.
O leitor desprevenido, acostumado a passar rápido por títulos, fotos e destaques gráficos, facilmente caía na arapuca.
E saía sugestionado por mais esta martelada rasteira em favor do cada vez mais desprestigiado “aquecimento global”.
Groenlândia: vikingos batizaram "Terra Verde" (Greenland)Porém, para quem lia pelos menos algumas linhas, o truque entrava pelos olhos.
O artigo, para descrever um “acontecimento extremo sem precedentes registrado” – um derretimento parcial notável da cobertura de gelo da Groenlândia –, começava dizendo que “a Groenlândia se encaminha para fazer jus a seu nome”.
Só essa frase é suficiente para afirmar o contrário do que o artigo enfia sorrateiramente na mente do leitor: o fato de se chamar “Terra verde” aponta que, para a Groenlândia, o normal não é estar coberta de gelo, mas ser verde.
E se o “aquecimento global” está derretendo o gelo, esse aquecimento está levando as coisas de volta à normalidade. Portanto, não temos nada a temer dele, e sim a comemorar.
Mas a ilogicidade habita sem incômodos nos mal arejados cômodos da mansão da propaganda ambientalista mundial.
Fugaz fenômeno é bem conhecido pelos habitantesApós citar “cientistas da NASA” em seu favor, a enganação alarmista acrescenta que o fenômeno de derretimento da camada superficial do gelo na Groenlândia é de tal maneira “único [que] desde que se iniciaram as observações espaciais há 30 anos, que inicialmente os investigadores acharam era erro”.
Alguns parágrafos mais abaixo, o artigo afirma sem rubor, citando um extremado arauto do alarmismo, que “eventos desse tipo acontecem aproximadamente uma vez cada 150 anos”, tendo o último sido registrado em 1889.
É claro que o fato só podia ser “único” para os satélites que trabalham há apenas 30 anos! O leitor que não chegou até os parágrafos mais remotos do artigo saiu ludibriado.
Porém, o artigo, como está na praxe desses golpes, incluiu alguns testemunhos para vacinar as críticas:
“Quiçá a mais prudente seja uma das cientistas da NASA, Dorothy Hall: “É cedo demais para dizer que o acontecido se deve ao aquecimento global. Se continuarmos vendo derretimentos grandes como esse, a evidência apontará que há aceleração do aquecimento”. Quantas décadas teremos que aguardar para ter essa confirmação?
Qaqortoq, na Groenlândia Qaqortoq, na GroenlândiaNa realidade, no momento que escrevemos, muitos leitores terão esquecido que a mídia falou desse fenômeno passageiro.
Porém, nos subconscientes se terá acumulado mais uma impressão errônea ao lado de muitos outros jogos midiáticos que envenenam o processo cognitivo do leitor.
O fato certo é que em 8 de julho uma frente quente inusualmente forte estacionou durante três dias sobre a ilha, mas por volta do dia 16 ela estava se dissipando.
Essa frente provocou o degelo de uma área central da Groenlândia que não se derretia desde 1889.
Fenômeno natural foi manipulado  para agitar fantasmas alarmistas  sobre elevação do nível dos mares

Fenômeno natural foi manipulado
para agitar fantasmas alarmistas
sobre elevação do nível dos mares

 

A seguir, a notícia tecia elucubrações cientificas sobre o que aconteceria se houvesse uma fusão total do gelo da Groenlândia e uma consequente elevação do nível dos oceanos em sete metros.
O exercício abstrato, ou virtual, pode ser proveitoso para cientistas prudentes, que sabem ponderar o lado do jogo intelectual e sua irrealidade nos fatos concretos.
Mas, jogado tendenciosamente num artigo para o grande público, gera desarranjos mentais e pânico.
Para completar, o artigo encerra com uma acesa objurgatória contra os governos que nada fazem para impedir o aquecimento da Terra – como se eles pudessem fazer qualquer coisa nesse sentido – e desacatam as avaliações do IPCC (obviamente sem sequer aludir às inúmeras falcatruas científicas e outras que foram denunciadas nos relatórios desse órgão político da ONU).
O golpe do “El País” não tem nada de novo. Apenas a ilogicidade extrema com que ele foi aplicado serve para analisarmos com facilidade o mecanismo de distorção da informação e inoculação da ideologia verde no grande público.

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11 de agosto de 2012 - No OpensanteRomney escolhe favorito do Tea Party para candidato a vice-presidente Por Opera Mundi
O conservador congressista do Wisconsin Paul Ryan, de 42 anos, é conhecido por ser um feroz inimigo dos gastos públicos 
Efe
O pré-candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos Mitt Romney escolheu o legislador do Wisconsin Paul Ryan, inimigo dos gastos públicos e apoiado pelo movimento conservador Tea Party, como seu candidato a vice-presidente, anunciou neste sábado (11/08) sua campanha através de um aplicativo para tablets e smartphones.
A especulação em torno do nome de Ryan já era grande. Os nomes de vários potenciais aspirantes a vice foram levantados essa semana, entre eles o do ex-governador de Minnesota Tim Pawlenty e o do senador Rob Portman, de Ohio.
Com a escolha de Ryan, Romney parece ter escolhido agradar a ala mais conservadora do Partido Republicano, hesitante e pouco entusiasmada com o pré-candidato à Presidência.
Depois de trabalhar em 1996 para o candidato republicano à vice-presidência Jack Kemp, Ryan foi eleito para o Congresso pela primeira vez em 1998, aos 28 anos. Em 2004 ganhou fama pelos esforços para privatizar o programa de aposentadorias do governo.
Com 42 anos, ele já tem sete mandatos como congressista e vem de um estado de maior democrata, onde as pesquisas de intenção de voto dão 51% a Obama contra 45% para Romney.
O político é católico praticante e diz que o que aprendeu com a igreja tem reflexo nas políticas que defende. Romney é mórmon e essa é uma das razões de alguma desconfiança entre a base republicana.
O jornal The Washington Post afirma que a escolha de Ryan para acompanhar Romney deixa os eleitores com uma escolha mais clara e mais radical entre como resolver questões de gastos e de impostos: Ryan defende a redução da dívida sem aumentar os impostos, “alterando radicalmente a relação dos norte-americanos com o governo”, escreve o jornal.
Como líder do Comitê do Orçamento da Câmara de Representantes, Ryan pode ajudar a dar força ao argumento de que os republicanos sabem como lidar com um país numa crise econômica. Outro lado da escolha de Ryan é que ele é um vice que traz um ponto de vista e uma contribuição política, deixando de ser uma figura mais decorativa.

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Repórter relata guerra entre a Polícia Militar e o crime organizado

Jornalista desde 1994, Josmar Jozino é especialista em reportagens policiais, chegando, inclusive, a conquistar em 2000 o prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos. Em 2005, conquistou o prêmio pela segunda vez com o livro Cobras e Lagartos e, em 2008, novamente, com o livro intitulado Casadas com o Crime. Atualmente é repórter do jornal Agora São Paulo.

Considerado um dos maiores especialistas na cobertura de casos relacionados ao Primeiro Comando da Capital, o PCC, Jozino foi um dos primeiros a divulgar a existência da facção do crime organizado no Brasil.

Em entrevista ao Brasil de Fato, o jornalista conta sobre o seu novo livro lançado no mês de julho, “Xeque-Mate: o tribunal do crime e os letais boinas pretas. Guerra sem fim”, e ainda fala sobre a proposta de desmilitarização da polícia e da situação atual que vive São Paulo. “Quando um policial é morto pelo crime organizado, vem a represália e aparece uma chacina. É isso o que o livro mostra, uma guerra sem fim.” 

O autor, que chegou a ser ameaçado, apura os dois lados da moeda, das ordens enviadas de dentro dos presídios aos comandos que matam para preservar a ordem pública.

Brasil de Fato - Por que intitulou de“ Xeque- Mate” o nome de seu livro?

Josmar Jozino – Porque na linguagem da cadeia é uma ordem de sentença de morte pra matar alguém. É uma gíria que os presos usam: “Xeque-mate, pode matar!”

Com todas essas chacinas que vem ocorrendo, principalmente nos últimos meses na capital, a gente pode dizer que São Paulo vive em estado de “Xeque-Mate”?

Vive no xeque-mate, mas a matança a gente não pode atribuir somente ao crime organizado. Também tem outra matança que precisa ser melhor apurada na periferia. Mortes de pessoas que não têm envolvimento com o crime, morrendo na madrugada, na calada da noite. Essas mortes não tem nada a ver com o crime organizado. Então, precisa ser investigado, porém não deixa de ser um xeque-mate.

No livro você narra a história dos dois lados: da polícia e do crime organizado. Você teve preocupação em manter a imparcialidade, ou em algum momento você teve que defender um dos dois lados?

Não é nem preocupação. É obrigação mesmo de manter a imparcialidade. Jornalista tem que ter essa obrigação, essa ética. Não pode tomar partido nem de um lado nem de outro. Tem que narrar os fatos, apurar da melhor forma e sempre sendo imparcial mesmo. É obrigação. 

Quem mantém o controle nas cadeias de São Paulo: o governo ou o crime?

Segundo o Ministério Público e os próprios agentes penitenciários, que são funcionários do governo, é o crime organizado que define as regras e tudo mais. 

E nas ruas, quem controla?

Nas ruas eu acredito que eles são bem organizados também. Eu acho que até tem um Estado paralelo. Não vou dizer que eles controlam as ruas, mas que dominam boa parte do Estado, dominam sim. Impõe regras nas periferias, enfim, isso acontece na capital, na grande São Paulo, no interior e no litoral. Tem uma corrente que diz que os homicídios diminuíram por causa disso.

O governo sustenta que a queda dos números de mortes se deve à uma atuação mais efetiva da polícia. Por outro lado, existe a tese de que com a hegemonia do Primeiro Comando da Capital (PCC) acabaram os conflitos entre as facções e, consequentemente, houve redução nas mortes. Qual a sua avaliação quanto a isso?

Tem uma corrente de pensamento de sociólogos e alguns estudiosos que diz que o PCC monopoliza o tráfico de drogas em todo o espaço. E onde ele controla o tráfico também põe regras pra não ter matança. Só tem xeque-mate com ordem mesmo. Então essa corrente diz que os homicídios diminuíram por isso. Mortes assim, dizem os estudiosos, só em casos extremos mesmo, com a autorização da facção. Já o governo diz que não. Diz que isso é resultado das políticas públicas e também do policiamento reforçado - apreensão de armas, de drogas, blitz constantes. Cada um tem a sua versão. Os especialistas de segurança achando que não é a política pública, que é o crime organizado dominando o Estado, e que acaba controlando o tráfico pra evitar mortes e a presença da polícia, porque na visão deles polícia na área é prejuízo pro tráfico. Do outro lado, o governo dizendo que isso aí é resultado da política pública.

No dia 26 de julho, o Procurador Federal da República, Matheus Baraldi, pediu o afastamento do Comando da Polícia Militar do Estado de São Paulo na audiência pública no Ministério Público Federal. Na mesma linha, familiares de pessoas que foram vítimas da polícia, entidades de direitos humanos e alguns movimentos sociais pediram o fim da militarização da polícia. Qual a sua opinião à respeito?

Eu sou a favor da unificação das polícias. A polícia tem que ser uma só. Civil e Militar. Tem que ter alguém comandando. No caso um delegado, um coronel, não sei como seria isso. Mas eu sou a favor não só da unificação, mas também de uma corregedoria forte e independente também. Independente dessas duas instituições. Mesmo unificadas, mas com a criação de uma corregedoria independente para evitar corporativismo. Hoje a gente não pode generalizar que a tropa toda da polícia militar está fora de controle. Não é assim. Está tendo muitos abusos, muitos supostos casos de resistência seguida de morte, mas também não dá pra generalizar que toda PM tá saindo por aí matando. Não é bem assim. Tem grupos da PM que estão matando sim. Até alegam que é tiroteio, mas isso precisa ser investigado. Eu sou a favor da unificação porque é assim que funcionam nos países de "primeiro mundo", civilizados, eu acho que aí evitariam muitos problemas. Eu não me lembro em que ano foi, mas teve uma greve dos policiais civis que foi reprimida pelos policiais militares que parecia uma praça de guerra, e nós jornalistas estávamos no meio do tiroteio. Eu nunca vi nos meus 30 anos de carreira de jornalista nada parecido. Isso foi um mau exemplo pro mundo. Isso mostra que a PM sabe mais reprimir do que prevenir. Na própria história ela foi criada pra reprimir mesmo, para proteger a classe dominante. Historicamente ela foi criada pra isso. 

Você acha que existem mesmo os grupos de extermínio ligado à Polícia Militar?

Existem. No presídio Romão Gomes tem vários grupos de extermínio presos. Pessoal de Guarulhos, Osasco, pessoal da zona sul, da zona leste. Mataram até o próprio coronel deles por investigar os grupos de extermínio. Então prova maior que essa não precisa nem ter outra. Eles continuam agindo nas ruas. Essas mortes que tem na periferia, quando morre quatro ou cinco, em represália de algum PM que foi morto, você pode prestar atenção, pesquisar e analisar. Quando um policial é morto pelo crime organizado, vem a represália e aparece uma chacina. É isso que o livro mostra, uma guerra sem fim. 

Então tem como apontar um verdadeiro culpado para essas chacinas que acontecem nas periferias?

Isso é a polícia civil que vai ter que trabalhar com transparência, investigar direito, fazer um inquérito correto que vai chegar à autoria. Sem dúvidas, a grande suspeita é que sejam grupos de PM´s mesmo, em vingança da morte dos colegas mortos pelo crime organizado.

 

sábado, 11 de agosto de 2012

Desmentindo o PIG 
Pela primeira vez na AP 470, o ministro Joaquim Barbosa - relator do tema - solicitou a um dos defensores esclarecimentos acerca de IMPORTANTES dúvidas.Fica evidente que o fundo VISANET é composto EXCLUSIVAMENTE por recursos PRIVADOS e o advogado de Pizzolato dá uma autêntica AULA.Também é ESCLARECEDOR a comprovação de que PIZZOLATO nunca foi o representante do Banco do Brasil no Visanet (uma empresa privada).O perfeito entendimento do que ocorreu é fundamental para que as pessoas de boa vontade entendam o quanto de distorções existe na "denúncia" que Roberto Gurgel (Procurador Geral da República) apresentou. Joaquim Barbosa proporcionou aos demais magistrados a condição fundamental para esclarecer aspecto vital na AP 470.É óbvio que estamos constatando o quanto de tendenciosidade midiática ocorre na cobertura "jornalística" da velha mídia. É estarrecedor "ler" em alguns jornais exatamente o contrário do que ocorreu na sessão de 09/08/2012 do STF e este vídeo é a íntegra do fato. GOLPE NUNCA MAIS!COMPARTILHAR é o segredo da CIDADANIA PLENA.   Postado por às 20:15 Nenhum comentário: Marcadores: , , , , , ,  Do Blog COM TEXTO LIVRE

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O poder de Graça Foster, presidenta da Petrobras

Sáb, 11 de Agosto de 2012 01:28- No Outro Lado da Noticia

 Ela fez a diferençaAo adotar uma política de transparência e reconhecer os problemas vividos pela Petrobras, a presidente Graça Foster virou o jogo e recuperou a confiança do mercado, fazendo com que as ações voltassem a subir.

Por Rosenildo Gomes FERREIRA, na Dinheiro

A executiva Graça Foster, presidenta da Petrobras, viveu o maior desafio de sua curta gestão, iniciada há pouco mais de seis meses, na segunda-feira 6. Nesse dia, ela apresentou os números do balanço do segundo trimestre de 2012, cujo desempenho surpreendeu até mesmo o mais pessimista dos analistas. Os dados falam por si: um prejuízo de R$ 1,34 bilhão, o pior resultado da estatal desde 1999. A expectativa era de um lucro em torno de R$ 2 bilhões, número que já seria 78% inferior ao dos três primeiros meses deste ano. Como explicar essa situação? A variação cambial, é certo, teve sua parcela de culpa. No entanto, fatores estruturais ligados à exploração de petróleo também colaboraram.

109.jpgGraça Foster, presidenta da Petrobras: "Justificamos, com números, todosos itens negativos do balanço e o que estamos fazendopara corrigir a situação".Um deles foi o reconhecimento da inviabilidade comercial de 41 poços perfurados, considerados secos e nos quais foram investidos R$ 2,73 bilhões. Diante desse cenário, com potencial de causar efeitos nefastos na carreira de qualquer executivo, Graça cresceu. Em vez de se encastelar no seu escritório, ela foi para a linha de frente da crise. Primeiro fez questão de comandar a reunião com os analistas do mercado financeiro, algo inédito na rotina da estatal. Normalmente, quem conduz esse tipo de encontro é o diretor-financeiro, Almir Barbassa. No dia seguinte, Graça rumou para São Paulo, onde participou do 13º Encontro Internacional de Energia, promovido pela Fiesp.110.jpgAposta no futuro: com a descoberta da camada do pré-sal, o Brasil dobrou suas reservasde petróleo para 31 bilhões de barris.No evento, ela recebeu afagos do empresário Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), que elogiou sua capacidade de se comunicar com o mercado. Depois, a executiva enfrentou um batalhão de repórteres e cinegrafistas. Tudo na maior tranquilidade. Graça fez uma apresentação otimista, lembrando os pontos fortes da estatal e os benefícios que a campanha de exploração do pré-sal deve gerar para a economia brasileira (veja quadro ao final da reportagem). “Mais do que dar uma explicação ao mercado, nós justificamos, com números, todos os itens negativos do balanço e o que estamos fazendo para corrigir a situação”, disse Graça. A atitude da executiva deu resultado.As ações preferenciais da empresa, que, na segunda-feira chegaram a cair 5,46%, encerraram o pregão na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) com ligeira baixa de 0,1%. Na sequência, os papéis inverteram a tendência e fecharam na quinta-feira 9 em R$ 21, acumulando uma alta de 5,42% em apenas três dias. A melhora no “humor” dos investidores em relação à Petrobras foi fruto direto da atuação de Graça. “Com sua postura transparente, ela conquistou a confiança do mercado”, disse Marcus Sequeira, analista especializado em petróleo da filial do Deutsche Bank, em Nova York. “Desde que a Petrobras revisou seu plano de investimentos ficou claro que Graça estaria disposta a mostrar também os eventuais problemas vividos pela companhia.”111.jpgO cenário, no entanto, mantém-se desafiador para a estatal, um colosso que no ano passado faturou R$ 244 bilhões, lucrou R$ 33 bilhões e emprega 81,9 mil funcionários. É que além de dificuldades conjunturais, com a valorização do dólar sobre o real, a Petrobras tem de enfrentar uma série de questões estruturais. As mais urgentes são a redução de custos e a recuperação da capacidade produtiva dos poços de petróleo e gás da Bacia de Campos, no litoral norte do Estado do Rio de Janeiro. Apenas a exploração dos campos consumiu 35% mais recursos em relação ao período anterior.Para melhorar esse desempenho, a Petrobras separou US$ 5,1 bilhões. A queda de 5% na produção, aliada ao aumento da demanda de gasolina, em 16%, e de diesel, 5%, também ajudam a explicar o resultado negativo da petrolífera. Para abastecer o mercado, foi preciso importar 170 mil barris de petróleo por dia, volume mais de três vezes superior ao do primeiro trimestre. “Quando o dólar atingiu a marca de R$ 2, soou o sinal de alerta na empresa”, afirmou Graça. Em um cenário no qual o preço de venda do diesel e da gasolina estão defasados em até 20%, de acordo com estimativas de Auro Rozenbaum, analista de petróleo da Bradesco Corretora, a conta não poderia, realmente, fechar no azul. Nem por passe de mágica.112.jpgNo comando: Graça (à dir.) mostra à presidenta Dilma detalhes da sala de controleda plataforma P-59, lançada em julho, no litoral da Bahia.REAJUSTE Se por um lado o prejuízo colocou a estatal na “linha de tiro”, por outro, ajudou a abrir espaço para as discussões em relação ao reajuste dos combustíveis, um velho pleito de sua direção e do próprio mercado. Esse, aliás, é um dos motivos que explicam a decisão dos investidores de voltar a apostar nos papéis da Petrobras. “Não existe nenhuma indicação de que a cotação do barril do petróleo vá cair para a faixa abaixo de US$ 100”, diz Rozenbaum. “Por conta disso, não há dúvida de que a Petrobras está perdendo dinheiro.” O último aumento para o consumidor, nos postos de serviço, ocorreu em setembro de 2005. A presidenta da Petrobras garantiu que não fez nenhum pedido nesse sentido.113.jpgApenas vem deixando claro em todas as reuniões do Conselho de Administração da estatal – a última delas ocorreu na sexta-feira 3 – a necessidade aproximar a paridade entre o preço interno e o cobrado no Exterior. “Quem produz e tem volume sempre espera vender por um preço melhor”, disse. O debate reacendeu a discussão entre o Ministério de Minas e Energia e o da Fazenda. “O reajuste é necessário”, afirmou Edson Lobão, ministro de Minas e Energia. Guido Mantega, que preside o Conselho da estatal, disse, por meio de sua assessoria, que “não há perspectiva no horizonte para novos reajustes”. Ao longo do governo do PT, uma das estratégias para manter os preços sob controle sem afetar muito o desempenho da empresa tem sido mexer na tributação sobre o setor.Especialmente, nas alíquotas da Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (Cide), reduzidas a zero, em 22 de junho. Com isso, a Petrobras embolsa mais reais por cada litro de combustível vendido, mas sem afetar o bolso dos consumidores. São esses argumentos que Mantega utiliza para defender seu ponto de vista. Sem contar, é claro, o receio de que um reajuste contamine os índices de inflação, dada a repercussão sobre o restante da economia provocado pelo preço dos combustíveis. Ao que tudo indica, a questão terá como árbitro a presidenta Dilma Rousseff. Afinal, com uma necessidade de gerar caixa para cumprir o plano de investimentos, orçado em US$ 236,5 bilhões para o período 2012-2016, a Petrobras não pode se dar ao luxo de perder dinheiro.114.jpgOperação refino: meta da Petrobras é inaugurar, até 2017, o Complexo Petroquí-micodo Rio (foto) e a refinaria Abreu e Lima, no Recife.Com essa bolada, Graça pretende colocar a Petrobras em um novo patamar. E sua principal arma é a exploração dos poços situados na região do pré-sal, que deverão quase dobrar as reservas brasileiras, dos atuais 15,7 bilhões para 31 bilhões de barris de petróleo, até o final de 2020. O patamar atual de 2,1 milhões de barris diários já garante a autossuficiência do País. Mas para atingir o objetivo previsto para o final da década, a executiva precisará desatar alguns nós. Com ou sem aumento, não há indicação de que o ritmo do consumo de gasolina deva parar de crescer.A intensificação do uso de fontes renováveis, como etanol, esbarra em questões que não dependem da ação da estatal, como a falta de capacidade instalada das usinas de álcool para atender à demanda interna. A ampliação da capacidade de refino de gasolina também está descartada. É que as refinarias em construção, a unidade de Abreu e Lima, no Recife, e o Polo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) foram desenhados para trabalhar com nafta, diesel e querosene de aviação. Hoje, os dois últimos têm um grande peso na balança de importações da companhia. “Quando programamos esses projetos, o cenário que vislumbramos era de crescimento da produção e demanda por etanol”, afirmou Graça. “Agora, não temos como mudar isso.”

115.jpg

 DESAFIOS É nesse ponto que os analistas enxergam os maiores desafios da primeira mulher a dirigir a maior empresa do País. O relatório assinado por Sequeira, distribuído aos clientes globais do Deutsche Bank, aponta dois riscos estruturais para a companhia. O primeiro deles é a capacidade da Petrobras de construir no prazo, com um custo competitivo, essas refinarias. A mais problemática é a situada no Recife. Na semana passada, o canteiro de obras se transformou em uma praça de guerra, por conta do conflito entre trabalhadores e policiais, que resultou na queima de diversos ônibus. Eles protestam contra o impasse nas negociações salariais. Apesar disso, a estatal garante que a obra deverá ser concluída até o final de 2014 e, ao custo de US$ 20,1 bilhões, nove vezes mais que o orçamento original.“Existe o temor de que o mesmo aconteça em relação ao Comperj”, afirmou Sequeira. “A localização dessas obras obedeceu a um viés mais político que econômico.” Com as refinarias, a estatal poderá ampliar para 3,4 milhões de barris/dia sua capacidade de processamento de petróleo. O tema da transparência em relação à formação de seus preços e a outras políticas da Petrobras é visto como elemento delicado na relação entre os acionistas e a direção da petroleira. Ele assumiu uma maior importância no noticiário após setembro de 2010, quando a Petrobras fez a histórica captação de R$ 120,4 bilhões na Bovespa, a maior feita até hoje em bolsa no mundo. “Cada vez que aumenta o grau de transparência de uma empresa cresce a confiança e reduz as incertezas”, disse Carlos Eduardo Lessa Brandão, conselheiro de administração do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).116.jpg“E isso vale para qualquer empresa, seja de controle estatal ou privado.” Essa preocupação do mercado estaria por trás do desempenho insatisfatório dos papéis da companhia. A ausência de sinais nesse sentido fez com que as ações da empresa entrassem em trajetória descendente. É exatamente isso que Graça, com seu estilo franco e direto, tenta reverter. Outra questão que preocupa o mercado é em relação à exigência de um conteúdo nacional elevado, no mínimo 60%, dependendo do equipamento ou o tipo de serviço contratado (veja também reportagem aqui). A concentração de encomendas de suas sondas e plataformas em poucas empresas locais preocupa os investidores. “Trata-se de um contrassenso do ponto de vista estratégico”, diz Rozenbaum, da Bradesco Corretora.Graça rebate: “Tem de produzir aqui mesmo, debaixo de nossos olhos”, afirmou. “Isso gera mais competitividade para a companhia, pois conseguimos monitorar melhor os custos, sem a perda da qualidade.” Mas reconhece as dificuldades. “A Plataforma P-55 está com atraso de 22 meses.” Apesar disso, os analistas se mostram otimistas em relação ao futuro da empresa, especialmente devido à postura de sua presidenta. “Ter uma gestora com perfil técnico e gerencial é importante no momento em que a Petrobras se encontra em um ciclo de grandes investimentos”, afirma Rozenbaum, concedendo um crédito de confiança à executiva que ocupa o gabinete mais importante do edifício-sede de 27 andares da petroleira, no centro do Rio de Janeiro.117.jpgColaboraram Denize Baccocina e Marcio Orsolini

 

 

Imagens espetaculares das Olimpíadas de Londres

Sáb, 11 de Agosto de 2012 14:28- No Outro Lado da Noticia



Londres 2012: Espectaculares imágenes a vista de pájaro y en primeros planosDo Cubadebate

Los pájaros observan los Juegos de una manera muy distinta a los hombres, pero en primeros planos la perspectiva es definitivamente extraordinaria. Dos miradas, la misma emoción de los Juegos Olímpicos de 2012, que ya están a punto de la despedida.

Sí, porque se termina la fiesta. Antes veremos el show que promete poner en escena el line-up más impresionante de la música británica: el de la ceremonia de cierre, con Muse, The Who, George Michael, Jessie J, One Direction, Ed Sheeran, Brian May, Annie Lennox y las Spice Girls (y rumores que indican que también tocarán Kate Bush, Fatboy Slim, Kaiser Chiefs, Mandes, los Pet Shops Boys, sí, los Rolling Stones).

Esta conclusión, claro, será digna del -obvio, lógico, necesario- nivel musical que el evento deportivo mantuvo durante toda su extensión: la apertura, con el repaso histórico a través de los sonidos británicos y sus representantes.

A vuelo de pájaro TIM DONNELLY (AP PHOTO)

Las chicas de Canadá realizan su coreografía en la prueba de natación sincronizada. Foto: TIM DONNELLY (AP PHOTO)

 POOL (GETTY IMAGES)

La francesa Melina Robert-Michon en la final de lanzamiento de disco. Foto: POOL (GETTY IMAGES)

 IAN WALTON (GETTY IMAGES)

Jessica Ennis de Gran Bretaña durante la competición de salto de longitud. Foto: IAN WALTON (GETTY IMAGES)

 RICHARD HEATHCOTE (GETTY IMAGES)

El estadounidense Ryan Lochte en la prueba de 200 metros espalda. Foto: RICHARD HEATHCOTE (GETTY IMAGES)

 RICHARD HEATHCOTE (GETTY IMAGES)

Boon Heong Tan y Kien Keat Koo de Malasia compiten contra los chinos Yun Cai y Haifeng en las semifinales de bádminton. Foto: RICHARD HEATHCOTE (GETTY IMAGES)

Tuvshinbayar Naidan de Mongolia celebra su victoria en las semifinales masculinas de yudo, modalidad -100 kg. FRANCK FIFE (AFP)

Tuvshinbayar Naidan de Mongolia celebra su victoria en las semifinales masculinas de yudo, modalidad -100 kg. Foto: FRANCK FIFE (AFP)

 SUZANNE PLUNKETT (REUTERS)

La británica Lizzie Neave durante la semifinal femenina de kayak. Foto: SUZANNE PLUNKETT (REUTERS)

 ROB CARR (GETTY IMAGES)

Yihan Wang (izquierda) de China se enfrenta a la canadiense Michele Li en el partido de bádminton individual femenino. Foto: ROB CARR (GETTY IMAGES)

 RICHARD HEATHCOTE (GETTY IMAGES)

La surcoreana Jihae Jung lanza un penalti a la danesa Christina Pedersen durante el partido de la fase preliminar del Grupo B de balonmano. Foto: RICHARD HEATHCOTE (GETTY IMAGES)

 FABRIZIO BENSCH (REUTERS)

Aron Szilagyi (derecha) de Hungría compite contra el italiano Diego Occhiuzzi en la final individual masculina de esgrima. Foto: FABRIZIO BENSCH (REUTERS)

 ANTONIN THUILLIER (AFP)

La francesa Automne Pavia (azul) compite contra la húngara Hedvig Karakas (blanco) en la competición femenina de yudo de -57kg. Foto: ANTONIN THUILLIER (AFP)

 NG HAN GUAN (AP)

La colombiana Rusmeris Villar Barbosa después de realizar su prueba en la competición femenina de levantamiento de peso de -53 kg. Foto: NG HAN GUAN (AP)

  SAEED KHAN (AFP)

La surcoreana Kim Kyungah (abajo) durante la competición femenina de tenis de mesa contra Feng Tianwei de Singapur. Foto: SAEED KHAN (AFP)

 MIKE SEGAR (REUTERS)

El chino Yi Li (en el centro) es bloqueado por los jugadores de Rusia durante el partido de baloncesto de la fase preliminar del Grupo B. Foto: MIKE SEGAR (REUTERS)

 MURAD SEZER (REUTERS)

El estadounidense Jamel Herring (rojo) se enfrenta a Daniyar Yeleussinov de Kazajistán durante el torneo de boxeo de -64 kg. Foto: MURAD SEZER (REUTERS)

 ROB CARR (GETTY IMAGES)

El equipo de China durante el partido de baloncesto contra Gran Bretaña. Foto: ROB CARR (GETTY IMAGES)

 CHRIS MCGRATH (GETTY IMAGES)

El equipo de Israel realiza su número en la competición de gimnasia rítmica. Foto: CHRIS MCGRATH (GETTY IMAGES)

El equipo de Israel realiza su número en la competición de gimnasia rítmica. Foto. CHRIS MCGRATH (GETTY IMAGES)

El equipo de Israel realiza su número en la competición de gimnasia rítmica. Foto. CHRIS MCGRATH (GETTY IMAGES)

Primeros Planos DOMINIC EBENBICHLER (REUTERS)

Detalle del tatuaje y el número que lleva la española Erika Villaecija en la competición de 10 kilómetros de la maratón. Foto: DOMINIC EBENBICHLER (REUTERS)

 NG HAN GUAN (AP)

El pelo de la francesa Marlene Harnois durante el torneo de taekwondo contra la chilena Yeny Contreras Loyola. Foto: NG HAN GUAN (AP)

 LUIS ACOSTA (AFP)

La húngara Eva Riszto nadando durante los 10 kilómetros de la maratón. Foto: LUIS ACOSTA (AFP)

 KIRILL KUDRYAVTSEV (AFP)

La estadounidense Destinee Hooker intenta atrapar el balón en la semifinal de voleibol contra Corea del Sur.Foto: KIRILL KUDRYAVTSEV (AFP)

 NG HAN GUAN (AP)

El sudafricano Shaun de Jager sujeta la barra de la carrera de relevos 4x400 metros. Foto: NG HAN GUAN (AP)

 FRANCK FIFE (AFP)

El tatuaje de la alemana Ariane Friedrich, que compite en salto de altura. Foto: FRANCK FIFE (AFP)

 BRIAN SNYDER (REUTERS)

Momento de la actuación de la rusa Evgeniya Kanaeva en la competición de gimnasia rítmica. Foto: BRIAN SNYDER (REUTERS)

 STEFAN WERMUTH (REUTERS)

La estadounidense Haley Anderson coge una bebida durante los 10 kilómetros de la maratón. Foto: STEFAN WERMUTH (REUTERS)

 ROBERT GHEMENT (EFE)

La italiana Josefa Idem compite en la final del K-1 sobre 500 metros. Foto: ROBERT GHEMENT (EFE)

 JULIA VYNOKUROVA (GETTY IMAGES)

Irini Merleni de Ucrania (azul) durante su combate contra la estadounidense Clarissa Kyoko Mei Ling en la competición de lucha. Foto: JULIA VYNOKUROVA (GETTY IMAGES)

 PAWEL KOPCZYNSKI (AP)

El brasileño Luiz Alberto de Araujo en la prueba de lanzamiento de disco durante la competición del decatlón. Foto: PAWEL KOPCZYNSKI (AP)

 

Sem servidor valorizado não há protagonismo do Estado

Desde a sua fundação em 1995, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social (CNTTS) tem como uma das suas principais bandeiras de luta a Negociação Coletiva no Serviço Público. É sabido por todos que até a Constituição Federal de 1988 o funcionalismo público das três esferas (União, Estados e municípios) não podia se organizar em sindicatos, fazendo suas lutas até então através das Associações de Servidores, que não tinham o caráter sindical.

Com o direito conquistado a partir de 88, a maioria das associações se transformou em entidades sindicais. Durante todos esses anos, as nossas lutas têm adquirido duas importantes vertentes: primeira, a defesa do serviço público para a implementação de políticas públicas sociais como dever do Estado e direito do cidadão, como consta na Constituição Federal. Portanto, com a concepção de entidades sindicais cidadãs. Segunda, buscando cada vez mais conquistar para os “servidores”, os mesmos direitos que os “trabalhadores” do setor privado têm.

Infelizmente, a grande maioria da sociedade brasileira quando houve falar em funcionalismo público, logo pensa “naquela” pequena parcela privilegiada, pois desconhece a dura realidade da grande maioria assalariada.

Como os grandes conglomerados de comunicação, emissoras de rádio e televisão, jornais e revistas, plenamente identificados com o ideário neoliberal de desmonte do Estado e privatização dos serviços, se empenham para reforçar no inconsciente coletivo esta visão preconceituosa e deturpada, queremos apresentar, brevemente, algumas das situações vividas pelos servidores públicos federais, que valem também para a maioria do funcionalismo estadual e municipal.

Por serem concursados e estatutários, quando se aposentam, os servidores levam consigo o salário do mês, o percentual de férias e o 13º a que tem direito e... ponto! Portanto, depois de mais de 30 anos de serviços prestados, saem com uma mão na frente e outra atrás.

Como os salários ou vencimentos base não são os maiores valores do contracheque/holerite - pois este é composto por várias gratificações - quando se aposentam, os seus vencimentos caem, pois as gratificações não se estendem à aposentadoria, ou quando isso acontece não são – nem de longe - nos mesmos percentuais. É retirado o vale-auxílio, o vale-alimentação (se justifica, porém ele/ela não deixa de comer). E para piorar, não existe uma política de aumento/recuperação salarial para os aposentados, como ocorre no setor privado. Hoje em dia quando se discute alguma porcentagem de aumento/correção, é um valor para os da ativa e outro para os aposentados. Ou seja, todo servidor precisa trabalhar até a compulsória e depois depender da família.

No Estado de São Paulo, depois de 10 anos durante os quais os servidores estaduais receberam R$ 4,00 de auxílio-alimentação, o governo, “reconhecendo” e “valorizando” a categoria, “concedeu” um aumento de 100%! Bom, não é? Passou de R$ 4,00 para R$ 8,00. Será que os que estão no governo do mais rico estado da Federação almoçam com R$ 8,00?

No governo federal, começamos em 2008 uma discussão de reestruturação de tabela salarial, onde foram feitas inúmeras reuniões com as entidades de servidores federais e assinados vários protocolos. Com a crise na Europa e nos Estados Unidos, praticamente nada teve sequência. E a alegação da equipe econômica foi justamente a “crise”, como se o aumento do poder aquisitivo dos salários dos servidores não impactasse positivamente o mercado interno. Só para lembrar, o governo Lula focou no fortalecimento dos salários e no crescimento do consumo para reduzir o tsunami vendido pela imprensa como demolidor a uma “marolinha”. Agora, tentam reduzir os ganhos salariais para, via “ajuste fiscal” e elevado superávit primário, ampliar os repasses para o sistema financeiro, para banqueiros e especuladores. Qual a lógica desta irracionalidade?

Bem, neste período depois de muita, mas muita luta, conseguimos que o Brasil fosse signatário da Convenção 151 da OIT, que diz respeito à “negociação coletiva no serviço público”, um momento histórico. Porém é preciso sua regulamentação, o que, infelizmente, não está nas prioridades do governo.

Resumo da obra: sem negociação, sem dissídio, sem data-base, sem correção da inflação, sem aumento real, sem recuperação de perdas salariais, sem carreira para evolução profissional, depois de reuniões infindáveis no Ministério do Planejamento, além das mesas setoriais, o que restou para o conjunto dos servidores foi a greve.

A resposta do empregador, ou seja, do governo, foi o absurdo corte de ponto, decreto de substituição de servidores federais por estaduais, municipais e/ou contratados e nenhuma proposta.

Ora, para um país se desenvolver precisa do protagonismo do Estado, de políticas sociais, de serviços públicos para atender a sociedade como saúde, educação, transporte, segurança, etc... Vejam, se áreas tão prioritárias como estas encontram-se em greve, nos parece que há alguma coisa de muito errada. E, com certeza, não é com os trabalhadores que lutam pelo seu direito mais elementar, que é o seu salário.

A democratização das relações de trabalho, o reconhecimento e a valorização dos trabalhadores, garantindo salários dignos é um pressuposto básico de um governo democrático e popular. O funcionalismo federal precisa de negociação coletiva como todos os trabalhadores deste país e não ser tratado como a causa dos problemas do governo que, para enfrentar a crise cuida de grandes empresas, inclusive multinacionais, com montanhas de recursos públicos, deixando as sobras aos demais. Se houver.

Somos funcionários públicos, sim senhor! Com muito orgulho. Somos nós que estamos na linha de frente, todos os dias, atendendo, nas condições que nos são dadas, a população deste país.

Somos cidadãos, sim senhor! Com muito orgulho e contribuímos, como todos os demais, para o desenvolvimento nacional. Portanto, queremos o que é direito de trabalhador e nada mais. Queremos aumento de salário e reposição da inflação, plano de carreira e condições de trabalho, o fim do assédio moral, o direito à negociação coletiva.

Para construir um país novo, precisamos virar a página de velhos – e falidos – receituários. O povo brasileiro não cabe na camisa de força do passado.

http://www.cut.org.br/ponto-de-vista/artigos/4718/sem-servidor-valorizado-nao-ha-protagonismo-do-estado

 

Quatro países realizam o maior exercício militar no Oriente Médio

Os exércitos de Irã, Rússia, China e Síria atuarão em território sírio dentro de duas semanas

As investidas de Estados Unidos, Israel e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) contra a Síria e o Irã parecem ter esgotado a paciência das potências mundiais que estão do “outro lado” no espectro político mundial. Depois de resistir ao assédio de estadunidenses e israelenses, que defendem ações militares na Síria e no Irã – mais ou menos nos moldes daquelas que a OTAN fez para destruir a Líbia e que ainda custa a vida de milhares de civis –, Rússia e China decidiram dar demonstrações de força. E, para isso, nada melhor do que unir-se aos dois países que, no Oriente Médio, não se colocam sob as ordens dos Estados Unidos – e que são penalizados por isso, com sanções ao Irã e desestabilização política, social e econômica na Síria, palco de massacres que comovem e revoltam o mundo.

Se as potências ocidentais tomarem a Síria e o Irã, China e Rússia sabem que serão os próximos alvos. Ao menos é esse o roteiro traçado pelos serviços secretos de EUA e Israel muito antes da chamada Guerra ao Terror, cujo lançamento oficial aconteceu dias depois da queda das torres gêmeas e da torre 7 do World Trade Center, em 11 de setembro de 2001. Ao menos é essa a informação repassada por ex-funcionários graduados da CIA e analistas políticos com acesso a fontes importantes dentro das agências de inteligência do Ocidente.

Os exercícios militares (wargames) dos quatro países orientais acontecerão na costa e em território sírio. Serão 90 mil forças entre pessoal de mar, ar e terra, além de unidades de defesa aérea e de lançamento de mísseis, de acordo com a agência iraniana de notícias Fars News. O Egito dará apoio estratégico permitindo a passagem de 12 navios de guerra chineses pelo Canal de Suez, que devem aportar na Síria em duas semanas. Na mesma data chegarão ao país árabe navios de guerra, submarinos atômicos e destroyers russos, além de navios e submarinos iranianos. Um número estimado em mil tanques e 400 aviões também participará dos exercícios.

Se eles fizerem o governo israelense tremer, já estará de bom tamanho. Quem sabe assim o primeiro ministro Benjamin Netanyhau, seu gabinete e os parlamentares de direita parem de insistir no ataque ao Irã e resolvam deter também a atual investida contra os palestinos. Afinal, tanto eles como Barack Obama e a direita estadunidense saberão que não reinam sozinhos no planeta Terra.

http://www.brasildefato.com.br/node/9870

 

EUA: A taxa de emprego agora é inferior à da recessão de 2008-2010

 

Sabia que uma percentagem mais pequena de americanos estão hoje a trabalhar do que quando supostamente acabou a última recessão? Mas não se ouve falar disso nos media "de referência". Estes, ao invés, atormentam-nos com altamente politizada e manipulada "taxa de desemprego". Os media estão a falar de como "163 mil novos emprego" foram criados em Julho mas que a taxa de desemprego subiu para "8,254%". Tristemente, estes números são muito enganosos. Segundo o Bureau of Labor Statistics, em Junho 142.415.000 pessoas tinham empregos nos Estados Unidos. Em Julho, esse número diminuiu para 142.220.000. Isso significa que em Julho menos 195 mil americanos estavam a trabalhar do que em Junho. Mas de alguma forma o que eles publicam é "163 mil novos empregos" em Julho. Não estou certo de como é que eles fazem para que essa matemática dê certo. Talvez alguém possa explicar-me. Pessoalmente, considero que a "taxa de emprego" dá um retrato muito mais claro do que está realmente a acontecer na economia. O rácio emprego/população mede a percentagem de americanos em idade de trabalhar que realmente tem empregos. Quando ela sobe, isso é bom. Quando baixa, isso é mau. Em Julho, o rácio emprego/população caiu de 58,6% para 58,4%. Na generalidade, a percentagem de americanos em idade de trabalhar que têm empregos tem estado, desde há 35 meses, abaixo dos 59%.

Aqui está um gráfico do rácio do emprego em relação à população nos Estados ao longo dos últimos 10 anos:

 

Rácio emprego/população.

 

A área cinzenta do gráfico representa a última recessão, tal como definida pelo Federal Reserve. Como se pode ver, a percentagem de americanos em idade de trabalhar com um emprego caiu drasticamente de aproximadamente 63% no princípio de 2008 para um pouco mais de 59% quando a recessão terminou.

Mas a "taxa de emprego" continuou a cair ainda mais.

Ela finalmente chegou ao fundo com 58,2% em Dezembro de 2009.

Desde então, tem permanecido muito firme. Não caiu abaixo dos 58% e não subiu outra vez acima dos 59%.

Isto é muito estranho, porque após outras recessões desde a II Guerra Mundial este número saltava fortemente para o nível anterior.

Mas desta vez isto não aconteceu.

No essencial, começa a parecer como se 4% da população dos Estados Unidos em idade de trabalhar houvesse sido removida permanentemente da força de trabalho.

A boa notícia nisto tudo é que as coisas pelo menos não têm ficado piores durante os últimos dois anos. Muito embora as coisas estejam más, pelo menos tivemos um período de relativa estabilidade.

A má notícia é que a taxa de emprego não tornou a subir apesar das tomadas de empréstimos e gastos sem precedentes do governo federal e apesar da temerária impressão de dinheiro por parte do Federal Reserve.

Considerando quão desesperadamente o governo federal e o Federal Reserve têm estado a tentar estimular a economia, eu realmente esperava ver a taxa de emprego subir agora pelo menos um bocadinho.

Infelizmente isso não aconteceu e agora a economia dos EUA está rapidamente a encaminhar-se para mais uma recessão.

Mas Barack Obama vai fazer cabriolas com isso durante alguns dias e falar acerca de quão maravilhoso é que a economia haja criado "163 mil novos empregos" em Julho.

Do que ele não vai falar é acerca dos milhões de americanos que têm estado desempregados por tanto tempo que já nem são "contados" mais nos números oficiais do desemprego.

Mas aquelas pessoas realmente existem e sofrem. Muitas delas começam a perder seus benefícios de desemprego e realmente não sabem o que vão fazer. O texto seguinte é uma notícia recente no USA Today:

 

Desde Junho, quando perdeu abruptamente o seu cheque semanal de desemprego no valor US$312, Lauri Cullinan esgotou as suas poupanças, procurou comida no Exército de Salvação e acende velas para poupar electricidade.

Se não puder encontrar um emprego ainda este mês, preocupam-se os seus vizinhos em Royal Oak, Mich, será expulsa do seu apartamento, uma perspectiva impensável para a senhora de 52 anos, que até a perda do seu emprego como chefe de escritório dois anos atrás, desfrutava um estilo de vida classe média.

"O que vou fazer se ficar sem casa?" pergunta Cullinan, que aguentou o desemprego por um ano e meio. "Não consigo compreender isso".

 

Pode imaginar enfrentar uma situação assim? O que faria se fosse lançado à rua?

Quando se somam todos os americanos em idade de trabalhar mas sem emprego nos Estados Unidos de hoje, chega-se a mais de 100 milhões.

Algumas pessoas acusaram-me de mentir acerca desse número, mas ele é realmente verdadeiro.

Há mais de 100 milhões de americanos em idade de trabalhar que agora não estão empregados.

E mesmo quando se tem um emprego isso não significa que se esteja bem. Como escrevi ontem, apenas 24,6 de todos os empregos nos Estados Unidos de hoje são bons empregos.

O custo de vida continua a aumentar muito mais depressa do que os salários. Muitas famílias estão a ter um tempo difícil só para pagar o básico. O padrão de vida inflacionado que todos nós desfrutámos durante tanto tempo começa a desaparecer.

Um número crescente de jovens está a viver com os seus país bem além dos 18 anos porque não há suficientes bons empregos e assim é nesta economia. Se puder acreditar, 14% de todos os americanos no escalão dos 20 aos 34 anos estão a viver em casa com os seus pais neste momento.

Mas veremos muito mais disso quando a economia ficar ainda pior. "Famílias multi-geracionais" tornar-se-ão muito comuns e isso não é necessariamente mau. Talvez venha a dar a algumas famílias oportunidade de estabelecer alguma intimidade.

Enquanto isso, muitas das nossas outrora grandes cidades continuam a apodrecer e decair a um ritmo estarrecedor. Hoje, vi um relatório que discutia como a cidade de Detroit se tornara um local de despejo de cadáveres.

Quão triste é isso?

Detroit foi outrora a inveja do mundo e agora é um lugar onde vítimas de assassínio são despejadas.

Tudo isto são indicações do quanto caímos.

Mas as coisas estão em vias de ficarem um bocado pior, de modo que deveríamos realmente ser gratos pelo período de relativa estabilidade que estamos a desfrutar neste exacto momento.

O colapso económico a longo prazo que estamos agora a experimentar irá acelerar-se. Finalmente, mesmo a altamente manipulada "taxa de desemprego" oficial irá elevar-se bem acima dos dois dígitos.

Quando isso acontecer, a cólera e a frustração que neste país ferve sob a superfície vai explodir.

Deixem-nos esperar o melhor, mas deixem-nos também preparar para o pior.

 

O original encontra-se em theeconomiccollapseblog.com/...

http://resistir.info/eua/nivel_emprego_ago12.html

 

 

O maior brasileiro de todos os tempos

Sáb, 11 de Agosto de 2012 14:33 - No Outro Lado da Noticia

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Enviado por Eugênio Issamu


O SBT está fazendo um programa para definir qual é o maior brasileiro de todos os tempos.  Isso fez com que cada um fizesse uma lista em sua mente de “maiores brasileiros”. Eu mesmo incluí gente como o diplomata Sérgio Vieira de Mello e o escritor Guimarães Rosa. Mas todos nós, sem exceção, estávamos errados.


O maior brasileiro de todos os tempos saiu de casa aos 8 anos de idade. Perambulou pelas ruas, sobrevivendo até os 12 anos sabe-se como. Foi gigolô, sendo preso diversas vezes durante a juventude por arrumar confusão. Passou fome, morou debaixo da ponte, chegou a cometer pequenos furtos para sustentar a família. Como bom brasileiro, foi sobrevivendo com a resistência de Fabiano, de Vidas Secas.


Encontrou na luta o seu estilo de vida. Lutou vale-tudo, telecatch, boxe. Aprendeu a se esquivar dos constantes e duros golpes da vida. Aprendeu a bater nas circunstâncias e a viver lutando, até a velhice. A luta fez ele sobreviver. A luta marcou sua existência. A luta moldou seu caráter.


Teve um sem número de filhos. Nove, onze, quinze, dezoito. Ninguém sabe ao certo. Moldou todos eles com aquilo que marcou sua vida: seu espírito de luta. Todos eles nasceram para ser lutadores, que nem o pai.


Um deles teve o nome do dono da academia de judô em que ele treinava, que morreu assassinado: Yamaguchi. Um outro só revelou como ele se livrou as circunstâncias amargas da vida o tempo todo: Esquiva. Um terceiro teve seu nome em homenagem ao seu lutador favorito, Teófilo Stevenson: chamou Estivan, mas só porque o cartório não permitiu a adoção do nome integral. Até Luciano, o nome mais simples, foi em homenagem ao lutador brasileiro Luciano Todo Duro Torres.


Todos os filhos foram forjados na luta. Batendo na mesma bananeira da qual tiravam alimentação. Quando Esquiva desistiu do boxe e começou a vender drogas, ele não desistiu. Foi atrás, mostrando novamente para o filho que a única coisa que vale a pena na vida é esquecer os erros e continuar lutando.


Ele luta até hoje. Bate em adversários 20, 30 anos mais novo. Continua correndo, porque sabe que sua vida é lutar. Ensinou os filhos assim. Acreditou nos filhos e acreditou que seus filhos fariam o milagre de ganhar a vida lutando no Brasil, apenas com seus ensinamentos. ”Nunca tive uma vida fácil e dizia para todo mundo que eu não iria plantar batata ou milho. A minha lavoura seriam os meus filhos”.


E ele conseguiu viver para ver o milagre. Os dois lutadores mais velhos, Yamaguchi e Esquiva, conseguiram vaga na equipe brasileira para os Jogos Olímpicos de Londres. Já era uma realização imensa. Já havia melhorado a vida de todos. Mas eles fizeram mais. Contaram a história mais inspiradora dos Jogos Olímpicos. Torceram um pelo outro e conquistaram medalhas. Não importa a cor delas. O milagre já está feito. O ciclo já está fechado. A história já está completa.



Touro Moreno emocionado com a vitória que levou Esquiva Falcão à semifinal no boxe olímpico (Fonte: gazetaonline.globo.com)


Adegard Câmara Florentino, o Touro Moreno, merece ser o maior brasileiro de todos os tempos. Não porque ele tenha mais notoriedade que todos os outros, pelo contrário. Continua vivendo sem nenhum luxo, em sua casa humilde no Espírito Santo, com um quintal de terra batida onde forjou seus filhos na luta. Mas porque representa de forma completa e brilhante o espírito do brasileiro que não desiste, que continua lutando, que tenta sobreviver de qualquer jeito, que erra e sofre muito.


Touro Moreno conta a história do brasileiro que é desprezado pela vida, que sofre golpes das circunstâncias, que a abandonado por tudo e todos e ainda assim insiste em prosseguir, trôpego, errante, mas sempre com uma consciência que é capaz de movê-lo para qualquer milagre: a de que continuar lutando e ser humilde. Foi isso que o folclórico lutador capixaba ensinou para os filhos. E é por isso que ele é um brasileiro tão enorme. Porque resolveu continuar lutando.


“Eles não sabem fazer mais nada na vida, só ser humilde e lutar”


Adegard Câmara Florentino, o Touro Moreno, o maior brasileiro de todos os tempos

 

 

O verdadeiro papel do Banco Central Europeu

Sáb, 11 de Agosto de 2012 15:11 - No Outro Lado da Noticia


 

Desinformação manipulada sobre o Banco Central Europeu
A informação que está a ser propagada sobre o Banco Central Europeu não corresponde à realidade. Leia estes seis esclarecimentos para compreender corretamente a natureza dessa instituição e os interesses que defende.
POR VICENÇ NAVARRO


Mário Draghi, presidente do BCE: ao serviço da banca. Foto de European Parliament

É importante corrigir a informação sobre o Banco Central Europeu que está a ser propagada nos círculos económicos e financeiros dominantes (tanto na União Europeia quanto na Espanha) e que não reflete corretamente a natureza dessa instituição. Comecemos pelo elevado prémio de risco espanhol, que é atribuído à especulação dos mercados financeiros contra a dívida pública do Estado espanhol, o que não é correto. Que os mercados financeiros especulem é intrínseco à forma como funcionam esses mercados. Mas, repito uma vez mais (ver os meus artigos sobre o tema no meu blog) que a instituição responsável e que determina os juros da dívida pública espanhola e dos países da zona euro é o Banco Central Europeu (BCE) que, durante mais de cinco meses, não comprou dívida pública. Esta é a razão de o prémio de risco espanhol estar pelas nuvens. Enquanto o BCE não comprar dívida pública espanhola, esta continuará vulnerável àquela especulação. A única instituição (repito, a única) que pode fazer descer o prémio de risco é o BCE. Tentar baixar o défice público, cortando e cortando, para “dar confiança aos mercados”, é ou uma frivolidade que reflete uma enorme ignorância de como funciona o sistema financeiro na zona euro, ou uma manipulação para fazer crer que os cortes são necessários para baixar os juros da dívida pública.


O segundo esclarecimento que é preciso fazer é explicar que o facto de o BCE ser a única instituição que pode fazê-lo é porque é a única instituição que pode imprimir dinheiro sem nenhum limite. Pode, portanto, comprar tanta dívida pública quanto quiser. Nenhuma outra instituição pode fazer isto.


O terceiro esclarecimento é que o facto de o BCE não comprar dívida pública da Espanha (e da Itália) deve-se ao desejo de utilizar a sua pressão para que os governos desses países tomem medidas que são altamente impopulares (porque prejudicam os interesses das suas classes populares) e que quer aplicar para otimizar os interesses que representa. O BCE é um lóbi da banca europeia e muito em especial da banca alemã e do Bundesbank (o Banco Central alemão). E esses grupos de pressão têm a sua própria agenda que inclui 1) evitar a inflação de todas as formas 2) conseguir que se pague aos bancos alemães os juros da dívida que possuem e que possam recuperar o dinheiro emprestado 3) obter a privatização das pensões, como sempre desejou a banca 4) conseguir a privatização das transferências e dos serviços públicos do Estado de Bem-Estar, tal como sempre desejaram a banca e as companhias de seguros privadas 5) diminuir os salários, como sempre quiseram a banca e o grande patronato e 6) diluir a proteção social, como também sempre sonharam a banca e o grande patronato. Estes objetivos raramente aparecem explícitos nas declarações das autoridades financeiras alemãs ou do BCE (ainda que surpreendentemente apareçam com maior frequência à medida que o tempo passa). Os argumentos que utilizam retoricamente são a necessidade de os Estados terem um “comportamento de rigor e seriedade fiscal”, exigência que nunca fazem aos bancos. O BCE emprestou um bilião (sim, um bilião de euros) à banca sem lhe pôr qualquer condição (repito, qualquer condição). Em contrapartida, põe tais condições quando compra dívida pública.


O quarto esclarecimento é que o BCE não é um banco, muito menos um banco central. Argumentei já detalhadamente em várias ocasiões que o BCE não é um Banco central (ver “El Banco Central Europeo no es un banco central: ahí está el problema de la crisis de la deuda pública”El Plural, 08.08.12). Mas é preciso esclarecer que o BCE também não é um banco, ou pelo menos não é um banco comercial. Os bancos comerciais devem ter uma reserva e devem mostrar que não têm perdas ou uma balança desequilibrada. Mas o BCE não tem por quê possuir tal reserva ou tal preocupação, pois pode imprimir tanto dinheiro quanto quiser. Como bem assinala Paul de Grauwe, um banco central não pode entrar em colapso (“Only the ECB can stabilize the Eurozone”Social Europe Journal, 31/7/2012). E a razão disso é poder imprimir dinheiro. Pois bem, o Banco Central Europeu pode imprimir tanto dinheiro quanto quiser e portanto não pode entrar em colapso. E o facto de o Estado espanhol poder entrar em colapso deve-se a não ter um Banco Central que possa imprimir dinheiro. O BCE poderia ser ou atuar como o Banco Central da Espanha ou de outros países membro. Mas não o faz porque quer pressionar os Estados a aplicarem o que os dirigentes do BCE desejam. Daí que o argumento que o próprio BCE utiliza com frequência (que precisa de ter reservas) é errado ou falso, como também assinala Paul de Grauwe. O único limite que tem o BCE (como outros bancos centrais) é o risco de criar inflação devido à abundância de dinheiro. Mas, tal como estão as coisas, o perigo maior que tem a eurozona não é a inflação, mas sim a deflação, quer dizer, o oposto.


O quinto esclarecimento é que o BCE imprime euros que não paga ao Bundesbank. Este último contribuiu para criar uma grande confusão ao indicar que é o “maior contribuinte do BCE”, frase que é incorreta, pois o BCE não é o Banco Mundial. O euro é uma moeda única, quer dizer, uma síntese de todas as moedas dos países da eurozona. Mas quando se duplica, por exemplo, o número de notas, não quer dizer que o Bundesbank contribua com o dobro. O Bundesbank não contribui com nada. Tem de garantir, da mesma forma que todas as entidades públicas financeiras dos Estados da zona euro, que a impressão do dinheiro não provoque efeitos negativos como o já citado, da inflação. Mas essa imagem de que o Bundesbank é quem paga ou sustenta o euro não é correta. Quando o BCE comprou dívida pública espanhola, o Bundesbank não contribuiu com nada. Esta imagem de que o pensionista alemão está a financiar (através da compra da dívida pública por parte do BCE) o pensionista espanhol é uma imagem maliciosa e profundamente errada, que a imprensa alemã conservadora e neoliberal está a propagar para aquecer os ânimos.


O sexto esclarecimento é que o Estado alemão tem excessivo poder, em consequência de outros estados, como a França, a Itália, ou a Espanha terem permitido que o tenha, apesar de, por exemplo, somarem todos juntos um PIB muito maior que o da Alemanha. Se houvesse uma resposta coordenada e contundente destes três estados, a Alemanha teria de ceder. E uma das mudanças mais importantes seria a mudança do BCE, transformando-o num autêntico Banco Central. Que isso não ocorra deve-se à cumplicidade existente entre os establishments dos países da zona euro, que preferem o sistema atual, que lhes permite alcançar os seus objetivos através da manutenção do BCE tal como é. E se não acredita, espere e logo verá como o BCE vai pôr como condição para salvar a dívida pública da Espanha, que o Estado espanhol privatize tudo o que seja público, desde as pensões aos caminhos de ferro públicos do Estado (que é o que deseja a banca e o grande patronato), o que tem pouco a ver com as funções de um Banco Central.


8 de agosto de 2012


Retirado do blog do autor.


Tradução de Luis Leiria para o Esquerda.net


 

 

 

A natureza corrupta do capitalismo

Sáb, 11 de Agosto de 2012 15:34 - No Outro Lado da Noticia

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Fraude da Libor: "É o sistema, estúpido!"
A Carta Maior inspirou-se em Immanuel Wallerstein para preparar esta página especial de análises e reportagens. Desde o dia 4 de julho, noticia-se um escândalo envolvendo uma coisa chamada Libor. Chamar a manipulação da Libor de escândalo é desviar as atenções do fato de que se trata de mais uma forma normal de acumular capital. Em 1992, James Carville, estrategista da campanha do então candidato Bill Clinton à Presidência dos EUA, saiu-se com um dito que ficou famoso: “É a economia, estúpido”. Frente aos chamados escândalos, deveríamos dizer: “É o sistema, estúpido”. Leia mais

 


Da carta Maior


O que há de escandaloso no escândalo Libor
Onde está o escândalo? Manipulação da Libor e transferência de dinheiro para os paraísos fiscais são absolutamente normais numa economia-mundo capitalista. A finalidade do capitalismo, afinal de contas, é a acumulação de capital – quanto mais, melhor. Por Immanuel Wallerstein

Libor: Bancos se preparam para pesadas multas e demandas judiciais
A manipulação da Libor, referência para a taxa de juro internacional, é equivalente a combinar o resultado de uma partida de futebol para garantir lucros milionários nas casas de apostas. Só que nesse escândalo está em jogo todo o sistema financeiro internacional. Por Marcelo Justo, de Londres.

Libor, Eurolibor: os bancos no banco dos réus
O Deutsche Bank, ao lado da indústria automobilística, é um dos pontos de referência da identidade coletiva alemã. Mas agora se arrasta na rua da amargura. Dificuldades financeiras? Não propriamente. Políticas. Perda de credibilidade. Perda de lucros. Por Flávio Aguiar, de Berlim

O lado mais sinistro do sistema bancário
Uma investigação de mais de ano, feita pelo Senado dos EUA, concluiu que a seção norte-americana do banco HSBC lavou dinheiro dos cartéis mexicanos de narcotráfico de 2002 a 2009, apesar dele ter sido advertido por agentes do fisco e até por investigações próprias. Por Flávio Aguiar, de Berlim

Escândalo da taxa Libor pode ser golpe devastador
À Carta Maior, o professor de Economia do Centro de Investigação de Mudança Sócio-Cultural (CRESC), da Universidade de Manchester, Michael Moran, assinalou que o escândalo da Libor pode ser um golpe devastador na frágil credibilidade do sistema financeiro global. Por Marcelo Justo, de Londres.

Escândalo da manipulação da Libor tem repercussão internacional
Um dia depois de renunciar como diretor executivo do Barclays por causa do escândalo da manipulação de taxas interbancárias, Bob Diamond compareceu perante o comitê parlamentar britânico que investiga o tema. Consumidores individuais ou corporativos serão afetados. Por Marcelo Justo, de Londres.

Novo escândalo derruba diretor executivo do banco Barclays
Robert “Bob” Diamond renunciou como diretor executivo do Barclays. Segundo os rumores, prepara uma vingança: apontar seu dedo para o vice-presidente do BC inglês. Sua estrela se eclipsou quando o banco pagou mais de US$ 400 mi de multa por manipular a taxa de juro interbancária entre 2005 e 2009.

Cameron anuncia investigação sobre sistema financeiro britânico
O primeiro-ministro britânico anunciou uma investigação parlamentar do sistema financeiro britânico à luz do escândalo da manipulação da taxa que fixa o juro dos empréstimos interbancários, a Taxa Libor, crucial para o preço de transações envolvendo bilhões de dólares em todo o mundo.

Barclays leva multa de US$ 450 milhões por manipulação do mercado
As agências reguladoras do setor financeiro dos Estados Unidos e do Reino Unido aplicaram uma multa de mais de 450 milhões de dólares ao banco Barclays por manipular a taxa libor, ponto de referência para o juro diário dos empréstimos interbancários em nível mundial.

O dia em que o mundo entrou no vermelho
No dia 9 de agosto de 2007, o BNP-Paribas, um dos maiores bancos do mundo, com ramificações que vão da Ucrânia ao Brasil, sede principal em Paris e segunda sede em Londres, congelou três de seus fundos de investimento, dizendo que não teria como honrar “as dívidas". 

Banco JP Morgan: presságio de novo Apocalipse
A economia mundial enfrenta o risco de uma nova queda. A crise atual poderá ser apenas o preâmbulo de novo Apocalipse. Exemplo mais recente é o das perdas de mais de US$ 2 bilhões do JP Morgan em maio, por ter cometido erros flagrantes, segundo as palavras do seu arrogante chefe Jamie Dimon.

 

Noblat livra Tóffoli de… Noblat

 

Se eu fosse jornalista e trabalhasse em um grande órgão de imprensa jamais faria o que o blogueiro da Globo Ricardo Noblat fez neste sábado ao transformar, publicamente, um ministro do Supremo Tribunal Federal em seu inimigo particular.

Antes que alguém ache que estou sugerindo que o jornalista não deveria ter brigado com o juiz porque pode ser retaliado por ele, esclareço que não quero dizer que o ataque público que aquele fez a este irá gerar retaliação.

Poderia, pois o jornalista fez acusação sem provas ao magistrado do STF. A sorte de Noblat, porém, é que não atacou outro juiz daquela Corte que tem por costume processar jornalistas que o criticam.

Segundo a imprensa, o ministro do Supremo Gilmar Mendes ligou para o senador do PSOL, Randolfe Rodrigues, que o criticou, e ameaçou dizendo-se “um homem de enfrentamentos”.  Até prova em contrário, esse não é o perfil de José Antônio Dias Tóffoli.

Antes de explicar a razão pela qual julgo que o blogueiro da Globo cometeu um erro que se voltará contra si, porém, reproduzo, abaixo, post dele em que “denuncia” Tóffoli por tê-lo xingado com palavrões.

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Dias Tóffoli, ministro do STF, me agride com palavrões e baixarias

11.08.2012

Por Ricardo Noblat

Acabo de sair de uma festa em Brasília. Na chegada e na saída cumprimentei José Antônio Dias Tóffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal.

Há pouco, quando passava pelo portão da casa para pegar meu carro e vir embora, senti-me atraído por palavrões ditos pelo ministro em voz alta, quase aos berros.

Voltei e fiquei num ponto do terraço da casa de onde dava para ouvir com clareza o que ele dizia.

Tóffoli referia-se a mim.

Reproduzo algumas coisas que ele disse (não necessariamente nessa ordem) e que guardei de memória:

- Esse rapaz é um canalha, um filho da puta.

Repetiu “filho da puta” pelo menos cinco vezes. E foi adiante:

- Ele só fala mal de mim. Quero que ele se foda. Eu me preparei muito mais do que ele para chegar a ministro do Supremo.

Acrescentou:

- Em Marília não é assim.

Foi em Marília, interior de São Paulo, que o ministro nasceu em novembro de 1967.

Por mais de cinco minutos, alternou os insultos que me dirigiu sem saber que eu o escutava:

- Filho da puta, canalha.

Depois disse:

- O Zé Dirceu escreve no blog dele. Pois outro dia, esse canalha o criticou. Não gostei de tê-lo encontrado aqui. Não gostei.

Arrematou:

- Chupa! Minha pica é doce. Ele que chupe minha pica.

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Em primeiro lugar, colocar em um blog de grande visitação – por estar hospedado no portal da maior empresa de comunicação do país – termos como esses é um desrespeito ao leitor. Não precisava. Infelizmente, tenho que reproduzir para emoldurar a gravidade do caso.

Noblat confessa que espionou Tóffoli para saber o que dizia a seu respeito. Ou seja: mesmo se for verdade a versão do jornalista, ainda assim o que o magistrado teria dito foi em privado. Não disse essas coisas – se é que disse – publicamente.

Fico me perguntando se Noblat, em privado, usa termos de um lorde inglês ao se referir a seus desafetos. Você, leitor, já usou termos assim sobre alguém em conversa privada? Tófolli é ministro em sua intimidade?

Quem ouviu o que o juiz teria dito? O blogueiro global não diz.

Se não diz, provavelmente não considerou útil a informação. Se não considerou útil é porque não havia platéia, mas, provavelmente, só amigos ou familiares do alvo de sua espionagem confessa.

Mas a questão nem é essa. A questão é que, como jornalista de política, Noblat certamente terá que “cobrir” a atuação do ministro, até porque ele está na linha de frente de um dos fatos políticos mais importantes dos últimos anos.

Com o post que publicou, Noblat, por decisão pessoal, tornou-se inimigo público de Tóffoli. Que tipo de informação sobre ele o público pode esperar no futuro? Isenta? Certamente as pessoas se lembrarão de que o jornalista é inimigo do juiz.

A razão que o jornalista da Globo alega para o suposto acesso de fúria do juiz contra si é a campanha que moveu contra ele para que se declarasse impedido para julgar o mensalão. Noblat pegou no pé de Tóffoli e não largou mais por ele ter decidido julgar o caso.

Bem, agora o juiz se livrou do jornalista. Ou, ao menos, do peso de suas críticas. Toda vez que Noblat tocar no nome de Tóffoli as pessoas se lembrarão de que está aludindo a um inimigo e que, portanto, sua opinião ou acusação ou mero relato carecem de isenção.

Jornalista não deve se envolver pessoalmente com a notícia. O público quer notícia, não idiossincrasias. Ironicamente, Noblat quis impedir Tóffoli e acabou impedido. Ah, sei, a Globo não dá bola a tais “detalhes”… Ok, mas o público dá.

Resumo da ópera: Tóffoli está livre ao menos da credibilidade de Noblat em relação ao que vier a dizer sobre si.

 

Filho de Sepúlveda Pertence, presente na festa ao lado de Tóffoli desmente Noblat de suas acusações em seu blog e jornalista apaga comentário.  Intenauta vigilante, nota a manipulação, reposta o comentário e faz printscreen.

http://twitpic.com/aiir52/full

 

Toni

Da Carta Maior


FHC: o eco do desencanto
FHC diz saber onde mora o pecado. Segundo ele, o inferno é a falta de políticas e estrutura adequada que atraiam o investimento. Resta saber o que andou fazendo entre 1995 e 2002, quando comandou um governo baseado na crença do "mercado desregulamentado".

Há alguns meses, em visita a Manaus, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez um comentário sobre a necessidade de se criar condições favoráveis para a instalação e manutenção de empresas no país. "Não adianta pedir mais investimentos se o governo não cria condições para que as empresas se desenvolvam”, afirmou em tom professoral.

A receita da felicidade inclui memória curta. FHC tem, no entanto, memória longa, e pertence à categoria de cidadãos que fazem questão de mantê-la acesa. Porém, para tanto, ao menos quando o assunto é política ou economia, não se baseia em suas lembranças pessoais, mas nas versões criadas pela mídia corporativa para glorificar sua passagem pelo poder.

FHC diz saber onde mora o pecado. Segundo ele, o inferno é a falta de políticas e estrutura adequada que atraiam o investimento. Resta saber o que andou fazendo entre 1995 e 2002, quando comandou um governo baseado na crença do "mercado desregulamentado".

Convém – como costumamos fazer em alguns artigos – voltar no tempo para termos a perspectiva exata do processo histórico. Em 2000, seis anos depois de aguçar a ideologia neoliberal iniciada no governo Collor, Fernando Henrique via generalizar-se uma análise mais abrangente do receituário adotado, superando-se as críticas fragmentadas e setoriais.

Não havia apenas sindicalistas protestando pelo corte de empregos, enquanto industriais aplaudiam a "modernização", pedindo o aprofundamento da desregulamentação que, rezava o credo hegemônico, daria a seus negócios a sonhada competitividade internacional. Foram-se os empregos, em grande parte desapareceu o peso dos encargos sociais, mas a mágica não aconteceu.

Os crentes do milagre neoliberal começaram a sentir na pele os efeitos de um confronto desigual: ao lado da privatização de empresas públicas, setores privados nacionais inteiros desapareceram, absorvidos ou vencidos por concorrentes externos, muitas vezes auxiliados por crédito fácil do próprio BNDES. O mesmo crédito negado aos brasileiros. Poucas vezes se viu sucateamento de tal monta.

A burguesia nacional começou a desconfiar que o "dever de casa bem cumprido” – controle da inflação, abertura comercial, reformas em vários níveis (segundo o figurino do Consenso de Washington) – resultava em déficits comerciais crescentes, falências, enfraquecimento do mercado interno devido ao desemprego, intensificação da dívida pública, duplicação da dívida externa, controle estrangeiro crescente da economia se contrapondo ao protecionismo sólido dos países industrializados, exatamente os maiores pregadores do livre mercado.

Uma rápida consulta a algumas edições do Jornal do Brasil, nos primeiros meses de 2000, mostra que o setor mais dinâmico da economia brasileira reprovava a equipe econômica do governo FHC. Pesquisa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), realizada em março daquele ano, sobre as expectativas dos empresários em relação à economia, mostrava um acentuado grau de pessimismo. A nota máxima não passou de 4,6 numa escala de 10. O desencanto burguês era evidente.

Entre 1990 e 1998, os sucessivos déficits comerciais não podem ser explicados por uma conjuntura externa. Foram resultado de uma política deliberada, que considerava destoante fazer caixa, sendo mais apropriado endividar-se, vender patrimônio, desnacionalizar a economia – e ainda ser obrigado a desvalorizar a moeda.

Esse cenário de terra arrasada foi produzido por um governo que nunca teve política de desenvolvimento, deixando-se levar pelo capital especulativo que entrava apenas para ganhar juros altos e sair do jogo, aprofundando a sangria. E quem regia a orquestra da dependência? O mesmo maestro que hoje proclama que "precisamos ter estradas e aeroportos melhores. A produtividade não é só das empresas, uma parte desse trabalho é do governo". Bons tempos, os de FHC.

Somente com a chegada de Lula à presidência, a inflação que estava subindo voltou a cair. A reversão do quadro se deu com o incremento no mercado interno, redistribuição de renda e diversificação dos países para os quais o país exporta.

O contraste parece demonstrar que existem mesmo o tipo certo e o tipo errado de política econômica em tempos de globalização. As opções autorizam FHC a proferir críticas? E mais, como ficam os que dizem que Lula deu continuidade a seu antecessor?

Para compreender a sanha golpista das elites reacionárias e seus colossos midiáticos é necessário se dar conta da revolução molecular que vem sendo operada desde 2003. Só um maximalismo pequeno-burguês não deixa perceber a trama.


Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil


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Dere Brasil Atual

 

Movimentos querem reverter demissão de professora da USP morta pela ditadura

Ana Rosa Kucinski foi demitida por abandono de funções em 1975, mas ela havia sido sequestrada, torturada e assassinada um ano antes pelos agentes de repressão

Por: Estevan Muniz, da Rede Brasil Atual

Publicado em 11/08/2012, 11:10

Última atualização às 12:34

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Ela foi sequestrada junto com seu marido no momento em que celebravam quatro anos de casamento (Foto: www.desaparecidospoliticos.org.br)

São Paulo – O Fórum Aberto pela Democratização da USP deseja que a universidade anule a demissão por “abandono de função” de Ana Rosa Kucinski Silva, sequestrada e assassinada em 1974 pelos órgãos de repressão da ditadura (1964-85). Ana Rosa era professora do Instituto de Química (IQ) da Universidade de São Paulo e integrante da Ação Libertadora Nacional (ALN), uma organização de guerrilha urbana que lutava contra o regime. Em 1975, a congregação do instituto em que ela lecionava a demitiu, ignorando seu desaparecimento forçado. 

O fórum, que reúne a Associação de Docentes da USP (Adusp), o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) e 26 entidades estudantis e associações, vai realizar uma manifestação na segunda-feira (13) em frente ao instituto exigindo uma revisão do caso de Ana Rosa.

A professora da Faculdade de Letras, Filosofia e Ciências Humanas da USP Elisabetta Santoro, vice-presidenta da Adusp, afirmou que a demissão simboliza como a universidade age em relação ao seu histórico com a ditadura. “É emblemático. Até hoje, a universidade não reverteu uma atitude que foi baseada em mentira”, disse ela. Para Elisabetta, a manifestação busca informar os atuais estudantes que não conhecem o passado da instituição sobre o envolvimento dela com a ditadura. 

“Queremos fazer jus à memória e à verdade, precisamos saber o que de fato ocorreu e avaliar a postura da universidade, que condescendeu com a repressão. Se revermos suas atitudes desse período, podemos fazer luz ao passado, avaliar nosso presente e planejar nosso futuro”. Ela ainda comentou que a manifestação deseja que o IQ seja batizado com o nome de Ana Rosa.

Ana Rosa foi sequestrada com seu marido, o físico e também guerrilheiro Wilson Silva, em 22 de maio. Segundo relata o professor e jornalista Bernardo Kucinski, irmão dela, eles foram raptados no momento em que celebravam quatro anos de casamento. 

Graduada em química e doutora em filosofia, ela era uma das mais jovens professoras do IQ e desapareceu aos 32 anos. Ela e o marido teriam sido raptados pelo delegado do Departamento de Órdem Política e Social (Dops) Sérgio Pastranhos Fleury, passado um dia presos em São Paulo e então transferidos para a chamada “Casa da Morte” em Petrópolis, no Rio de Janeiro, onde, após serem torturados, teriam sido assassinados pouco dias depois, de acordo com um depoimento feito pelo ex-cabo do Exército José Rodrigues Gonçalves à jornalista Mônica Bergamo, para uma reportagem da revista Vejaem 1993.

A reportagem de Mônica nunca foi publicada, mas Bernardo obteve dela uma cópia do material, segundo relatou àRede Brasil Atual em maio deste ano, quando comentou a confissão do ex-delegado Cláudio Guerra, publicada no livro Memórias de uma guerra suja, dos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros. Guerra afirmou que o corpo de Ana Rosa foi incinerado na Usina Cambahyba, no Rio de Janeiro.

Em 1995, a Lei 9.140 incluiu o nome de Ana Rosa na lista oficial das 136 pessoas que se encontravam desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 2 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979, e detidas por agentes públicos. A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), instituída pela mesma lei, declarou que Ana Rosa foi vítima do Estado brasileiro. No entanto, até agora a USP não tomou qualquer medida para reverter a demissão por justa causa de Ana Rosa.

O Fórum Aberto pela Democratização da USP procura instaurar uma Comissão da Verdade na universidade para investigar a relação da instituição com a Ditadura. “Há ainda coisas na USP que são heranças de um passado submerso, enterrado por muitos”, comentou Elisabetta.

 

Da Carta Maior


Os sucateiros do Estado apoiam o funcionalismo?

 



A greve de setores do funcionalismo público tem sido canibalizada com voragem por esferas do dispositivo midiático demotucano. Veículos e gargantas que se notabilizaram pelo aplauso esférico ao ciclo de privatizações promovido nos governos do PSDB, servindo como lubrificante ideológico ao desmonte do Estado, agora se esponjam no conflito entre as reivindicações dos grevistas e as respostas, inábeis, em certos casos, do governo.

Nesta sexta-feira, (10-08), o jornal Folha de São Paulo conseguiu desengavetar a palavra 'caos' trazendo-a de volta às manchetes em letras garrafais: ' Greve trava estradas e gera caos em Cumbica'. Isso para descrever uma operação padrão que atrasou vôos e gerou filas de caminhões em alfândegas. A soma de todos os engarrafamentos por certo equivale a um farelo do colapso permanente do trânsito em São Paulo, onde a competência tucana conseguiu o colosso de construir a média anual de 1,5 km de metrô em 17 anos de poder no Estado.

No sábado (11-08), o mesmo jornal que se notabilizou como sirene da retroescavadeira neoliberal, carregou no tom desaforado e provocativo da chamada: 'Dilma diz a grevistas que tem outras prioridades'.

Disse mesmo?

Nas páginas internas, o ardiloso editor já se desmente e calça o exagero com outro título: 'Em meio a protesto, presidente diz querer serviço público de qualidade'. Na letra miúda do texto, lê-se o seguinte relato dos fatos: 'sem citar diretamente as greves a Presidenta disse que tem de olhar o que é mais importante no país (...) assegurar empregos para aquela parte da população que é a mais frágil, que não tem direito à estabilidade, que sofre porque pode e esteve, muitas vezes, desempregada'.

A Presidenta foi vaiada por um grupo de docentes, alunos e servidores de instituições federais de ensino, diz a Folha.Em seguida informa: eram 35.

A recomposição das carreiras, salários e quaros do serviço público é uma prioridade da agenda progressista brasileira. Atacada por uma campanha implacável durante os dois primeiros governos do PT, ganhou margem de manobra ideológica com a crise, que escancarou o risco de se entregar a sociedade aos desígnios dos mercados, sem o contrapeso de um poder estatal eficiente e transparente.

Reduzir a despesa rentista com os juros, como tem feito o governo, é um passo importante para gerar folga orçamentária, capaz de beneficiar a educação, a saúde e a infraestrutura pública. Nada disso se fará sem uma atenção gêmea com carreiras, salários e servidores qualificados, capazes de colocar planos e projetos de pé.

Não se trata de 'ideologismo estatizante'. O país vive uma situação kafkiana:'sobram' recursos públicos em algumas áreas sem que planos de investimentos consigam migrar das intenções para os canteiros de obras.
Será difícil reordenar a macroeconomia do desenvolvimento sem novas empresas públicas que funcionem como espelho e alavanca. O exemplo vem dos bancos estatais que em seus segmentos induzem o mercado a trabalhar pela sociedade, como evidencia a queda nos juros do financiamento imobiliário.

A porta entreaberta pela desordem neoliberal exige ousadia. O mito da eficiência dos livres mercados trincou; sepultá-lo, porém, exige instituições, recursos e desassombro que subordinem os interesses a ele associados. Sem isso, o passado continuará a asfixiar o futuro, como se comprova na agonia européia sob tacão ortodoxo.

Faltam recursos? Para isso existe a política, por definição uma disputa entre prioridades de classes divergentes. Ademais, recorde-se que a elite nativa que inaugura 'impostômetros' e enche a boa para denunciar a 'carga' ocupa o 4º degrau no pódium dos maiores sonegadores do planeta. Tem US$ 520 bilhões acantonados em paraísos fiscais. Como esse dinheiro chegou lá? Não chegaria sem a inestimável colaboração de bancos e instituições do mercado cujos chefes de departamento de 'análise econômica' inundam os jornais com alertas sobre o 'desequilíbrio fiscal' e oferecem o antídoto:'as reformas', cujo cerne é o escalpo de direitos, serviços públicos e folhas de servidores do Estado.

O jornalismo engajado no apoio à greve dos servidores é filho dessa mesma cepa. Tem sido um porta-voz militante contra 'a gastança', incluindo-se aí o custo da 'corrupção', inerente à 'companheirada sindical-petista', como se sabe, e se tenta provar no STF.Demonização e desqualificação do servidor constituem uma das armas preferidas dessa pregação.

O conjunto carrega a inoxidável determinação de jogar a classe média contra tudo o que remeta ao interesse público, como se fosse possível pavimentar a convivência compartilhada sem solidariedade fiscal. Habilidosamente, alimenta-se a esquizofrenia que torna o imaginário social receptivo ao discurso dos Demóstenes de plantão: exige-se cortes de gastos nas páginas de economia; denuncia-se a insegurança pública na cobertura policial.

Foi assim também que se deformou o discernimento do país para legitimar o corte de R$ 40 bilhões no orçamento da saúde pública, com a extinção do CPMF, em 2007. Ato contínuo, a mídia 'isenta' discorria sobre o 'caos' no atendimento da saúde.

Programas sociais nucleados em torno do Bolsa Família padecem de identico tratamento. Com apenas 0,47% do PIB eles fornecem um piso de renda a 25% da população, expandindo o mercado interno em plena crise mundial. Mas a atenção prioritária do dispositivo midiático é com os 'desvios' dos benefícios, pinçados com lupa para comprovar o 'descontrole da máquina pública'.

Governos e grevistas não podem menosprezar esse pano de fundo histórico sobre o qual se trava a atual campanha salarial. Sem um denomidador comum feito de compromissos políticos em relação ao país e ao futuro, o risco é se perderem numa dízima de porcentagens, oferecendo combustível desagregador a quem sempre esteve do outro lado da mesa.

O Instituto Teotônio Vilela, insuspeito think tank tucano, repõe em um texto recente a verdade dessa correlação ao elencar os dados e a posição do conservadorismo sobre fatos hipocritamente dissimulados na cobertura da greve atual. Com a palavra, o PSDB:

"Em 2010, o gasto da União com pessoal atingiu R$ 183,3 bilhões. Isso equivale a mais de R$ 500 milhões por dia. Em 2002, havia sido de R$ 75 bilhões, em valores correntes. O salto registrado ao longo do governo petista foi astronômico", acusa o instituto tucano: "em termos nominais, isto é, sem considerar a inflação, as despesas cresceram 144%. Em valores reais, o ganho do funcionalismo foi de 56%, ou seja, muito acima da elevação do custo de vida no período. Não há quem seja contra um Estado que preste melhores serviços à população. Para tanto, é importante remunerar bem o servidor, motivá-lo e preservá-lo nas carreiras públicas. Mas a questão é saber se a sociedade está disposta a arcar com os custos desta política, uma vez que ao crescimento da folha sempre corresponde a cobrança de mais tributos".(ITV- nCARTAS DE CONJUNTURA ITV – Nº 74 – ABRIL/2011)


Postado por Saul Leblon às 11:27


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Opinião & Notícia

 

 

Crise na Islândia gera hábitos saudáveis na populaçãoAtingidos pela crise, os islandeses passaram a beber menos e dormir mais3 de agosto, 2012Share Share Share Share Sharefonte | A A A

Até meados do segundo semestre de 2008, a economia da Islândia nadava alegremente numa piscina de dinheiro emprestado: os depósitos bancários eram então 14 vezes maiores do que o PIB do país. No período de algumas semanas, o país foi abaixo. A Islândia declarou moratória e estatizou os seus bancos e a cotação da sua moeda despencou em 36%. O setor empresarial colapsou e muitas famílias viram suas poupanças desaparecer. O PIB foi do seu auge a um nível 15% inferior. A renda despencou e os níveis de ansiedade dispararam.

Esses eventos foram tristes para os islandeses, mas oportunos para os economistas. Tratou-se de um exemplo tão raro quanto útil de um choque econômico grande, generalizado e acentuado. O que os autores de um estudo para a America’s National Bureau of Economic Research denominam como um “laboratório limpo e repleto de materiais” também inclui informações detalhadas a respeito da saúde e do estilo de vida de uma amostra representativa de 9.807 islandeses cujos dados foram coletados em 2007 e novamente em 2009.


O estudo aferiu 11 comportamentos, incluindo o consumo de álcool, tabaco, bronzeamento artificial, bebidas adoçadas e lanches; e (no lado positivo) sono, exercício e comidas frescas. Uma descoberta é que a prática de formas insalubres de comportamento diminuiu, especialmente entre aqueles em idade economicamente ativa. Isso pode ser resultado da queda do nível de renda (o álcool é especialmente caro na Islândia). As pessoas passaram a comer menos comidas processadas e fast-food (ainda que isso possa refletir o que os autores chamam de “mudanças de oferta extremas”, como por exemplo o fechamento das lanchonetes McDonald’s no país). Mas, como um todo, a dieta dos islandeses piorou (a Islândia não produz muitos alimentos frescos e as importações ficaram mais caras).

Do lado positivo, a incidência de casamentos aumentou. (A autora do estudo em si, Tinna Laufey Asgeirsdottir, casou-se com seu parceiro). Os islandeses trabalharam menos horas. As suas aflições não os mantiveram acordados – o tempo dedicado ao sono aumentou, particularmente entre os homens. Isto pode refletir um custo de oportunidade: em fases de crescimento, abrir mão de algumas horas de sono pode significar mais renda advinda do trabalho (ainda que, como muitas outras coisas que parecem boas no curto prazo, os custos podem se revelar com o tempo). Agora os economistas estão salivando com a abundância de dados que sem dúvida emergirá dos outros países europeus em crise.

Fontes: The Economist-Snoozing geysers

 

 

 

Envolverde

 

Quase todos os municípios do Amazonas concluíram planos de resíduos sólidos 


por Redação EcoD

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Política Nacional de Resíduos Sólidos determina fim dos lixões até 2014. Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr

Na contramão do restante do Brasil, o Estado do Amazonas conseguiu fazer com que quase a totalidade dos seus municípios concluíssem os planos de resíduos sólidos até o dia 2 de agosto, data limite estabelecida há dois anos pela Política Nacional de Resíduos Sólidos. Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente (MMA), 55 das 62 cidades da unidade federativa apresentaram os planejamentos, que agora precisam ser aprovados pelas respectivas Câmaras Municipais.

O EcoD mostrou na quinta-feira (1º), véspera da entrega dos planos, que menos de 10% dos municípios brasileiros entregaram o Plano de Gestão de Resíduos Sólidos. Apenas as prefeituras de 400 cidades e os governos de nove Estados e do Distrito Federal conseguiram entregar o planejamento. A pior situação foi registrada nos estados do Norte e Nordeste, onde 65% das cidades não mostraram suas estratégias.

Para viabilizar a execução dos respectivos planos, o Amazonas propôs uma parceria à Associação Amazonense de Municípios e ofereceu recursos para a elaboração dos planos municipais de gestão de resíduos sólidos. Dos R$ 2,8 milhões investidos, R$ 1 milhão é oriundo do Estado e os R$ 1,8 milhão restante foi rateado entre todas as 61 cidades do interior.

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Os municípios que não apresentarem os planos ficarão impedidos de pleitear recursos federais para a gestão dos resíduos sólidos. Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr

Além das cidades do interior, a capital, Manaus, vai pelo mesmo caminho. “É um exemplo a ser seguido, quase todos os municípios do Estado já possuem seus planos”, destacou o gerente de Projetos da Secretaria de Recursos Hídricos (SRHU) do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Ronaldo Hipólito. “O Estado tomar a frente é uma boa prática para aperfeiçoar a implantação da política de resíduos sólidos. Nós estivemos presentes na solenidade de entrega dos planos, lá em Manaus, e ficamos muito satisfeitos com o que vimos e ouvimos.”

Desde o dia 2 de agosto, Estados e municípios que pleitearem recursos federais para investimentos em resíduos sólidos terão que apresentar seus respectivos planos de gestão. O prazo foi definido pela Lei 12.305, de agosto de 2010. “Estados e municípios que estão com os planos em andamento ou ainda não iniciaram, devem fazê-lo o quanto antes” salientou Hipólito. “É muito importante que todos tenham seus planos adequados às suas realidades regionais”. Segundo ele, o governo federal, por meio do MMA, está disposto a orientar e ajudar, em um grande esforço coletivo.

Obrigação nacional

“A grande mensagem da lei é que essa é uma obrigação de todos nós”, acrescentou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. “A gestão de resíduos sólidos começa comigo e com você, cidadão, minimizando a geração dos resíduos com o consumo consciente, envolvendo o setor privado com a logística reversa e o setor público com os planos e as ações”, defendeu.

ministra Quase todos os municípios do Amazonas concluíram planos de resíduos sólidos

"A gente espera que os Estados e municípios que já fizeram seus planos partam agora para sua implantação", destacou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Foto: Marcello Casal Jr./ABr

Estados e municípios tiveram dois anos para elaborar seus projetos regionalizados. Para isso, contaram com o apoio do Ministério do Meio Ambiente, que elaborou um manual de orientação para a elaboração dos planos, que está disponível no site do MMA. Além disso, tem oferecido cursos de ensino a distância para orientar gestores e consultores. O treinamento tem duração de 30 dias e oferece flexibilidade total de horário – cada participante acessa a plataforma e assiste as aulas nos horários que lhe for mais conveniente.

“A lei teve o cuidado de estabelecer o conteúdo desses planos para ter um patamar mínimo de entendimento e o Ministério do Meio Ambiente fez um processo de capacitação, um treinamento a distância que está na internet, tutorial, ensinando como elaborar o plano”, explicou a ministra.

“A gente espera que os Estados e municípios que já fizeram seus planos partam agora para sua implantação, buscando os investimentos necessários. Os que ainda não possuem os planos, devem ter a estratégia de desenvolver os planos para ter os seus investimentos. Vale chamar a atenção para o prazo de 2014″, reforçou Izabella.

O MMA ainda ofereceu, em 2011, recursos para auxiliar municípios na elaboração de seus planos. Ao todo, 488 municípios receberam verbas federais. “Somando os municípios que acessaram recursos da União e outras iniciativas independentes que nos foram informadas, a estimativa é de que cerca de 50% da população brasileira reside em municípios que estão elaborando ou executando seus planos”, observou Izabella Teixeira.

Foram 40 convênios, 17 estaduais mais o Distrito Federal e 22 intermunicipais que totalizaram R$ 35 milhões. Os convênios seguiram recomendação da lei que incentiva soluções interfederadas, baixando custo e ganhando em escala.

* Publicado originalmente no site EcoD.

 

Opera Mundi

Brasil pode ter sido mais decisivo que EUA nos golpes latino-americanosDocumentos ultrassecretos provam que a ditadura brasileira chegou a exportar técnicas de tortura à militares da região 
 

 

The National Security Archive/Reprodução
O Brasil pode ter tido um papel mais importante que os EUA nas ditaduras latino-americanas, embora a articulação estreita entre Brasília e Washington para perseguir militantes de esquerda nos anos 60 e 70 seja ainda quase desconhecida para a história oficial.

A missão de desvendar os meandros dessa cooperação e o verdadeiro papel que militares e civis brasileiros desempenharam em ditaduras como as do Chile, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia caberá à recém-instaurada Comissão da Verdade, diz o pesquisador norte-americano Peter Kornbluh em entrevista ao Opera Mundi.

[O ditador brasileiro Emílio Garrastazu Médici e o presidente dos EUA Richard Nixon]

Segundo Kornbluh – que esteve em maio em Brasília para reunir-se com membros da Comissão –, existem papéis ultrassecretos que provam que o Brasil exportou técnicas de tortura para os países vizinhos, além de fornecer respaldo político, ajuda financeira e suporte material para ditadores militares da região.

Leia mais:
"Comissão da Verdade brasileira tem de ser agressiva nas buscas", diz Peter Kornbluh

Nós sabemos, por exemplo, que o presidente (brasileiro Emílio Garrastazu) Médici e o presidente (dos EUA Richard) Nixon mantiveram um canal de comunicação ultrassecreto sobre a intervenção brasileira no Chile e, possivelmente, em outros países do Cone Sul no início dos anos 70”, diz Kornbluh, que é diretor dos Arquivos da Segurança Nacional. A organização de Washington, fundada em 1985, é especializada no requerimento, interpretação e publicação de documentos secretos norte-americanos liberados para consulta pública sobre os golpes na América Latina.

Documentos secretos obtidos pela organização de Kornbluh em agosto de 2009 revelam a cooperação estreita entre Nixon e Médici. Num dos memorandos revelados, o presidente norte-americano diz a seu colega brasileiro: "espero que possamos ter uma colaboração estreita, uma vez que há muitas coisas que o Brasil pode fazer, como país sul-americano, e nós, dos EUA, não podemos. A relação entre ambos era tão importante, diz a análise feita na época pela National Secutiry Archives, que ambos estabeleceram um canal privilegiado de contato, "como forma de manter a comunicação direta sem usar os canais diplomáticos formais".

Médici tinha como canal seu assessor direto, o chanceler Gibson Barbosa, mas "para assuntos extremamente privados e delicados", indicou o coronel Manso Netto. Do lado norte-americano, o contato era Henry Kissinger, conselheiro e confidente de Nixon. Toda a comunicação estabelecida por meio desse canal secreto permanece desconhecida.

Kornbluh começou a lidar com arquivos secretos na década de 60, quando investigou papéis do governo norte-americano sobre a crise dos mísseis em Cuba. Na época, a então União Soviética transportou para a ilha mísseis capazes de alcançar o território dos EUA em plena Guerra Fria. Kornbluh também mergulhou em arquivos do episódio que ficou conhecido como Irã Contras quando, em 1986, durante o mandato do então presidente Ronal Regan, figurões da CIA foram flagrados traficando armas para o Teerã, mesmo com o regime sob embargo. Ele publicou dois livros sobre o tema, além de um terceiro, mais tarde, sobre a ditadura no Chile, que recebeu do jornal americano Los Angeles Times a classificação de “livro do ano” de 1998.

O pesquisador norte-americano é figurinha fácil em programas de reportagem investigativa como o 60 Minutes, da rede CBS, e congêneres da CNN. Sua informações e análises sobre o papel dos EUA são conhecidas, mas o envolvimento com os arquivos brasileiros será algo novo, que pode revelar detalhes ainda desconhecidos – e desagradáveis – sobre o real papel brasileiro na história latino-americana.

Acusação direta

Em maio, o Opera Mundi publicou reportagem especial na qual fontes brasileiras e chilenas acusam a Embaixada do Brasil em Santiago do Chile de ter sediado as reuniões prévias ao golpe liderado pelo general Augusto Pinochet, além de ter facilitado o envio da primeira linha de crédito à ditadura chilena por empresários brasileiros, no valor US$ 100 milhões.

Arquivo pessoal

Peter Kornbluh: relutância das fontes militares brasileiras em liberar papéis é obstáculo para Comissão da Verdade do país

“O único brasileiro presente na noite em que a Junta Militar chilena prestou juramento, no dia 11 de setembro (dia do golpe), foi o então embaixador do Brasil no Chile (Antonio Castro do Alcântara Canto), em cuja residência foram feitas as reuniões-chave para que Pinochet se juntasse ao golpe", disse a jornalista e escritora chilena Mónica Gonzalez, autora do livro La Conjura – Os Mil e Um Dias do Golpe.

"Empresários de São Paulo financiaram o grupo de ultra-direita Patria y Libertad que perpetrou atividades terroristas para desestabilizar o governo [de Salvador] Allende. Torturadores brasileiros vieram ao Chile após o golpe para ensinar técnicas de tortura, interrogar e levar de volta ao Brasil ativistas brasileiros exilados no Chile", completou um dos assessores diretos de Allende, o atual diretor do PNUD (Programa da ONU para o Desenvolvimento), Heraldo Muñoz.

Para Kornbluh, declarações como as de Mónica e Muñoz podem ser provadas por documentos ainda desconhecidos. O pesquisador é um grande conhecedor do poder de certos papéis empoeirados. Em 1998, quando o democrata Bill Clinton era presidente, ele conseguiu a liberação de 24 mil documentos secretos da CIA, do Departamento de Defesa, do Departamento de Estado, do Conselho de Segurança Nacional e do FBI sobre a participação dos EUA no golpe de 11 de setembro de 1973, no Chile. Pouco tempo depois, Kornbluh aplicou o mesmo modelo de busca para o caso argentino, onde conseguiu acesso a mais de 5 mil informações até então reservadas da ditadura militar.

“A ironia poética do envolvimento dos EUA na América Latina é que isso criou um rico acervo que pôde ser usado para revelar quais violações dos direitos humanos foram cometidas no passado e quem as cometeu. Esperamos conseguir informações semelhantes no Brasil nos próximos meses”, disse.

Jogo duro

Kornbluh diz que um dos obstáculos ao trabalho da Comissão da Verdade no Brasil ainda é a relutância das fontes militares em liberar papéis, por exemplo, sobre a Guerrilha do Araguaia – movimento de resistência armada à ditadura que foi aniquilado pelo Exército Brasileiro em seguidas investidas, entre 1972 e 1975, na região norte.

Roberto Stuckert Filho/PR

Presidente Dilma Rousseff durante cerimônia de instalação da Comissão Nacional da Verdade, no Palácio do Planalto, em Brasília

Os documentos relativos à operação nunca foram revelados pelos militares, mesmo depois da condenação do Estado brasileiro pela Corte Interamericana de Direitos Humanos em dezembro de 2010, pela “detenção arbitrária, tortura e desaparecimento forçado de 70 pessoas, entre membros do Partido Comunista do Brasil e camponeses da região” do Araguaia. Eles dizem que os papéis foram todos destruídos.

Kornbluh diz que o argumento é comum e já foi usado em outras ditaduras da região. "Na Guatemala, a Comissão transformou num assunto o fato de os militares negarem informações, esconderem documentos. A publicidade disso fez com que alguns militares guatemaltecos dessem passos significantes adiante, liberando mais documentos sobre o papel do alto comando nas atrocidades massivas”, conta. “A Comissão de Verdade do Brasil deveria ser agressiva na busca por registros militares e, se os militares não cooperarem, deveria então estar preparada para dar publicidade geral, responsabilizando os que obstruírem os registros desta história negra.”

A sugestão foi, aparentemente, feita por Kornbluh aos membros da Comissão da Verdade no Brasil, embora o pesquisador tenha se negado a dar detalhes sobre o encontro realizado em Brasília, em junho.

 

Blog do Sakamoto

 

10/08/2012 - 15:44

Empregadores suspendem participação na Conferência de Trabalho Decente 

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Brasília - A bancada dos empregadores suspendeu sua participação na I Conferência Nacional de Emprego e Trabalho Decente, que está sendo realizada no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, na capital federal, depois de ter participado de um dia e meio de discussões.  Os delegados dos trabalhadores, governo e sociedade civil receberam a informação de que haverá uma reunião entre os empregadores e o ministro do Trabalho e Emprego, Brizola Neto, para discutir a situação.

A bancada dos empregadores reclama que o processo de deliberação estaria prejudicado por conta de desrespeito às regras anteriormente acordadas e de que haveria agressividade contra eles. Após a reunião com o ministro, segundo o que foi divulgado por representantes da Conferência, os patrões tomarão a decisão de continuar ou não.

Neste momento, trabalhadores e sociedade civil debatem nas salas esvaziadas pelos empregadores se devem continuar a Conferência sem eles.

A I Conferência Nacional de Emprego e Trabalho Decente está reunindo centenas de delegados e delegadas representantes de trabalhadores, empregadores, governos e sociedade civil de todo o país desde o dia 8 de agosto – com previsão de término para o dia 11.  A maior parte deles foi eleita em Conferências Estaduais nos últimos meses. De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, a Conferência tem por objetivo debater e deliberar sobre uma política nacional de emprego e trabalho decente.

Atualização: No final do dia, a bancada dos empregadores aceitou retornar depois que um acordo foi costurado para que uma agenda mínima de suas pautas entrasse no documento final, o que não estava previsto nas regras da Conferência.