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Folha errou, mas só Ombudsman viu

Da Folha

Jura dizer a verdade, só a verdade, nada mais que a verdade?

Em duas ocasiões, Folha modifica declarações de entrevistados e reluta na hora de admitir erros

Suzana Singer - Ombudsman

Duas vezes, na curta semana do feriado, a Folha colocou indevidamente palavras na boca de personagens do noticiário. Os erros, graves, estavam na capa do jornal.

Na segunda-feira, o texto na "Primeira Página" que resumia a entrevista com o professor da Universidade Federal de Minas Gerais Claudio Beato dizia: "País deve negociar com criminosos, afirma sociólogo". "Um dos maiores especialistas em segurança no país (...) diz que, quando as mortes se acumulam numa guerra sem fim, é preciso negociar com o crime. Ele (...) defende que o Brasil torne institucionais acordos informais que faz com criminosos".

Não foi isso o que o sociólogo disse. Basta ler a entrevista publicada: ele afirma "não ser contra a negociação, eventualmente, e de forma pontual" e que, "se houve acordo [com o PCC em 2006], por que não fazer de forma transparente?".

O entrevistado sabia que estava entrando em terreno pantanoso. Ele avisa "vou falar uma coisa que será muito criticada", antes de discorrer sobre projetos de controle da violência no exterior que tiveram negociação com gangues. Mas ele não diz que o país "deve negociar" com o crime nem defende que se "institucionalizem acordos informais", como está na "Primeira Página".

Ouvindo toda a gravação da entrevista, fica mais clara a posição de Beato. Ele diz que a máxima "não se negocia com o crime" já está vencida, porque policiais fazem acordos pontuais com contraventores "para apagar incêndios, em determinados bairros". "Muitas vezes, o governo nem sabe", diz.

Em vez de reconhecer o erro e dar uma correção, como prevê o "Manual da Redação", a Folha publicou uma carta e um artigo de Beato ("Jornalismo, ética e segurança pública"), em que ele afirma que "jamais diria uma sandice dessas".

Ficou confuso: quem está dizendo a verdade? "Difícil acreditar que o jornalista publicasse algo que não foi dito, até porque as entrevistas são gravadas. Mais lógico seria afirmar que [o sociólogo] mudou seu pensamento", escreveu o leitor Reginaldo Salomão.

O problema surgiu no processo de produção do jornal: o repórter reproduziu o que está gravado, mas o sentido foi deturpado na edição.

O segundo erro, na mesma linha, foi a manchete de terça-feira: "Atraso em obras é 'regra do jogo', diz ministra do PAC".

A frase foi pinçada de uma fala de Miriam Belchior em entrevista coletiva. Questionada sobre o cronograma das obras, disse: "Atraso é da regra do jogo (...) o tamanho dele tem que se verificar proporcionalmente ao período previsto".

O jornal fez um link entre a frase dela e a do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, alguns dias antes, sobre preferir morrer a passar anos em uma cadeia no Brasil. Onde a Folha viu um surto de "sincericídio" na Esplanada dos Ministérios, havia apenas uma declaração banal da titular do Planejamento.

Belchior não disse que atraso é "a" regra do jogo, mas que é "da" regra do jogo -acontece, mas não é inevitável. A aspa correta estava no texto da reportagem, mas ganhou um "upgrade" no título do caderno "Mercado" e na manchete.

Desta vez, o jornal publicou uma correção, mas contrariado. Em resposta à carta do Ministério do Planejamento, classificou o erro de "detalhe irrelevante".

Outro erro. "Não é preciosismo a alteração de 'a' para 'da'. Se a ministra disse 'isso é da regra do jogo', significa que é comum, constante. É como dizer 'faz parte'. Já 'isso é a regra do jogo' equivale a dizer que essa é a única forma de se trabalhar", explica Sirio Possenti, 65, professor de linguística da Unicamp.

Folha entendeu mal uma declaração e fez um carnaval em torno do nada. Depois da manchete, saíram um editorial ("A regra do atraso"), uma coluna Brasília ("No vermelho") e uma charge na página 2 descendo a lenha na ministra.

Boa parte do jornalismo consiste em fazer as pessoas dizerem o que elas preferiam manter para si. Arrancar segredos, inconfidências e afirmações polêmicas é um dos desafios de um bom repórter. Mas isso não implica carta-branca para interpretar o que alguém "quis dizer". Se a meta do jornalismo não for a exatidão, passaremos ao reino do vale-tudo.

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"Mas isso não implica carta-branca para interpretar o que alguém "quis dizer"".
Bom, em tempos de julgamento à base do "não tinha como não saber", nada mais natural que a Folha publique aspas extraídas por telepatia...

 

Quem ocupa  essa função em qualquer órgão da GAFE, principalmente na FSP, é um candidadto natural a entrar no Guiness como expoente do cinismo.

 

Domenico Amaral

eles além de assassinar reputações, estão começando a imaginar que são telepatas, colocando nas reportagens coisas que ele inferem que os outros pensam,  isso nem psiquiatra consegue fazer.

 

eles além de assassinar reputações, estão começando a imaginar que são telepatas, colocando nas reportagens coisas que ele inferem que os outros pensam,  isso nem psiquiatra consegue fazer.

 

Pelo menos, guardadas as devidas proporções, ainda não chegou ao disparate dos R.Azevedo (perce)vejísticos) da vida.

 

É mesmo? Nem quando publicou uma ficha falsa da Dilma? Nem quando disse que a ditadura foi branda? 

 

Suzana Singer, belo nome, se você for retratar-se todas as vezes que a Folha erra, vai trocar de cargo com o revisor.

 

Suzana Singer é uma ótima profissional e o jornal um bom empregador.Há quem duvide, porém muitos estudantes da área de comunicação sonha em trabalhar para o PIG, assim como aconteceu com os outroras jovens da década de  70  e 80, alguns deles que hoje se encontram do outro lado das trincheiras ideológicas e políticas do jornalismo.

 

Recentemente eles demitiram uma jornalista pelo fato dela ter postado no seu Facebook: "Nao contribuam com trabalho escravo, nao leiam a Folha de Sao Paulo". Os jornalistas de lá nao têm hora para sair do trabalho, nao tem dias de folga certos, eles demitem e os que sobram têm que acumular o trabalho dos outros. Ótimo empregador, na verdade... 

 

Quando Suzana Singer não ocupa sua coluna com receitas de bolo ela presta um relevante serviço ao público e aos alienados assinantes da Folha.

 

Por que mesmo a falha...digo folha mantem alguém nesse cargo de nome esquisisto mesmo??? Caramba , não sabia qual era o propósito dessa função, agora sei, é para descobrir erros de interpretação/tradução e afins nas notícias??? Moça, um conselho: procura outro trampo que terás trabalho pra caramba...

 

acho q faz parte de um grande processo de legitimação do jornal. existe crítica, mas ninguém no jornal, leva isso em conta. serve p dar a impressão de q é legítimo, no atacado , td como sempre foi.

 

Paradoxo da Folha: as pessoas não dizem o que o jornal quer publicar. Logo, atribua-se a elas o que o editor "interpretar" a respeito. #PIG

 

De tanto apontar as "falhas" da Folha a filha


do Singer será a próxima a pedir o boné e dar


linha na pipa.

 

Alguém precisa informar à Sra. Susana é que o reino do vale tudo já está vigente.