newsletter

O assassinato de PC Farias

Da Istoé

Foi queima de arquivo

STF confirma que PC Farias, o famoso tesoureiro de Collor, foi assassinado por seus seguranças e derruba a farsa do crime passional, denunciada por ISTOÉ há 15 anos

Mário Simas Filho

chamada.jpg

Com 15 anos de atraso, o Supremo Tribunal Federal colocou um ponto final em um dos crimes mais rumorosos do Brasil: os assassinatos de Paulo César Farias e de sua namorada, Suzana Marcolino. PC Farias, como era conhecido o empresário alagoano, foi o tesoureiro do ex-presidente e atual senador Fernando Collor de Mello. Ele era considerado o maior conhecedor dos esquemas de corrupção que levaram ao impeachment de Collor e apontado pela Polícia Federal como o responsável pela movimentação de dezenas de contas no Exterior abastecidas pelo propinoduto instalado no governo federal. Em 23 de junho de 1996, dias antes de depor em uma CPI que investigava a relação de empreiteiras com o Palácio do Planalto, PC e sua namorada foram mortos na casa do empresário na praia de Guaxuma, litoral de Maceió. Antes mesmo de os corpos serem removidos, os irmãos de Farias, também envolvidos com o governo Collor, e a polícia alagoana passaram a tratar o caso como crime passional. Suzana teria matado PC e se matado em seguida. Uma versão endossada por delegados da Polícia Federal e pela mídia em geral, mas que não tinha nenhuma sustentação em provas técnicas ou testemunhais, como denunciaram diversas reportagens de ISTOÉ desde a primeira semana de julho de 1996. Com base nos relatos de testemunhas, muitas delas ignoradas pela polícia alagoana, e nos estudos feitos por peritos e legistas de todo o País, as reportagens mostravam que PC e Suzana foram vítimas de um duplo homicídio e que a cena do crime fora alterada para dificultar as investigações.

img.jpg
ARMAÇÃO
A cena do crime (acima) foi alterada para atrapalhar as investigações. Em julho de 1996,
ISTOÉ denunciou a montagem para que o caso  fosse arquivado como crime passional
 

img1.jpg

No início deste mês, o ministro Joaquim Barbosa, do STF, decidiu, em última instância, que Adeildo dos Santos, Reinaldo Correia de Lima Filho, Josemar dos Santos e José Geraldo da Silva, ex-seguranças de PC e ainda hoje funcionários da família Farias, deverão ser levados a júri popular acusados como coautores dos assassinatos. A decisão de Barbosa não deixa dúvida. O que ocorreu na casa da praia de Guaxuma foi um duplo homicídio e não um homicídio seguido de suicídio. “O jornalismo praticado por ISTOÉ teve papel fundamental para que a farsa não prevalecesse sobre os fatos”, diz o juiz Alberto Jorge Correia Lima, da 8ª Vara Criminal de Alagoas, responsável pelo processo que apura o crime. Segundo ele, o julgamento dos ex-seguranças de PC deverá ocorrer em setembro.

img3.jpg
RÉUS
Adeildo, Reinaldo, José Geraldo e Josemar (da esq. para a dir.), 
os ex-seguranças acusados pelo assassinato de PC

img2.jpg

“Depois de tanto tempo, aumentam as chances de os ex-seguranças serem inocentados, pois os detalhes já não estão mais na memória das pessoas como na época do crime”, lamenta o promotor Luiz Vasconcelos. “Mas só o fato de haver um júri popular comprova que uma farsa estava em gestação.” Em março de 1997, o promotor e o juiz colocaram em dúvida um laudo elaborado pelo legista Fortunato Badan Palhares, da Unicamp, que procurava impor rigor científico à tese do homicídio seguido de suicídio. Com base em reportagem de ISTOÉ, que, amparada em pareceres emitidos por legistas de diversos Estados enumerou uma série de falhas no laudo de Palhares, a Justiça alagoana convocou três especialistas em medicina forense para mediar o impasse. A conclusão foi a de que todos os indícios apontavam para o duplo homicídio. “Se quatro pessoas estão em uma sala e uma delas é morta, ou o assassino está entre os três que sobreviveram ou eles compactuaram para encobrir uma outra pessoa”, diz o promotor, referindo-se à situação dos acusados. O promotor lamenta que a farsa montada em torno da tese do crime passional tenha impedido que investigações mais profundas fossem feitas. Ele explica que a possível condenação dos ex-seguranças de PC pode representar a punição aos autores dos homicídios, mas que o mandante do crime ainda é um mistério. Em sua denúncia, o juiz Correia Lima chegou a apontar o ex-deputado Augusto Farias, irmão de PC, como o mentor intelectual do crime, mas o STF entendeu que não havia provas suficientes contra o ex-parlamentar. Se a Justiça fosse menos morosa, é provável que todos os mistérios em torno da morte de PC já estivessem resolvidos.  

g.jpgg2.jpg

Média: 1 (1 voto)
40 comentários

Comentários

Comentar

O conteúdo deste campo é privado e não será exibido ao público.
+40 comentários

 

Tenho informações de que PC Farias, está vivo. Inclusive, ele se disfarça para não ser reconhecido e que  só entra e sai de casa de madrugada. E que solta dinheiro na mão de muita gente, para que nada seja revelado toda a farça. Esta foto dele morto é uma injeção que aplicaram nele, em que a pessoa fica aparentemente morta por várioas horas ou dias. Ele está escondido numa de suas fazendas. Toda esta história da morte é uma farça. A Policia Federal não pega ele por que não quer.

 

Viajando na maionese cidado, ou vc. e doido

 
 

Isso é mais um desrespeito a cada cidadão desse pais procuramos por justiça e nada porquer a verdade caiu na praça.

 

Evidentemente os seguranças não mataram o patrão e sua namorada de graça. Badan Palhares também  não assinou o laudo fajuto de graça, apenas pelo prazer masoquista de destruir sua própria carreira. Alguém pagou, e não deve ter pago pouco. E finalmente não podemos esquecer da morte da mulher de PC Farias, Wilma Farias, em circunstâncias ainda mais suspeitas do que a de PC.

O pior é que quem pode esclarecer tudo isso está andando livre leve e solto pela praça dos três poderes. Collor sabe de tudo.

 

 

Claro que o Badan Palhares recebeu grana e isso já ficou confirmado há muito tempo. Recebeu R$ 4.000.000,00 do irmão de PC Farias para fraudar o laudo. Porque isso aconteceu? Perguntem ao Sr. Ex-Presidente...

 

Será que ele está mesmo morto?

Há como comprovar que é ele que está enterrado lá!?

Como fica o Badan, isento de penas?

Por que PC tinha "seguranças" PMs estaduais, ele era político e quem mandou esses "seguranças" fazer a segurança dele ou "matá-lo" como insinuam alguns? Desviar PMs para "segurança" com ordens de quem, quem os mandou ficará impune?

Quantos morreram ligados ao PC?

MISTÉRIO!

 

Quinta-feira, 13 de agosto de 2009

CRUZADOS NOVOS, QUERO DIZER, NOVA CRUZADA.

Eu repousava confortavelmente sobre o manto do esquecimento coletivo, quando ouvi:

“Eu quero que o senhor as engula”.

Aquilo me despertou. Pensei: eu conheço esse timbre de voz. Logo depois de uma breve pausa, escutei:

“Que as digira”.

O som vinha da TV Senado, o melhor e o pior reality show da TV brasileira. O olhar vidrado do orador não deixava margem a dúvida. Um olhar tão assustador que o Pedro Simon quase ficou bonito. O meu chefinho estava de volta. Que saudade. Eu já não via a hora. Aquela versão diluída do Collor estava até me preocupando. Eu sei que esse estilo suave não convencia ninguém. Meu medo era que ele começasse a acreditar no personagem – equilíbrio não era o seu forte. Nem os amigos entendiam o que estava acontecendo. Está certo que ele mudou de amigos algumas vezes, o que embaralha a coisa. Não importa, não estou aqui para julgar. Collor é como um irmão para mim. Quer dizer, é como se fosse alguém da família que a gente gosta mesmo. Por ele, eu superfaturaria tudo de novo. Pagaria outra vez todas as contas da casa da Dinda, o que a gente não faz pela dinda de um amigo?

Estou aqui para ajudá-lo incondicionalmente em sua nova cruzada. Vou até criar um movimento para arrecadar apoio. Arrecadar é comigo mesmo. Vai se chamar “Forra o Sarney”. Creio que não enfrentaremos grande resistência. A geração dos “caras pintadas” está entretida demais com o Twitter para se ligar no que faremos. Em breve, colocarei aqui neste blog um botão para doações de campanha. Aceitaremos contribuições, inclusive de empresas que não foram privatizadas. O sistema será todo informatizado. O próprio blog não enviará o recibo. E, por último, gostaria de aproveitar este espaço para esclarecer o mistério que ronda a minha morte: Suzana Marcolino me assassinou. Foi um crime passional mesmo. É chato ser gostoso.

postado por pc farias às 07:11 16 comentários

Sobre o blog

Um espaço que só o PC faria – muito boa! Nem eu me aguento. Sou mesmo uma bolada, quero dizer, um bolaço.

Sobre mim

Fui o tesoureiro da campanha que conduziu Fernando Collor de Mello à presidência da República. Hoje trabalho no almoxarifado como arquivo morto.

http://www.blogdomorcegao.blogspot.com/

 

http://icommercepage.wordpress.com/2010/01/28/a-politica-torta-do-brasil/

 

  O brasil cheio de peru morrendo de vespera e nos que somos paranóicos.

 

Ps. não lembro de noticiarem esse depoimento iminente dele!

 

http://www.youtube.com/watch?v=3h9OeWjG0vc

Entrevista onde próprio Farias informa sobre seus futuros depoimentos .

Agora, algum de vcs faz leitura labial? ( a pegunta final está sem som na resposta) 

 

Eu achei esta capa da Iso È:

Re: O assassinato de PC Farias
 

Marise

Em algum momento no futuro, alguém desvendará os mistérios desse governo Collor.

Várias pessoas morreram de forma muito estranhas.

 

Consagre os seus sonhos e projetos ao Senhor, e eles serão bem sucedidos, creia.

gAS

O Esquiber é um agente da Veja infiltrado no Portal do Nassif. Disto não tenho dúvidas.

 

Esquiber, por favor, quando você tiver um tempinho sobrando explique-nos o BOIMATE, tá?

 

 

Wisoneaks,

Querido eu sou o ser mais contraditório do mundo. Tenho posicões avançadas e ao mesmo tempo as mais retógradas que lhe ofende. Por exemplo, a questão do homessexualismo, eu tenho uma posição contrária.

Entrei em vários debates aqui com Gunter e Raquel, sem conseguir deixar claro a minha posição. Eu sou contra o homossexualismo, mas não soube deixar de dizer que tambem sou contra a homofobia .

A homofobia é espancar e até querer discriminar e matar homossexuais. Isso é contra tudo em que acredito. O que eles nunca entenderam é que eu defendo que todos estejam integrados na sociedade, sem direitos especiais.

Sempre houve homossexual e ninguém nunca questionou isso. Mas de uns tempos para cá está havendo uma batalha que coloca todo mundo e seus conceitos à prova, de um modo  que faz aflorar o pior de todos os sentimentos do ser humano, o preconceito, seja de que tipo for, especialmente o religioso.

Não tenho nada contra a opção de Raquel e de Gunter. São pessoas especiais, inteligentíssimas. Mas penso de um modo que ofende a elas . E me desculpo por isso. Sou assim. Aprendi ser assim.

Agora sobre a veja, por favor não diga que estou fazendo o jogo dela, a veja é o suprassumo do golpismo e se a expressão PIG tem algum significado nasceu em função da Veja.

 

.

 

"Se você quer saber o que Deus acha do dinheiro, olhe para as pessoas a quem

Este caso vai ser complicado no juri.

O MP terá que demonstrar os motivos que levaram os denunciados a matar PC ou Suzana ou os dois.

Alguns motivos que poderiam trazer a uma condenação se comprovados : problemas com o patrão, a mando de algum militar superior, a mando de um dos irmãos ou ambos, sob paga, etc...

Não vi estes elencados, pelo contrário. Não está identificada , segundo o STF, a figura do mandante.    E  o que fica pior ainda, segundo leio na matéria os acusados continuam a trabalhar para a familia Farias. ( probabilidade -Quanto será que eles ganham de salário? ). Ou a familia acoberta por razões que podem existir e não foram devidamente investigadas..ou são insensíveis. Afinal quem em sã conciencia manteria trabalhando em sua casa pessoas acusadas de matar um familiar seu?

Sei que isto servirá e muito para a defesa dos acusados  da execução do crime quando do julgamento.

 

Não podem ficar impunes os chamados Especialistas, que usam um suposto conhecimento científico para contribuir com os mais tenebrosos esquemas.

Badan Palhares fez um falso "relatório técnico" no caso PC Farias. Da mesma forma que Ricardo Molina fez uma falsa análise da "bolinha de papel" jogada na cabeça de Serra. (Aliás, ambos peritos com vínculos com a UNICAMP).

Lembro-me de que no acidente da TAM, o engenheiro Jorge Leal, professor da POLI USP, no dia seguinte dava entrevistas na TV e apresentava suas conclusões sobre as causas do acidente. Obviamente, o telespectador era induzido a responsabilizar o Presidente Lula pela morte das 200 pessoas.

A Comunidade Científica deveria ser rigorosa com a questão Ética. Se a Comunidade Científica é conivente ou negligente com desvios éticos em sua área de responsabilidade, fica moralmente impedida de apontar desvios éticos em outras áreas ou instituições.

Pode uma sociedade livre e democrática prescindir do conhecimento científico ?

 

Não tenho certeza, mas acho que o Molina era da equipe do Badan Palhares. Parece que na Unicamp tem um serviço "perito dellivery". A pizza vem ao gosto do freguês é claro

 

Juliano Santos

A questão é: que provas queriam queimar matando PC? Quem queriam inocentar?

 

É muito esquisita a postura dos irmãos do PC querendo atribuir logo de cara caso de crime passional...

 

É desanimador !

Ontem , ao ver o POST sobre o caso do RIOCENTRO ocorrido há 30 anos , fiquei refletindo um pouco sobre aquela farsa toda , a falta de dignidade daqueles militares todos envolvidos. Gente que topou ir lá no RIOCENTRO portando uma bomba para matar pessoas quaisquer , apenas para implantar terror. Gente que topou assinar laudos falsos , montar inquéritos , acobertar potenciais assassinos. As figuras envolvidas como General Newton Cruz , o coronel Wilson Dias , o coronel Job Lorena de Sant'Anna , apesar de demonstrada suas contribuições no episódio , jamais foram punidos .

A única coisa que mudou naquele episódio em relação aos crimes anteriores da ditadura miilitar é que a partir dali os responsáveis por crimes passariam a ter nome , mas jamais punição.  Zuzu Angel , Wladimir Herzog , Rubens Paiva e tantos outros , jamais tiveram seus algozes nominados.

Passados quase 30 anos da devolução do poder aos civis e do restabelecimento do processo democrático , o padrão continua inalterado. Apesar da crença de que , encerrado o regime militar , se estaria a partir dali construindo um novo país , uma nova sociedade. 

ANÕES DO ORÇAMENTO , BANESTADO , PRIVATIZAÇÕES , SATIAGRAHA , CELSO DANIEL , PCC , MENSALÕES , ...... no Brasil de hoje sabemos os nomes, sobrenomes e endereços de todos os responsáveis em cada caso graúdo de corrupção , desvios de poder , e assassinatos, que ocorrem no país.  Mas as punições continuam ausentes , e se ocorrem é pra punir o peixinho miúdo , cuja  participação foi a mando dos poderosos, fazendo o trabalho sujo , uma forma de se criar uma encenação e dar uma satisfação à opinião pública. 

Apesar de no imaginário popular o poder Executivo ser o todo-popderoso, falhamos em construir no país o principal poder do regime republicano , aquele que deveria ser a instância final dos conflitos : o PODER JUDICIÁRIO. Ainda que o dever de todos os poderes da República seja resguardar a ordem constitucional , é no Poder Judiciário que ela , a ordem , encontra seu refúgio final , após ser pisoteada pelos demais.

Pois laudos falsos , provas forjadas, testemunhos sob tortura ........ logo se desmancham diante de um tribunal conduzido pela imparcialidade e firmeza de magistrados honestos e comprometidos com a ordem democrática.

Um tribunal vir a público, 15 anos depois , anunciar que a versão da morte de PC  FARIAS foi uma farsa , coisa que até as pedras da rua já sabiam à época , é uma desmoralização total. A única pergunta é : o quê acontece com Augusto Farias , que na época , segundo noticiado , estava presente na casa do homícidio e  foi quem rapidamente ordenou que se mexesse na cena do crime e se queimasse tudo ? O quê acontece com o legista Badan Palhares ?  E com a psicóloga que topou assinar um laudo atestando a "personalidade" de Suzana Marcolino ? 

O que acontece mais uma vez é que se prende o mordomo : 

http://www.aspra.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1190:clipping-diario-08-a-100510&catid=16:deu-na-midia&Itemid=6

EM 40 ANOS DE EXISTÊNCIA ,  NENHUMA PUNIÇÃO CRIMINAL NO STF

http://www.itaboraiweblist.com.br/index.php/homek2/item/951-em-40-anos-nenhuma-a%C3%A7%C3%A3o-criminal-no-stf-deu-puni%C3%A7%C3%A3o

 

Muito bom.. Fábio... o outro.

 

Vale lembrar: o então presidente FHC foi quem mandou Badan Palhares para criar a versão de crime passional seguido de suicídio; seu ministro da Justiça, Nelson Jobim, chegou quase a agredir repórteres que insistiam com a versão contrária, a de que PC Farias e Suzana Marcolino tinham sido assassinados por um terceiro personagem. Que interesses tinham FHC e o ministro Jobim em veicular a versão assumida pela revista Veja, agora desmentida? Por que o governo federal se preocupou tanto com um crime ocorrido numa cidade "interiorana" e que não envolvia (pelo menos aparentemente) ninguém ligado ao governo? E a fortuna desviada dos cofres públicos por PC e Collor, onde foi parar? Terá sido lavada no processo das privatizações que ocorria na época em que PC foi morto?

 

O Assassinato "PASSIONAL" de PC Farias - Parte 1 postdateiconSex, 13 de Fevereiro de 2009 12:21 | PDF | Imprimir | E-mail

pc farias e susana marcolino mortosQuem era PC farias? Paulo César Cavalcante Farias, conhecido como PC Farias, (Passo de Camarajibe, 20 de setembro de 1945 — Maceió, 23 de junho de 1996) foi um empresário brasileiro. PC Farias foi tesoureiro de campanha de Fernando Collor de Mello e Itamar Franco, nas eleições presidenciais brasileiras de 1989. Foi a personalidade chave que causou o primeiro processo de impeachment da América Latina, em 1992.Acusado por Pedro Collor de Mello, irmão do na ocasião Presidente da República do Brasil, em matéria de capa da revista Veja, em 1992, PC Farias seria o testa de ferro em diversos esquemas de corrupção divulgados de 1992 em diante. Em valores atuais, o "esquema PC" arrecadou exclusivamente de empresários privados o equivalente a US$ 8 milhões, equivalente a R$ 15 milhões, em dois anos e meio do governo Collor (1990-1992).

Nenhuma destas contribuições teve qualquer ligação, com benefício ao "cliente" de PC, por conta de favor prestado por Fernando Collor. Jamais apareceu qualquer prova de "bilhões de dólares" arrecadados ou que PC Farias fosse ligado ao narcotráfico. PC Farias foi encontrado morto, junto com sua namorada Suzana Marcolino, na praia de Guaxuma em 1996. Investigações do legista Badan Palhares deram como resultado que Suzana Marcolino matou PC Farias e suicidou-se em seguida, mas descobriu-se posteriormente que Palhares recebeu 4 milhões de reais do irmão de PC Farias para fraudar o laudo. O caso é considerado oficialmente apenas como um crime passional, mas para o médico-legista alagoano George Sanguinetti, o casal foi assassinado.

A Trama

Dois assassinatos em 1992, ambos de pessoas próximas a PC Farias, provocam desconfiança. O primeiro foi o do governador do Acre, Edmundo Pinto, em um hotel de São Paulo, às vésperas de seu depoimento em Brasília sobre superfaturamento em uma obra de seu estado, o Canal da Maternidade, financiada com verbas do FGTS. O crime aconteceu dias antes das denúncias de Pedro Collor. A polícia de São Paulo fechou o caso como latrocínio (roubo seguido de morte) em um mês.

Antes disto, o então ministro do Trabalho, Rogério Magri, admitira ter recebido propina para liberar os recursos. Só muito mais tarde, quando mapeou as áreas de atuação de PC, a Polícia Federal descobriu que estas verbas também eram manipuladas pelo caixa de campanha de Collor, administrada pelo tesoureiro Paulo César Farias.

O segundo assassinato foi o do sócio da locadora GM Rent a Car, de Brasília, que alugava, em nome da empresa de PC Farias, o carro usado pela secretária de Collor, Ana Acioli, Gilberto Martins. Ele foi morto a tiros em um bar de Taguatinga, no Distrito Federal, quando tomavam cerveja e jogavam sinuca. A polícia local concluiu que foi um crime comum. Gilberto Martins chegou a afirmar que tinha provas de que PC Farias pagava as contas do Planalto durante a administração de Collor.

A polícia não investigou a relação das mortes com o Esquema PC, mas tem

documentos que confirmam que a corrupção movimentou mais de US$ 1 bilhão dos cofres públicos. PC Farias teria controlado quase todos os ministérios durante o governo Collor e diversos setores da economia. O ex-tesoureiro da campanha de Collor teria manipulado grandes contratos do país através da indicação de funcionários no segundo e terceiro escalões do governo para alterar documentos, criar contas fantasmas e desviar, sem pistas, verbas que deveriam ser aplicadas em obras públicas, educação, saúde, segurança e previdência social.

A Polícia Federal, ao longo de investigações no Brasil e no exterior localizou contas de PC Farias na Europa, de onde foram feitas transferências para as contas em Nova York e Miami, onde o ex-presidente Collor viveu seu exílio forçado até o final de 1999.

O diretor-geral da Polícia Federal, Vicente Chelotti, declarou que "o destino final do dinheiro eram os Estados Unidos", e que os beneficiados pelo Esquema PC seriam identificados, mas a PF ainda não tem certeza se PC Farias usou o esquema do narcotráfico apenas para lavar o dinheiro que arrecadou ilegalmente no país ou se estava efetivamente envolvido com o tráfico internacional, pois as contas mantidas por PC Farias no Exterior eram operadas pelos argentinos Jorge Oswaldo La Salvia e Luiz Felippe Ricca, procuradores do empresário.

CRONOLOGIA

1990 - Fernando Collor de Mello toma posse como presidente da República

1991 - A primeira-dama Rosane Collor, abandona a presidência da LBA

1992 - Fernando Collor é condenado à perda do mandato de presidente

1993 - É decretada a prisão preventiva de PC Farias por crime de sonegação fiscal

1994 - STF condena PC Farias a sete anos de prisão por falsidade ideológica

1995 - STF concede liberdade condicional ao tesoureiro da campanha de Collor

1996 - PC Farias e Suzana Marcolino são encontrados mortos, em Guaxuma (AL)

1997 - Equipe de peritos descarta o suicídio de Suzana Marcolino

1998 - Ministério Público de AL anuncia que seguranças de PC Farias devem ser indiciados pelo crime.

1999 - Oito ex-funcionários de PC Farias são indiciados pelo crime em AL

Collor anuncia sua candidatura à prefeitura de São Paulo, pelo PRTB

As mortes do tesoureiro da campanha de Fernando Collor, Paulo César Farias, e de sua namorada Suzana Marcolino, ocorridas em 23 de junho de 1996, ainda são fontes de polêmica, mesmo com a conclusão de dois inquéritos. PC Farias e Suzana foram encontrados mortos por volta das 11h na casa de praia do empresário, em Guaxuma, litoral norte de Maceió (AL). Na noite anterior, PC e Suzana jantaram com o deputado federal Augusto Farias, irmão do empresário, e a namorada dele, na casa de praia.

Quando os corpos foram encontrados, PC estaria deitado de lado, sobre o braço direito. Para a polícia alagoana, depois de atirar no namorado, Suzana sentou-se na cama e deu um tiro no próprio peito, com um revólver calibre 38 comprado por ela mesma, com ajuda da prima Zélia Maciel. Os cinco seguranças e o caseiro afiramaram não ter ouvido os disparos. Resolveram arrombar a janela, segundo eles, quando o patrão não respondeu a seus chamados. Antes, um deles ligou para Augusto Farias.
Desde o princípio, o presidente do primeiro inquérito sobre as mortes, Cícero Torres, apostou na tese de crime passional. PC teria sido morto por Suzana porque ele teria ameaçado abandoná-la. As falhas na investigação, entretanto, aumentaram as dúvidas sobre a versão oficial. Não houve preservação do local do crime. Não foram procurados resíduos de pólvora nas mãos dos seguranças, e a família de PC queimou o colchão onde ambos morreram.

As mudanças na tese também criaram dúvidas: a princípio, Cícero Torres tinha certeza de que as mortes haviam ocorrido entre 4h30 e 5h da madrugada. Depois, com a descoberta de telefonemas dados por Suzana ao dentista Fernando Coleoni, em São Paulo, depois das 5h, o horário foi mudando até se chegar à versão definitiva: cerca de 7h do dia 23.

A possibilidade de dar por encerrada uma investigação que poderia apontar uma queima de arquivo incomodou até o então ministro da Justiça, Nélson Jobim. Ele determinou à Polícia Federal que investigasse o crime. Duas semanas depois das mortes, o delegado federal Pedro Berwanger chegou a Maceió. Refez todas as investigações e não acrescentou dados novos. Mas, a seus superiores, queixou-se da falta de cuidado das investigações feitas em Alagoas.

O médico legista Badan Palhares foi a Maceió, com sua equipe, para refazer as perícias no local do crime e preparar novos laudos cadavéricos. Badan apenas endossou as conclusões de Marcos Peixoto, diretor do IML alagoano. Essas conclusões foram sempre contestadas pelo coronel da Polícia Militar George Sanguinetti, professor de Medicina Legal. Sanguinetti chegou a pedir garantias de vida por conta de suas afirmações e lançou um livro sobre o assunto.

As conclusões do inquérito presidido por Cícero Torres, entregue ao Ministério Público em setembro de 1996, não conveceram a promotora Failde Mendonça. Em 1999, ela pediu um estudo a Sanguinetti, mas descartou-o por achar que carecia de base técnica. Failde, então, pediu um novo exame a três peritos: os legistas Daniel Romero Munhoz, da USP, e Genival Veloso de França, da Universidade Federal da Paraíba, além do criminalista gaúcho Domingo Tochetto.

PC e Suzana foram exumados novamente. A conclusão do grupo é de que não há evidências suficientes para dizer que Suzana matou PC e se matou. "Não temos como dizer que não houve suicídio. Mas há evidências que falam contra o suicídio", afirma o laudo. Com a conclusão do novo inquérito, em 18 de novembro de 1999, o irmão de PC Augusto Farias e oito ex-funcionários do empresário foram indiciados por suposto envolvimento nas mortes.

Em 1979, Fernando Collor de Mello, aos 29 anos de idade, é indicado para ser prefeito de Maceió (AL). Após completar seu mandato como prefeito, Collor enfrenta as urnas pela primeira vez e chega a Brasília como deputado federal pelo PDS. Em 1986, é eleito governador de Alagoas pelo PMDB, com fama de "Caçador de Marajás".

Em 1989, na primeira eleição direta para presidente pelo PRN (Partido da Reconstrução Nacional), Collor e é eleito o mais jovem presidente do Brasil, com 35 milhões de votos. O país assiste então à tomada do poder pela "República das Alagoas".
O sonho de Collor no Planalto é interrompido por denúncias de corrupção. O Congresso Nacional instala uma CPI para investigar as relações do presidente com PC Farias. O depoimento de Pedro Collor, irmão do presidente, dá origem a novas acusações de que Collor estaria envolvido no Esquema PC de desvio de verbas. Mobilizados, os jovens pintam o rosto e, apelidados de caras-pintadas, tomam as ruas do país pedindo a saída de Collor do Planalto. A CPI aprova o impeachment, e Collor renuncia, em 29 de dezembro de 1992, um dia antes de o Senado tirá-lo do cargo.

No final de 1999, Collor anunciou sua candidatura à prefeitura de São Paulo pelo PRTB e chegou a dizer que o tesoureiro de sua campanha seria o ex-arcebispo dom Paulo Evaristo Arns, mas assessores próximos de dom Paulo afirmam desconhecer o convite.

Testemunha contraditória

Autor: Lucas Figueiredo - Do Estado de Minas em 29/05/2006 21:00:09
Zélia Maciel, prima de Suzana Marcolino que a ajudou a comprar arma do crime, ficou “desequilibrada” depois do episódio e tentou suicídio

Maceió — A personagem central do polêmico episódio da compra da arma que matou PC Farias e Suzana Marcolino é hoje uma mulher “desequilibrada”, segundo suas próprias palavras. Prima de Suzana, Zélia Maciel foi investigada na época do crime e chegou a figurar na lista dos suspeitos de participar do duplo assassinato. Porém, nada foi provado contra ela. Passados 10 anos, ela melhorou de vida, montou um restaurante, mas nunca se recuperou psicologicamente dos abalos que sofreu. “Cheguei a tentar suicídio por conta de tudo aquilo que aconteceu”, disse Zélia ao Correio/Estado de Minas.

A participação de Zélia no caso da morte de PC e Suzana é repleta de contradições. Nove dias antes da tragédia, Zélia ajudou a prima a comprar a arma do crime (veja arte nesta página). No velório de Suzana, entretanto, Zélia afirmou que a prima nunca encostara a mão num revólver. No dia seguinte, ligou para a pessoa que vendera a arma e pediu a ela que evitasse comentar o episódio.
Civil de Alagoas, Zélia admitiu que comprara a arma com Suzana. Porém, mentiu novamente, dizendo que não assistira a prima a testar o revólver. Por conta de seu comportamento contraditório, Zélia foi investigada pela polícia alagoana. A apuração revelou que ela tinha forte ascensão sobre a prima. Segundo o delegado Cícero Torres, responsável pelo primeiro inquérito, Zélia agenciava Suzana, que trabalhava como garota de programa em Maceió. Ainda de acordo com o delegado, Zélia e Suzana faziam ponto na boate Middô, do piloto de avião e sócio de PC Farias, Jorge Bandeira.

Polícia Federal

Depois do crime, a família de Suzana afastou-se de Zélia, magoada com o seu comportamento. A Polícia Federal chegou a recomendar à polícia alagoana que investigasse a amiga de Zélia que vendera a arma do crime, Mônica Calheiros. O conselho, no entanto, foi ignorado. Ao final da investigação, nada foi provado contra Zélia.Mesmo isenta de qualquer responsabilidade no episódio, a prima de Suzana ficou abalada.

“Perdi o namorado e o emprego. Foi-se embora a minha saúde, foi-se embora a minha juventude. Hoje sou uma pessoa desequilibrada, que vive à base de Rivotril”, afirma. O remédio, classificado como um “tranqüilizante de alta potência”, é indicado para o controle da fobia social, do distúrbio do pânico e de ansiedades decorrentes de situações extremas.

Pena

Dizendo-se vítima de injustiça, Zélia conta que tentou suicídio “mais de uma vez”. “Me diga qual ser humano nunca entrou em contradição? Eu apenas tentei proteger a memória de Suzana. Vou pagar por isso a vida inteira, por ser prima de Suzana”, diz ela. As declarações contraditórias de Zélia serão usadas na defesa dos quatro seguranças de PC acusados de matar o patrão e Suzana. “Zélia é uma testemunha importante, porque presenciou a compra da arma”, afirma o advogado José Fragoso Cavalcanti, que defende os quatro réus.

Segundo o advogado, o episódio da compra da arma é um dos pontos que revelam que Suzana “percorreu todas as etapas do crime”. O julgamento ainda depende de recursos impetrados pela defesa. Caso sejam derrubados, como é a tendência, o Tribunal do Júri deve iniciar o julgamento no final deste ano ou em meados de 2007. Apesar das seqüelas psicológicas, Zélia melhorou de vida. Em sociedade com uma irmã, montou o bistrô Un Café, no bairro Ponta Verde, o mais valorizado de Maceió. Ela afirma que tem somente 5% do negócio, mas na capital alagoana o restaurante é conhecido como sendo de Zélia.

A prima de Suzana só tem elogios para PC e a família Farias. “Todo mundo em Maceió gostava muito do doutor Paulo. Os Farias nunca me fizeram mal”, diz ela. O mesmo não acontece, porém, com a família de Suzana. Os Marcolino se afastaram de Zélia, magoados com as mentiras que ela contou na época do crime. “Eu me dava bem com Suzana, mas não com a família dela”, conta Zélia. “Eles (os Marcolino) sabiam que Suzana tinha uma arma, mas nunca admitiram isso. Eles ficaram chateados foi porque não rolou uma grana para eles”, acusa.
Arma

Segundo os grevistas, R$ 350 foi quanto custou o revólver calibre 38 que Suzana comprou, com a ajuda de sua prima Zélia Maciel

Refúgio no interior

A família Marcolino até hoje sofre com a tragédia que se abateu sobre Suzana. Depois de denunciar que a filha havia sido assassinada, Maria Auxiliadora Marcolino deixou Maceió e refugiou-se no interior de Alagoas. Emagreceu 26 quilos e hoje sofre de síndrome do pânico, segundo Ana Luiza Marcolino, irmã de Suzana. “Minha mãe acabou”, diz ela.

O irmão de Suzana, Jerônimo Marcolino, outro que sempre discordou da versão de crime passional seguido de suicídio, também teve sua vida transformada. Depois de perder o emprego, optou por deixar a capital alagoana. Hoje ele vive com a mãe e sofre de alcoolismo, de acordo Ana Luiza.

A irmã de Suzana voltou a Maceió, onde tenta retomar a vida com a ajuda de amigos. Vive reclusa e evitar falar sobre o caso. Procurada pelo Correio/Estado de Minas, ela revelou que não tem mais esperanças de ver o crime solucionado. “Não vale a pena mexer nisso. Perdi a ilusão de que vai mudar alguma coisa. Não acredito mais na vontade dos homens”, afirma. A verdade é que, por medo, os Marcolino — família humilde de Alagoas — desistiram de brigar contra a poderosa família Farias. “Para nós não vai mudar nada. A história já foi contada.”

Ao final da conversa, Ana Luiza desabafa: “O país continua o mesmo. A sacanagem continua a mesma. A história se repete, só que com novos personagens”.

Envolvidos no Esquema e na morte de PC

Fernando Collor de Mello - Presidente da República (1990-1992)

Rosane Collor - Primeira-dama do Brasil (1990-1992)

Pedro Collor de Mello - Empresário e irmão de Fernando Collor.

Paulo César Farias (PC Farias) - Ex-tesoureiro da campanha presidencial de Fernando Collor

Jorge Bandeira - Piloto e sócio de PC Farias

Augusto Farias - Empresário alagoano e irmão de PC Farias

Suzana Marcolino - Namorada de PC Farias

Fortunato Badan Palhares - Médico legista da Unicamp, um dos responsáveis pela exumação do corpo de PC Farias e reconstituição do crime

Failde Mendonça - Promotora de Justiça de Alagoas

George Sanguinetti e o caso PC Farias

 

pc8Um dos casos mais controversos da história do país, o assassinato do empresário Paulo César Farias, completa 12 anos. No entanto, uma análise da vida dos personagens do episódio e do desempenho da Justiça brasileira ao longo desses anos prova que pouca coisa mudou. Nenhum dos seguranças indiciados pelo assassinato foi preso e a Justiça alagoana sequer julgou ações resultantes da briga entre os peritos do caso, que se iniciou logo após o episódio. Para se ter uma idéia, pelo menos três processos por danos morais que os legistas Badan Palhares, Cícero Torres e George Sanguinetti trocaram entre si ainda estão na mesa dos juízes à espera de análise. Os pedidos de indenizações são de valores modestos. Variam entre R$10 mil e R$ 97 mil, porém nunca foram julgados.

Segundo o histórico de tramitação que consta no sistema de dados do Tribunal de Justiça de Alagoas, as ações estão prontas para o despacho há pelo menos cinco anos. Da briga entre os legistas iniciada em junho de 1996, apenas uma ação foi julgada. De autoria de Badan Palhares, o processo pedia a condenação do perito alagoano George Sanguinetti, acusando-o de ter afirmado que houve falhas graves no laudo elaborado pelo autor da ação sem que fossem apresentadas provas. Por não comprovar quais erros haviam sido cometidos, Sanguinetti foi condenado a dois anos de prisão. Como era réu primário, pôde cumprir pena alternativa. "É uma coisa incrível. Mas de todas as irregularidades que aconteceram nesse caso, o único condenado fui eu. Meu erro foi contestar um laudo que era de interesse do estado, dos políticos e de muita gente poderosa", alega o médico-legista, ao relembrar que apesar de indiciados, nenhum dos seguranças de Paulo César Farias que estavam na mansão no dia do assassinato foram presos até hoje. Em outra ação movida por Badan Palhares contra George Sanguinetti, essa por danos morais, o legista pede indenização de R$ 97 mil ao inimigo alagoano.

O processo aguarda análise do juiz desde abril de 2004. Sanguinetti, por sua vez, processou o atual deputado federal Augusto Farias (PTB-AL) também por danos morais. A ação foi protocolada em 1999 e ainda aguarda uma decisão. No rol de troca de farpas e acusações sobre erros no inquérito, o primeiro perito a chegar ao local do crime, Cícero Torres, também resolveu processar Sanguinetti e pediu R$ 10 mil de indenização. A ação tramita desde 2004 e, segundo o sistema de acompanhamento processual do TJ-AL, encontra-se na sala de audiências da Corte. Na lista de processos que resultaram da troca de acusações entre legistas e entre eles e alguns políticos, também repousam na mesa dos juízes alagoanos dois outros processos. Ambos têm como autor o legista Badan Palhares. Um deles é contra o ex-governador Geraldo Bulhões, e o segundo contra a Editora Três. O juiz auxiliar da Corregedoria-Geral de Justiça de Alagoas, Sóstenes Alex, afirmou que vai averiguar a causa da morosidade nos julgamentos e disse considerar "inconcebível" a demora em julgar processos relativamente simples. Segundo ele, a justiça de Alagoas tem trabalhado pela celeridade no julgamento das ações.

Apesar de não ter conhecimento sobre os casos citados pelo Correio, Sóstenes Alex afirmou que, quando a tramitação processual indica que a ação está "pronta para despacho", é porque se encontra na mesa do juiz à espera de julgamento. Personagens
Em meio à lentidão da Justiça, personagens que ganharam espaço na mídia na época nunca abandonaram a fama — para o bem ou para o mal — que o caso lhes proporcionou. Por exemplo: Badan Palhares. Depois de ficar famoso, continuou dando aulas na faculdade de Campinas, escreveu livros e criou um site especializado em perícias, onde o carro-chefe são os detalhes sobre o caso PC Farias, braço direito do então presidente Fernando Collor de Mello. "Minha vida está igual àquela época. Fiz amigos, conheci muita gente e continuo me dedicando à medicina legal", comentou.

O laudo de Badan foi insistentemente contestado durante anos. As discussões somente se amenizaram quando o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu acatar a tese defendida por ele de homicídio seguido de suicídio. A morte de PC Farias aproximou Badan Palhares do delegado alagoano Cícero Torres. Ambos tinham a mesma posição sobre o caso. Amigos até hoje, trocam telefonemas periodicamente. Torres, por sua vez, passou por altos e baixos na carreira. Atualmente atua como delegado da cidade de Arapiraca, no interior do estado, e dirige uma faculdade de direito fundada por sua mãe. Na semana passada, Cícero Torres passou a ser réu no Supremo, depois de a Corte ter acatado a denúncia do Ministério Público de contrabando de armas. O processo chegou ao STF por conta do foro privilegiado do deputado federal Francisco Tenório (PMN-AL), também acusado de participar do esquema.

De volta ao caso PC Farias
Por Mário Magalhães em 6/6/2005

Poucas coberturas extensivas e relativamente recentes, como a das mortes de Paulo César Farias e Suzana Marcolino, se prestam tanto ao aprendizado do jornalismo.

O ex-tesoureiro de Fernando Collor de Mello e sua namorada apareceram mortos numa casa de praia de Maceió em junho de 1996. Cada um recebeu um tiro. Mal os cadáveres foram encontrados, as autoridades alagoanas anunciaram o que teria ocorrido: Suzana matara PC e logo se suicidara. Uma equipe de peritos, coordenada pelo médico-legista Fortunato Badan Palhares, produziu um laudo que sustentou a conclusão do inquérito em 1996, a mesma antecipada no dia das mortes: homicídio seguido de suicídio.
Insatisfeito com a investigação, o Ministério Público Estadual quis um novo laudo. Em 1997, a segunda equipe de peritos duvidou do suicídio de Suzana. Em 1999, afirmou igualmente que ela não atirara em PC. Naquele ano, o inquérito policial concluiu que houve duplo homicídio, e não fora Suzana que assassinara PC. Nove pessoas foram indiciadas, inclusive o então deputado federal Augusto Farias, irmão de PC. O processo ainda corre em Alagoas, mas não houve julgamento de quatro réus pronunciados pela Justiça.

Debate aberto

Em 1999, integrei com os colegas Ari Cipola e Paulo Peixoto a equipe da Folha de S.Paulo que cobriu o caso. A investigação foi reaberta pelo Ministério Público de Alagoas depois que o jornal publicou em março quatro páginas com novidades, inclusive o inventário de PC. Mas o determinante para a reviravolta foram fotografias que, na primeira matéria, mostravam Suzana, mais baixa, ao lado do namorado. A altura dela fazia enorme diferença.

Considerando a trajetória da bala que a atingiu, Suzana precisaria ter 1,67 m para ter cometido suicídio, como definiu Palhares. Em 1997, o segundo laudo estimou a altura em aproximado 1,57 m. Com esse tamanho, ela não poderia ter se matado, concluiu-se. Palhares reagiu: a altura estava certa, ele medira o corpo. Se a altura estivesse errada, todo o laudo estaria errado, assegurou.

De acordo com Palhares e sua equipe, Suzana media 1,67 m; PC, com 1,63 m, seria menor. O segundo laudo não questionou a altura de PC. Porém seus autores bateram pé: Suzana era menor que o ex-tesoureiro e não teria se suicidado.

A Folha decidiu voltar no fim de 1998 à investigação jornalística sobre as mortes. Não havia compromisso com nenhuma das duas versões. Não se queria dar a razão a uma equipe ou outra. Depois de quase três meses de apuração, a reportagem foi publicada.
Havia algo curioso: superperitos discutiam sobre a altura de Suzana. O que jornalistas poderiam fazer? O que fizemos: com fotos, mostramos que um lado estava certo e o outro, errado. É por isso que a boa parte dos itens abaixo aborda a altura de Suzana. Não se trata de fetiche, mas de uma questão decisiva para se conhecer a verdade sobre o episódio.

Na terça-feira (31/5), o jornalista Joaquim de Carvalho falou sobre seu livro no Observatório da Imprensa na TV. Intitula-se Basta! Sensacionalismo e farsa na cobertura jornalística do assassinato de PC Farias (Editora A Girafa, São Paulo, 2004). Seu livro ataca com virulência os jornalistas que apuraram notícias que contradizem a versão de Badan Palhares. Em 1996, Carvalho antecipou com exclusividade o laudo coordenado pelo legista. Mais do que isso: abraçou suas teses.
Na TV, foi além: disse que o jornalista acima assinado publicou "informação mentirosa" em 1999. Em 19 anos de profissão, já errei muito. Mas nunca menti.

Este texto trata do Caso PC, das declarações de Carvalho e do seu livro. Detenho-me no que foi dito na TV, na discussão sobre a altura de Suzana, em jornalismo e jornalistas. Deixo outros aspectos, muitos relevantes, para uma outra vez.
Carvalho se engana quando trata por jornalista alguém que, segundo ele, publica informação mentirosa. Quem publica informação mentirosa é mentiroso. Jornalista mentiroso é uma contradição em termos. Ou se é jornalista ou se é mentiroso. Espero que as considerações contribuam para o debate sobre o jornalismo que foi feito no Caso PC.

Sublinho que falo exclusivamente em meu nome, e não no de outros colegas ou da Folha. Como roteiro padrão, por vezes não cumprido, cito o que Joaquim de Carvalho disse, o que houve de fato e apresento algumas indagações. Boa leitura.
***
1. Afirmação de Joaquim de Carvalho (OI na TV, 31/05/2005): "O Mário Magalhães reabriu o caso com uma fotografia. Ele dizia que a Suzana era maior [sic] do que o PC. Aquilo abalou, na época, porque a imagem tem um efeito muito poderoso". Carvalho acrescentou: "Ela [Suzana] é mais alta que o PC e bem mais alta do que as outras pessoas [conforme imagens que Carvalho diz ter visto]. Isso não foi divulgado na época. Então eu diria que foi o seguinte: o caso foi reaberto com uma informação, na minha opinião, errada, mentirosa".

Fato: Não é verdade que a Folha tenha publicado apenas uma foto.

No dia 24/03/1999 (Ed. SP/DF), publicou uma (Suzana ao lado de PC) na pág. 1-1 e seis na pág. 1-6 (três de Suzana com PC e três de detalhes dos pés dela, com saltos altíssimos ou descalça, na ponta dos pés, para parecer maior).

Em 25/03/1999, publicou nova foto de Suzana com PC (pág. 1-6, Ed. Nacional).

Em 26/03/1999, nova foto de PC com Suzana, ele de pés descalços (pág. 1-6, Ed. Nacional) e mais alto. Essa imagem esclareceu, negando-a, a afirmação do delegado Cícero Torres (presidiu o inquérito em 1996), que dissera na véspera: PC pareceria maior porque usava palmilha.

Em 06/05/1999, mais duas fotos (pág. 1-9, Ed. Nacional): em uma fotografia, Suzana está ao lado da irmã Ana Luiza. Ana Luiza aparece maior. Ao lado, foto de Suzana sozinha, no mesmo passeio (na Itália), na qual se vêem seus saltos altos sobre a neve.
Ao contrário do que afirmou Carvalho, este jornalista não "dizia que a Suzana era maior do que o PC". Diz o contrário: que era menor.

Pergunta: por que Carvalho afirmou que a Folha só publicou uma foto quando foram, apenas de Suzana ao lado de PC, seis imagens diferentes? De um para seis há aumento de 500%. De quem é a "informação mentirosa"?

2.Afirmação: segundo Carvalho, a Folha buscou ou contou com um parecer ou laudo para publicar "a" foto (que, como demonstrado, eram várias). Carvalho disse (OI na TV, 31/05/2005): "Para legitimar essa fotografia, ele [Mário Magalhães] contou com um parecer. Que depois se transformou em laudo".

Fato: seria legítimo encomendar uma avaliação de perito, como fazem jornais, revistas e emissoras de TV. Como as imagens eram muito claras, a Folha nunca pediu "parecer" ou "laudo" sobre as fotos de Suzana com PC e Ana Luiza.

Pergunta: por que Carvalho fez uma afirmação que não procede? Basta consultar a coleção do jornal na internet ou em papel para conferir.

3. Afirmação: com a versão de que a Folha publicou apenas uma foto e pediu um "parecer", Carvalho sustenta que o autor do "laudo" não teria qualificação para trabalhar com imagens. Carvalho (OI na TV, 31/05/2005): "O parecer que foi dado naquela ocasião, o laudo, foi feito por alguém que é especialista em fonética. Não é especialista em imagem. Mas ganhou grande destaque por legitimar uma fotografia que embasa uma informação que, eu repito, é falsa".

Fato: o processo do Caso PC contém um laudo, coordenado pelo perito Ricardo Molina de Figueiredo, sobre dez fotografias. Não foi encomendado pela Folha, mas pelo Ministério Público de Alagoas. A única participação do jornal foi a seguinte: formalmente, o Ministério Público pediu as fotos já publicadas e outras que não houvessem saído por falta de espaço. Curiosidade: não foi a Folha que publicou o laudo em primeira mão, embora as fotos fossem frutos da sua apuração; fomos furados.

O laudo de Molina afirma que Suzana media de 1,53 m a 1,57 m. Molina coordenou o Laboratório de Fonética Forense e Processamento de Imagens da Unicamp. Ou seja: trabalhava com sons e imagens, como diz o nome do laboratório. Ganhou projeção maior como foneticista, mas também assinou laudos de imagens como o que mostrou, no julgamento do massacre de Eldorado do Carajás, que já havia um integrante do MST caído, imóvel, quando os sem-terra atiraram (ou seja, a PM atirara primeiro). Também fez laudos sobre imagens do tiro que feriu uma estudante na Universidade Estácio de Sá, sobre os fogos no réveillon de Copacabana que provocaram ferimentos etc.

Pergunta: por que, em vez de abordar o conteúdo do laudo de Molina, Carvalho tenta desqualificá-lo dizendo que é apenas um especialista em fonética? Por que Carvalho fala em "uma fotografia" quando Molina analisou dez, como se pode ler nos autos e foi narrado em jornal (Folha, 26/05/1999, pág. 1-13, Ed. Nacional)? De quem são as "informações falsas"?

4. Afirmação: ao dizer que o laudo de Molina é apenas sobre uma foto, Carvalho dá a entender que o perito analisou exclusivamente imagem de Suzana com PC (OI na TV, 31/05/2005).

Fato: das dez fotos, a maioria não é de Suzana com PC, mas dela com a irmã, Ana Luiza Marcolino. Foram cedidas pela Folha (após requisição formal do Ministério Público, repito), que publicara duas delas em 6/05/1999 (pág. 1-9, Ed. Nacional). Qual a diferença entre as fotos? Desde março de 1999, Palhares afirmava que poderia provar a altura de Suzana em imagens nas quais ela aparecesse ao lado de pessoas vivas.

Foi isso o que a Folha fez: obteve fotos de Suzana ao lado da irmã. Levamos Ana Luiza para ser medida por um médico. Sua altura é de 1,63 m (ela pensava ter 1,67 m). Ana Luiza aparece bem maior do que Suzana nas fotografias. O irmão, desde sempre considerado o "mais alto da família", tem 1,65 m, conforme medição também promovida pela Folha.

Pergunta: por que Carvalho disse que o laudo "legitima" uma foto quando a análise se fundamenta em dez (900% a mais)? Por que, em questão essencial no caso, ele não publicou parte dessas fotos em seu livro? Por que não publicou nenhuma foto de Suzana ao lado de PC? Por que não contou que o laudo de Molina usa fotos de Suzana ao lado de pessoa viva e que foi medida?
5. Afirmação: em seu livro (pág. 180), Carvalho afirma que Ana Luiza Marcolino disse em programa de TV que media 1,67 m (como ela pensava medir). Continua: "(...) Obtive algumas fotos em que as duas aparecem juntas. Pelo menos nessas imagens, elas parecem ter a mesma altura".

Fato: Ana Luiza tem 1,63 m de altura. Na única foto de ambas quase lado a lado publicada no livro (quinta página do caderno de imagens), elas parecem estar à mesma altura. Nitidamente, Ana Luiza está de sapato "sem salto" e Suzana com os habituais saltos altíssimos.

Pergunta: por que, para esclarecer sua dúvida, Carvalho não tentou medir, com independência, a irmã de Suzana? Se tentou e não conseguiu, por que sonegou a informação sobre a medição promovida pela Folha?

6.Detalhe de apuração e checagem de informações: em seu livro (págs. 133 e 180), Carvalho afirma três vezes que a irmã de Suzana se chama Ana Carolina. Seu nome é Ana Luiza.

7.Afirmação: "A Suzana tinha 1,67 m, como eu pude ver em vídeos, inclusive, de movimento, a Suzana está em movimento ao lado do PC" (OI na TV, 31/05/2005).

Fato: no livro, com 231 páginas, não consta uma só imagem de vídeos tão relevantes.

8.Afirmação: segundo Carvalho, "o fato é: a Suzana não tinha aquela medida mostrada pelas fotografias".

Fato: Carvalho reconhece, assim, que as fotografias mostravam "aquela medida", negada por ele e Badan Palhares.

9. Afirmação: no OI na TV (31/05/2005), o jornalista Frederico Vasconcellos (repórter especial da Folha) perguntou a Carvalho: "Eu gostaria de saber se o Joaquim, se ele tentou ouvir esses profissionais [jornalistas criticados por Carvalho em seu livro], e, se não tentou, por que tomou essa decisão". Resposta de Carvalho: "No meu livro eu procurei me ater a aspectos factuais. Determinada informação foi publicada, eu não fiz juízo de valor sobre nenhum outro jornalista. (...) Não havia necessidade de ouvir, já que a informação que eles colocaram era pública. Eu não faço juízo de valor, eu não entro em motivação, eu não traço o perfil".

Fato: Carvalho reconstituiu a saída do jornalista Mário Simas Filho da Veja (pág. 90). Escreveu: "André [Petry, editor] me contou a razão da saída. Mário Simas tinha entrevistado o criminalista Arnaldo Malheiros para uma reportagem e inverteu o raciocínio do criminalista. André tinha Malheiros entre as suas fontes e desconfiou do relato de Simas. Telefonou para o advogado e descobriu o erro a tempo de evitar a publicação. Segundo André, erros semelhantes tinham ocorrido outras vezes e foram impressos".

A versão de Simas não aparece no livro.

Carvalho se refere a um episódio descrito pelo jornalista Lucas Figueiredo no livro Morcegos Negros (Editora Record, Rio de Janeiro, 2000). Hematomas foram vistos no corpo de Suzana durante o velório. "Esta cena [quando se olham os hematomas] não poderia ter acontecido tal como narrado [por Lucas Figueiredo]", afirma Carvalho.

A versão de Lucas Figueiredo não aparece no livro.

Carvalho critica, em tons diversos, os jornalistas Paulo Henrique Amorim, Paulo Moreira Leite (então "redator-chefe" da Veja, foi responsável por "precipitação" editorial, segundo Carvalho), Mino Pedrosa (acusado de inventar a existência de um dossiê), Eliane Cantanhêde, Janio de Freitas e Fernando Rodrigues (publicou informações com base em relatos que seriam "farsa", conforme Carvalho). Enumera o que considera erros da TV Globo, de O Globo, da IstoÉ e da Folha.

Não é publicada a versão de nenhum desses jornalistas ou órgãos de informação.

Pergunta: por que Carvalho disse que não "traça o perfil" se há até capítulos cujos títulos são nomes de jornalistas? Por que não os ouviu?

10. Interessante: um fotógrafo descrito por Carvalho em seu livro quase como herói do jornalismo é Jean Manzon (pág. 46). Como sabe quem leu a biografia de David Nasser (Cobras Criadas, Luiz Maklouf de Carvalho, Editora Senac, São Pauo, 2001), Manzon foi um cascateiro, talvez ainda maior que o próprio Nasser, tremendo mentiroso, o que parecia impossível.

http://www.oarquivo.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=74:o-assassinato-qpassionalq-de-pc-farias-parte-1&catid=84:verdades-incovenientes-&Itemid=66

 

"Se você quer saber o que Deus acha do dinheiro, olhe para as pessoas a quem

<!-- @page { margin: 2cm } P { margin-bottom: 0.21cm } -->

Pessoal, tem mais morte neste caso.

A ex-esposa do PC morreu após falar no jornal que tinha mais gente

envolvida no caso. Uma semana depois ela morreu do coração e foi cremada

rapidamente.

Coincidência ? Duvido muito !

 

 

Abaixo entrevista do repórter do caso encerrado de Veja endossando a tese de crime passional do casal Susana Marcolino e PC Farias, ao observatório da imprensa.

ENTREVISTA / JOAQUIM DE CARVALHO Erros da imprensa no caso PC Farias

Por Eustáquio Gomes em 31/05/2005 na edição 331

Não é todo dia que aparece um repórter investigativo. Mais raro ainda é o repórter que, durante a investigação de um caso, vê-se na situação de nadar contra a corrente da informação dominante. Foi o que aconteceu a Joaquim de Carvalho, repórter escalado pela revista Veja para cobrir as mortes de Paulo César Farias (tesoureiro da campanha de Fernando Collor e pivô da série de escândalos que levou ao impeachment do presidente) e de sua amante Suzana Marcolino da Silva, no dia 23 de junho de 1996.

Na contramão da maioria dos veículos de comunicação – cuja influência sobre o imaginário popular foi devastadora – Joaquim negou-se a entrar na onda da "queima de arquivo", mantendo sempre, à medida que sua apuração prosseguia, a convicção de que se tratava de um crime passional. Ou seja: Suzana atirou contra PC Farias e se matou em seguida.

Passados oito anos da "tragédia de Guaxuma", sem que outras evidências tenham se firmado, Joaquim, aos 41 anos, resolveu contar em livro a história de sua investigação pessoal. Ela coincide com o laudo pericial da equipe comandada pelo legista Fortunato Badan Palhares, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), cuja reputação foi duramente atingida pela cobertura que a mídia em geral escolheu fazer na época – e que Joaquim chama de "mercadoria podre", "feita sob medida para vender jornal e atrair audiência".

Ganhador do Prêmio Esso de Jornalismo em 1992, Joaquim não poupa ninguém com sua metralhadora giratória voltada para as principais tribunas de informação do país. Basta! (A Girafa, 240 páginas, R$ 35) é um libelo contra certo tipo de cobertura jornalística. A seguir, sua entrevista.

***

Por que você esperou oito anos para escrever sobre o Caso PC, quando poderia tê-lo feito quando a controvérsia era maior?

Joaquim de Carvalho – Em 1996, quando PC foi assassinado, cobri o caso pela revista Veja e todas as reportagens que fiz indicavam o crime por razões passionais. A última reportagem teve até um título forte – "Caso encerrado" –, o que evidenciava a ausência de dúvidas de minha parte a respeito do caso. Na época, o assunto só comportaria um livro se tratasse do caso em si, se tivesse um teor exclusivamente policial. Não era e não é a minha proposta. Eu trato do crime e dos bastidores da cobertura do crime – estes, para mim, configuram a essência de um crime de outra natureza. Com as reportagens que se seguiram ao crime, jornalistas atingiram a honra de inocentes, a reputação de profissionais. Houve um massacre e é a história desse massacre que procuro retratar em meu livro. Além disso, considerei que seria prudente aguardar uma manifestação isenta da Justiça para publicar o livro. E essa manifestação veio pela mais alta corte do país, o Supremo Tribunal Federal, que no final de 2002 arquivou o caso. É como se diz popularmente, a Justiça tarda mas não falha. Para mim, o caso deveria ser encerrado já em 1996. Mas o oportunismo que se instalou no seio do Judiciário e nas páginas da imprensa continuou alimentando a farsa. Tinha certeza de que a verdade triunfaria e, com essa precaução, evitei que jornalistas levianos me acusassem de estar publicando um livro para favorecer A ou B.

Enquanto a maior parte da imprensa adotou a tese da queima de arquivo, você concluiu que se tratava de crime passional. Por que Veja estaria certa e praticamente o resto da imprensa teria errado?

J. de C. – O caso, do ponto de vista policial, é simples. Dois corpos, um revólver, duas balas deflagradas, o quarto trancado. O assassino, portanto, estava lá dentro. Dos dois mortos, um tinha motivo para matar – Suzana estava sendo rejeitada. Dizem os especialistas que esta é uma das variáveis da equação criminosa. Além do motivo, o assassino precisa do instrumento – no caso, Suzana tinha comprado a arma – e da oportunidade – PC, bêbado, dormiu. Portanto, Veja não foi excepcionalmente brilhante ao tratar dos fatos. Ela simplesmente retratou o caso com humildade, rendendo-se às evidências. O restante da imprensa, com raras exceções, optou por um caminho diferente, que era o de maior apelo popular.

A tese de queima de arquivo chamava mais a atenção e, chamando mais a atenção, o jornalista e a publicação que a acolhia se destacavam. Quem age assim pratica não o jornalismo isento, mas o jornalismo sensacionalista. E o que o livro mostra é que o sensacionalismo existe e, em grande medida, também na grande imprensa, na chamada imprensa séria.

Quais foram as evidências que levaram você, como repórter escalado por Veja para cobrir o caso, a concluir que Suzana matou PC e suicidou-se?

J. de C. – Além das evidências já relatadas nesta entrevista, o que me chamou a atenção foi o número de pessoas que precisariam ser envolvidas na hipótese do crime ter sido encomendado. No momento do crime, na casa havia dois seguranças, um porteiro, os dois caseiros e seus dois filhos pequenos e o garçom. Além deles, mais os dois seguranças que chegaram depois e encontraram os corpos. Já temos dez pessoas, portanto. Todas elas, de alguma forma, deveriam ser cúmplices do crime. Ora, uma armação conspiratória não resiste a tanta gente envolvida. Alguém, fatalmente, acabaria rompendo o silêncio. E, incrível, todas essas pessoas – à exceção dos filhos dos caseiros, na época pequenos – não mudaram uma vírgula do seu depoimento nas muitas vezes que foram chamados para prestar declarações.

Os seguranças chegaram a ser presos e não mudaram sua versão. Alguém poderia dizer que eles receberam dinheiro para isso. Verifiquei pessoalmente como eles levavam a vida. E eram todos humildes, um deles, o porteiro, perdeu o emprego, morava numa favela e não conseguia arrumar outra colocação. E por quê? Porque, depois do massacre da imprensa, ele convive com o rótulo de assassino.

Em sua opinião, por que o grosso da imprensa teria optado pela tese da queima de arquivo? Por ingenuidade, por falta de capacidade investigativa ou por que era mais interessante como assunto?

J. de C. – Não gostaria de emitir juízo de valor sobre o caso. Poderia ser interpretado como arrogante. Acho que a farsa e os erros grotescos falam por si. Mas nesta cobertura fica patente uma característica de nossas redações hoje em dia: a pobreza – eu diria indigência – profissional. Houve um tempo que os melhores jornalistas ocupavam cargos de chefia. Clóvis Rossi já foi chefe, Alberto Dines também. Veja tinha Mario Sergio Conti e, antes, teve Mino Carta. Se retrocedermos, vamos encontrar Samuel Wainer e tantos outros. Atualmente, você encontra chefiando repórteres quem nunca fez uma reportagem na vida ou quem teve uma atuação medíocre na reportagem. Mas essas pessoas fizeram uma carreira brilhante pela via administrativa. São os chefes que comandaram demissão em massa, que fecharam vagas de correspondentes, que mediocrizaram o jornalismo brasileiro e o transformaram em arena de marketing. São os coveiros da profissão. Mas poderiam ser chamados de burocratas que adequaram as redações aos novos ventos da economia. Cortaram custos, agradaram os patrões e subiram na vida. São eles que dizem aos repórteres que linha adotar numa cobertura.

Como cortaram custos, os repórteres, em geral, são jovens ou inexperientes e fazem tudo para agradar aos chefes. Também existem os carreiristas. E o que mais poderia agradar aos editores na época do caso PC do que uma matéria feita sob medida para vender jornal e atrair audiência? Existe o ciclo vicioso da mediocridade e alguém precisa rompê-lo. No fim, quem perde é o público, que paga pela publicação e recebe uma mercadoria podre, mentira empacotada como verdade.

A interpretação que Veja deu ao caso coincide com o laudo final da equipe do legista Badan Palhares. Desde o caso PC, Badan foi satanizado e até arrolado em CPI. Tudo isso foi uma criação da mídia que se viu contrariada em sua tese de queima de arquivo?

J. de C. – Quando a polícia científica emitiu seu laudo, a imprensa tinha duas alternativas: ou admitia que errou ou desqualificava os peritos. Os jornalistas optaram pela segunda alternativa e para isso promoveram a sábio de plantão George Sanguinetti. E quem era o Sanguinetti? Um coronel da Polícia Militar conhecido pela truculência, psiquiatra que tinha dirigido um manicômio e sobre quem pensavam acusações de tortura. Tudo isso foi ocultado do público, além do fato de que Sanguinetti, ao longo de sua "carreira" no Instituto Médico Legal, ter realizado apenas dois exames de corpo de delito. No IML, ele nunca tinha assinado uma única autópsia. Evidentemente, não era qualificado para contestar laudo algum. Mas, quando o entrevistado diz o que a mídia quer ouvir, é bem tratado. Para promover Sanguinetti, era preciso destruir Badan Palhares, e isso foi feito, a despeito do fato de ser ele um dos onze especialistas que assinaram o laudo. O laudo, portanto, não era do Badan, mas de uma equipe, de quatro instituições diferentes. Badan já ganhou algumas ações na Justiça por defender sua reputação. Mas, sintomaticamente, isso nunca foi noticiado.

Mas por que Sanguinetti não poderia estar com a razão?

J. de C. – Sanguinetti não tinha razão, como admitiria mais tarde o próprio Ministério Público, tanto de Alagoas quanto na esfera da República. Mas Sanguinetti se deu bem. Conseguiu eleger-se vereador com o slogan: "Não podem calar essa voz". Também passou a ser requisitado para dar pareceres como contratado de bancas de advocacia. Há dois anos, ele cobrava cinco 5 mil dólares por parecer. A imprensa foi usada e usou Sanguinetti.

Veja surpreendeu o país com a revelação do laudo final sobre o caso antes que ele fosse oficialmente anunciado. Como você teve acesso ao laudo?

J. de C. – É algo que nunca vou revelar, para preservar minhas fontes. Off é sagrado para o jornalista tanto quanto o segredo de confessionário o é para o padre. A polícia tentou arrancar essa revelação, ao me interrogar por quatro horas. Perda de tempo. Na escola em que fui formado, aprendi que certos princípios éticos são inegociáveis e inquebrantáveis.

Para você, o caso está encerrado ou ainda pode surgir uma nova versão com o passar do tempo, com novas investigações?

J. de C. – A farsa vai continuar, porque qualquer reportagem ou ato de autoridade que alimente a versão conspiratória chamará a atenção e terá audiência, independentemente de seu compromisso com a verdade. O Caso PC terá no Brasil a mesma trajetória do assassinado de John Kennedy, nos Estados Unidos. Lá, apesar das inúmeras investigações realizadas, nunca se conseguiu apresentar uma tese convincente de conspiração. Mas as tentativas prosseguem e houve até um filme sobre o caso. Pessoas com um grau de exposição não têm direito a morrer de determinadas formas. Se PC fosse atropelado e morresse, diriam que foi queima de arquivo. A diferença nos Estados Unidos é que o jornalismo sério, como o de Walter Cronkite, que cobriu o caso como âncora da CBS, não aceita o sensacionalismo, não publica versões delirantes e fraudulentas. Em resumo, não engana seu público.

Seu livro foi lançado há dois meses e já teve a primeira edição esgotada. Entretanto, salvo Veja, ninguém publicou uma linha sobre ele. Trata-se de uma retaliação? Profissionalmente, você foi retaliado desde o caso PC?

J. de C. – Evidentemente, ao nadar contra a corrente, você tem mais dificuldade. Eu tenho o livro e as imagens que sustentam os argumentos do livro e nenhuma televisão quis divulgá-los até o momento. Mas continuo alimentando a esperança de que essa situação vai mudar. A publicação do livro só foi possível graças à coragem de um editor, na minha opinião o melhor editor do Brasil, Pedro Paulo de Sena Madureira, da Girafa. O Correio Popular e o Observatório da Imprensa publicaram entrevistas e Veja divulgou uma nota. Também falei a um canal universitário e um jornalista do site Comunique-se publicou uma entrevista. Felizmente, na imprensa brasileira existem pessoas sérias, bem formadas e eu diria até corajosas, o que propicia brechas para o bom jornalismo – que não tem o compromisso exclusivo com a audiência, que não é peça de marketing, que é capaz de renunciar ao espetáculo para dar a seu público uma versão diferente do que reza o senso comum. Se eu não pensasse assim, teria desistido da profissão.

Você está preparando algum livro novo?

J. de C. – Sim, mas por enquanto é prudente manter o projeto em segredo. Daqui a dois anos, o livro deverá estar nas livrarias. 

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/erros-da-imprensa-no-...

 

"Se você quer saber o que Deus acha do dinheiro, olhe para as pessoas a quem

A revista Veja foi cúmplice desse assassinato, participou do esquema de acobertamento e despistamento armado...

 

Todas foram!

TODAS!

 

E o Badan Palhares não poderia ser responsabilizado por elaborar um laudo falso?

 

3 de julho de 1996
A morte na cama

Suzana tinha a arma e um bom
motivo para matar: no dia do
crime PC prometeu abandoná-la

 

A comerciante Suzana Marcolino tinha um revólver calibre 38 e um bom motivo para matar o tesoureiro PC Farias no início da manhã do domingo 23, em Maceió. Suzana comprou a arma do crime dias antes, numa churrascaria nos arredores da capital alagoana. Seu motivo para matar: PC queria abandoná-la. Havia quase dois meses PC iniciara a corte a uma bela e respeitada senhora das Alagoas, Cláudia Dantas, 31 anos. Loira, olhos azuis, pele muito branca e integrante de uma tradicional família local, Cláudia Dantas é aquele tipo de mulher com virtudes sob medida para quem, como PC, planejava livrar-se de seus últimos problemas na Justiça para voltar aos grandes salões da política e dos negócios: discreta, religiosa, com bom sobrenome e um bom berço. Para um homem viúvo, com dois filhos, nada tão agradável como encontrar uma mulher divorciada, bonita, também com dois filhos entrando na adolescência.

Mortos no domingo com uma bala no peito cada um, enterrados em Maceió na segunda-feira, com o país em estado de choque, o destino de PC Farias e Suzana Marcolino é assunto encerrado. Mas a presença de uma personagem como Cláudia Dantas entre ambos acrescenta novos elementos a uma tragédia formada de ciúme, violência e dinheiro. O perfil familiar de Cláudia é oposto ao de Suzana Marcolino - esta solteira, desinibida e estabanada, com uma lista de namorados da qual fez parte desde um segurança do próprio PC até o ex-presidente Fernando Collor. PC conheceu Suzana Marcolino quando estava preso num quartel do Corpo de Bombeiros. Cadeia é lugar que uma moça séria só freqüenta em missão de caridade ou para visitar um parente muito querido. Ela compareceu ao local para apresentar sua bela forma física a um cinqüentão solitário, viúvo, muito rico e conhecido por seus hábitos mulherengos. PC foi apresentado a Cláudia Dantas por um tio dela, o deputado Luiz Dantas, e desde então não se afastou mais. Os dois costumavam se falar por telefone pelo menos uma vez ao dia e, sempre que aparecia a chance, PC a convidava para jantar. Na semana anterior à tragédia, enquanto Suzana Marcolino passava quatro dias em São Paulo, PC Farias aproveitou a brecha na agenda afetiva para encontrar-se com Cláudia Dantas às escondidas em Maceió.

Na terça-feira, jantou com Cláudia na sua casa de Maceió e, na quarta, levou-a para conhecer a casa de praia em Guaxuma, a mesma onde seria assassinado. Cláudia mostrava-se cada vez mais encantada com o candidato a namorado, mas impunha uma condição para iniciar qualquer relacionamento mais sério: o fim do namoro com Suzana. A última conversa entre ambos ocorreu às 5h15 da tarde de sábado, quatro horas antes de Suzana aparecer em Guaxuma. Já na casa de praia, onde passara o dia com os filhos que na véspera haviam chegado da Europa, PC telefonou para Cláudia. Os dois falaram sobre as crianças e, na hora de se despedir, PC prometeu: 'Hoje eu resolvo tudo'. Para animá-lo, Cláudia disse que, se quisesse, poderia ligar mais tarde, contando o que havia acontecido. 'Se der eu ligo', respondeu PC. 'Entendi na hora que ele ia se encontrar com a Suzana', lembra-se Cláudia Dantas.

O desgaste da convivência de PC e Suzana chegara a um ponto muito difícil. Cláudia Dantas nem sequer era o primeiro romance paralelo de PC. Antes dela, houve uma estudante inglesa de psicologia, chamada Zara, que ele conheceu na temporada em que ficou escondido da polícia brasileira em Londres. Zara veio duas vezes ao Brasil. No final do ano passado, ela foi a Maceió para passar o réveillon com PC e a família Farias. Os filhos, Paulinho e Ingrid, estavam presentes. Os dois brindaram o Ano-Novo juntos. Também fizeram questão de tirar fotos para o álbum da família. Para poder ficar à vontade com ela, PC convenceu Suzana a passar uma temporada na Europa, sob seu patrocínio. Ela chegou a viajar a São Paulo, onde ficou alguns dias antes de atravessar o Atlântico. No entanto, foi avisada antes de embarcar de que havia uma nova companhia feminina ao lado de PC e voltou a Maceió. Ali, encontrou Zara e armou um escândalo. No melhor estilo da guerra de toalha alagoana, quem teve de fazer a trouxa e embarcar para a Europa foi a inglesa.

Grato a Suzana por lhe ter feito companhia na pior época de sua vida, quando estava preso, perdera a mulher e via os amigos se afastar com ares de fingida repugnância, não era com ela que PC planejava seu futuro. Tanto que foi Zara que ele apresentou à família com todas as honras. Ao advogado Nabor Bulhões, um de seus melhores amigos, chegou a dizer, duas vezes, que pretendia casar-se com ela. 'My heart is broken', repetia PC, divertindo a todos com a melodia alagoana de sua pronúncia inglesa para dizer 'Meu coração está partido'. Também disse a Augusto que seu interesse mais recente era Cláudia Dantas. 'Percebi que PC estava desacelerando com Suzana', conta o irmão Luís Romero, que só ficou sabendo de Cláudia Dantas após a morte de PC. Se o namoro estava assim tão desagradável, resta saber por que PC Farias não deu fim ao relacionamento antes da tragédia.

Uma explicação está em seu temperamento, cauteloso, que não aconselha movimentos bruscos. Em sua situação, nada pior do que uma cena escandalosa que fosse parar nos jornais. Suzana era uma pessoa capaz disso. 'Uma vez, ela ameaçou se suicidar na minha frente, de revólver na mão', conta um antigo namorado, Mário Torres, ex-prefeito de uma cidade alagoana, que teve um relacionamento de quatro anos com Suzana. Durante uma discussão com PC, meses atrás, ela ameaçou afogar-se no mar de Guaxuma, tendo sido salva pelos seguranças. 'O PC me contou histórias pelas quais eu mesma concluí que ela era uma desequilibrada', diz a rival Cláudia Dantas.

POSES ROMÂNTICAS - Multiplicando sinais de desinteresse, mas incapaz de definir a situação, nos últimos dias PC não retorna telefonemas de Suzana. Também fechou o guichê de coronel, deixando de pagar as contas dela. Em Maceió, os cheques sem fundo de Suzana já se haviam tornado folclore. PC era o fiador de seus gastos, mas nada fazia para impedir que os rombos ficassem a descoberto. Consumada a tragédia, a família constatou, na semana passada, que Suzana tinha um rombo de 16 000 reais no banco. Entre outros, foi devolvido o cheque com que pagou uma consulta ao dentista em São Paulo, três dias antes da tragédia. Também não havia fundos para pagar o revólver utilizado para matar PC. Avalista de Suzana, o espólio de PC irá pagar pelas despesas. 'Essa é a grande ironia: PC acabou pagando pelo próprio revólver que o matou', observa Luis Romero.

No pequeno círculo de amigos de Maceió que já fora inteirado da nova relação de PC, tem-se como certo que Suzana já soubesse do caso com Cláudia Dantas. Mesmo que não tenha sido assim, é difícil acreditar que não desconfiasse de que havia algo de errado em seu relacionamento. Nos quatro dias que passou em São Paulo, ela teve o comportamento de uma pessoa insegura. Não era a primeira vez que vinha à cidade para compras, mas foi a primeira em que fez questão de anunciar aos quatro ventos quem era seu namorado. Ela passou nada menos que três horas experimentando pares e pares de sapato numa loja dos Jardins, a Fernando Pires, e não sossegou até que surgiu a oportunidade de comentar que precisava ter muitas roupas porque seu namorado era muito bem relacionado. Quando, até por cortesia, os vendedores quiseram saber quem era essa pessoa tão importante, Suzana falou num tom mais elevado de voz, para que todos a escutassem: 'Meu namorado é o PC. Lembra, o PC do Collor?' Em seguida, abrindo a bolsa, mostrou fotos dos dois, em poses românticas.

No dia seguinte, em outra loja, a Parresh, enquanto experimentava roupas ia contando que estava apaixonada e, com a ajuda de uma prima, que segurava sua bolsa, mostrava suas fotos com PC. Depois de experimentar pelo menos quatro vestidos, Suzana escolheu um conjunto de fibra, pesado. A prima, Maria José, perguntou se não era muito quente para Maceió. Suzana respondeu que pretendia usá-lo na viagem que planejava fazer com PC pela Europa. 'Logo, logo ele vai poder viajar de novo e aí a gente vai aproveitar a vida', disse.

Descontando o aspecto exibicionista, esse comportamento até poderia ser interpretado como sinal de que ao menos para Suzana tudo ia às maravilhas no cotidiano do casal, não fosse por dois problemas. Ela aproveitou um dos dias em São Paulo para ir ao consultório de um dentista, Fernando Colleone, 29 anos. Depois da consulta, sem anestesia, já fora convidada para jantar na noite seguinte. Em companhia de Colleone, Suzana ficou fora até as 3 da madrugada de sábado, sendo que tinha um vôo para Maceió às 7 e meia. Não há nada de errado nesse comportamento, considerando que Suzana era solteira e desimpedida. O que ele ensina, contudo, é que sua convivência com PC Farias era muito menos cor-de-rosa do que ela mesma gostava de anunciar. Outro dado diz respeito a uma compra que ela fez nove dias antes da tragédia.

Numa churrascaria em Atalaia, perto de Maceió, Suzana comprou o revólver que serviu como arma do crime. Se ela queria dar um revólver de presente à própria mãe, como sustenta uma prima que a acompanhou na compra, não se compreende por que não fizera o pedido a PC Farias, cujo arsenal de pistolas e escopetas só não era maior do que sua coleção de garrafas de uísque. PC gostava tanto de armas que certa vez, jantando num dos grandes restaurantes de São Paulo, surpreendeu os presentes ao colocar uma pequena pistola sobre a mesa, apenas para elogiar sua beleza para um pequeno círculo de amigos. Em vez disso, Suzana preferiu arrumar um revólver longe dos olhos de PC, fora da cidade. No sábado 22, Suzana dormiu menos de três horas antes de tomar o avião em Guarulhos para Maceió. Chegou à capital alagoana por volta do meio-dia, foi ao cabeleireiro e, à noite, chegou à casa de PC Farias. Levava roupas novas que havia comprado em São Paulo. Já possuía, também, o revólver adquirido com seu cheque sem fundos.

HOMENAGEM - Com botas pretas de cano alto, jeans justo e uma blusa vermelha com decote, Suzana estava fatigada quando chegou a Guaxuma, às 9 da noite. Dois irmãos de PC, o deputado Augusto Farias e Cláudio Farias, já estavam por ali. Uma garrafa de uísque rótulo azul - marca de 65 anos de envelhecimento - já fora aberta, e os irmãos conversavam sobre a campanha eleitoral em Maceió, na qual Augusto era candidato a prefeito. Com a chegada de Suzana, a conversa tomou outro rumo. Os irmãos começaram a discutir o futuro de PC, que tinha marcada uma audiência no Supremo Tribunal Federal, em que deveria depor sobre um caso de propina envolvendo a ex-ministra Zélia Cardoso de Mello. PC também falou entusiasmado da abertura de seu jornal, Tribuna de Alagoas, e contou que, no número de estréia, pretendia publicar um editorial em homenagem a sua falecida mulher, Elma Farias. O tom caloroso com que PC se referiu à ex-mulher, observa o irmão Augusto, deixou Suzana irritada. Ela começou a fumar muito, quase um cigarro após o outro. Às 11 da noite, Cláudio e sua mulher se retiram. Augusto e a namorada, Milani, dispõem-se a acompanhá-los, mas PC pede que fiquem para jantar. A refeição é servida, Augusto e Milani vão embora pouco depois da meia-noite.

Na jornada de sábado para domingo em Guaxuma, anfitriões e convidados adultos consumiram três garrafas de champanhe, duas de vinho, uma de uísque. É bebida suficiente para deixar qualquer um fora de controle, especialmente quando se lembra de que a única pessoa que nunca saiu de perto do bar naquele dia foi PC Farias. Os seguranças contaram, mais tarde, que ouviram os dois em discussões acaloradas. O que se tem como certo é que às 3h54 da manhã a caixa postal do telefone celular do dentista Fernando Colleone, de São Paulo, captou o seguinte recado de Suzana:
- Fernando... Eu queria dizer que nunca vou esquecer você. Um cara humano. Tenho certeza de que vou lhe encontrar em algum lugar. Um beijo.
Antes de Suzana desligar, ouve-se uma voz, sussurrando:
- O que você está fazendo aí? Te arruma, te arruma.
Suzana responde:
- Me arrumo - e a linha cai.

Menos de vinte minutos depois dessa primeira ligação, em Guaxuma, PC pede para ser acordado às 11 da manhã do dia seguinte e dispensa os seguranças que fazem a ronda da casa. Um deles dirá, mais tarde, que, ao passar pelo quarto onde PC e Suzana se encontravam, ouviu uma discussão ríspida. E é só. O que se passou, dali por diante, não foi visto por nenhuma testemunha que se tivesse apresentado à polícia na semana passada e talvez não tenha sido visto por mais ninguém. O que se descobriu foram outras duas ligações de Suzana para o dentista.
- Sou eu novamente - disse ela -, às 4 horas e 58 minutos.
Era a mesma pessoa, mas o tom já havia mudado:
- Espero um dia rever você, nem que seja na eternidade, em algum lugar, não sei... No outro mundo eu encontro você, tenho certeza absoluta.
Outra ligação, às 5h01:
- Amor. Fernando. É Suzana.

Descobertas pela repórter Isabela Assumpção, da rede Globo, essas gravações podem transformar-se num ponto decisivo das investigações. Com recursos de laboratório, talvez seja possível identificar a voz que conversa com Suzana. Se a voz não for de PC Farias, é porque havia pelo menos uma terceira pessoa na cena do crime. Se for a voz de PC, é porque a caixa postal registrou ali, por acaso, a tragédia em seus momentos iniciais. As duas gravações seguintes, em que Suzana fala de 'eternidade' e 'outro mundo', com um tom de voz ainda mais atormentado e pastoso do que da primeira vez, também é um indício eloqüente de seu estado de espírito.

RARIDADE - O que se sabe da tragédia de Guaxuma é aquilo que a polícia conseguiu estudar pela cena do crime. Na falta de testemunhos, esta é a melhor matéria-prima para explicar o que aconteceu. Estudando a posição dos corpos, as balas e a arma, restavam, na semana passada, poucas dúvidas de que Suzana matou PC Farias. A polícia de Alagoas sustenta que, após horas de discussão, PC teria caído na cama, exausto, e que depois disso Suzana o teria alvejado. Acredita-se que PC tenha sido atingido por uma bala disparada de menos de 1 metro de distância. A bala dirigiu-se para seu pulmão, provocando a ruptura de artérias e uma grande hemorragia interna. Mais tarde, supõe a polícia, Suzana sentou-se na cama e atirou contra o próprio peito, o cano do revólver a menos de 5 centímetros da pele. A bala atravessou o corpo e a parede de compensado do quarto onde ambos se encontravam, e ela caiu para trás.

Para os peritos de Alagoas, a posição do corpo de Suzana é considerada coerente com a situação de quem se suicidou, embora a polícia ainda não tenha certeza de que isso realmente aconteceu. Especialistas constatam algumas peculiaridades nessa versão. Crime passional cometido por mulher é quase uma raridade. De cada 100 homicídios desse tipo, apenas 32% são cometidos por mulheres. Quando desejam eliminar alguém, as mulheres em geral contratam uma outra pessoa. Quando matam com as próprias mãos, elas preferem o revólver, que é uma arma mais segura para pessoas fisicamente mais frágeis, enquanto os homens também empregam facas e punhais. Quando se suicidam, as mulheres também usam um revólver e raramente atiram contra o próprio rosto. Preferem alvejar-se no peito. Pessoas que matam e se suicidam cometem um crime que não é comum, mas também não chega a ser coisa nunca vista. 'O homicídio e o suicídio são produto de um mesmo rio de agressividade', afirma o delegado de homicídios Marco Antonio Desgualdo, de São Paulo. 'Quando alguém presencia a própria violência e vê a agonia do outro, pode ficar tão impressionado que acaba virando a arma de fogo em sua própria direção.'

Existem cenas de crime que são clássicos da falsificação policial, pois se tornaram inúteis para qualquer investigação séria. Considera-se que foi isso o que aconteceu, por exemplo, com a cena da morte do jornalista Vladimir Herzog no DOI-Codi paulista em 1975. A polícia sustentava a hipótese de suicídio de Herzog, mas essa versão não resistiu a um simples exame das fotografias de sua morte. Ao contrário do que a maioria das pessoas imagina, discussão entre peritos não é privilégio de crime brasileiro. No julgamento de O.J. Simpson, dois terços dos depoimentos se referiam a acusações de provas, contraprovas e falsificações cometidas pela polícia e pela defesa. Não é o que acontece com a cena de Guaxuma. VEJA ouviu dez legistas de todo o país, na semana passada. Desse total, apenas dois apontaram dúvidas sobre a autenticidade da cena e os demais acham que, embora se possa descobrir detalhes esquisitos aqui e ali, a história que a cena do crime conta faz sentido. O perito Badan Palhares, da Universidade de Campinas, anunciou que achava estranho o fato de PC Farias ter sido morto a tiro sem esboçar uma reação. 'Isso só seria normal se estivesse anestesiado', disse Palhares, desinformado sobre a tonelagem alcoólica ingerida por PC naquele dia. Com vinte anos de experiência na área, Carlos Delmonte, médico-legista chefe do Instituto Médico-Legal de São Paulo, analisou fotos do crime, das balas e, municiado com as informações divulgadas pela polícia de Alagoas, na semana passada, emitiu sua opinião. 'A composição da cena permite dizer que a hipótese mais provável é de homicídio seguido de suicídio', diz ele. 'Olhando a cena, eu não teria a menor dúvida, se fossem duas pessoas comuns. Mas, como uma delas é o PC, mesmo o legista fica em dúvida', explica Delmonte.

O Ibope nem precisa fazer uma pesquisa de opinião. Basta conversar com o colega de trabalho, com o vizinho de rua, com o parente num jantar em família. Todo mundo acha que houve um complô para eliminar PC Farias. É uma visão que tem sua razão de ser, pois a polícia brasileira, mesmo a de Estados mais desenvolvidos que Alagoas, não se cansa de dar motivos para se desconfiar de suas investigações. Como se isso não bastasse, é psicologicamente difícil aceitar que um personagem como PC, que até há pouco esteve no centro de um turbilhão político, possa ter morrido assim, de forma tão banal e miserável.

ESPECULAÇÕES - Num caso de crime, opinião não basta. É preciso apontar fatos, provas, indícios. Até a semana passada, surgiram muitas dúvidas mas nenhum indício concreto de que se montara um complô para eliminar PC Farias. As provas materiais apontavam na direção contrária. Exame feito no Instituto Médico- Legal de Alagoas indicou que as duas balas saíram da mesma arma, o 38 de Suzana. A mesma perícia foi feita no IML de Salvador. O resultado foi idêntico.

Arquitetar um complô para eliminar PC é uma tarefa mais difícil do que se imagina. Seria preciso, em primeiro lugar, contar com a cumplicidade inicial de Suzana, que só iria descobrir a verdade na sua hora final. Também seria necessário contar com o apoio dos quatro seguranças de Guaxuma, do vigia e de dois caseiros. Sob certos aspectos, talvez se fizesse necessário ainda o silêncio da família. 'Francamente: se era para executar PC Farias, era muito mais fácil eliminá-lo durante uma emboscada na rua', supôs, a pedido de VEJA, o delegado Desgualdo.

Na semana passada, o que se especulava em Maceió era sobre outra possibilidade. Suzana executou PC, mas, logo depois do crime, foi executada na casa de praia pelos seguranças, que teriam ouvido o barulho do tiro. Conforme essa suposição, a morte de PC teria sido comunicada pelos seguranças a Augusto Farias que, por telefone, teria ordenado a execução. Até este final de semana, contudo, não surgira nenhuma evidência para sustentar essa possibilidade. Prevenido, o delegado Cícero Torres, encarregado do caso, diz: 'A minha principal hipótese é de que Suzana matou Paulo César e depois se suicidou, mas eu só tenho certeza mesmo que ela matou PC. Quanto ao suicídio, ainda tenho dúvidas'. A dúvida só será solucionada - se é que será solucionada um dia - quando a polícia terminar de interrogar os seguranças e demais funcionários da casa, checar os álibis de cada um e conferir os testemunhos. Na sexta-feira, a polícia de Alagoas pediu a suspensão do sigilo de doze telefones celulares. Quer verificar que ligações esses aparelhos receberam ou fizeram nas horas próximas ao crime. Presumivelmente, entre os aparelhos estão os da casa de PC Farias e de pessoas ligadas a ele, como o irmão Augusto. Até que as investigações terminem, e quem sabe por muitos e muitos anos, haverá muita dúvida e muita discussão sobre a tragédia de PC Farias e Suzana Marcolino. Os americanos têm o assassinato de John Kennedy. Quem sabe os brasileiros tenham seu caso PC. Outro caso PC.

 

O jogo de sedução com Cláudia Dantas

Filha de políticos, a alagoana Cláudia Dantas, 31 anos, protestante, separada e mãe de dois filhos, é uma mulher que impressiona pela beleza. Pode-se avaliar o que provocou em PC Farias, um homem de temperamento ardente, muito afetado pela presença e pela beleza feminina. Cláudia tem pele branquíssima, é discreta, veste-se bem, tem porte. PC a conheceu no dia 10 de maio e parece ter imaginado imediatamente uma estratégia de conquista. Naquela noite, Cláudia estava chegando para um jantar na casa de seu tio, o deputado federal Luiz Dantas, quando foi apresentada a PC. Ele já estava de saída e os dois cumprimentaram-se rapidamente e trocaram algumas palavras. Cláudia surpreendeu-se com um telefonema do empresário poucos dias depois. Os dois seriam padrinhos de casamento de Pauline, filha do deputado Luiz Dantas. A desculpa para a ligação foi pedir sugestões para o presente que ele daria ao casal. Novo telefonema, o primeiro jantar foi marcado, na casa de PC em Maceió, e, a partir daí, o ex-tesoureiro de Collor não desgrudou mais de Cláudia.

No primeiro encontro, ao som de canções românticas de Frank Sinatra e Julio Iglesias, o anfitrião serviu champanhe Veuve Clicquot, salada de atum e risoto de camarão. Cláudia contou um pouco de sua vida, e, na primeira brecha, PC introduziu delicadamente um tema que estava subentendido até aquele momento. 'Gostaria que você fizesse parte dessa nova fase da minha vida', disse ele. Em tom sincero, explicou que tinha um relacionamento com Suzana Marcolino e queria ser franco com ela. 'Com você eu sei que não pode ser uma brincadeira.' Cláudia gostou daquela honestidade. 'Eu o achei maravilhoso, muito gentil.' No final, PC arrematou a investida com uma proposta. Perguntou se ela esperaria até que ele 'resolvesse' a sua vida com Suzana. Ela disse que sim - desde que não demorasse muito.

PC Farias telefonava para Cláudia todos os dias ao acordar, lá pelas 11 da manhã, e à noite também. Quando a encontrava, dizia que 'com Suzana estava tudo se encaminhando'. No Dia dos Namorados, Cláudia recebeu um imenso buquê de rosas vermelhas com um cartão. PC não pôde ir ao casamento de Pauline, em Brasília, mas insistiu para que Cláudia fosse conhecer sua casa no Lago Norte. Acompanhada da mãe, de uma amiga e de uma pastora da igreja evangélica Tabernáculo do Deus Vivo, que ela freqüenta, Cláudia foi conhecer a mansão. Ficou encantada em saber que Paulo César era leitor da Bíblia, aberta em uma escrivaninha. Encontrou-se com PC duas vezes na semana passada. Na terça-feira, jantou na casa do empresário, em Maceió, ao som de música clássica. Na quarta, ele a levou para conhecer a casa de praia, onde três dias depois seria assassinado.

A eternamente outra

Figura carimbada na noite de Maceió,
Suzana vivia rodeada de homens mais
velhos e bem postos na vida

 

Silvania Dal Bosco

Da criança tímida de Palestina, tão tímida que dava bom-dia olhando para o chão, Suzana Marcolino da Silva tornou-se uma mulher muito extrovertida. Com 1,68 metro de altura, 58 quilos, tinha um corpo capaz de levantar a galera da Praia do Francês, em Maceió. Badalava todas as noites, de 'quarta-feira a quarta-feira', como diz uma amiga, esticando na boate Middô, refúgio noturno da gente rica de Maceió. Vaidosa, malhava em mais de uma academia, fez uma pequena lipoaspiração nos culotes e pelo menos duas vezes por semana batia o ponto no salão de beleza para escovar a cabeleira encaracolada. Com currículo de poucos namoros firmes e muitos passageiros, preferia homens bem mais velhos que ela e, nos últimos tempos, as pessoas que a cercavam percebiam certa urgência na sua busca, certa ansiedade. Iria completar 27 anos no dia 4 de agosto e chegou a comentar com amigas que estava mais do que na hora de achar um bom partido capaz de lhe dar uma vida farta e cheia de embalos. Morreu com uma bala no peito sem jamais ter deixado de ser 'a outra'.

Suzana conheceu PC Farias no dia 12 de janeiro de 1995, numa visita que fez à sua cela no Corpo de Bombeiros, em Maceió. Levada por uma funcionária da Tratoral, uma das empresas de PC, o encontro foi agradável para os dois. Solitário e viúvo havia seis meses, PC estava num momento particularmente difícil. Suzana apareceu para tirá-lo das noites vazias. Naquele mesmo dia, já de volta à sua casa, ela recebeu um telefonema de PC. Daí em diante, nunca mais deixaram de se encontrar. PC era grato a Suzana pela ajuda que lhe deu numa hora em que estava fragilizado, e Suzana também gostou daquele homem que a tratava com atenção e lhe dava bons presentes, fazia jantares caros e abria bebidas finas. Com o tempo, os planos de cada um foram tomando rumos opostos. PC jamais pensou em casar-se com Suzana nem a incluía em projetos para o seu futuro. Nem sequer marcou um jantar para apresentá-la a um dos seus melhores amigos, o advogado Nabor Bulhões, nem deu aquele passo mais sério, capaz de revelar uma relação mais sólida, de apresentá-la aos seus filhos, Ingrid e Paulo.

Mas Suzana tanto forçou a barra que, em janeiro passado, conheceu os filhos de PC, que passavam férias no Brasil. Ela batalhava duramente para conquistar a posição de namorada oficial. Insistia muito para aparecer ao seu lado em público. Chegou a ir ao velório do pai de PC, morto em maio passado, depois de receber orientações para se comportar com discrição. Fez, ainda, um passeio com PC à beira-mar a bordo de um conversível. Ela fazia questão de espalhar aos quatro ventos o seu namoro. Na semana da morte dos dois, esteve em São Paulo comprando novas peças de roupas em várias lojas e, na bolsa, levava um álbum de fotografias que exibia até para as balconistas. Nas fotos, Suzana aparecia com PC em várias situações. Ela fazia questão de informar às atendentes das lojas que só escolhia tal roupa ou tal sapato porque atendiam ao gosto do namorado - 'é o Paulo César Farias, sabe?' A família Farias, que conhecia a peça manjada na noite de Maceió, não aprovava o namoro.
- Essa mulher é um rabo de foguete - chegou a lhe dizer, certa vez, o irmão Augusto Farias.
- Você é um insensível - desconversou PC.
Já a mãe de Suzana, Maria Auxiliadora, no início ficou meio preocupada com o namoro. Achava que PC Farias não era figura recomendável. Mas logo confessou a uma amiga que era preferível ver a filha namorando um viúvo, ainda que fosse um viúvo com enormes problemas judiciais, a tê-la metida em casos com homens casados.

COM COLLOR - Suzana Marcolino era uma mulher de horizontes limitados. Um jornalista de VEJA esteve num jantar com PC e Suzana, na fatídica casa da Praia de Guaxuma. Ela apareceu de blazer e saia brancos, sapatos de salto alto e meias de seda insuportáveis para o calor de Maceió. Com o rosto excessivamente maquilado, brincos e anéis dourados, Suzana não fazia um único comentário, apesar dos estímulos de PC. Incapaz de manter um diálogo que fosse além das miudezas do dia-a-dia, Suzana não se preocupava com isso. Sua praia era outra. Nunca se esmerou nos estudos, fez o vestibular para direito e não passou. Na época, descobriu que tinha três rins, um deles atrofiado, submeteu-se a uma cirurgia e passou quase dois anos às voltas com médicos e exames. Curou-se e nunca mais se sentiu atraída pelos livros. Adorava mesmo era carro com motorista, roupas de griffes famosas, freqüentar restaurantes caros, viajar e namorar, de preferência, homens com posição social de relevância. Nada que a diferenciasse, nesse particular, da esmagadora maioria das mulheres - e dos homens também. Só que Suzana ambicionava essas coisas com uma intensidade maior que a da maioria. E lutava bravamente para tê-las. No seu currículo, teve casos com políticos e empresários de Alagoas. Em 1987, aos 18 anos, chegou a freqüentar o gabinete do então governador Fernando Collor, nos fins de tarde, quando o expediente já era dado por encerrado. Trabalhou como telefonista do Palácio dos Martírios e, entre seus ex-colegas, deixou a impressão de uma moça ambiciosa, insinuante e geniosa.

CIRROSE - Na adolescência, namorou Flávio Almeida, o segurança-mor de PC, que era seu primo. Dizem as amigas que foi o namorado mais pobre que teve na vida. Na batalha para deixar de ser 'a outra', Suzana fez e aconteceu. Depois de seus encontros furtivos com Collor, passou a ter um caso longo, de quatro anos, com um ex-prefeito do interior, Mário Torres. Os amigos contam que ela ameaçava dar um tiro na cabeça, caso Torres a abandonasse, fazia cenas de ciúme, chegou a pegar numa arma para simular que se suicidaria. 'Se você me largar, eu me mato', disse ao amante. Ela também tripudiava sobre a rival. Uma amiga conta que Suzana saía com Torres e fazia questão de ligar para a esposa do ex-prefeito para contar onde estava jantando, dar o cardápio, se fosse de primeira. Ou telefonava de uma boate, para dizer que estava dançando com o marido da interlocutora. Não conseguiu a separação do casal. Quando o ex-prefeito soube que Suzana o traía, deu-lhe um soco no rosto, provocando um problema na arcada dentária. Para corrigir o defeito num dos dentes da frente, Suzana iniciou um tratamento em São Paulo com o dentista Fernando Colleone, para quem ligou na madrugada de sua morte se declarando apaixonada.

A história familiar de Suzana tem altos e baixos. Seu pai, Jerônimo, foi casado três vezes. Teve uma filha no primeiro casamento, seis no segundo e três no terceiro - este com Maria Auxiliadora. A família morava em Palestina, sertão de Alagoas. Em 1974, o pai de Suzana, Jerônimo, foi prefeito da cidade e sua mãe era vereadora. Três anos depois, mudaram-se para Maceió e os problemas começaram. Apaixonada por outro, Maria Auxiliadora largou o marido, pegou os três filhos e mudou-se com sua nova paixão, Ederaldo, para uma cidade do interior da Bahia, onde ficaram por cinco anos até voltar para Maceió. Maria Auxiliadora vive até hoje com Ederaldo, mas a família não gosta de lembrar o episódio. Com a separação, o velho Jerônimo passou a beber e morreu de cirrose quatro anos mais tarde. No seu leito de morte, chamava pela mulher que o abandonara. De toda a família, Suzana era a única que tinha relações amistosas com os outros meios-irmãos.

'Ela conseguiu até um emprego de fiscal de ônibus para meu irmão', diz Iraldo de Almeida, um dos meios-irmãos de Suzana. Ela gostava da família e tinha prazer em ter contato com seus parentes. Numa de suas viagens a São Paulo, onde às vezes desembarcava de jatos particulares com PC, Suzana conseguiu convencer uma prima, Andréa, a se mudar para Maceió. Andréa vivia em Santo André, era formada em fisioterapia, mas, desempregada, vivia com os pais. 'Ela tinha uma força, uma determinação incrível, tanto que me convenceu a deixar meus pais sozinhos, meu pai com 83 anos e minha mãe com 68, para morar em Maceió', diz Andréa. Na capital alagoana, Suzana conseguiu um emprego para Andréa, ajudou-a a encontrar um apartamento e apresentou-lhe fiadores. 'Quando ela colocava uma coisa na cabeça, ia até o fim', diz a prima.

SALTO ALTO - Moradora do Barro Duro, um bairro de classe média de Maceió, a família de Suzana vive sem dificuldades. Tem uma casa ampla, com um muro alto e dois grandes portões de madeira. Com paredes pintadas de rosa e o telhado de azul, a casa tem três andares. No 1º, moravam Suzana, a mãe e o padrasto. No 2º, a irmã, marido e dois filhos. No 3º, seu irmão caçula. Cada andar tem três quartos e entradas independentes. Nos últimos tempos, a vida financeira de Suzana não andava bem. PC chegou a cobrir cheques voadores que a moça largava na praça, mas ainda assim ela tinha um rombo de 16 000 reais no Banco Rural. Sua loja de roupas, inaugurada no fim do ano passado no melhor shopping de Maceió, não estava dando certo. Era a Lady Blue, nome sugerido por PC, que chegou a ajudá-la, presenteando-a com uma linha telefônica, aparelho de fax e um Tipo zero-quilômetro. A loja comercializava roupas caras, que Suzana comprava em São Paulo, mas a clientela era pequena demais. Com uma prima, ela planejava passar a vender etiquetas mais baratas na Lady Blue e montar um serviço de pronta entrega, que iria abastecer as lojas de roupas populares de Maceió.

Roupas, jóias, carros pareciam elementos essenciais no mundo de Suzana. Muito preocupada com a aparência, ela tinha um guarda-roupa para cada momento. De dia, só andava de calça jeans justíssima e blusas amarradas na barriga, cabelos presos num rabo-de-cavalo e sandálias de salto alto. À noite, preferia usar vestidos longos ou saias curtas e justas, sempre com os tais sapatos de salto alto. Nos agitos noturnos, bebia, mas nunca exagerava. Os porres eram raríssimos. Costumava parar com alguns copos de uísque, sua bebida preferida, quando não havia champanhe. Fumava bastante. Na Middô, dançava pouco e, quando ia para a pista, ficava ali sem espalhafatos. 'Ela era mais de ficar na mesa, bebendo e conversando com alguém', diz uma amiga que costumava sair junto com Suzana nas noites de Maceió. 'Ela era muito procurada pelos homens, mas nunca falava sobre isso conosco. Não sei se era medo de perdê-los', diz.

'Suzana era uma pessoa fina e bonita que gostava do que é bom, mas não andava com placa na testa querendo marido rico', diz sua irmã mais velha, a radialista Ana Luiza. Em 1993, Suzana chegou a morar em Brasília. Dizia que estava morando com uma tia, mas na verdade ficava sempre com algumas amigas, e ninguém sabe ao certo o que fazia pela capital Federal. Em 1994, antes de conhecer PC, Suzana fez uma viagem à Europa com Ana Luiza e seu cunhado, Maurício, filho de italianos. Nas fotos, todos aparecem com roupas despojadas, mas Suzana está sempre maquilada, salto alto, saia, echarpe, casacos longos e óculos de sol que imitam aqueles que Jacqueline Kennedy usava, com aros grossos e ovais. Nesta viagem, Suzana deu provas de gênio forte. Na Itália, o grupo hospedou-se na casa dos pais de Maurício. Mesmo assim, Suzana teve um bate-boca com o cunhado, por um motivo fútil sobre a programação turística do dia, e ficou um dia inteiro na casa, trancada no quarto, sem comer nem falar com ninguém. Era determinada, em tudo.

 

A dor dos inocentes

Órfãos de mãe e de pai em circunstâncias
trágicas, os filhos de PC penam um sofrimento
que parece não ter fim

'Vale a pena viver?' Dita por uma pessoa calejada nas rasteiras do destino, a frase pode parecer desabafo retórico num momento de angústia. Saída da boca de um garoto de 14 anos, é um lamento que vem das entranhas, um grito de revolta diante do tipo de sofrimento para o qual não existem explicações. A reação de Paulo, o filho caçula de PC Farias, resume dolorosamente a cadeia de desgraças que, desde cedo demais, o acompanha. Paulo e a irmã, Ingrid, de 16 anos, já passaram por mais experiências ruins do que a grande maioria dos adultos - as humilhações desencadeadas quando o pai virou o grande vilão nacional, o afastamento forçado da família, a vida solitária no exterior, a morte súbita, em circunstâncias trágicas, da mãe, Elma. O que restava, ainda, para desabar sobre eles ruiu na tarde de domingo, quando o tio Augusto assumiu o encargo quase insuportável de lhes dar a notícia: o pai estava morto, assassinado.

Paulo e Ingrid haviam chegado ao Brasil menos de 48 horas antes, vindos do colégio interno, a École Internationale Le Chaperon Rouge, em Crans Montana, uma badalada estação de esqui na Suíça. Desembarcaram loucos de saudade do pai. Liberados por três meses, a duração das férias de verão no Hemisfério Norte, deveriam passar o período mais longo e tranqüilo com PC Farias desde o turbilhão que engolfou suas vidas. Sensível, do tipo que acusa imediatamente os golpes, ao contrário da irmã, de temperamento mais fechado, Paulinho sempre foi o termômetro do que ia mal com os filhos de PC. Quando estourou o escândalo que envolvia o presidente Fernando Collor e seu homem de confiança, o menino começou a ter problemas na escola. Ele e a irmã viviam o conflito de amar e admirar um pai que, para seus colegas, como para todo o país, era o bandido número 1. Paulinho chegou a ter crises de vômito, e a se recusar a ir à escola, quando os colegas começaram a perguntar se Wanya Guerreiro, que tivera um caso com PC e posara nua na Playboy, era sua mãe. Ingrid, que sempre foi uma garota cheinha, comia cada vez mais. A fuga de PC, suas andanças pelo mundo e, por fim, a prisão em Bangcoc desestruturaram de vez o que poderia existir de rotina para os irmãos. A decisão de mandá-los para o colégio interno na Europa foi de Elma. Pesaram as preocupações com o estado psicológico dos garotos e, principalmente, com a sua segurança. A Chaperon Rouge - Chapeuzinho Vermelho - é uma escola para apenas quarenta alunos, ao preço anual de 20000 dólares. 'Coitadinhos, é uma tristeza o que aconteceu', reagiu a diretora Arlette Bagnoud, ao saber da morte de PC. 'Paulo e Ingrid são crianças boas e alegres, queridas pelos colegas.'

FULMINADA - Há dois anos, exatamente como agora, os irmãos desembarcaram no Brasil, entusiasmados, para as férias. Ficaram com Elma, no casarão da família em Brasília. O pai estava preso na cela especial da Polícia Militar. Saudosos e carentes de afeto, queriam dormir com a mãe, como criancinhas. Assim fizeram na noite de 19 de julho de 1994. De madrugada, Ingrid sentiu os pés da mãe gelados. Chegou a cobri-los, achando que fosse devido ao frio. Por volta das 9h30 da manhã, a menina acordou com o telefone tocando. Era a tia Eônia Bezerra, irmã de Elma, ligando de Maceió. Ingrid chamou pela 'mãinha'. Insistiu. Sacudiu-a. A mãe estava morta, fulminada aos 44 anos, em pleno sono, por um infarto. Em companhia de um empregado da casa, Ingrid enrolou o corpo numa coberta e, inutilmente, levou a mãe já morta a um hospital.

Como aconteceu agora, com a morte do pai, Paulinho teve reação mais explosiva. Em prantos, abraçava-se à irmã e aos empregados da casa, gritando pela mãe. Ingrid ficou atônita, como se não entendesse, ou não aceitasse, o que havia acontecido. Só foi chorar, copiosamente, quando o pai chegou ao velório, acompanhado pelos policiais que o reconduziriam à prisão. PC tentou ser beneficiado pela prisão domiciliar, para ficar ao lado dos filhos. Não conseguiu. Os garotos voltaram para a Suíça. Bom pai, intensamente preocupado com o bem-estar dos filhos, PC não era, contudo, do tipo que os levava para passear no shopping nem muito menos compareceria a uma reunião na escola. Depois da morte de Elma, a irmã de PC, a ginecologista Eleuza, é quem assumiu, mesmo a distância, as tarefas mais diretas.

Na Europa, PC contratara uma senhora para acompanhar os filhos nas folgas e viagens curtas. Os dois eram bons alunos, já tinham fluência em francês e inglês, além de compreender o alemão e o italiano. No ambiente multinacional desse tipo de colégio, destinado aos filhos dos muito ricos, Ingrid fez amigas inglesas e italianas. Chegou da Suíça com uma grande mecha loira nos cabelos compridos, a moda do momento. PC queria que ela continuasse os estudos na Inglaterra, onde planejava eventualmente também instalar-se. Haveria tempo para discutir isso tudo durante as férias. Os meninos chegaram na sexta-feira 21. PC não foi buscá-los no aeroporto, mas ficou à sua espera. Jantaram juntos e conversaram. No sábado 22, passou o dia em casa. Deixou os filhos no final da tarde e foi para a casa de praia, rumo ao encontro fatídico com Suzana.

EXPLOSÃO - Quando Augusto Farias, o tio, deu a notícia trágica, na tarde de domingo, Paulinho teve uma reação violentamente desesperada. Em crise, gritava e se jogava. Foram necessárias três pessoas para segurá-lo. Pouco depois, quando a primeira explosão de dor estava sob controle, Augusto e os dois sobrinhos, vítimas inocentes de um carma que parece não ter fim, sentaram-se num sofá para conversar. Foi aí que Augusto ouviu a pergunta: 'Meu tio, vale a pena viver?' Desde então, Paulinho e Ingrid estão tomando medicamentos. Durante o velório, o menino ainda estava transtornado. Ao chegar, encarou um a um todos os que estavam próximos ao caixão do pai. Seu olhar era de revolta, de raiva. Ingrid, mais contida, passou muito tempo de cabeça abaixada.

Durante os dias de alta tensão que se seguiram à morte, o tio Augusto se esforçou para recompor uma aparência de normalidade. Facilitou a aproximação dos sobrinhos com jovens da mesma idade, promoveu um passeio em grupo para uma volta de kart indoor. Paulinho logo voltou a ter o olhar perdido, típico de quem ainda está sob o efeito de um grande choque. Ingrid, que depois da morte da mãe engordou 10 quilos e se transformou numa adolescente obesa, pediu ao tio que a casa de praia fosse vendida imediatamente. Augusto explicou que a maioria dos bens que tornam os herdeiros de PC milionários continua indisponível, por decisão da Justiça. 'Vocês têm de se acostumar com essa realidade: são donos e não mandam nas coisas', disse o tio, que foi escolhido pela família Farias para ser o tutor dos sobrinhos. Paulo e Ingrid não querem voltar para a Suíça e, até o fim da semana passada, todos concordavam que era melhor ficar aqui, com o que restou de sua família. 'Essas crianças precisam de afeto e calor familiar', diz outro tio, Luís Romero. Precisam também encontrar dentro de si mesmas a resposta para a pergunta feita num momento de tanta dor - 'Vale a pena viver?'

A Sucessão no clã

Augusto e Luís Romero assumem o comando
da família e dos negócios de PC

PC Farias era o mais velho de oito irmãos que formavam uma família muito unida, um clã. PC era o chefão. De seus irmãos, os mais conhecidos são Luiz Romero (que foi secretário executivo do Ministério da Saúde no governo Collor) e Augusto (deputado federal e, até a noite de sexta-feira passada, candidato à prefeitura de Maceió nas próximas eleições). Os dois reuniram-se, poucas horas depois do enterro de PC, com os outros homens da família, Cláudio, Carlos Gilberto e Rogério. As irmãs, Eleuza e Ana Eliza, ficaram em casa, sob efeito de sedativos. O encontro tinha uma pauta extensa. Era preciso decidir o que seria feito dos dois filhos de PC, quem assumiria o comando dos negócios da família, o que aconteceria com a candidatura de Augusto à prefeitura e qual seria o destino do jornal Tribuna de Alagoas, que deveria estrear nas bancas em agosto.

O mais emotivo dos irmãos, Augusto foi quem deu mais sinais de tensão durante a crise da semana passada. Isso não impediu que no dia seguinte ao enterro ele fizesse seu cooper diário no calçadão da praia onde mora. Na noite anterior, fora escolhido o substituto de PC na chefia do clã. Ficou também com a tutela dos filhos do empresário assassinado, Paulo Augusto e Ingrid. Aos 39 anos, Augusto era o irmão mais próximo de PC. Foi o último membro da família Farias a vê-lo com vida, na noite de sábado. Mas quem vai comandar o dia-a-dia dos negócios da família, e administrar o espólio do irmão morto, é Luís Romero. Não é pouca coisa. Entre os bens de PC estão casas, apartamentos, terrenos e participação em onze empresas, no Brasil e quatro no exterior. Seu patrimônio, declarado no imposto de renda de 1993, era de 9,1 milhões de reais. A família admite um valor maior: 35 milhões de reais. Isso do que PC deixou visível. Há outra montanha de dinheiro que não aparece. Foi enviada para paraísos fiscais e guardada sob a proteção de empresas de fachada e contas numeradas.

Investigadores da Polícia Federal que vasculharam o caso PC têm provas de que pelo menos dois bancos, o Comercial Bank of New York e o Citibank, acolheram dinheiro do empresário no exterior. A agência do Banco Rural nas Ilhas Caymã também tinha uma conta de PC Farias. Isso são os depósitos que se conhecem, mas em casos do gênero costuma haver um número muito maior de operações. Das duas contas que chegaram ao conhecimento da Polícia Federal, uma foi aberta no nome de PC e a outra em nome de uma empresa de fachada, a Dupont Investimentos Ltda. Não se tem idéia de quanto PC Farias acumulou no exterior. As estimativas sobem até a cifra improvável de 1 bilhão de dólares.

O acesso de terceiros ao dinheiro depositado numa conta numerada só é permitido com a apresentação de um código e de uma procuração do dono da conta. Os herdeiros do ex-presidente argentino Domingo Perón e do imperador etíope Hailé Selassié tentam, há anos, sem sucesso, liberar fortunas depositadas em bancos suíços. Se o dono da conta não deixa o código e a procuração, perde-se o dinheiro para o banco. A Polícia Federal acha que PC, que estava preso, teria procuradores realizando operações em seu nome. 

 

"Se você quer saber o que Deus acha do dinheiro, olhe para as pessoas a quem

Caro senhor, as provas sao técnicas e nao testemunhais, estas se pode colher de qualquer jeito, e nesse caso, especificamente, todas as provas que contrariam o laudo do Dr. Sanguinetti sao descaradamente mendazes. Dona Suzana era uma mulher vivida. Deve-se lembrar que PC Farias nao era nenhum homem lindo, que fizesse com que dona Suzana, vivida, linda, e experiente, fosse sofrer tanto pelo desprezo de um homem tao carente de boniteza, tao carente como obeso. O laudo do perito alagoano, com a medida do tamanho das vítimas, e com a descricao da dinâmica dos eventos, revela que a versao que o senhor defende nao tem amparo científico e é imoral. A essa altura, a quem queres enganar??? Ao meu filho de 2 anos???

 

O caso PC e o caso Dantas foram os dois pontos mais baixos da imprensa depois da redemocratização. Nas duas ocasiões, não consegui pensar em nenhuma outra palavra que não fosse - "VENDIDOS". Comecei a reler esse maltido texto e o senti novamente a mesma sensação de NOJO que tive na época.

 

Alguém teria que recuperar a capa da revista Veja com os dizeres "Caso Encerrado". Foi quando o famigerado Badan Palhares deu seu "laudo técnico", defendendo a tese do crime passional cometido por uma linda garota que, depois de passar alguns dias em São Paulo com seu namorado bonitão, voltou para os braços de seu noivo velho, careca e barrigudo e, enlouquecida de ciúmes, deu-lhe um tiro certeiro no peito enquanto ele dormia, e logo em seguida senteou-se na cama, dobrou seu punho em J, apertou o gatilho e matou-se com um tiro no coração. Com a manchete, a revista avisava ao Brasil todo que estava encampando a tese do legista para explicar a morte do tesoureiro de Collor que, dali a alguns dias, daria um depoimento numa CPI que investigava doações ilegais de campanha por parte das maiores empreiteiras do Brasil.

 

“Caso encerrado” é da Isto É, a revista que “denunciou”, é só procurar no Google imagens.

 

Só bobo acredita que  Suzana matou PC  Farias  e depois se suicidou.

 

So achei esquizito porque tenho certeza que as fotos da Veja nao pareciam com essa, nao eh o que eu lembro de maneira nenhuma, talvez eu esteja enganado.

Alguem sabe aonde esta a falsific, digo, a reportagem da Veja chamada "Caso Encerrado"?

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

Reportagem da página 32, edição nº 1456 da VEJA, de 07 de agosto de 1996.

 

A chamada de capa é exatamente essa, “caso encerrado”.

 

No Brasil a única proposta política da Oposição é o golpe.

Caro Ivan, eu acho que está debaixo do mesmo tapete para onde a Veja varreu as capas com o "Caçador de Marajás".

Ah sim, e onde também coube as fitas com a série do Jornal Nacional sobre o intrépido caçador

 

Juliano Santos

 

Em primeiro lugar gostaria de comentar que fiz essa investigacao, PC e Suzana foi duplo homicidio, provas estao na DPF AL, e na Antiga SSP-AL, digo e reafirmo pois fiz toda investigacao e mais uma vez o sistema nojento quer fazer lavengem celebral nas pessoas. e uma pena para famililia que se faz de cego do PC, Digo seus filhos, pois na noite dos crismes Homicidios estavam na casa irmaos PC,Suzana e uma suposta namorada recente do PC, Leitores Suzana segundo investigacao tinha pavor de arma, ela foi espancada,pescoco quebrado,etc., e levou um tiro no peito, uma pergunta quem vai se suicidar atira na boca,cabeca,etc, ja mais nos peitos, haja visto que nao tem como ela se matar daquela forma.  Senhores Juizes,Ministros STF, olhem esse caso, pois a sociedade precisa saber da verdade. Indicie delegado na epoca da DPF,Bardan Palhaco,Segurancas,Cupla da SSP-AL, que fizeram conto de carochinha,   

 

 

Não foi "apenas" pelo grande esquema de corrupção que grassava no Congresso.

Foi mais, mais acima.

A esposa queria cantar.... ele... também.

Mooorrreu!