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Desvendando a espuma: o enigma da classe média brasileira

Jornal GGN - Segundo artigo mais lido de 2013, "Desvendando a espuma: o enigma da classe média brasileira" também ficou em segundo lugar entre os mais comentados de 2013, com 542 opiniões. Análise de Renato Santos de Souza sobre o reacionarismo da classe média em função da supervalorização da meritocracia provocou elogios, críticas e até comentários nem pró, muito menos contra. 

Desvendando a espuma: o enigma da classe média brasileira - Renato Santos de Souza 

A primeira vez que ouvi a Marilena Chauí bradar contra a classe média, chamá-la de fascista, violenta e ignorante, tive a reação que provavelmente a maioria teve: fiquei perplexo e tendi a rejeitar a tese quase impulsivamente. Afinal, além de pertencer a ela, aprendi a saudar a classe média. Não dá para pensar em um país menos desigual sem uma classe média forte: igualdade na miséria seria retrocesso, na riqueza seria impossível. Então, o engrossamento da classe média tem sido visto como sinal de desenvolvimento do país, de redução das desigualdades, de equilíbrio da pirâmide social, ou mais, de uma positiva mobilidade social, em que muitos têm ascendido na vida a partir da base. A classe média seria como que um ponto de convergência conveniente para uma sociedade mais igualitária. Para a esquerda, sobretudo, ela indicaria uma espécie de relação capital-trabalho com menos exploração.

Então, eu, que bebi da racionalidade desde as primeiras gotas de leite materno, como afirmou certa vez um filósofo, não comprei a tese assim, facilmente. Não sem uma razão. E a Marilena não me ofereceu esta razão. Ela identificou algo, um fenômeno, o reacionarismo da classe média brasileira, mas não desvendou o sentido do fenômeno. Descreveu “O QUE” estava acontecendo, mas não nos ofereceu o “PORQUE”. Por que logo a classe média? Não seria mais razoável afirmar que as elites é que são o “atraso de vida” do Brasil, como sempre foi dito? E mais, ela fala da classe média brasileira, não da classe média de maneira geral, não como categoria social. Então, para ela, a identificação deste fenômeno não tem uma fundamentação eminentemente filosófica ou sociológica, e sim empírica: é fruto da sua observação, sobretudo da classe média paulistana. E por que a classe média brasileira e não a classe média em geral? Estas indagações me perturbavam, e eu ficava reticente com as afirmações de dona Marilena.

Com o passar do tempo, porém, observando muitos representantes da classe média próximos de mim (coisa fácil, pois faço parte dela), bem como a postura desta mesma classe nas manifestações de junho deste ano, comecei lentamente a dar razão à filósofa. A classe média parece mesmo reacionária, talvez não toda, mas grande parte dela. Mas ainda me perguntava “por que” a classe média, e “por que” a brasileira? Havia um elo perdido neste fenômeno, algo a ser explicado, um sentido a ser desvendado.

Então adveio aquela abominável reação de grande parte da categoria médica – justamente uma categoria profissional com vocação para classe média - ao Programa Mais Médicos, e me sugeriu uma resposta. Aqueles episódios me ajudaram a desvendar a espuma. Mas não sem antes uma boa pergunta! Como pode uma categoria profissional pensar e agir assim, de forma tão unificada, num país tão plural e tão cheio de nuanças intelectuais e políticas como o nosso? Estudantes de medicina e médicos parecem exibir um padrão de pensamento e ação muito coesos e com desvios mínimos quando se trata da sua profissão, algo que não se vê em outros segmentos profissionais. Isto não pode ser explicado apenas pelo que se convencionou chamar de “corporativismo”. Afinal, outras categorias profissionais também tem potencial para o corporativismo, e não o são, ao menos não da mesma forma. Então deveria haver outra interpretação para isto.

Bem, naqueles episódios do Mais Médicos, apesar de toda a argumentação pretensamente responsável das entidades médicas buscando salvaguardar a saúde pública, o que me parecia sustentar tal coesão era uma defesa do mérito, do mérito de ser médico no Brasil. Então, este pensamento único provavelmente fora forjado pelas longas provações por que passa um estudante de medicina até se tornar um profissional: passar no vestibular mais concorrido do Brasil, fazer o curso mais longo, um dos mais difíceis, que tem mais aulas práticas e exigências de estrutura, e que está entre os mais caros do país. É um feito se formar médico no Brasil, e talvez por isto esta formação, mais do que qualquer outra, seja uma celebração do mérito. Sendo assim, supõe-se, não se pode aceitar que qualquer um que não demonstre ter tido os mesmos méritos, desfrute das mesmas prerrogativas que os profissionais formados aqui. Então, aquela reação episódica, e a meu ver descabida, da categoria médica, incompreensível até para o resto da classe média, era, na verdade, um brado pela meritocracia. 

A minha resposta, então, ao enigma da classe média brasileira aqui colocado, começava a se desvelar: é que boa parte dela é reacionária porque é meritocrática; ou seja, a meritocracia está na base de sua ideologia conservadora. 

Assim, boa parte da classe média é contra as cotas nas universidades, pois a etnia ou a condição social não são critérios de mérito; é contra o bolsa-família, pois ganhar dinheiro sem trabalhar além de um demérito desestimula o esforço produtivo; quer mais prisões e penas mais duras porque meritocracia também significa o contrário, pagar caro pela falta de mérito; reclama do pagamento de impostos porque o dinheiro ganho com o próprio suor não pode ser apropriado por um Governo que não produz, muito menos ser distribuído em serviços para quem não é produtivo e não gera impostos. É contra os políticos porque em uma sociedade racional, a técnica, e não a política, deveria ser a base de todas as decisões: então, deveríamos ter bons gestores e não políticos. Tudo uma questão de mérito.

Mas por que a classe média seria mais meritocrática que as outras? Bem, creio que isto tem a ver com a história das políticas públicas no Brasil. Nós nunca tivemos um verdadeiro Estado do Bem Estar Social por aqui, como o europeu, que forjou uma classe média a partir de políticas de garantias públicas. O nosso Estado no máximo oferecia oportunidades, vagas em universidades públicas no curso de medicina, por exemplo, mas o estudante tinha que enfrentar 90 candidatos por vaga para ingressar. O mesmo vale para a classe média empresarial, para os profissionais liberais, etc. Para estes, a burocracia do Estado foi sempre um empecilho, nunca uma aliada. Mesmo a classe média estatal atual, formada por funcionários públicos, é geralmente concursada, portanto, atingiu sua posição de forma meritocrática. Então, a classe média brasileira se constituiu por mérito próprio, e como não tem patrimônio ou grandes empresas para deixar de herança para que seus filhos vivam de renda ou de lucro, deixa para eles o estudo e uma boa formação profissional, para que possam fazer carreira também por méritos próprios. Acho que isto forjou o ethos meritocrático da nossa classe média. 

Esta situação é bem diferente na Europa e nos EUA, por exemplo. Boa parte da classe média europeia se formou ou se sustenta das políticas de bem estar social dos seus países, estas mesmas que entraram em colapso com a atual crise econômica e tem gerado convulsões sociais em vários deles; por lá, eles vão para as ruas exatamente para defender políticas anti-meritocráticas. E a classe média americana, bem, esta convive de forma quase dramática com as ambiguidades de um país que é ao mesmo tempo das oportunidades e das incertezas; ela sabe que apenas o mérito não sustenta a sua posição, portanto, não tem muitos motivos para ser meritocrática. Se a classe média adoecer nos EUA, vai perder o seu patrimônio pagando por serviços privados de saúde pela absoluta falta de um sistema público que a suporte; se advém uma crise econômica como a de 2008, que independe do mérito individual, a classe média perde suas casas financiadas e vai dormir dentro de seus automóveis, como se via à época. Então, no mundo dos ianques, o mérito não dá segurança social alguma.

As classes brasileiras alta e baixa (os nossos ricos e pobres) também não são meritocráticas. A classe alta é patrimonialista; um filho de rico herda bens, empresas e dinheiro, não precisa fazer sua vida pelo mérito próprio, portanto, ser meritocrata seria um contrassenso; ao contrário, sua defesa tem que ser dos privilégios que o dinheiro pode comprar, do direito à propriedade privada e da livre iniciativa. Além disso, boa parte da elite brasileira tem consciência de que depende do Estado e que, em muitos casos, fez fortuna com favorecimentos estatais; então, antes de ser contra os governos e a política, e de se intitular apolítica, ela busca é forjar alianças no meio político. 

Para a classe pobre o mérito nunca foi solução; ela vive travada pela falta de oportunidades, de condições ou pelo limitado potencial individual. Assim, ser meritocrata implicaria não só assumir que o seu insucesso é fruto da falta de mérito pessoal, como também relegar apenas para si a responsabilidade pela superação da sua condição. E ela sabe que não existem soluções pela via do mérito individual para as dezenas de milhões de brasileiros que vivem em condições de pobreza, e que seguramente dependem das políticas públicas para melhorar de vida. Então, nem pobres nem ricos tem razões para serem meritocratas. 

A meritocracia é uma forma de justificação das posições sociais de poder com base no merecimento, normalmente calcado em valências individuais, como inteligência, habilidade e esforço. Supostamente, portanto, uma sociedade meritocrática se sustentaria na ética do merecimento, algo aceitável para os nossos padrões morais. 

Aliás, tenho certeza de que todos nós educamos nossos filhos e tentamos agir no dia a dia com base na valorização do mérito. Nós valorizamos o esforço e a responsabilidade, educamos nossas crianças para serem independentes, para fazerem por merecer suas conquistas, motivamo-as para o estudo, para terem uma carreira honrosa e digna, para buscarem por méritos próprios o seu lugar na sociedade.

Então, o que há de errado com a meritocracia, como pode ela tornar alguém reacionário?

Bem, como o mérito está fundado em valências individuais, ele serve para apreciações individuais e não sociais. A menos que se pense, é claro, que uma sociedade seja apenas um agregado de pessoas. Então, uma coisa é a valorização do mérito como princípio educativo e formativo individual, e como juízo de conduta pessoal, outra bem diferente é tê-lo como plano de governo, como fundamento ético de uma organização social. Neste plano é que se situa a meritocracia, como um fundamento de organização coletiva, e aí é que ela se torna reacionária e perversa. 

Vou gastar as últimas linhas deste texto para oferecer algumas razões para isto, para mostrar porquê a meritocracia é um fundamento perverso de organização social. 

a) A meritocracia propõe construir uma ordem social baseada nas diferenças de predicados pessoais (habilidade, conhecimento, competência, etc.) e não em valores sociais universais (direito à vida, justiça, liberdade, solidariedade, etc.). Então, uma sociedade meritocrática pode atentar contra estes valores, ou pode obstruir o acesso de muitos a direitos fundamentais.

b) A meritocracia exacerba o individualismo e a intolerância social, supervalorizando o sucesso e estigmatizando o fracasso, bem como atribuindo exclusivamente ao indivíduo e às suas valências as responsabilidades por seus sucessos e fracassos. 

c) A meritocracia esvazia o espaço público, o espaço de construção social das ordens coletivas, e tende a desprezar a atividade política, transformando-a em uma espécie de excrescência disfuncional da sociedade, uma atividade sem legitimidade para a criação destas ordens coletivas. Supondo uma sociedade isenta de jogos de interesse e de ambiguidades de valor, prevê uma ordem social que siga apenas a racionalidade técnica do merecimento e do desempenho, e não a racionalidade política das disputas, das conversações, das negociações, dos acordos, das coalisões e/ou das concertações, algo improvável em uma sociedade democrática e pluralista.

d) A meritocracia esconde, por trás de uma aparente e aceitável “ética do merecimento”, uma perversa “ética do desempenho”. Numa sociedade de condições desiguais, pautada por lógicas mercantis e formada por pessoas que tem não só características diferentes mas também condições diversas, merecimento e desempenho podem tomar rumos muito distantes. O Mário Quintana merecia estar na ABL, mas não teve desempenho para tal. O Paulo Coelho, o Sarney e o Roberto Marinho estão (ou estiveram) lá, embora muitos achem que não merecessem. O Quintana, pelo imenso valor literário que tem, não merecia ter morrido pobre nem ter tido que morar de favor em um hotel em Porto Alegre, mas quem amealhou fortuna com a literatura foi o Coelho. Um tem inegável valor literário, outro tem desempenho de mercado. O José, aquele menino nota 10 na escola que mora embaixo de uma ponte da BR 116 (tema de reportagem da ZH) merece ser médico, sua sonhada profissão, mas provavelmente não o será, pois não terá condições para isto (rezo para estar errado neste caso). Na música popular nem é preciso exemplificar, a distância entre merecimento e desempenho de mercado é abismal. Então, neste mudo em que vivemos, valor e resultado, merecimento e desempenho nem sempre caminham juntos, e talvez raramente convirjam. 

Mas a meritocracia exige medidas, e o merecimento, que é um juízo de valor subjetivo, não pode ser medido; portanto, o que se mede é o desempenho supondo-se que ele seja um indicador do merecimento, o que está longe de ser. Desta forma, no mundo da meritocracia – que mais deveria se chamar “desempenhocracia” - se confunde merecimento com desempenho, com larga vantagem para este último como medida de mérito.

e) A meritocracia escamoteia as reais operações de poder. Como avaliação e desempenho são cruciais na meritocracia, pois dão acesso a certas posições de poder e a recursos, tanto os indicadores de avaliação como os meios que levam a bons desempenhos são moldados por relações de poder; e o são decisivamente. Seria ingênuo supor o contrário. Assim, os critérios de avaliação que ranqueiam os cursos de pós-graduação no país são pautados pelas correntes mais poderosas do meio acadêmico e científico; bons desempenhos no mercado literário são produzidos não só por uma boa literatura, mas por grandes investimentos em marketing; grandes sucessos no meio musical são conseguidos, dentre outras formas, “promovendo” as músicas nas rádios e em programas de televisão, e assim por diante. Os poderes econômico e político, não raras vezes, estão por trás dos critérios avaliativos e dos “bons” desempenhos.

Critérios avaliativos e medidas de desempenho são moldáveis conforme os interesses dominantes, e os interesses são a razão de ser das operações de poder; que por sua vez, são a matéria prima de toda a atividade política. Então, por trás da cortina de fumaça da meritocracia repousa toda a estrutura de poder da sociedade.

Até aí tudo bem, isso ocorre na maioria dos sistemas políticos, econômicos e sociais. O problema é que, sob o manto da suposta “objetividade” dos critérios de avaliação e desempenho, a meritocracia esconde estas relações de poder, sugerindo uma sociedade tecnicamente organizada e isenta da ingerência política. Nada mais ilusório e nada mais perigoso, pois a pior política é aquela que despolitiza, e o pior poder, o mais difícil de enfrentar e de combater, é aquele que nega a si mesmo, que se oculta para não ser visto.

e) A meritocracia é a única ideologia que institui a desigualdade social com fundamentos “racionais”, e legitima pela razão toda a forma de dominação (talvez a mais insidiosa forma de legitimação da modernidade). A dominação e o poder ganham roupagens racionais, fundamentos científicos e bases de conhecimento, o que dá a eles uma aparente naturalidade e inquestionabilidade: é como se dominados e dominadores concordassem racionalmente sobre os termos da dominação.

f) A meritocracia substitui a racionalidade baseada nos valores, nos fins, pela racionalidade instrumental, baseada na adequação dos meios aos resultados esperados. Para a meritocracia não vale a pena ser o Quintana, não é racional, embora seus poemas fossem a própria exacerbação de si, de sua substância, de seus valores artísticos. Vale mais a pena ser o Paulo Coelho, a E.L. James, e fazer uma literatura calibrada para vender. Da mesma forma, muitos pais acham mais racional escolher a escola dos seus filhos não pelos fundamentos de conhecimento e valores que ela contém, mas pelo índice de aprovação no vestibular que ela apresenta. Estudantes geralmente não estudam para aprender, estudam para passar em provas. Cursos de pós-graduação e professores universitários não produzem conhecimentos e publicam artigos e livros para fazerem a diferença no mundo, para terem um significado na pesquisa e na vida intelectual do país, mas sim para engrossarem o seu Lattes e para ficarem bem ranqueados na CAPES e no CNPq. 

A meritocracia exige uma complexa rede de avaliações objetivas para distribuir e justificar as pessoas nas diferentes posições de autoridade e poder na sociedade, e estas avaliações funcionam como guiões para as decisões e ações humanas. Assim, em uma sociedade meritocrática, a racionalidade dirige a ação para a escolha dos meios necessários para se ter um bom desempenho nestes processos avaliativos, ao invés de dirigi-la para valores, princípios ou convicções pessoais e sociais.

g) Por fim, a meritocracia dilui toda a subjetividade e complexidade humana na ilusória e reducionista objetividade dos resultados e do desempenho. O verso “cada um de nós é um universo” do Raul Seixas – pérola da concepção subjetiva e complexa do humano - é uma verdadeira aberração para a meritocracia: para ela, cada um de nós é apenas um ponto em uma escala de valor, e a posição e o valor que cada um ocupa nesta escala depende de processos objetivos de avaliação. A posição e o valor de uma obra literária se mede pelo número de exemplares vendidos, de um aluno pela nota na prova, de uma escola pelo ranking no Ideb, de uma pessoa pelo sucesso profissional, pelo contracheque, de um curso de pós-graduação pela nota da CAPES, e assim por diante. Embora a natureza humana seja subjetiva e complexa e suas interações sociais sejam intersubjetivas, na meritocracia não há espaço para a subjetividade nem para a complexidade e, sendo assim, lamentavelmente, há muito pouco espaço para o próprio ser humano. Desta forma, a meritocracia destrói o espaço do humano na sociedade.

Enfim, a meritocracia é um dos fundamentos de ordenamento social mais reacionários que existe, com potencial para produzir verdadeiros abismos sociais e humanos. Assim, embora eu tenda a concordar com a tese da Marilena Chauí sobre a classe média brasileira, proponho aqui uma troca de alvo. Bradar contra a classe média, além de antipático pode parecer inútil, pois ninguém abandona a sua condição social apenas para escapar ao seu estereótipo. Não se muda a posição política de alguém atacando a sua condição de classe, e sim os conceitos que fundamentam a sua ideologia. 

Então, prefiro combater conceitos, neste caso, provavelmente o conceito mais arraigado na classe média brasileira, e que a faz ser o que é: a meritocracia.

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Comentários

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Carlos Prado

Só discordo quanto a classe

Só discordo quanto a classe pobre não ser meritocratica e que ela viva sem oportunidades. Tanto que a classe média aumentou em muito(não só pela maquiagem estatística do atual governo) e esse contigente de médios não acredito vir dos ricos. Claro que as oportunidades não são muitas e fáceis.

Também não teria como ser com tanta burocracia e impostos. Fica difícil para o empresário abaixar seus custos de produção, dando um poder de compra maior ao pobre e permitindo que este invista em educação em vez de trabalhos pouco remunerados logo cedo, fica difícil abrir um négocio, fica díficil montar uma escola acessível a todos, fica difícil contratar alguém mesmo que por pouco para que este adquira experiência e possa se sustentar. A pobreza é a constante no mundo. Estamos cada vez mais ricos e saindo de um vida pela sobrevivência para nos permitir futilidades e utilidades além de energia para mais um dia. E o Brasil tem tanto potencial para reduzir a pobreza porém o governo se mantem constantemente atrapalhando, prolongando mais a eterna constante que é a pobreza.

Mas não vejo os pobres como não meritocráticos. Alguns não o são, mas nisso não me parecem tão homogêneos. Os que são podem estar diminuindo em número por conta do estado "social" que esta sendo construido.  Mas principalmente os mais antigos valorizam o trabalho bem-feito, muitas vezes metódico(como o dos pobres pedreiros de antigamente que não se vê nos de hoje) e almejam dar aos filhos também uma profissão. Hoje realmente parece menos, não sei se devido ao estado assistencialista.

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Antonio Carlos da Conceição

Pelo que entendi do texto, a

Pelo que entendi do texto, a classe baixa não é meritocrática, pois aqueles que a integram, pelos motivos expostos no texto,   não têm a meritocracia como justificativa da sua condição social. Aqueles que ascenderam pelo "mérito" não mais integram a classe baixa.

É contraditório você pugnar por menos impostos e por boa escola acessível a todos. Boa escola acessível a todos custa caro. 

É muito difícil ascensão social sem alguma ajuda do Estado. Talvez esse contingente de novos integrantes da classe média decorra das opções políticas do governo petista, demonstrando que só o mérito individual não é suficiente.

Minha vida é um exemplo de ascensão social graças ao Estado. Sou de família pobre, estudei em escolas e universidades públicas e sou funcionário público. Na minha juventude não vislumbrava a menor possibilidade de ganhar a vida sem esses recursos (no caso do cargo público o recurso é o concurso).

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marcia furlan

Isto me fez pensar...os

Isto me fez pensar...os motivos que levam pessoas egoístas a alcançarem cargos de poder...e diante da necessidade alheia exigir moeda de troca...de forma que pra serem justos...precisamos pagar...é bem verdade que meritocracia é uma cortina de fumaça...camufla a verdadeiras intenções...algo bem fácil de se observar no dia-a-dia....a falsa meritocracia...ótimo texto

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Adria

Excelente texto!

Concordo em absouluto com o autor. Excelente texto, e os comentarios contra so reforcam seus argumentos sobre a meritocracia. Náo canso de recomendar o texto a professsores, profissionais e alunos!

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paula borges

Fora a Meritocracia!

Fora a Meritocracia!

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DERMIVAL GUSMÕES

Desvendando espuma.

O autor tem sua opinião, devemos respeitar. Mas eu pergunto: será que ele já esteve em Cuba? Será que ele frequentou escola pública (pelo menos após a saída dos militares)? Será que ele viu a nova classificação social, onde a alta classe alta tem rendimento familiar aproximadamente 3 vezes maior que a baixa classe alta (não tem média classe alta!)? Será que ele já pediu a algum jovem, egresso do ensino médio, de alguma periferia, para escrever um texto? Será que já perguntou porquê não se investe seriamente em educação?  Será que já perguntou porquê não se prestigia o professor, dando-lhe salário digno e condições de trabalho adequada, além  de  fazer a capacitação profissiconal atualizada com frequência, dando ao aluno o conhecimento necessário para colocá-lo em igualdade de condições ao mais afortunados monetariamente (acredito firmemente que não é utopia), afastando aquela autodepreciação de que é pobre e não tem condições de competir? Será que ele admite o trabalho escravo?

 

Que venham os médicos cubanos, são bem vindos (pelo menos eu penso assim), pois todos somos cidadãos do mundo (como disse Charles Chaplin), mas que o fruto do trabalho deles seja para eles!!! 

A máscara da nova classificação social coloca até indigentes que pedem esmolas nas ruas na classe média. Para mim isso é um perigo em termos de manutenção da democracia. Igualar demais desvirtua a sociedade, pode afastar o ânimo para o trabalho, para o progresso. Um pedinte que fique algumas horas numa esquina de movimento médio tem rendimento maior que um indivíduo da classe média que tenha emprego formal e obrigações sociais a atender. E mais, ele ainda terá direito às benesses que são oferecidas pelo governo. Eu gostaria de saber como é a classificação social em Cuba atualmente, pois pelas notas que temos como notícias lá só há o governo e o resto. 

Nosso país é lindo em todos os aspectos, menos no político! Estou deveras preocupado com o futuro, como ficará nossa sociedade daqui a alguns anos.

Como disse a "dama de ferro": O socialismo só dura enquanto durar o dinheiro dos outros. 

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JBezerra

Vamos ler o texto??. O

Vamos ler o texto??.
O problema da população em geral é óbvio: preguiça de ler.
Principalmente o pessoal modinha que aprendeu a bater no governo, mas não sabe discutir fundamentando sociologicamente certos conceitos.
O texto por começar com uma defesa ao Mais Médico e por citar Marilena Chauí já é recebido com criticas e fuzilado com adjetivos não condizentes.
O cara tenta atacar o texto com uma critica feita pelo proprio texto. Bacanaaa.

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Syllas Valadão

O SUS não da segurança

Nassif, descreve uma situação e faz a conclusão, desmerecendo o TODO. 

Ele concluiu que por não haver nos EUA um sistema de saúde pública como o SUS, logo  "O mérito não dá segurança social alguma".  Ora, isso é totalmente relativo. Depende da pessoa, dos investiemtos que faz, se tem seguro saúde, ou se tem outros seguros e investimentos.

Ou seja, se o sujeito não investiu em seguro e não produziu pra se assegurar, logo...  não há mérito, e consequentemente não há segurança.

Outra coisa: O SUS é que não da segurança.

No Brasil se o sujeito não paga plano de saúde para não precisar do SUS, que demora 7 meses para fazer uma cirurgia, ele morre. Do que vale o SUS se vc não é atendido quanto precisa, e tem que pagar por fora quando precisa de algo? O mérito nesse caso fica com quem trabalhou e paga seu plano de saúde separado.

Minha prima teve cancer, e o SUS enrolou tanto que ela morreu antes de fazer a cirurgia. 

A conclusão é meio canalha e boboca, existem ainda diversos pontos a se considerar.

Deu preguiça ao perceber que ele escreve tanto, dá tanta volta pra então concluir as coisas de modo tão estreito, restrito, superficial e limitado.

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J.R.

Salada de 171

Você mistura tudo. Para você não importa que um traficante de drogas chegue a ser Presidente da República. O importante é todos, indistintamente, sem opção de escolher, comam feijão com "abóbra" sem tempero. Individualismo e coletivismo são coisas distintas e devem ser tratadas de forma diferenciada. São valores diferenciados e apropriados cada um no seu contexto. Imagine, no meio de uma praça pública, uma demonstração coletiva de sexo explícito! Deixa de enrolação. Devias fazer aqui um balanço de quantos "sem teto" você abriga no teu apto e como divides com o coletivo o teu salário.  É o tipo de "pensador" egoísta que quer manter o pobre na pobreza para se beneficiar com seus discursos. E como não deve ter tido competência para possuir um belo patrimônio material "imagina" que os herdeiros dos ricos são todos analfabetos e assim deveriam ser. Porca miséria!

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Gpts

Acho que você que não entendeu

Ele separou muito bem...o mérito existe, o problema é se apoiar no mérito para justificar posições de classe, principalmente aqui no Brasil, onde terras e riquezas estão na mão de poucos, desde a época da distribuição das Capitanias Hereditárias para os "nobres" portugueses, o que acabou contribuindo para o latifundio e consequentemente, para a desigualdade social. Se as pessoas tivessem terras para produzir,trabalharia pra si e para sua subsistencia, daí trabalhar para outros seria uma escolha...veja que o mérito não aparece nesse cenário...só aparceria se ela quisesse dedicar o tempo que lhe sobrasse para realizar algum trabalho para atender necessidades de terceiros e receber grafificações por isso...nesse caso, essa terceira pessoa poderia contratar o serviço de quem ela quisesse, podendo também escolher através da observação da qualidade de cada um. Isso é um cenário de igualdade. Aqui no Brasil, o governo pelo menos teria que dar moradia e alimentação gratuitos para as pessoas, para compensar a escasses dos meios de produção provocada pelos latifundios, e que por conicidencia, seus donos estão lá no congresso. Daí fica difícil né! isso é o princípio das lutas sociais, e não tem nada haver com premiar traficantes!

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DK

Não entendeu ou está sendo tendencioso

Realmente parece que o Sr. J.R. não entendeu bem o texto, ou então apenas discorda e está sendo tendencioso ao tentar afirmar seu ponto de vista atacando o autor com argumentos falaciosos clássicos, desenvolva um contra-argumento válido ao invés de apenas tentar desmerecer a opinião bem embasada do autor e ai talvez seu comentário possa ter algum valor.

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Lukas_GD

Sergio Buarque de Holanda

Sergio Buarque de Holanda (Raízes do Brasil) e Raymundo Faoro (Os Donos do Poder)  esclarecem muito mais sobre o Brasil atual que Marilena Chauí. Para ficar nos autores mais recentes, da mesma geração de Chauí, Philippe Schimitter, falando sobre corporativismo e patrimonialismo, é muito mais esclarecedor. Se houvesse, de fato, no Brasil uma ideologia da classe média ou, melhor, caso essa ideologia fosse a meritocracia, ainda que a meritocracia perversa que o autor descreve, estaríamos num patamar muito melhor.    

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A Meritocracia Objetivista é incapaz de valorar.

Eu não acho que exista um problema essencial nos ideais meritocráticos em abstrato. O problema maior ocorre quando a Meritocracia é a pedra fundamental de todo o pensamento de uma classe social.

Uma ideologia pautada na Meritocracia é, por natureza, uma ideologia que busca fundamentos em uma pretensa "racionalidade objetiva pura". O grande problema de ideais pautados em "racionalidade objetiva pura" é que toda "racionalidade objetiva pura" é incapaz de valorar. O objetivismo é ótimo para lidar com premissas estabelecidas (ou "constantes")  e processá-las. É assim que um computador funciona: ele não cria novos valores, apenas processa valores previamente estabelecidos (para mais sobre isso, ler sobre o "Turing Test" e Inteligências Artificiais).

E por que isso é um problema que acaba se manifestando de maneira tão nefasta na nossa classe média? Simples. Acompanhe o raciocínio. Você tem uma legião de seguidores da Meritocracia, que acreditam que a miséria ou o sucesso devem ser baseados em seus "méritos". Ora, mas o que é digno de mérito em uma sociedade? Isso está longe de ser uma questão objetiva. Isso é uma questão POLÍTICA. Quem define o que é digno de mérito ou não em uma sociedade não é a razão. A razão não faz esse tipo de coisa. Nós não somos uma colmeia, e provavelmente nunca chegaremos a um acordo comum em relação a isso. E assim o é com qualquer dilema político.

Ou seja: o que define o que é digno de mérito são os embates políticos e a atividade política, e não um processo pretensamente técnico ou objetivo. E isso acontece invariavelmente. Até mesmo a ideia de usar critérios x ou y, pretensamente objetivos, para definir o que é digno de mérito, é também uma opinião política.

O mal da nossa classe média é que a meritocracia nos deixa cegos e apáticos aos jogos políticos. Uma classe fundada em meritocracia pura é incapaz de questionar os valores estabelecidos por aqueles que efetivamente controlam o jogo político. Ou seja, a pergunta na mente das pessoas de classe média é sempre "Fulano recebeu o que merece?", quando deveria ser "O que é digno de merecimento?". Essa segunda pergunta é sempre posta de lado e analisada de maneira muito superficial.

Exemplificando: considere um jovem que trabalha arduamente. Ele veio da baixa classe média e batalhou bastante, estudou, passou no vestibular, se formou em Publicidade em uma Universidade Pública e passou a trabalhar numa grande empresa. Trabalhou bastante, ascendeu na empresa pelo seu próprio talento e conseguiu melhorar suas condições sociais, graças aos seus serviços nessa grande empresa de publicidade.

Esse é um exemplo clássico que a classe média consideraria "meritocrático". Se esse jovem compra um carro do ano e um espaçoso apartamento pra viver, é porque ele "merece". Não roubou ninguém, apenas estudou, trabalhou e recebeu o que lhe era devido.

Né?

Perceba que durante todo esse exemplo, em nenhum momento chegamos a discutir os valores que estavam em jogo. Esses valores já estavam previamente decididos. Mas mesmo assim, já pareceu razoável admitir que esse jovem merece o que tem.

Que valores? Considere isso agora: a empresa para a qual ele trabalha faz marketing forte para uma certa marca de refrigerante (refrigerante esse associado a diversos malefícios à saúde). A vida do jovem rapaz trabalhador consiste em convencer as outras pessoas do mundo que elas devem comprar e consumir o tal refrigerante. Ele é muito bom nisso, e por isso é muito bem pago. Mas aí vai a questão: por que ele merece ser recompensado pela sociedade? Qual é a função social do serviço que ele presta, e pelo qual é bem recompensado?

A classe média meritocrática não pergunta isso. Ela não se preocupa com isso. Esses valores não são decididos por ela. Alguém lá em cima decidiu que vender os tais refrigerantes é um valor a ser estimado pela sociedade (quando na verdade, é um valor de interesse daqueles que mais se beneficiam com isso: grandes empresários, herdeiros, lobistas etc).

Os três únicos fatores com os quais a Meritocracia parece se preocupar (para dizer se algo é ou não digno de mérito) são:

1. Exige grande esforço?

2. Dá dinheiro?

3. É permitido pela lei? (e esse aqui ainda costuma ser bastante relativizado)

E pronto. A meritocracia, por fim, não constrói ou questiona qualquer valor estabelecido pela sociedade. Apenas os reproduz. Em um sistema efetivamente democrático, com plena participação da população nos processos políticos, em que todos refletissem e lutassem para construir valores morais e sociais efetivamente úteis a toda a sociedade, e não só a algumas parcelas da população, um pensamento meritocrático a complementar os demais ideais seria excelente. Mas uma meritocracia sem participação política é só uma linha de montagem automática, alimentada de valores arbitrários úteis apenas aos que efetivamente detém o poder político.

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Humberto_B_A.

A política é capaz de valorar ?

Mas como seria delegar à política algum juízo de valor ? Isso não me parece nem um pouco razoável. As mesmas regras que se aplicam aos detentores do poder atual como você mesmo citou (grandes empresários, herdeiros, lobistas etc), não se aplicariam ao poder exercido pelos políticos ? O que lhe faz crer que valores seriam melhor trabalhandos no ideal político-estadista vigente do que nas concepções de meritocracia ? O cabedal ideológico que dá significado ao "poder" não faz distinção entre aristocratas e políticos. São todos homens, com suas pretensas ambições individuais ou de grupo. Você expóe seus argumentos com bastante clareza e articulação, mas a posição conclusiva ainda me parece frágil. A meritocracia não encerra "valores", mas em minha opinião deve ser um dos sustentáculos de uma sociedade digna e próspera. Mesmo porque nunca conseguiremos regular todos "valores" da coletividade sob a régua do Estado. Este deveria se ocupar apenas dos valores básicos (direito à vida, justiça, educação de base, direito à propriedade, etc). Todos os demais são subjetivos e sujeitos ao crivo das experiências e contexto sócio-cultural do indivíduo.

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Cesar Masano

Toqueville, minorias e Alemanha

Muito bom o texto! Não sei se o autor conhece, mas seria muito útil (e a todos que aqui comentam) entender a obra de Toqueville. Toqueville é um francês que tentou entender as diferenças entre Europa e EUA no século XIX. No final, ele prefere o sistema democrático americano e seus valores à Monarquia européia. Porém, aponta que numa sociedade sem muita mudança social, onde filho de sapateiro será sapateiro, o resultado é o melhor sapato do mundo. Enquanto que nos EUA seria um monte de sapatos ruins e baratos que atenderiam o mercado e enriqueceria a pessoa, que mudaria de classe social.

Numa Floresta tinha uma pequena clareira ás margens de um pequeno lago. Abriram uma pequena estrada e carros passaram a poder chegar na clareira. Os macacos, tucanos, tamanduás, todos se alegraram pois cada vez tinha mais gente aparecendo e dando comida. Depois de um tempo todos juntos decidiram: vamos aterrar um pedaço do lago para assim vir mais gente e assim teremos mais comida! Só esqueceram de perguntar pro casal de peixes que viviam no lago... Assim como não perguntam para os Índios Kayowa...

Na Alemanha, onde vivo ha mais de 3 anos, são inúmeros os benefícios (Bolsas, para quem quiser). Se vc tem um filho, vc vai receber dinheiro do governo até ele sair da escola, não importa sua classe social. Se vc não tem dinheiro pra pagar o aluguel, o governo te ajuda. Seguro desemprego? tem muita gente na Europa que vive disso. E por assim vai.

Existe uma política. Existem valores. Muito antes do mérito de cada um. Não são frutos de uma 'meritocracia'. Porém, mérito existe e sempre vai existir. Democracia não é a vontade da maioria, mas sim como lidar com as minorias.

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Raphael Nagao

ótimo texto, parabéns.

O problema não reside na meritocracia, mas sim na sua métrica. Ainda sob condições de oportunidades normalizadas, a segregação entre diferentes níveis de sucesso será regida pelo mérito.

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Marcio Lino

Um exemplo real

Concordo com o que disse, Raphael, e quero ilustrar sua fala com um exemplo que presenciei na Austrália, onde vivi por 10 meses. Lá existe desigualdade social, mas ela é consentida e muito menos cruel do que a que existe no Brasil porque todos os cidadãos australianos tem iguais oportunidades na vida. Um homem que se satisfaz em ter uma casa simples e comida na mesa trabalhando apenas 4h por dia não reclama daquele que tem uma mansão em frente ao mar mas que trabalha 10h por dia. Acima de tudo, o primeiro não reclama do segundo porque, se aquele quisesse, ele teria condições de estudar e trabalhar para também poder comprar uma mansão em frente ao mar. A meritocracia também existe lá, mas ela é menos cruel do que a brasileira porque as condições de oportunidade são normalizadas.

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ThVY

O mérito

Vejo que as pessoas estã discutindo meritocracia sem mesmo definir o conceito antes. Vamos definir assim: Meritocracia seria a alocação de determinado recurso aos mais competentes numa determinada área. Só que este conceito é uma função f(x) que necessita de um parâmetro x, neste caso, o que é ser mais competente, melhor. A comparação Paulo Coelho - Mário Quintana é útíl para elucidar isso. Para um critério definido por um grupo que vamos chamar de críticos intelectuais, Mario Quintana é o mais competente.  (Eu mesmo sou um apreciador de sua obra). Mas para o mercado, Paulo Coelho é o melhor, pois soube agradar os consumidores majoritários. Então o mercado, a "mão invísivel", alocou o sucesso financeiro á Paulo Coelho. Justo? Ao mer ver, sim. O mercado é quem deve decidir o que é o melhor, pois ao contrário do governo (mesmo que este usasse critérios vistos como  "meritocráticos" como formação do escritor e avaliação do mérito técnico de sua obra), ele não impõem nenhum sistema á força, é apenas um consequência da busca das pessoas em satisfazerem seus desejos. O mercado prêmia quem agrada os consumidores, quem tem habilidade de medir riscos e perceber necessidades e desejos. Outros critérios, por mais sensatos (como uma tecnocracia, por exemplo) que pareçam, se dependem da imposição de um sistema via Estado (legislação, etc), violam a liberdade individual. Acho que os Estados Unidos foi o país que chega mais perto de aplicar isso, daí seu sucesso maior. 

Vejam mais exemplos. Mesmo que o governo premiasse pesquisas inovadoras com financiamento (bancado por impostos), algo visto como justo pela maioria, ainda seria contra-produtivo, pois se estas pesquisas fosses mesmo úteis para alguém, poderiam conseguir financiamento no setor privado como ocorre nos EUA. 

Não há necessidade de buscar implantar a meritocracia. Se o mercado for livre, desregulamentado (sem restrições a competição e a livre iniciativa), e o governo se limitar a manter duas funções (Defesa da propriedade privada e justiça), a meritocracia (por critérios de mercado) surgiria naturalmente.  Qualquer tentativa de impor algum critério de avaliação pelo governo frustra esse processo. 

Quanto a esse assunto dos médicos cubanos, gostaria de dizer, que eu não me oponho que qualquer estrangeiro venha exercer qualquer função aqui se vier de livre e espontânea vontade. Não vejo propósito em provas obrigatórias pela força do Estado.  Se eu quiser contratar um médico sem revalidação ou qualquer outra certificação, eu estou por minha conta em risco. Mas sou eu quem deve decidir isso.

Abraços, um libertário. 

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Tony_SP

Adivinha se não é funcionário público...

Não que todos os funcionários públicos pensem assim, mas um texto como esse contra a meritocracia só poderia vir da mente de um funcionário público, que vive no mundo do faz de conta da estabilidade do emprego, aposentadoria integral e isonomia salarial, independente da real competência da pessoa. É por causa desse pensamento esquerdopata seu, citando ainda a "musa intelectual" da esquerda a Marilena, que tudo anda a passos de tartaruga nesse país. Para que ser competente? Não existe meritocracia mesmo...E outra coisa o autor escreve como se ele mesmo não fosse parte dessa terrível "classe média" brasileira.

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Rodrigo Alves

O que te fez mais competente

O que te fez mais competente que outro? sua capacidade de PRODUZIR mais? Pessoas como você são as mesmas que jamais aceitariam ver um pobre coitado subindo na vida sem ter tido as mesmas oportunidades que você. A falta de meritocracia não sustenta vagabundo, pelo contrário, ela abre oportunidade para todos, trazendo igualdade de oportunidades. Continue produzindo.

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Tony_SP

A capacidade de produzir mais e melhor

Sim, a produtividade de alguém é fator preponderante e é assim que tem que ser. Não sei se trabalha e onde trabalha, mas no mundo real da iniciativa privada, se você não produz mais do que o custo que gera, você está fora. Simples assim. E não tenho problema nenhum com um "pobre coitado" ganahdno mais do que eu, até porque sou filho de operário que estudou a vida inteira em escola pública, pagou a própria faculdade  e só estou onde estou por algo chamado meritocracia! Gostaria que me citasse um país de primeiro mundo em que a meritocracia não estive no cerne da cultura local e do mercado de trabalho.

 

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Cesar Masano

Vc não entendeu o texto...

Vc tem mérito e conseguiu. Parabéns! Tem muitos outros que tb têm mérito mas que não conseguiram... o texto é sobre isso.

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Ruan

Procure estudar um pouco mais

Procure estudar um pouco mais sobre os países da Europa.

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Maria Siva

Atendimento de sua mãe

Como algúem pensar que em qualquer nível sociedade, é possivel não existir algum tipo medida meritocrática para organizar quem faz o que? E pensar que isso é uma "arma" da classe média para manter os pobres mesmo pobres?  Eu só posso ver isso como uma tentativa do autor de agradar ao status-quo, e nada mais.

Hoje em dia, quem mantém os pobres pobres é a politica do governo que não pensa e não investe a longo prazo. Isso é que vai manter os pobres pobres daqui a 10 ou 15 anos, com ou sem bolsa família. Os pobres vão estar pobres não é pelo fato de que os pais de alguém passaram grandes dificuldade, em duas gerações, para que alguém pudesse estudar. Ou os que não tiveram chance acham que todos que estudaram vieram de famílias ricas? Agora essa pessoa que se esforçou é a opressora daqueles que nao tiveram chances? Perá aí...

Quando ouço esse tipo de comentario, eu em geral pergunto ao autor se ele gostaria que sua mãe doente fosse tratada por alguém que tirou as piores notas da classe. Quem vai responder sim aqui?

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Rodrigo Alves

E se um gari ganhar mais do

E se um gari ganhar mais do que vocÊ, o que você vai fazer? ele não teve meritos, vc é algo mais importante que ele. A não aplicação da meritocracia não esta relacionada a vadiagem, é o simples fato de igualar as pessoas a um mesmo degrau.  Que moral uma pessoa da classe média tem pra falar de quem tem bolsa familia e chamar esse povo de vagabundo? As pessoas que usam bolsa familia na sua maioria não tiveram a oportunidade que o estado deveria lhes proporcionar e na contra mão elas tem as mesmas necessidades que uma pessoa de classe média e rica têm. As pessoas que falam isto são as mesmas que estão sentadas em seus confortaveis lares estudando para passar em um concurso e trabalhar nada e ganhar muito,  porque se funcionalismo público fosse bom não seria esssa maravilha que os proprios coxinhas reclamam. Não se trata de ser de esquerda ou direita, se trata de ser justo seja lá qual bandeira for.

 

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helbert campos

O autor não conhece a

O autor não conhece a realidade européia ou a americana. A sociedade americana é fundada e baseada na meritocracia. Há países europeus que não valorizam a meritocracia, de certa forma, como Portugal, Espanha e França, mas são exatamente os países mais decadentes da Europa. Os países que se apoiam extremamente na meritocracia (países nordicos, Inglaterra e Alemanha) são os que têm melhores condições econômicas e sociais. O pobre brasileiro que aproveita a educação que lhe é disponível e que trabalha, pode conseguir melhorias econômicas e sociais. Como em qualquer país do mundo, a evolução é feita em gerações: o pai trabalha, ensina o filho a trabalhar e a terceira geração terá uma melhor condição de vida.

Toda sociedade organizada faz com que os mais capazes trabalhem para sustentar os menos capazes. Mas, para que os mais capazes trabalhem por 10 ou 20 menos capazes, eles têm que ser recompensados. E estas recompensas são estímulos financeiros, que foçosamente serão distribuídos desigualmente. A instituição da recompensa igual para todos leva o país à falência. Como o que ocorreu com Cuba, URSS, Coréia do Norte, Vietnâ, etc.

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Gpts

Meritocracia no Brasil é diferente

O problema é que aqui, não há condições iguais de oportunidades, justamente porque o histórico de nossa sociedade reservou terras e riquezas para uma pequena parcela causando desigualdade. Na desigualdade a meritocracia fica descalibrada. E outro problema é o preconceito. Quem obteve méritos, acha que todos poderiam ser igual a ele, mas mesmo que um pobre se esforce e consiga ascender socialmente, terão outros milhões que não conseguirão, e mesmo que eles quiserem, não havera emprego pra todos. Condições iguais seria se todos pudessem ter pelo menos, moradia e alimentação gratuítos, e não, ter que trabalhar para obter esses direitos fundamentais.

 

 

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Reinaldo Favoreto

meritocracia

Se os cubanos fizessem a provinha de medicina e passassem, não precisaria tanta filosofada pra explicar um zero na prova. Pra ser médico não tem que merecer, tem que estudar e parar de choramingar e inventar termos idiotas como "meritocracia" e "nota10cracia" , "eficienciocracia"

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Renato Fileto

Há diversos pressupostos

Há diversos pressupostos errôneos ou sem qualquer sustentação neste artigo. Quem viveu em locais com América do Norte e Europa sabe que a meritocracia é muito mais forte nesses locais que no Brasil, e provavelmente ainda mais no Oriente desenvolvido e no emergente. A meritocracia tem suas virtudes e colaborou para que muitas nações se desenvolvessem, tanto econômica quanto socialmente. Aliás, sua aplicação é muito falha no Brasil, onde os indivíduos muitas vezes conseguem as coisas tirando vantagem dos outros, sem nenhum mérito, mas usando influência. Porém, obviamente, como tudo no mundo, a meritocracia não é uma panaceia e não pode ser levada ao extremo. Precisa ser temperada com amor, compaixão e solidariedade. Na minha opinião, alguns dos maiores problemas do Brasil são na verdade a ignorância, a falta de instrução adequada e de ênfase no bem comum. Há muitas evidências que esses são nossos grandes inimigos, em todas a classes sociais.

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Lucas Mourao

"a) A meritocracia propõe

"a) A meritocracia propõe construir uma ordem social baseada nas diferenças de predicados pessoais (habilidade, conhecimento, competência, etc.) e não em valores sociais universais (direito à vida, justiça, liberdade, solidariedade, etc.). Então, uma sociedade meritocrática pode atentar contra estes valores, ou pode obstruir o acesso de muitos a direitos fundamentais."

Isso nao eh verdade, essa conclusao eh falaciosa.
Dentro do merito estah incluida a aceitação do desempenho. Quem determina se vc eh merecedor de alguma coisa nao eh sua inteligencia, conhecimento ou competencia e nem muito menos o seu esforço e sim o medidor do seu desempenho que eh a sociedade. Isso significa que numa meritocracia a liberdade, solidariedade e justiça sao fatores fundamentais, eh impossivel haver uma meritocracia sem essas coisas...
Na verdade quando ha um sequestro da meritocracia por parte do estado que visa "nivelar as diferenças" eh que vc destroi completamente os valores de justiça, direito a vida, liberdade, solidariedade....
Pq quando ocorre tal sequestro o estado pode dizer que sua habilidade, conhecimento, comeptencia e esforço estao desnivelados por conta da sua classe social ou historia de vida e por tanto age como mediador compensando as pessoas que se encontram em "desvantagem".
O problema dessa compensaçao eh q o estado nao tem a capacidade de definir quem eh o merecedor de alguma coisa e por tanto escolhe vencedores e perdedores a esmo, geralmente favorecendo os perdedores.

O welfare state nos paises citados nao entrou em colapso atoa, ele entrou em colapso pq numa cultura onde os vencedores sao escolhidos pelo estado e nao pelo povo vc cria um sistema onde nao ter uma boa performance eh vantajoso... esse sistema eh sequestrado pelas grandes corporaçoes tambem, nao apenas pelo povo... e daih eh q vc tem um sistema fascista. Que premia o fracasso....

A meritocracia nao eh perversa, a meritocracia foi pervertida pelo estado e usada pra colocar a populaçao em cheque e os bilionarios no poder.

A classe media brasileira nao pode ser reacionaria, pq isso seria dizer que eles querem voltar a um passado onde esses valores existiam... tal passado nunca existiu, ao menos nao no brasil... A unica semi meritocracia que eu conheco foi os EUA no seculo XIX... fora isso nao sei de nenhuma e dizer que a classe media brasileira almeja voltar aos eua do sec XIX eh meio esquisito...

O modelo mais democratico que eu conheço eh a meritocracia... pq a meritocracia depende diretamente do livre mercado (livre mesmo, sem interferencia estatal ou de votos da maioria).... pq o livre mercado eh a unica forma de a vontade da maioria se fazer valer, pq depende diretamente da seleçao do povo pra funcionar.
Como vc sabe se um cantor eh melhor que o outro? pelo timbre da voz? pela complexidade das musicas ou da melodia? nao... vc sabe que um cantor eh melhor que o outro pela aceitaçao popular, aplique a lei de Darwin no mercado e vc vai ver o que eh democracia de verdade.
Quando vc sequestra a vontade do povo e coloca o estado como middle man vc destroi a democracia e cria uma ditadura do 50%+1, essa ditadura eh facilmente sequestrada pelas pessoas disputando o poder, pq tudo que vc tem q fazer eh vender um peixe mais bonito... vc nao precisa nunca entregar o peixe, vc soh precisa prometer... e o que vc usa como collateral pra manter essa promessa? Cobrar impostos dos que foram bem aceitos pelo povo... o que acontece em seguida? os mais poderosos dentre os que foram bem aceitos pelo povo se afiliam aos politicos pq esses agora detem impostos e empregos... e aih oq acontece? fascismo.... e o 50% + 1 passam a viver na coleira pro resto da vida... o sistema eh OBVIAMENTE insustentavel e entra em colapso... mas os bilionarios lah de cima e a classe politica NUNCA perdem... qm perde sao os 50% + todos os outros...

Nao confundir estadismo com meritocracia pra depois chamar a meritocracia de perversa.... pls.

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Monica Moraes

o mais interessante é a

o mais interessante é a meritocracia ao final do post e dos comentários... viram as notas em forma de "estrelinhas"????

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SANDRA SILVA

A meritrocacia

 

A meritrocacia nao e excludente as politicas sociais. O que vemos atualmente e uma politica , tambem, nefasta de beneses sem contrapartida. Um governo que uso os impostos de quem merece de maneira pouco transparente e em politicas que nao apontam para uma mudanca social. talvez tenha sido esta politica que tornou a classe media tao reacionaria como vc prega.

 

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guiomar

"meritocracia"

 Tava comentando isso com um amigo... Acho lindo esse negócio de "meritocracia". Ai uma pessoa que estudou num colégio de ponta a vida toda, que teve DINHEIRO de familiares pra estudar a vida toda, que não passou fome um dia sequer na vida como eu já passei, vem dizer que não deve haver cotas em prol da "meritocracia". O mérito foi por ter nascido do lado positivo da balança da desigualdade social? Quer ter mérito próprio, estude como eu a vida toda em colégio publico onde só tem aula dois dias na semana e entre no vestibular sem NENHUMA ajuda... Agora estudando em colégio ótimo e concorrendo com esta classe massacrada, não consigo visualizar meritocracia e sim SORTE de berço. Mas é um ponto de vista... não tiro o mérito de ninguém, muita gente merece estar onde está por merecimento próprio rico ou pobre, só acho que o correto é se observar uma situação com os olhos do outro também. Sou a favor de cotas para que todos neste país possam efetivamente ter condições iguais de concorrência...

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Rafael Franco Ferreira

     Ótimo texto, porém

     Ótimo texto, porém tendencioso à colocar a meritocracia como vilão das desigualdades sociais, quando na verdade ela é bem aceita pela classe média, por promover uma ascensão pessoal (social), por estar enraizada na justiça (no merecimento do trabalho realizado), e na alta probabilidade de avanços técnicos que esta pode proporcionar.

     O texto menciona em um momento os pontos positivos dessa ordem (meritocracia) .."A meritocracia propõe construir uma ordem social baseada nas diferenças de predicados pessoais (habilidade, conhecimento, competência, etc.)"  e trata todo resto de 'ruim' que esta traz (nos valores sociais e morais). Apesar desses pontos negativos continua, ao meu ver, que a meritocracia ainda seja melhor que acreditar e um Estado(Líder), que vai melhorar sua vida sem você tenha que fazer nada, prometer um paraíso e nada realizar.

É preferível a selvageria honesta, que a utopia falsa.

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José Augusto T Almeida

Releitura

Sugiro uma releitura do artigo, meu caro. O autor define o conceito de meritocracia a partir das relações de poder e interesse envolvidas no decurso. A meritocracia não é a culpada das desigualdades e sim o que está  "por trás" dela. Ela é uma forma de ideologia que sustenta essas práticas (segundo o texto).

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Jeziel

Deu mil voltas, mas o óbvio permanece

       Não dá pra questionar meritocracia. Todos esperamos alguma espécie de justiça na vida, em especial
na distribuição dos recursos escassos, que como tais devem ser distribuidos com algum critério - meritocracia é a escolha razoável.
       O que pode ser atacado são os critérios de mérito, que é o que o autor fez em algumas passagens, sem admitir. Insistiu em martelar 'meritocracia, meritocaria' ao mesmo tempo que lamentou por seus próprios critérios meritocráticos não serem os vigentes - e ao mesmo tempo que ignorou (apesar de citar) a utilidade destes critérios: O que mais prático e direto para incentivar desempenho do que premiar por desempenho? Isso não é 'perverso', e boas intenções não satisfazem demandas (e convenhamos - as pessoas so trabalham quando precisam). A "ilusória e reducionista objetividade dos resultados" não tem nada de ilusória, pois todos sabemos muito bem para que serve essa métrica.

Meritocracia é a única chance de ascensão de quem é honesto - natural que quem depende dela a defenda com unhas e dentes (e me surpreende tanta gente concordar com o texto).
 
Enfim - além de não concordar com a argumentação, o texto me pareceu bem enrolado...e não adianta dar mil voltas se o óbvio permanece.

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Rick

Vamos colocar os pingos nos "i". Qualificando as camadas sociais

O texto tenta dirigir o leitor a pensar que "meritocracia" é "coisa de classe média"...  de gente que não tendo como se manter por meios próprios e não tendo oportunidade de ingressar nos quadros públicos, "policia" através de ideologias retrógradas e inadequadas aos "tempos atuais" as políticas chamadas "progressistas" ou como se tem chamado últimamente: Políticas de "esquerda". Este equívoco semântico proposital, rescende à gritaria das ruas dos fanáticos militantes de outrora que colocavam pechas naqueles que ousavam discordar do pensamento dos companheiros e da militância dos partidos de pensamento, tendência e ideologia esquerdista.

O autor aprofunda-se no assunto criticando o desejo da (assim chamada) "classe média" puritana que não concorda com cotas para negros (vou mais adiante), não concorda com casamento gay, não concorda com a legalização do aborto e não concorda com a descriminalização do uso e comercialização de drogas.

Ora... Esse pensamento é o reflexo de uma sociedade que supsotamente quer se organizar de uma forma DIFERENTE do pensamento Trotskista. 

Uma sociedade que "comprou a ideia" de que um governo do PT seria PROGRESSITA, comedido em seus gastos, probo em sua administração e, principalmente, promotor da grande mudança no perfil da distribuição de rendas no país.

A sociedade que agora COBRA o PT de sua postura e das promessas de campanha não é a sociedade das "elites" nem a sociedade da "classe média", mas os eleitores conscientes que se sentem traídos por uma gestão desastrosa em todos os sentidos.

O que o PT alardeia como "UMA DISTRIBUIÇÃO DE RENDA JAMAIS VISTA NA HISTÓRIA DESTE PAÍS" , não passa de paternalismo que não alça as camadas mais baixas da população a patamares onde está ou deveria estar a "classe média". Ao contrário. mantém as camadas mais baixas "respirando" para que nas datas das eleições, possa ser conduzida pela mão até a boca da urna e depositar seu voto "comprado" enquanto, ao mesmo tempo, retira da antiga "classe média" seu poder de compra, produtividade e investimento. 

O autor compara o Brasil a países onde o salário mínimo é cerca de 10 ou 20 vezes o salário mínimo vigente no Brasil, onde o poder de compra do mercado interno faz com que sua economia seja forte, onde o padrão de vida da (lá sim) classe méida é infinitamente superior ao das camadas mais abastadas da nossa população e onde existe, sim, condições de se pagar um plano de saúde com preço justo e ter atendimento condizente com os valores pagos pelos serviços. 

Países onde a corrupção (lá também existe, claro), é severamente punida, onde os serviços que o governo presta tem preços relativos infinitamente menores do que os nossos, onde as escolar públicas existem em número suficiente e com qualidade excelente para todos, não sendo necessário pagar uma fortuna para que seu filho estude numa escola "supostamente" melhor do que a pública.

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Eolo Morandi

O antônimo : O AULICISMO

Já que a meritocracia é a ferramenta de valor do novo judas da sociedade "moderna" ... ou para os mais radicais, o novo judeu da sociedade "avançada" ou o "demônio" para xiitas políticos. Vamos considerar a antítese da meritocracia.
Ou entao, consideremos o "porque" a classe média adota esse valor tao "aviltante" e tao "mesquinho" nao é verdade?
A antítese é exatamente o que tem de pior para balizar os valores de uma sociedade: O Paternalismo e o Clientelismo. O Apadrinhamento. A troca de favores. A Mafializaçao político-social  


- Privilégios e beneficios a quem eu (Estado) bem entender ... Justo ... Claro que sim ... Justissimo para mim (poderoso onipresente e onipotente Estado)  


Hoje vemos o Judiciario aparelhado por indicaçoes politicas. O apadrinhamento (quase que uma relaçao feudal: Vassalo- suserano) ...


- Eu (Estado) te ofereço esse carguinho publico bem conveniente para ambos, e juntos trocamos figurinhas ... Mantemos nossa panelinha aquecida ... Trocamos favores, solapamos Instituiçoes democráticas ... e seremos juntos felizes.

Sistema que começa e termina com base corruptível e corrompível. 

Todos tem essa oportunidade ? ÓBVIO que nao ... Apenas meus parceiros, comparsas, quadrilheiros ... Temos esse "beneficio" nobre em busca de uma causa perdida no tempo e no espaço (para idiotas e manipuláveis pensarem que buscamos um mundo melhor e justo).  

O governo nao é capaz de promover as mesmas condicoes em situacoes de igualdade a todos e apela para o "nivelamento por baixo" dos serviços aos cidadaos ... Por que ? Isso é justo ?
Claro que nao é ... é mais fácil e pratico do ponto de vista economico, politico e social (promovendo a luta de classes).

Totalmente fora do contexto mundial, superado ... O mundo e o próprio brasileiro CLAMA por QUALIDADE nos serviços públicos e privados também ... Um (pre) conceito baseado no recalque, ressentimento, inveja e que só mesmo Freud poderia explicar.

"Vamos dar ao povo, o pior" .... Isso é contra o ser humano ... Nem mencionarei os direitos de um cidadao ...     

- E nós (Estado) ? ... Nós queremos o melhor para nós e nossos amiguinhos comparsas ... Queremos o Sírio Libanes para nosso atendimento ... - E o povo ? - Ah o povo ! ... Damos esses medicos aqui mesmo ... esses nao reclamam (sussuros) ... Se reclamarem Titio Fidel dá um jeito neles ... Tá mais que bom pro Zé Povinho ...

Uma desfaçatez, dissimulaçao, demagogia e hipocrisia no maior cinismo politico da historia brasileira. 

A classe média como está anos-luz distante desse apadrinhamento, que só os compnheiros politicos do governo tem acesso, ... Nao tem outra opçao ... a nao ser se esforçar e tentar buscar o mínimo para viver dignamente ... Sem esmola governamental. 

Se a meritocracia é ruim para o país e sociedade ... sua antítese ou idéia oposta é muito pior. 

Para informaçao: O aulicismo é o culto do espírito áulico. Nas democracias modernas, ele se reveste de formas menos decorativas e reaparece nas figuras dos cupinchas, dos cabos eleitorais e do empreguismo, que enche as repartições públicas de um funcionalismo ocioso e displicente.


 

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rodolfo dave

O articulista peca ao

O articulista peca ao imaginar que paulo Coelho é mais bem sucedido que Quintana, posto que teve retorno maior...

Nem sempre o retorno financeiro, quase nunca aliás, é parâmetro de felicidade... Bem reaça...

 

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Gustavo Piveta

Rodolfo Dave, o sr. entendeu

Rodolfo Dave, o sr. entendeu errado, essa questão, leia novamente...

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COTAS SÃO UMA FORMA DE MERITOCRACIA

   Discordo, mas discordo demais de seu texto.

 

    O motivo é simples: sou advogada e sempre lidei com portas batendo na cara, pessoas me ignorando, gente me ofendendo. Também nunca consegui emprego em escritório grande, o que me fez ter que advogar de forma autônoma e às vezes ter que prestar concursos com fé de passar em um. Lido muito com servidores que me olham de cara feia por eu ser uma advogada comum e  sem sobrenome importante.

   Ora, nunca reprovei em nada, sempre me esforcei, passei de primeira vez na prova da OAB, então por que as portas nunca se abriram para mim? Por que eu tenho que forcá-las para que se abram um pouco? A resposta é simples: porque eu tenho mérito, mas não contatos ou amigos em lugares importantes.

   Vejo conhecidos que se formaram no mesmo lugar que eu e sabem menos do que eu sei tendo as portas de grandes escritórios abertas e empregos lhes esperando. Eles são de classe média altíssima e têm empregos excelentes por que seus pais lhes conseguiram. São normalmente filhos de "gente importante". Quando sentimos essa lado obscuro da ausência de meritocracia no nosso país na veia a gente reza para que algo dê certo, pois a gente se esforça tanto, mas as portas continuam a bater na nossa cara. A minha carreira têm sido frequentemente bater a cabeça na parede, por mais que eu esteja atualizada e saiba mais Direito que meus colegas de pedigree. A razão é a seguinte: eu não tenho pedigree, eles têm.

     Por outro lado, ninguém se esforça mais para colocar esse país nos eixos que a classe pobre, os negros, pardos e brancos, que ficam até duas horas num ônibus podre para chegarem aos seus trabalhos e ganharem um salário mínimo.

      Ninguém se esforça mais do que eles e ninguém tem mais mérito do que eles.

     Os pobres têm muito mais mérito que qualquer um de nós para poderem contar com bolsa família e SUS. O esforço do trabalhador braçal é algo em muito superior ao dos trabalhadores de classe média. A resposta é simples: eles têm que se esforçar muito mais do que a gente. O transporte com que eles contam é pior e eles já chegam cansados no trabalho. Mesmo assim, trabalham. A grande maioria dos pobres cumpre o serviço em situações que o orgulho do trabalhador intelectual não lhe permitiria. Eles se arriscam muito mais, moram em lugares muito mais perigosos, e a vida deles é muito mais dura.

     Os pobres é que movimentam o país e que pagam uma quantidade enorme de impostos. Sim, eles podem ser isentos do Imposto de Renda, mas o ISS e o ICMS estão embutidos em tudo o que eles compram. E o IOF também. Então, eles pagam impostos e têm mérito, também.

     As cotas em universidades públicas também são uma forma diferente de meritocracia. Sabe por quê? Porque ninguém se ferrou mais que o negro nesse país por 388 anos. O fato de ter ocorrido escravidão aqui e de os escravos não terem sido reintegrados na sociedade é vergonhoso para a nossa nação. Além disso, toda pesquisa que diz que "as cotas não funcionam" mostra o referencial daquelas universidades Ivy League americanas. Ora, convenhamos, nenhuma faculdade brasileira é de nível de Ivy League. Mesmo as nossas universidades públicas são fracas se comparadas às top americanas, então é melhor que o pessoal fique de boca calada, pois as cotas em universidades federais servem para que pardos e brancos entrem em condições iguais no mercado de trabalho.

     Em outras palavras, todas essas políticas de benefício são, em nosso país, UMA FORMA DIFERENTE DE MERITOCRACIA.

     Além do que falei, uma gestão de gastos públicos é fundamental, sim. Vejamos o SUS. O SUS é um lixo, todos sabemos, mas é melhor que nada. Nos EUA, você morre se não tiver seguro de saúde e o povo de lá não acha que isso seja necessariamente ruim. Pelo menos, no Brasil, você tem uma chance de se salvar se tiver uma doença grave ou um acidente. O SUS é ruim por que os recursos se perdem no meio do caminho. Há dinheiro indo para lugar que não deveria ir, e isso não é de hoje! Assim, não adianta culpar o PT, pois desde a época de PSDB, PMDB ou de PDS no poder a coisa já estava assim. Uma boa gestão dos recursos possibilitaria que coisas legais como fazer o tomógrafo do Hospital de Base em Brasília funcionar.

      Dessa forma, cotas em universidades federais e bolsa família são uma forma de meritocracia, SIM. Além disso, o bolsa família leva as pessoas a deixarem os filhos no colégio. O motivo é simples: se a criança não estiver na escola, o beneficiário não recebe. Infelizmente, vivemos em um país onde, por muito tempo, os pais nem matriculavam os filhos na escola ou as pessoas aprendiam só a assinar o nome para votarem em algum político de curral eleitoral de interior. Falo isso por que moro em Brasília, que é grudada em Goiás. É só falar com o povo mais velho que eles explicam.

      Assim, família que recebe o bolsa família deixa o filho na escola. Que outra forma havia para que as crianças estudassem e tivéssemos pessoas com um futuro melhor? Não dá para fazer igual à Inglaterra. Não, é impossível. Lá eles prendem os pais que não levam os filhos para a escola. Isso aqui seria impossível, pois a gente não tem nem onde meter preso.

    Sim, eles prendem. Levam o pai ou mãe de família relapso à prisão. Isso é uma pena dura.

    Ah, aí agora cheguei a um outro ponto do seu texto: penas longas e mais punições. Em que isso prejudicaria o desenvolvimento democrático de uma nação? Em nada. Li que um pedófilo (o vocalista de uma banda chamada Lostprophets) pegou 35 anos de cadeia pelos seus crimes na Inglaterra. SIm, permita-me repetir o nome do país: INGLATERRA, que é um lugar onde a qualidade de vida é muito melhor do que aqui.

    Qual o problema de um assassino ficar trinta anos na cadeia? Ele matou alguém. Ele não estará cometendo mais crimes contra a sociedade civil no período de cumprimento de sua pena e nós estaremos mais seguros se ele ficar fora das ruas.

    Oproblema no Brasil, e quem é da área jurídica sabe bem disso, é que não há interesse em se construir presídios ou de melhorar os que já temos. O nosso sistema prisional é precário, mas não se investe nele, então os juízes se vêem forçados a deixar as pessoas soltas.

     Em consequência disso, maníacos ficam livres para cometer mais crimes, assim como o Maníaco de Luziânia, que saiu por bom comportamento depois de estuprar crianças e foi para o Jardim Ingá assassinar rapazes. Ele não é uma exceção: há pessoas que são muito perigosas e que têm que ficar um tempo fora do convívio social a fim de que os cidadãos comuns, em especial os pobres e pardos, fiquem mais seguros.

    Todos os garotos vítimas do Maníaco de Luziânia eram pardos e pobres que foram atraídos com propostas de emprego. Eram todos bons garotos que não mereciam morrer. Eles estariam vivos se o maníaco que os assassinou ainda estive cumprindo pena.

   Quem morre mais é o trabalhador pobre e o pardo. E boa parte deles é trabalhadora braçal que concordaria com penas mais severas contra criminosos violentos.

  Sim, precisávamos de mais prisões e que as pessoas cumprissem a inteiridade de suas penas. Vivemos em um país em que uma pessoa que mata a outra fica somente 5 anos presa e dali já consegue a progressão de pena. Precisamos também que corruptos e executivos desonestos cumpram penas. Uma vez fui a uma delegacia denunciar um caso grave de estelionato e os policiais disseram que não fariam nada, pois não tinham como investigar um crime que não fosse contra a vida. Dessa forma, uma deficiente mental (que era minha cliente) foi lesada em milhares de reais por um desconhecido. O criminoso não era pobre e tinha que estar preso. Também duvido que fosse pardo ou negro. Minha desconfiança era de que fosse uma pessoa branca e idosa, mas a polícia nem apurou.

   A razão atrás de se deixar o Réu solto e de haver tanta impunidade é simples e quem lida na área de Direito Penal sabe: há uma norma da ONU em que um país só é considerado desenvolvido se houver um percentual máximo X de pessoas presas. Se o percentual for maior, o país não é considerado desenvolvido. Daí o Brasil, e também para não gastar com investimentos no sistema prisional, deixa réus com alto índice de criminalidade soltos. É pura hipocrisia. Além disso, nenhuma administração quer gastar com investimentos no sistema penitenciário. A situação é tão caótica que estamos em colapso. O que ocorre em São Luís é exemplo disso.

     Quem comete um crime tem que ser punido. Isso ocorre em qualquer sociedade e em qualquer tempo, e a punição para o ato do criminoso tem a ver com a culpabilidade, que é a sua consciência do errado (não ensinam isso para a gente na faculdade de direito), e a gravidade do crime.

    Lógico que há pessoas que teriam condições de ser reabilitadas, mas o estado não liga para isso. O governo, tanto esse quanto todos os outros anteriores, quer é deixar a pessoa pouco tempo presa em um calabouço medieval, depois dá uma de bonzinho e cumpre as metas da ONU soltando a pessoa, isso se o criminoso não tiver morrido ou não tiver pego uma doença lá dentro. Daí fica todo mundo bem na fita, pois o criminoso tem a vida de volta depois de uma breve temporada no inferno.

    Acontece que ele volta e comete mais crimes. Ele não foi reabilitado. Às vezes nem queria ser reabilitado, mesmo.

     Toda sociedade pune. Países mais ricos e felizes que o nosso punem. Do ponto de vista sociológico ( e eu estou parecendo Gramsci), a sociedade precisa disso para reforçar os seus valores. E eu falo da sociedade como um todo, não só da classe média "conservadora", da qual eu não faço parte.

    Lógico que a Noruega, que é um país minúsculo e riquíssimo, pune pouco. Mas eles não são parâmetro para nenhum país maior. Eles condenaram o atirador Breivik a 20 anos de reclusão. Ele matou dezenas de pessoas. Christian Vikernes, um músico de Heavy Metal que matou o dono de sua antiga gravadora com facadas, pegou a mesma pena. Vikernes havia colocado fogo em uma igreja medieval também, mas ele não era um assassino em massa, ele matou uma pessoa com quem tinha tido um problema contratual. Vikernes cumpriu a pena e nem pode mais viver em seu país. Ele está solto há anos e nunca mais matou ninguém (também acho que ninguém mais vai querer passar a perna nele em contratos), mas Breivik assassinou dezenas de crianças e adolescentes que ele nem conhecia. Ele é um maníaco que teria que ficar o resto da vida atrás das grades. Ele também mutilou várias outras pessoas, isso sem falar naquelas que ele feriu gravemente. Não é justo que Breivik fique tanto tempo preso quanto Vikernes. Assim, Noruega não é padrão para ninguém.

     Vejamos o caso da Holanda. Theo Van Gogh (descendente do irmão do pintor) foi assassinado por um jovem de ascendência marroquina após um filme polêmico sobre o Islã. Mohammed Bouyeri, o assassino dele, foi sentenciado à prisão perpétua sem a possibilidade de livramento condicional ou progressão de pena. Está vendo? Um crime religioso foi apenado com prisão perpétua em uma país cuja qualidade de vida é infinitamente superior a do nosso.

    O meu ponto é que existem penas severas em outros países, sim. Não se fala disso, mas Inglaterra e Holanda são exemplos. Nem estou falando dos EUA, onde há várias prisões privadas e isso é um negócio lucrativo.

    O que eu quero dizer é que desejar punição para crimes horríveis não é conservadorismo. Eu fiquei revoltada com a pena do assassino de Mércia Nakashima, mas não sou conservadora. Eu até votei no PT e já cheguei ao ponto de votar no PSOL e no PV. Sou o tipo de pessoa que ouve gente condenando o bolsa-família com um sorriso cínico nos lábios, querendo dizer que o meu interlocutor está errado, mas não falo para não dar briga. Também sou a favor do aborto em algumas situações.

    Assim, o seu ponto de vista é errado.

    Meritocracia envolve cotas, sim. Também envolve o bolsa-família. A classe média pode não saber do esforço dos pobres, mas eles contribuem muitíssimo para o desenvolvimento do nosso país.

      E a falta de meritocracia é o favoricemento do pedigree, o favorecimento dos "contatos de papai e mamãe".

       Meritocracia é justiça. Cotas são uma forma diferente de meritocracia. Peço que as pessoas tentem pensar nisto sob este enfoque.

 

 

 

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Vc concordou totalmente com o texto :)

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Hernani

Comentário pertinente, mas há concordância com o texto do autor

Olá, Ana Luíza.

Seu comentário é, realmente, muito pertinente. Mas, do que posso ver, o autor e você concordam em pontos centrais de seus argumentos. Quando você toca na questão de que o bolsa-família e as cotas são casos de meritocracia (apenas uma "forma diferente de meritocracia"), ou de que os trabalhadores têm mérito, você está em total concordância com o que é central no argumento do autor, a saber: a diferença entre "mérito" e "desempenho" (motivo pelo qual o autor sugere o termo "desempenhocracia", em vez de "meritrocracia", devido a mal-entendidos que podem ocorrer, como este). A questão é que, inegavelmente, tais casos envolvem o "mérito", porém os critérios para avaliá-los enquanto "desempenho" e recompensá-los de maneira "justa" (de acordo com o nosso entendimento de "justiça", é claro) são totalmente outros. Tais critérios são "cegos" para o mérito dessas pessoas, inclusive para o seu próprio, conforme relata em sua experiência pessoal. A grande questão é que valores como "bem" e "justiça", no que se refere à totalidade social, passam totalmente à margem desses critérios.

Quanto aos doutores com "pedigree", tal questão é outra. E envolve tanto a classe média - que é objeto da discussão, porque é correlata à meritocracia - quanto o favorecimento patriarcal das classes mais favorecidas. As classes mais favorecidas não dependem de seu "desempenho", mas, como o próprio autor o comenta, de alianças pessoais e políticas, em geral envolvendo o "nome" (representante da família e de sua posição na hierarquia social), como é o caso desses doutores com pedigree. De fato, isso ocorre de maneira mais contundente nos cursos de alto reconhecimento social, como é o caso do Direito, mas também o da Medicina, e que, não por acaso, são aqueles nos quais o "nome" faz toda a diferença para o indivíduo - quer dizer, aqueles cursos nos quais o patriarcalismo tem maior peso. Então, neste ponto, é importante fazer a diferença entre a "desempenhocracia" que vigora no âmbito da classe média e o patriarcalismo que, por sua vez, vigora no âmbito das classes abastadas. O que, no caso de seu curso e de seu campo de atividade profissional, é importante de se fazer; isso porque há, realmente, como uma herança histórica, a presença do patriarcalismo das classes abastadas, ao lado da "desempenhocracia" da classe média, um "campo misto" de estratégias e recursos, portanto. Sendo assim, não há grandes divergências entre os seus argumentos e o do autor. O estado-de-coisas é o mesmo. Apenas é preciso fazer clarificações para se chegar às diferenças importantes e aos pontos em comum, em cada caso.

De resto, suas colocações são bastante interessantes. E mostram um caminho importante de ser ainda percorrido: a discussão de agendas políticas e de alternativas ao sistema meritocrático vigente, o que inclui as estruturas de poder (amiúde, invisíveis) que lhe são subjacentes.

Um abraço.

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Sorano

Os espíritas brasileiros são,

Os espíritas brasileiros são, na sua grande maioria, conservadores. O motivo: são oriundos dessa classe média urbana meritocrática.

 

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concordo

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João George

Sorano, interessante sua afirmação

Sou espírita Sorano. Não entendi a motivação para o seu comentário.

Mas não posso negar que vc está absolutamente certo.

Sempre pensei isso e fico me perguntando: porque o espírita é tão desinteressado de política?

Os espíritas são extremamente meritocráticos. Me parece que associam a ideia de evolução espiritual, a partir do mérito próprio, com a meritocracia social.

Muitos espíritas que conheço são extremamente reacionários. Alguns insuportavelmente.

É um caso a se pensar.

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Sorano

João, também sou espírita e

João, também sou espírita e estou de pleno acordo com a sua exposição.  Parabéns!

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Osmar Nogueira

Interessante

Não sei se concordo ou discordo. Mas é fato que essa "desempenhocracia" trái a sociedade pois analisa os indíviduos usando uma mesma balança sem dar oportunidades iguais para todos. Quantos já não bradaram revoltados após ser abordado por um mendigo nas ruas "não dou esmola, que estude e trabalhe para conseguir alguma coisa na vida!", como se a miséria fosse em 100% dos casos apenas uma consequência da preguiça (do baixo desempenho). 

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Carlos R. de Messias

Meritocracia

Interessante é perceber como o Sr. Joaquim Barbosa se adequa perfeitamente, como icone do reacionarismo  da classe média.

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Ora, que ótimo, escreve um

Ora, que ótimo, escreve um texto desse tamanho para se declarar mais um baba ovo de médico!

Mais um que viveu achando que vestibular é bicho de 7 cabeças - experimente QUALQUER concurso DECENTE de nível superior e tera uma dificuldade maior do que o vestibular de medicina (que em grande parte é uma questão de dinheiro - quem teve acesso a boas escolas, como eu tive, não tem problema com ele)

E cursos como engenharia eletrica são tão ou mais dificeis que medicina, nem por isso os engenheiros saem por ai se achando, como médicos se fazem.

O negócio é que temos um pais de semi analfabetos que morrem de medo de morrer. Jacus da roça. E como todo jacu, endeusa médico - babam ovo até não poder mais. Ai temos o que temos - profissionais que ja saem ganhando, no mínimo, 8 mil (o que está bem acima de engenheiros, que são o segundo lugar), se recusam a ir para fora dos grandes centros urbanos, RECLAMAM, e ainda recebem apoio dos populares, porque 'médico inteligente, eles devem ter razao'.

Se sua má formação nao lhe impede, faça as contas de quanto um médico ganharia mesmo com as infames consultas do SUS. Assuma 'míseros' $10 por consulta. Assuma 10 minutos por consulta( não, isso não é uma consulta apressada - faço consultas particulares e caras e elas raramente passam disso) e assuma q ele so atende 5 por hora, pra descansar um pouquinho. Se trabalhar como nós, 'meros mortais', 8h no dia, 21 dias no mes, tem 50*8*21=8400. Isso no SUS! E há os plantoes que ofrerecem mais...

Precisamos sim de mais médicos e menos filhinhos de papai (e seus puxa sacos)

Meritocracia é algo desejavel - o problema é que MÈDICO SE ACHA, e tem o apoio da população para se achar - vao desequilibrar a coisa pro lado deles e vão ser apoiados. Parem de endeusar medicos e os enxerguem como as profissionais que eles são que a bola baixa.

 

 

 

 

 

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