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As mulheres que lutaram contra a ditadura militar

Sugerido por Gunter Zibell - SP

Da Marie Claire

Os testemunhos das mulheres que ousaram combater a Ditadura

A Comissão Nacional da Verdade, criada para elucidar crimes cometidos durante o período acaba de completar um ano. Antes de seu encerramento em 2014, tem como uma de suas principais missões contar o que sofreram as mulheres que foram contra o regime. São brasileiras hoje na faixa do 60 anos, como as ouvidas por Marie Claire: vítimas de estupros, choques nos mamilos, ameaças aos filhos, abortos...

 FABIO BRAGA E TADEU BRUNELLI)

DA ESQ. PARA A DIR.: AMÉLIA TELES, ANA MARIA ARATANGY E CRIMÉIA DE ALMEIDA (FOTO: FABIO BRAGA E TADEU BRUNELLI)

Em pé sobre uma cadeira, nua, encapuzada e enrolada em fios, Ana Mércia Silva Roberts, então com 24 anos, esforçava-se para manter os braços abertos, sustentando uma folha de papel presa entre os dedos de cada mão. Ela estava naquela posição havia horas. A cada vez que o cansaço lhe fazia baixar minimamente os braços, um choque elétrico percorria todo seu corpo. E as gargalhadas preenchiam a pequena sala. Eram vários homens, talvez oito, talvez dez. Cada um com um rosto, uma história, uma vida. “Um dos meus torturadores poderia ser meu avô, um senhor de gravata-borboleta para quem eu daria lugar no ônibus; o outro era um loiro com chapéu de caubói. Havia um homem com jeito de pai compreensivo que chegou a me dar um chocolate, e um jovem bonito com longos cabelos escuros, que andava de peito nu, ostentando um crucifixo, de codinome Jesus Cristo”, afirma.

O rosto desses algozes, integrantes da repressão militar, e as cenas do dia em que teve de ser estátua viva perante eles são parte das lembranças que Ana Mércia, hoje 66, guarda de quase três meses de prisão noDOI-Codi e no Dops, dois centros paulistanos de tortura e prisão de oposicionistas ao regime militar, instaurado sete anos antes. Integrante do Partido Operário Comunista, ela esteve nos porões da ditadura em 1971, mesma época em que o País vivia a prosperidade do“milagre econômico” e o ufanismo alimentado pela conquista da Copa de 70 e por slogans como “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Nos meses em que ficou encarcerada, seu corpo e mente foram massacrados de diversas formas. Mas não é ao descrevê-las que seus olhos ficam marejados. “Estranhamente, eu não me lembro de quase nada daquelas semanas, meses. Fiz terapia, mas não consigo recuperar esses trechos da minha vida. O que mais me dói é isso. Vários pedaços de mim e da minha existência não me pertencem, ficaram com eles (os militares)”. Ana Mércia é uma mulher com pouca memória das torturas daqueles porões. E é também uma metáfora do próprio Brasil, que segue desmemoriado das histórias do regime militar (1964 a 1985) quase 30 anos depois do fim da ditadura. A diferença entre Ana Mércia e o Brasil é que ao País foi dada a chance de recuperar e registrar os detalhes de sua história. É essa a missão da Comissão Nacional da Verdade, criada pela presidenta Dilma Rousseff (ela mesma vítima de torturas do Estado) e que tornou acessíveis uma série de papéis até então secretos. Desde maio de 2012, 19 milhões de páginas de documentos foram retirados de seus arquivos e estão em análise, e cerca de 350 pessoas foram ouvidas. É um movimento delicado e, para muitos, atrasado. Até então, o Brasil já havia debatido por anos como lidar com a violência da época.

 Gonçaves (CPDOCJB))

INTEGRANTES DO GRUPO "TEATRO EM GREVE CONTRA A CENSURA" PROTESTAM NO RIO DE JANEIRO EM FEVEREIRO DE 1968 (FOTO: GONÇAVES (CPDOCJB))

A Ordem dos Advogados do Brasil chegou a pedir, em 2008, a revisão da Lei da Anistia, que perdoava todos os “crimes políticos” e beneficiava também torturadores, mas teve o pedido negado pela Justiça. Da sua parte, grupos militares se opunham à quebra de sigilo e à própria Comissão por temer uma caça às bruxas. Foi depois de muito diálogo que se chegou à fórmula de um grupo de trabalho com ênfase na transparência: a Comissão da Verdade pode acessar qualquer documento que considerar importante e tem o poder de convocar pessoas para depor, mas não de julgá-las. Do primeiro ano de trabalho, emergiram as conclusões de que a tortura começou em 1964, pouco depois do golpe, e ocorreu em pelo menos sete estados diferentes. Nesse pouco tempo, o Estado brasileiro admitiu que os assassinatos do deputado Rubens Paiva e do jornalista Vladimir Herzog foram obra de seus agentes, e descortinou o recrutamento e o extermínio de tribos indígenas da Amazônia pelos militares.

Tudo isso dá contornos mais nítidos à história recente do País, mas o grupo ainda tem muito a contar até dezembro de 2014, quando os trabalhos serão encerrados. Uma das principais incumbências da Comissão é esclarecer a participação das mulheres na resistência à ditadura e as torturas a que foram submetidas. “Acreditamos que as mulheres sofreram violências específicas, sexuais, motivadas também por machismo, que buscavam destruir a feminilidade e a maternidade delas”, afirma Glenda Mezarobba, uma das coordenadoras do grupo Ditadura e Gênero, que investiga o assunto na Comissão da Verdade. Os trabalhos ainda não possuem conclusões definitivas, mas há fortes indícios do que pode ter acontecido às brasileiras durante as duas décadas de regime militar. “Hoje, trabalhamos com um número de 500 mortos pela ditadura, 50 deles seriam mulheres. Mas sabemos que os dois números estão subestimados”, afirma Glenda, empenhada em refazer a estatística.

 Acervo Memorial da Resistência de São Paulo)

CENA COMUM EM 1968: A CAVALARIA DS POLÍCIA MILITAR TOMA A AVENIDA SÃO JOÃO, NO CENTRO DE SÃO PAULO (FOTO: ACERVO MEMORIAL DA RESISTÊNCIA DE SÃO PAULO)

A quantidade de processos reclamando anistia sugere que esse número é muito maior. Desde 2001, o Ministério da Justiça recebe pedidos de indenização de brasileiros que, de alguma maneira, tiveram a vida marcada pelo regime militar. São parentes e vítimas de violência ou pessoas que, por motivo exclusivamente político, ficaram impedidas de trabalhar. Hoje, o órgão contabiliza mais de 73 mil pedidos. Mais de 40 mil já foram aceitos. As mulheres foram fundamentais no combate ao regime em todas as suas fases. Seu engajamento nos movimentos pela anistia dos presos políticos, que muitas vezes culminaram com passeatas exclusivamente femininas, são a parte mais conhecida dessa militância. Mas, nas organizações de esquerda Ditadura, elas também foram importantes.Guardavam armas e abrigavam militantes (aliás eram preferidas para essa função, pois levantavam menos suspeitas), traduziam jornais comunistas estrangeiros, participavam das aulas de doutrinas ideológicas, da elaboração dos planos de assaltos e sequestros, tinham aulas de tiro e muitas foram a Cuba fazer curso de guerrilha. Nas organizações clandestinas, chegaram a dirigentes.

“Era preciso que houvesse uma mulher em cada esconderijo, para manter a aparência de uma casa normal”, afirma Glenda. Elas também agregavam uma faceta afetiva e familiar às organizações, muitas foram mães na clandestinidade ou na cadeia. Na descrição feita pela psicóloga argentina, naturalizada brasileira, Maria Cristina Ocariz, a mulher militante parece a expressão viva da frase do revolucionário argentino Ernesto Che Guevara: “hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”. “Elas tinham a mesma garra que os homens. Perdiam companheiros, assassinados pelo regime, e ainda assim seguiam na luta, não por frieza, mas por convicção ideológica de poder construir um mundo melhor para seus filhos.” Cristina, que hoje coordena a Clínica do Testemunho Instituto Sedes Sapientiae em São Paulo, um serviço que oferece espaço para reparação psicológica aos afetados por ditaduras, fez parte da resistência aos militares argentinos antes de se exilar no Brasil. Na juventude, na década de 70, ela deixava seu bebê de 1 mês nos braços da mãe, em Buenos Aires, ia a manifestações e corria para casa a tempo de amamentar seu filho. Quando eram presas, as mulheres tinham pela frente não apenas a tortura, mas também o sexismo e a violência sexual. “É claro que ser mulher fazia diferença. Porque ainda que os homens torturados também tivessem de ficar nus, eles tiravam as roupas na frente de outros homens. A mulher ficava nua diante dos olhos cobiçosos e jocosos daqueles homens, essa era a primeira violência”, afirmaTatiana Merlino, organizadora do livro "Luta, Substantivo Feminino", publicado em 2010 pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos, que descreve o assassinato de 45 mulheres militantes.

 Material Brasil Nunca Mais do Arquivo Edgard Leuenroth/Unicamp)MANIFESTAÇÃO DE MULHERES CONTRA A VISITA DO ATIRADOR ARGENTINO JORGE VIDELA A SÃO PAULO, EM 1980 (FOTO: MATERIAL BRASIL NUNCA MAIS DO ARQUIVO EDGARD LEUENROTH/UNICAMP)

NUDEZ E TORTURA
“A primeira coisa que eles fizeram quando entrei na sala de depoimento foi me mandar tirar a roupa, eu já fiquei apavorada”, afirma Ana Maria Aratangy, de 66 anos. “Eu não esperava por aquilo. Eu mesma fui tirando a roupa, achei que era melhor do que deixá-los arrancar. Acho que foi pior do que as torturas que vieram depois”. Ana Maria era membro do Partido Operário Comunista quando foi presa, aos 24 anos, e estava grávida de algumas semanas, mas não sabia. Estudante do sexto ano de medicina, ela afirma que sua militância era tímida:guardava duas armas em casa e tinha leituras consideradas
subversivas. Nem sequer conhecia os líderes do POC. Até por isso, não teve muito a dizer quando vieram os choques nos mamilos e os tapas no rosto. Tampouco pôde conter os gritos. Enquanto gritava, sua mãe, que havia sido presa junto com ela, ouvia da sala ao lado. Ana Maria só saiu da prisão aos cinco meses de gestação. Sua filha, hoje, tem 41 anos.

“Depois de nos colocarem nuas, eles comentavam a gordura ou a magreza dos nossos corpos. Zombavam da menstruação e do leite materno. Diziam ‘você é puta mesmo, vagabunda’”, afirma Ana Mércia. As violências que seguiam incluíam, em geral, choques nas genitálias, palmatórias no rosto, sessões de espancamento no pau de arara, afogamentos ou torturas na cadeira do dragão, cujo assento era uma placa de metal que dava descargas elétricas no corpo amarrado do prisioneiro. Mas com as mulheres era diferente. “Havia uma voracidade do torturador sobre o corpo da torturada”, afirma a psicóloga Maria Auxiliadora Arantes, cuja tese de doutorado sobre tortura no Brasil será publicada este ano. “O corpo nu da mulher desencadeia reações no torturador, que quer fazer desse corpo um objeto de prazer.”

 Almir Veiga (CPDOCJB))PASSEATA DE MULHERES NO LARGO CARIOCA À CINELÂNDIA, NO RIO DE JANEIRO EM 1983 (FOTO: ALMIR VEIGA (CPDOCJB))

Foi exatamente o que viveu Ieda Seixas, de 65 anos. Aos 23, ela foi presa por causa da militância do pai, operário. Demorou muito tempo para ser capaz de relatar o que passou. E, quase 40 anos depois, não consegue conter as lágrimas ao descrever: “Levaram-me para um banheiro durante a noite, no DOI-Codi, eram uns dez homens. Fiquei sentada em um banco com dois deles me comprimindo, um de cada lado. Na minha frente, em uma cadeira, sentou um cara que chamavam de Bucéfalo. Ele me dava muito tapa na cara, a minha cabeça virava de um lado para o outro, mas eu nem sentia, porque um dos homens que estava sentado ao meu lado não parava de passar a mão em mim, colocou os dedos em todos os meus orifícios. Era tão terrível que eu pedia: ‘Coloquem-me no pau de arara’. Mas aquele homem dizia: ‘Não, gente. Não precisa levar essa aqui para o pau de arara. Comigo ela vai gozar e vai falar’.

Todos riam. Naquela noite, se eu tivesse tido meios, teria tentado me matar.” O suicídio pode ter sido o destino de outras mulheres que não conseguiram suportaram a violência sexual. Segundo Luci Buff, da Comissão da Verdade, começam a aparecer informações de que até mesmo freiras teriam sido estupradas por militares. Amélia Teles, de 68 anos, relata que não foi capaz de conter o vômito ao ver que o torturador ejaculava sobre seu corpo nu e ferido, depois de masturbar-se olhando para a vítima, amarrada na cadeira do dragão. Militante do Partido Comunista, ela tinha dois filhos, de 5 e 4 anos, quando foi presa, em 1972. O assédio sexual do torturador não foi a pior parte. Em um dos dias na prisão, depois de ser exaustivamente torturada Amélia viu a porta da sala se abrir e seus dois filhos entrarem. “Foi a pior coisa do mundo. Eu, amarrada (nua) na cadeira do dragão, sem nem poder abraçá-los. A minha filha me perguntou: ‘Mãe, por que você está azul?’. Eram as marcas dos hematomas, do sangue pisado, espalhados pelo meu corpo”, afirma Amélia. “Eles foram claros comigo: para manter meus filhos vivos, eu teria que colaborar com eles.” Os dois filhos hoje são adultos. Passaram por terapia e guardam apenas fragmentos de memória de sua visita ao DOI-Codi. Nenhum quis ter filhos. Amélia credita esse fato ao trauma na infância.

Agredir crianças para atingir a mãe não era um recurso excepcional. Nem sequer as mulheres grávidas eram poupadas. Em 1974, com uma barriga de seis meses de gestação, a militante do grupo revolucionário MR-8 Nádia Nascimento foi presa, junto com o seu companheiro, em São Paulo. “Já foram logo me dizendo que filho  de comunista não merecia nascer. Arrancaram minha roupa na frente do meu companheiro, que já estava muito machucado pela tortura, e perguntavam se ele queria que me torturassem, diziam que dependia dele. Ameaçaram me estuprar na frente dele, mesmo grávida. Até que,em um dado momento, me colocaram na cadeira do dragão. Ali, comecei a sangrar por causa dos choques e perdi meu filho”, conta Nádia, que teve uma série de complicações médicas decorrentes do aborto provocado e da falta de cuidados hospitalares. A criança se chamaria Lucas e hoje teria 39 anos de idade.

 Jesus Carlos (Imagem Global))

A LÍDER ESTUDANTIL CATARINA MELONI EM PASSEATA. MAIS TARDE, ELA ESCREVERIA O LIVRO"1968: O TEMPO DAS ESCOLHAS" (FOTO: JESUS CARLOS (IMAGEM GLOBAL))

Também presa aos seis meses de gestação, Criméia de Almeida, de 67 anos, conseguiu manter seu filho na barriga, a despeito das torturas. Quando a bolsa estourou, na cela solitária que ela ocupava em uma carceragem do exército em Brasília, dezenas de baratas que habitavam o lugar começaram a subir por suas pernas, alvoroçadas por se alimentar do líquido amniótico. Embora pedisse ajuda, teve de esperar horas até ser transferida a um hospital. Lá, a ex-guerrilheira do Araguaia, que havia trabalhado como parteira na Amazônia,teve as pernas e os braços amarrados. “Quando o bebê nasceu, já o levaram para longe de mim. E o médico me costurou sem anestesia, eu gritava de dor. Daí passaram a usar meu filho para me torturar. Passavam dois dias sem trazê-lo para mamar. Quando ele vinha, estava com soluço, magro, morto de fome. Ele nasceu com quase 3,2 kg. Mas com um mês de vida pesava apenas 2,7 kg. Na infância, ele tinha muitos pesadelos, chegou a ter convulsões. É claro que ficaram traumas em todos nós. Quando eu estava presa e ouvia o tilintar de chaves na carceragem, que significava que alguém seria torturado, o bebê começava a soluçar dentro do útero. Hoje, aos 40 anos, João Carlos ainda soluça toda vez que fica estressado”, afirma Criméia.

Ele não conheceu o pai, André Grabois,que até hoje é considerado desaparecido político. Criméia não teve a chance de enterrar seu companheiro. É provável que André tenha sido assassinado pelos militares durante a guerrilha do Araguaia – movimento comunista na região amazônica combatido pelo governo entre 1972 e 1974, no qual acredita-se que os militares tenham lançado bombas de Napalm, o mesmo químico usado no Vietnã, de acordo com mais uma revelação recente da Comissão da Verdade. Sorridente até ali, em um evento sobre educação internacional para mulheres, a ministra das mulheres, Eleonora Menicucci, ganhou um semblante pesado ao ser indagada por Marie Claire sobre sua história na ditadura. Quando foi presa, em 1971, tinha apenas 22 anos e uma filha de 1 ano e 10 meses. Para forçála a dar informações de sua atividade política, os militares colocaram a menina, Maria,  apenas de fralda, no frio. A criança chorava e os torturadores ameaçavam dar choques nela. Ieda Seixas, que foi aprisionada na mesma cela que a atual ministra logo depois dessa sessão de tortura, afirma: “A Eleonora andava como um animal enjaulado, de um lado para o outro, e dizia ‘minha filha, minha filha’. Tinha os olhos esbugalhados, passava a mão pelos cabelos com desespero, parecia que ia explodir. Era mais do que estar transtornada, ela estava em estado de choque”.

Sobre a experiência, a ministra diz: “A Maria superou tudo e hoje é uma vencedora. Eu também superei. Tive outro filho que me deu a certeza de que o que fiz foi correto e me mostrou que eu ainda era capaz de ser mãe mesmo depois de todas as torturas que sofri. Mas, ainda assim, relembrar isso é muito sofrido. Acho que cada um resolve à sua maneira. A Maria aprendeu a lidar com isso com mais liberdade e menos sofrimento. Eu, tudo o que tinha de falar, eu falei. Porque o pior não é a tortura física, mas a psicológica, a ameaça. As ameaças que faziam comigo de torturar a Maria na minha frente eram tão pesadas que talvez fossem mais fortes do que a própria tortura em si”.

  Material Brasil Nunca Mais do Arquivo Edgard Leuenroth/Unicamp)

AS GRADES DO DOPS (FOTO: MATERIAL BRASIL NUNCA MAIS DO ARQUIVO EDGARD LEUENROTH/UNICAMP)

O FUTURO
É com essa mesma memória que o Brasil tenta aos poucos lidar. A abertura dos arquivos e os depoimentos, que pode resultar em processos contra os torturadores, não são as únicas manifestações. No cinema, "Hoje", filme da diretora Tata Amaral, mostra o quão atual é nossa dívida com a história. A protagonista do longa, vivida pela atriz Denise Fraga, é uma ex-militante de esquerda cujo marido foi morto pelos militares. Ela recebe uma indenização pela morte dele e compra um apartamento, mas, no dia da mudança, o desaparecido ressurge. A figura do retorno mostra como é difícil seguir em frente sem resolver o passado. É assim no filme e na vida de Criméia, Amélia, Ieda, Ana Mércia e Ana Maria. “Ao fazer "Hoje", me deparo com uma sociedade que permite que sua memória seja roubada. E que aceita que, neste momento, alguém esteja sendo torturado numa prisão brasileira. Será que em algum momento a gente vai dizer: ‘Chega!’?”

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Ditadura...

Nunca mais!

 

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FORA TEMER

Arte é Luz - União e Olho Vivo

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Láise

Histórias escancaradas e repercutidas à exaustão

Histórias da ditadura militar no Brasil deveriam ser escancaradas e repercutidas à exaustão. É uma página rasgada, onde muitos, sabem muito pouco, oque de fato aconteceu. Tanto que, JOVENS, chegam a sandice de perdir o retorno da ditadura. Onde estão as lembranças, as homenagens, a importância? É tudo muito sutil e nada é abrangente.

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Homero Janunc

Não somente esses excessos

Não somente esses excessos devem sempre ser divulgados como também os excessos (assalto à bancos, atentados e sequestros) realizados pelas guerrilhas de esquerda.

Lembrem-se os excessos foram dos dois lados...

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RINALDO

DITADURA NUNCA MAIS, SEJA DE

DITADURA NUNCA MAIS, SEJA DE ESQUERDA DE DIREIRA, DE MILITAR, DE ONDE FOR, DITADURA JAMAIS!!

 

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Lutar contra a ditadura não é o mesmo que defender a democracia

Lutar contra a ditadura e defender a democracia não são sinônimos. Se as militantes queriam a volta do regime democrático, então por que nenhum manifesto lançado pela guerrilha clamava pelo volta da constituição de 1946 e do presidente deposto Goulart?

De resto, já foi publicado pelo insuspeito Jacob Gorender (Combate nas Trevas) que a primeira turma (das Ligas Camponesas) enviada para fazer curso de guerrilha partiu em 1962, em plena vigência do regime democrático. Faria bem a vocês reconhecer de uma vez por todas que o projeto revolucionário dos comunistas brasileiros não tinha relação alguma com o fato do país estar ou não em uma ditadura, mesmo porque o regime anterior a 1964 não era considerado democrático por eles - tratava-se de uma "democracia burguesa". Como eles não chegaram ao poder, ninguém pode afirmar que tipo de regime teriam instalado, mas considerando o espírito da época, tudo indica que seria do estilo cubano - uma ditadura de partido único. Hoje, passados 40 anos, é triste constatar que essas mulheres militantes sofreram tanto por um objetivo que, se alcançado, teria levado o país a uma situação bem pior - muita fila, muito racionamento, muito cortiço caindo aos pedaços, e é claro, muita prisão e muita tortura, como a insuspeita Anistia Internacional sempre denunciou em seus relatórios sobre Cuba.

Assim é a vida. Uns passam em brancas nuvens, outros morrem por seu ideal. Alguns fracassaram no meio do caminho, mas depois viram seu projeto triunfar: é triste, mas ao menos esses têm o consolo de saber que rumavam na direção certa. Outros triunfaram por algum, tempo, e depois foram derrotados: é triste, mas ao menos esses têm o consolo de saber que por algum tempo estiveram por cima da carne seca. Mas o que dizer daquels que fracassaram em implantar uma ideia que, masi tarde, se revelaria fracassada? Aí, com perdão da expressão xula, só enfiando o dedo no c* e rasgando. Chego a entender o lastimável estado mental de numerosos ex-militantes hoje em dia...

 

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Do mural da Ana Helena

Do mural da Ana Helena Ribeiro Tavares, no Facebook

 

Ana Helena Ribeiro Tavares3 h · Editado ·  

Compartilho do Chico Alencar:
"ENTULHO AUTORITÁRIO!
Vítor Oliveira Santana é um jovem ator da Companhia Ensaio Aberto. Nesta tarde, ao passar na Central do Brasil, viu um pequeno grupo em frente ao prédio do Comando Militar do Leste pedindo... a volta da ditadura militar! Vítor não se conteve: foi lá e disse que aquela manifestação reivindicava absurdos, como a volta da censura e da tortura. O gesto isolado, de cidadão indignado, não agradou aquela gente, claro.
Após a fala, Vítor retomou o seu caminho. Foi aí que aconteceu o absurdo dentro do absurdo: Vítor foi cercado por PMs fardados, que exigiram que ele entregasse sua bolsa, para revistá-la. "Eu a abro, mas na minha mão", acautelou-se Vítor. Os PMs, truculentos, não titubearam: o alvejaram com spray de pimenta, deram um gravata, jogaram Vítor no chão e o levaram detido, por 'desacato' e 'resistência à prisão'.
O delegado da 5ª DP corroborou a versão dos agressores e não deu atenção à advogada que acompanhou Vítor. Teria inclusive ameaçado de prendê-la também!
Amigo(a)s, avisados, foram chegando e as autoridades autoritárias percebendo que o seu desatino poderia pegar muito mal... Vítor registrou o que aconteceu com ele; os seus algozes insistiram na farsa do 'desacato' - costumeira, por sinal.
Denunciamos e acompanharemos os desdobramentos do caso. Vítor foi logo socorrido, mas não é assim com tantos "Amarildos" nesse país de ainda cambaleante democracia, cheia de resquícios do terror oficial - "página infeliz da nossa História".
O episódio é exemplar: os primitivos que clamam pela volta da ditadura já têm seus representantes aqui e agora, mantidos pelo dinheiro que a sociedade paga para protegê-la. Esses 'servidores' prepotentes usam e abusam do poder. Até quando?
Em tempo: 4ª que vem, 1º de abril, completam-se 51 anos do golpe civil-militar de 1964. Ditadura e tortura nunca mais!"

 

 https://www.facebook.com/anahelena.ribeirotavares/posts/931352386927646?fref=nf

 

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Deixou-me com olhos

Deixou-me com olhos lacrimejados e um nó na garganta indescritível. Nojo, Indignação... 

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estevão

 Estas Mulheres faziam parte

 Estas Mulheres faziam parte de um comando organizado, treinado e financiado com dinheiro soviético. Por trás destas carinhas de moças bem comportadas se escondiam armas de combate sanguinárias capazes de ir até matar para garantir o sucesso da missão. Sua missão era desestabilizar o Brasil e entregá-lo aos comunistas para formar um bloco comunista mundial, uma máquina militar de extração de riquezas. Em troca, poderiam subir mais rápido os degraus do Poder e se instalar no topo do esquema que ajudavam a construir para Governar o País. A Revolução era pra ELAS e seus comparsas tomarem o Poder e comandar o País. Infelizmente, estes soldados comunistas nunca abandonaram a luta, e se esconderam travestidos na sociedade até corromper e manipular a Massa de Manobra que os trouxe ao Poder pelo voto. Dez anos depois de instalados, caminham em direção ao Comunismo, contra todos e contra tudo, obcecados pela mesma ideia ancorada no passado e que já não serve mais para os dias atuais. Estas moças viraram monstros, dinossauros do seu próprio passado, e seus companheiros instalados em Brasília agora nos empurram este passado goela abaixo. E o que deram para a Massa de Manobra manipulada que os colocou lá? Bugigangas...e também carros com engarrafamentos, ar-condicionados com apagões, máquinas de lavar com falta d'água, casas populares com insegurança nas ruas. Deram bugigangas, regresso de vida, e agora também apresentam a conta deste oba oba: uma dívida de R$2Trilhões. Que bela de uma revolução, hein, senhoritas! Assim até eu!

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Luana Paula

A alienação política e a falta de humanidade

O que argumentar diante de tantos absurdos balburdeados acerca de um comunismo brasileira à moda petista? Pior, o que dizer a estes seres que se dizem racionais, mas tentam justificar as torturas mais terríveis sobre um suposto ataque comunista?

A história já mostrou que a principal luta contra a ditadura foi em favor da democracia, o modo petista de governar está para quem tem o mínimo de discernimento político ligado a uma política neoliberal de caráter neodesenvolvimentista, pois é, nada socialista, nada comunista!

Agora como é simples argumentar que pessoas acessaram bens de consumo e qualidade de vida sob a alcunha de bugingas... afinal, historicamente pessoas como este senhor, autor das mais estapafúrdias argumentações, sempre acessaram tais bens e se diferenciavam da maioria da população por seu poder de consumo, condição que lhes agregava status. É senhor, os tempos mudaram e a empregada doméstica pode se locomover ao trabalhar dirigindo um carro da mesma marca que o seu, ou quem sabe uma moto... Uma grande verdade, esses bens de consumo não são suficientes diante das degradações ambientais, porém, as causas de tais crises não lhe assombram nem remotamente, a culpa deve ser escapamento dos carros ou das máquinas de lavar que estão gastando muita água ou quem sabe da grande produção de materiais de construção para garantir o direito à moradia? 

Qualquer pessoa com o mínimo de discernimento acerca da realidade pode perceber que a lógica desse sistema, que pessoas "pensantes" como este senhor defendem, é a principal causa dos desequilíbrios ambientais, das crises estruturais vivenciadas na sociedade. Pois é, a Europa não é mais referência do sucesso do capitalismo, o sistema está em colapso.

Sim e daí, pouco importa não é? O melhor é continuar defendendo a desigualdade social, a meritocracia, a falsa democracia e os privilégios dos ricos. Tenha santa paciência, ia esquecendo a insegurança também não se relaciona com o sistema é culpa das várias casas e dos programas sociais que criam vagabundos!

Finalizo esse texto repleto de ironia, dizendo: conheçam a história real desse país, estudem mais para entender o que é o capitalismo, sua face neoliberal e percebam que nesse aspecto o Brasil nada mudou. Estas mulheres sofreram para que pessoas como este senhor, pudessem colocar publicamente inverdades e suplantar o terror em toda parcela da sociedade que sem conhecer a história, acredita que viraremos Cuba, Venezuela ou Bolívia! Sinceramente gostaria de ter a melhor educação e saúde do mundo, gostaria de 0% de mortalidade infantil, gostaria que a concepção de solidariedade saísse dos marcos do assistencialismo... E, se isso só acontece no comunismo, que um dia o PT cumpra - o que tenho certeza não ocorrerá - as profecias alucinadas desta parcela reacionária e faça desse país um lugar justo, igualitário, livre e sem classes! 

Ps.: não venham falar de União Soviética sem saber o que gerou a derrocada do sistema, pois já basta ter que rememorar a história do Brasil, ter que fazer isso com a história geral vai ser deveras cansativo! Faz um favor, estude, pense, liberte sua mente, saia da matriz!!!

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A luta continuou

 A Dra. Ana Maria Aratangy, mesmo após toda esta triste vivência, conseguiu nos anos 90, ser uma das primeiras médicas, a desmistificar o  conceito de "grupos de risco em DST/AIDS", com seu trabalho relativo a prevenção desta doença entre as mulheres, tanto no GTPOS, como na Secretaria da Saude, sendo uma das primeiras vozes médicas, a classificar os "comportamentos de risco", medida que gradativamente ( brasileiro é lerdo), desestigmatiza a doença, seus portadores e suas vitimas.

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junior50

imagem de Paulo S
Paulo S

Esses depoimentos são de uma

Esses depoimentos são de uma eloquência ímpar.


As “Comissões da Verdade” têm um papel essencial no regaste da nossa memória e, principalmente, na ampliação da dimensão histórica até há pouco conhecida por nós. Foi muito maior e mais cruel do que conhecemos.


Infelizmente, porém,  parte da nossa sociedade não só teve a sua memória roubada como parece que nunca dirá "Chega".  Ao contrário, quando concorre para soluções à margem da legalidade, da democracia e da humanidade (Por ex.:bandido bom é bandido morto, qualquer suspeito pode ser amarrado ao poste, apanhar da polícia etc) ; quando incensa personalidades que surgem ao sabor da manipulação midiática, estamos mais perto de aceitar um pouco mais de golpismo e violência institucionalizada.


 

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Maria Izabel L Silva

Belissimas fotos. A

Belissimas fotos. A proposito. As tres militantes que aparecem no inicio do post usam o mesmo corte de cabelo e a mesma armação nos oculos. Mesmo estilo também adotado pela Dilma Roussef. Achei curioso esse estilo em todas elas. 

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Re

Lembro da minha mãe com esse

Lembro da minha mãe com esse corte de cabelo e tipo de óculos. Vou ver na internet mas se não me engano era moda na época. Não era típico só dessas corajosas e valorosas mulheres da matéria, que lutaram e sofreram pela democracia. 

Quanto a alguém que tenha lido a matéria e mesmo assim acredita que por terem ideologia de esquerda essas mulheres mereceram o que passaram, eu diria que essa pessoa não é gente, não é humana, é besta-fera. 

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Pedrinho

Enojado

Eu tenho total desprezo pelas forças armadas brasileira e nenhum respeito pelo aparato policial que temos.

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Mar da Silva

É preciso coragem. A dor

É preciso coragem. A dor daqueles que sofreram nas mãos dos torturadores parece não ter fim. O Brasil resolveu acobertar os torturadores. Isso diz muito sobre nossa falsa democracia.

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