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Réu, Padilha é acusado de receber milhões de universidade do RS

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Jornal GGN - O ministro da Casa Civil de Michel Temer, Eliseu Padilha, é alvo de investigação na Justiça Federal do Rio Grande do Sul por pagamentos milionários de uma universidade privada. Padilha é réu, acusado de obter benefícios junto à Universidade Luterana do Brasil, quando era deputado federal.
 
O atual ministro teria recebido R$ 3,9 milhões (que equivalem a R$ 7 milhões hoje) da instituição por meio de duas de suas empresas, a Rubi e Fonte, sem a prestação dos serviços de consultoria.
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Em dez anos, UFMG perderia mais de R$ 700 mi se PEC 241 valesse

 
Jornal GGN - A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) teria, em dez anos, menos R$ 774,8 milhões em investimentos do que realmente teve entre os anos de 2006 e 2015, se a PEC do Teto dos Gastos Públicos (241) valesse para aquele período. Os cálculos são da Pró-reitoria de Planejamento e Desenvolvimento da Universidade.
 
O levantamento foi feito para a Universidade de Minas analisar o "efeito devastador" sobre a educação caso a Proposta de Emenda à Constituição 241 for aprovada. Considerando que a medida que buscar criar um "novo regime fiscal" irá amarrar a despesa primária do governo federal - incluindo aí as principais áreas sociais - ao valor gasto no ano anterior, corrigido apenas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a UFMG divulgou uma tabela comparando quanto foi gasto em cada ano com os repasses da União e quanto seria esse valor se a PEC estivesse vigente.
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Em defesa da universidade pública paga, por Marcos Fernandes

Jornal GGN - Em artigo publicado no Centro de Política e Economia do Setor Público, Marcos Fernandes defende que a universidade pública cobre mensalidade dos alunos que estão em camadas sociais com condições de arcar com os custos do ensino superior. Segundo ele, a UNE deveria repensar a defesa dessa proposta como forma de tornar a sociedade mais justa do ponto de vista social. O autor ainda sugere que, no modelo atual, os pobres estão transferindo recursos para sustentar os filhos dos ricos.

Por Marcos Fernandes

Do CEPESP (Centro de Política e Economia do Setor Público)

“De cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades”

Karl Marx

“Educação popular igual? Que se entende por isto? Acredita-se que na sociedade atual (que é a de que se trata), a educação pode ser igual para todas as classes? O que se exige é que também as classes altas sejam obrigadas pela força a conformar-se com a modesta educação dada pela escola pública, a única compatível com a situação econômica, não só do operário assalariado, mas também do camponês? ‘Assistência escolar obrigatória para todos. Instrução gratuita’. A primeira já existe, inclusive na Alemanha; a segunda na Suíça e nos Estados Unidos, no que se refere às escolas públicas, O fato de que em alguns Estados deste último país sejam ‘gratuitos’ também os centros de ensino superior, significa tão somente, na realidade, que ali as classes altas pagam suas despesas de educação às custas do fundo dos impostos gerais.”

Karl Marx

“A educação é um bem público a que todos têm direito independente do nível de renda”

Carina Vitral (Presidente da UNE)

Qualquer que seja o novo governo, um eleito em 2018 com o final de mandato da Presidente Dilma Rousseff, ou um eleito diretamente em 2016 ou o de transição se o impeachment for consumado, há vários problemas de ineficiência e injustiça nas políticas públicas que devem ser estudados e debatidos pela sociedade com transparência.

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Dom Odilo vai respeitar o resultado da eleição para a reitoria da PUC?

Atualização 15/06 com resposta da PUC-SP

Jornal GGN – Na última sexta-feira (10), professores, alunos e funcionários da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) concluíram a votação para escolher o próximo reitor. A apuração foi finalizada hoje (13) e a vitoriosa nas urnas foi a doutora Maria Amalia Pie Abib Andery, do departamento de Psicologia da instituição.

Vencedora absoluta na soma, ela também foi a mais votada entre alunos e professores isoladamente. Apenas no grupo dos funcionários foi que ficou atrás do segundo colocado, o professor de Teologia da PUC, padre Antônio Manzatto.

Na próxima quarta-feira (15), o Conselho Universitário vai se reunir para ratificar o resultado da consulta e encaminhar a lista tríplice para o cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo Metropolitano de São Paulo e grão-chanceler da PUC-SP. Pelo estatuto da Universidade, a palavra final é dele. Ele tem a liberdade para ignorar a vontade da maioria e escolher qualquer um dos candidatos para ocupar a reitoria.

Historicamente, os cardeais da PUC sempre selecionam o mais votado para o cargo. Dom Odilo, no entanto, já foi a exceção no passado recente. Em 2012, depois que a comunidade acadêmica elegeu o professor de Direito Penal, Dirceu de Mello, o cardeal ignorou o pleito e nomeou a terceira colocada, a professora de Letras, Anna Cintra, para o cargo.

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MST reúne professores para debater função social das universidades

Intercâmbio entre setor de educação do movimento e professores discutiu também golpe de estado
 
MST reúne professores para debater função social das universidades
 
Jornal GGN - O Movimento dos Sem Terra (MST) realizou três encontros com professores universitários para fomentar o debate da função social das instituições superiores de ensino. Na "intercâmbio" entre o setor de educação do MST e cerca de 100 docentes de várias universidades que estiveram presentes nos debates foram discutidos a situação golpe de estado no Brasil e a necessidade ampliar o tema da reforma agrária nas salas de aula. 
 
A iniciativa do movimento social vai na contramão de dois projetos de lei que viraram notícia nas últimas semanas, um em Brasília e outro no Rio, criados pelo movimento 'Escola sem partido' que pede o fim do debate político da esquerda nas salas de aula.  
 
Por Hildebrando Silva de Andrade
Da Página do MST
 
 
Aconteceu entre os dias 19 e 21, na Escola Nacional Florestan Fernandes, o III Encontro dos Professores Universitários e o MST. A plenária, que teve a participação de cerca de 100 professores de universidades de todo o Brasil, foi batizada com o nome do professor Paulo Kageiama e abordou temas como o análise de conjuntura nacional, a função social das universidades públicas e os desafios da relação com os movimentos sociais.
 
O encontro nacional dos professores com o MST  é fruto do trabalho do setor de educação do Movimento, que mantêm uma articulação histórica não só com as universidades, mas uma reação direta com os educadores e educadoras. A primeira edição ocorreu em setembro de 2011 e a segunda em maio de 2013. Essa é uma iniciativa do MST e dos professores universitários que atuam em parceria com o Movimento organizando cursos de formação e cursos formais nas universidades.
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O risco à autonomia intelectual das universidades brasileiras, por Rafael Evangelista

Do Outras Palavras

Brasil: universidade sem tecnologia?

Por Rafael Evangelista

Burocratizadas e inertes, instituições entregam a Google e Microsoft serviços pedagógicos e comunicacionais estratégicos. Na era da Economia do Conhecimento, país pode conformar-se à submissão

Cansadas dos ataques e dos constantes cortes de verba, as universidades públicas parecem não querer mais existir. Mantêm o mínimo, mas vão fazendo cortes lentos que implicam, na prática e no médio prazo, na cessão para parceiros privados de várias coisas que as definem, que historicamente fazem parte da sua missão. Com isso, vão abdicando de sua autonomia intelectual e de implementação de tecnologias orientadas de acordo com seus princípios públicos.

O exemplo mais recente e flagrante vem da área de tecnologia da informação. Google e Microsoft vêm estabelecendo parcerias com diversas universidades públicas brasileiras para oferecer “tecnologias educacionais”. Na prática, as instituições vão abrindo mão de seu parque computacional, ao mesmo tempo que promovem os produtos dos parceiros. Os alunos, funcionários e docentes recebem, com frequência, e-mails vindos dos centros de computação das universidades convidando para a adesão aos serviços. Com o convite feito de maneira institucional é fácil prever o resultado: adoção de tecnologias externas em detrimento de algo produzido e gerenciado autonomamente.

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O drama de alunos bolsistas no fechamento da Faculdade do Povo

Com colaboração de Ana Gabriela Sales
 
 
Jornal GGN - Após terem que enfrentar o fechamento inesperado da Faculdade do Povo (FAPSP), em São Paulo, no final de 2015, e o fim de um planejamento estudantil recém elaborado, os 430 alunos forçados a se transferir para outra Universidade não imaginaram que teriam outros problemas pela frente. Criada há menos de sete anos, oferecendo cursos na área de Comunicação, a Instituição mantida pela Associação Educacional e Assistencial Graça de Deus (Pró-Graça), do missionário R.R. Soares, fechou as portas por "inviabilidade financeira".
 
Cerca de um quarto dos estudantes eram bolsistas do Prouni, com 50% de desconto, em média. Quase todos os outros 300 matriculados tinham descontos de 30% a 50% fornecidos pela própria faculdade. Se no resultado desse balanço, a falta de lucro foi o que motivou o fechamento da FAPSP, essas bolsas também implicaram em mais problemas para os beneficiados. 
 
"Os alunos foram abandonados à própria sorte, essa é a verdade", resumiu Beatriz Sanz, que já cursava o 5º semestre de Jornalismo na Faculdade do Povo. A opção dada a ela e a todos os alunos foi a transferência para a Unisa (Universidade de Santo Amaro), que fechou um acordo para receber os estudantes que quisessem, mantendo o mesmo valor das mensalidades cobrado pela instituição de origem.
 
A informação concedida pela própria FAPSP ao GGN, em dezembro de 2015, foi confirmada pelo Ministério da Educação, explicando à reportagem, na última semana, que, além da manutenção dos valores de cobrança, a Unisa "realizou quatro reuniões abertas a todos os estudantes". Segundo o MEC, a única exigência para os estudantes se matricularem era "apresentar o histórico escolar emitido pela Faculdade do Povo".
 
O cenário de receptividade demonstrado pelo MEC e pela Unisa à equipe de reportagem não foi, por outro lado, o mesmo relatado pelos estudantes.
 
"Foram poucos alunos para a Unisa. Dos que eu conheço, pelo menos, ninguém conseguiu ir para lá. Além de não aceitar Prouni no Campus Marechal, também  não formaram turmas para o terceiro e outros semestres. Deram a opção de ir para o campus Santo Amaro, no período da noite. Mas nesse campus, só receberiam alunos do Prouni com 50% e com um limite de vagas", disse Filipe Queiroz, que estava no 2º semestre do curso de Jornalismo na Faculdade do Povo.
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A pedagogia interdisciplinar da Federal do ABC

Jornal GGN - Criada em 2005, a Universidade Federal do ABC (UFABC) já aparece em vários rankings nacionais e internacionais entre as melhores do país. O sucesso da instituição se explica pela sua proposta pedagógica diferenciada, orientada pela interdisciplinaridade e pelo contato dos alunos com o ambiente de pesquisa desde o início das aulas.

A UFABC começa a se diferenciar pela organização. Ao invés de departamentos acadêmicos separados uns dos outros, a universidade possui três grandes centros, um para as áreas das ciências naturais e humanas, outro com as engenharias e ciências sociais e o terceiro com as disciplinas de matemática, computação e cognição.

Ao invés de oferecer cursos tradicionais com currículos definidos, a instituição dá duas opções iniciais para os alunos: fazer um bacharelado interdisciplinar em Ciência e Tecnologia ou um bacharelado interdisciplinar em Ciências e Humanidades. Durante três anos, o estudante tem uma formação mais generalista e, na medida em que escolhe as disciplinas que vai aprender, acumula créditos para continuar sua graduação em formações específicas a partir do quarto ano.

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Em 2012, Moro tentou mudar regras de Universidade para assessorar Rosa Weber

 
Jornal GGN - Enquanto ainda ocupava a cadeira da 2ª Vara Federal Criminal de Curitiba e era um dos professores de Processo Penal da UFPR, em 2012, Sergio Moro brigou na Justiça para que a Faculdade cedesse às suas exigências. No início daquele ano, foi chamado para assessorar a ministra do STF, Rosa Weber. Aceitou o convite, mas não quis largar o magistério. Entrou com mandado de segurança para que a Universidade mudasse o seu regimento interno, com a justificativa de que seria uma grande vantagem para a faculdade e para os alunos terem um professor que era assessor de ministro do Supremo.
 
Moro queria dar aulas apenas nos dias em que podia. Totalizando, ainda não chegaria a completar as oito horas-aula exigidas semanalmente. Mas a Justiça não cedeu. A juíza responsável afirmou que o Judiciário não pode determinar a uma Universidade Federal o que fazer, apenas em casos de ilegalidades.
 
"As normas de regência asseguram às universidades, dentre suas atribuições, a de fixar seus currículos e elaborar seus Estatutos e Regimentos, descabendo ao Judiciário quaisquer ingerências na livre iniciativa das Instituições de Ensino", determinou a juíza Claudia Cristina, à época, propondo, ainda, algumas soluções a Moro, como o envio de uma carta à UFP, explicando quais dias teria flexibilidade para dar aulas. O juiz não aceitou. 
 
Naquele ano, Sergio Moro ajudou a juíza Rosa Weber em seus trabalhos durante o julgamento da AP 470, o mensalão. Rosa entrou para a história ao condenar Dirceu com as palavras: "Não tenho prova cabal contra Dirceu, mas vou condená-lo porque a literatura jurídica me permite". O voto da ministra teria sido escrito pelo atual juiz da Lava Jato.
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Pesquisa analisa efeitos da desigualdade de gênero na carreira acadêmica

Da Revista Pesquisa Fapesp

 
Estudo sugere que disciplinas com alta presença feminina não garantem às pesquisadoras vantagem para chegar ao topo da carreira
 
Fabrício Marques

Um artigo publicado na revista Dados sugere que desigualdades de gênero têm efeitos mais complexos na carreira acadêmica no Brasil do que a literatura sobre o assunto costuma contemplar. Assinado pela socióloga Marília Moschkovich e por sua orientadora, a professora Ana Maria Fonseca de Almeida, da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o trabalho analisou dados sobre a trajetória de professores e professoras da Unicamp e fez alguns achados surpreendentes. Um deles é que o fato de as mulheres serem maioria em determinadas áreas do conhecimento não necessariamente as ajuda a alcançar o topo. O estudo analisou as chances de homens e mulheres chegarem ao nível mais alto da carreira docente da Unicamp em cada uma das 27 unidades da instituição. Constatou-se que professores do sexo feminino têm menos chance que os do sexo masculino de alcançar o topo nos cursos de Linguística, Educação e Medicina, nos quais as mulheres são maioria no corpo docente. Ao mesmo tempo, professoras têm possibilidade maior de chegar ao cume nos cursos de Engenharia Mecânica e Agrícola, nos quais, paradoxalmente, elas são franca minoria.

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Câmara aprova PEC que permite universidades públicas a cobrarem cursos

 
Jornal GGN - Foi aprovado por 318 votos contra 129, pelo Plenário da Câmara, a PEC 395/14, que legaliza a cobrança de mensalidade por Universidades e escolas públicas para os cursos de pós-graduação, extensão e mestrado profissional, nesta quarta (21). A votação ainda precisa passar pelo segundo turno.
 
A proposta altera o Artigo 206 da Constituição que determina a gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais. 
 
O texto de autoria de Cleber Verde (PRB-MA) incluiu que seriam facultativas as ofertas gratuitas de cursos de extensão, de pós-graduação lato sensu e de mestrado profissional, e que seria "respeitada a autonomia universitária". A proposta inicial excluía o mestrado, o que promoveu polêmica entre os deputados. A aprovação da Câmara acabou validando o curso como passível de cobrança.
 
De acordo com o deputado Ivan Valente (PSOL-SP), a medida cria uma porta de entrada para processo de privatização da educação pública. "É uma proposta privatista que reduz a responsabilidade do Estado, intensifica a privatização e o modelo de universidade gerencial. O modelo de universidade com ensino pesquisa extensão é o melhor modelo de universidade se quisermos construir uma proposta de futuro para o país", afirmou.
 
A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) criticou a alteração, lembrando que dentro da própria comunidade acadêmica não há consenso, citando que a Associação Nacional Dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) não tinham posição firmada, mas a Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG) e o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN) são contrários. “Porque aligeirar-se numa decisão onde a comunidade universitária não tem consenso sobre a questão?”, questionou.
 
Para justificar seu texto, Cleber Verde disse que a cobrança já é realidade em algumas instituições. "O que nos foi dito em audiências públicas é que a esses cursos servem não apenas para capacitar profissionais, mas também permitem investimentos em laboratórios e em melhorias de infraestrutura", disse.
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Propostas para uma crise econômica, por Soraya Smaili

Por Soraia Smaili

Após o primeiro semestre do novo governo Dilma, novas análises sobre a política econômica e sobre o chamado ajuste fiscal precisam ser refeitas. Certamente, as impressões de hoje são mais pessimistas e críticas do que as de 6 meses atrás e precisamos analisar retrospectivamente, para que uma análise mais concreta possa ser feita e sirva de base para propostas mais efetivas de melhora no cenário.

Está claro agora que em 2014 encerramos um ciclo na economia, que representava um período "neodesenvolvimentista". O modelo aplicado até 2013 produziu relativa paz social no período de 10 anos, porém apresenta um esgotamento. A crise economica e a ausência de propostas
dão lugar a um início de 2015 com um programa de ajuste fiscal anunciado e colocado em andamento já nos primeiros dias do ano. Desde então, muitas projeções foram enunciadas; o início o ajuste fiscal foi apresentado como temporário. Porém, está claro agora que poderá
durar todo o ano de 2015 e boa parte de 2016.

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O acesso à educação universitária como direito fundamental

Educação superior pública: em busca do direito

Por Soraya Smaili, reitora da Universidade Federal de São Paulo

A realização do Fórum em Defesa da Educação Pública pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) trouxe mais um debate interessante e fundamental, o da Educação como direito. É certo que, como assegura a Constituição, a Educação é um direito do cidadão e um dever do Estado. Todos deveriam ter a oportunidade de acessá-la e ao mesmo tempo de receber uma educação de qualidade. Apesar de verificarmos, nos últimos anos, um aumento das possibilidades de acesso, isso não se traduziu em melhoria de qualidade ou de acesso democrático. Por isso, a defesa do aumento nos investimentos em Educação, em especial a Educação Pública, é tão premente e necessária. De fato, é a Educação que universaliza e cria isonomia de condições, independente da classe social.

Se para a Educação básica e fundamental, há o que fazer para garantir o acesso a todas as crianças em idade escolar, a situação na Educação Superior é mais difícil. Isso porque ela ainda não é considerada um direito e a garantia de acesso a todos os jovens entre 18-24 anos precisa caminhar rapidamente para ser alcançada. Ao contrário, o que verificamos mais recentemente, tem sido um ataque ao pensamento crítico, que é a base da universidade. Esse aspecto se agrava com a inclusão da educação como parte do acordo internacional do comércio, onde a Educação Superior passou a ser considerada um serviço.

Aqui está algo que deveríamos nos perguntar e refletir: a Educação Superior deve ser um bem de consumo ou uma prestação de serviço por empresas privadas e com fins lucrativos. Porém, o que vemos são fusões de empresas de capital externo e interno, conglomerados educacionais que compram faculdades todos os dias. Um dado alarmante desse crescimento é que os três maiores grupos privados de ensino, detêm mais de 2 milhões de estudantes em nível superior.

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Para entender o imbróglio do FIES

O mais novo pepino do governo Dilma - a crise do FIES (Fundo de Financiamento Estudantil) - começou no ano passado.

A intenção do FIES é permitir que os alunos de escola pública tenham acesso ao ensino superior, mesmo objetivo do REUNI (Reestruturação e Expansão das Universidades Federais).

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Foram dois programas históricos, montados após longos debates, que abriram o ensino superior para uma legião de alunos de baixa renda.

Nos últimos dois anos do primeiro governo Dilma, o fechamento da gestão à qualquer demanda externa impediu que o MEC (Ministério da Educação) identificasse a tempo as distorções que apareceram no programa.

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Por problemas com impostos, grande parte das escolas não tinha como acessar o FIES. Dilma lançou um programa, então, que permitia que quitassem as dívidas com as bolsas do FIES em um prazo de 15 anos. Havia a obrigatoriedade de quitar 10% no primeiro ano, nenhuma exigência para o ritmo de amortização nos 14 anos seguintes.

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Parceria de sucesso entre universidade e iniciativa privada

Jornal GGN - Unicamp, UFRJ e Chalmers Univesity (da Suécia) estão se aliando a empresa privadas para integrar a indústria de celulose às refinarias capazes de transformar a biomassa em produtos químicos. O projeto é coordenado pelo instituto sueco Innventia.

Criação coletiva

Por Bruno de Pierro

Da Revista Pesquisa FAPESP

Empresas brasileiras dividem riscos e custos com parceiros múltiplos em projetos de pesquisa e desenvolvimento

Diante do desafio de transformar resíduos florestais em novos compostos químicos, como etanol e polímeros, instituições de pesquisa do Brasil e da Suécia e empresas do setor de papel e celulose perceberam que as chances de sucesso seriam potencializadas caso compartilhassem experiências e tecnologias numa ampla plataforma de pesquisa. Foi assim que, em junho de 2013, companhias como AkzoNobel, Fibria, Novozymes e Sekab, em conjunto com universidades como a Estadual de Campinas (Unicamp), a Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Chalmers University, da Suécia, lançaram um programa que busca integrar a indústria de celulose com as biorrefinarias, que são usinas capazes de transformar biomassa em diversos produtos químicos.

Batizado de Polynol, o projeto é coordenado pelo instituto sueco Innventia, conhecido por liderar projetos articulando indústria, universidades e centros de pesquisa na Europa. “Há muitos parceiros da indústria e centros de pesquisa que trabalham em conjunto numa cadeia de valor, compartilhando abertamente resultados de pesquisa com o propósito de reduzir o tempo de implementação dos projetos”, explica Niklas Berglin, diretor adjunto da área de negócios de biorrefinaria do Innventia.

Iniciativas semelhantes ganharam impulso no Brasil e no mundo a partir da última década com a disseminação do conceito de inovação aberta. O termo apareceu pela primeira vez em 2003, no livro Open innovation, do americano Henry Chesbrough, professor da Universidade da Califórnia, Berkeley, para definir uma prática que surgiu em meados dos anos 1990, com o estabelecimento de parcerias entre departamentos de pesquisa de empresas. Em comparação com o modelo tradicional, no qual predomina o sigilo empresarial, a inovação aberta busca distribuir o processo de inovação numa rede externa de parceiros, onde há lugar para universidades, parceiros próximos ou de outros países, fornecedores e até mesmo concorrentes e clientes, cada qual ajudando de acordo com sua expertise. Em seus livros, Chesbrough mostra que, até meados dos anos 1990, as empresas buscavam fazer tudo por conta própria, como se pudessem inovar de forma autossuficiente (ver infográfico). Aos poucos, as companhias perceberam que poderiam aproveitar melhor as ideias vindas de fora, trazidas por universidades e outras empresas. “Elas viram que dessa forma poderiam reduzir custos e também ter mais tempo para se dedicar à sua especialidade, além de poder dividir riscos”, diz Bruno Rondani, fundador da Wenovate, associação dedicada a incentivar e promover projetos de inovação. Isso não significa que tudo seja compartilhado. As empresas abrem seus processos de inovação para captar e oferecer novos conhecimentos, mas os fecham quando desejam se apropriar de algo. Algumas empresas, por exemplo, só licenciam tecnologias depois que seus produtos estão há um tempo no mercado.

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