O Partido Novo confirmou nesta segunda-feira (27), em Brasília, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema como seu candidato à Presidência da República. O anúncio ocorreu após convenção nacional realizada de forma virtual e contou com a presença do presidente da legenda, Eduardo Ribeiro.
Ao discursar, Zema agradeceu o apoio unânime recebido na convenção e afirmou reunir todas as condições para concorrer ao cargo, dizendo se considerar até mais preparado que seus adversários. Ele reforçou também a intenção de se posicionar como alternativa à polarização entre os dois principais polos da política nacional, argumento que já havia usado em suas campanhas ao governo mineiro.
“Minha bandeira é estar contra o PT”
Um dos pontos centrais do discurso foi a crítica direta ao Partido dos Trabalhadores. Zema afirmou que sua marca na disputa será justamente o combate ao PT, legenda que, segundo ele, teria levado Minas Gerais a uma grave crise fiscal durante sua gestão anterior no estado. Ele associou a passagem do partido no poder federal a sucessivos escândalos de corrupção e disse que o país tem potencial para prosperar, mas é travado pela corrupção.
Apesar de já ter cumprido quase dois mandatos como governador, Zema insistiu em se apresentar como um nome de fora da política tradicional, repetindo o discurso “outsider” que usou nas eleições estaduais de 2018 e 2022.
O ex-governador evitou, porém, criticar diretamente Flávio Bolsonaro (PL-RJ), outro candidato ao Planalto, dizendo já ter se manifestado sobre ele anteriormente. A relação entre os dois esfriou nos últimos meses, na esteira do escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Nas pesquisas, a candidatura ainda aparece com desempenho modesto: um levantamento Nexus/BTG divulgado no mesmo dia colocou Zema em quinto lugar, com 3% das intenções de voto. Ele minimizou o resultado, lembrando que o interesse do eleitorado costuma crescer perto do pleito.
Principais promessas de campanha
Ao longo do discurso, Zema listou uma série de propostas para um eventual governo:
- Fim do que chama de “farra dos intocáveis”, crítica direcionada ao Supremo Tribunal Federal e a autoridades que, na visão dele, escapam de responsabilização;
- Combate à corrupção e gestão sem favorecimento a aliados ou familiares;
- Enquadramento de facções criminosas como organizações terroristas;
- Construção de um “superpresídio” em região remota — preferencialmente na Amazônia — para concentrar líderes de facções, que ficariam presos por longos períodos;
- Ampliação das privatizações de estatais, sem exceções predefinidas;
- Redução de privilégios no setor público, citando medidas adotadas em Minas Gerais;
- Ambiente mais favorável a empreendedores, com menos burocracia e carga tributária;
- Idade mínima de 60 anos para indicação de ministros do STF;
- Lista tríplice para escolha de futuros ministros da Corte;
- Fim de decisões monocráticas do STF sobre temas já votados pelo Congresso;
- Revisão do modelo de emendas parlamentares, que classificou como um problema para o país.
Sobre a relação com o Legislativo, Zema disse rejeitar a lógica do “toma lá, dá cá” baseada em cargos e verbas.
Vice ainda indefinido
Questionado sobre quem completará a chapa, Zema confirmou que o Novo ainda não fechou o nome do vice, mas que a definição deve sair até 5 de agosto, prazo legal estabelecido pelo TSE. Segundo ele, o partido exige que o indicado tenha ficha limpa e esteja alinhado ao compromisso de resistir a pressões políticas, e não descarta uma chapa formada só por filiados da legenda.
Uma alternativa que esteve próxima de se concretizar era o empresário Geraldo Rufino (Podemos), mas ele optou por disputar uma vaga no Senado por São Paulo.
O nome que ganhou força nos últimos dias é o do ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, hoje filiado ao DC. Segundo relatos, o próprio partido de Barbosa procurou o Novo no fim de semana para sondar o interesse na aliança, e os dois já tiveram uma breve conversa por telefone, descrita por interlocutores como positiva. Zema afirmou pretender se encontrar pessoalmente com Barbosa no Rio de Janeiro e voltou a elogiar sua trajetória à frente do combate à corrupção, mas ressaltou que nada está definido e que a palavra final cabe ao diretório nacional do partido.
Zema também usou o episódio para reforçar suas críticas ao STF, contrapondo a imagem de Barbosa à de ministros atuais, comentário feito dias após ele divulgar um vídeo satirizando a Corte com fantoches, na esteira das repercussões do caso Banco Master.
Trajetória
Nascido em Araxá (MG), aos 61 anos, Zema é formado em administração pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e construiu carreira como empresário antes de entrar na política. Governou Minas Gerais de 2019 até março de 2026, quando renunciou ao cargo para se dedicar à corrida presidencial. Tem histórico de aproximação com a família Bolsonaro, tendo apoiado Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022, apoio que hoje mantém a distância em relação à candidatura de Flávio.
O governador mineiro também é conhecido por polêmicas. Durante o podcast “Inteligência Ltda”, em 1º de maio, afirmou que pretende mudar a proibição do trabalho infantil no Brasil caso seja eleito. Ele citou o exemplo dos Estados Unidos, onde crianças entregam jornais em troca de pequenos pagamentos, e classificou a proibição brasileira como uma forma de “escravizar” as crianças. Zema contou que trabalhava desde os 5 anos ajudando o pai, que vendia peças automotivas, e tirou a carteira de trabalho aos 14. Ele atribuiu a proibição do trabalho infantil a uma suposta criação da esquerda, embora tenha reconhecido que os estudos devem ser prioridade, defendendo que as crianças poderiam ajudar em tarefas simples.
No dia seguinte, Zema recuou parcialmente e publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que suas declarações se referiam a adolescentes, não a crianças, apesar de ter usado explicitamente o termo “criança” na entrevista original. No vídeo, ele defendeu a ampliação de oportunidades de trabalho para adolescentes a partir dos 14 anos, faixa etária já autorizada por lei a atuar como aprendiz, argumentando que a combinação de educação e trabalho digno forma caráter e disciplina.
*Com informações do g1 e CNN.
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