31 de julho de 2026

Troféu Dick Vigarista, por Edivaldo Dias de Oliveira

Trump transformou o país num cotovelo de rio, onde tudo que não presta encontra guarida, como prova a família do prisioneiro golpista
Reprodução

Os EUA, em seu 250º ano, elegem Trump, acusado de práticas abusivas e tentativas de golpe, afetando a democracia local e global.
Trump recebe o troféu fictício “Dick Vigarista” por assédios e mentiras, incluindo pressão para obter o Nobel da Paz.
O autor compara seu governo a um golpe, com apoio de um secretariado medíocre e críticas ao silêncio internacional.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

Troféu Dick Vigarista

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Um tributo a Donald Trump & Cia

por Edivaldo Dias de Oliveira

“Vença se puder, perca se não der. Trapaceie sempre.” (1)

No ano em que completa 250 anos, o povo estadunidense contempla a si mesmo e ao mundo com o que de mais abjeto pode existir na política em todos esses anos, elegendo um trapaceiro para presidir seu país e atazanar o mundo inteiro vinte quatro horas por dia, não importando se são aliados ou inimigos, numa prática que pode ser descrita como bullying governamental. Para tanto transformou o país numa espécie de cotovelo de rio, onde tudo que não presta encontra guarida, como prova a família do prisioneiro golpistas e seus amigos.

Nada mais justo então que o mundo responda a isso, instituindo o troféu Dick Vigarista e entregando ao chefe da Casa Branca. Ele, que faz de tudo, todo tipo de assédio para ganhar qualquer troféu, como foi a ação vergonhosa contra a Fundação Nobel, quase chegando a ameaça, se é que não chegou, para levar o Nobel da Paz, mentindo desavergonhadamente sobre suas conquistas nesse campo.

Aliás, mentir é uma especialidade dele, quase um monopólio, o que leva a fortes indícios de ser um mitômano como define a CID 11 6D10 – Pseudologia fantástica/mitomania. (2)

Desde que chegou ao governo pela segunda vez, depois de três tentativas, a primeira vez até parece bem comportada, apesar de no final desse primeiro mandato ter tentado um golpe de estado para continua no governo. Dessa vez o golpe vem sendo urdido lentamente, em banho maria e dentro da legalidade, cerceando ao máximo que pode, o direito ao voto de minorias sob o olhar silente ou mesmo cúmplice da supre côrte (em minúsculas mesmo) de lá. Há juízes em Brasília, em Berlim, já em Washington…

No livro e filme O estranho no ninho (3), há uma passagem em que dois personagens estão jogando cartas no manicômio e um, para mostrar ao outro o quanto é doido diz ter votado em Eisenhower, ao que o outro responde que votou nele duas vezes e o primeiro se cala.

Agora pensa; neste momento, há milhões de pessoas por lá que votou em Trump três vezes, elegendo-o em duas, apesar de uma tentativa fracassada de golpe entre um mandato e outro e tudo parece absolutamente normal.

Normal que um trapaceiro se recuse a entregar a eleição perdida, sem que nenhuma punição lhe ocorra.

Normal que ele volte a disputar eleição como se nada de mais grave tivesse ocorrido a pouco tempo atrás.

Normal que ele tenha sua própria rede social e censure a mídia corporativa, assediando com processos bilionários, forçando demissões de profissionais da área, incentivando a venda de muitas para aliados.

Normal, que toda a mídia ocidental normalize essas ações, que nada ou pouco fique a dever as mais cruéis tiranias, como uma tempestade que se espera que logo passe. Essa tempestade vai passar, como todas, mas vai deixar um rastro de destruição comparada a vitória de Pirro, se não for corajosamente enfrentada por todos os países, como tem feito o Irã, a China e o Brasil. Fazer cara de paisagem diante do abusador, assediador e predador, não vai salvar a cara de ninguém. A história está repleta de exemplos de colaborou com o inimigo tentando salvar a pele e depois foi eliminado por ele.

Diante de tanta normalidade, assombrosa, não é de se admirar a pouca ou nenhuma condenação diante do sequestro e prisão de um chefe de estado em seu próprio país, bem como a pilhagem da riqueza do seu povo como petróleo por parte do governo de ladrões e sequestradores. O mais terrível episódio, entre tantos por ele praticados e normalizados.

Muitos que observam o secretariado desse governo ficam espantados em ver como foi possível juntar tanta gente medíocre em seu entorno. A função principal é a adulação, a disputa quase fanática em atender aos seus caprichos mais absurdos. Não há espanto algum, haveria se tivesse ali alguém de reputação, de formação acadêmica mais relevante. É natural que seja esse o secretariado, catado no pântano mais escroto, pois é esse o habitat natural do seu líder.

Marx, ao descrever o golpe de estado de Luís Bonaparte na França em dezembro 1851, já nos falava do tipo de gente que ele reuniu em seu entorno, nesses trechos.

       “O 18 de Brumário de Luís Bonaparte” Karl Marx.

“Sociedade 10 de dezembro.

“Essa sociedade data do ano de 1849. Sob o pretexto da instituição de uma sociedade beneficente, o lumpemproletariado parisiense foi organizado em seções secretas, sendo cada uma delas lideradas por um agente bonapartista e tendo no topo um general bonapartista. Rufiões decadentes com meios de subsistência duvidosos e de origem duvidosa, rebentos arruinados e aventurescos da burguesia eram ladeados por vagabundos, soldados exonerados, ex presidiários, gatunos, trapaceiros…em suma, toda essa massa indefinida, desestruturadas e jogadas de um lado para outro, que os franceses denominam la bohéme (a boemia); com esses elementos que lhe eram afim, Bonaparte formou a sociedade 10 de dezembro. Era “sociedade beneficente” na medida em que todos os seus membros, a exemplo de Bonaparte, sentiam a necessidade de beneficiar-se a custa da nação trabalhadora. Esse Bonaparte se constitui como chefe do lumpemproletariado, porque é nele que identifica maciçamente os interesses que persegue pessoalmente, reconhecendo nessa escória, nesse dejeto, nesse refugo de todas as classes, a única classe na qual pode se apoiar incondicionalmente; esse é o verdadeiro Bonaparte…”

“A corte, os ministérios, os cargos de chefia da administração e do exército são assediados e tomados por um bando de indivíduos, sendo que a respeito do melhor deles se pode dizer que não se sabe de onde vem; trata-se de uma boemia barulhenta, mal afamada e predadora que rasteja em vestes engalanadas com a mesma postura elegante dos altos signatários de Soulouque”. (cerca de 1782-1867): Presidente da República dos negros do Haiti, em 1849 proclamou-se imperador com o nome de Faustino I. https://pt.wikipedia.org/wiki/Faustino_I_do_Haiti (NdA)

  • A famosa frase “Vença se puder, perca se não der, trapaceie sempre” é um lema clássico do mundo do wrestling profissional, popularizado na década de 1980 pelo ex-lutador e ex-governador Jesse “The Body” Ventura. Na época em que atuava como o vilão dos ringues, ele resumia assim a cartilha dos antagonistas. [1, 2] Wikipédia
  • (CID11 6D10) Pseudologia Fantástica-Mitomania

A mitomania, ou mentira patológica, foi descrita pela primeira vez na literatura especializada em 1890 por G. Stanley Hall e em 1891 por Anton Delbrück. Apesar desta identificação inicial, a compreensão e o tratamento da mitomania continuaram a evoluir ao longo do tempo. 

https://www.ip.usp.br/site/noticia/entenda-o-que-e-mitomania-a-compulsao-pela-mentira/

https://julianagalhardimartins.com.br/mitomania-cid11-6d10

A mitomania por ser uma condição complexa que ainda requer muita pesquisa para ser completamente compreendida. O tratamento pode ser desafiador, pois requer uma abordagem multidisciplinar que inclui terapia cognitivo-comportamental, acompanhamento psiquiátrico e, em alguns casos, medicação. A conscientização sobre a condição e a compreensão de suas nuances são fundamentais para o diagnóstico correto e o tratamento eficaz.

  • O Estranho no Ninho. Escrito em 1963 por Ken Kesey. Filme dirigido por Milos Forman em 1975, vencedor de 5 Oscars.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: https://www.catarse.me/JORNALGGN

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados