Diante do mundo, a exportação do agronegócio brasileiro é tudo isso?, por Rui Daher

Diante do mundo, a exportação do agronegócio brasileiro é tudo isso? 

por Rui Daher

em CartaCapital

No ano de 2017, entre os 30 maiores países exportadores e importadores do mundo, o Brasil foi o 26º e 29º, respectivamente. Proeminência exuberante, não? Nossos economistas neoliberais jogam isso nas costas de nossa pequena abertura comercial. Sugerem arrombamento de portos e alargamento de orifícios (o meu não!) para o hemisfério Norte.

Nada a ver, pois, com a política cambial, a desindustrialização, os pífios recursos às inovações tecnológicas, o arrocho fiscal impeditivo de investimentos públicos e privados, os juros estratosféricos (quando baixos para aliviar a dívida pública nunca são seguidos pelos bancos). Enfim, o altar erguido ao rentismo em detrimento do setor produtivo.

Queriam o quê? Nada de novo. Há décadas, o Brasil participa, em média, com 1,2% das exportações mundiais. Do outro lado da balança, a participação nas importações é um dedinho menor, 0,9%.

Mas e as “maledetas” exportações de bens primários, que o professor Delfim crê nos farão, em breve, colônia da China? Uai, estão aí dentro. Como informação, lá em cima, entre os quatro que irão à Libertadores (em todos os sentidos), a ordem na exportação é China, EUA, Alemanha e Japão; e, na importação, EUA, China, Alemanha, Japão. Como diria amigo meu italiano, lo stesso.

Inteligentes que são, leitores e leitoras de CartaCapital poderão comparar populações e babar. Menos ovos, pois esses devem ser guardados para jogar nos golpistas do momento. Temos extensão, clima, bacias hídricas, alta e jovem população economicamente ativa (quando o neoliberalismo deixa) para admitir tal rabeira.

Leia também:  Queimadas são crimes do agronegócio, dizem entidades em carta pública

– Pô, colunista menor, quer dizer que não fosse o agronegócio nem entre os 30 estaríamos?

Como sempre digo, nem tanto ao céu, ao mar ou à terra. Paulinho da Viola nos ensinou que, vistas assim do alto, certas coisas mais parecem um céu no chão. É quando se deve usar a lupa. Desta vez, com dados do SECEX e MDIC, constantes do AGROSTAT, do MAPA (desculpem a indelicadeza, mas não vou explicitar as siglas; comeriam muitos caracteres).

Vamulá, como Maradona e Neymar Jr. já fizeram, partindo de antes do meio do campo e chegando até o gol.

De 1997 a 2017, nossas exportações totais cresceram 7,3% ao ano. As do colonialista agronegócio, os mesmos 7,3%. As importações totais, 4,7% ao ano, e no agronegócio 2,8%. Continua estranho, ainda mais reconhecendo que das exportações totais, 40,5% partiram de produtos do agronegócio.

– Como? Só se o agronegócio importou pra cacete!

– Nada, representou pouco mais de 8% do total.

– Isso não se explica. Os saldos positivos da balança comercial são mantidos pela exportação de commodities agrícolas.

– Nem tanto. Talvez o amigo esteja apenas comprando barato a imagem das folhas e telas cotidianas de um status quo ilusório, que o governo ilegítimo e as associações patronais e bancadas lamentadoras da agropecuária querem nos impor.

– Então, o que aconteceu, ô sabidão?

 – Por que você não pergunta ao Ronaldo Caiado, colunista de agronegócios da Folha de São Paulo?

– Não adiantaria. Desde sua estreia, ele nunca abordou o tema, só política.

– Ah, e você, descaradamente, vem a esse reles colunista ‘de esquerda’ para entender? Que tal pensar que a participação da agropecuária, entre 2004 e 2013, período do inominável, caiu de 41% para 38% do total e as importações se mantiveram?

Leia também:  Como o fundamentalismo impediu o Brasil de se tornar uma potência exportadora

– Como?

– Mercado interno favorável, amigo. Menos enrolado, sem barreiras, mais fácil, preços mais remuneradores, pouco dolarizados, menor dependência da concentração entre as tradings.

– Até aí, entendo.

– Mas não admite que o desenvolvimento nacional integrado inclui o povo consumir produtos de maior valor agregado e, diante das barreiras na exportação, os benefícios de emprego e renda levam a produção dirigir-se para o mercado interno.

– Agradeço. Só mais uma dúvida? Vive-se dizendo que somos altamente dependentes da importação de insumos agrícolas, inclusive na sua coluna, como podem as importações do agronegócio terem caído?

– Na próxima, meu caro, se eu não mudar de ideia.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

7 comentários

  1. Diante….

    Sabe quem é grande exportador de commodities? A Rússia. Então Putin deixou que a Europa mandasse no seu quintal, na sua soberania, no seu território, nos seus produtos (primários)? O escambau !!! A Dona Merkel teve que aprender a ‘balalaika’. E dançar direitinho, não de qualquer jeito. Aqui ficamos num eterno fatalismo, como se fossemos nascidos sob as correntes do tronco. O que aconteceu em 88? Não expurgamos qualquer resquício indesejável? Se não, por nossa absoluta culpa, de mais ninguém. Absolutamente Livres para escrevermos a ‘Biblia’ do jeito que quisessemos. “Virgem Maria” negra. ‘João Batista’ hippiie. Genesis no final. Apocalipse no começo. Barrabas e Poncio Pilatos na linha de zaga. Herodes de beque central. Qual é a culpa da Agropecuária? Fui no PR era só café. Não se via outra coisa. Década perdida, geadas. Virou algodão, milho e porcos. Abertura Comercial. Agricultura como barreira de amortecimento. Quebradeira. Laranja, depois Soja, depois Cana de Açúcar, depois Girassol. E novamente Milho e Algodão. Academicismos e Ilusões ladram há décadas: Latifúndio !! Monocultura !! Não conhecem nem a história (muito menos a agronômica) do PR.  Querem ver Monocultura? Vão até o Meio Oeste Norte Americano: Milho, milho, milho, milho… (de vez em quando alguma soja). Mas lá Ong’s Ambientalistas não apitam, e ninguém nem conhece. Sabe o que havia no interior do PI,  MA,  TO que ainda era GO, BA, até os anos 80? Miséria e morte. O que alterou isto? Agropecuária. Resquicios de miséria e mortes? O que o Estado Brasileiro fez com tanta riqueza produzida nestas regiões? A culpa é da Agropecuária? (P.S. Onde está Colniza? Já esqueceram? E Barcarena? E quem matou Marielle? O país que produzimos em 40 anos Redemocráticos? Não havia um novo livro no forno?) abs.    

    • Agromalnegocio

      A agropecuaria não tem culpa nenhuma.

      A culpa é do pais controlado pela bancada ruralista.

      Quem fez mais pelo povo pobre do MA,GO.BA,TO,MT,MS,RO e tambem do seu PR? O agrobussines ou o bolsa-familia?

      Quem ganha com a Lei Kandir? Credito subsidiado do BB? Investimentos em escoamento, armazenamento e embarque de grãos?

       

       

      • Agro…

        marcos camargo ; quem mais fez foi indiscutivelmente, anos-luz à frente, incomparavelmente mais foi a AgroPecuária. Pode chamar como quiser: Agrobussines, agronegócio, agroindústria,… É em 99,9999% das vezes uma Familia Brasileira ou muitas, trabalhando. É trator rodando ou ordenha de vaca a partir das 4 e meia da manhã. O resto, caro sr, não passa de Academicismos e Ilusões de desinformados que nem conhecem o país onde moram. Nos anos 80, no MA se morria de Chagas como se pega gripe, aqui em SP. Lepra era tão comum quanto qualquer doença tropical. Leschmaniose era o habitual. Hospital e Atendimento Médico era fantasia mostrada para enganar paulista e carioca durante o JN. Como fantasia era ter banheiro nas casas, de Belo Horizonte pra cima. Sabe quem alterou vergonhosa realidade? Bolsa Familia? Iludido. Gaúcho, paranaense, paulista, um pouco de catarinenses que arrastarm a sua cultura e produção agricola para o restante do país. De desinformação e fantasias veiculadas por Willian e Renata, um país inteiro se equivoca e se perde. abs. 

      • Agro…

        marcos camargo ; quem mais fez foi indiscutivelmente, anos-luz à frente, incomparavelmente mais foi a AgroPecuária. Pode chamar como quiser: Agrobussines, agronegócio, agroindústria,… É em 99,9999% das vezes uma Familia Brasileira ou muitas, trabalhando. É trator rodando ou ordenha de vaca a partir das 4 e meia da manhã. O resto, caro sr, não passa de Academicismos e Ilusões de desinformados que nem conhecem o país onde moram. Nos anos 80, no MA se morria de Chagas como se pega gripe, aqui em SP. Lepra era tão comum quanto qualquer doença tropical. Leschmaniose era o habitual. Hospital e Atendimento Médico era fantasia mostrada para enganar paulista e carioca durante o JN. Como fantasia era ter banheiro nas casas, de Belo Horizonte pra cima. Sabe quem alterou vergonhosa realidade? Bolsa Familia? Iludido. Gaúcho, paranaense, paulista, um pouco de catarinenses que arrastarm a sua cultura e produção agricola para o restante do país. De desinformação e fantasias veiculadas por Willian e Renata, um país inteiro se equivoca e se perde. abs. 

        • Zé Sergio. Sou do interior de

          Zé Sergio. Sou do interior de SP, ja fui agricultor.

          O agronegocio no Brasil foi subsidiado pelos governos desde oo inicio do pais, as capitanias hereditarias por ex.

          Senhores do engenho, capitães, mais tarde coronéis. Poder politico, benesses e garantias.

          Hoje são grupos empresariais agroexportadores.

          Distribuição de riquezas? Reforma agraria? Paz e progresso para o povo do campo? Nunca aconteceu.

          Coonheço as regiões produtoras de soja,gado e algodão do MT. Salta a vista as diferenças socio-economicas entre os donos do campo e o restante da população. Algumas cidades modernas enriquecidas e modernas cercadas por vilarejos pobres e abandonados.

          A lei Kandir foi criada para isso.

           

           

    • Zé Sérgio,

      não há como negar nossa inexpressividade de sempre. Os números não negam, apenas os ruralistas se acham expressivos, sempre esquecendo-se da ajuda que lhes dá a natureza, que não se furtaram a destruir. Da forma como você fala da agropecuária, jogando as restrições apenas para nossos políticos, principalmente os ‘esquerdopatas”, parece gibi de grandes heróis, Batman, Capitão América, o Super Homem, etc. Neste quesito, creio, estamos mais para o Recruta Zero. Aliás, concordo em grande parte com a contrargumentação do outro comentarista.

      Abraços   

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome