Não é possível contestar a legitimidade de Maduro sem fazer coro com a direita, por Gilberto Maringoni

Não é possível contestar a legitimidade de Maduro sem fazer coro com a direita

por Gilberto Maringoni

Nicolás Maduro toma posse hoje em seu segundo mandato na presidência da Venezuela. O país vive uma gravíssima crise econômica e humanitária. Dos 32 milhões de habitantes, cerca de 1,9 milhão teriam saído do país desde 2015. O desemprego atinge quase um terço da população economicamente ativa e a inflação pode alcançar 1 milhão por cento neste ano.

Apesar de indicadores para lá de preocupantes, não há neles motivos para se contestar a legitimidade de Maduro ou para chama-lo de ditador.

A crise humanitária dos migrantes da América Central para os EUA é igualmente dramática e ninguém exige que se isolem os países da região. A situação dos Direitos Humanos na fronteira México-EUA é desumana, sem contar a ação deste último em Guantánamo e nas incursões bélicas que faz no Oriente Médio, seu apoio ao governo terrorista de Israel ou seus ataques a organismos humanitários da ONU. Os EUA seguem impávidos se autoproclamando os campeões da democracia.

MADURO FOI ELEITO em uma eleição com regras contestadas. Ele não teria – segundo países do Grupo de Lima – votos necessários para se eleger. O Grupo é composto por Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai e Peru. Os mesmos países deveriam – por coerência – voltar suas baterias contra o sistema distrital das eleições legislativas francesas. Em junho de 2017, o partido Em Marcha!, de Emmanuel Macron, granjeou 43,6% dos votos válidos. No cômputo final, alcançou 53,5% das cadeiras (308 em 577). É uma distorção séria.

A Venezuela enfrenta desde 2015– ainda no governo de Barack Obama – pesado bloqueio econômico por parte dos EUA. Estes se acentuam no governo Trump. A forte queda dos preços internacionais do petróleo entre 2014-16 arrebentou o caixa do Estado, num país sem indústrias e marcado por um único produto exportável. A moeda nacional virou pó.

AS PRESSÕES QUE O PAÍS sofre dos Estados Unidos, da União Européia e agora do Grupo de Lima vêm acentuar a crise. Dominado pela direita e pela extrema direita continental, em especial pelos governos Bolsonaro (Brasil), Macri (Argentina) e Piñera (Chile), o Grupo se tornou uma extensão da política do Departamento de Estado norteamericano.

É difícil apoiar o governo Maduro, tamanha é sua incompetência e conduta reprovável em várias frentes. Mas é um governo eleito e legítimo (coisa que a administração Michel Temer não era).

Política se faz com atos e movimentos concretos. Não há alternativa democrática ou progressista a Nicolás Maduro. As pressões por sua queda se originam na cobiça de Washington pelas reservas petrolíferas venezuelanas (as maiores do mudo) e por forças políticas internas que combinam obscurantismo, autoritarismo e submissão ao Império.

Não há neutralidade possível ou oposição que não favoreça o ultraliberalismo no país vizinho.

Não é possível contestar a posse de Nicolás Maduro sem jogar água no moinho do outro lado.

 

16 comentários

  1. Ilegitimidade
     

    Se o povo elegeu o Maduro nas urnas e seu governo está sendo contestado por ilegitimidade, podemos concluir que ilegítimo é o  povo que o elegeu, nénão?

    A oposição que o contesta crê que governar é bom. O que atrapalha é o povo.

    • Cinco estrelas prá você, Mana

      “A $olução”

       Após a insurreição de 17 de JunhoO $ecretário da União dos EscritoresFez distribuir panfletos na Alameda EstalineEm que se lia que, por culpa sua,O povo perdeu a confiança do governoE só à custa de esforços redobradosPoderá recuperá-la. Mas não seriaMais simples para o governoDissolver o povoE eleger outro? Bertolt Brecht

       

      • Foi isso que Maduro fez

        De certo modo foi isso que Maduro fez. Ao substituir o sufrágio universal pelo sufrágio das organizações chavistas, Maduro “dissolveu o povo” e o substtuiu por um outro povo, feito só de seus apoiadores.

        • De certo modo, eu sou mais bonito do que o Johnny Depp

          É o Pedro ABBM tentando, de certo modo, dar nó em trilho.

  2. A direita de lá e de ca
    A direita de lá e de ca contestam as eleiçoes desde os anos 2002; chamam a Venezuela de “ditadura” desde que perderam o mando do pais. Partiram pra desestabilização e pro golpismo aberto; chegaram até a boicotar eleiçoes e causr tumultos que geraram mortes. Tudo com apoio e recusrsos externos…

    E aí, vai o Brasil e se mete numa briga tola com um vizinho, caindo na pilha de provocadores…

    ..Ai, ai…

  3. Pessoal dito de esquerda esta
    Pessoal dito de esquerda esta delirando.

    O que o Brasil a ver com esse Maduro, que faz um governo absolutamente horrivel sob todos os aspectos ?

    O pt deve estar maluco da presidente ir a posse do cara. Ja nao chega os videos q o lula fez apoiando o sujeito.

    Muito da perda das eleições foi por essa vinculação q a população acabou fazendo e pelo visto o pt nao faz questão de esconder.

    Nao se pode ter compromisso com governandes desse tipo em hipotese alguma. Ninguem ganha nada com isso nem o pt muito menos o Brasil.

    • Quem te escuta…

      Deve imaginar que conhece muito, que morou alguns anos na Venezuela, que tem parente em Caracas….

      E em verdade, o único que parece fazer é repetir o que lhe foi embutido nas sua cabeça pela midia parcial. Nem sabe o que está falando.

  4. Não se pode confiar no imperialismo nenhum tantinho assim. Nada!

    Todo apoio à Venezuela e ao seu povo soberano! Nada de colocar água no moinho da mídia/empresa a serviço do império ou da OEA, sabiamente chamada pelos povos de “Ministério das Colônias Norte-americanas”. Fazer coro com o império e dizer que a direita neoliberal e fascista está interessada em democracia é o maior fakenews da história recente. Como dizia o Che, “Não se pode confiar no imperialismo nehum tantinho assim. Nada!”

  5. PT erra em apoiar Maduro

    O que justifica a ida da Presidente do PT na posse do Maduro. O Governo do Maduro é horrivel. o PT erra em apoiar esse tipo de governante. 

    O PT precisa fazer uma autocritica de seus posicionamentos, sob pena de um custo muito alto para o partido. a exemplo desse apoio ao governo da venezuela

    • Por que o “governo do Maduro

      Por que o “governo do Maduro é horrível”? E que tipo de governante é o Maduro?

       

    • Sempre a mesma cantilena de

      Sempre a mesma cantilena de pedir ou exigir que o PT faça autocritica. A inteligencia figiu do Brasil. Autocritica a pessoa ou entidade faz se o desejar, nunca por exigência de terceiros ou não será autocritica. Será algo imposto.

       

  6. Planes para el Caribe
    En momentos en que el presidente Trump ha anunciado la retirada de las tropas estadounidenses desplegadas en el «Medio Oriente ampliado», el Pentágono sigue adelante con la aplicación del plan Rumsfeld-Cebrowski. Ahora se trata de destruir los Estados en los países de la «Cuenca del Caribe». Pero el objetivo ya no es el mismo que en los años 1970, cuando Washington se esforzaba por derrocar los gobiernos que se acercaban a la Unión Soviética. Ahora se trata de destruir los Estados en los países de esa región, sin importar que sean amigos o adversarios políticos de Estados Unidos. Thierry Meyssan observa los preparativos que apuntan a iniciar esta nueva serie de guerras.

    ……

    El actual presidente de Venezuela, Nicolás Maduro, mantiene el discurso de Hugo Chávez pero ha optado por una política exterior diferente. Maduro sigue adelante con la política de acercamiento a Rusia, recibiendo en Venezuela la visita de bombarderos estratégicos rusos y firmando con Moscú un contrato para la importación de 600.000 toneladas de trigo, que permitirá enfrentar la escasez en Venezuela. Más importante aún, Rusia invertirá en Venezuela 6 000 millones de dólares, de los cuales 5 000 millones irán al sector petrolero. Ingenieros rusos reemplazarán en ese sector a los especialistas venezolanos que abandonaron su país atraídos por los cantos de sirena de las compañías extranjeras. Nicolás Maduro ha reorganizado las alianzas de su país sobre bases nuevas, estableciendo estrechos vínculos con Turquía, un país miembro de la OTAN y cuyas tropas ocupan actualmente amplios territorios en el norte de Siria. En el marco de esas relaciones, Maduro ha viajado cuatro veces a Estambul y el presidente turco Recep Tayyip Erdogan visitó Caracas recientemente. Suiza fue un país aliado de Hugo Chávez, llegando incluso a impartirle consejos para la redacción de la actual Constitución de la República Bolivariana. Actualmente, por temor a no poder seguir tratando en Suiza el oro venezolano, Nicolás Maduro lo envía a Turquía para convertir el mineral bruto en lingotes. En el pasado, ese oro quedaba depositado en bancos suizos como garantía del cumplimiento de los contratos de exportación de petróleo. Ahora, los fondos provenientes de las ventas de petróleo se transfieren a Turquía mientras que el oro ya convertido en lingotes regresa a Venezuela. Esta orientación puede interpretarse como basada ya no en una ideología sino en intereses, quedando por definir qué tipo de intereses.

    …..

    Colombia es un Estado, pero no llega a ser una nación. La población colombiana vive dividida en clases sociales geográficamente separadas. Casi ningún colombiano se aventura en un barrio perteneciente a una clase social que no sea la suya. Esta estricta separación geográfica en función de las clases o categorías sociales ha hecho posible la multiplicación de fuerzas paramilitares y, por consiguiente, los conflictos armados internos que han dejado en Colombia más de 220 000 muertos en unos 30 años. Desde su llegada al poder, en agosto de 2018, el presidente colombiano Iván Duque ha hecho tambalearse la frágil paz que su predecesor, Juan Manuel Santos, ya había concluido… http://astroboy-en-multiverso.blogspot.com/2019/01/planes-para-el-caribe.html

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