Os equívocos do moralismo na política

Por André Araújo

Quando o Exército americano invadiu o Iraque em 2003, os objetivos eram “limpar” o país da ditadura de Saddam Hussein e criar um novo Iraque. Para tanto, dissolveram a Guarda Republicana, um corpo de elite do Exército Iraquiano, com um efetivo de 75.000 homens divididos em dois corpos e tentaram reformar o Exército regular do Iraque, com efetivos regulares de 800.000 homens. Os americanos dissolveram a Guarda Republicana e os comandos do Exército regular, tentando criar um novo exército sob padrões americanos, entregando a tarefa a uma empresa particular, a Vinnel Corporation.
 
No substrato do projeto estava a ideia de que todos os antigos comandos eram fanáticos fiéis a Saddam e eram portanto inconfiáveis. Foi um grande erro. Os comandantes da Guarda Republicana, Tenentes Generais Majid Al Dulaymi e Raad Al Hamdani  poderiam ser os melhores aliados dos EUA, bem como o comando do Exército regular (General Talib Al Lahibi), todos oficiais profissionais que temiam Saddam mas não tinham nenhum amor especial a ele.

 
Todos temiam Saddam e estavam fartos dele, até seus dois genros tentaram derrubar Saddam (e foram executados). O regime se mantinha pelo terror e os EUA foram acolhidos como libertadores. Invés disso, pelo espírito salvacionista que veio junto com a invasão, DISSOLVERAM as colunas mestras do poder no Iraque, a Guarda e o Exército, criando um caos que terminou agora com a insurgência do ISIS, o Estado Islâmico formado na sua espinha dorsal por ex-militares iraquianos. O moralismo é inimigo frontal da REALPOLITIK, a política do possível sem princípios e com a visão da realidade, fazendo o que é possível fazer com os pés no chão e não tentando salvar o mundo.
 
A má politica americana no Iraque gerou um desgoverno que continua até hoje, os EUA despejaram no conflito do Iraque US$3 trilhões e continuam gastando US$50 bilhões por ano com essa custosa aventura pastoral.
 
Ao contrário dos ingleses que governaram a Índia por dois séculos com pequenas forças militares mas fazendo acordos com os marajás e rajás, os Americanos querem purificar o mundo e não sabem operar dentro do mundo tal qual ele é, com seus defeitos, vícios, desequilíbrios e realidades, fruto da História.
 
Esses erros não cometeram na Alemanha ocupada após a Segunda Guerra, porque os homens então eram líderes de intelecto superior, acima do padrão principista que é o usual nos EUA. O General Marshall era um indivíduo de intelecto especial e soube estabelecer os padrões da ocupação usando inclusive ex-nazistas para gerir a Alemanha, culminando com um General da Wehrmacht (Hans Spiedel) como Comandante da OTAN em 1954, o mesmo general alemão que comandou a ocupação nazista da França em 1941. Spiedel não era nazista, mas era um general do Terceiro Reich, foi uma proeza dos Aliados usarem o mesmo homem para o comando das forças terrestres da NATO dez anos depois dele ser o Comandante alemão de Paris.
 
O fundador da Realpolitik europeia, o Príncipe de Metternich não usou critérios principistas ao se aliar no Congresso de Viena com seu antípoda, o ex-Chanceler de Napoleão, o grande inimigo das potencias que Metternich representava, seu melhor companheiro de Congresso foi o inimigo de véspera, o ultra corrupto Príncipe de Talleyrand, o mesmo que negociou a independência da Polônia por 4 milhões de francos-ouro.(depois devolveu porque não conseguiu fazer).
 
A tentativa de introdução do moralismo udenista na politica brasileira em 1954 custou a vida do Presidente Getúlio Vargas, mas o moralismo típico da UDN foi afastado por Juscelino, que governou com as mesmas forças do getulismo, considerado corrupto que vinha da aliança PSD-PTB. JK afastou a UDN de um poder que esta considerava já seu e fez o Brasil crescer 50 anos em 5, acusado do primeiro ao último dia de corrupto (“a 7ª fortuna do mundo” diziam), a calúnia usual, dona Sarah teve que vender quadros de seu apartamento para sobreviver.
 
O moralismo não descansa, grupos com essa visão de mundo, que querem uma política asséptica e a prova de bactérias sempre existiram, eles simplesmente destroem a política na tentativa de reformar o mundo e causam imensos prejuízos ao País. Em circunstâncias especiais eles conseguem por vezes um poder anormal, causam o máximo de danos para depois desaparecer no limbo da História, a política é sempre um jogo nada limpo em qualquer lugar do planeta, é da essência da política, até na política do Vaticano o jogo não é para sacristãos de novela.
 
O moralismo é inimigo do realismo em política e todo aquele que tenta fugir da realidade acaba trombando com ela em determinado ponto da curva mas, no caminho, causa imensos danos aos infiéis, todos nós, que não rezamos essa missa de fanáticos de uma seita perigosa.
Leia também:  Bolsonaro: Angra dos Reis não é Cancun, é Tijuana!

34 comentários

  1. Aplausos.

    É para aplaudir.

    Só espero que o grande capital brasileiro desembarque dessa aventura udenista a tempo e pare de apoiar o golpismo.

    Bolsonaro presidente seria o fim do mundo. Não há possibilidade dos negócios vicejarem num ambiente moralista nazista, a não ser pela adoção das práticas do nazismo, opressão, trabalho escravo, dirigismo brutal do Estado sobre a economia.

    Nossa direita precisa acordar para o fato de que o nazifascismo que se tem cultivado termina por impor um dirigismo estatal tão grande quanto o do “comunismo” petista que pretendem destruir.

  2.  
    A moral política

     

    A moral política segundo Maquiavel

     

    “A vida política e o homem público, segundo Maquiavel, não deveriam buscar externamente a própria moralidade, seja em imperativos, seja em livros sagrados ou em tábuas de mandamentos. A política é autonormativa, justificando seus meios em prol de um bem maior, que é a estabilidade do Estado. E o príncipe, não sendo indiferente ao bem e ao mal, e ainda que valorize os princípios morais cristãos, compreende que o que para o indivíduo particular é ruim (como a mentira, por exemplo), é fundamental para o funcionamento da política. Afinal, a relação entre a moral e a política só se sustenta a partir do que é efetivo, e não a partir do que éafetivo: as realidades de fato, e não belos e espirituais conceitos abstratos. A esfera política é, gostemos ou não, relativista: o que para nós individualmente é definido como vício ou virtude, na política assume roupagem de vício benéfico e virtude perniciosa.”

     

    https://devir.wordpress.com/2007/06/25/a-moral-politica-segundo-maquiavel/

     

  3. politica e formas da moral

    Há duas bases naturais (darwinianas) para a moral : a hierarquia(apelo à autoridade) e a reciprocidade. A reciprocidade é o conceito mais moderno e liberal segundo qual devemos tratar o outro da mesma maneira que gostariamos de ser tratados. O jeitinho brasileiro na politica criou formas “generosas” de reciprocidade , a mais conhecida é a famosa : é dando que se recebe. A liberalidade  deriva para a libertinagem e a reciprocidade tupiniquim entra em choque com leis , principios e eticas convencionais. O moralismo hipócrita é um apelo a formas hierarquicas ultrapassadas tipicas da direita conservadora e o que se busca é uma moralidade liberal compatível com a civilidade. Bastante apropriado o texto do André Araújo neste momento do Brasil em que oportunista e fascistas se valem de um moralismo torpe em busca de poder, ignorando modelos morais consagrados na republica brasileira. Modelos que necessitam ajustes paulatinos e não imediatos.

  4. Parabéns mais uma vez!!

    Ultimamente tenho tido o prazer de ler os textos do AA. Não acredito que ele tenha mudado seu entendimento sobre todas as coisas que normalmente posta no Blog. Acredito sim que tem colocado com mais avidez seus pontos de vista e com uma didática bem simples e fácil de acompanhar trazendo contextos históricos para o momento brasileiro atual.

    Continue nos brindando com seus posicionamentos. Eu e muitos aqui agradecemos!

  5. Oi AA
    Estou lendo “Anoitece

    Oi AA

    Estou lendo “Anoitece no Iraque”.

    Falo para vários colegas, quando eles falam de Cuba, para experimentarem a democracia do Iraque.

    Saudações

  6. Pensei muito sobre isso no

    Pensei muito sobre isso no dia em que relembramos os massacres de Hiroshima e Nagasaki. Ao zapear a tv, assisti a um ttrecho de entrevista com os dois pilotos dos aviões que jogaram as bombas. Ao serem indagados sobre o que pensavam quanto ao que fizeram aos civis japoneses, ambos responderam de pronto: apenas seguiam ordens, como militares profissionais que eram. Essa foi exatamente a resposta de Eichmann sobre enviar judeus para câmaras de gás. Eichmann foi julgado e executado, e entrou para a história como monstro. Os pilotos americanos entraram para história como heróis.

    A moral, assim como a política, são altamente manipuláveis. Ambas compõem o jogo do poder. Quem utiliza apenas o discurso da moral, quer simplesmente eliminar o outro por meio de uma suposta supremacia. Nem Jesus, o Cristo, suportou o falso discurso moralista dos fariseus.

  7. Creio que a confusão é ainda

    Creio que a confusão é ainda maior no Brasil em razão do disposto no art. 37, caput, da CF/88: 

    “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: “

    Há duas maneiras de interpretar este artigo. A primeira, feita pelos moralistas e jornalistas, é banal: os políticos devem agir segundo a moralidade. O problema desta interpretação é evidente. A moralidade varia de um grupo social para outro, de uma religião para outra, de uma classe social para outra, de um sexo para outro. O que se exige de uma mulher (recato) não é o que se exige de um homem (virilidade pública) e o que se exige dos gays somente aos gays interessa. O que se exige de um cristão (compaixão e generosidade) não é o que se exige de um evangélico (ganância e pagamento do dízimo). Um rico pode achar perfeitamente moral corromper um fiscal da Fazenda Pública, o pobre raramente tem condições de fazer isto.

    A moralidade de que fala o art. 37 é uma baliza para a atividade estatal, não um elemento que condiciona a atividade do político. Todos os políticos são imorais: eles fazem promessas que não podem cumprir, que não tem a intenção de cumprir e que não poderão ser cumpridas, pois quando tomarem posse nos cargos para os quais foram eleitos eles se verão limitados pela Lei e terão necessariamente que negociar com seus adversários. Além disto, tal como está estruturada, a Democracia brasileira permite a maior das imoralidades. No Brasil há políticos (como Eduardo Cunha e José Serra, por exemplo) que pedem dinheiro aos empresários e votos à população e depois de empossados eles passam a representar os interesses dos empresários inclusive e principalmente contra os interesses dos seus eleitores.

    Imoral numa democracia é o poder público beneficiar uma classe social e não outra, perseguir um grupo social e não outro, tributar alguns cidadãos e não outros, proporcionar serviços para uma parcela da população e se recusar a fazer isto para a outra. A “igualdade formal” entre os cidadãos deve ser respeitada pelo Estado. O “desequilíbrio formal” (como as cotas para negros nas Universidades) só é possível e desejável quando adotado para corrigir um desequilíbrio histórico que existe de fato e merece ser corrigido. Moralidade no sentido prescrito no art. 37, da CF/88, tem a ver com a atividade Estatal e não com a atividade cotidiana do político. Afinal, a imoralidade dos políticos não é proibida pela legislação (tanto que eles podem enganar seus eleitores e prejudicá-los depois de eleitos).

    O financiamento de eleições ainda não é público. Os políticos não são proibidos de receber financiamento eleitoral privado. Em razão disto cobrar e receber propina pode ser imoral, mas não é necessariamente ilegal. Isto só será ilegal se acarretar um prejuízo efetivo ao Estado. Mas neste caso a ilegalidade não está ligada à imoralidade da conduta do político (já vimos que todos os políticos são imorais) e sim ao dano que foi causado ao Estado e que deve ser reparado na forma da Lei.

    Quem nunca votou num político imoral que atire uma pedra em si mesmo. De minha parte prefiro atirar pedras no moralismo difundido por políticos imorais. Já fiz isto e não me arrependo. E também não me arrepende de ter votado em políticos imorais. Vários deles foram suficiente imorais para cuidar melhor do povo brasileiro  do que aqueles políticos imorais que os acusam de imoralismo. 

     

     

  8. Lições de Alexandre Magno

    Ao morrer, com 32 anos, tinha conquistado quase todo o mundo cohecido, exceto a China. Nunca foi objeto de qualquer rebelião de um povo dominado. Isso porque, mesmo numa época em que até Aristóteles considerava os povos não helênicos como bárbaros, Alexandre respeitou profundamente a cultura e as religiões dos povos que conquistou. Após conquistar o império persa derrotando Dario III, Alexandre casou-se com sua filha e impôs que 10.000 soldados seus se casassem com moças locais. Ao conquistar o Egito, confirmou o faraó como dirigente do país e manteve o amplo poder dos sacedotes egípcios. Decidiu criar Alexandria, que seria a capital cultural do mundo helênico, e foi embora deixando um comandante macedônio para as forças militares. Teve conflitos com quase todos os seus generais por causa das suas concessões, e polemizou o assunto por cartas com seu antigo mestre Aristóteles. Por mil anos Alexandria foi a capital cultural do mundo. Por alguns seculos, ainda se falava grego em grande parte da Índia. Todos apontam Alexandre como o maior conquistador da história. Talvez tenha sido também o maior dos estadistas.

  9. Sem tirar nem por.
    Os

    Sem tirar nem por.

    Os alucinados de plantão não estã estritos ao midiotas reaças, mas também aquela parcela que quer mudar o mundo e diz que odeia política, comos e não o fizesse nos seus círculos.

  10. Primário….PELO MENOS…

    Bom, mais um texto do Motta em que ele traveste suas pequenas idiossincrasias burguesas com um verniz pseudo-intelectual…rsrsrs…TRISTE!!!!!!!!

    Todo esse Blá-blá-blá, na verdade, é uma PREGAÇÃO para incutir na cabeça dos incautos a ideia de que existem figuras que tem o DIREITO DIVINO de fazer aquilo que bem entendem, inclusive ROUBAR.

    É mais uma ideia ruim na longa lista de ideias ruins que o Motta tem tido ultimamente…rsrsrs…

    Numa das ultimas ele, com luxuosa ajuda, tentou convencer os “inocentes” que um cidadão de 76 anos – legalmente um ANCIÃO, faz 10 anos – era, e É, o sustentáculo do programa nuclear brasileiro…rsrsrsrsrsrs…

    O cara com 76 anos VAI DORMIR E NÃO ACORDA Motta….rsrsrsrsrs….Ou seja, o almirante vai dormir, não acorda e o programa nuclear brasileiro SE FOI…rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs…É UMA PIADA PRONTA Motta….

    Tem é que botar na cadeia: O Almirante e sua filha.

    E, claro, nada melhor para “empurrar” uma ideia ruim nos brasileiro incautos que “doura-la” com malhação ao Tio SAM…rsrsrsrsrsrs…PRIMÁRIO, para dizer o mínimo….rsrsrsrs…

  11. O rabo do macaco

    Só não se pode confundir moralismo com senso de responsabilidade cidadã. Um povo que não joga papel na rua,  não desobedece aos semáforos e nem corrompe o próprio estado através de iniciativas privadas, ações individuais, por aquisição cultural do processo civilizatório (educação) não pode ser confundido com o que tenta impor regras a outros povos. A pedra de toque? Se há tentativa de impor seu modo de viver, tentativa de convencimento ou se há a prática daquilo que se acha certo.

  12. MOROalistas!

    Os tais moralistas não valem sequer uma tampinha de Pinho Sol a ser dissolvido em água, velho engano que dizia matar bactérias mas que, de fato, apenas disfarçava o odor da merda!

  13. Mais um excepcional texto do

    Mais um excepcional texto do AA. Seus argumentos sempre vem com exemplos históriocos, o que deixa os moralistas, que são ignorantes, sem resposta, a não ser clichês repetitivos. Fecho 100% com ele

  14. Conduta coerente

    Não sei se concordo 100% com o André mas tiro meu chapéu para ele, porque desde sempre manteve uma linha coerente dentro daqueilo que ele acha aceitável.

    Mas acho divertidissimo ver a mudança da postura dos comentáristas. Até tempos atrás o AA era quase linchado aqui no blog por defender suas posições, agora que o discurso dele passou a abranger uma tolerância e absolvição dos deuses do blog ele se transformou em pouco tempo de “tucano” em oráculo do blog.

    Em frente AA ! 

    • Mas quem disse que o AA é

      Mas quem disse que o AA é 100% avalizado pelos comentaristas aqui do Blog? Ou voc/~e que um articulista deve ser sempre negativado pelos outros independente de sua análise? Então, pra que escrever? Melhor, que os comentaristas do Blog não tenham o direito de concordar com articulistas com os quais eles já discordaram. Isso sim é divertidissimo.

  15. A primeira frase me fez doer
    A primeira frase me fez doer a raiz dos dentes. Impressiona os altos e baixos do pensamento do AA que perde completamente qualquer capacidade de análise critica racional quando cita algo sobre os americanos.

  16. Se o petróleo está indo para os EUA fizeram a coisa “certa”

    Gosto muito dos textos do André Araújo, mas desta vez discordo da análise simplista frente à política externa americana. Acredito que o caos instalado não foi propriamente um imprevisto de uma política mal conduzida, mas exatamente o contrário, o previsto de uma política bem conduzida. Deixar regiões estratégicas sob um caos controlado permitem que o o mais forte (EUA) desfrute do pertóleo, enquanto os clãs lutam entre si. Desde o Iraque conseguiram ainda derrubar a Líbia e fragilizaram a Síria. Se o ISIS fosse o problema teriam se aliado a Assad contra os insurgentes, mas preferiram ficar taxando Assad de Ditador. 

    • Nada a ver. O Iraque nunca

      Nada a ver. O Iraque nunca foi um fornecedor importante de petroleo para os EUA, seu mercado é a Europa. Os EUA consomem 21 milhões de barris/dia, o Iraque fornece em torno de 285 mil dia, menos que a Colombia. Como comparação

      o Canada fornece 4 milhões de barris dia. E para os EUA ter petroleo de algum Pais basta comprar, não precisa invadir.

  17. Alguém conseguiria governar,

    …fazer acordos com gente da laia do Eduardo Cunha, sem macular-se? Os nobres parlamentares e aqueles que os elegeram são exemplos de areté? Em que mundo estamos? Entre o precário e o inexistente, que os espíritos puros e exigentes escolham. Gostaríamos, sim, que fosse diferente, mas praticamente o verbo não se conjuga no futuro do pretérito. As coisas são como são e se passam como não poderiam deixar de passar. A arte da politica talvez seja a de tornar habitável o inferno… Então, como fazer, sem abrir mão dos princípios?

  18. Pearl Harbor

     Não só na Alemanha, pois os principais comandantes operacionais do ataque a Pearl Harbor em 1941, Minouro Genda e Mitsuo Fuchida, tambem no pós-guerra percorreram carreiras bastante próximas aos americanos.

      MInouro Genda, foi Chefe de Estado Maior da “Força Aerea Japonesa” ( JASDF), entre 1954 – 1962, tendo inclusive recebido ao final de sua gestão, a maior condecoração dada pelos americanos a um estrangeiro, a “Legião do Mérito” ( as “más linguas conspirativas” afirmam que foi um presente, por ele ter selecionado o F-104 para a JASDF, e de ter sido um dos beneficiados no “escandalo Lockheed” ( Marubeni/Matsushita/Mitsubishi), que canalizou alguns milhões de dolares para seu partido politico, o PLD ).

        Mitsuo Fuchida: Encontrou “Jesus” no pós-guerra, tornou-se missionário metodista, andou e morou nos Estados Unidos, tinha até “green card”, somente não se tornou cidadão americano porque não quiz.

         AA, Spiedel, Genda, Kodama……..a lista seria longa, devem ser analisados no contexto da “guerra fria”, em suas composições politicas, o “ocidente” não poderia deixar de lado certos “experts” respeitados em seus paises, que mesmo que derrotados, continuaram importantes, até vitais, para o controle social e politico de determinados locais estratégicos.

          Já sobre a Vinnel ( da gigante Northop Grumann ), e das “iraquianas”: http://www.pscai.org ( acabou em 2011, mas é interessante saber sobre as mais de 40 empresas de “segurança privada” que trabalharam no Iraque ).

           MOralismos são sempre maleaveis, interessam até determinado ponto.

         

    • Excelente comentario, como

      Excelente comentario, como sempre. Registrando tambem o acoplamento do General Reihard Gehlen na engrenagem

      da CIA em 1950, com sede em Pulach, perto de Munich, onde Gehlen administrava 1.200 analistas e espiões voltadas para a Europa do Leste, onde ele tinha sido chefe da Abwehr para toda a Frente leste até o fim da guerra. Gehlen foi um leal servidor dos americanos e aposentou-se na folha da CIA.

      O Marechal Erich von Manstein não serviu aos americanos mas serviu ao sistema oficdental como o principal assessor militar do Chanceler Konrad Adenauer e o verdadeiro organizador da Bundesweher, o Exercio da Republica Federal

      alemã. Manstein foi o Comandante da invasão da França, Belgica, Holanda e Dinamarca, foi um dos tres Comandantes da Operação Barbarossa (invasão da URSS) e reaparece como firme colaborador do sistema NATO. Adenauer só não o colocou no comando da Bundeswehr por razõs politicas, seria por demais acintoso.

      Os aniversarios de Manstein eram o maior acontecido social de Bonn, reunindo a nata dos ex-generais do Terceiro Reich.

      • Lockhedd und Strauss

          Sei que vc. já comentou sobre este escandalo, portanto lembro que: 3 ex militares do III Reich, foram envolvidos na “parte germanica” dos subornos NATO anos 60/70, junto com um ex-militar americano CIC/OSS.

           Após a rendição da Alemanha, oficiais de inteligência (CIC/OSS), necessitaram de interpretes que tivessem sido militares, e um destes foi um que seria futuramente um poderoso Ministro da Alemanha Ocidental, Herr Franz Joseph Strauss, que trabalhou junto ao oficial da OSS na “desnazificação” de nome Ernst Hauser.

           Nos anos 60 Mr. Hauser foi o lobista contratado da Lockhedd, para atuar junto ao governo alemão ocidental, cujo Ministro era Strauss, para a venda do F-104 ( o maior negócio da NATO até 1976 – pois se Alemanha o escolhe-se, Italia, Holanda, Dinamarca, tambem o adquiririam – o que de fato ocorreu ), avião que um dos maiores ases de caça da Luftwaffe, Erich Hartmann, a época inspetor do Bundeswehr, teria recusado a adquirir. O que Strauss fez: Hartmann foi substituido por outro, tambem um ex-oficial alemão da 2a GM, Ernst Kammhuber que fez um realtório favoravel ao F-104, Hartmann, logo depois foi “reformado”, e Kammhuber chegou a Chefe de Estado Maior do Bundeswehr.

             Franz Josef Strauss, um colecionador de escandalos, um homem “tefal”, notavel em certos sentidos quando visto pela ótica da “realpolitik” ( seu livro de 1965 – ” O Grande Projeto” é um embrião do que hj. significa a União Européia), apesar de todas as criticas, chegou antes de falecer, a Presidente do Grupo Airbus, e hj. é homenageado com o Aeroporto de Munique. Foi um corrupto ?  Talvez . Arrecadou dinheiro para seu partido CSU, por meios “suspeitos” ? Com certeza. Abriu a Alemanha Ocidental para a Alemanha Oriental e conversou com soviéticos, até emprestou fundos federais ocidentais para os orientais ? Sim.

              Um personagem histórico  complexo, “moralmente (polianicamente) maleavel “, agindo de acordo com as circunstancias, uma raposa da politica, mas que sempre atuou com visão de Estado – pode ter sido a dele, mas funcionou para a Alemanha.

  19. AA me lembrou Platão!

    Platão e sua sociedade tinham a grande falha de serem escravocratas.

    O calcanhar de aquiles do AA é aceitar os criminosos cheios da $$$$$.

    Aos trancos e barrancos o Brasil, bem devagar, vai evoluindo e diminuindo a impunidade. E tem gente que só olha o lado ruim. Eu adoraria que o Moro e Cia fossem totalmente imparciais, mas, quem disse que a vida é como a gente quer?

    Em vez de reclamar de quem quer exterminar todas as baratas e ignora as outras pragas. Por que os demais (incluindo a gnt) não tentam exterminar as ratazanas, ratos,…??? Tem 13 anos que as baratas superaram as demais, temos uma chance real de controlar todas essas pragas.

    E nos tamos a 1/2 caminho das (novas) obras publicas baratearem e até o custo Brasil diminuir como consequência.

  20. Tem muito Matternich nesta

    Tem muito Matternich nesta conversa do AA, que sempre é digamos assim pré Aleijadinho, mas o que importa a dizer é que aquilo que aconteceu em 2013 deu em Cunha, deu em Moro, deu nesta safadeza e descompostura do MP politizado e pró direita e tucanos e nada mais que isso. E quem defende as tais jornadas de junho de 2013? Só mesmo o Nassif! rsrsrsrsrsrs

  21. “O moralismo é inimigo

    “O moralismo é inimigo frontal da REALPOLITIK, a política do possível sem princípios e com a visão da realidade, fazendo o que é possível fazer com os pés no chão e não tentando salvar o mundo.”

    O pior de tudo é que se você prega isso você é chamado de pragmatico, qque quer manter tudo como dantes. o PT aprendeu uma certa dose de REALPOLITIK, o PSDB já nasceu sabendo. As viúvas  do PT fazem coro ao moralismo destruidor e tem coragem de dizer que Moro está atendendo aos anseios da sociedade. Bem se isso for verdade eu posso afirmar com certeza que ainda não saimos dos tempos biblicos e, por mais tecnologia que se possa estar utilizando continuamos selvagens em busca de vingança contra quem não está teleguiado pela pururuca.

  22. O Fascista, a corrupção e a classe média

    O Fascista fala em corrupção, o tempo todo, pois sabe que se trata de um tema que sensibiliza a classe-média – sua classe-esteio. Esta, inveja o enriquecimento rápido e fácil produzido por essa prática mas, sem acesso a ele, o rejeita.

    “O FASCISTA fala o tempo todo em CORRUPÇÃO. Fez isso na Itália em 1922, na Alemanha em 1933 e no Brasil em 1964. Ele acusa, insulta e agride como se fosse puro e honesto. Mas o fascista é apenas um criminoso comum, um SOCIOPATA que faz carreira na política.

    No poder, essa direita não hesita em torturar, estuprar e roubar sua carteira, sua liberdade e seus direitos. Mais do que a corrupção, o fascista pratica a MALDADE”.

    Norberto Bobbio – Filósofo, jurista e pensador italiano socialista liberal, 2003.

     

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