Os enredos das Escolas do Rio de Janeiro – Grupo Especial, segunda-feira

Seis escolas entram no Sambódromo da Marquês de Sapucaí nesta segunda-feira, encerrando o carnaval 2020

Seis escolas entram no Sambódromo da Marquês de Sapucaí nesta segunda-feira, encerrando o carnaval 2020

Jornal GGN – Para celebrar a principal festa popular do Brasil, o Jornal GGN faz um especial com os sambas-enredo das escolas de samba do Grupo Especial da cidade do Rio de Janeiro, mostrando que história e reflexão social também fazem parte da folia.

O segundo dia do desfile das escolas do Grupo Especial do Rio de Janeiro está programado para esta segunda-feira (24/02), no Sambódromo da Marquês de Sapucaí.

São Clemente – 21h30

Conhecida pelo tom crítico e bem-humorado, a São Clemente vai abrir o segundo dia de desfiles com o enredo “O Conto do Vigário”. Assinado por Marcelo Adnet, entre outros, o enredo vai apresentar contos de malandragem e falcatruas da história brasileira, a começar pela cobiça pelo ouro de Minas Gerais.

Na sinopse do samba da escola, é possível identificar menções à atual situação política do Brasil – “pelo voto, se vende as maiores ilusões. E como sabem contar histórias esses candidatos a ‘malandro oficial’”. Ou seja, os eleitores caem no conto de algum vigarista a cada nova eleição. Ou como diz o samba da escola: “Brasil, compartilhou, viralizou, nem viu! E o País inteiro assim sambou “Caiu na fake news!””

Vila Isabel – entre 22h30 e 22h40

O enredo da Vila Isabel – “Gigante Pela Própria Natureza: Jaçanã e Um Índio Chamado Brasil” – aborda a história de Brasília, a capital do país. Neste caso, a história ganhará ares mitológicos, com a criação da cidade sendo transformada em uma lenda indígena – para assim levar esperança aos povos que habitam as terras onde também vive o índio Brasil.

A escola usa o índio Brasil como fio condutor de seu enredo, mostrando que a cidade de Brasília é um caldeirão construído por vários povos.

Salgueiro – entre 23h30 e 23h50

A escola vai cantar a vida e obra de Benjamin de Oliveira, o primeiro palhaço negro do Brasil, no enredo “O Rei Negro do Picadeiro”. Filho de uma escrava liberta e de um capitão do mato, Benjamin saiu de casa aos 12 anos para entrar no circo. Pioneiro em vários aspectos cênicos, ele foi ator, diretor, autor, produtor, dançarino, compositor e cantor. Caso estivesse vivo, completaria 150 anos em 2020.

“Abram as cortinas, acendam as luzes, que o show tem que continuar! Respeitável público, minhas senhoras e meus senhores, nessa passarela/picadeiro, o meu querido Salgueiro vai apresentar: Novos Benjamins do circo, teatro, cinema e televisão, com o aplauso “d´ocês”!”, diz o enredo da escola.

 

Unidos da Tijuca – entre 0h30 e 1h

A escola do Morro do Borel preparou um tema sobre arquitetura e urbanismo: o enredo “Onde moram os sonhos” aborda as belezas naturais e aquelas produzidas pelo homem no Rio de Janeiro. O mote do enredo é o fato de a cidade sediar, pela primeira vez, o Congresso Mundial de Arquitetos em 2020.

O desfile vai apresentar a capacidade do homem de criar abrigos para diferentes atividades, além da arquitetura brasileira – das ocas indígenas à construção de Brasília. O lado crítico fica por conta da falta de planejamento e de urbanização decorrentes do crescimento desordenado e que traz desequilíbrio social, climático e ecológico.

 

Mocidade Independente de Padre Miguel – entre 1h30 e 2h10

A escola de Padre Miguel irá homenagear uma de suas torcedoras mais ilustres: a cantora Elza Soares.  De autoria da cantora Sandra de Sá e outros sete compositores, o samba “Elza Deusa Soares”, conta a história e trajetória da cantora desde seu surgimento no cenário musical, na década de 50, no show de calouros do apresentador e compositor Ary Barroso. Nas palavras do enredo, assinado pelo carnavalesco Jack Vasconcelos:

“No altar do samba brasileiro, a Mocidade encontra o elo fundamental perdido e celebra a apoteose de uma estrela da canção ao reinventar o agora. O seu nome é agora – menina, senhora, doutora do tempo. A mensagem que deixamos para o próximo carnaval pinta o Black e tem o Power, traz a revolução de um abalo sísmico, a urgência explosiva de um novo Big Bang, põe Exu nas rodas, nas escolas, na prosa, é rua, nua e crua:

Deus é mesmo mulher. Deus é negra.
Ouçam a sua palavra que nos invade.
Salve a Mulher do Fim do Mundo.
Salve Elza Deusa Soares”

 

Beija-Flor – entre 2h30 e 3h20           

A escola de Nilópolis vai fechar o carnaval 2020 versando sobre os caminhos mágicos trilhados pelo mundo: o enredo “Se essa rua fosse minha” mostra histórias de rumos, rotas, trajetórias, caminhos e estradas por onde a humanidade passou até chegar ao Sambódromo da Marquês de Sapucaí, a rua mais importante do carnaval carioca.

“Desde as tribos andarilhas até o apogeu da civilização, com a invenção da roda, assim viajou a humanidade. Encurtou distâncias, traçou rotas, desbravou a terra, delimitou fronteiras ao vencer obstáculos. Arriscou-se, de forma aventureira, nas encruzilhadas do tempo e enfrentou os desvios do destino, estando à sorte na vastidão de incertezas, de abismos e labirintos, de caminhos e descaminhos, a percorrer as vias da vida do por vir, nas idas e vindas dessa história, estrada sem fim”, diz o enredo da escola.

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