A ignorância abissal da ultradireita jornalística, por André Araújo

Arte Ben Gossens (modificada)

Dilema da ignorância, por André Araújo

WALL STREET OU VENEZUELA

Os jornalistas “partiu pra cima” da nova ultra direita apresentam o seguinte dilema, se você não aceita todos os ditames do ultra neoliberalismo, desses que querem vender o Brasil de porteira fechada ou então você quer uma economia como a da Venezuela. Não há alternativa, ou é Goldman Sachs ou é Maduro, o analfabetismo político-econômico gerou essa necrosia intelectual, a vida é binaria, ou é branco ou é preto, não existe o azul, o cinza, o turquesa.

Nunca ouviram falar de Lord Keynes, um aristocrata inglês do mais refinado cérebro, ligado às artes e à literatura que não adotava o discurso do mercado e salvou a economia mundial com fórmulas que hoje seriam consideradas pelos ultra direitas como “comunistas”.

A carta que Keynes enviou ao Presidente Roosevelt, outro comunista, em 30 de Maio de 1933 pedia ao Presidente dos EUA que usasse o Estado para tirar os EUA da Depressão, que fez um quarto dos americanos ficarem desempregados. Roosevelt seguiu Keynes contra o  “mercado “que queria curar a Depressão com “ajustes” como os neoliberais brasileiros de hoje querem fazer e que jamais dará certo porque o ajuste é necessário mas não é o remédio pata tirar o Pais da recessão. Ao contrário, o ajuste aprofunda a recessão enquanto promete resultados no longo prazo, esquecendo a frase celebre de Keynes “No longo prazo todos estaremos mortos”.

Os desempregados precisam comer no curto prazo e isso só será possível com um plano de emergência para reativar a economia, o que é da lógica da realidade, mas não da lógica do mercado financeiro, que pode funcionar desligado da economia da produção e dos empregos.

A chamada “escola neoliberal” é página virada na sua própria “alma mater”, a Universidade de Chicago, os legatários de Friedman tiveram que sair de Chicago e foram para a Carnegie Mellon University em Pittsburgh, o Estado americano salvou o mercado em 2008, com isso enterrando o credo neoliberal que partia do principio de que o “mercado se auto ajusta”.

Apesar dessa evidência seguem se apresentando no Brasil certos personagens com a etiqueta de “ultraneoliberal”, porque sequer sabem que essa escola está em um ciclo findo.

Como estudaram nas faculdades de economia há 30 anos, guardam uma cartilha mental embolorada e completamente defasada e não tem a capacidade intelectual de reciclar aquilo que aprenderam, o que é típico de cérebros apostilados limitados e medíocres.

A operação da politica econômica se faz em todo lugar pela combinação de instrumentos e não com um cardápio fixo imutável, a famosa “lição de casa” do antigo FMI, até o FMI mudou muito desde os anos 90, a ponto de ser critico do ajuste excessivo na Grécia.

Politica econômica é uma arte de combinação de instrumentos sem regras fixas que variam a cada ciclo e circunstancia, é essencialmente arte e não matemática pura, aliás o estudo de ciência econômica que começou na França e na Inglaterra sempre foi tratado como da área da politica, foram os americanos que introduziram formulas fixas e matemáticas no estudo da economia, formulas originadas de seu modelo econômico e que raramente dão certo em outros países e contextos, é preciso tratar a economia como arte e não como experimento de laboratório como alguns cérebros mofados ainda querem operar na base de “tripés”.

O MITO DA PRODUTIVIDADE

Os economistas neoliberais tem fascínio pelo conceito de “produtividade” que para eles tem valor absoluto, é algo sempre bom,  quando na realidade é um conceito sempre relativo.

A produtividade na micro economia pode ser improdutiva na macro economia. Se uma empresa que emprega 20.000 operários investe pesadamente em automatização e com isso dispensa 15.000 empregados, consegue economizar 300 milhões de Reais em folha de pagamento, ótimo para a empresa. Na macro economia, esses desempregados vão gerar custos novos em seguro desemprego, saúde publica, saúde mental, perda de capital investido anteriormente na sua formação, uma parte em  aumento de  criminalidade a  exigir mais policia, justiça e prisões, há rompimento de famílias, casamentos, velhos,  filhos que não serão educados por falta de renda dos pais, esses desempregados deixarão de consumir muitos produtos e com isso provocam retração da economia, há uma gigantesca cadeia de perdas não só humanos e sociais mas também puramente econômicas provocadas pela aplicação simplista de um conceito de “produtividade” como valor mágico.

O extraordinário aumento de custos no tratamento de saúde mental no mundo foi calculado pelo professor Vikram Pattel, da Escola de Medicina da Universidade de Harvard com dados do Banco Mundial e chega a 16 trilhões de dólares entre 2010 e 2030. Esses custos em países significam enorme improdutividade do sistema econômico e geram perdas extraordinárias em outros sistemas, como os de saúde, justiça, polícia, educação, degradação urbana, sem falar em valores imateriais como sofrimento pessoal, dilapidação de capital humano na geração presente e nas gerações futuras, o desempregado de hoje é o filho sem educação de amanhã.

Portanto produtividade micro não é um bem absoluto. Quando Keynes sugeriu a Roosevelt empregar gente para tirar pedras de um lado das estradas e levar para outro lado, ele não estava promovendo produtividade, mas exatamente o seu contrario, ele propunha improdutividade micro para alcançar produtividade macro na economia e ao final no bem estar da população, em nome de um objetivo muito maior, tirar o País da Depressão.

É impressionante a ignorância politica e histórica de economistas de cartilha, que sempre propõe produtividade como algo mágico, o conceito é apenas micro econômico, não é humano, se os grandes mestres da humanidade pensassem em produtividade não teríamos a civilização tal qual a conhecemos, baseada em valores muito mais altos do que simplesmente economia, em valores como arte, cultura, generosidade e ciência pura.

A eleição de Trump e a saída do Reino Unido da União Europeia foram faturas que as populações apresentaram aos apóstolos da produtividade tipo “é mais barato fabricar na China”, mais barato para as empresas e infinitamente mais caro para as populações.

As empresas deixadas à sua própria e exclusiva lógica, sem direção do Estado, destruirão países e sociedades, destruíram a classe média industrial americana e as pequenas cidades industriais do interior da Grã Bretanha, tudo em nome da produtividade micro contra o bem comum desta e de futuras gerações, é preciso rever os conceitos do neoliberalismo puro.

SOBRE REFORMAS, AJUSTES E EMERGÊNCIAS

As reformas tributárias, da previdência, administrativa são fundamentais, o ajuste das despesas públicas deve ser feito para cortar abusos notórios em salários sem nenhuma correspondência com a necessidade do Estado e a capacidade dos felizardos, o emprego público já tem por si só vantagens sobre os empregos privados, não tem cabimento, além disso, pagar muito mais que o mercado mesmo no salario inicial, isso é a maior causa do déficit, além da má utilização de prédios públicos, do abuso nas terceirizações, de compras mal feitas.

Mas as reformas e os ajustes no Brasil, podem perfeitamente conviver com um PLANO DE EMERGENCIA para relançar a economia na rota do crescimento e criar rapidamente empregos com investimentos públicos necessários na infra estrutura, um plano de dois trilhões de Reais com desembolso dividido em 40 meses, 50 bilhões de Reais por mês não causaria impacto nos preços porque há muita capacidade ociosa na indústria, o mecanismo seria por emissão de um novo tipo de titulo a longo prazo, indexado, com juros de media internacional, se o mercado não absorver o Banco Central compra usando o imenso volume de deposito compulsório e também de emissão de moeda, que está estagnada há 12 anos em torno de 230 bilhões de Reais, volume baixíssimo para as dimensões da economia brasileira, 3% do PIB quando nos EUA a moeda física circulante é de 7,5% do PIB.

Grande número de países fez e faz exatamente isso sob o nome de “quantitative easing”,o Banco Central compra para sua carteira títulos da divida publica para estimular a economia, essa é função básica de um Banco Central, trabalhar para a prosperidade do Pais a que serve e não apenas operar como  instrumento de garantia do capital especulativo, que é o que faz há 24 anos o Banco Central do Brasil, a serviço do mercado financeiro e não do País.

22 comentários

  1. A moderna solução dos EUA

    Primeiramente, excelente post, caro Araújo

    Os EUA atualmente acharam uma forma mais moderna de tratar do desemprego, do que a proposta por Lord Keynes, de carregar pedras de um lado para o outro da estrada.

    Nos EUA, 65% da população, ou seja, 200 milhões de pessoas investem em bolsa de valores. Investem em ações ou fundos, para terem uma segunda fonte de renda em épocas difíceis. Este valor, gerado em dividendos, geralmente é re investido na própria carteira de ações, mas quando ele chega a determinado valor, os Americanos usam isto como aposentadoria, como seguro desemprego, ou como décimo terceiro, ou como férias, uma vez que as empresas Americanas não tem obrigação de pagar direitos trabalhistas.

    Aqui no Brasil, 0,2% da população investe em ações. Tem mais gente em presídios no Brasil do que investindo no mercado de ações. Seria um fator cultural do Brasileiro que o impede de acessar isto? Muitos Brasileiros investem na compra de um carro novo, mas não tem investimento em ações.

    Só pra se ter uma idéia, que uma carteira em ações paga de 8% a 12% ao ano e alguém que tenha 1 milhão de reais no Brasil, vai ganhar cerca de 10 mil reais por mês. Ainda que a pessoa reinvista 6 mil destes dez mil e apenas saque 4 mil por mês, dá pra viver tranquilamente com isto. Para criar um ” bolsa família  ” no Brasil de mais de 100 reais por mês, é necessário pouco mais de 30  mil reais investido na bolsa de valores.

    Enfim, hoje em dia, o Estado não precisa mais pagar para as pessoas carregarem pedras de um lado para o outro da estrada, o proprio mercado faz isto, se a pessoa investir nele.

    • falacia

      Nenhuma carteira de acões paga de 8 a 10% ao ano.

      Acão e investimento de alto risco, pode comprar e perder tudo rapidamente.

      Quem investe em acoes e não e bem informado com certeza sera enganado por operadores de corretoras e perdera tudo,

      • Se não rendesse 8% pelo menos, ninguém investiria

        Caro Sr. Roberto

        Se a poupança paga 4% e a selic 6%,  então ninguém investiria em ações, se não pagasse mais. Digo mais, tem Debêntures incentivadas que o investidor chega a tirar 9% ao ano. Então ninguém investiria em ações se não pagasse pelo menos próximo a isto. 

        O risco de investir em ações, é dependendo da empresa que você investe, uma carteira de ações do banco Itaú por exemplo é de uma solidez altíssima, pois se um Banco Itaú quebrar, o Brasil inteiro já quebrou antes. O perigo de investir em ações está em investir em açõs de risco como Odebrecht, Friboi e outras vulneráveis. 

         

        Se investir em uma corretora credenciada pela Bolsa de valores Bovespa ( atualmente chamada de B3 ), não há risco de ser enganado por uma corretora, pois a Bolsa  dá o selo de certificação B3. 

        O único risco que o investidor em ações corre, é de a empresa que ele investiu quebrar, nada mais que isto. 

        Se tem alguma dúvida de quanto uma empresa paga por cada ação, é só ir no site da B3 e procurar na página da empresa ( na seção eventos corporativos ) , nem toda empresa paga dividendos, e nem toda paga 12%, mas tem empresas que pagam sim. E os dividendos são isentos de Imposto de Renda. 

        http://www.b3.com.br/pt_br/produtos-e-servicos/negociacao/renda-variavel/acoes/consultas/dividendos-e-outros-eventos-corporativos/

        O segredo para não perder dinheiro em ações é estudar muito antes de investir, comprar barato, e ou nunca vender, ou só vender caro. E digo mais, sem emprender ( montar um negócio próprio ) ou investir em ações, a chance de enriquecer, é próxima de zero, pois só com emprego, o trabalhador  ganha muito pouco, devido à mais valia, o lucro que o empregador se apropria sobre o trabalho do empregado. 

        Taí a explicação do por que poucos investem em ações no Brasil. Há muito medo e ignorância a respeito disto. 

        • Concordo com seu

          Concordo com seu comentário.

          Aproveito para perguntar: onde podemos encontrar o índice P/L (preço sobre lucro) fácil para escolhermos as empresas que historicamente pagam os melhores dividendos?

          • No site da bolsa, o B3

            Caro Sr. Didico

            Digite no Google:

            B3 eventos corporativos.

            Este é o site : 

            http://www.b3.com.br/pt_br/produtos-e-servicos/negociacao/renda-variavel/acoes/consultas/dividendos-e-outros-eventos-corporativos/

             

            Cada letra tem todas as empresas que começam com aquela letra.

            vamos pegar um exemplo, cliquei em C e depois na Cia  gás de São Paulo COMGAS

            Clica em eventos corporativos, lado superior direito do site.

            Lá embaixo tem uma tabela escrito Proventos em dinheiro, é só ver quanto ela paga de dividendos por ação.

            Já lhe adianto que as empresas que pagam os 12% ( as vezes ) são a comgas, embora seja altamente vulnerável a ser quebrada pela lava jato.

            O Itaú paga um pouco menos, mas é praticamente a mais sólida empresa do Brasil.

            Eu jamais investiria em estatais ou empresas que tem capital de estatal, pois são alvos fáceis da lava jato.

            E menos ainda eu investiria em empresas que pegam empréstimos do BNDES, ou que fecham contratos com o governo ( outra vez, são alvos da Lava Jato )

             

            Espero qu tenha ajudado.

  2. Pra 2019 o país precisaria na

    Pra 2019 o país precisaria na economia dum Hjalmar Schacht ou dum Keynes. Mas pelo jeito há grande chance de ser  o Paulo Posto Ipiranga Guedes, o representante mais tosca da matilha dos cabeças de planilha. Aí o governo Bolsonaro terá dois fins = ou sai via impeachment no máximo em dois anos ou se mantem pela força militar. Aliás, André, acho que valeria a pena você fazer um post sobre o Hjalmar Schacht, o ministro da economia de Hitler. 

    • Vou fazer. Schacht teve a

      Vou fazer. Schacht teve a capacidade operacional equivalente a de Keynes em dois momentos: ao acabar com a hiperinflação de 1923 em seis meses, criando um modelo que foi dai em diante usado para acabar com qualquer inflação, inclusive a nossa em 1994,  o Plano Real é uma copia em detalhes do Plano Schacht, alias a tese de mestrado de Gustavo Franco nos EUA foi sobre o Plano Schacht e depois para recerter a Grande Depressão na Alemanha dentre 1933 e 1935, lá o desemprego era ainda maior do que nos EUA, 40%. Com seus serviços prestados ao nazismo, apesar dele não ser filiado ao Partido, a biografia de Schacht se manchou para sempre e seu papel como economista foi apequenado. Schacht tambem foi o inspirador do Banco para Liquidações Internacionais, conhecido como Banco da Basileia, onde ele continou a manter influencia durante e depois da Guerra, foi por essa blindagem que ele foi absolvido em Nuremberg, apesar de ser claro que sem ele e sem seus instrumentos de financiamento do reamamento do Terceiro Reich (os Mefo Bonds) Hitler não teria capacidade militar para iniciar a 2ª Guerra.

  3. O desastre da privatização da

    O desastre da privatização da água no Chile

    A água no Chile tem dono, e este dono não é o povo chileno. Por lá, ela foi inteiramente privatizada pelos PauloGuedes da vida. As empresas agrícolas compraram as terras agricultáveis dos longos vales que se estendem ao pé dos Andes e que recolhem os inúmeros arroios dos degelos, e nelas estão plantando em grande escala o abacate, a fruta que criou uma nova escola culinária na Europa. As antigamente belíssimas paisagens dos pés das montanhas agora estão tomadas por uma vastidão monocromática de plantações racionalizadas ao máximo, que visam somente o lucro e que negam qualquer benefício aos antigos moradores, que restaram abandonados e nem aos capatazes das empresas têm acesso, para que possam implorar por um pouco de água. A água eu já foi o cerne da povoação e da cultura local, está sendo transportada para a Europa em forma de abacate. Todo o abacate produzido ali vai para os restaurantes europeus. Nas plantações, usam por direito legal toda a água da região, que foi comprada por eles sem qualquer condição ou reserva visando o direito natural do povo que lá morava. As vilas e aldeias que vivem à margem daquelas terras e que antes do neo-liberalismo usufruíam de uma água que era patrimônio de todos, agora vivem do líquido sujo que vem em carros pipas, comprado caro e distante pelas pobres prefeituras, para distribuição minguada. Aquela riqueza que está em suas antigas terras não trouxe para eles qualquer benefício. O povo, que vivia de pequena agricultura, hoje não tem água sequer para se lavar. Não pode sequer plantar um limoeiro em seu quintal, porque o limoeiro tiraria sua ração de água para beber. A Deutsch Welle não é nenhuma agência “comunista”, mas está denunciando para o mundo esta barbaridade: El aguacate – El lado oscuro del superalimento | DW Documental  https://www.youtube.com/watch?v=lWqUSGJg1eU

+ comentários

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome