Eleição fez emergir “todo tipo de recalque do esgoto do inconsciente”, diz Eliane Brum

Foto: Fronteiras do Pensamento
 
 
Em artigo no El Pais, a jornalista Eliane Brum tenta mostrar um pouco a situação complicada do Brasil, no momento histórico em que a política atinge o inconsciente, ou seja, extrai o pior do nosso inconsciente.
 
 
Brum ao comentar a própria experiência expõe o que acontece no Brasil:  “A eleição de Jair Bolsonaro, o populista de extrema direita que será o próximo presidente do Brasil, liberou algo no país. Um ressentimento contido há muito – por muitos. Todo o tipo de recalque emergiu dos esgotos do inconsciente e hoje desfila euforicamente pelas ruas, escolas, universidades, repartições públicas, almoços de família”, diz.
 
Na abertura do texto, Eliane Brum narra: “Eu acompanhava uma amiga no aeroporto, em São Paulo. Os elevadores que levavam do estacionamento aos terminais demoraram. Quando finalmente entramos, estava lotado. Um homem com um bebê no colo, possivelmente seu neto, gritou: “Quando Bolsonaro assumir, isso aqui vai andar rápido!”. E acrescentou: “Pá! Pá! Pá!”. Abri a boca para perguntar: “Você está atirando no seu neto?”. E então percebi que não poderia fazer isso sem me arriscar a sofrer violência. O homem e a família que o rodeava realmente pareciam acreditar que Bolsonaro dará “um jeito em tudo”, dos “comunistas” que supõem existirem aos milhões, à velocidade dos elevadores”.
 
O ódio já escolheu suas vítimas: “Gays são ameaçados de espancamento se andarem de mãos dadas, ou simplesmente por existir, mulheres com roupa vermelha são xingadas por motoristas que passam, negros são avisados que devem voltar para a senzala, mulheres amamentando são induzidas a esconder os seios em nome da “decência”, relata. Veja texto integral.

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