Hegel e a economia brasileira, por Albertino Ribeiro

Analisando o extremismo de hoje no Brasil, seria muito bom se os pastores que apoiam a extrema direita pudessem ler Hegel.

Hegel e a economia brasileira, por Albertino Ribeiro

Há 188 anos, no dia 14 de novembro de 1831, morria Hegel, um dos filósofos mais importantes da humanidade. Nascido em Stuttgart na Alemanha, Hegel cresceu numa família protestante e estudou teologia para ser pastor. O fato de ter estudado os atributos do divino talvez tenha sido o motivo que levou sua mente brilhante a criar um sistema filosófico com envergadura para explicar o universo.

Analisando o extremismo de hoje no Brasil, seria muito bom se os pastores que apoiam a extrema direita pudessem ler Hegel. Dessa forma, poderiam cair em si e entender importantes lições. Segundo ele, a filosofia deve ter como objetivo a busca da verdade. Essa verdade hegeliana é algo que vai muito além de repetir versículos bíblicos decorados como alguns “cristãos” do governo fazem.

Para mim, uma importante verdade de Hegel, é que o ser humano não pode ser compreendido isolado em si mesmo, mas deve ser compreendido como parte de uma relação. Diferente de Margaret Thatcher que disse não existir sociedade, mas somente indivíduos.

Sua sede de conhecimento levou-o a estudar também as filosofias orientais e até lecionou sobre o taoismo, uma religião filosófica da China. Penso que o seu interesse pelo assunto tenha sido pela similaridade existente entre o seu pensamento sobre o movimento dialético – tese, antítese e síntese- e a teoria dos opostos complementares chamados de yin e yang. Tanto esta filosofia oriental e a dialética Hegeliana afirmam que a existência dos opostos é fundamental para que o mundo se ponha em marcha. É o movimento da contradição gerando evolução e equilíbrio. Esse mesmo princípio pode ser utilizado em outros contextos e arrisco dizer que é possível fazer com ele uma abordagem econômica.

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Mesmo com o legado de Hegel, ainda, hoje muitas polarizações de ideias entendem suas “verdades” como absolutas. Dentro do pensamento econômico, por exemplo, existe a oposição entre estado e mercado como ideias estanques e inconciliáveis. Poucos economistas querem sair da sua zona de conforto e olhar esses dois opostos como complementares.

Um dos economistas brasileiros que defende esse pensamento em um contexto econômico é o professor Paulo Gala. Novo desenvolvimentista, Gala entende que existe uma dualidade entre Estado e Mercado, mas sabe que cada um tem suas virtudes e defeitos, inclusive, em um artigo escrito na semana passada, neste importante jornal, Paulo Gala tratou sobre o assunto e utilizou o símbolo do Tao, demonstrando ter uma compreensão também filosófica desse conhecimento.

Como utilizamos no início o termo “ventos do oriente” este nos remete aos países asiáticos . Podemos usar como exemplo a Coreia do Sul, país do economista Ha-Joon-chang, autor do livro “chutando a escada”. Diferente do que é apregoado pela mídia dominante, a Coreia do Sul não se desenvolveu utilizando uma política neoliberal onde somente o mercado foi o catalisador do desenvolvimento. Sua pujança econômica deve-se graças a uma política de forte estímulo estatal que teve início nos anos 70. Com o apoio do estado, o mercado pode utilizar todo o seu potencial, sendo eficiente graças a sua contradição (o estado).

Graças a essa complementariedade a Coreia chegou ao lugar que hoje ocupa, uma economia desenvolvida, produtora de eletrônicos, celulares, aço, navios e carros com tecnologia de ponta.

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A bandeira da Coreia do Sul é um espelho do pensamento que permeia a sociedade daquele país, porque vai ao encontro da política desenvolvimentista que a nação pratica – hoje um pouco menos – desde a década de 70.

O lábaro da nação sul coreana não ostenta estrelados – nada contra a nossa-, mas o símbolo dos opostos complementares e as linhas nos seus quatro cantos ( água – fogo e céu – terra), dá suporte conceitual para que a sociedade daquele país possa agir conforme as leis do movimento, adaptando-se e superando às mudanças exigidas pelas contradições do capitalismo mundial.

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