Não estou nem aí, por Silvana Do Monte Moreira

Por Silvana Do Monte Moreira:

Desculpem, cansei do “tou nem aí”.

Cansei do “não é comigo”.

Cansei dos que não se envolvem, afinal, para que?

Viramos ativistas, loucos, malucos, um passo de virarmos terroristas.

Cansei… para que estou lutando? Não preciso disso. Não sou homoafetiva, não quero adotar, não pretendo “pegar sobrinha para criar”, também não pretendo morar com minha tia e não tenho mais avós. Ah, também não pretendo morar sozinha e constituir uma família comigo mesma.

Vou parar de buscar assinaturas para o abaixo assinado do AVAAZ, essa campanha contra o Estatuto da Família não me afeta. Sou casada, tenho filhos, sou hetero, então, dane-se o mundo. Danem-se os Projetos de Lei pessimamente redigidos e com objetivos escusos. O que me importa?

Eu não sou Flamengo, não tenho uma nega chamada Teresa, não tenho com o que me preocupar. Amanhã? Amanhã será outro dia.

Amanhã? Amanhã vamos mais uma vez votar errado e mais uma vez nos omitir no exercício da cidadania. Assinar um manifesto? Por que assinaria? Por que perderia um minuto da minha vida compartilhando o fato de que um PL vai acabar com a diversidade e pluralidade familiar?

Vivemos num mundo de individualidades, egos e relações vazias, onde as pessoas se odeiam pelo simples fato de não verem um vestido cafona da mesma cor.

Vamos brincar? Você prefere famílias azuis e pretas ou famílias brancas e douradas?

Você prefere ver o clipe do pararatibum ou da pepa pig?

Leia também:  “Se Eles Calarem”, por Frei Sergio Antônio Görgen

Em um mundo onde as cores de um vestido são mais importantes que a concepção de família, creio que não tenha muito pelo que lutar.

Em um país onde o mais importante é decidir qual coreografia é mais divertida, independentemente do conteúdo das letras, será que vale a pena insistir?

Penso que se colocarmos um vestido cafona com efeitos óticos diferenciados e com a trilha sonora do paratibum seguido do pepa pig até amanhã estaremos com 1 bilhão de assinaturas.

Eu cumpri o meu dever, não sou gay, não vou adotar, mas sou contra a amputação de direitos de quem quer que seja.

E você, vai continuar nem aí?

https://secure.avaaz.org/po/petition/Presidencia_Republica_Senado_Federal_Camara_Deputados_CCJ_CDHM_e_MJust_A_alteracao_da_redacao_inconstitucional_do_art_2_/?pv=22

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4 comentários

  1. Assinei a petição.
    Mas não

    Assinei a petição.

    Mas não acho que assinar petições no Avaaz resolva alguma coisa.

    É “militância de poltrona”, e não mais do que isso.

    E a alternativa não é entre assinar petições e “não fazer nada”; é entre participar, de forma organizada, da luta política no país, e “não fazer nada” – “não fazer nada” incluindo, no caso, assinar petições no Avaaz achando que se está fazendo alguma coisa.

    (É por isso que, quanto mais coxinhas as petições, mais assinaturas têm – a pelo impeachmente de Dilma já vai chegando a 2 milhões: por que assinar petições é o conceito coxinha de militância; quem não participa de sindicato, partido político, associação de moradia, movimento ecológico, feminista, etc., assina petições ou vota no Votenaweb, se achando grande coisa, com direito a desprezar quem faz militância de verdade.)

    • Assinei a petição, mas não.

      A assinatura da petição e a adesão aos movimentos realizados nas redes sociais são apenas pequenos pontos. Com certeza nada se compara a saber votar e ter convicção que a culpa de tudo isso é nossa; da nossa omissão, do nossos total descuido com o exercício da cidadania. Entendo o seu ponto de vista. Não somos militantes de poltrona, corremos o Brasil em prol da adoção legal, contudo alguns deputados – que não sabem a que vieram – atacam esse instituto milenar, tão antigo quanto a própria humanidade, marginalizando-o e tornando-o uma forma de parentalidade de segunda categoria.

    • FEICIBUKINIANOS

      Facebookianos, twitteiros, antigos orkuteiros, bloggeiros, somos todos os que atuam nas redes sociais e prol de alguma causa que nos dispomos a defender. Para algumas causas exisem patrocínios, são atrativas, para a causa da adoção só contamos com nós mesmos e as redes sociais enquanto forem gratuitas.

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