17 de setembro de 2026

Rumo a 2020: vamos falar de distopia, por Walter Falceta

Por volta de 1986, quase ninguém imaginava um retorno a regimes de viés fascista. A democracia se consolidaria, aos poucos, mas sem dar passos atrás.

Rumo a 2020: vamos falar de distopia

por Walter Falceta

1) Em 1969, eu vi a imagem do homem pisando na Lua. Naquela época, nós, crianças, tínhamos certeza de que a humanidade, evoluindo em harmonia, estaria estabelecendo assentamentos em outros planetas por volta do ano 2.000.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

2) Naquela época, muita gente ainda acreditava em Alex Lewyt, que previa baterias domésticas de energia nuclear. Seriam usadas em rádios portáteis e outros equipamentos, como aspiradores de pó.

3) Considerado o ritmo do desenvolvimento tecnológico, era certo que iniciaríamos o milênio seguinte com veículos voadores. Gasolina, poluição, engarrafamento, briga de trânsito? Tudo seria parte do passado remoto.

4) Lembro-me bem de uma revista de 1970 que desenhava o mundo cinquenta anos adiante, portanto, em 2020. Todas as formas de câncer seriam curáveis, a expectativa de vida superaria os 100 anos e doenças como malária, febre amarela e sarampo não matariam mais ninguém.

5) Uma revista de 1974 considerava que, em 30 anos, não haveria mais veículos movidos a combustíveis fósseis.

6) Nessa época, acreditávamos em previsões emprestadas dos livros de Huxley. Na virada do século, a tecnologia estaria tão avançada que robôs e máquinas fariam quase tudo. Trabalharíamos muito pouco e nos dedicaríamos, sobretudo, ao lazer, ao esporte e à àrte.

7) Por volta de 1986, quase ninguém imaginava um retorno a regimes de viés fascista. A democracia se consolidaria, aos poucos, mas sem dar passos atrás. As prisões políticas, torturas e assassinatos seriam atos condenados para todo o sempre.

8) Em 1996, depois da experiência do Bulletin Board System (BBS), viu-se a salvação da humanidade por meio da Internet. Em dez ou vinte anos, as verdades prevaleceriam finalmente sobre as narrativas de manipulação; o fluxo de boas informações pulverizaria mitos, mentiras e falsas crenças. As pessoas conscientes se imporiam na rede pela força de seus argumentos, fazendo avançar o rito civilizatório.

9) Quando 2010 apareceu na folhinha, imaginamos um inevitável Brasil potência mundial, finalmente livre da fome, economia pujante, inclusão social massiva, autossuficiência energética e um padrão de pulverização dura e complexa, mas irrefreável, de ideias racistas, machistas e homofóbicas.

10) Enfim, agora, eu leio sobre a invasão de mais uma aldeia de povos nativos. Os homens com rifles e facões afiados dizem “o progresso chegou” e gritam que foram enviados pelo presidente. É o futuro. É o futuro! Então, resta acreditar em “Índios”, do Legião Urbana.

“Quem me dera ao menos uma vez
Explicar o que ninguém consegue entender
Que o que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não é mais como era antigamente
(…)
Nos deram espelhos e vimos um mundo doente
Tentei chorar e não consegui…”

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Recomendados para você

Recomendados