…o lado perverso e insano da permissividade política, jurídica e social…

    …o lado perverso e insano da permissividade política, jurídica e social…
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    Enganam-se os que acreditam que os psicopatas sociais planejam desde o início de suas carreiras públicas toda a diversidade e intensidade das perversidades que cometem, do rastro de destruição, dor e sofrimentos que deixam por trás de si até serem detidos.
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    No início da década de 30, Hitler não sonhava ainda com o domínio total da Alemanha, tornar-se o Führer, dominar a Europa, matar seis milhões de judeus em campos de concentração, arrastar o mundo para uma guerra sangrenta que duraria seis anos…
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    Por incrível que possa parecer, É EXATAMENTE A PERMISSIVIDADE DA SOCIEDADE, esse ingênuo achar “que ele não será capaz disso…” (normalmente, o que afronta diretamente nosso senso de humanidade e civilidade, nossos “limites naturais”), que faz crescer lentamente aquela “semente de monstro” plantada naquele ser diabólico.
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    Pessoas como Hitler, Bolsonaro, Moro, Dória Jr., cada um em seu grau de maldade peculiar e dimensão própria “do que é capaz de fazer de ruim para a humanidade”, têm algumas coisas em comum.
    A primeira delas, UM RESSENTIMENTO DOENTIO EM SUAS ALMAS, provavelmente por não terem recebido até o início de suas vidas adultas, o que “julgavam merecer” ou, talvez, o que “necessitavam” para suprir suas imensas carências, recalques, megalomanias diversas…
    Reparem que esses quatro homens que cito revelam com muita clareza uma amargura com a vida, que mesmo os sorrisos e expressões corporais havidos nos “auges de suas carreiras” consegue ocultar, disfarçar. O buraco que carregam nas almas é como um abismo voraz, NADA pode preencher, é como um vício escravizante, que os impulsiona a sempre precisar e buscar mais e mais poder, exercido sempre com selvageria, com sadismo, com perversidades e indiferenças múltiplas – são os tumores malignos de nossa sociedade.
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    A segunda coisa que têm em comum é uma quase absoluta ausência de limites. Homens assim vão “testando” o mundo à sua volta, e à medida que percebem QUE NÃO SERÃO IMPEDIDOS, aí sim, é quando constroem seus sonhos de poder e conquista pessoal, o modo como destruirão seus inimigos, sentindo-se finalmente à vontade para viverem as suas patologias íntimas na plenitude.
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    Moro e Bolsonaro são EXEMPLOS CLAROS desse processo, em que A PARCELA ENFERMA E/OU COVARDE DA SOCIEDADE, ou os que deles necessitam para o cumprimento de seus interesses no jogo pelo poder, assumem as falas e ações NECESSÁRIAS ao seu crescimento naquela sociedade.
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    Quando ganhou o prêmio da Globo e iniciou sua projeção nacional, Moro JAMAIS intuiu que um dia poderia prender homens poderosos como Marcelo Odebrecht e colocá-los de joelhos à sua frente, quase que mendigando um acordo, qualquer acordo, que os tirasse daquele sofrimento, daquela humilhação… – acordos que só eram possíveis através de delações premiadas praticamente DITADAS pelos auxiliares de Moro – a Polícia Federal e os procuradores da Lava Jato.
    Uma mídia tomada pelo gosto de sangue, EMBRIAGADA ELA MESMA com um poder que há muito não dispunha, alimentou com a carniça de “cada corrupto”, a fome da matilha que foi transformada uma parcela imensa da nação brasileira.
    A mídia estimulava o ódio, o espírito de vingança, Moro, o herói vingador, o justiceiro, a uma plateia viciada, tomada de histerias e paroxismos selvagens, e um inimigo comum tornado o “SATANÁS” dessa turba indomável. Eis a RECEITA DO INFERNO NA TERRA…
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    E as coisas foram ocorrendo “quase que de forma natural”, houve um momento – que NINGUÉM é apto a discernir qual, com exatidão… – em que o grau de permissividade, do esgarçamento em relação ao que se podia ultrapassar nos direitos e garantias individuais e até mesmo entre as fronteiras mais basilares “do que é verdade e do que é mentira cínica”, foi de tal monta, que o país inteiro foi jogado, repentinamente, em um “MUNDO-MATRIX” perverso, surreal, onde A FICÇÃO ASSUMIU O LUGAR DA REALIDADE!
    Reagíamos, não sobre um chão de fatos verdadeiros, mas sobre a versão midiática daqueles fatos.
    A permissividade e a liberação de limites, todos eles, chegou ao ponto INSANO, demente mesmo, em que TREZE DESEMBARGADORES (entre catorze no total, vejam o tamanho da loucura!) do TRF4 decidiram que “Moro poderia fazer o que quisesse, porque tempos anormais pediam medidas de exceção”…
    Imaginemos o gozo, o êxtase, do herói-celebridade, odo homem e juiz comuns, esmagado pelo sistema na ocasião do processo conhecido como “O caso Banestado”, de repente, não mais comum, não mais humilhado, não mais tendo que engolir o sucesso de Lula, a quem odiava com todas as forças, ao contrário, livre, totalmente livre para impor à figura detestada, um massacre, a ele e sua família… – Já não haveria limites para as patologias de Sérgio Moro.
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    Do mesmo modo, Bolsonaro. Apostaria a minha vida como NUNCA acreditou, antes de 2017, na possibilidade de se tornar o presidente da República. Seu mundo era o mundo das provocações canalhas, o prazer de rir através de falas e ações dementes, fascistas, enquanto ajeitava a vida dos filhos e se juntava às milícias. É certo que estava satisfeito com essa vida, de repente, ele e os filhos ganhando por mês o que antes deveria ser a renda da família de um ano inteiro.
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    Ao não punir Bolsonaro pelas dezenas de vezes em que quebrou o decoro de modo repulsivo, a mesma sociedade, os mesmos congressistas, os mesmos juízes, a mesma mídia que alimentou Moro, alimentou o monstro Bolsonaro.
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    Hoje vemos esse espetáculo de degradações públicas, de falas e cenas abjetas, sórdidas, vis… Moro, com o verniz de sua educação e a capa de civilidade farsesca que utiliza, Bolsonaro como o cão selvagem que é, mas ambos fazendo AQUILO QUE A SOCIEDADE LHES PERMITIU – exercendo a busca pelo poder, a tentativa da destruição e humilhação dos inimigos a qualquer preço, a luta para vencerem o que já começa a ficar claro, sua derrocada final em alguns meses, quando serão VOMITADOS E ENTERRADOS, pelas mesmas forças que os criaram – mídia, Judiciário, Ministério Público e nossas elites e e classes médias.
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    São quase infinitas as lições que podemos tirar desse longo e tenebroso processo político-social que estamos ainda vivendo, Ouso dizer sem medo, O PIOR DE NOSSA HISTÓRIA, o mais degradante e vergonhoso do Brasil, enquanto nação civilizada…
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    A lição mais óbvia? Essa, que remete ao título dessa reflexão. Não se pode “legitimar exceções” em relação aos direitos, às garantias fundamentais, ao que é justo e verdadeiro. Quando a mídia CRIA um mundo de ficção, nesse mundo, um “herói”, e no imaginário popular um “SATANÁS” a ser odiado e destruído, abrem-se as portas de todos os infernos!
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    Quando finge que não vê as violências, as arbitrariedades, as violações e até os crimes desse juiz e seus auxiliares diretos, os homens e mulheres que ocupam os cargos cujas atribuições são velar por esses direitos e leis, então tornam-se eles cúmplices e legitimadores de todos os horrores que se seguem.
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    Um dia vomitaremos Moro e Bolsonaro, mas quantos como eles não terão nascido dos ovos da serpente alimentada pela sociedade?
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    Que os homens públicos desse país, mídia, sociedade em geral, aprendamos a lição tão essencial: a permissividade política, jurídica e social NUNCA é sem consequências.
    Levaremos décadas para reconstruir o nosso país.