O papel do Supremo

Mais um texto equivocadíssimo sobre o funcionamento das instituições do Estado e sobre as relações democráticas. O autor chega a defender explicitamente o aparelhamento do estado em detrimento do republicanismo, sob a premissa de que, se não for assim, haverá ataques conspiracionistas ao governo.

É um argumento muito ruim de tão paranóico que é. Parte do pressuposto ERRADO de que a conspiração é a regra geral. Ou seja, é a presunção de má-fé, quando o normal, para uma vida civilizada, seria presumir a boa-fé, típica de quem opina porque está subjetivamente insatisfeito, em termos políticos, com os resultados do julgamento da AP 470. É a opinião daqueles que compõem o grupo que descobriu apenas recentemente, depois de milênios de civilização, que as decisões judiciais costumam trazer consigo a marca indelével da contrariedade aos mais diversos interesses. Sempre que houver uma decisão judicial, interesses serão necessariamente contrariados. Não há como fugir disso, que acontece desde que se criou algo parecido com o Poder Judiciário. Mas os defensores dos mensaleiros não admitem ser contrariados em seus interesses.

Eles criam as mais tresloucadas teorias da conspiração, a exemplo de supor que um processo judicial que se arrasta há mais de sete anos (!!) possa ser peça de uma conspiração. É a conspiração mais longa que se tem notícia na história humana moderna. Quem criou essa conspiração já sabia, por exemplo, que Lula seria reeleito em 2006 e que o PT faria o seu sucessor em 2010. Faz muito sentido essa conspiração, como logo nós percebemos rsrsrs.

O autor do post, sem maiores dilemas morais, coloca os seus interesses políticos pessoais acima da impessoalidade que deve gracejar nas relações institucionais. Tudo porque réus foram corretamente condenados num processo penal onde foram amplamente garantidos o contraditório e a ampla defesa.

Não tem outra forma de analisar esse tipo de opinião: trata-se de opinião alimentada por puroautoritarismo de quem pretende se colocar acima das leis e das instituições democráticas. Não importa que todo o tempo outras pessoas tenham sofrido condenações na justiça. Elas não importam. Outros, que estão acima da lei e das decisões judiciais, alguns deles alçados a figuras míticas, como semi-deuses da política, verdadeiros santos que devem ser protegidos messianicamente, é que merecem a atenção. O que importa é que os réus da AP 470 eram intocáveis e jamais, sob hipótese alguma, poderiam ter sido condenados, mesmo quando foram flagrados comandando um escandaloso esquema de corrupção em Brasília.

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