Na BBC, Lula fala sobre sua condenação e sobre Bolsonaro

“Bolsonaro defende um estado policialesco, um estado armado.  Você não vê cidadão (que defende o atual mandatário da República) fazer um gesto que não seja o de atirar. O problema do Brasil não se resolve com arma, se resolve com livro, com escola”, disse Lula.

Jornal GGN – Nesta sexta, dia 10, Lula foi entrevistado por Kennedy Alencar para a TV britânica BBC. Esta é a segunda entrevista concedida por Lula, preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. A Rede TV!, emissora brasileira, também deveria transmitir a entrevista, mas por pressão do governo Bolsonaro desistiu, e ainda não deu nenhuma explicação oficial.

A edição da entrevista trouxe Lula em vários momentos de seu período como presidente do Brasil. Aclamado pelo mundo como um grande estadista, Lula reafirmou, em mais de uma ocasião, seu compromisso no combate à fome. “Enquanto houver um irmão brasileiro, uma irmã brasileira passando fome teremos motivos de sobra para nos cobrir de vergonha”, disse ele aos governantes de outros países, e ali firmou, mais uma vez, suas políticas voltadas para tirar o Brasil do mapa da fome.

Lula, a Kennedy, afirmou que ali estava a filosofia de seu governo. Se o pobre comprar dois pães, dois café, uma blusa, um tijolo a mais, ali se movimenta a economia. “Tem duas formas de o país crescer. Uma é o mercado interno, uma é você produzir para o consumo de seu povo, e a outra é você produzir para exportação. Para exportar você precisa fazer um esforço incomensurável para vender, isto é, tem que bater palma na porta de cada país, tem que convencer o país. Eu viajava, eu levava empresário para tudo quanto é lugar para vender, vendia sapato, vendia roupa, vendia tudo. E é por isso que nós demos um crescimento extraordinário”, explica Lula.

O ex-presidente afirma que existe um problema psicológico na elite brasileira que é não suportar a ascensão das camadas mais pobres. Os pobres incomodam as elites, pois estão ocupando espaços de ascensão social que não estava previsto para eles desde a escravidão.

Sobre as Olimpíadas no Brasil, Lula relembra a alegria do povo quando foi aprovado o nome do Rio de Janeiro. Considera que foi uma oportunidade desperdiçada pelo Brasil, país que já estava sendo tomado pelo ódio, por uma disputa insana e isso prejudicou o país.

Lula falou ainda sobre Dilma Rousseff e suas dificuldades no governo. Lamenta somente não ter sido mais incisivo com Dilma, principalmente quando começaram as dificuldades de seu governo. O ex-presidente considera que, até hoje, os eventos de julho de 2013 não foram corretamente avaliados. Para ele, aqueles eventos já faziam parte da arquitetura política para derrubar o governo e tirar o PT do poder.

“Eu acho que a corrupção tem um peso”, diz Lula sobre a atuação da Lava Jato e os eventos aí desenrolados desde 2014, “mas não é o peso a ponto de atrapalhar a economia do Brasil”, completa ele. “O que efetivamente atrapalha a economia do Brasil é que o Brasil nunca pensou efetivamente em se desenvolver. O Brasil se contentou em ser o que é, um país para 35 milhões, e o restante que seja número estatístico”, afirma. Lula lembra que todos os mecanismos anticorrupção foram criados nos governos do PT.

Na conversa com Kennedy, Lula abordou, mais uma vez, a farsa construída a partir de provas inexistentes que o condenou. Falou sobre Sergio Moro e sua atuação na sua condenação e analisou o governo Bolsonaro nessa sequência de desastres administrativos e, principalmente, criticou o ataque do governo à Educação.

“Bolsonaro defende um estado policialesco, um estado armado.  Você não vê cidadão (que defende o atual mandatário da República) fazer um gesto que não seja o de atirar. O problema do Brasil não se resolve com arma, se resolve com livro, com escola”, disse Lula.

“O problema do Brasil se resolve com livros, com escolas”, disse Lula, um defensor ferrenho da educação como passo importante para o desenvolvimento. E criticou o fato de que Bolsonaro acha que no Brasil tudo se resolve com porte de armas.

Lula lembra a atuação do PT em seus governos para alçar o país ao desenvolvimento, e isso somente seria possível com educação. Foram 18 novas universidades federais e 173 campus universitários, dobrando o número de alunos em graduação, entre 2003 e 2014, saltando de 505 mil para 932 mil estudantes.

Para o ex-presidente, Bolsonaro está mais preocupado em “correr atrás do filho para apagar incêndio todo dia” do que investir em educação. “Se o brasil quiser ser respeitado, tem q cuidar de si mesmo. não é com discurso, é com prática. Ao invés de falar bobagem, ele devia terminar o mandato fazendo mais que universidade, colocando mais crianças na escola, construir mais casas…”, disse ele.

Lula falou sobre seu processo, já denunciado por órgãos e magistrados do mundo todo. E desafia: “Mostrem uma única prova contra mim! Moro nasceu pra se esconder atrás de uma toga. Agora ele tem que se expor a debate.  Eu adoraria sair daqui e fazer debate com o Moro sobre os crimes que ele diz que eu cometi”.

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5 comentários

  1. Não gostei não. Parece que a BBC está mais preocupada em “pressionar supostos corruptos” do que saber a opinião do Lula sobre os acontecimentos políticos que geraram toda esta confusão. A narrativa do inglês é toda baseada na suposição de que Moro tem provas de sua armação. Mas a tv passa ao largo deste importantíssimo detalhe…

  2. Alguns erros do jornalismo da BBC:

    – Abordar Bolsonaro como se tivesse sido um valoroso militar. É assim que os ingleses vêm os paraquedistas. Faltou dizer que Bolsonaro só virou capitão quando foi reformado e que enquanto fez parte do EB tomou várias ações no sentido de destruí-lo. Isso é bem diferente de um heróico capitão.

    – Deixar claro os crimes que Sérgio Moro cometeu quando trabalhou na destruição da reputação de Lula, de Dilma, do PT, da Odebrecht. Dar publicidade aos atos de órgãos públicos é uma coisa, juiz falando fora dos autos é outra. Não foi dito, por exemplo, que os funcionários da firma “Globo” chegaram ao apartamento de Lula, no dia da condução coercitiva, antes da PF.

    Há muitas outras incorreções factuais nesse trabalho da BBC, qualquer um que preste atenção percebe.

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